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PROJETO DE PARECER N.º 03/2017

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PROJETO DE 

PARECER N.º 03/2017 

  4.ª ALTERAÇÃO AO DECRETO‐LEI N.º 139/2012, DE 5 DE JULHO, QUE ESTABELECE  OS  PRINCÍPIOS  ORIENTADORES  DA  ORGANIZAÇÃO  E  DA  GESTÃO  DOS  CURRÍCULOS DOS ENSINOS BÁSICO E SECUNDÁRIO, E DA RESPETIVA AVALIAÇÃO  DOS CONHECIMENTOS      O Senhor Ministro da Educação solicitou ao Conselho das Escolas parecer sobre o  projeto de decreto‐lei que procede à quarta alteração ao Decreto‐Lei nº 139/2012, de  5  de  julho,  na  redação  atual,  no  qual  se  estabelecem  os  princípios  orientadores  da  organização e da gestão dos currículos dos ensinos básico e secundário, da avaliação  dos  conhecimentos  a  adquirir  e  das  capacidades  a  desenvolver  pelos  alunos  e  do  processo de desenvolvimento do currículo dos ensinos básico e secundário. 

Assim, nos termos legais e regimentais, o Conselho emite o seguinte: 

 

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Sede do Conselho das Escolas: Escola Secundária Eça de Queirós

PARECER 

 

I – ENQUADRAMENTO 

O Decreto‐Lei n.º 139/2012, de 5 de julho, na sua redação atual, “estabelece os  princípios orientadores da organização e da gestão dos currículos dos ensinos básico e  secundário,  da  avaliação  dos  conhecimentos  a  adquirir  e  das  capacidades  a  desenvolver pelos alunos e do processo de desenvolvimento do currículo dos ensinos  básico  e  secundário”.  Ou  seja,  estabelece  o  quadro  global  da  organização  e  gestão 

curricular, da avaliação e certificação dos alunos e do processo de desenvolvimento  do  currículo,  em  todas  as  ofertas  formativas  de  nível  básico  e  secundário  do  ensino 

não superior.  

Desde  a  sua  publicação  sofreu  três  alterações:  em  2013  reforçou‐se  e  flexibilizou‐se a gestão do currículo do 1.º ciclo do ensino básico e reforçou‐se a carga  horária da componente de formação em contexto de trabalho dos cursos profissionais;  em 2014 voltou‐se a alterar o currículo do 1.º ciclo do ensino básico, com a introdução  da disciplina de Inglês, de caráter obrigatório nos 3.º e 4.º anos de escolaridade. Mais  recentemente,  em  4  de  abril  de  2016,  através  do  Decreto‐Lei  n.º  17/2016,  as  alterações  introduzidas  visaram  plasmar  no  preceituado  legal  um  novo  “modelo  integrado de avaliação externa das aprendizagens”. 

As alterações que constam do presente projeto em apreciação vêm materializar  várias  opções  políticas  assumidas  pelo  Ministério  da  Educação,  divulgadas  publicamente e das quais se dará conta no número seguinte. 

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II – PRINCIPAIS ALTERAÇÕES A INTRODUZIR NO ATUAL QUADRO 

LEGAL  

O  projeto  em  apreciação  prevê  a  introdução  de  várias  alterações  à  atual 

organização curricular, avaliação e certificação dos alunos, a saber: 

1. Introduzem‐se o certificado e o diploma em “formato eletrónico”.  2. Extingue‐se a oferta formativa de cursos vocacionais.  

3. Cessa  a  obrigatoriedade  da  avaliação  externa  para  os  alunos  dos  cursos  profissionais  e  para  os  alunos  dos  cursos  de  ensino  artístico  especializado  que  pretendam  prosseguir  estudos  no  ensino  superior,  conferente  de  grau  académico 

4. Revogam‐se  os  efeitos  excecionais  da  avaliação  da  disciplina  de  Educação  Física no Ensino Secundário.  5. Altera‐se a matriz curricular do 1.º Ciclo do Ensino Básico, em três aspetos:   a. O tempo curricular máximo a cumprir pelos alunos passa a ser fixo e de  25 horas semanais;  b. A carga horária semanal das diversas componentes do currículo deixa de  ser definida por um limite “mínimo” semanal e passa a ser definida por  um “valor de referência” semanal;  c. No tempo curricular semanal a cumprir pelos alunos (25 horas) inclui‐se  o “tempo de intervalo” entre atividades letivas, exceto o intervalo para  almoço. 

 

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III – APRECIAÇÃO DAS ALTERAÇÕES PROPOSTAS  

A. CERTIFICAÇÃO EM FORMATO ELETRÓNICO 

1. O  Conselho  das  Escolas  é  favorável  à  desmaterialização  de  processos  em  toda  a  Administração  Pública,  nomeadamente  ao  nível  das  Escolas  e  Agrupamentos de Escolas (Escolas). 

2. A emissão de certificados e diplomas em formato eletrónico pode ser uma  medida  positiva  se  daí  resultar  redução  da  burocracia  e  diminuição  dos  custos  operacionais  inerentes  ao  funcionamento  das  Escolas,  nomeadamente se o processo permitir reduzir consumos de papel e tempos  de execução.    

 

B. EXTINÇÃO DOS CURSOS VOCACIONAIS  3. O Conselho é favorável à existência de percursos educativos diversificados,  que permitam aos jovens e adultos encontrar o melhor itinerário formativo  e aceder às suas aspirações e vocações.  4. O Conselho reconhece que a diversificação de percursos e ofertas formativas  se constitui, também, com uma estratégia central no combate ao insucesso  e abandono escolares precoces.  5. Os Cursos Vocacionais foram criados como uma resposta alternativa para os  jovens em risco de abandono escolar precoce que, por esta via de um ensino  mais  vocacional,  mais  prático  e  de  progressão  mais  rápida,  poderiam  manter‐se ligados à Escola e vir a integrar ofertas formativas mais sólidas, de  caráter  profissionalizante  ou  vocacional,  ou  ainda  prosseguir  estudos  nos  cursos regulares.  

6. Todavia,  verificou‐se  que  a  formação  resultante  destes  cursos  não  tinha  correspondência a qualquer qualificação profissional no sistema europeu, o  que os desvalorizou como via formativa para estes alunos. 

7. Na  prática,  verificou‐se  que  os  cursos  do  Ensino  Vocacional  não  estavam  organizados nem estruturados para oferecer aos jovens alunos um percurso  vocacional e formativo consistente, antes servindo como opção de segunda  linha  para  onde  as  Escolas  encaminhavam  os  alunos  com  um  historial  de 

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várias  retenções,  desinteressados  e  inadaptados  aos  currículos  uniformes  dos cursos regulares e que ainda não tinham idade para integrar um curso  de educação e de formação (CEF). 

 

C. INEXISTÊNCIA  DE  AVALIAÇÃO  SUMATIVA  EXTERNA  PARA  OS  ALUNOS  DOS  CURSOS  PROFISSIONAIS  E  DO  ENSINO  ARTÍSTICO  ESPECIALIZADO  QUE  PRETENDEM  PROSSEGUIR  ESTUDOS  NO  ENSINO  SUPERIOR  EM  CURSOS  CONFERENTES DE GRAU ACADÉMICO 

8. O  Conselho  defende  que  a  qualidade  dos  vários  percursos  formativos  oferecidos  pelas  Escolas  dependerá  sempre,  entre  outros,  da  diversidade  dos cursos e dos itinerários formativos, da permeabilidade entre eles e das  opões à disposição dos alunos após a respetiva conclusão. 

9. Os percursos educativos de qualidade devem ser permeáveis na diversidade.  Ou  seja,  mesmo  sendo  diferentes  nos  modelos  organizativos,  devem  permitir e facilitar que os alunos mudem de curso sem lhes causar prejuízo  ou constrangimento de maior. 

10. Os percursos educativos, sendo diversos, devem permitir que os alunos, no  final,  concluído  que  esteja  o  12.º  Ano,  disponham  dos  conhecimentos  e  competências  que  lhes  permitam  aceder,  em  idênticas  condições,  ao  prosseguimento de estudos em cursos do ensino superior ou a ingressar no  mercado de trabalho. 

11. O Conselho entende que o modelo de avaliação interna e externa poderá ser  específico e adequado a cada oferta formativa e a cada curso em particular,  como, aliás, acontece atualmente. 

12. O  Conselho  também  defende  que  os  percursos  formativos  seguidos  pelos  alunos,  bem  como  a  natureza  e  tipo  de  cursos  frequentados  –  nomeadamente  os  cursos  profissionais  e  os  artísticos  especializados  ‐  não  devem constituir‐se como impedimentos para, no seu final, qualquer aluno  poder  optar  pelo  prosseguimento  de  estudos  e  ter  acesso  a  um  curso  superior e conferente de grau académico.  

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Sede do Conselho das Escolas: Escola Secundária Eça de Queirós

13. O  acesso  dos  alunos  ao  ensino  superior  baseia‐se,  tradicionalmente,  na  ponderação entre a classificação final do ensino secundário e os resultados  das provas de ingresso exigidas para cada curso.   

14. Dada a escassez de vagas em alguns cursos do ensino superior, a via para a  eles  aceder  é  altamente  concorrencial  e  decidida  às  centésimas  das  classificações obtidas em exame nacional.   

15. O  acesso  ao  ensino  superior  público,  especialmente  aos  cursos  em  que  a  procura é superior à oferta, deve estar sujeito a regras comuns, deve pautar‐ se  por  critérios  de  equidade  e,  salvo  situações  especiais  previstas  na  lei,  depender exclusivamente do mérito dos alunos que a eles concorrem.  16. Por  conseguinte,  o  Conselho  considera  que,  muito  embora  e 

desejavelmente,  os  alunos  possam  seguir  percursos  formativos  diferenciados,  as  condições  para  acesso  ao  ensino  superior  devem  ser  semelhantes,  sob  pena  de  se  traírem  valores  e  princípios  de  justiça  e  de  equidade. 

 

D. REVOGAÇÃO  DOS  EFEITOS  EXCECIONAIS  DA  AVALIAÇÃO  DA  DISCIPLINA  DE  EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO SECUNDÁRIO 

17. Atualmente  a  classificação  da  disciplina  de  Educação  Física  (EF),  no  ensino  secundário,  é  considerada  para  progressão  e  transição  de  ano  e  para  conclusão  do  curso  do  ensino  secundário.  Apenas  é  considerada  no  apuramento  da  média  final  de  conclusão  do  curso  se  o  aluno  pretender  prosseguir estudos na área da educação física/desporto. 

18. Daqui  resulta  que,  para  a  esmagadora  maioria  dos  alunos,  no  cálculo  da  média final de conclusão de curso é omitida a classificação da disciplina de  EF. 

19. Esta  exceção  foi  introduzida  em  2012,  depois  de  alguma  celeuma  pública  sobre o facto de muitos alunos não acederem aos cursos do ensino superior  pretendidos  e  mais  concorridos,  alegadamente,  por  não  obterem  classificações  na  disciplina  de  EF  tão  elevadas  como  nas  disciplinas  de  caráter mais teórico e avaliadas em exame nacional.   

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20. O  Conselho  está  ciente  da  importância  da  disciplina  de  EF  na  formação  integral  do  aluno.  Importância  que  também  é  reconhecida  no  próprio  desenho curricular do ensino secundário, no qual se prevê o funcionamento  da  disciplina,  na  componente  de  formação  geral  de  todos  os  cursos  do  ensino secundário obrigatório. 

21. A  solução  introduzida  em  2012  ‐  e  que  agora  se  pretende  revogar  ‐  pretendeu,  de  alguma  forma,  evitar  que  a  classificação  da  disciplina  de  EF  pudesse  interferir  na  média  de acesso  dos  alunos  que  concorriam  a  cursos  do ensino superior, em áreas que nada tivessem a ver com a educação física  e o desporto. 

22. E, de facto, há que reconhecer que se tratou de uma medida positiva para  milhares  de  alunos  que,  por  falta  de  aptidão  ou  por  constrangimentos  de  outra  natureza,  deixaram  de  ser  travados  no  acesso  a  alguns  cursos  do  ensino superior. Tratou‐se de uma medida que, de alguma forma, silenciou a  polémica que existia até então. 

23. Todavia, esta solução implementada em 2012, e ainda em vigor, não foi nem  é,  do  ponto  de  vista  deste  Conselho,  uma  boa  solução  para  resolver  o  problema  que  estava  em  causa,  uma  vez  que,  sendo  benéfica  para  muitos  alunos, é prejudicial para muitos outros. 

24. De facto, com esta medida saíram prejudicados na média final de curso e no  concurso  de  acesso  ao  ensino  superior  milhares  de  alunos  do  ensino  secundário,  com  magníficas  prestações  e  com  excelentes  classificações  na  disciplina de EF. 

25. O Conselho defende que deve procurar‐se o melhor equilíbrio entre, por um  lado,  o  facto  de  a  disciplina  de  EF  ter  caraterísticas  que  a  singularizam  no  conjunto  das  disciplinas  da  componente  de  formação  geral  e,  por  outro,  o  facto  de  todos  os  alunos  terem  o  direito  de  ver  valorizado  o  seu  esforço  e  dedicação  às  aprendizagens  escolares,  em  todas  as  disciplinas  e  áreas  do  currículo. 

26. O  Conselho  entende  que  deve  ser  procurada  uma  solução  que  defenda  os  interesses  de  todos  os  alunos  e  que  os  desafie  ao  maior  esforço  de 

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aprendizagem  e  empenho  na  disciplina  de  EF  e  em  todas  atividades  escolares, sejam elas de caráter prático ou teórico.   

 

E. ALTERAÇÃO DA MATRIZ CURRICULAR DO 1.º CICLO DO ENSINO BÁSICO 

27. O  projeto  em  apreciação  estabelece  como  limite  máximo  da  carga  horária  semanal  das  diversas  componentes  do  currículo,  para  todos  os  anos  de  escolaridade do 1.º ciclo, 25 horas semanais. 

28. Estabelece  também,  em  cada  ano  de  escolaridade,  que  a  carga  horária  semanal das várias componentes do currículo deixe de ser definida por um  “Valor mínimo” e passe a ser definida por um “Valor de referência”. 

29. Por fim, estabelece que, no tempo curricular semanal a cumprir pelos alunos  (25  horas)  está  incluído  o  “tempo  de  intervalo”  entre  atividades  letivas,  exceto  o  intervalo  para  almoço.  A  matriz  não  estabelece  a  duração  deste  “tempo de intervalo”. 

30. A conjugação destas três disposições referidas anteriormente é nefasta para  as  Escolas,  prejudicial  para  a  imagem  que  vão  transmitir  aos  pais  e  à  sociedade  e,  certamente,  da  sua  aplicação  resultarão  prejuízos  para  a  educação escolar dos alunos. 

De facto e desde logo: 

31. A matriz curricular define 25 horas semanais como “tempo a cumprir” pelos  alunos do 1.º ciclo. Este “tempo a cumprir” é, indiscutivelmente, um tempo  curricular  pois,  se  assim  não  fosse,  seria  necessário  distinguir,  no  conjunto  das 25 horas de tempo a cumprir, a duração da componente curricular e da  componente não curricular, o que não acontece. 

32. Sendo  as  25  horas  semanais  “tempo  curricular”  a  cumprir  pelos  alunos  e  incluindo  estas  horas  o  “tempo  de  intervalo”  entre  atividades  letivas,  forçoso será concluir que o “intervalo” não sendo atividade letiva é, também  ele, atividade curricular.  

33. Dito de outra forma, através do projeto em apreciação, o intervalo passará a  ser,  tal  como  o  Português,  a  Matemática  e  outras,  uma  componente  do  currículo dos alunos do 1.º ciclo do ensino básico. 

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34. E  será  uma  componente  com  tempo  próprio,  ainda  que  não  tenha  sido  definido para o tempo de intervalo um “valor de referência”, como foi para  as restantes componentes curriculares. 

35. Mesmo que as Escolas, de boa‐fé, sigam os valores de referência definidos  pelo próprio Ministério da Educação (ME), serão confrontadas com um sério  dilema:  nos  1.º  e  2.º  anos  de  escolaridade,  reservarão  2,5  horas  semanais  para  intervalo,  uma  média  de  30  minutos  diários.  Nos  3.º  e  4.º  anos  de  escolaridade,  por  força  da  introdução  do  Inglês  e  seguindo  as  referências  estabelecidas pelo ME, apenas poderão reservar para intervalo 30 minutos  semanais do tempo curricular, ou seja 06 minutos por dia. 

36. Naturalmente, este Conselho não pode crer que os alunos dos 3. º e 4.º anos  tivessem apenas 6 minutos de intervalo por dia entre atividades letivas, caso  as Escolas pretendam respeitar os valores de referência indicados pelo ME.  37. Daqui  resultará  que  as  Escolas  –  toda  a  responsabilidade  recairá  sobre  as 

Escolas e os seus dirigentes – querendo oferecer aos seus alunos dos 3.º e  4.º anos, pelo menos 30 minutos de intervalo diário, terão de subtrair duas 

horas  semanais  de  tempo  de  aula  às  várias  componentes  curriculares 

letivas,  a  todas  ou  a  parte  delas,  a  saber,  ao  Português,  à  Matemática,  ao  Inglês,  ao  Estudo  do  Meio,  às  Expressões  Artísticas  e  Físico‐motoras,  ao  Apoio  ao  Estudo  e  à  Oferta  Complementar,  para  o  dedicarem  à  outra  componente curricular, o intervalo. 

38. Por  outro  lado,  ao  substituir‐se  o  valor  mínimo  de  horas  dedicado  a  cada  componente  curricular  letiva  por  um  “valor  de  referência”  e  ao  não  se  definir um valor para o tempo de intervalo, resultará que, cada Escola, possa  dedicar mais tempo a aulas e menos tempo a intervalo ou vice‐versa. 

39. Daqui  resultará  que  se  os  alunos  tiverem  mais  tempo  de  aulas  e  menos  tempo de intervalo, a responsabilidade será das Escolas. E se tiverem mais  tempo  de  intervalo  e  menos  tempo  de  aulas,  a  responsabilidade  será,  também, das Escolas. 

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Sede do Conselho das Escolas: Escola Secundária Eça de Queirós

 

IV – CONCLUSÕES  

Em  síntese  e  em  conclusão,  no  que  concerne  ao  projeto  da  4.ª  revisão  do  Decreto‐Lei n.º 139/2012, de 5 de junho, na sua redação atual, o Conselho das Escolas 

é de PARECER que:  

1. A emissão de certificados e diplomas em formato eletrónico será uma medida  positiva se dela resultar uma redução de burocracia e de custos, quer para os  cidadãos,  quer  para  as  Escolas.  O  Conselho  entende  que  esta  medida  apenas  poderá ser avaliada após publicação da portaria que a há de regulamentar.  2. A extinção, pura e simples, dos cursos vocacionais não resolverá o problema do 

abandono  escolar  precoce,  nem  os  problemas  que  as  Escolas  sentem  quando  verificam  que  o  currículo  comum  não  é  adequado,  nem  proporciona  um  percurso de sucesso a alguns dos seus alunos. Consequentemente, as políticas  educativas devem estar mais centradas na promoção do sucesso escolar e no  combate  ao  abandono  escolar  precoce  e  menos  na  redução  do  leque  de  percursos formativos à disposição das Escolas.    

3. Ao isentar‐se, apenas, os alunos dos cursos profissionais e dos cursos artísticos  especializados,  que  pretendem  prosseguir  estudos  no  ensino  superior,  da  realização de qualquer exame nacional que não aqueles que são exigidos como  provas de ingresso, está a criar‐se uma via menos exigente e geradora de um  forte sentido de desigualdade, para que estes alunos acedam, mais facilmente  que outros, a cursos do ensino superior. 

4. A classificação da disciplina de Educação Física, no ensino secundário, tal como  as  das  restantes  disciplinas,  deve  ser  considerada  para  todos  os  efeitos,  inclusive para cálculo da média final de curso. 

5. A  classificação  da  disciplina  de  Educação  Física  não  deve  ser  considerada  em  qualquer  cálculo  para  acesso  ao  ensino  superior,  exceto  se  o  aluno  assim  o  pretender. 

6. A  matriz  curricular  do  1.º  ciclo  do  ensino  básico  deve  estabelecer  tempos  mínimos para cada componente do currículo, bem como o tempo máximo de  permanência  dos  alunos  nas  Escolas,  deixando  aos  respetivos  órgãos  de  administração e gestão a organização e gestão desses tempos. 

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  Aprovada por XXXXX  Centro de Caparide, S. Domingos de Rana, 28 de julho de 2017  O Presidente do Conselho das Escolas    José Eduardo Lemos 

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