SIMONE DE OLIVEIRA CAMILLO
Perspectiva Histórica da
Psiquiatria no contexto
ocidental
PATRIMÔNIO DO
HOMEM
PARADIGMAS SOBRE A
LOUCURA NA ANTIGUIDADE
LOUCURA NA ANTIGUIDADE
1-Paradigma Teológico
A doença era vista como “ um castigo”
por ter-se feito algo contra os deuses.
Obra de Zeus e outros deuses
Decisão divina
LOUCURA NA ANTIGUIDADE
1-Paradigma Teológico
A doença era vista como “ um dom”.
Loucura era a manifestação divina, o que era
dito pelo “louco” era ouvido como um saber
necessário;
A Loucura tinha espaço para expressão
pois era necessária a compreensão das
mensagens divinas
LOUCURA NA ANTIGUIDADE
2- Paradigma Natural – Hipocrático
Platão (460-347 ac) - A República
Alteração cerebral x sagrado
Hipócrates (460-377 ac)
Desarranjo corporal/ perturbações químicas no Cérebro. Acúmulo de bile e outras substâncias
A doença não provém de Deuses; mas sim do homem. Ex: melancolia como um sentimento nascido ou oriundo dos males da humanidade
Final da Antiguidade/Início da idade Média
Doentes mentais cuidados pela igreja, custeado pelos senhores da sociedade com posses, que assim “compravam um pedaço do céu”.
Idade média (1231)- Sec.XIII
Apogeu da igreja
Paradigma Demonológico
Pensamento contra a igreja:
Hereges- feiticeiros-loucos
O exorcista:
figura poderosa
O louco: “
aquele que tinha o diabo no
corpo”
Idade média (1231)- Sec.XIII
Exorcismo
Orações
Visita à
igreja
jejuns
Idade média (1487)- Sec.XIII
O Martelo das Bruxas ou O Martelo das Feiticeiras é uma espécie de manual de diagnóstico para bruxas, publicado em 1487, dividindo-se em três partes: a primeira ensinava os juízes a reconhecerem as bruxas em seus múltiplos disfarces e atitudes; a segunda expunha todos os tipos de malefícios, classificando-os e explicando-os; e a terceira regrava as formalidades para agir “legalmente” contra as bruxas, demonstrando como inquiri-las e condená-las.
Idade média (1231)- Sec.XIII
Quem cuidava?
Os religiosos ou pessoas
ligadas a igreja
Ideais: fraternidade,caridade,
Serventia,auto-sacrifício,
Salvação da alma
Idade média - Sec.XIV
São perseguidos
São vistos como feiticeiros e
“espíritos de porco”
1ª metade do sec. XV: existência
nômade
E
mbarcações que, na literatura européia de século XVI, transportavam os insanos em uma viagem pelos mares“... em Frankfurt, em 1399, encarregaram-se marinheiros de livrar a cidade de um louco que por ela passeava nu (...)Freqüentemente as cidades da Europa viam essas naus de loucos atracar em seus portos.” (Foucault, 1972.: 9).
Nau dos loucos-Hieronymus Bosch (1450-1516
Idade média - Sec.XIV
ao XV
Caça
Tortura
Transição da idade média para a Idade
Moderna- sec.XVI
X
Idade Moderna
Século XVII- XVIII, das luzes
Razão- método científico
Movimentos intelectuais
Marcado pelo desenvolvimento do
“mercantilismo”
História -
Século XVII- XVIII, das luzes
Quem não podia
contribuir com o
progresso
econômico
era
encarcerado
,
por
necessidade
de
disciplina
e de um novo controle
social.
Surge na Europa os
estabelecimentos
de internação de velhos e crianças
abandonadas, aleijados, mendigos,
portadores de doenças venéreas e os
loucos
, com
trabalhos forçados para
a -
SÉCULO XVII-XVIII, DAS LUZES
IDEIAS
Loucura como reverso da razão absoluta;
Conjunto de vícios como preguiça e
avareza, algo desqualificante ganhando.
(caráter moral)
• Período de
“limpeza”
das
cidades
estendeu-se até a Revolução Francesa
em
1789
com
o
lema
“liberdade,
igualdade e fraternidade”
o que não
comungava com a exclusão que ocorria;
Transição da idade média
para
a
Idade
Moderna-sec.XVI
-Razão própria (
não tinham
direito a opinar sobre sua
vida e tratamento (abusos
da medicina);
-Não tem o diabo no corpo
-Perigosos, improdutivos,
Ociosos, vagabundos
Transição da idade média para a Idade
Moderna-sec.XVI
Idade Moderna
2ª metade do sec. XVIII
-Disciplina médica
-Hospital Psiquiátrico
-Influências marcantes
Influências: Philippe Pinel (1745-1826)
Preconizou o tratamento moral: disciplina
O doente : tinha uma razão errada/abuso da liberdade
Isolamento é fundamental: segurança para o doente, família e sociedade.
Combate a intolerância religiosa e a desigualdade social
Influências: Esquirol (1772-1840)
Precursor da Psiquiatria, integrou a escola francesa iniciada por Pinel.
Penetrou a mente humana, com o intuito de compreender os transtornos do humor e da melancolia como importantes agentes que conduzem à perda do juízo, elevou pela primeira vez os alienados à condição de homens.
Idade Contemporânea
(Sec. XIX)
Influências: Emil
Kraepelin (1855-1926)
Integrou a corrente
organicista alemã.
Idade Contemporânea (Sec. XIX)
Concepção organicista
Insulinoterapia
malarioterapia
Eletroconvulsoterapia
Injeções de cardizol
Lobotomia
SEC. XIX
A corrente elétrica é aplicada no cérebro através de dois
eletrodos colocados nas áreas temporais do crânio.
O esperado : que o paciente entre numa convulsão
generalizada, o que o tiraria da crise.
SEC. XIX
Técnica cirúrgica que, ao destruir a substância branca dos
lobos temporais do cérebro, provoca uma alteração da
personalidade.
Provoca uma deterioração cerebral irreversível.
Influências: Emil Kraepelin (1855-1926)
Cria sistema organizado de sinais e sintomas Linguagem própria (científica) para descrever o que se passa na mente
Faz com que a Psiquiatria se afirme como ciência médica
Influências: Sigmund Freud (1856-1939)
Verificou a existência de uma atividade psicológica inconsciente que extrapola a
razão e a vontade dos pacientes. Criou a psicanálise como método de
tratamento das neuroses
O ato de ouvir não pode se afastar da prática cotidiana em saúde mental.
Seu afã de penetrar os espaços recônditos do ser o levam à condição de “arqueólogo da
Início do sec.XX
- Primeiro período, ocorrido durante a Segunda
Grande Guerra Mundial:
Comunidade Terapêutica,
na Inglaterra e Estados Unidos;
e
Psicoterapia
Institucional, na França.
- Segundo período, no pós Segunda Grande Guerra
Mundial:
Psiquiatria de Setor, na França;
Psiquiatria
Preventiva ou Comunitária, nos Estados Unidos;
Antipsiquiatria, na Inglaterra; e
Psiquiatria
Início do sec.XX
NOVAS FORMAS DE
ATENDIMENTO AO
DOENTE MENTAL
• Maxwell Jones: comunidade
terapêutica-Inglaterra
Um modo de
superação do hospital psiquiátrico,
dando uma ênfase
nas relações comunitária
s que se
instauravam
no seio dos grandes sítios, e nas
atividades de campo
(trabalho), com função de
recuperação dos pacientes.
Comunidade Terapêutica
(Maxwell Jones -Inglaterra)
•A Comunidade Terapêutica tinha como objetivo:
• estimular os dispositivos grupais e a
participação na vida e no trabalho dentro da instituição.
• O aspecto bastante valorizado era o
“trabalho”, ou seja, recuperar a capacidade laborativa dos internos (Amarante, 2003).
A Psicoterapia Institucional
(François Tosquelles- França)
Buscou a transformação do hospital
feita de dentro para fora, para que a
instituição se tornasse terapêutica.
Assim, como a Comunidade
Terapêutica, a Psicoterapia
Institucional teve como objetivo maior
a terapêutica das relações
institucionais.
Psiquiatria de Setor (1960- França)
Princípios fundamentais :
Princípio de setorização ou zoneamento: divisão do território em setores distintos, cada um contendo aproximadamente 70 mil habitantes;
Princípio da comunidade terapêutica: existência de equipes multidisciplinares nos setores responsáveis pelo tratamento( desde a prevenção até o pós-cura);
deslocamento do eixo da assistência do hospital para o espaço extra-hospitalar: a prioridade para o tratamento era o território, ou seja, os serviços e o meio social no
qual o portador de transtorno mental estava inserido, na tentativa de evitar ao máximo possível a sua entrada ou permanência no circuito institucional, e
Início do sec.XX
NOVAS FORMAS DE
ATENDIMENTO AO
DOENTE MENTAL
• Caplan: Psiquiatria Comunitária ou Preventiva nos
EUA
• Década de 1960,
Psiquiatria Comunitária
, propondo
uma mudança na forma como ver a doença mental,
numa tentativa de aproximar a psiquiatria da Saúde
Pública, a
Psiquiatria Comunitária
inova ao propor a
Psiquiatria Comunitária ou Preventiva nos
EUA-Caplan- Anos 60
Promoção da saúde mental e a prevenção à doença mental
-oferecimento de um atendimento abrangente de SM no
âmbito da comunidade.
Atenção:
fatores comunitários que influenciam no nível de
SM pobreza, desemprego, superpopulação urbana e
Início do sec.XX
NOVAS FORMAS DE ATENDIMENTO AO
DOENTE MENTAL
Laing e Cooper –Antipsiquiatria –Inglaterra 1960
• A Antipsiquiatria vem como uma crítica à estrutura social conservadora daquele século.
• Segundo o movimento da Antipsiquiatria, a loucura não existe! É uma produção social: a sociedade promove a loucura, e numa tentativa de se livrar de sua culpa tenta tratá-la, enquadrá-la.
Início do sec.XX
NOVAS FORMAS DE ATENDIMENTO AO
DOENTE MENTAL
Laing e Cooper –Antipsiquiatria –Inglaterra 1960
• Esse movimento buscava uma reposta para a produção da loucura, diferente da visão proposta pela psiquiatria até o momento.
• Já que a loucura era um fator social não necessitaria de tratamento.
• A Antipsiquiatria ainda defendia que o delírio, por exemplo, era uma tentativa do individuo de mudar sua realidade, e por esse motivo, não deveria ser contido.
Influências: Franco Basaglia
(1924-1980
)Um dos psiquiatras mais discutidos no mundo Tendo como base a experiência da
Comunidade Terapêutica desenvolvida por Maxwell Jones na Escócia, propõe uma nova
visão.
Faz crítica à sociedade
Discute o sofrimento e as diferenças do doente mental
Início do sec.XX
NOVAS FORMAS DE ATENDIMENTO AO DOENTE
MENTAL
• Franco Basaglia: Psiquiatria Alternativa
• O movimento seguinte, contrário à Antipsiquiátria, não nega a
existência da doença mental, do contrário, e propõe um novo modo de olhar para o fenômeno da loucura.
• A Psiquiatria Democrática, nascida na Itália no final da década de 1960 e inicio da década de 1970, provoca uma mudança epistemológica e metodológica entre o saber e a prática psiquiátrica.
• Agora, a loucura não se restringe ao paciente e ao médico, mas, para além da psiquiatria, ela engloba o sujeito, sua família, à comunidade e os demais setores sociais.
Início do sec.XX
NOVAS FORMAS DE ATENDIMENTO AO DOENTE
MENTAL
• Franco Basaglia: Psiquiatria Alternativa
A psiquiatria Democrática vê no hospital psiquiátrico :
• um meio de segregação e institucionalização da loucura e do paciente psiquiátrico
• busca um novo olhar sobre o sujeito, partindo de sua individualidade e necessidades particulares, visando um trabalho de reinserção social do paciente psiquiátrico, rompendo com a lógica hospitalocêntrica.
• Para Franco Basaglia, precursor do movimento na Itália, a psiquiatria Democrática não nega a doença mental, mas muda o foco, da doença para o sujeito, provocando na sociedade um novo modo perceber a loucura.
Influências: Franco Basaglia
(1924-1980)
-Acabou com as medidas institucionais de repressão
-criou condições para reuniões entre médicos e pacientes
-devolveu ao doente mental a dignidade de cidadão.
-reinvenção das práticas X confronto com a sociedade
-com a solidariedade -respeito as diferenças
Influências: Franco Basaglia
(1924-1980)
Desistitucionalização
Desmontar/ Desconstruir
Práticas/saberes/ discursos
Mudança na cabeça das pessoas
Pilar da mudança: Luta pela cidadania
Não, a segregação
Influências: Franco Basaglia
(1924-1980)
Não há nada de terapêutico em
relação de desigualdade.
Espaços de liberdade: para o exercício
da cidadania
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde. DAPES. Coordenação Geral de Saúde Mental. Reforma psiquiátrica e política de saúde mental no Brasil. Documento
apresentado à Conferência Regional de Reforma dos Serviços de Saúde Mental: 15 anos depois de Caracas. OPAS. Brasília, novembro de 2005.
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. PORTARIA GM/MS nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011. Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental, incluindo aquelas com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília, 2011. Sites: http://pvc.datasus.gov.br www.saude.gov.br www.saude.gov.br/bvs/saudemental filmes-Bruxas de Salem
As loucuras do rei George Uma mente brilhante
Reflexões sobre a Assistência de Enfermagem na
Saúde Mental e Psiquiatria: papel do enfermeiro ao
longo da história
A organização da Enfermagem
na Sociedade Brasileira começa
no período colonial.
O ofício do cuidado
surge como
uma
simples
prestação
de
cuidados
aos
doentes,
(escravos), que nesta época
trabalhavam nos domicílios.
Destaque para os religiosos:
Padre José de Anchieta: exercia atividades de
médico e enfermeiro
Frei Fabiano Cristo: exerceu por 40 anos a função
de enfermeiro no Convento de Santo Antônio do Rio de Janeiro.
Os escravos tiveram papel relevante, pois auxiliavam os religiosos no cuidado aos doentes.
Desde o princípio da colonização foi incluída a
abertura das Casas de Misericórdia, que tiveram
origem em Portugal.
1543:
Primeira
Casa
de
Misericórdia foi fundada na Vila
de Santos
Enfermagem Psiquiátrica no
Brasil
Exercida
por
trabalhadores
do
sexo
masculino do hospital com funções de
portaria e cuidado de doentes sob vigilância
e comando
das religiosas;
Dotes físicos como força e robustez eram
exigidas pelos hospícios;
1830
Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro
realiza diagnóstico sobre a situação dos loucos na cidade A partir de então, os doentes mentais
1835
José Martins da Cruz Jobim denuncia, em discurso na Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro,
a insalubridade dos porões da Santa Casa da Misericórdia e as péssimas condições em que vivem os loucos na cidade
1841
D. Pedro II
sanciona o decreto de criação do hospício
1852
Inaugurado em 8 de dezembro, com a presença do Imperador, o Hospício de Pedro II, conhecido popularmente como “Palácio dos Loucos
1852: Hospício D. Pedro II (Rio de Janeiro) Assistência por religiosas e médicos
EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ENFERMAGEM PSIQUIATRICA
1890- Nesse momento as irmãs de Caridade perdem o poder
do Hospício para os médicos
Os médicos passam a dominar hierarquicamente os elementos
Que atuavam no hospital.
“Aos loucos, o hospício!!”
• Hospício de Pedro II seguiu a
tendência da França de Esquirol e
Pinel:
a loucura sendo vista como doença e sujeita a tratamento
médico,
tratamento moral, isolamento, organização do espaço
terapêutico, vigilância e distribuição do tempo.
“Aos loucos, o hospício!!”
• Distribuição do tempo: prescrição do
trabalho oficinas de costura, bordados,
flores
artificiais,
alfaiataria,
estopa,
colchoaria, escovas, móveis, calçados ou
jardinagem, serventes de obras, ajudante de
refeitório, enfermaria e cozinha...
e no BRASIL?
EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ENFERMAGEM PSIQUIATRICA
NO Brasil
-As irmãs de Caridade foram substituídas por
enfermeiras francesas contratadas pelo
Governo Brasileiro.
Entretanto,
essas
Enfermeiras
francesas
são
“importadas”
ainda
sem
absorver
o
sistema
Nightingale;
EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ENFERMAGEM PSIQUIATRICA
NO Brasil
-EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ENFERMAGEM PSIQUIATRICA
NO Brasil
-EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ENFERMAGEM PSIQUIATRICA
NO Brasil
-Só em
1914-1918 enfermeiras francesas entram em contato
com inglesas para absorver sistema Nightingale.
Porém, encontram dificuldades de aplicar e ensinar o cuidado
psiquiátrico, por não conseguirem recrutar mulheres educadas
formalmente para trabalhar com os loucos;
Em função dessa dificuldade cria-se uma escola de formação
de enfermeiros.
Enfermagem Psiquiátrica no Brasil
• 1923:
Escola de Enfermagem Anna Néry (Rio de Janeiro)
• 1955:
Enfermagem Psiquiátrica inserida no currículo de graduação
(comparação à 1882 e 1913)
Enfermagem Psiquiátrica no Brasil
O papel da enfermeira ao longo dos anos
• Vigilância – principal ação;
• Enfermeiro intermediário entre o guarda e o médico –
olhar vigilante e disciplinarização;
• Durante o período organicista- auxiliavam os médicos nos
procedimentos- ECT, injeções de insulinoterapia, etc
(década de 40, 50,60)
e no BRASIL?
• Discursos até 1930 eram:
preventivista e eugenista
(elevar ou
rebaixar qualidades raciais de gerações futuras);
• Nas décadas
40-50
predomínio de terapias biológicas:
eletroconvulsoterapia,
lobotomias,
terapia
insulínica,
malarioterapia...
Movimentos fundamentais na historia brasileira
em relação a saúde mental
1978
Criado o Movimento de Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM), um grupo de profissionais de saúde que começa a pensar em alternativas para :
-acabar com a instituição psiquiátrica; levar ao paciente uma forma mais humana de sobrevivência; como sujeito de direito, como sujeito biopsicossocial, pois só assim seria possível ter saúde mental.
O objetivo era criar novos dispositivos de tratamento para extinguir os manicômios e os hospitais psiquiátricos e assim estreitar os laços entre o paciente, a família e a sociedade.
Os TSM (trabalhadores em Saúde Mental) pensaram no bem estar do paciente após a desinternação e sua preocupação foi além, pois em parceria com assistentes sociais buscaram também outros benefícios para o paciente, tais como: aposentadoria, moradia, reinserção à sociedade e ao seio familiar.
Psiquiatria alternativa/democrática
Denominação dada em 1980 para esse movimento
mundial que questionava os métodos utilizados e
propunha um atendimento focalizado no cliente,
inserindo-o na sociedade.
DESENSTITUCIONALIZAÇÃO E CRIAÇÃO DE
NOVAS MODALIDADES DE ATENDIMENTOS
MARCO DA HISTÓRIA DA PSIQUIATRIA
1989 Projeto de Lei Paulo Delgado propõe a
regulamentação dos direitos da pessoa com
transtornos mentais e a extinção progressiva dos
manicômios no país – reforma psiquiátrica no
legislativo e normativo;
após 12 anos de tramitação no Congresso
Nacional
POLÍTICA DE SAÚDE MENTAL
BRASIL Lei 10.216 (06/04/2001)
• “Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas
portadoras de transtornos mentais e redireciona o
modelo assistencial em saúde mental”.
– Impetra ao Estado o papel de implantação de rede completa
de serviços em Saúde Mental– NAPS e CAPS.
– Limita a expansão de leitos de internação psiquiátrica para a
iniciativa privada, mas não institui mecanismos claros para a
extinção dos manicômios;
– Redireciona a assistência em saúde mental privilegiando
serviços comunitários,
Políticas Públicas em Saúde Mental
2001
Sancionada a
Lei nº 10.216, de 6 de abril
,
originalmente apresentada pelo
Deputado Paulo
Delgado
, que trata dos direitos dos usuários dos
serviços de Saúde Mental e retira o manicômio do
centro do tratamento.
Reforma Psiquiátrica
• Conhecido processo de desinstitucionalização
–
ainda em processo:
construção de uma rede de
atenção à saúde mental substitutiva ao modelo
centrado na internação e a fiscalização e redução
progressiva e programada de leitos psiquiátricos
existentes;
Políticas Públicas em Saúde Mental
2003
A Lei nº 10.708, de 31 de julho, institui o auxílio-reabilitação psicossocial para doentes acometidos de transtornos mentais egressos de internações.
Parte integrante de um programa de ressocialização de doentes internados em hospitais ou unidades psiquiátricas, denominado “De Volta Para Casa”, sob coordenação do Ministério da Saúde.
Os documentos que regulamentam o Programa: a) Lei no 10.708, de 31 de julho de 2003.
Programa De Volta para Casa
Objetivo
• Contribuir efetivamente para o processo de inserção social; • Incentivar a organização de uma rede ampla;
• Diversificar os recursos assistenciais e de cuidados;
• Facilitar o convívio social, capaz de assegurar o bem estar global e estimular o exercício pleno de seus direitos civis, políticos e de cidadania
.
Beneficiários
• Pessoas acometidas de transtornos mentais egressas de internação psiquiátrica em hospitais cadastrados no SIH-SUS, por um período ininterrupto igual ou superior a dois anos
• Pessoas residentes em moradias caracterizadas como SRT ou egressas de Hospitais de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, em conformidade com a decisão judicial (Juízo de Execução Penal).
Políticas Públicas em Saúde Mental
2004
Instituído, pela Portaria GM nº 52/04, o Programa Anual de Reestruturação da Assistência Hospitalar Psiquiátrica no SUS, visando a uma nova pactuação na redução gradual de leitos, com uma recomposição da diária hospitalar em psiquiatria.
2007
Realizado em Brasília o I Seminário Nacional do Programa de Volta Para Casa, no qual foi divulgada carta aberta convocando à aceleração da desinstitucionalização de doentes longamente internados em todo o País.
Políticas Públicas em Saúde Mental
2007
Decreto nº 6.117, de maio 2007, institui a Política Nacional sobre o Álcool (PNA).
O objetivo da iniciativa é combater o consumo abusivo de bebidas alcoólicas e, também, evitar a formação de novos consumidores. O documento traz previsões no sentido de regulamentar a propaganda desses produtos, restringir os pontos de venda e a ampliar os serviços que atendem pessoas com problemas relacionados ao álcool.
Políticas Públicas em Saúde Mental
2008
Instituída a Portaria GM/MS nº 154, de 24 de janeiro, que cria os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), recomendando a inclusão de profissionais de Saúde Mental na Atenção Básica.
Políticas Públicas em Saúde Mental
2010
Decreto nº 7.179, de 20 de maio, dispõe sobre o Plano Integrado de
Políticas Públicas em Saúde Mental
2011
Lançado pelo Governo Federal ao final de 2011, o Programa Crack: É possível Vencer é uma ação interministerial – Ministérios da Justiça, da Saúde, da Educação, da Assistência Social e Combate à Fome e Secretaria de Direitos Humanos
Finalidade:
Aumentar a oferta de cuidado e atenção integral aos usuários e seus familiares, reduzir a oferta de drogas ilícitas e promover ações de educação, informação e capacitação.
Políticas Públicas em Saúde Mental
2011
Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), de acordo com a Portaria GM/MS nº 3.088, de dezembro
Rede de Atenção Psicossocial
(RAPS)
2011
Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), de acordo com a Portaria GM/MS nº 3.088, de dezembro.
Finalidade:
Criação, ampliação e articulação de pontos de atenção à saúde para
pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)
A RAPS é formada por 7 componentes:
I - Atenção Básica em Saúde
II - Atenção Psicossocial Especializada III - Atenção de Urgência e Emergência
IV - Atenção Residencial de Caráter Transitório V - Atenção Hospitalar
VI - Estratégias de Desinstitucionalização VI - Reabilitação Psicossocial
Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)
Principais pontos de atenção
- Unidades Básicas de Saúde
- Núcleos de Apoio à Saúde da Família - Consultórios Na Rua
- Centros de Convivência
- Centros de Atenção Psicossocial nas suas diferentes modalidades - Atenção de Urgência e Emergência
- Unidades de Acolhimento
- Serviços de Atenção em Regime Residencial
- Leitos de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas em Hospitais Gerais - Serviços Residenciais Terapêuticos
Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)
Objetivos
I - ampliar o acesso da população em geral;
II - promover o acesso das pessoas com transtornos mentais e com
necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas e suas famílias aos pontos de atenção;
III - garantir a articulação e integração dos pontos de atenção das redes de saúde no território, qualificando o cuidado por meio do acolhimento, do
Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)
Principais diretrizes:
- Respeito aos direitos humanos, garantindo a autonomia e a liberdade das pessoas;
- Promoção da equidade, reconhecendo os determinantes sociais da saúde; - Combate a estigmas e preconceitos;
- Garantia do acesso e da qualidade dos serviços, ofertando cuidado integral e assistência multiprofissional, sob a lógica interdisciplinar; - Atenção humanizada e centrada nas necessidades das pessoas;
- Desenvolvimento de atividades no território que favoreçam a inclusão social para a promoção de autonomia e o exercício da cidadania;
- Desenvolvimento de estratégias de Redução de Danos;
- Ênfase em serviços de base territorial e comunitária, com participação e controle social dos usuários e de seus familiares;
- Desenvolvimento da lógica do cuidado para pessoas com sofrimento ou transtorno mental, incluindo aquelas com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, tendo como eixo central a construção do projeto - terapêutico singular.
Residências Terapêuticas
Portaria 106/2000 do Ministério da Saúde
O Serviço Residencial Terapêutico (SRT)- ou residência
terapêutica ou simplesmente “moradia”- São casas localizadas no
espaço urbano, constituídas para responder às necessidades de
moradia de pessoas portadoras de transtornos mentais graves,
institucionalizadas ou não.
O SRT é o início de um longo processo de reabilitação que deverá
buscar a progressiva inclusão social do morador.
Residências Terapêuticas
Destinados aos usuários:Portadores de transtornos mentais, egressos de internação
psiquiátrica, que permanecem no hospital por falta de
alternativas que viabilizem sua reinserção no espaço
comunitário;
Indivíduos em acompanhamento nos CAPS, para as quais o
problema de moradia é identificado;
Cidadão em situação rua com transtornos mentais severos,
quando inseridos em projetos terapêuticos especiais
Consultórios na Rua
A estratégia Consultório na Rua foi instituída pela Política Nacional de Atenção Básica,em 2011
O Consultório de Rua (CR) nasce como uma estratégia para
promoção de acesso e vinculação de pessoas em situação de
rua, com grave vulnerabilidade social e com maior
dificuldade de adesão ao tratamento.
Através do trabalho no território, visa acolher e ofertar
cuidados básicos de saúde; ofertar/motivar para tratamento
a agravos relacionados ao consumo de drogas; orientar
sobre direitos e políticas públicas em geral e mediar o acesso
a estas políticas.
Redução de Danos
Redução de Danos
Os Programas de Redução de Danos- PRD, por meio de seus redutores, vão até a população, dialogam e trocam não apenas os equipamentos, mas sentimentos, informações e experiências de vida.
A Redução de Danos pode ser entendida por duas vertentes principais: 1) como uma estratégia para reduzir danos de HIV/DST em usuários de drogas e;
2) como conceito mais abrangente que inclui ações no campo da saúde pública e de políticas públicas que visam a prevenir os danos antes que eles aconteçam.
Luta Antimanicomial(Orgulho Louco), um movimento de combate ao
preconceito contra clientes psiquiátricos e de celebração da cultura Louca.
Uma das ações do movimento é a passeata anual de loucos, inspirada nas paradas gays que já existem em diversas cidades do mundo.
A ideia é desestigmatizar os doentes mentais e mostrar que existe sim vida normal entre eles (18 de maio).
• É função dos CAPS
• Promover atendimento clínico em regime de
atenção diária, evitando assim as internações
em hospitais psiquiátricos;promover a inserção
social das pessoas com transtornos mentais
através de ações intersetoriais; regular a porta
de entrada da rede de assistência em saúde
mental na sua área de atuação e dar suporte à
atenção à saúde mental na rede básica
.
•
CAPS I -de menor porte, em municípios com população entre 20.000 e
50.000
CAPS II - de médio porte, e dão cobertura a municípios com mais de
50.000
CAPS III - de maior porte da rede CAPS. Previstos para dar cobertura
aos municípios com mais de 200.000 habitantes.
CAPSi - especializados no atendimento de crianças e adolescentes com
transtornos mentais, são equipamentos geralmente necessários para dar
resposta à demanda em saúde mental em municípios com mais de
200.000 habitantes.
CAPSad - especializados no atendimento de pessoas que fazem uso
prejudicial de álcool e outras drogas, são equipamentos previstos para
cidades com mais de 200.000 habitantes
Resumindo: CAPS
• Oferece atendimento à população
de sua área de abrangência;
• Realiza o acompanhamento clínico
com abordagem psicossocial;
• Reinserção social dos usuários
pelo acesso ao trabalho, lazer,
exercício
dos
direitos
civis
e
fortalecimento dos laços familiares
e comunitários;
• Substitutivo às internações em
hospitais psiquiátricos.
DIFERENÇAS DE PARADIGMAS
PSIQUIATRIA CLÁSSICA REABILITAÇÃO PSICOSSOCIAL:
A) Manicômio B) Rede substitutiva
B) Atenção centrada na doença
C) Atenção mais abrangente, integral,
promovendo a saúde e a sustentabilidade dos sujeitos em sofrimento mental
C) Hierarquia centrada no poder médico
D)Implementação de equipes
multidisciplinares, continentes ao sofrimento e instrumentos de socialização e inclusão dos sujeitos, considerando o vínculo como
essencial para uma clinica de qualidade
D) Excessiva medicalização . (conter e vigiar a crise e punir seus excessos)
D) Criação de espaços para reflexões, produção de sentidos e construção de autonomia
E) Cultura médica, concentradora de poderes e saberes
E) Resgate de culturas, saberes e sentidos da comunidade
F) Anulação dos direitos, controle social
F) Estimulação da participação comunitária, direitos dos sujeitos como parte integrante do processo de tratamento (implicação subjetiva)
Referências
• ROCHA, R. M. Enfermagem em saúde mental. 2ª ed. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2005.
• TEIXEIRA, M. B. Manual de Enfermagem Psiquiátrica. São Paulo: Atheneu, 2001.
• KAPLAN, H. I & SADOCK, B. J. Manual de Psiquiatria Clínica. Rio de Janeiro: Medsi, 1990.
• STUART,G.W.& LARAIA,M.T. Enfermagem Psiquiátrica.
Princípios e Práticas. 6ª Porto Alegre : Artes Médicas, 2001.
• TAYLOR, C. M. Manual de enfermagem psiquiátrica de Mereness. Porto Alegre: 6ª Ed. Artes Médicas, 1992.
• TRAVELBEE, J. Intervencion em Enfermeira Psiquiatrica Colômbia 2a ed. OMS/ OPAS.
UM NOVO CONTEXTO, UMA NOVA
ABORDAGEM....SÉC XXI
• A enfermagem irá cuidar considerando a
pessoa com sofrimento mental como um ser:
– Biológico (físico, orgânico)
– Psíquico (mental, psicológico)
– Social (contexto, papéis)
Indivíduo
capaz ou não
de enfrentar
sua
UM
NOVO CONTEXTO, UMA NOVA
ABORDAGEM....SÉC XXI
RUPTURA
Com a instituição manicomial; Com o sistema coercitivo;
Caráter iatrogênico do hospital psiquiátrico.
Exclusão;
Confinamento;
Perda da dignidade e subjetividade; Maus-tratos; CRONICIDADE. Compromisso com ○ os direitos civis; ○ a cidadania; ○ as habilidades e capacidades; ○ a autonomia; ○ a redução do número de leitos em hospitais psiquiátricos; ○ a criação de serviços substitutivos. novas diretrizes Reforma Psiquiátrica:
UM
NOVO CONTEXTO, UMA NOVA
ABORDAGEM....SÉC XXI
• Enfermeiro:
• mentor do cuidado de enfermagem;
• formador de opinião;
• formador de profissionais;
• componente da equipe multi;
• comprometido com a reforma;
• cuidado
REFORMA
PSIQUIATRI
Enfermagem
Meados de 1800
Florence Nightingale na Inglaterra Vitoriana tinha como proposta
“reger a atividade de cuidado a partir de critérios científicos com uso de técnicas e procedimentos alcançados por treinamento escolar, disciplina rígida e austeridade moral [...]”
SEC. XIX
Florence Nightingale- Inglaterra (1860)
Criação da primeira escola, no Hospital Saint
Thomas
SEC. XIX
Florence Nightingale- Inglaterra (1860)
•Substitui o modelo religioso do cuidado: higiene, alimentação, medidas
sanitárias, tratamento humanitário
•Caracterização da enfermagem moderna
•Caracterizada pelo treinamento disciplinar
O modelo
Nightingaleano
de formação de Enfermeiros
se
difundiu
para
o
Ocidente
influenciando
estruturação da nova profissão em vários países
inclusive o Estados Unidos entre 1873 e 1875;
Teorias que fundamentam o trabalho do enfermeiro em
Saúde Mental e Psiquiatria
Teorias que fundamentam o trabalho do enfermeiro em
Saúde Mental e Psiquiatria
Teorias que fundamentam o trabalho do enfermeiro em Saúde Mental
e Psiquiatria
• Hildegard Peplau (1952) aplicou a
teoria
interpessoal
à
prática
da
enfermagem
–
ao
relacionamento
enfermeiro/cliente
• Definiu papéis para o enfermeiro de
saúde mental e psiquiatria
TEORIA DA RELAÇÃO
INTERPESSOAL
DE JOYCE TRAVELBEE
Joyce Travelbee, 1966
Joyce Travelbee ampliou a teoria de
Peplau.
Afirmando que:
As
relações
terapêuticas
são
orientadas por metas que devem ser
decidas conjuntamente (aprendizado e
promoção do crescimento) – modelo
de resolução de problemas.
Joyce Travelbee, 1966
Refere que:
o instrumento
para o estabelecimento
de uma relação terapêutica é o uso
terapêutico do eu
:
“a capacidade de usar a própria
personalidade conscientemente e em
plena
lucidez
na
tentativa
de
estabelecer um relacionamento e de
estruturar
as
intervenções
de
enfermagem”
TEORIA DA RELAÇÃO
INTERPESSOAL
DE JOYCE TRAVELBEE
Relacionamento Terapêutico
por Joyce Traveelbee
DEFINIÇÃO
Processo dinâmico
onde o indivíduo é
visto como um ser concreto, único e
histórico,
respeitado
dentro
dos
condicionantes do meio social em que ele
se acha inserido.
DEFINIÇÃO
RT é resultado de
uma série de
interações deliberadas e planejadas
entre enfermeiro (a) e o indivíduo.
..estar com o indivíduo para que ele
possa (re) ver-se e restabelecer seu
DEFINIÇÃO
Constitui em experiências de aprendizagem
para ambos neste processo
..desenvolvem habilidades cada vez
maiores para relacionar-se
Diferencial...
Diferencia -se das demais
relações tornando-se
terapêutica, pois o
enfermeiro tem
conhecimento e habilidades
específicas, com o propósito
de atingir um determinado
objetivo.
FATORES IMPORTANTES PARA O RELACIONAMENTO TERAPÊUTICO
•Pensamentos, sentimentos e comportamentos de ambos são afetados.
•Cada encontro é diferente representando um ponto de partida para as interações seguintes.
•É válido que o enfermeiro faça uma avaliação de si mesmo antes de iniciar o relacionamento
interpessoal (angústia,compreensão e aceitação de si e do outro).
Objetivo com o usuário
Delimitar, definir e conceituar seu problema
Perceber-se como participante ativo na história de sua vida;
Enfrentar, realisticamente os seus problemas;
Visualizar alternativas significativas para a solução de seus problemas;
Testar novos padrões de comportamento;
Desenvolver-se socialmente;
CARACTERÍSTICAS DO RT
CARACTERÍSTICAS DO RT
Interações planejadas, objetivos definidos com os quais o enfermeiro(a) oferece experiências interpessoais para facilitar a mudança de comportamento do usuário;
Ambos modificam seu comportamento
O papel do enfermeiro(a) -facilitador na resolução dos problemas do usuário (ajudar a encontrar alternativas);
O conteúdo de suas interações é confidencial.
Ambiente terapêutico : desde a planta física a equipe.
FASE 1 PRÉ-INTERAÇÃO
• O profissional “elege” o indivíduo
para o processo-abordagem;
• O critério de escolha é feito após
análise inicial do indivíduo;
• O enfermeiro deve dedicar-se,
pois o RT caracteriza-se por um
FASE 1 PRÉ-INTERAÇÃO
• Pensar e escrever sobre os
próprios sentimentos e
pensamentos – resgatado
posteriormente;
• Traçar objetivos iniciais –
direcionar o RT-
não são
definitivos;
• Registro da observações
iniciais do usuário
FASE 2 INICIAL (introdução ou
orientação)
• Inicia-se
quando
duas
pessoas
estranhas,
passam se conhecer;
• Seu
término
acontece
quando cada um percebe o
outro
como
um
ser
humano único;
FASE 2 INICIAL (introdução ou
orientação)
• Caracteriza-se pela elaboração
do acordo de trabalho,
além das
suposições que um faz do outro;
• Estabelece-se
o
pacto
–
compromisso
contratual
(definição do local, horário,
tempo de cada interação, tarefa
e o período do RT);
• Traçar os objetivos para a
próxima interação
FASE 3 TRABALHO (ou definição de
identidade)
• Inicia-se quando superam-se as
dificuldades da fase anterior;
• O conhecimento mútuo
aprofunda-se;
• O enfermeiro(a) deve ser capaz de
projetar-se além de si mesmo
????
• Observa-se a capacidade de ambos
relacionar-se:
Perceber o outro como ser humano
único
Transcender os papéis
estereotipados
ENCERRAMENTO
(ou término)
• O indivíduo deve ser preparado
desde o pacto;
• O RT chega ao fim quando os
objetivos traçados foram
alcançados;
• Deve-se considerar a possibilidade
de não alcançar todos os objetivos;
• Importante observar algumas
transformações do usuário
evidenciada pelo seu
comportamento;
• Ocorrendo isso avalia-se a relação
com o objetivos alcançados
ENCERRAMENTO
(ou término)
O preparo para o encerramento consta da
preparação
do
indivíduo
e
do
enfermeiro(a)
•PREPARAÇÃO DO INDIVÍDUO
Se o enfermeiro(a) termina a relação
antes do previsto, deve clarear os
motivos;
Permitir que o usuário expresse seus
pensamentos e sentimentos frente ao
término;
CONDIÇÕES BÁSICAS PARA O
DESENVOLVIMENTO DO RT
•ACEITAÇÃO
Tanto o enfermeiro deve aceitar o
usuário, como o usuário deve aceitar o
enfermeiro;
A não aceitação por parte do usuário –
inevitável implantar o processo;
EMPATIA
É a capacidade de tentar ver o mundo
como a outra pessoa o vê, sem perder
a própria identidade.
CONDIÇÕES BÁSICAS PARA O
DESENVOLVIMENTO DO RT
• DISPONIBILIDADE
. O (a) enfermeiro(a) deve reservar um
tempo para os encontros que não
devem ser cancelados
. Em casos graves de cancelamento o
usuário
deve ser avisado com antecedência.
ENCORAJAMENTO CONTÍNUO
EXPRESSÃO
. O (a) enfermeiro(a) deve estimular o
usuário constantemente a expressar
CONDIÇÕES
BÁSICAS
PARA
O
DESENVOLVIMENTO DO RT
ENVOLVIMENTO EMOCIONAL
. É necessário que o (a) enfermeiro(a) reveja seus e pensamentos e sentimentos durante
todo relacionamento;
CONFIANÇA
. Ocorre de acordo como o profissional age com o usuário
. O (a) enfermeiro(a) tende a demorar mais tempo a confiar no usuário, em função dos
preconceitos “enraizados”, que deverá trabalhar junto à supervisão.
CONDIÇÕES BÁSICAS PARA O
DESENVOLVIMENTO DO RT
COMPROMISSO
O (a) enfermeiro(a) deve cumprir
sempre com a palavra dada ao usuário.
SIGILO
Todas as informações fornecidas pelo
usuário devem ser preservadas pelo(a)
enfermeiro(a);
Quando
algo
muito
grave for
relatado pelo usuário nos encontros, e
o enfermeiro(a)
julgar necessário
compartilhar
este
com
outro
profissionais, deverá comunicar o
usuário desta necessidade.
CONDIÇÕES
BÁSICAS
PARA
O
DESENVOLVIMENTO DO RT
ATITUDE DE NÃO JULGAMENTO
.É comum termos ímpetos de julgar ou emitir nossa opinião frente aos assuntos;
.Durante o RI, o profissional deve controlar-se quanto a isso.
ESTÍMULO À AUTO ESTIMA
.É comum o usuário falar coisas que o diminuem ou enfatizar seus defeitos;
.Apesar do profissional precisar ouví-lo, deve mostrar-lhe suas qualidades e as coisas boas que fez/alcançou.
BARREIRAS QUE PODEM
SER ENCONTRADAS NO PROCESSO
INDIVÍDUO
PÕE
À
PROVA
O
ENFERMEIRO
.
O usuário pode tornar-se agressivo
verbal ou fisicamente para verificar
a atitude do enfermeiro(a);
O usuário tenta centrar o assunto no
enfermeiro(a), estimulando-o a falar
de si.
TESTAR O REAL INTERESSE DO
ENFERMEIRO (A) PARA COM ELE.
BARREIRAS QUE PODEM
SER ENCONTRADAS NO PROCESSO
EXPECTATIVAS
O enfermeiro(a) frustra-se
quando o usuário não evolui;
Desinteressa-se
pelo
processo
(tornando-se
impessoal) ou permite que
esta frustração afete o
relacionamento.
BARREIRAS QUE PODEM
SER ENCONTRADAS NO PROCESSO
PROXIMIDADE
O enfermeiro(a) não consegue
esquecer de si mesmo
Passa a distrair-se durante as
interações ou identificar-se
com os problemas do usuário
CULPA
O enfermeiro(a) não consegue
encontrar motivos para a
doença do seu usuário.
Começa a culpar pessoas da
família
do
usuário
(este
também passa a fazer o
mesmo)
BARREIRAS QUE PODEM
SER ENCONTRADAS NO PROCESSO
PROXIMIDADE
O enfermeiro(a) não consegue
esquecer de si mesmo
Passa a distrair-se durante as
interações ou identificar-se
com os problemas do usuário
CULPA
O enfermeiro(a) não consegue
encontrar motivos para a
doença do seu usuário.
Começa a culpar pessoas da
família
do
usuário
(este
também passa a fazer o
mesmo)
PARA LIDAR COM ESSAS SITUAÇÕES
SUGERE-SE:
SUPERVISÃO DO
RELACIONAMENTO
Realizada
por
enfermeiro(a)
especialista
em SM, com frequência
semanal
ou
ao
final
de
uma
interação confusa e angustiante.
• Momento em que o aluno /
enfermeiro têm a possibilidade de
superar as barreiras encontradas.
• A supervisão pode ajudar a
aumentar a habilidade para reunir
e interpretar dados, aplicar
conceitos e sintetizar a
informação obtida .
PARA LIDAR COM ESSAS SITUAÇÕES
SUGERE-SE:
SUPERVISÃO DO RELACIONAMENTO
Deve
haver
disponibilidade,
honestidade
para
transmitir
observações,
pensamentos e
sentimentos.
• Possibilidade de rever o seu
próprio comportamento e assim
crescer como pessoa e
ETAPAS CONTÍNUAS AO R.T
SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA
Observação da pessoa:
comunicação verbal
e não verbal
Interpretação dos dados com juízo de valor
Validação:
compartilhar com o usuário os
dados interpretados
Levantamento das necessidades e
Diagnóstico de Enfermagem
Planejamento da assistência e Intervenção
Avaliação e Preparo para alta
É necessário para o RT:
Contrato terapêutico,
Formar vínculo de aceitação e confiança,
tanto com a equipe, quanto com os demais
usuários do sistema.
Não construir, ou desconstruir, relações
preconceituosas.
Estabelecer ambiente capaz de desenvolver
senso de auto-estima, relacionamento com
outras pessoas,
Ambiente que favoreça a percepção e
vivência da autonomia.
É necessário para o RT:
Escuta
Observação,
Comunicação verbal:
Durante a relação terapêutica, Entre membros da equipe, Tácita ou escrita.
Comunicação não-verbal:
Dor, irritação, ansiedade, preocupação, felicidade, etc. (mímica, olhar, linguagem corporal).
Atente-se
– Necessidades físicas,– Respeitar os direitos, como cidadão, que possui opiniões.
– Ênfase à interação social, – Flexibilidade,
– Estimular o usuário a descrever sua experiência,
– Sensibilidade para a hora do silêncio, – Manter diálogo claro com linguagem
acessível,
– Demonstrar interesse,
– Construção da rede de apoio: família, rede de amigos e grupo de trabalho (oficinas
Referências
STUART,G.W.& LARAIA,M.T. Enfermagem
Psiquiátrica. Princípios e Práticas. 6
ªPorto Alegre :
Artes Médicas, 2001.
TAYLOR, C. M. Manual de enfermagem
psiquiátrica de Mereness. Porto Alegre: 6
ªEd. Artes
Médicas, 1992.
TRAVELBEE, J. Intervencion em Enfermeira
Psiquiatrica Colômbia 2
aed. OMS/ OPAS.
Referências
• ROCHA, R. M. Enfermagem em saúde mental. 2ª ed. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2005.
• TEIXEIRA, M. B. Manual de Enfermagem Psiquiátrica. São Paulo: Atheneu, 2001.
• KAPLAN, H. I & SADOCK, B. J. Manual de Psiquiatria Clínica. Rio de Janeiro: Medsi, 1990.
• STUART,G.W.& LARAIA,M.T. Enfermagem Psiquiátrica.
Princípios e Práticas. 6ª Porto Alegre : Artes Médicas, 2001.
• TAYLOR, C. M. Manual de enfermagem psiquiátrica de Mereness. Porto Alegre: 6ª Ed. Artes Médicas, 1992.
• TRAVELBEE, J. Intervencion em Enfermeira Psiquiatrica Colômbia 2a ed. OMS/ OPAS.