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Diagnóstico de gestão ambiental

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA JOSÉ CARLOS MARTINAZZO JÚNIOR

DIAGNÓSTICO DE GESTÃO AMBIENTAL: UM ESTUDO DE CASO NO SETOR DE CERÂMICA VERMELHA

Florianópolis 2012

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DIAGNÓSTICO DE GESTÃO AMBIENTAL: UM ESTUDO DE CASO NO SETOR DE CERÂMICA VERMELHA

Dissertação apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial para obtenção do Título de Mestre em Administração.

Orientador: Prof. Aléssio Bessa Sarquis, Dr.

Florianópolis 2012

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DIAGNÓSTICO DE GESTÃO AMBIENTAL: UM ESTUDO DE CASO NO SETOR DE CERÂMICA VERMELHA

Esta Dissertação foi julgada adequada à obtenção do título de Mestre em Administração e aprovada em sua forma final pelo Programa de Pós-Graduação em Administração, da Universidade do Sul de Santa Catarina.

Florianópolis, 20 de agosto de 2012.

________________________________________________

Profº. e Orientador Prof. Aléssio Bessa Sarquis, Dr. Universidade do Sul de Santa Catarina

________________________________________________

Profª. Clarissa Mussi Drª. Universidade do Sul de Santa Catarina

________________________________________________ Profº. Iúri Novaes, Dr.

Universidade Federal de Santa Catarina

Florianópolis 2012

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Dedico este trabalho aos meus pais: José (in memoriam) e Marlene, pilares dos meus valores.

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À Deus guia fiel em todos os momentos de minha vida, por me dar força e coragem para desbravar e quebrar todos os obstáculos impostos pela vida; por ser um pai nas horas que me refugiei aos teus pés; por me fazer vitorioso em desafiar meus medos

Ao meu orientador, Professor Aléssio Bessa Sarquis, Dr. pela orientação acadêmica, amizade e valiosos ensinamentos.

Ao SENAI/SC, nas pessoas do Professor Sérgio Roberto Arruda e Professor Antônio José Carradore, motivadores e apoiadores nesse degrau de minha vida.

À Roberto de Medeiros Júnior, exímio líder, e espelho para minha vida profissional e pessoal.

Ao corpo docente do Mestrado em Administração da UNISUL, pela transferência de conhecimentos em prol de uma excelente educação.

Aos colegas do curso de Mestrado em Administração, em especial: Cristina Martins, por compartilharem as dificuldades e alegrias desta trajetória.

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Esse trabalho buscou analisar a situação da gestão ambiental no setor de cerâmica vermelha de Rio do Sul/SC, com base nas estratégias e ações ambientais aplicadas nos últimos 3 anos. Os objetivos específicos definidos foi: a) identificar as estratégias, ações, principais fatores/variáveis do desempenho e resultados alcançados; b) verificar demandas, expectativas e percepções dos principais stakeholders sobre a prática de gestão ambiental da organização; c) identificar os pontos fortes e fracos da organização, oportunidades e ameaças de mercado no âmbito das variáveis relacionadas à gestão ambiental. Para isso, o estudo realizado é de natureza exploratório, qualitativo e que envolveu a coleta de dados junto a organismos de regulação, controle e fiscalização ambiental, clientes-alvo e dirigentes da organização objeto de estudo. Na coleta de dados foram empregados: entrevista pessoal em profundidade e análise de documentos. Os resultados revelaram que as atividades de gestão ambientais na organização são gerenciada pelo setor Desenvolvimento Tecnológico, executadas pelas diferentes áreas funcionais, e que a empresa dispõe de diversas estratégias ambientais, sendo o posicionamento estratégico competitivo recomendado as eco estratégias pró ativas.

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This study aimed to analyze the situation of environmental management in the sector Ceramic Rio do Sul/SC based strategies / environmental actions implemented over the past three years. The specific objectives are defined: a) identify the strategies, actions, key factors / variables of performance and results, b) check demands, expectations and perceptions of key stakeholders about the practice of environmental management of the organization, c) identify strengths and weaknesses of the organization, opportunities and threats within the market variables related to environmental management, d) indicate recommendations for improvements to the companies in the red ceramic state of Santa Catarina. For this study was conducted exploratory, and that involved the collection of data from the regulatory bodies, environmental monitoring and control, target customers and leaders of the organization. Data collection methods were used: in-depth personal interview, and document analysis. At the end of the study were pointed concluding remarks and recommendations for sector organizations, limitations of the research, and suggestions for future academic studies.

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Figura 1 - Elementos do sistema de gestão ambiental (SGA) ... 30

Figura 2 - Políticas ambientais ... 32

Figura 3 - Tipos de estratégias ambientais genéricas ... 43

Figura 4 - Fases do ciclo de vida de produtos cerâmicos ... 47

Figura 5 - Ciclo de vida de uma telha cerâmica ... 48

Figura 6 - Níveis de estratégia de produção mais limpa... 52

Figura 7 - Processo de produção mais limpa ... 53

Figura 8 - Arranjo institucional PBQP-h ... 58

Figura 9 - Projeto estruturante cerâmica vermelha e artefatos de concreto ... 59

Figura 10 - Framework do processo de análise do estudo ... 70

Figura 11 - Blocos de vedação da Cerâmica Princesa ... 73

Figura 12 - Tijolos para lajes (tavelas) ... 73

Figura 13 - Sistema estrutural com cerâmica vermelha ... 74

Figura 14 - Blocos cerâmicos estruturais ... 74

Figura 15 - Acessórios para blocos cerâmicos estruturais ... 75

Figura 16 - Distribuição das indústrias de cerâmica vermelha de SC ... 83

Figura 17 - Vista aérea Cerâmica Princesa e circunvizinhança ... 90

Figura 18 - Ilustração do Agente Redutor Líquido Automotivo ARLA32 ... 98

Figura 19 - Etapas do processo industrial da organização instaladas no parque fabril ... 99

Figura 20 - Posicionamento estratégico competitivo recomendado ... 106

Figura 21 - Vista aérea Cerâmica Princesa Ind. E Com. Ltda ... 134

Figura 22 - Tijolos, blocos e canaletas ... 135

Figura 23 - Telhas ... 139

Figura 24 - Mapa de localização da cidade de Rio do Sul no estado de Santa Catarina ... 140

Figura 25 - Mapa da cidade de Rio do Sul ... 140

Figura 26 - Certificado de Conformidade do Produto Cerâmica Princesa ... 143

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Quadro 1- Estratégias para as indústrias de cerâmica vermelha ... 45

Quadro 2 - Tipo de pesquisa e objetivos de cada etapa do estudo ... 62

Quadro 3 - Público-alvo e amostragem de cada etapa do estudo ... 65

Quadro 4 - Método de análise dos dados de cada etapa do estudo ... 69

Quadro 5 - Atividades poluidoras e/ou causadoras de degradação ambiental ... 92

Quadro 6 - Impactos ambientais da produção de cerâmica vermelha ... 93

Quadro 7 - Checklist de avaliação do cumprimento da legislação ambiental ... 99

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ABIQUIM Associação brasileira da indústria química ABNT Associação brasileira de normas técnicas ACV Avaliação do ciclo de vida

AIA Avaliação de impactos ambientais

AMAVI Associação dos municípios do alto Vale do Itajaí. ANICER Associação nacional de cerâmica vermelha BNDS Banco nacional do desenvolvimento CEPRAM Conselho estadual de proteção ambiental

CETESB Companhia de tecnologia de saneamento ambiental CGM Cerâmica Gomes de Matos

CNI Confederação nacional da indústria CNTL Centro nacional de tecnologias limpas

CODAM Coordenadoria de desenvolvimento ambiental COGER Comitê gerenciador

CONAMA Conselho nacional do meio ambiente CONSEMA Conselho estadual do meio ambiente CREA

Conselho regional de engenharia, arquitetura, agronomia de Santa Catarina

CTECH Comitê nacional de desenvolvimento tecnológico da habitação DNPM Departamento nacional da produção mineral

DOE Diário oficial do estado DOU Diário oficial da união

EIA Estudos de impacto ambiental

ESPM Escola superior de propaganda e marketing FATMA Fundação do meio ambiente

FGTS Fundo de garantia do tempo de serviço FIESC Federação das indústrias do estado FINEP Financiadora de estudos e projetos GRI Global reporting initiative

IBAMA Instituto brasileiro do meio ambiente e dos recursos naturais renováveis IBASE Instituto brasileiro de análises sociais e econômicas

IBGE Instituto brasileiro de geografia e estatística IEL Instituto Euvaldo Lodi

INMETRO Instituto nacional de metrologia, qualidade e tecnologia ISSO International organization for standardization

LAI Licença ambiental de instalação LAO Licença ambiental de operação LAP Licença ambiental prévia MMA Ministério do meio ambiente NBR Normas brasileiras

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ONU Organização das nações unidas

OSCIP Organização da sociedade civil de interesse público P&D Pesquisa e desenvolvimento

PBQP Programa brasileiro de qualidade e produtividade

PBQP-H Programa brasileiro de qualidade e produtividade do habitat PLARSE Programa latino-americano de SER

RIMA Relatório de impacto sobre o meio ambiente

SEBRAE Serviço brasileiro de apoio às micro e pequenas empresas SECTMA Secretaria de ciência, tecnologia e meio ambiente

SECTME Secretaria do estado da ciência e tecnologia, das minas e energia SEMA Secretaria do meio ambiente

SENAI Serviço nacional de aprendizagem industrial SER Responsabilidade social empresarial

SGA Sistema de gestão ambiental

UFSC Universidade federal de Santa Catarina

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1 INTRODUÇÃO ... 15

1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA E PROBLEMA DE PESQUISA ... 15

1.2 OBJETIVOS DO ESTUDO ... 19

1.3 JUSTIFICATIVA E IMPORTÂNCIA DO ESTUDO ... 20

1.4 DELIMITAÇÕES DO ESTUDO ... 22

1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO ... 23

2 REFERENCIAL TEÓRICO ... 25

2.1 FUNDAMENTOS DE GESTÃO AMBIENTAL ... 25

2.2 COMPONENTES DA GESTÃO AMBIENTAL... 29

2.2.1 As normas ISO 14000 ... 33

2.3 ASPECTOS DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEIS AO SETOR DE CERÂMICA VERMELHA ... 35

2.3.1 Licenciamento ambiental ... 35

2.3.2 Requerimento de Lavra ... 37

2.4 INDICADORES DE GESTÃO AMBIENTAL ETHOS... 38

2.5 ESTRATÉGIAS DE GESTÃO AMBIENTAL APLICÁVEIS AO SETOR DE CERÂMICA VERMELHA ... 42

2.5.1 Análise do ciclo de vida de produtos cerâmicos ... 46

2.5.2 Normalização dos produtos de cerâmica vermelha ... 49

2.5.3 Produção mais limpa (p+l) ... 51

2.5.4 Estratégias de marketing verde ... 54

2.5.5 Programa brasileiro de qualidade e produtividade (PBQP-H) ... 57

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ... 61 3.1 LÓGICA DA PESQUISA ... 61 3.2 ABORDAGEM DO PROBLEMA ... 61 3.3 OBJETIVOS DA PESQUISA ... 63 3.4 ESTRATÉGIAS DA PESQUISA ... 64 3.5 HORIZONTE DO TEMPO ... 64

3.6 POPULAÇÃO, OBJETO DE ESTUDO E AMOSTRAGEM ... 64

3.7 MÉTODO E INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS ... 67

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4.1 CASE: CERÂMICA PRINCESA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ... 71

4.1.6 MIX de produtos da organização ... 72

4.2 RESULTADOS SOBRE ENTENDIMENTO DAS EXIGÊNCIAS AMBIENTAIS ... 75

4.2.1 Exigências da legislação ambiental (órgãos reguladores) ... 75

4.2.2 Exigências dos clientes e da comunidade ... 85

4.2.3 Impactos ambientais causados pelo setor (visão órgãos reguladores e clientes) ... 91

4.3 RESULTADOS SOBRE ENTENDIMENTO DA PRÁTICA DE GESTÃO AMBIENTAL DA ORGANIZAÇÃO ... 94

4.4 AVALIAÇÃO E DIAGNÓSTICO DA GESTÃO AMBIENTAL DA ORGANIZAÇÃO ... 102

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS, RECOMENDAÇÕES, LIMITAÇÕES E SUGESTÕES PARA FUTUROS ESTUDOS ... 107

5.1 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 107

5.2 RECOMENDAÇÕES DE MELHORIAS PARA AS EMPRESAS DO SETOR DE CERÂMICA VERMELHA ... 109

5.3 LIMITAÇÕES DO ESTUDO ... 110

5.4 SUGESTÕES PARA ESTUDOS FUTUROS ... 110

REFERENCIAS ... 112

APÊNDICES ... 124

APÊNDICE A - DIAGNÓSTICO DE GESTÃO AMBIENTAL: UM ESTUDO DE CASO NO SETOR DE CERÂMICA VERMELHA ... 125

APÊNDICE B - ROTEIRO DE ENTREVISTA COM GESTORES DA ORGANIZAÇÃO ... 127

APÊNDICE C - ROTEIRO DE ENTREVISTA COM ORGANISMOS DE REGULAÇÃO, CONTROLE E FISCALIZAÇÃO ... 129

ANEXOS ... 133

ANEXO A - VISTA AÉREA CERÂMICA PRINCESA IND. E COM. LTDA ... 134

ANEXO B – PRODUTOS DE CERÂMICA VERMELHA ... 135

ANEXO C - LOCALIZAÇÃO ... 140

ANEXO D – LICENÇA AMBIENTAL DE OPERAÇÃO CERÂMICA PRINCESA .. 141

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1 INTRODUÇÃO

Este capítulo introduz o tema do estudo e contém a apresentação geral da dissertação. Inicia-se a abordagem por meio da contextualização do tema, na sequência o problema de pesquisa, os objetivos geral e específicos do estudo, a relevância/justificativa, bem como as delimitações e a forma de estruturação do projeto.

1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA E PROBLEMA DE PESQUISA

Na última década, as mudanças globais ocorridas no ambiente de negócio introduziram novos assuntos e preocupações na pauta de discussão dos dirigentes das organizações, incluindo aspectos relacionados com a ecologia, meio-ambiente, saúde, segurança e comunidade (HAWKEN; LOVINS; LOVINS, 1999). A responsabilidade socioambiental revelou que qualquer decisão/ação empresarial relevante pode afetar diferentes públicos ligados à organização (ex: pessoas, instituições ou grupos sociais) e pode interferir no meio-ambiente e na comunidade, prejudicando propriedades e interesses de vários públicos-alvo da organização (ZENONE, 2006).

Nos anos 90, o cenário econômico internacional chamou a atenção das organizações para as questões ecológico-ambientais, já que o fenômeno da globalização levou à abertura dos mercados de consumo e consequentemente à competitividade desenfreada entre as organizações, promovendo a busca pelo incremento da qualidade e produtividade, e pelo desempenho mercadológico (POLONSKY, 1994). Nesse contexto, as organizações passaram a receber pressões de seus stakeholders sobre a sua atuação e impacto no meio ambiente. Os stakeholders são públicos em potencial afetados pela organização e com capacidade de influenciar no seu desempenho (FREEMAN, 1984). Assim, surgiu o conceito de desenvolvimento sustentável, um processo que envolve a geração de riqueza econômica e bem estar, promovendo ao mesmo tempo a coesão social e a preservação do meio ambiente (HOCHMAN, 1998; SANTANA; PÉRICO; REBELATO, 2008). A relevância desse tema tem evoluído na pauta de discussão dos dirigentes empresariais em nível internacional.

Conforme Verona (2010), entre as principais preocupações das empresas nas questões ambientais está o fornecimento de bens e serviços que possam ser utilizados com segurança pelos consumidores e que causem pouco ou nenhum impacto negativo ao meio ambiente e à comunidade. Para isso, as organizações estão investindo em produtos que ofereçam, por exemplo, melhor rendimento em termos de consumo de energia, possibilidade

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de reutilização e/ou reciclagem pela sociedade e descarte com baixo risco para o meio ambiente. No caso da extração de recursos naturais, as organizações passaram a cuidar da matéria-prima empregada na fabricação, buscando obtê-la através de sistemas com algum nível de sustentabilidade.

Com o avanço da discussão do conceito sustentabilidade, as empresas estão aparentemente ficando mais proativas nas questões ecológico-ambientais (ALMEIDA, 2002). Elas estão se tornando cada vez mais aptas a compreender e a lidar com a relação entre as forças envolvidas nas áreas ambiental, econômica e social. Como foi apontado por Neder (1992), Lau e Ragothaman (1997), o mundo se tornou tripolar: governo, sociedade e empresas. A gestão/responsabilidade ambiental passou a ser tarefa de todos e o foco da sustentabilidade evoluiu para um conceito mais amplo e complexo. No entanto, como apontado Rosen (2001) e Souza (2002), em muitas organizações empresariais a gestão ambiental está ainda fortemente condicionada às exigências governamentais e ao atendimento da legislação ambiental.

No mundo dos negócios, o lucro é um dos resultados esperados pelas organizações e, mesmo no caso das organizações do terceiro setor, o retorno financeiro é necessário para a manutenção e ampliação das suas atividades. No novo ambiente de negócios, o retorno econômico passou a ser compartilhado também com o retorno social (que inclui a promoção de melhorias sociais para empregados e comunidade) e com o retorno ambiental, através da preservação do meio-ambiente e do respeito ao bem-estar das gerações futuras. Como apontado por Friedman (1970), a economia clássica defende que as organizações existem para maximizar valor para o acionista. No entanto, hoje essa visão foi modificada e as organizações precisam também atender as demandas de um grupo mais abrangente de atores/públicos - os chamados stakehorlders (FREEMAN, 1984). Hoje, sabe-se que o desenvolvimento sustentável será obtido apenas se for possível reunir o tripé econômico-social-ambiental, não apenas no contexto das organizações, mas também no mundo e na sociedade local.

A degradação ambiental e os riscos de colapso nos sistemas econômico e social verificados nos últimos anos são sinais da crise de valores/identidade da atual civilização mundial (PRADO, 2009), o que revela a necessidade emergente de nova atitude crítica sobre a vida no nosso planeta. A sociedade civil, a sociedade política, o Estado e os mercados de consumo precisam rever seus papéis e atribuições nesse contexto ambiental. A sustentabilidade, que busca garantir a sobrevivência das gerações futuras, depende da relação harmônica entre natureza, sociedade, empresas e ser humano (PRADO, 2009).

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O ritmo acelerado com que o homem tem consumido os recursos naturais e poluído a atmosfera gerou grande preocupação mundial com o meio ambiente e com o desenvolvimento da humanidade. Esse tema tem sido levantado em várias reuniões e eventos ocorridos a partir de 1972, sob o patrocínio da Organização das Nações Unidas (ONU), tais como: Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano (em 1972), o Relatório Brundtland (1987) que consolidou o conceito Desenvolvimento Sustentável, o Rio 92 realizado no Brasil (1992) que lançou as bases para a Agenda 21 e o Protocolo de Kyoto, o Rio +5 (1997) e a Cúpula sobre Desenvolvimento Sustentável (2002) que culminou com “A Carta da Terra” (GONÇALVES, 2006). Este último documento é considerado de importância singular, equivalente à Declaração dos Direitos Humanos para o meio ambiente.

No processo de produção de bens e serviços, as empresas necessitam constantemente de recursos extraídos do meio ambiente (recursos físicos, materiais) e de recursos humanos extraídos do meio social (ZANONE, 2006). Medidas para a geração de normas e práticas socioambientais politicamente corretas têm sido impulsionadas por movimentos sociais de consumo e incluem a melhoria na eficiência de políticas públicas e a ampliação da regulação de mercado sobre os diferentes atores envolvidos na cadeia produtiva (PRADO, 2009).

Estudos já revelaram que o uso de recursos naturais sem princípios éticos afeta negativamente a imagem de marcas/organizações perante seus stakeholders relevantes e que o desenvolvimento sustentável pode ser alcançado somente quando há preocupação com os aspectos econômico, social e ecológico, concomitantemente (VELLANI 2008). Atualmente, essa integração tem sido denominada de eco-eficiência. Conforme Toms (2001), fatores como melhora da reputação e diferenciação de produtos são hoje motivos importantes que levam as organizações a se preocuparem com as questões ecológico-ambientais. Como mostrou o estudo realizado recentemente por Santos e Abreu (2009), o principal atrativo para adoção de estratégias ecológico-ambientais pelas usinas de açúcar e álcool pesquisadas foi a possibilidade de ganhos para a imagem institucional das organizações perante seus stakeholders; outro atrativo foi a possibilidade de obtenção de diferencial competitivo, que permitiria associar a imagem da organização à preservação ambiental, o que facilitaria a entrada das empresas fornecedoras em mercados de consumidores mais exigentes e ajudaria na obtenção de investimentos/financiamentos junto a terceiros.

Há vários estudos acadêmicos que abordam o tema gestão/responsabilidade ambiental. Em nível nacional, um estudo citado frequentemente é o realizado por Medeiros (2003), envolvendo diversas empresas que adotam estratégias de diferenciação competitiva

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através de ações ambientalmente corretas. Os resultados desse estudo revelaram que, no que tange a questão ambiental, o principal stakeholder das empresas é ainda o Estado, ou seja, as exigências legais, que preocupam por enquanto mais que as exigências do mercado, e que um número significativo de empresas realizam ações ambientais visando principalmente a imagem da marca/organização (sendo que 44% delas estão preocupadas com a sua imagem perante o mercado consumidor e 39% perante a sociedade/comunidade geral).

O estudo de Fauth (2008) apontou a existência de diversas falhas na prática de gestão ambiental de organizações. Os resultados revelaram que, mesmo tendo processo produtivo altamente poluidor, há organizações que não dispõem de qualquer sistema de tratamento de dejetos, inexiste um programa institucionalizado de gestão ambiental, falta responsável pelas políticas ambientais da organização e apresentam não conformidades quando analisadas à luz da legislação ambiental. Por outro lado, os estudos de Santos e Abreu (2009) e de Molina-Azorín et al. (2009), mostraram que a prática de estratégias de marketing verde gerou impactos positivos para a organização, como a melhoria da imagem perante os stakeholders e a diferenciação competitiva no mercado.

No âmbito do setor de cerâmica vermelha, muitas organizações estão sendo impelidas a se adequarem as normas legais e a amenizarem os impactos negativos do seu processo produtivo no meio ambiente, seja ele natural ou social (CAJAZEIRA; BARBIERI, 2005). Essas empresas precisam, no entanto, equilibrar o cumprimento das exigências ambientais e a necessidade de agregar valor à cadeia produtiva com o desempenho financeiro-operacional da organização e com a disponibilidade reduzida de recursos financeiros, mesmos no caso das empresas já consolidadas.

Estudo de mercado realizado pelo Serviço Brasileiro de apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE)/ Instituto Euvaldo Lodi (IEL) (2009) revelou que a indústria de cerâmica vermelha no Brasil é composta por aproximadamente 5.500 empresas, entre as fábricas de cerâmicas e olarias, respondendo por mais de 400 mil empregos diretos, 1,25 milhões de empregos indiretos e por um faturamento anual de R$ 6 bilhões. Nessa indústria, predominam em grande maioria empresas de micro, pequeno e médio portes. Esse estudo apontou também que os três principais desafios ambientais desse setor são: a) investir em novas tecnologias de produção de cerâmicas vermelhas, em especial a substituição dos fornos tradicionais pelos fornos a gás natural; b) reduzir as substâncias nocivas geradas pelo processo produtivo das organizações; c) adequar o padrão de qualidade dos produtos às exigências da ABNT e à legislação ambiental.

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Outro estudo interessante realizado pelo SEBRAE/Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) (2008) apontou que as organizações desse setor enfrentam hoje graves ameaças de mercado, incluindo a percepção crescente de que a indústria cerâmica é prejudicial ao meio ambiente, por utilizar matéria-prima não renovável (ex: argila), pelo uso intensivo de lenha como combustível e pela dificuldade de destinação dos resíduos da produção, dentre outros aspectos.

Aparentemente, o setor de cerâmica vermelha necessidade de propostas/alternativas exequíveis para melhorar a gestão ambiental, propostas que sejam adequadas à realidade das organizações e que preencham lacunas em termos de informações e métodos de gestão ambiental. Nesse sentido, o estudo de Medeiros e Garay (2006) recomendou a realização de novas pesquisas acadêmicas sobre o setor, principalmente em aspectos relacionados ao gerenciamento da qualidade e à gestão ambiental.

Nesse contexto, o presente estudo assumiu a seguinte questão como problema de pesquisa:

Qual a situação da gestão ambiental de uma empresa do setor de cerâmica vermelha do Estado de Santa Catarina, no âmbito das estratégias/ações ambientais aplicadas e da imagem de responsabilidade ambiental da marca?

1.2 OBJETIVOS DO ESTUDO

Com base no problema de pesquisa, os objetivos deste estudo foram estabelecidos como segue:

Objetivo Geral:

Analisar a situação da gestão ambiental da empresa Cerâmica Princesa, localizada na cidade de Rio do Sul/SC, com base nas estratégias/ações ambientais aplicadas nos últimos 3 anos e na imagem de responsabilidade ambiental da marca junto aos stakeholders órgãos reguladores, clientes-alvo e comunidade.

Objetivos específicos:

 levantar a prática de gestão ambiental da organização nos últimos 3 anos, incluindo estratégias, ações, principais fatores/variáveis do desempenho (interno e externo) e resultados alcançados;

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 verificar demandas, expectativas e percepções dos principais stakeholders sobre a prática de gestão ambiental da marca da organização (órgãos reguladores, clientes-alvo e comunidade em geral);

 identificar pontos fortes e fracos da organização (ambiente interno), oportunidades e ameaças de mercado (ambiente externo), no âmbito das variáveis relacionadas à gestão ambiental;

1.3 JUSTIFICATIVA E IMPORTÂNCIA DO ESTUDO

As razões e relevâncias que justificam a realização deste estudo são de ordem teórica e prática/gerencial.

As razões de ordem teórica são a necessidade de ampliação do conhecimento acadêmico sobre os temas gestão ambiental, responsabilidade ambiental e marketing verde, assim como sobre a prática de gestão ambiental e de responsabilidade ambiental de organizações manufatureiras que causam grande impacto ao meio ambiente.

Conforme Gladwin, Kennelly e Kraude (1995), com o advento do paradigma sustecentrismo, a necessidade desses estudos/pesquisas foi ampliada, tanto com relação a sistemas de gestão ambiental como sobre desenvolvimento sustentável, seja por parte da indústria e da universidade. Nesse sentido, Passos (2003) sugeriu também que tais estudos são necessários, tanto com o emprego de metodologias quantitativas como qualitativas, para aprofundar o conhecimento acadêmico sobre gestão ambiental e sobre competitividade organizacional nos setores potencialmente poluidores, assim como evidenciar eventuais diferenças existentes nas estratégias/ações ambientais das organizações. Recentemente, em seu estudo Fauth (2008) afirmou também que existe em nível nacional pouca pesquisa sobre o assunto e que literatura disponível precisa ser ampliada, permitindo aprofundar a compreensão sobre as práticas organizacionais e sobre os modelos de gestão ambiental sustentável.

O estudo de mercado realizado pelo SEBRAE/ESPM (2008) no setor de cerâmica vermelha concluiu também que há necessidade de ampliar a pesquisa acadêmica sobre a gestão ambiental das organizações e de propor de melhorias para os integrantes da cadeia produtiva do setor de cerâmica vermelha. Afirmações semelhantes foram também apontadas nos estudos de Ribeiro (2008).

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As razões de ordem prática/gerencial são a necessidade das organizações considerarem o impacto de suas operações no meio ambiente, a valorização dos aspectos ambientais na percepção de stakeholders relevantes e os desafios enfrentados pelas organizações do setor de cerâmica vermelha.

Nas últimas três décadas, em função de transformações ocorridas nos ambientes legal e competitivo, organizações de vários setores de atividade foram pressionadas em função do impacto de suas operações no meio ambiente. Essa pressão tornou a gestão/responsabilidade ambiental uma questão estratégica, capaz de proporcionar vantagem competitiva e de solucionar graves problemas ambientais enfrentados pelas organizações. Hoje, as organizações do setor de cerâmica vermelha estão preocupadas em atender à legislação ambiental cada vez mais rigorosa e em associar a responsabilidade socioambiental à sua imagem de marca institucional.

Como pondera Andrade, Tachizawa e Carvalho (2000), a abordagem ambiental proposta dentro dos contornos do modelo de gestão ambiental requer o envolvimento de técnicos e gestores/dirigentes das organizações para garantir melhor resultado e eficiência nas aplicação das estratégias ambientais. Esses profissionais podem contribuir para elevar o acerto na tomada de decisões ambientais e reduzir o tempo necessário para a implementação de estratégias/projetos ligados à gestão/responsabilidade ambiental. No entanto, esses profissionais precisam de conhecimento, informação e sensibilização para o assunto. Esse pode ser também um dos benefícios proporcionados por este estudo.

Outro motivo prático deste estudo é a valorização dos aspectos ambientais na percepção dos stakeholders, em particular dos clientes-alvo e da comunidade em geral. O consumidor, como cliente final, é um stakeholder cada vez mais consciente das limitações dos recursos ambientais e da necessidade de se promover desenvolvimento econômico sustentável. Hoje, os clientes exigem no momento da decisão de compra um comportamento ambiental mais correto das marcas/organizações e valorizam mais produtos ecológicos ou marcas que ajudam o meio-ambiente (HOURNEAUX; HDLICKA, 2009). Sobre isso, Martins (2008) destacou também que em um mundo globalizado, e extremamente competitivo, o estrategista organizacional necessita compreender e considerar as expectativas ambientais de seus stakeholders, caso queira agregar valor aos produtos/marcas comercializados.

Outro argumento prático/gerencial está ligado aos desafios enfrentados pela Indústria de Cerâmica Vermelha em nível nacional, como os apontados por Pauletti (2001). Hoje, esse setor necessita intensamente: de investimentos em novas tecnologias de produção das cerâmicas vermelhas, de redução das substâncias nocivas/poluentes durante o seu

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processo produtivo e de adequação das suas operações e produtos às exigências legais. Em verdade, algumas organizações desse setor têm aparentemente problemas no atendimento à legislação ambiental e carecem de consistência nos padrões de qualidade dos produtos, o que prejudica a própria sustentabilidade do setor.

Diante disso, este estudo pode auxiliar a melhorar a compreensão sobre a prática de gestão ambiental das organizações do setor e permitir a identificação de estratégias/ações ambientais recomendáveis que associem a imagem das organizações com o conceito de responsabilidade socioambiental.

1.4 DELIMITAÇÕES DO ESTUDO

Este estudo tem o propósito de analisar a gestão ambiental em organização do setor de cerâmica vermelha, localizada na cidade de Rio do Sul/SC, perante alguns públicos-alvo relevantes. Para isso, o estudo foi delimitado com base nos critérios/fatores: conceitual, espacial, temporal e campo de observação da pesquisa.

A abrangência conceitual do estudo está delimitada ao tema gestão/responsabilidade ambiental e se restringe aos aspectos relacionados ao programa de gestão/responsabilidade ambiental, à legislação ambiental brasileira aplicável ao setor de cerâmica vermelha e as estratégias (projetos/diretrizes) de gestão/responsabilidade ambiental de marcas/organizações com impacto nos públicos-alvo clientes e comunidade geral.

Quanto ao campo de observação, o estudo está delimitado ao setor de cerâmica vermelha (conhecido também como "cerâmica estrutural") e, especificamente, à empresa Cerâmica Princesa Indústria Comércio Ltda (ANEXO A contém foto panorâmica da organização). Essa indústria pertence, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2012), ao ramo de atividade econômica denominado “transformação de materiais não metálicos”. A escolha desse setor foi baseada no impacto ambiental potencial do processo produtivo e na relevância social em nível nacional das organizações do setor. No Brasil, o setor de cerâmica vermelha comercializa produtos como tijolos, blocos, telhas, elementos vazados, lajes, lajotas, ladrilhos vermelhos, tubos e agregados leves (ANEXO B contém fotos de alguns desses produtos). Conforme a Confederação Nacional da Indústria (CNI)/Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) (1998), esse setor produz cerca de 2,2 bilhões de peças por mês, com produção concentrada principalmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina. Movimenta aproximadamente 5 milhões de toneladas de matéria-prima/mês, com grandes reflexos para o meio ambiente. Trata-se de

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um setor com elevado significado social, que gera grande quantidade de empregos e que fornece componentes essenciais para o setor de construção em geral.

Com relação à delimitação espacial, o estudo está delimitado ao Estado de Santa Catarina, especificamente à região centro-oeste de Santa Catarina, um dos polos de cerâmica vermelha do estado. O Estado de Santa Catarina está localizado na região Sul do Brasil, com 95,4mil km2, contém 293 municípios e população de 6,1milhões de habitantes. Segundo a Secretaria do Estado da Ciência e Tecnologia, das Minas e Energia (SECTME) (1990), em Santa Catarina, as indústrias de cerâmica vermelha estão concentradas em três regiões principais: região Alto Vale do Itajaí (51,9% da produção), que compreende as cidades de Rio do Sul e Tijucas; a região Sul, próximo à Criciúma (38,8%); e a região oeste do estado, próximo à Chapecó (9,3%). O município de Rio do Sul, onde se localiza a empresa objeto deste estudo, está situado na região Alto Vale do Itajaí, que tem população estimada em 50.000 habitantes e apresenta economia bastante diversificada, que inclui indústrias de madeira, vestuário, produtos metal mecânicos, eletrônicos, alimentícios e cerâmicos. (ANEXO C contém mapa de localização da cidade de Rio do Sul no Estado de Santa Catarina).

Por fim, a amplitude temporal do presente estudo, que aponta a delimitação do período de referência da coleta de dados, compreende os últimos 3 anos, ou seja: 2009, 2010 e 2011. Esse é período "boom" na construção civil nacional, com elevada demanda de produtos de cerâmica vermelha e consequentemente o potencial de impacto sobre o meio ambiente; além disso, considera-se que esse período é suficiente para analisar a prática de gestão/responsabilidade ambiental da organização objeto de estudo.

1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO

A presente dissertação está estruturada em sete partes: a Introdução, o Referencial Teórico, os Procedimentos Metodológicos, a Apresentação dos Resultados, as Considerações Finais, Apêndices e Anexos.

O capítulo Introdução apresenta a breve contextualização do tema do estudo, o problema de pesquisa, os objetivos do estudo (geral e específicos), as justificativas/importância do trabalho (argumentações teóricas e prática/gerencial) e a delimitação do estudo.

O Referencial Teórico que aborda os principais tópicos/teorias que fundamentam o presente estudo e que o situa dentro da sua grande área de pesquisa. Ele aborda os

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assuntos/tópicos: a) fundamentos de gestão ambiental (definições, importância e evolução histórica), b) elementos do programa de gestão/responsabilidade ambiental, c) aspectos da legislação ambiental no Brasil aplicáveis ao setor de cerâmica vermelha (segundo órgãos reguladores), d) indicadores de gestão/responsabilidade ambiental Ethos, e) caracterização do setor de cerâmica vermelha e seus potenciais impactos ambientais, f) estratégias (projetos e diretrizes) de gestão/responsabilidade ambientais de marcas/organizações aplicáveis ao setor de cerâmica vermelha (com impacto em clientes e comunidade geral).

O capítulo Procedimentos Metodológicos que descreve sobre as principais procedimentos empregados no planejamento e na execução da pesquisa de campo e revela as decisões relacionadas à abordagem do problema, as estratégias de pesquisa, ao horizonte de tempo, à população/amostragem, aos métodos de coleta de dados, aos métodos de análise dos resultados e ao cronograma estimado de execução da pesquisa de campo.

O capitulo Apresentação dos Resultados apresenta os dados coletados e as análises efetuadas na parte empírica do presente estudo, e contém a breve descrição da organização objeto de estudo, os resultados sobre entendimento das exigências ambientais, entendimento da prática da gestão ambiental da organização, e o diagnóstico da prática de gestão ambiental da Cerâmica Princesa.

Nas Considerações Finais contém a síntese dos resultados da pesquisa de campo (incluindo: a prática da gestão ambiental da organização; expectativas de órgãos reguladores e clientes; pontos fortes, fracos, oportunidades e ameaças da organização), recomendações de melhoria para o setor de cerâmica vermelha, limitações do estudo e sugestões para futuros estudos.

Os Apêndices, contém o protocolo de estudo de caso, os instrumentos de coleta de dados utilizados.

E, por fim, nos Anexos estão fotos da vista aérea da organização e dos principais produtos do setor de cerâmica vermelha; mapa de localização da cidade de Rio do Sul no Estado de Santa Catarina; mapa dos municípios da região do alto Vale do Itajaí; Licença Ambiental de Operação – LAO e certificados de conformidade de produto.

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2 REFERENCIAL TEÓRICO

Este capítulo contém o referencial conceitual empregado na pesquisa de campo necessária para a consecução do presente estudo. Ele aborda os seguintes assuntos: fundamentos de gestão ambiental (definição, importância e evolução histórica), elementos do programa de gestão ambiental, legislação ambiental aplicável ao setor de cerâmica vermelha, indicadores de gestão ambiental do Instituto Ethos e estratégias de gestão ambiental aplicáveis ao setor de cerâmica vermelha.

2.1 FUNDAMENTOS DE GESTÃO AMBIENTAL

A gestão ambiental não é um conceito novo nem mesmo uma necessidade social recente. O ser humano necessitou sempre interagir de forma responsável com o meio ambiente para evitar consequências que prejudiquem a sua própria sobrevivência, como mudanças climáticas intensas e desastres ambientais de grande proporção (BATISTA, 2011). Do ponto de vista empresarial, a gestão ambiental visa orientar à organização na redução de impactos do processo industrial junto ao meio ambiente (DIAS, 2011). Ela busca promover o desenvolvimento organizacional sustentável e evitar que os efeitos/impactos ambientais provocados pela organização não ultrapassem a capacidade de absorção natural do meio ambiente.

Segundo Epembaum (2004), a gestão ambiental compreende o processo responsável pela identificação, avaliação, controle, monitoramento e redução de impactos ambientais provocados pela organização. Para Vellani e Ribeiro (2008), a gestão ambiental consiste no conjunto de tarefas/atividades, correlatas e inter-relacionadas, dirigidas à proteção de ecossistemas, como fauna, flora, micro-organismos e ambiente natural. O termo Eco-eficiência tem sido empregado para designar a operacionalização da produção de determinado bem ou serviço comercial sem a contaminação do meio ambiente e evitando o consumo de recursos naturais de forma insustentável (VELLANI; RIBEIRO, 2008). Assim, a gestão ambiental compreende atividades/tarefas como: tratamento de efluentes, reciclagem de resíduos, aumento da eficiência no uso de insumos, obtenção de certificações ambientais, promoção da educação ambiental e recuperação de ecossistemas afetados.

A gestão ambiental é aparentemente uma área de conhecimento bastante extensa. O estudo dessa área envolve diversos temas, requer relacionado com várias outras áreas de conhecimento e envolve geralmente a discussão integrada de diferentes pontos de vista

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(implicações) da sociedade (BOSCHETTI; BACARJI, 2009). De acordo com (CORAZZA, 2003), a gestão ambiental em uma organização pode estar a cargo de uma pessoa/cargo, uma área funcional ou de todos na organização e sua contribuição pode ocorrer em três esferas organizacionais: na produtiva, na inovação e na estratégica.

Na esfera produtiva, a gestão ambiental auxilia no cumprimento de regulamentações legais e na implementação de ações visando à manutenção, conformidade ambiental e ao controle de sítios de produção, por exemplo. Na esfera da inovação, a gestão ambiental pode contribuir na definição de projetos de novos produtos, na criação de novos dispositivos da regulamentação e na avaliação eco-toxicológicas de novos produtos ou tecnologias. Ao passo que na esfera estratégica a gestão ambiental pode ajudar na avaliação de projetos de desenvolvimento organizacional e na identificação de restrições ambientais emergentes, inclusive quanto a aspectos ligados à concorrência. É provável que a posição hierárquica do responsável pela gestão ambiental afete o tipo e a intensidade dessa contribuição (CORAZZA, 2003).

Na sociedade atual, a preservação do meio ambiente é um tema que tem crescido em importância, tanto no âmbito do desenvolvimento econômico como tecnológico. Nas discussões empresariais a necessidade de harmonizar o desenvolvimento industrial e a preservação ecológica é cada vez mais evidente. Conforme Oliveira (2003), em vários setores/ramos de atividade a sustentabilidade ambiental é hoje vista como elemento indispensável ao desenvolvimento sustentável da organização e há preocupação com o bem estar das futuras gerações de consumidores. Para Hourneaux, Barbosa e Katz (2004), mesmo com diferentes níveis de intensidade, as empresas estão cada vez mais preocupadas com aspectos relacionados à gestão ambiental, incluindo o tratamento de efluentes, a reciclagem de resíduos e o aumento da eficiência no consumo de insumos.

Segundo Oliveira (2003), a preocupação das empresas com o meio ambiente é provenientes de diferentes fatores, incluindo elevado aumento demográfico, ocorrência de grandes acidentes ambientais, redução da camada de ozônio e cobrança da sociedade sobre a responsabilidade ambiental das empresas.

Um fator importante que impulsionou a gestão ambiental nas organizações foi a regulamentação internacional dos padrões de qualidade ambiental (ALCÂNTARA; ALCÂNTARA, 2005). A criação dessas normas, como a International Organization for Standardization (ISO) 14.000, gerou mudanças relevantes na prática de gestão ambiental de diversas empresas que atuam em mercados internacionais e a responsabilidade ambiental

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passou a ser vista como elemento de sobrevivência das empresas interessadas em exportar, inclusive sendo incorporada à missão e/ou visão corporativa de várias empresas.

Segundo Prado (2009), a gestão ambiental é hoje um tema de debate nas organizações e tem sido usada como elemento da estratégia competitiva em nível nacional. A gestão ambiental possibilita à empresa obter, no médio prazo, vantagem competitiva sustentável, redução nos custos de produção, melhoria na imagem da organização e acesso a mercados-alvo mais exigentes (TACHIZAWA, 2002). Gilley et al. (2000) estudaram a influência da gestão ambiental no desempenho da empresa e concluíram que iniciativas ambientais causam efeitos positivos na reputação da organização, por exemplo.

Em muitas organizações, a prática de gestão ambiental se restringe ainda ao atendimento da legislação ambiental, principalmente relacionada ao controle de emissão de substâncias poluentes, à eliminação de resíduos, ao uso de substâncias tóxicas e ao volume de água consumida e esgoto gerado (ALBUQUERQUE et al., 2009; DIAS, 2011). De acordo com Albuquerque et al. (2009), os principais fatores impulsionadores da gestão ambiental nas organizações são: a legislação ambiental, a necessidade de eficácia nos custos de produção, a necessidade de preservação da imagem da organização a e a pressão de movimentos ambientais. Barbieri (1997) recomenda que a gestão ambiental das empresas deve se orientar pela legislação ambiental vigente e pela necessidade de obtenção do desenvolvimento organizacional sustentável.

O interesse econômico pode ser conciliado com o desenvolvimento organizacional sustentável (ALCÂNTARA; ALCÂNTARA, 2005). Uma prova disso é a proliferação das empresas "verdes” bem sucedidas, tanto em nível internacional como nacional, empresas que incorporaram a preocupação com o meio ambiente no dia a dia dos negócios. Em verdade, a gestão ambiental pode gerar diversos benefícios à organização, incluindo (DONAIRE, 1994; MAIMON, 1994; ROOME, 1994; PORTER; VAN DER LINDE, 1995; SHRIVASTAVA 1995): a melhoria na eficiência produtiva, a minimização da quantidade de resíduos, o desenvolvimento de tecnologias limpas, o desenvolvimento de produtos para novos mercados, a melhora na imagem pública e a melhoria nas relações com clientes, órgãos governamentais e comunidade. É provável que possa gerar também melhorias nas condições de segurança/saúde dos trabalhadores e elevar o comprometimento dos funcionários da organização.

A preocupação com o meio ambiente tem evoluído consideravelmente ao longo do tempo. Aparentemente, ela surgiu na ideológica de grupos ecologistas que rejeitaram mudanças nos padrões de consumo e no comportamento da sociedade (VALLE; LAGE,

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2003). Em 1950, a preocupação com o meio ambiente se intensificou em função das notícias sobre a queda na qualidade de vida das pessoas, a intensificação do processo de industrialização, o surgimento de doenças provenientes da profissão e a contaminação das atividades de mineração (VALLE; LAGE, 2003).

Em nível mundial, um marco relevante da preocupação ambiental foi o relatório do Clube de Roma, denominado "The Limits to Growth", elaborado por técnicos do Massachusetts Institute of Technology/MIT em 1960 (BOSCHETTI; BACARJI, 2009). Nessa década, a questão ambiental começou a ser discutida no Brasil, principalmente em função do processo de industrialização e do aumento da população nas regiões mais industrializadas, como Cubatão, Volta Redonda e ABC Paulista (ANDRADE; TACHIZAWA; CARVALHO, 2000).

Em 1972, com a Conferência de Estocolmo, o assunto foi mundialmente discutido e diversos programas governamentais foram criados. Na época surgiram várias organizações não governamentais (ONGs) especializadas no assunto, como a Greenpeace. Em 1973, o governo brasileiro criou a Secretaria do Meio Ambiente (SEMA), a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB) em São Paulo e o Conselho Estadual de Proteção Ambiental (CEPRAM) na Bahia. Desde então, vários órgãos ambientais foram criados para controlar a poluição industrial e fiscalizar os impactos ambientais decorrentes do processo industrial (DIAS, 2011).

Na década de 80, várias conferências bienais foram realizadas e diversos programas ambientais importantes foram criados, como o "Responsible Care Program" do Canadá e o "Destino da Terra" (VALLE, 2002). Esses programas promoveram atitudes proativas na sociedade em relação ao meio ambiente e disseminaram a busca constante por melhorias ambientais, a antecipação da legislação ambiental e a inclusão da visão sistêmica na discussão do tema, que incluiu aspectos ligados à segurança e saúde ocupacional.

Outro momento importante na história da preocupação com o meio ambiente foi o relatório da Comissão Brundtland (Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento) apresentado à Assembleia Geral da ONU em 1987. Esse relatório oficializou o conceito de desenvolvimento sustentável, apontou os impactos das atividades industriais no meio ambiente e promoveu a conciliação das necessidades/interesses empresariais, sociais e ambientais. Ele trouxe a visão do crescimento econômico sustentável e mostrou como a qualidade ambiental poderia ser alcançada através de boas práticas de gestão organizacional (DIAS, 2011).

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No Brasil, a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) criou nos anos 80 o "Programa de Atuação Responsável", considerada na época a mais importante iniciativa do setor empresarial na área socioambiental (ABIQUIM, 2004). O programa foi estruturado contendo seis grandes áreas/unidades de gestão ambiental: princípios diretivos, códigos de práticas gerenciais, comissões/lideranças executivas, conselhos comunitários consultivos, avaliação de progresso e difusão na cadeia produtiva.

Nas décadas de 1970 e 1980, alguns acidentes ambientais relevantes ampliaram a discussão do tema em nível internacional. Houve o desastre de Seveso, na Itália, o de Bophal, na Índia, o de Chernobyl, na antiga União Soviética, o da Basiléia, na Suíça, e o do Alasca com o petroleiro Exxon Valdez. Em todos esses acidentes foram identificadas causas ligadas à falha humana e a procedimentos de segurança não cumpridos ou não estabelecidos (VALLE; LAGE, 2003). A degradação da camada de ozônio foi também reconhecida nessa época.

Na década de 90, a discussão ambiental envolveu a otimização do processo produtivo, a criação das normas regulatórias internacionais (ex: ISO 14.000), o desenvolvimento da Carta da Terra e da Agenda 21. Nessa época, o Protocolo de Kyoto no Japão, um tratado internacional negociado entre as nações mundiais, foi também estabelecido.

Em 1992, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92, foi outro marco mundial relevante. Na ocasião, vários documentos foram desenvolvidos e outros protocolos importantes foram firmados, entre eles a Agenda 21, a Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Convenção da Biodiversidade, a Convenção do Clima e a Declaração de Princípios sobre Florestas, todos preocupados em harmonizar o desenvolvimento econômico e a preservação do meio ambiente.

Atualmente, a sociedade mundial está mais consciente da importância da preservação do meio ambiente e grande número de organizações valorizam a gestão ambiental, reconhecendo os efeitos nocivos de determinados produtos (e processos industriais) ao meio ambiente. Conforme Nascimento, Lemos e Mello (2008), a gestão ambiental deixou de ser vista apenas como um tema problemático e passou a ser parte da solução de problemas de credibilidade e competitividade nas organizações.

2.2 COMPONENTES DA GESTÃO AMBIENTAL

Hoje, as empresas (e suas marcas/produtos) são avaliadas pela sociedade em função do nível de responsabilidade com o meio ambiente. Essa avaliação acontece no âmbito

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de órgãos reguladores, organizações não governamentais, entidades financiadoras, fornecedores de seguros, consumidores/clientes e comunidade em geral (NICOLELLA, 2004). Aspectos relacionados ao meio ambiente são também discutidos no âmbito da ciência, educação, política, tecnologia e da gestão empresarial. Por isso, Xavier (2003) afirma que as empresas que não adotarem medidas ambientais adequadas em seus processos de produção enfrentarão no futuro graves dificuldades de mercado.

Recentemente, Dias (2011) alertou que nas empresas predomina ainda a postura ambiental reativa, com políticas e investimentos ambientais apenas corretivos e limitados à solução de problemas emergenciais. As empresas precisam ter postura ambiental proativa, com política ambiental agressiva, planejamento prévio, medidas preventivas e gestão ambiental adequada. Essa postura ambiental proativa requer um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) eficaz. A figura 1 apresenta os componentes básicos de um Sistema de Gestão Ambiental, aplicável para empresas de diferentes portes e setores/ramos de atividade. Um SGA compreende a formulação de políticas de gestão ambiental, o planejamento/diagnóstico da situação ambiental da empresa, a organização do programa de ações ambientais, a implementação desse programa e a criação de mecanismos de controle/monitoramento do processo de gestão ambiental da empresa.

Figura 1 - Elementos do sistema de gestão ambiental (SGA)

Fonte: Kraemer (2003).

A política ambiental é a primeira etapa na estruturação de um SGA eficaz (KRAEMER, 2003). Ela compreende a definição da posição (postura, atitude) da empresa em relação aos assuntos do meio ambiente e inclui o conjunto de diretrizes e normas que norteiam

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as ações ambientais da empresa. Ela deve refletir o comprometimento da empresa com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável.

Um SGA requer também planejamento e organização adequados. O planejamento inclui a avaliação antecipada dos elementos ambientais afetados pela empresa e a identificação de mecanismos/ações para reduzir ou eliminar os impactos da empresa sobre o meio ambiente. Alguns exemplos desses impactos são: poluição do ar, resíduos orgânicos industriais e uso de insumos não renováveis. A etapa de organização envolve a definição de procedimentos adequados para identificação dos impactos ambientais relevantes e para execução das diretrizes ambientais constantes na política ambiental da empresa. A gestão ambiental requer a avaliação dos impactos ambientais potenciais e o estabelecimento de objetivos, metas, estratégias e ações ambientais a serem implementadas pela empresa.

Na implementação envolve a alocação dos recursos humanos, materiais, tecnológicos e financeiros necessários na execução do programa ambiental definido pela empresa. Esta etapa inclui geralmente a conscientização de gestores e colaboradores sobre a política ambiental e o programa ambiental da empresa. Além disso, deve incluir também o estabelecido dos procedimentos de comunicação interna e interação das diferentes áreas/funções envolvidas no atendimento dos requisitos da legislação ambiental.

O SGA requer ainda controle e acompanhamento adequados. Esta etapa envolve a adoção de procedimentos de verificação e controle das ações ambientais a serem implementadas pela empresa e o estabelecimento das medidas corretivas necessárias. Os procedimentos de verificação, identificação de não conformidades e adoção de medidas corretivas (ou preventivas) devem ser devidamente documentados. Auditorias periódicas do Sistema de Gestão Ambiental da empresa devem também ser realizadas.

A estruturação de um SGA eficaz depende do entendimento prévio do propósito/intenções da empresa e do nível de comprometimento da direção (NICOLELLA, 2004). A empresa deve discutir antecipadamente as reais intenções e benefícios esperados do SGA e para isso palestras de conscientização e reuniões de discussões são necessárias entre dirigentes e gestões da empresa.

Hunt e Auster (1990) classificam os programas de gestão ambiental das organizações em cinco estágios de desenvolvimento. Estágio 1 (um) são as empresas não possuem programas ambientais ou que realizam apenas ações pontuais, com orçamento reduzido. No estágio 2 (dois) estão as empresas que dispõe um pequeno staff de executivos que participa das discussões ambientais, mas de forma centralizada e atuando apenas na resolução de crises. No estágio 3 (três) aparecem as empresas que não possuem programas

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proativos e cuja área funcional responsável pelo meio ambiente não possui influência nem autoridade suficientes. As empresas do estágio 4 (quatro) são aquelas que se dedicam efetivamente ao gerenciamento de problemas ambientais, que realizam algumas ações periódicas de educação ambiental e cuja área funcional responsável pelo meio ambiente tem pessoas experientes, com autoridade e recursos necessários. No estágio 5 (cinco) estão aquelas que possuem programas ambientais disseminados por toda a empresa, funcionários conscientizados, com as informações e responsabilidade necessárias, aquelas que monitoram continuamente as suas ações ambientais e que são rápidas na resolução de problemas.

Rondinelli e Vastag (2000) desenvolveram proposta de tipologia de políticas ambientais, que resulta da combinação de riscos ambientais exógenos e endógenos (vide figura 2). Segundo essa proposta, as políticas ambientais das empresas podem ser classificadas como reativa, proativa, estratégico e prevenção a crises.

Figura 2 - Políticas ambientais

Fonte: Rondinelli; Vastag (2000).

Uma política ambiental é reativa quando o gerenciamento ambiental obedece apenas a regulamentos locais, envolve pouca emissão de poluição e afeta pequeno número de pessoas. A política ambiental é proativa quando a gestão ambiental é descentralizada, envolve tecnologias e/ou processo industrial com elevado nível de poluição e condições climáticas (ou de infraestrutura ambiental) sem graves implicações. A política ambiental é estratégica quando adota diretrizes relevantes para prevenção/redução de danos ambientais e a administração ambiental é parte importante da estratégia empresarial da organização. A política ambiental é prevenção a crise quando a poluição acontece indiretamente, não envolve grandes volumes de substâncias perigosas, há tecnologias e/ou processos para prevenir

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situações de crise e tem campanhas de educação para esclarecer aspectos de segurança e perigos potenciais.

Mais recentemente, Lee e Rhee (2007) classificaram as estratégias ambientais em reativas, focadas, oportunistas e proativas. Estratégias reativas são aquelas cujas áreas de decisão têm baixo nível de responsabilidade ambiental, ignoram frequentemente os problemas ambientais e estão direcionadas apenas para controles de poluição e conformidade com regulamentos. Estratégias focadas compreendem aquelas direcionadas para limitadas áreas dentro da organização e cujos recursos alocados requerem elevado nível de gerenciamento ambiental. Estratégias oportunistas são aquelas que envolvem simultaneamente diversas áreas funcionais de decisão, mas a dedicação ao gerenciamento ambiental não ocorre em todas as áreas com a mesma intensidade. Ao passo que, as estratégias proativas são aquelas que levam em conta os problemas ambientais em todas as áreas funcionais de decisão e refletem práticas ambientais consideradas avançadas.

2.2.1 As normas ISO 14000

A certificação ISO 14000 pode ser componente estratégico da gestão ambiental da organização (TACHIZAWA, 2005). A ISO 14000 compreende a família de normas internacionais que padroniza os procedimentos de identificação, ação e controle do impacto ambiental da empresa, estabelecendo um conjunto de ferramentas/sistemas de gestão ambiental a serem aplicados (DIAS, 2011). Essas normas são desenvolvidas e controladas pela International Organization for Standardization (ISO), organização não governamental sediada em Genebra/Suíça, em 1947, com propósito de normalização da qualidade e da eficácia da relação entre a empresa e o meio ambiente.

As normas ISO 14000 abordam sistemas de gestão ambiental, auditorias ambientais, rotulagem ambiental, avaliação de desempenho ambiental e avaliação de ciclo de vida da empresa. A norma brasileira (NBR)-ISO 14001:2004, por exemplo, trata do sistema de gestão ambiental e contém requisitos e orientações necessários para a sua aplicação. Ela é a norma que orienta a preparação da empresa para a certificação ISO 14000, sendo considerada o eixo central dessas normas ambientais internacionais (DIAS, 2011). Outros exemplos são a NBR-ISO 14004, que contém as diretrizes gerais sobre princípios, sistemas e técnicas de apoio para aplicação do sistema de gestão ambiental, e a NBR-ISO 14015, que aborda avaliações ambientais de localidades e organizações.

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O propósito da International Organization for Standardization é proporcionar confiabilidade e eficácia ao processo de produção de bens e serviços, introduzir mecanismos de melhoria constante do desempenho ambiental das empresas e facilitar o comércio internacional entre as organizações. Embora a sua adoção seja voluntária, existem atualmente mais de 100 países que exigem dos fornecedores o cumprimento dessa regulamentação dos padrões de qualidade ambiental (KRAEMER 2003).

Quanto implementada adequadamente, a ISO 14000 pode proporcionar vários benefícios (GOETHE, 2011). Ela proporciona: melhora na imagem da empresa, redução de barreiras nos mercados internacionais, reforço da confiança junto aos clientes, redução dos gastos com eletricidade, água, combustível e matérias-primas. A ISO 14000 proporciona também ganhos com o tratamento de emissões, descargas e planos de redução de resíduos; permite a obtenção de pontos em editais de compras públicas, a diminuição no valor de determinados seguros contratados e a melhora a motivação da equipe de funcionários.

De acordo com Grummt Filho e Watzlawick (2008), a ISO 14001 inspira a criatividade ambiental de todos os membros da organização, tornando-os agentes ativos da proteção ambiental, da conservação de recursos e da melhoria da eficiência organizacional. Para Abreu (2010), a ISO 14000 proporciona diminuição nos impactos ambientais e melhora a padronização das ações ambientais da organização. Um sistema de gestão ambiental pode ser empregado com propósito de melhorar o atendimento da regulamentação ambiental, elevar a produtividade industrial e obter vantagem competitiva sustentável. De fato, com a disseminação da ISO 14000, a consciência ambiental das empresas tende a aumentar, assim como a existência de sistemas de gestão ambiental estruturados e, consequentemente, a conformidade das empresas com a legislação ambiental.

A aplicação da ISO 14001 é intencionalmente flexível e pode ser utilizada tanto por empresas pequenas como organizações multinacionais. No Brasil, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO) é o órgão responsável pela certificação e fiscalização das normas ISO 14000. Em nível nacional existem cerda de 240 empresas certificadas e há tendência é de crescimento no número de certificações (ABREU, 2010). No Estado de Santa Catarina não há registro de empresas produtoras de cerâmica vermelha com certificação ambiental ISO 14001 (INMETRO, 2012).

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2.3 ASPECTOS DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEIS AO SETOR DE CERÂMICA VERMELHA

A resolução do Conselho Estadual do Meio Ambiente (CONSEMA), publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) nº 18.359 de 13/05/2008, DOE nº 18489 de 14/11/2008, DOE n. 18755 de 18/12/2009 e DOE nº 19146 de 08/08/2011 (SANTA CATARINA, 2008, 2009, 2011), apresenta a listagem das atividades industriais consideradas potencialmente causadoras de degradação ambiental. Nessa listagem estão incluídas as atividades de extração de minerais, escavação de lavra a céu aberto, de produção de artigos minerais não metálicos e a fabricação de telhas, tijolos e outros artigos de barro.

O setor de cerâmica vermelha é legalmente considerado como potencial causador de degradação ambiental. Nele há possibilidade de uso inadequado de recursos naturais na extração de matéria-prima, de esgotamento de recurso naturais e de rejeitos lançados ao solo, por exemplo. Além disso, grande parte das empresas desse setor são organizações de porte pequeno, possuem processo produtivo com procedimentos arcaicos e usa lenha/madeira no processo de queima dos produtos comercializados. Ademais, conforme Silva (2007), esse setor não tem conseguido reduzir as suas perdas produtivas, nem melhorar a produtividade e qualidade do seu produto final. O processo de produção desse setor requer licenciamento ambiental e requerimento de lavra.

2.3.1 Licenciamento ambiental

Atualmente, toda atividade econômica em nível nacional requer licenciamento ambiental, principalmente aquelas que apresentam extração de recursos naturais, processamento industrial e descarte de resíduos que afetam os sistemas ecológicos (FATMA, 2012). Conforme a Lei Federal 6939/81 e a Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) 237/97 (BRASIL, 1997), o licenciamento ambiental é o procedimento administrativo, realizado por órgão ambiental competente, que envolve a autorização para instalação, ampliação, modificação e operação de atividades e empreendimentos que utilizam recursos naturais ou que possam causar degradação ambiental.

Conhecida como Política Nacional do Meio Ambiente, a Lei Federal nº 6.938 de 1981 (BRASIL, 1981) é marco relevante na introdução de avaliações de impacto ambiental em nível nacional (DIAS, 2001). A Avaliação de Impactos Ambientais (AIA) envolve a

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identificação dos elementos necessários ao Sistema de Gestão Ambiental (SGA) da empresa e norteia as medidas de proteção ao meio ambiente que precisam ser implementadas (DIAS, 2001).

Em Santa Catarina, a Fundação do Meio Ambiente (FATMA), localizada em Florianópolis/SC, é o órgão ambiental responsável pela concessão de licenciamento ambiental. O licenciamento ambiental tem procedimentos distintos, conforme o estágio do empreendimento/obra a ser licenciada. A Licença Ambiental Prévia (LAP) é uma espécie de consulta de viabilidade para construção de determinada obra em dado local. A Licença Ambiental de Instalação (LAI) compreende a autorização para começar a obra e requer a apresentação do projeto físico e operacional da obra, com todos os detalhes de engenharia necessários para atender às condições/restrições impostas pela LAP. A Licença Ambiental de Operação (LAO) envolve a vistoria realizada ao final da obra pelo órgão ambiental, visando verificar se o empreendimento foi construído de acordo com o projeto licenciado. Há também o procedimento de Estudos de Impacto Ambiental (EIA), um diagnóstico detalhado das condições ambientais da área de influência de determinado projeto antes da implantação, considerando solo, subsolo, ar, águas, clima, formas de vida, ecossistemas naturais e meio socioeconômico. O Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (RIMA) é o documento que apresenta as conclusões desse estudo, em linguagem acessível à comunidade, incluindo vantagens e desvantagens ambientais, sociais e econômicas proporcionadas pela obra (FATMA, 2012).

Quando há avanços na tecnologia empregada, mudanças significativas no processo produtivo ou modificações nas condições ambientais, o processo de licenciamento ambiental da empresa deve ser atualizado, readequando-se aos planos de controle e parâmetros fixados pelos órgãos ambientais (Decreto Estadual nº857/79, Art. 7º, § 2º). Quando há exploração de recursos minerais, a recuperação do meio ambiente degradado é necessária, conforme estabelece a Constituição Federal de 1988, que em seu art. 225, § 2º declara: "Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com a solução técnica exigida pelo órgão competente, na forma da lei”.

A atividade de mineração pode também configurar atentado à vegetação em Áreas de Preservação Permanente ou em Reserva Legal, conforme Código Florestal, Lei i nº 12.651, de 2012. (BRASIL, 2012), revogada. Os desmatamentos sem autorização prévia e compromisso de recuperação do dano ambiental podem configurar também crime ambiental (BRASIL, 1998 - Lei 9.605/98). Tanto as áreas que contém argila extraída como os processos de produção industrial requerem licenciamento ambiental e a apresentação de propostas de

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