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Apresentação do Dossiê "Direitos Humanos e Sociedade"

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Academic year: 2021

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I

O ano de 2018 completa setenta anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, e trinta anos da chamada “Constituição Cidadã”, de 1988. De lá para cá muita coisa mudou, no mundo e no Brasil. Este Dossiê enfrenta questões relativas a estas mudanças, propondo relacionar a crítica à crise contemporânea dos Direitos Humanos. Estes, serão examinados através das lentes e dos instrumentos fornecidos pelas Ciência Sociais. Com isso, queremos sugerir que os Direitos Humanos não constituem apenas um marco jurídico-normativo ou mesmo mais um campo de lutas onde o jogo social se desenrola, mas configura um potente analisador, um posto de observação adequado para o exame aprofundado dos conflitos violentos e das transformações sociais de nosso tempo. Transformações estas que ainda se encontram em curso e que sugerem novos sentidos para o direito, para a violência, para a vida e para própria noção do que é “ser humano”. Assim, nesta apresentação proponho uma breve introdução da história política dos Direitos Humanos, considerando diferentes cenários e escalas, para então detalhar os artigos que dão corpo ao Dossiê que o leitor tem em mãos.

II

Em 1948, no ambiente de criação da ONU, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi uma resposta imediata às grandes guerras e catástrofes que assolaram a primeira metade do século XX. O documento buscava codificar normas mínimas para proteger a vida e a dignidade de todos os seres humanos, tornando-se um critério jurídico internacional e também um valor normativo a ser seguido e respeitado pelos vários Estados nacionais signatários. Mas durante a Guerra Fria o conceito de “indivisibilidade” de Direitos Humanos foi completamente fraturado entre os dois blocos antagônicos: direitos civis e políticos, de um lado, e direitos econômicos, sociais e culturais, de outro. EUA e URSS tratavam de influenciar a consolidação desses direitos impregnando-os de um discurso ideológico capaz de justificar não só suas formas de organização interna, como também os seus discursos de política externa. O bloco capitalista usava a defesa dos direitos políticos e civis como munição para promover sua visão de mundo, em contraposição ao bloco comunista que, avesso aos direitos políticos e de liberdades individuais, afirmava a primazia dos direitos econômicos e sociais coletivos (Hunt, 2010).

por Daniel De Lucca

Dossiê

Direitos Humanos e Sociedade

Doutor em Ciências Sociais pela UNICAMP,

Professor e Coordenador do Núcleo de Direitos Humanos (NDH) da FESPSP ([email protected])

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A queda do muro de Berlim modificou este cenário, fazendo dos Direitos Humanos um importante horizonte de expectativas para movimentos sociais progressistas, sociais-democratas e políticos de esquerda que ali buscaram preencher o vazio deixado pelo fim do socialismo real (Santos, 1997). Entretanto, em 2001, os atentados de “11 de setembro” abriram o novo milênio fazendo com que o sistema internacional criado em 1948 fosse mais uma vez chacoalhado devido às manobras geopolíticas da maior potência mundial. A instabilidade econômica, iniciada em 2008, bem como o pânico moral dos países no Atlântico Norte a respeito da chamada “crise dos refugiados” amplificou ainda mais as ondas de desestabilização dos marcos regulatórios globais. Neste sentido, a ascensão de Donald Trump nos EUA e a saída da Inglaterra da União Européia representam transformações geopolíticas importantes ocorridas no centro do capitalismo mundial que foi hegemônico no século XX.

“Os Direitos Humanos vivem o pior momento desde o pós-Guerra” afirmou em entrevista Iain Lavine, da Human Rights Watch, quando esteve no Brasil em maio de 2017. Segundo Lavine, diretor de programas de uma das mais influentes organizações de Direitos Humanos do mundo, “todo um sistema erguido depois da Segunda Guerra, depois do Holocausto, para tentar garantir um certo nível de proteção dos civis, tudo isso está falhando. As pessoas estão perdendo a confiança no sistema internacional”3. Este alerta é reforçado pelo fato de

que, em várias partes do planeta, observa-se a ascensão de regimes autoritários, o endurecimento das fronteiras, o crescimento do nacionalismo de massa, da xenofobia, da intolerância religiosa, do racismo, do sexismo e da homofobia. Um cenário que se agrava com o prolongamento de guerras intermináveis na Palestina, na Síria, no Congo, no Mianmar e no Irian Jaya (Indonésia), além da atualização de outros novos modos de guerrear em escala transnacional - a guerra contra o terror, contra as drogas e contra a corrupção. Os novos meios de comunicação também aí atuam como importantes suportes narrativos na proliferação de discursos belicosos e intolerantes que forjam um novo consenso político completamente avesso a projetos e ideais democráticos, de governo e de vida coletiva. Neste ambiente hostil ao diálogo e à coabitação do mundo, noções basilares dos Direitos Humanos, como “universalidade dos direitos” e “igualdade jurídica”, são facilmente descartadas em prol do pragmatismo de mercado e da realpolitik. Esta forte contestação ao “direito a ter direitos”, para seguir a célebre formulação de Hanna Arendt (1988 [1951]), desenha os combates que marcam os novíssimos “tempos sombrios” em vigor.

No Brasil a trajetória dos Direitos Humanos seguiu caminhos próprios, fazendo com que os princípios da Declaração chegassem muito mais tarde, apenas 40 anos depois. A difícil luta pela democracia, pelo fim da ditadura militar, também pelo fim do cárcere político, da tortura e dos desaparecimentos, forjou ideais humanistas materializados na constituição de 1988, documento máximo que incorporou formalmente os princípios de 1948 (Carvalho, 2014; Alonso & Dolhnikoff, 2015). Mas como alguns analistas sugerem, o ciclo aberto pela “Nova República”, o mais longo período de experiência democrática vivida no país, parece ter chegado ao fim (Safatle, 2017).

Iniciada em 2013, quando “o gigante acordou”, a ruptura política brasileira se consolidou com o impeachment de 2016. Mediante um tour de force institucional muito bem financiado pelo empresariado - num amplo acordo “com o Supremo, com tudo”, como afirmou Romero Jucá (PMDB) em gravação amplamente divulgada - assistimos a derrubada de uma presidenta eleita pelas urnas. Daí emergiu o primeiro presidente da república denunciado, duas vezes seguidas, por corrupção. Um chefe de Estado sem legitimidade popular e com a menor aprovação já registrada na história do país (3% segundo pesquisa do CNI/IBOPE em setembro de 2017). O governo cínico que

3 Link: https://www.nexojornal.com.br/entrevista/2017/05/06/Direitos-humanos-vivem-pior-momento-desde-o-pós-Guerra-segun-do-este-especialista

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aí se formou - cínico pois ascendeu graças ao discurso do combate à corrupção e agora abandona por completo o horizonte das aparências - colocou em curso o desmonte e a rapinagem do Estado: transformando dívidas privadas em dívidas públicas, destituindo os direitos dos trabalhadores, financiando bancos e corporações, bloqueando políticas sociais, doando e vendendo terras que não são suas, perseguindo minorias, intelectuais, pesquisadores, artistas e até mesmo curadores de museus. A oposição política tem sido criminalizada, o encarceramento em massa intensificado e o apartheid social alargado. Cada vez mais fecha-se os olhos para o trabalho escravo. Novas senzalas irrompem aqui e ali. E finalmente o patriarcado brasileiro explicita sua mais longeva tradição, transformando o planalto numa enorme casa grande.

O que observamos, então, não é apenas um aprofundamento das piores práticas dos governos anteriores, mas o desempacotamento de uma caixa de pandora na qual o reclamo nostálgico pelo “retorno” da ditadura militar e da monarquia, bem como o agigantamento de pautas morais associadas aos discursos do “Movimento Brasil Livre” e da “Escola Sem Partido”, ganham ares de “salvação nacional”. E a nação a ser salva é imaginada e idealizada como uma família mononuclear, de classe média, branca, heterosexual, com homens provedores e mulheres reprodutoras. O conservadorismo em cólera ganha espaço nas ruas, nas mídias, na política e no judiciário. O furor e a indignação manifesta fomentam práticas de censura e constrangimento à vida e ao pensamento diverso. Tais movimentações causam medo, apreensão e terror, sentimentos que facilmente se associam ao desejo por estabilidade e pelo “fim da bagunça”. Condições estas, mais que adequadas para a legitimação pública de figuras autoritárias com duras políticas arbitrárias.

Em São Paulo, a maior metrópole do país, a crise dos Direitos Humanos tem assumido configurações locais próprias. Os cenários são inúmeros e aqui destaco apenas um que me parece exemplar. Num domingo de maio de 2017, em plena Virada Cultural, uma forte ação policial teve como alvo a chamada “cracolândia” no bairro da Luz. A intervenção foi uma ação coordenada pelo governo do estado com a prefeitura de São Paulo, integrando várias instituições e agentes estatais, e que buscava, chamar a atenção pública e impelir os usuários de crack a deixar o local. Orgulhosamente anunciada pela nova gestão municipal como “o fim da cracolândia”, a ação não era radicalmente nova, apenas reproduzindo em escala ampliada as trágicas intervenções anteriores já ocorridas no território: a “operação dignidade” em 1993, a “operação limpa” em 2005, a “operação dor e sofrimento” em 2012, e a “operação sufoco” em 2013. Intervenções cujos resultados, qualificados como “inócuos” pelos críticos, apenas reforçaram o sentido daquele fragmento da cidade como uma “aporia urbana”, um impasse radical e insolúvel que habita o âmago da metrópole (Fromm, 2017).

Mas em 2017 retomou-se a velha fórmula do remédio repressivo como solução para se “acabar com a cracolândia”. Contudo, a nova ação ganhava dimensões dramáticas e performáticas que extrapolaram suas versões precedentes. Acompanhada por helicópteros, carros blindados, bombas de gás lacrimogênio, tropa de choque e até atiradores de elite (snippers), a ação foi então amplamente divulgada pela imprensa local, nacional e internacional. Os frequentadores do espaço foram levados, no atacado, para prisões e clínicas terapêuticas. A institucionalização em massa, prisional e sanitária, conflagrou um novo campo de batalhas para ativistas, advogados e defensores públicos que enfatizaram o caráter completamente ilegal da ação e denunciaram os maus tratos e as torturas cometidas.

De feição militar, a intervenção desenhou um quadro de guerra no coração da capital, com deslocamentos humanos forçados, famílias desalojadas, pessoas feridas e desaparecidas. O impacto foi forte, na dinâmica do bairro e mesmo no centro da cidade, com saque de lojas, pessoas em fuga, medo e apreensão. No calor apressado

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da “limpeza urbana”, agentes da prefeitura lacraram moradias com pessoas dentro que ficaram ali cativas, sem água, alimentação ou auxílio. Também um dos tratores responsáveis pela demolição dos edifícios, acabou por derrubar uma construção com gente dentro. E, enquanto policiais tiravam suas selfs meio às ruínas e destroços do território como souvenir da ocupação vitoriosa, o “fluxo” se refugiava na Praça Princesa Isabel. No espaço que recebe o nome da mulher que assinou a Lei Áurea, usuários de crack encontravam-se cercados por policiais armados e, com medo de serem espancados e presos ao saírem de lá, só tinham acesso à água potável, recursos e cuidados básicos através de uma rede de ativistas e trabalhadores sociais que levaram insumos para o perímetro do confinamento. À sombra do enorme monumento de Duque de Caxias, patrono da guerra em nosso país, formou-se então um enorme campo de refugiados urbanos.

Posteriormente, um obscuro incêndio teve ali início, se alastrando por todo acampamento da praça, queimando barracas, pertences e alguns corpos, e gerando um novo deslocamento em massa. Como resposta à crise humanitária instalada, familiares atingidos e movimentos sociais ocuparam a Secretaria Municipal dos Direitos Humanos (SMDH). Patrícia Bezerra, que à época era a única mulher posicionada no alto escalão da administração municipal de João Dória, qualificou a operação como “desastrosa” e acabou por renunciar ao cargo de Secretária Municipal de Direitos Humanos. Na cidade de São Paulo os confrontos continuam e se intensificam em múltiplas ramificações, não apenas na região central, espaço com grande projeção midiática, mas sobretudo nas periferias urbanas, comunidades, favelas, quebradas, escolas públicas etc.

Os diversos cenários de crise dos Direitos Humanos aqui destacados assinalam a espessura dos inquietantes desafios a serem enfrentados na escala internacional, nacional e também municipal. Em todo caso é necessário reconhecer que, de um modo ou outro, somos todos testemunhas, observadores e partícipes, queiramos ou não, do agravamento do conflito social brasileiro que avança numa escalada sem precedentes. E com a agudização dos embates e dos confrontos, as regras públicas que deveriam regular o jogo de interesses em disputa se mostram pálidas, débeis, ineptas. Como recorrer ao Estado brasileiro se este se apresenta como violador número um? Algumas esperanças otimistas vislumbram nas eleições de 2018 um horizonte possível que, em todo caso, deverá concorrer com outros projetos políticos que almejam instituir o sistema parlamentarista no país, sem consulta popular e à revelia dos interesses da população. De fato, a Constituição e os direitos da cidadania viraram coisa outra. E, se no Brasil, a crítica rasa aos Direitos Humanos tendia a acusá-lo como “direito de bandido” e “direito dos manos” (Caldeira, 2003), agora surge mais uma camada de sentido a ser descascada, aquela que associa os Direitos Humanos ao pensamento de “esquerda”.

III

O Dossiê “Direitos Humanos e Sociedade” propõe então uma visão ampliada sobre diferentes tópicos conectados ao tema, incorporando trabalhos que interrogam, de uma perspectiva crítica e interdisciplinar, as implicações culturais, políticas e econômicas envolvidas nas práticas e lutas sociais em torno dos Direitos Humanos, no Brasil e no mundo. Do ponto de vista das Ciências Sociais, que é o adotado aqui, o desafio é distanciar-se da noção de Direitos Humanos em sua forma abstrata e descontextualizada, para perguntar-se então como esta noção é traduzida na prática social, considerando suas consequências e implicações concretas, a trama das relações de poder situadas em contextos históricos e geográficos específicos, bem como os sentidos, as categorias sociais e as formas de disputa colocadas em jogo em nome dos Direitos Humanos.

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Muitos dos artigos aqui presentes foram primeiramente elaborados no contexto do Grupo de Trabalho

Direitos Humanos: trajetórias e desafios realizado durante as atividades do Seminário FESPSP no ano 2016. A organização

deste GT teve origem no Núcleo de Direitos Humanos (NDH) da FESPSP, um espaço coletivo de estudos, pesquisa, atuação e discussão crítica no campo dos Direitos Humanos, do qual participam professores, estudantes, ex-alunos e demais interessados. O convite à publicação dos melhores trabalhos do GT foi calorosamente acolhido pelas editoras e editores da Revista Alabastro e posteriormente foi alargado com uma chamada pública de artigos. De tal forma que temos aqui uma edição singular que conta com sete ensaios de autores com gradações acadêmicas diversas: doutorandos, mestrandos e graduandos.

Mas este também é um Dossiê ilustrado. Acolhemos aqui o aguçado traço de Toni D’Agostinho, artista que desenha a imagem deste número, expressando o forte retrato de uma justiça que não faz justiça ao seu nome. Na ilustração de Toni, a justiça é representada como uma figura que não pode ver, mas que também não deixa outros falarem, silenciando e controlando vozes subalternas, mas mantendo-as perto de si, como testemunhas mudas de uma justiça cega que mantém indizíveis seus sujeitos de direitos.

O instigante artigo de Lis Furlani Bianco abre o Dossiê destacando deslocamentos envolvidos na compreensão da alimentação como parte inalienável dos Direitos Humanos. Ao abordar a fome sob uma perspectiva antropológica, a autora levanta interessantes questões a respeito dos sentidos da dignidade e da necessidade envolvidos na refeição, o que permite problematizar os debates entorno do programa “Fome Zero”, política situada no fio da navalha entre os dilemas do emergencial e do estrutural, da carência e do direito. No segundo artigo, Edson Duda da Silva interroga as políticas públicas para imigrantes na gestão municipal de Fernando Haddad, apresentando elementos da história da construção da lei municipal, a mobilização política que se articulou ao redor do tema e questionando os significados das classificações legais e da própria noção de “acomodação digna”. O artigo de Guilherme Vasconcellos Leonel continua a problematizar a experiência do deslocamento e do refúgio em São Paulo, agora a partir de documentação e visitas de campo na Ocupação Leila Khaled, espaço marcado pela presença de refugiados sírios que, por meio de redes informais de apoio, participam ao seu modo da luta por moradia e pelo direito à cidade.

O quarto artigo é de autoria coletiva e retrata pesquisa de campo coordenada pela professora Isabela Oliveira Pereira da Silva no baixio do chamado “Minhocão”. Ali suas fronteiras, fluxos e personagens são considerados: michês, prostitutas, usuários de crack, catadores, refugiados, entre outros. A partir de um estudo específico o texto versa sobre temas caros à antropologia urbana e aos Direitos Humanos: segregação, violência e direito à cidade. Tratado ele mesmo como um personagem urbano, o agora renomeado elevado João Goulart é então entendido como um “quarto de despejo”, ao mesmo tempo um espaço de rejeito e também de acolhida para os indesejáveis urbanos. Luciana Vieira Rubim Andrade, por sua vez, enfrenta o problema do feminicídio e da violência contra a mulher no Brasil. Apoiada na crítica feminista a autora reconstitui a trajetória dos marcos legais e políticos sobre a questão e analisa mais detalhadamente dois casos de denúncia contra o Estado brasileiro que alcançaram o sistema internacional de Direitos Humanos: Márcia Leopoldi e Maria da Penha.

Os dois últimos artigos do Dossiê focalizam o lugar dos direitos no âmbito das comunicações e das redes sociais. Ketlen Stueber, Luis Fernando Herbert Massoni e Valdir Jose Morigi desenvolvem reflexões sobre a breve, mas importante, vida do projeto federal “Humaniza Redes” no combate ao discurso do ódio na internet. O estudo sinaliza algo vital nos tempos de hoje, registrando a experiência (abortada) do monitoramento das

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narrativas raivosas e ofensivas nas redes sociais. Por último, Igor Lacerda, Cláudia Sendra e Guilherme Carvalhido acompanham o debate na mídia sobre os conflitos entorno da Copa do Mundo na cidade do Rio de Janeiro em 2014. O contraste dos discursos é estabelecido através das denúncias das violações dos Direitos Humanos e a narrativa-mestra fornecida pelo jornal O Globo. Para além das diferentes formas de se narrar a Copa, o trabalho nos aponta para a luta pelos sentidos políticos da cidade e também do próprio direito. Com esta singular edição da Revista Alabastro esperamos que os leitores se sintam provocados a refletir sobre os Direitos Humanos, ampliando o debate sobre as lutas sociais e políticas que circunscrevem o tema.

Referências bibliográficas

Alonso, Angela & Dolhnikoff, Miriam, 1964 do golpe à democracia, São Paulo: Hedra; 2015.

Arendt, Hannah, “O declínio do Estado-nação e o fim dos direitos do homem”, In: Origens do Totalitarismo, São Paulo; Companhia das Letras; 1998 [1951].

Caldeira, Teresa Pires. “O corpo incircunscrito e o desrespeito aos direitos”, In: Cidade de Muros: crime, segregação e

cidadania em São Paulo, São Paulo: Editora34/Edusp; 2003.

Carvalho, José Murilo. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro; Civilização Brasileira; 2014.

Fromm, Deborah Rio, O “fim da cracolândia”: etnografia de uma aporia urbana [Dissertação de mestrado] Instituto de

filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas, 2017.

Hunt, Lynn, A invenção dos Direitos Humanos, São Paulo: Companhia das Letras; 2010. Safatle, Vladimir, Só mais um esforço, São Paulo: Três Estrelas; 2017.

Santos, Boaventura de Souza, “Por uma concepção multicultural de Direitos Humanos”, Revista Crítica de Ciências

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