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in El Croquis 134 / 135

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Q...

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in S, M, L, XL ROTTERDAM

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Uma das possibilidades que a prefeitura municipal dispunha para reverter a situação em que o edifício São Vito se encontrava, era a demolição. Uma solução que parecia ser mais objetiva e pragmática. Botar abaixo aquele monte de concreto e alvenaria e varrer a sujeira para baixo do tapete-tamanduateí. Certamente aquele edifício não existiria mais, pelo menos fisicamente. Mas o problema não é o edifício em si e seu estado de conservação. O São Vito representa mais do que ele apresenta aos olhos desatentos. Ele está colocado na cidade como um termômetro fincado nas margens de um vulcão. É com ele que medimos o potencial de auto-destruição que a metrópole possui. É nesse empilhado de habitações que enxergamos a política, o planejamento, o valor dado à metrópole, a direção que a própria cidade está dando ao seu desenvolvimento. O São Vito é o espelho da metrópole. E mais que uma pedra no sapato de cada gestão que passava pelo vizinho Palácio das Indústrias, o prédio era um grande monólito no meio da cidade que se transformava. A demolição seria uma alegoria. Seria uma atitude paliativa. É necessário refletir sobre a cidade, e intervir nela de uma outra maneira.

Com essa perspectiva, o então secretário de Habitação do governo Marta Suplicy (2001-2004), Paulo Teixeira, em uma das tantas reuniões sobre políticas habitacionais que presidia, solicitou aos presentes, geralmente assessores e arquitetos, que trouxessem uma outra alternativa para o futuro do São Vito. Com esse ato heróico, e após algumas reuniões mais, o arquiteto Roberto Loeb apresentou uma outra opção.

Eu fiquei espantado com a idéia da demolição. Acho que é um edifício emblemático do município. Uma cidade que tem tanta marginalização habitacional, de pessoas que moram em favelas, em situações tão mais precárias, como fazer isso com um edifício em boas condições estruturais? Ele é central, menos excludente que a periferia. Além do mais, uma referência na paisagem e na memória das pessoas.

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São Vito

Um novo projeto se realiza1

O São Vito será restaurado e transformado num dos pontos de referência da Zona Central da Cidade de São Paulo.Ao lado do Mercado Municipal e do Parque D. Pedro II que já estão com seus projetos de recuperação prontos, o São Vito será transformado em um conjunto residencial exemplar. Serão restauradas as fachadas com a instalação de novos caixilhos e telas metálicas brancas que lembram o “muxarabi” das arquiteturas brasileiras tradicionais sem desfigurar a arquitetura original do edifício. Todos os apartamentos terão uma varanda, novos banheiros, cozinha, novas instalações hidráulicas e de segurança. Serão apartamentos maiores do que os que lá existem, com áreas que variam entre 35 metros quadrados (01 dormitório, sala, banheiro, cozinha e varanda) e 60 metros quadrados (02 dormitórios, sala, cozinha e varanda).

O condomínio será dividido em duas torres independentes, com 02 elevadores e escadas de segurança para cada torre. Os elevadores serão de primeira geração, sendo reservado para os dois condomínios um quinto elevador para transportes de manutenção, emergência e escoamento do lixo.

No térreo as lojas existentes serão substituídas por pilotis com espaço de recepção exclusiva dos condôminos e por um espaço todo envidraçado de cerca de 500 metros quadrados destinados a um “telecentro” a ser implantado pela prefeitura.

A fachada que dá para o parque D. Pedro II será um grande mural artístico enfeitando a paisagem da cidade, de autoria de Eduardo Sued, um dos pintores brasileiros mais respeitados no Brasil e no exterior.

1Memorial Descritivo apresentado junto com o estudo preliminar à secretaria de Habitação de São Paulo, em reunião

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Na sobreloja será instalada, em área de 750 metros quadrados, uma creche e pré-escola, que deverá atender à população infantil do edifício e da comunidade ao redor do Parque D. Pedro II. Salas de jogos, berçário, refeitório, sala de artes, salas de reuniões e atendimento preferencial para mães, avós, crianças e adolescentes, será o foco da creche. No 1º andar, ao qual se chega através de 02 elevadores que atendem o térreo e a creche, o morador do condomínio, fornecedores e visitantes serão encaminhados com segurança para os elevadores e escadas dos dois condomínios (A e B). Neste primeiro andar, de uso comum de todos os moradores do edifício São Vito, estarão localizados serviços como telefones públicos, correios, cabeleireiro, barbeiro, alfaiate, costureiras, vídeo-clube, mercadinho e salas de reuniões para o condomínio e a administração do edifício.

No topo do edifício, no 27º andar, a quase 100 metros de altura em relação à cota da Avenida do Estado, o arquiteto Roberto Loeb, propôs um mirante para visitação pública e uma capela em honra a São Vito, padroeiro da comunidade do bairro. A cobertura deverá ser acessível ao público através de um elevador panorâmico de ampla visão da cidade (Centro histórico) do eixo do Tamanduateí, da Zona Leste e da cidade em 360º.

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Interior!da!Habitação!reformada Reforma!da!caixilharia!da!fachada

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LUZ NO FIM DO TÚNÉL2

Encerrada, dentro da administração municipal, a polêmica em que foi decidida a reforma do Edifício São Vito. Com isso surge um desafio para o prédio, um dos mais conhecidos "treme-tremes" do Centro: a adoção de medidas que garantam a manutenção sustentável permanente, para impedir que o edifício, após ser recuperado, entre em um novo processo de degradação nos próximos anos.

O processo de recuperação do São Vito é um exemplo da complexa operação que vem sendo desenvolvida pela Prefeitura com o objetivo de destinar grandes edifícios para Habitações de Interesse Social (HIS) – programa voltado a famílias com renda igual ou inferior a seis salários mínimos. Como em qualquer prédio organizado em condomínio, independentemente da classe social de seus moradores, a manutenção e o funcionamento estão sujeitos à entrada mensal de recursos mediante o pagamento do rateio das despesas pelos moradores.

O problema é que moradores de baixa renda, além de não terem condições de arcar com um valor de condomínio, normalmente elevado, muitas vezes não possuem uma reserva financeira para o caso de perda do emprego ou do trabalho, mesmo informal. Basta lembrar que, atualmente, edifícios como o São Vito sofrem com a inadimplência dos moradores no pagamento das contas. Em alguns casos, o déficit atinge mais da metade dos apartamentos.

Ou seja, não é possível pensar apenas no acesso à moradia, mas em como garantir a segurança e o conforto dos moradores, levando-se em consideração sua condição social. Caso contrário, há o risco de um novo efeito-dominó, em que a falta de recursos para

2Artigo publicado na revista URBS – Revista da Associação Viva o Centro – número 34, em abril de 2004.

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manutenção e funcionamento do imóvel, gerada por novo acúmulo de contas não-pagas, vai novamente comprometer o uso do edifício.

Apesar das divergências quanto à solução adotada pela Prefeitura, os especialistas concordam em um ponto: qualquer projeto de habitação social sustentável vai depender de uma organização dos moradores e do desenvolvimento de soluções para toda a região em que o edifício estiver localizado. Ao poder público cabe o papel de gestor do processo, dependendo do grau de mobilização da comunidade que reside no local.

É exatamente o que está sendo previsto para o São Vito: além da reforma completa de todas as unidades, e da criação de espaços alternativos de vivência, inclusive abertos à visitação pública, todo o entorno será reformado e integrado a espaços como o Mercado Municipal e o Palácio das Indústrias, que será transformado no Museu da Cidade (veja mais informações sobre o São Vito no Box).

Organização e criatividade

A arquiteta Helena Saia – consultora do projeto de remodelação do São Vito – lembra que a maior parte da população beneficiada pelos programas de moradia já passou por algum tipo de experiências com movimentos sociais de reivindicação habitacional, o que já lhe garante certo potencial de organização. Por isso, ela aposta no sistema de autogestão, orientado pelo poder público. Para ela, os próprios moradores têm capacidade de discutir as melhores maneiras de gerenciar o condomínio, como acontece em qualquer edifício residencial.

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No caso do São Vito, foram pensadas várias estratégias para garantir que a reforma – que deve consumir R$ 11 milhões em obras e desapropriações – se sustente. Uma das possibilidades é o aluguel do espaço comercial do térreo por empresas particulares para gerar receita para o condomínio. O dinheiro proveniente desses aluguéis iria para uma espécie de fundo de reserva. "Quem obedecer às regras poderá ficar isento do pagamento durante o período em que estiver desempregado", propõe. O raciocínio, segundo ela, também causaria um efeito benéfico na preservação do patrimônio, uma vez que o esforço para o pagamento das contas em dia seria estimulado.

Outra solução é a divisão do edifício em duas alas, cada uma com uma organização condominial própria. "Cada andar será dividido em duas ‘vilas’, que receberão nomes à escolha dos moradores. Haverá uma portaria para cada uma das vilas, e cada lado do prédio será organizado em um condomínio próprio, para que a quantidade de unidades a serem administradas seja menor", explica o arquiteto responsável pelo projeto de reforma do São Vito, Roberto Loeb.

Segundo Helena, cabe ao poder público o papel de orientar essa população. O problema, afirma, é que muitas vezes as regras impostas pelos programas sociais de habitação acabam prejudicando os moradores. "Muitas vezes o valor cobrado pela administradora do prédio é superior ao da prestação do apartamento. E uma das exigências da Caixa Econômica Federal para fazer o financiamento é que o prédio tenha uma administradora de condomínio", explica. "Não falta criatividade nem para os arquitetos e nem para os moradores. Falta criatividade para quem está no poder", completa.

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Opinião semelhante é do arquiteto e vereador Nabil Bonduki (PT), autor de vários trabalhos sobre habitação popular. Segundo ele, antes de tudo é necessário definir um plano para que a população possa assumir a gestão do prédio de maneira mais organizada. Isso diminuiria os custos em setores como o da mão-de-obra necessária para manutenção do local.

"É possível pensar em gestões mais comunitárias para os serviços do condomínio, o que diminuiria os custos", diz Bonduki. No caso das grandes edificações, ele também enxerga com bons olhos a possibilidade de exploração comercial de algumas áreas, como o térreo e a cobertura, cujo lucro seria revertido para o uso comum das instalações, como está previsto no projeto da Prefeitura para o São Vito.

A redução dos custos do condomínio nas HIS é um dos obstáculos que deve ser vencido para aumentar a população do Centro, diz Bonduki. Por isso, afirma, o poder público também deve apostar em edifícios com média e baixa densidade, cujas despesas são menores, pois muitas vezes dispensam elevadores e mão-de-obra nas áreas comuns. Segundo o vereador, o projeto de ocupação deve estar acompanhado do próprio projeto de recuperação física do edifício. "É necessário organizar a população para que haja um processo de formação dos futuros moradores", diz o vereador, citando o poder público como gestor desse processo.

Adaptação cultural

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Os problemas de adaptação do morador, segundo Bonduki, podem ser contornados se houver um processo de gestão organizada. Ele lembra que na administração da ex-prefeita Luiza Erundina, a Superintendência de Habitação Popular da Secretaria Municipal da Habitação (Sehab) elaborou cartilhas com regras de moradia em condomínio, destinadas à população de baixa renda que passou a morar em apartamentos populares. "A população responde muito bem aos estímulos, mas ela tem de ser incentivada a se organizar", afirma Bonduki.

A partir do momento em que a administração é resolvida e a população é conscientizada dos seus direitos e deveres, os benefícios começam a ser revertidos para a própria cidade, como defendem os urbanistas envolvidos no projeto do São Vito. "A recuperação começa a se espalhar para o quarteirão e para o bairro. À medida que eles (os moradores) estão organizados, em uma segunda etapa eles vão começar a lutar por outros benefícios, como a creche, o asfalto etc.", diz Helena Saia.

Locação social

O arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP), José Eduardo de Assis Lefèvre, aponta a locação social como uma das principais soluções para resolver não só a questão da sustentabilidade dos edifícios, mas a democratização do acesso à moradia popular. "Todo o problema habitacional do Brasil está centrado na venda e não no uso do imóvel", diz Lefèvre, lembrando que o sistema de locação é utilizado com sucesso em outros países, como a França.

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independência financeira do condomínio. "Não adianta imaginar que o problema do São Vito será resolvido se o problema não for pensado de uma forma sistêmica."

Lefèvre salienta que o sistema de locação permite uma gestão mais profissional, em que os interesses coletivos estão acima dos individuais. "A administração de um conjunto tem de ser profissional para a mobilização de recursos de acordo com uma escala de prioridades do edifício", explica.

A diretora do Habicentro, departamento ligado à Superintendência de Habitação Popular da Secretaria de Habitação, Carolina de Castro, afirma que a Prefeitura está ciente da importância do acompanhamento do processo de ocupação dos prédios restaurados e destinados a programas de interesse social. "Em geral, a Prefeitura não tem se retirado após o prédio ser entregue aos moradores. Mesmo na periferia, esse acompanhamento sempre existiu", diz Carolina.

A regra vale para todos os tipos de habitação social que estão sendo viabilizados na cidade. Até o fim do governo, o objetivo é entregar pelo menos 3,5 mil unidades habitacionais para famílias com renda de até seis salários mínimos. Um dos principais programas é o PAR, em parceria com a Caixa Econômica Federal, destinado a famílias com renda mensal entre três e seis salários mínimos. O imóvel é arrendado por 15 anos, sendo que no fim do período o morador tem a possibilidade de comprá-lo, abatendo o valor já pago.

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Para o governo municipal, é pouco provável que o São Vito não consiga se manter revitalizado e entre em um novo processo de degradação. Um dos fatores importantes para isso é que a recuperação do prédio faz parte do projeto de requalificação de toda a região do Parque D. Pedro II. "Isso será muito favorável ao edifício, pois em toda a região serão desenvolvidos programas de arte, cultura e lazer", afirma Carolina.

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Reforma do edifício São Vito é estimada em R$ 8 mihões3

A prefeita Marta Suplicy (PT) assinou ontem decreto que torna o edifício São Vito, eleito por ela como o símbolo do "pior" que existe em São Paulo, imóvel de interesse social. Ela apresentou ainda a proposta da reforma do prédio, estimada em R$ 8 milhões pela Secretaria da Habitação.

"Esse projeto vai ser um marco na cidade. Mostra como será possível recuperar um prédio e encaminhar soluções inovadoras para a população carente", discursou.

O projeto da reforma é assinado por dois arquitetos renomados: Roberto Loeb e Helena Saia. A fachada do prédio prevê uma obra do pintor Eduardo Sued, um dos mais importantes do país.

O plano inicial da prefeitura é desapropriar o prédio, num custo estimado em R$ 3,1 milhões, e revendê-lo à Caixa Econômica Federal. A Caixa financiaria a requalificação do espaço para os moradores, por meio do Par (Programa de Arrendamento Residencial), voltado para áreas de regiões centrais metropolitanas degradadas. Tanto que o presidente da Caixa, Jorge Mattoso, assinou ontem um acordo com a prefeitura.

Parecia simples até os 300 moradores, reunidos no Salão Azul da prefeitura, começarem a despejar suas dúvidas:

1) E quem é dono do apartamento? Terá de pagar de novo por um imóvel que já quitou? 2) Onde serão alojados os moradores durante a reforma?

3) E quem não puder pagar o financiamento da Caixa?

O que deveria ser um ato festivo acabou em bate-boca entre o secretário de Habitação, Paulo Teixeira, e moradores receosos do que poderá acontecer com eles.

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"O apartamento é tudo o que eu tenho na vida. Está tudo muito interrogativo. Ninguém entendeu nada", reclamou o cabeleireiro Joseni Santos Feitosa (leia abaixo). Foi ovacionado.

O processo legal de desapropriação não é menos complexo e também está mergulhado num poço de dúvidas. Teixeira disse que a desapropriação do prédio será encaminhada à Justiça neste mês ou no próximo, mas não sabe ainda se ela incluirá todos os apartamentos ou será restrita àqueles que são alugados.

O secretário ainda não sabe o que fazer com os que são proprietários dos apartamentos (se eles cedem o imóvel para reforma ou serão desapropriados também) nem onde ficarão os moradores durante a reforma.

Teixeira argumentou que esse tipo de dúvida é decorrente do ineditismo do processo. O país, segundo ele, não tem experiência na reforma de um prédio que tem 624 apartamentos distribuídos em 26 andares, no qual vivem 1.200 pessoas, segundo a Secretaria da Habitação (ou 3.094, na conta da síndica do prédio, Tânia Maria Torrico). "Se isso fosse fácil [o problema do São Vito], já teria sido resolvido", disse.

Uma das coisas certas, segundo ele, é que os moradores que não conseguem pagar o condomínio do São Vito serão transferidos para um prédio no Bresser, bairro vizinho ao parque Dom Pedro, com taxas menores.

O novo São Vito

O projeto de Helena Saia e Roberto Loeb para o São Vito prevê apartamentos maiores. Seriam de 35 m2 e 60 m2, em vez de 28 m2 e 30 m2. Eles não souberam explicar quantos apartamentos deixariam de existir para aumentar a área.

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O primeiro pavimento abrigará uma espécie de setor de serviços, com lavanderia, barbeiro, mercado, bar, alfaiataria e sala de vídeo.

Na cobertura, deverá ser construída uma capela para São Vito, o santo padroeiro do prédio. Helena Saia, uma das mais respeitadas arquitetas do país em restauro histórico, diz que a idéia do projeto é criar um "prédio modelo". Loeb, autor dos projetos do Itaú Cultural e do Casa de Cultura de Israel, conta que seu objetivo foi mostrar que é possível produzir boa arquitetura que combata "o preconceito contra a pobreza".

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Mais que um projeto de reforma de um imóvel, a proposta apresentada por Roberto Loeb deveria trazer uma questão fundamental para a reflexão e leitura da metrópole paulistana. Por trás de todo o discurso da requalificação das habitações, o que deveria sobressair é a retomada da humanidade na grande metrópole. É necessário re-avaliarmos a nossa relação com este ambiente que se formou ao nosso redor. A proposta de Loeb deveria trazer à tona uma necessidade de recolocação do ser humano no ambiente urbano, levando-se em conta sua relação corporal com esse espaço, as relações entre os corpos, entre os espaços. A nova questão espacial certamente traria melhoras e benefícios ao cotidiano dos moradores do centro da cidade. Mas é uma nova relação programática e corporal que faria do São Vito um enclave da mutação do espaço contemporâneo amorfo e descaracterizado que hoje é o centro da metrópole São Paulo. É a criação de possibilidades. Possibilidades de cruzamentos urbanos, corporais. Arena de trocas. Trocas urbanas. Experiências cruzadas. Atravessadas. A requalificação deveria ser um sinal, uma dica de que aquele espaço agora pretende ser chamado de contenedor de experiências urbanas. Da mesma forma que antes o São Vito era um símbolo de degradação e referência negativa para tantos outros edifícios, agora ele poderia ser considerado um laboratório de possibilidades urbanas. Essa proposta deveria ser tão intensa, que contagiaria e se esparramaria por toda a região. Com isso a cidade seria vista e lida em um âmbito totalmente novo. Essa requalificação deveria ser o início de uma nova ordem urbana.

Deveria! Mas não é... Infelizmente. Talvez a próxima.

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in Kenchiku Bunka 579

Number of pages – 1.378 pages Weight – 2,95 Kg

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Santo Vito

Nome dado ao edifício-personagem dessa documentação, a história desse santo católico tem fundamental importância para a compreensão do contexto urbano e imagético no qual o edifício está inserido. O texto a seguir é uma compilação de várias versões de uma mesma história:1

1 http://www.santosdaigrejacatolica.com/sao-vito.html

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Santo Vito

Vito nasceu no final do século III, na antiga cidade de Mazara, na Sicília ocidental, numa família pagã, muito rica e nobre. Sua mãe morreu quando ele era muito novo. Seu pai, Halaz, contratou então uma ama-seca, Crescência, uma viúva que acabara de perder o único filho. Ele ainda providenciou um professor, chamado Modesto, para instruir e formar seu herdeiro. Entretanto, tanto o professor quanto a ama-seca eram cristãos convictos.

Halaz, um influente senador pagão, encarava o cristianismo como inimigo a ser combatido, motivo pelo qual Modesto e Crescência nunca revelaram serem seguidores de Cristo, contudo educaram o menino Vito para tal. Aos doze anos, embora clandestinamente, Vito já havia sido batizado e demonstrava fervorosa identificação com os ensinamentos de Jesus. Ao saber do batismo, o pai tentou convencê-lo a abandonar a fé. Sem sucesso, Halaz então castigou o próprio filho, entregando-o ao governador Valeriano, que o encarcerou e maltratou por vários dias, tentando fazer Vito abdicar de sua fé.

Modesto e Crescência, entretanto, conseguiram arquitetar uma fuga, segundo a tradição, com a ajuda de um anjo, tirando Vito das mãos do poderoso governador. Fugiram para Lucânia, em Nápoles, onde esperavam encontrar paz e local fértil para suas pregações cristãs. Mas depois de algum tempo foram reconhecidos e passaram a viver de cidade em cidade, fugindo de seus algozes.

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foram levados ao Circo e, diante da multidão, submetidos a torturas violentíssimas e jogados aos cães raivosos. Entretanto, um milagre os salvou. Os cães, em vez de atacá-los, deitaram-se aos seus pés. Irado, o imperador ordenou que fossem colocados dentro de um caldeirão com óleo quente, onde morreram lentamente, segundo a lenda, no dia 15 de junho de 304, data em que se comemora, até hoje, a festa de São Vito.

O jovem mártir Vito realmente existiu, conforme consta no Martirológio Gerominiano. Seus restos mortais foram sepultados em Roma. Em 958, foram entregues ao rei da Boêmia, Venceslau. Muito devoto ao santo, fez construir a belíssima catedral que leva o nome de São Vito e que conserva suas relíquias até hoje.

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“(...) Quando a enfermidade é mais forte, os enfermos não podem estar um segundo quietos, se agitam na cama, esticam fortemente os braços, depois as pernas tanto para a frente como para trás, logo as encolhem para esticá-las novamente e assim seguem; sua cabeça se move também de um lado a outro, de repente se vê que a cabeça está inclinada para trás e logo se volta para diante para o peito.

Observando uma criança neste estado, se vê que todos os músculos estão em ação, todos trabalham fortemente por um momento e depois lentamente. Os enfermos, devido às sacudidelas involuntárias nas pernas, não podem caminhar como de costume e tem que andar aos saltos, fato que contribui para que a doença receba este nome. Muitas vezes o modo de caminhar dos pacientes faz parecer que estão andando sobre patins, de um lado a outro. Em outra modalidade, em que os enfermos ao querer andar, entrelaçam seus pés e isto os faz cair constantemente. Certos enfermos não podem levar a comida à boca, quando tem os movimentos muito fortes nos braços e nestes casos não podem escrever nem vestir sua roupa.

Observando o rosto do enfermo, parece-nos que a criança está fazendo trejeitos, pois encolhe os ombros, enruga rapidamente a testa, abre e move as narinas, como se sentisse algum odor estranho, abre e estica a boca e torce todo o rosto. Constantemente a língua se movimenta, esticando-a e recolhendo-a rapidamente. A doença pode se manifestar com toda a plenitude ou parcialmente afetando apenas alguns dos membros do paciente. A duração é de 4 semanas a 3 meses e lentamente os movimentos desaparecem, mas pode haver recaídas que duram mais tempo e são mais fortes. Entretanto, não é uma enfermidade grave e quase sempre é curável.”2

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Santo Vito

“A coréia, ou doença de São Vito, é uma doença nervosa que nos casos brandos obriga os pacientes a movimentos convulsivos e contínuos no rosto e nos membros, mas que nos casos graves ataca todo o sistema muscular do organismo. Quando a perturbação ainda está na fase inicial, esses movimentos quase não são percebidos, tornando-se depois mais freqüentes e agitados, podendo ser acompanhados de algumas manifestações psíquicas como terrores noturnos, alucinações transitórias e até mesmo delírio, estupor e demência aguda. A doença tem um curso normal de seis a dez semanas, podendo chegar até três ou quatro meses, atingindo de preferência as crianças de cinco a quinze anos, principalmente do sexo feminino. Seus primeiros sintomas são: distração, depressão, irritabilidade nervosa, perda de apetite e conseqüente anemia. Vulgarmente a doença é chamada de epilepsia, não sendo utilizado no meio médico.”3

“A coréia reumática, também conhecida como coréia de Sydenham ou dança de São Vito, foi descrita por Thomas Sydenham em 1686, e esta relacionada com a infecção causada pelo estreptococo do grupo A de Lancefield. O sinal característico da coréia é o movimento coreico, que é uma hipercinesia de movimentos clônicos, predominando nos segmentos distais das extremidades e na face, irregulares, arrítmicos, rápidos e que se acompanham de hipotonia muscular. O quadro clínico é insidioso, instalando-se em dias ou semanas, perdurando por dois a seis meses, podendo remitir completamente ou deixando seqüelas menores, como tremor fino de extremidades e instabilidade motora.”4

3FERNANDO KITZINGER DANNEMANN. Publicado no Recanto das Letras em 21/01/2006.

http://recantodasletras.uol.com.br/redacoes/102071

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Santo Vito

Deus nosso Pai, Vós sois o Senhor da vida. Fazei que pela intercessão de São Vito mártir, possa me curar das doenças físicas e espirituais. Mitigai meus males, ó Deus, e não tornai vã a esperança que em Vós deposito. Fazei que sinta Vossa presença misericordiosa toda vez que estiver chorando pela doença que aos poucos me vai tirando as forças. Eu Vos agradeço e Vos louvo, Senhor Deus Pai eterno.

São Vito, rogai por nós. Amém.

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Referências

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