REDES DE DISTRIBUIÇÃO
De uma maneira geral, as redes de distribuição são constituídas por:
1. Um conjunto de instalações que fazem a recepção, armazenagem e expedição de materiais;
2. Um conjunto de rotas e meios que ligam as diferentes instalações;
3. Um conjunto de meios que permitem o transporte das mercadorias através das rotas.
As instalações podem ser fábricas, armazéns regionais, distribuidores locais ou lojas. Normalmente, classificam-se como pontos de fornecimento e pontos de consumo.
Os meios de transporte utilizados na distribuição são: 1. Meios terrestres;
2. Meios marítimos; 3. Meios aéreos.
Existem três tipos de redes de distribuição que são classificados como: 1. Rede arborescente
Tem uma estrutura em árvore com diferentes ramificações 2. Rede coalescente;
É o oposto do sistema analisado anteriormente. Este tipo de rede é utilizado por empresas industriais que montam produtos complexos a partir de um grande número de componentes. A indústria automóvel é um bom exemplo deste tipo de redes. Nesta indústria, as linhas de montagem recebem todos os componentes e montam-nos no produto final.
3. Rede em série.
Identifica um sistema de distribuição em que um produto é expedido de um local para outro para sofrer uma nova operação de transformação. Um exemplo de indústria que utiliza esta rede de distribuição é a indústria mineira.
TRANSPORTES
Vimos que uma rede de distribuição é constituída por instalações de expedição, recepção e armazenagem de materiais. Quando estas instalações estão espalhadas por uma grande área geográfica é necessário recorrer a meios de transporte para movimentar os materiais ao longo da rede.
Surge a variável transporte que necessita de ser gerida em coerência com a rede de distribuição. As questões que normalmente se colocam são:
1. A selecção do meio de transporte adequado;
2. A forma de embalagem dos materiais para expedição; 3. A dimensão do lote e a frequência de expedições.
A SELECÇÃO DO MEIO DE TRANSPORTE ADEQUADO
Meios aéreos
A maior vantagem do transporte por avião é a velocidade, e a maior desvantagem o custo do frete. Normalmente, utiliza-se este meio de transporte para produtos de elevado valor, de pequenas dimensões e que têm de ser entregues com rapidez. Outro inconveniente é a pouca acessibilidade dos aeroportos. Não existem aeroportos em todos os locais e muito menos junto às fábricas e armazéns, o que obriga a considerar três expedições: uma, entre o ponto de fornecimento e o aeroporto 1, por camião, outra, entre o aeroporto 1 e o aeroporto 2, por avião, e, finalmente, entre o aeroporto 2 e o ponto de consumo, por camião.
Normalmente só se recorre ao avião para transporte de longa distância.
Meios ferroviários
O comboio permite o transporte de cargas pesadas a preço mais reduzido que os outros meios de transporte. Normalmente é mais rápido que o barco e equivalente ou mais lento que o camião, dependendo dos locais de destino.
Normalmente recorre-se ao comboio para transporte de produtos por grosso (cereais, minério, etc.).
Meios marítimos
O barco é o meio de transporte mais lento, mas também o mais barato. É muito utilizado no transporte de cargas pesadas por grosso em longas distâncias. Em termos de acessibilidade é o pior porque só pode acostar em portos, que normalmente se situam junto à costa ou no interior de rios navegáveis.
Pipeline
Os pipelines são os meios de transporte adequado a um determinado tipo de produtos. Os líquidos e os gases podem ser expedidos através de um pipeline, sob a forma de um fluxo contínuo. A acessibilidade dos pipelines é reduzida devido à sua estrutura fixa, mas este tipo de transporte só é utilizado, um pipeline para transporte de pasta de papel entre a fábrica da Portucel em Setúbal e a INAPA. Um inconveniente dos piplines é o elevado custo de manutenção devido à necessidade de inspecções frequentes e ao equipamento necessário ao seu funcionamento.
Meios rodoviários
O transporte por camião é o meio utilizado porque permite o transporte de pequenas quantidades a um preço razoável. Permite ainda uma grande rapidez em entregas de curta distância. Por outro lado, a sua acessibilidade é grande porque o camião pode ser conduzido até qualquer ponto de fornecimento ou de consumo, desde que exista estrada. Pode ser utilizado em pequenas e longas distâncias. É mais rápido que o comboio em pequenas distâncias e equivalente em grandes distâncias, sendo ligeiramente mais caro.
Incidência sobre o preço
As condições de venda do produto normalmente são definidas por contrato. O custo de transporte pode ser suportado pelo fornecedor ou
pelo cliente, conforme os acordos contratuais. No transporte internacional, recorre-se a diferentes alternativas designadas por incoterms.
Incidência sobre o prazo de entrega
O prazo de entrega é actualmente uma variável que pode ser uma vantagem competitiva da empresa em determinados mercados. Para o cliente, o que interessa é:
Quando estão os produtos disponíveis no seu armazém ou loja? O prazo de entrega é fiável ou é necessário prevenir atrasos?
O transporte é fundamental na resposta a estas questões. O tempo de transporte representa uma parte importante do prazo de entrega e um sistema de transportes mal gerido pode criar atrasos consideráveis no prazo de entrega e gerar insatisfação na clientela. Quer se trate de transporte gerido pela própria empresa ou subcontratado, o cliente considera sempre a empresa fornecedora com responsável pelos atrasos na chegada das mercadorias.
Incidência sobre a imagem da empresa
As condições de transporte vão exercer, também, uma grande influência na imagem da empresa e dos produtos por ela comercializados. Más escolhas nesta área poderão ocasionar:
– Entregas atrasadas; – Entregas incompletas;
– Produtos ou embalagens deterioradas; – Litígios entre fornecedores e clientes.
As condições em que o cliente vê os produtos quando os compra, nos show-room dos fornecedores, são as condições em que pretende recebê-los algum tempo mais tarde.
A forma como os produtos são embalados, o modo como a empresa fornecedora reage a entregas e a pontualidade das entregas valorizam a empresa e os seus produtos. Tudo isto passa necessariamente por
custos mais elevados, mas pela escolha racional dos meios de expedição e das empresas que prestam esse serviço, as quais devem mostrar uma organização eficiente, tanto no plano administrativo como logístico, e ter pessoal atencioso e motivado, porque é ele que contacta com o cliente final.
A FORMA DE EMBALAGEM DOS MATERIAIS PARA EXPEDIÇÃO
A embalagem dos materiais depende normalmente do estado de transformação. Podemos ter três formas de embalar:
1. Por grosso;
2. Produtos em curso de fabrico (individualmente); 3. Produtos acabados (individualmente).
A embalagem depende do nível de protecção necessário durante o transporte e da utilização do produto no ponto de consumo.
Produtos como o carvão ou outros minerais são embalados por grosso. Existem outros produtos que também são normalmente embalados por grosso, como, por exemplo, ferramentas de jardinagem, hardware e roupas.
Um outro nível de embalagem destina-se a produtos em curso-de-fabrico que vão ser utilizados na produção de um outro produto. Esta embalagem destina-se simplesmente a proteger os produtos durante a operação de transporte e a permitir uma embalagem e desembalagem fáceis. Consideremos, por exemplo, o caso das main boards para computadores pessoais, que são simplesmente envolvidas em plástico e isoladas na caixa por separadores de cartão.
Temos um nível final de embalagem que se destina a produtos acabados e que, além de garantir a protecção dos produtos durante o transporte, tem uma função de promoção. É normalmente com a embalagem que o cliente contacta primeiro, e não com o produto. A embalagem de produtos em curso de fabrico é, regra geral, grosseira, enquanto que a embalagem do produto acabado tem um aspecto
profissional e apela ao seu consumo, possuindo informações diversas sobre o produto. A concepção deste nível de embalagem é usualmente da responsabilidade conjunta da engenharia e do marketing.
A concepção de uma boa embalagem pode permitir uma redução do número de vezes que um produto é embalado e desembalado, de expedição, de movimentação e nos custos resultantes de danos no produto.
A DIMENSÃO DO LOTE E A FREQUÊNCIA DE EXPEDIÇÕES
Uma das questões importantes na gestão de transportes é a determinação do número de expedições e a dimensão do lote expedido. Existem outros factores que influenciam i dimensionamento desse lote, como a prioridade das encomendas, datas de entrega e a distância entre os pontos de fornecimento e de consumo. O equipamento de encomendas permite, também, reduzir custos de transporte.
Por outro lado, filosofias como o JIT levam a que aumente o número de entregas e diminua a quantidade por entrega, de forma a conseguir um fluxo uniforme de materiais ao longo de toda a cadeia logística.
Outra consideração importante é a possibilidade de realizar operações de transbordo em plataformas logísticas. Esta operação consiste na expedição de mercadorias para uma instalação (plataforma) intermediária entre os pontos de fornecimento e de consumo. Nessa plataforma, consolidam-se as encomendas de forma a agrupar um conjunto de produtos e a expedi-los mudando ou não, de meio de transporte.
CONTRATAÇÃO DA DISTRIBUIÇÃO
Empresa Serviços
Transporte
Aluguer de camiões, com ou sem condutor Serviços especializados de mudanças Transporte rodoviário de carga
Transporte rodoviário de encomendas Armazenagem Aluguer de espaço de armazenagem
Armazenagem
Armazenagem e movimentação de materiais Logística Armazenagem e entregas
Contrato de distribuição
As vantagens da subcontratação das operações logísticas de distribuição são: 1. O Know-how do operador logístico, que se especializou nessa área, será,
com certeza, superior ao da empresa industrial, podendo esta tirar partido disso;
2. A partilha de recursos permite uma melhor utilização dos veículos no seu retorno e a consolidação da carga, e, ainda, um melhor aproveitamento dos veículos e armazéns em casos de produtos de consumo sazonal;
3. Os custos de distribuição passam a ser variáveis e não fixos: a empresa industrial só paga os serviços de que necessitar;
4. Aumenta o controlo sobre o sistema, na medida em que basta gerir a relação com o operador logístico em vez de gerir os motoristas próprios e o pessoal de armazém.
As desvantagens da subcontratação são as seguintes:
1. Podem ser necessários veículos ou armazéns especiais para os produtos fabricados, o que obriga a recorrer a técnicas da empresa industrial e ao seu know-how;
2. Existe menor flexibilidade para preparar cargas especiais, organizar a rota de acordo com prioridades especiais, conseguir segundas passagens do camião;
3. Pode não ser possível fazer publicidade nos veículos e nas fardas dos motoristas;
4. O controlo dos tempos e das rotas é inferior;
5. Existe menos confidencialidade junto da clientela acerca dos planos de marketing;
6. Maior dificuldade na coordenação das actividades de entrega com as actividades de marketing e vendas.
Actualmente existem muitas empresas industriais que recorreram a este tipo de serviços. A principal razão diz respeito à redução dos custos logísticos proporcionada por esta opção. Essa redução resulta da consolidação de produtos, de diferentes fornecedores para diferentes clientes, pelo operador logístico, e da melhor utilização do equipamento e pessoal.
VEÍCULOS RODOVIÁRIOS MAIS UTILIZADOS
OPTIMIZAÇÃO DE PERCURSOS DE DISTRIBUIÇÃO
Numa rede de distribuição complexa, existem rotas alternativas para o plano de entregas. Existem técnicas que permitem avaliar cada uma das alternativas e optar pela que representa o menor custo de distribuição.
Dessas técnicas destacam-se: – Optimização de rotas
– O caminho mais curto ao longo de uma rede – O fluxo máximo ao longo de uma rede
PLANEAMENTO DAS NECESSIDADES DE
DISTRIBUIÇÃO
O Planeamento das Necessidades de Distribuição ou, segundo a literatura anglo-saxónica, Distribution Requirements Planning (DRP), é uma técnica que permite identificar as necessidades de materiais (em termos de tempo, quantidade e local) ao longo de uma rede de distribuição. O objectivo da logística, como vimos nas unidades temáticas anteriores, é a disponibilização dos produtos na altura certa, na quantidade e qualidade desejadas, por um custo global mínimo dentro de um nível de serviço determinado. O DRP é uma técnica fundamental no funcionamento deste sistema.
O DRP funciona da seguinte forma:
1. Identificar as necessidades ao nível mais baixo da rede de distribuição (mais próximo do cliente);
2. Colocar uma encomenda ao nível seguinte, de acordo com as quantidades necessárias;
3. Planear a recepção da encomenda de forma a que esta chegue quando é necessária (a encomenda do nível mais baixo cria uma necessidade no nível superior);
4. Retornar ao ponto 2, colocando encomendas até atingir o nível mais alto (fábrica).
RESUMO
A gestão das actividades de distribuição envolve a concepção e coordenação de uma rede por onde circulem as mercadorias. Esta rede é composta por redes elementares: arborescentes, coalescentes ou em série.
Uma rede de distribuição necessita também de meios de transporte para fazer a movimentação das mercadorias no exterior. As questões fundamentais nesta área são: a selecção de meio de transporte adequado, a forma de embalagem dos materiais para expedição e a dimensão do lote e frequência de expedições. O sistema de transporte condiciona o prazo de entrega, o preço de venda do produto e a imagem e credibilidade da empresa.
Uma das questões mais actuais é a problemática da utilização de frota própria ou frota subcontratada, e ainda a de alargar, ou não, os serviços subcontratados à armazenagem e distribuição. Nesta unidade temática, apresentámos algumas vantagens e inconvenientes da subcontratação.
Finalmente, foi apresentada uma técnica (DRP) que permite planear as expedições e stocks numa rede de distribuição.