Download/Open
Texto
(2) 2. LEANDRO DA NÓBREGA PINHEIRO. A (IN)VISIBILIDADE DOS ESTUDANTES ALTOHABILIDOSOS E A PRODUÇÃO DO FRACASSO ESCOLAR: FACES DA ESCOLA CAPITALISTA E SEUS IMPACTOS NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA.. Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Metodista de São Paulo como requisito parcial para obtenção do Título de Doutor emEducação. Orientador: Profa. Dra. Zeila de Brito Fabri Demartini Co-Orientador:Profa. Dra. Adriana Barroso de Azevedo Área de Concentração: Formação de Professores.. SÃO BERNARDO DO CAMPO. 2018.
(3) 3. FICHA CATALOGRÁFICA P655i. Pinheiro, Leandro da Nóbrega A (in)visibilidade dos estudantes alto-habilidosos e a produção do fracasso escolar: faces da escola capitalista e seus impactos na educação brasileira / Leandro da Nóbrega Pinheiro. 2018. 512 p. Tese (Doutorado em Educação) --Escola de Comunicação, Educação e Humanidades da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2018. Orientação de: Zeila de Brito Fabri Demartini. Coorientação de: Adriana Barroso de Azevedo. 1. Superdotados (Educação) 2. Sucesso escolar 3. Fracasso escolar 4. Professores - Formação profissional 5. Educação - Brasil I. Título. CDD 374.012.
(4) 4. A tese de doutorado intitulada A (IN)VISIBILIDADE DOS ESTUDANTES ALTO-HABILIDOSOS E A PRODUÇÃO DO FRACASSO ESCOLAR: FACES DA ESCOLA CAPITALISTA E SEUS IMPACTOS NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA, elaborada por Leandro da Nóbrega Pinheiro, foi defendida e aprovada em 14 de junho de 2018, perante banca examinadora composta por Profa. Dra. Adriana Barroso de Azevedo(Presidente/UMESP), Profa. Dra. Maria Helena Rocha Antuniassi (UNESP/USP), Prof. Dr. Marcelo Furlin (UMESP), Prof.Dra. France Fainha Martins (UFPA), Prof.Dra. Elisabete Ferreira Esteves Campos (UMESP).. Profa. Dra. Adriana Barroso de Azevedo Orientadora e Presidente da Banca Examinadora. ________________________________________________________________________________ Prof. Dr. Marcelo Furlin Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação. Programa: Pós-Graduação em Educação. Área de Concentração: Formação de Professores.
(5) 5. Dedico este trabalho a minha mãe, Maria Solange, aos meus irmãos, Janaina e Kauê,. ao Meu amor Cintia, a minha querida Clara e a todos os alunos que inspiraram. esta pesquisa..
(6) 6. AGRADECIMENTOS. À CAPES, pelo financiamento e apoio a esta pesquisa, a minha esposa Cintia Bellini, pelas contribuições metodológicas, acompanhamento de cada passo da pesquisa e paciência com as muitas horas de estudo e trabalho na produção desta tese; a minha amiga e corretora/revisora, Luciana Avelino Ramos, pela ajuda e incentivo para iniciar o doutorado, leitura atenta às múltiplas versões da pesquisa, apoio ao desenvolvimento do trabalho e, especialmente, ensinamentos na prática diária como professora; aos professores do PPGE-UMESP, especialmente, aos professores: Décio, Roger, Adriana, Roseli e Zeila pelos ensinamentos ao longo da pesquisa; a minha orientadora pela dedicação, apoio e paciência; aos colegas de classe do PPGE-UMESP; a todos os professores que participaram da pesquisa e nos ensinam com sua prática educativa, em especial, para a Fabíola, Cássia e todos os profissionais das UMEs “Estado doAmapá” e “Mário de Oliveira Moreira”; aos funcionários da Hemeroteca de Santos; ao Instituto Rogerio Steinberg; ao CEDETLavras; à APAHSD, aos professores Decio, Marcelo, France e Maria Helena pela contribuição e participação na banca de defesa da pesquisa e ensinamentos e, com carinho, aos alunos que fizeram parte desta pesquisa: Elienai, Julia, Julio Cesar, Matheus e Daniel, pela inspiração e ensinamentos diários..
(7) 7. Contra o pessimismo da razão, o otimismo da prática. Antônio Gramsci. RESUMO.
(8) 8. Este trabalho tem por objetivo analisar a situação de invisibilidade dos alunos com altas habilidades/superdotação, visando compreender como funciona a imperceptibilidade destes estudantes, e quais são as razões que justificariam tal situação, pois, ainda que tenham o direito ao atendimento educacional especializado reconhecido em lei, estes educandos acabam sendo esquecidos por escolas, redes de ensino e docentes. Investigamos como o tema tem sido tratado, na grande imprensa na ultima década e nos documentos oficiais dos governos e como estes têm contribuído para o incremento/superação da invisibilidade. A pesquisa de campo foi realizada com profissionais da educação, de redes de ensino da Baixada Santista e Grande ABC. Tendo como referencial teórico o materialismo histórico dialético e tratando-se de uma pesquisa qualitativa, a metodologia da pesquisa de campo contou com a realização de entrevistas com professores e alunos; atividades de formação dos docentes sobre o tema; questionários aplicados aos educadores, de redes públicas de ensino, tratando da superdotação/altas habilidades, observando de que forma os trabalhadores da educação compreendem a invisibilidade destes estudantes. Ao longo dos estudos, tentamos verificar a pertinência de três teses da bibliografia especializada, sobre a invisibilidade dos indivíduos com altas habilidades/superdotação, sendo estas: noção de que a falta de consenso sobre a terminologia adequada, para nos referirmos aos superdotados, seja o motivo da invisibilidade; a ideia de que a invisibilidade seja o resultado da ausência de formação docente específica; a concepção de que a disseminação de um conjunto de mitos sobre superdotados e alto-habilidosos explique o fenômeno da invisibilidade. Procuramos, ao longo da pesquisa, verificar como a dinâmica do sistema escolar, na sociedade capitalista, fortemente baseada na perspectiva de produção do fracasso escolar, sobretudo, das classes trabalhadoras, envolve os profissionais da educação e sistemas escolares, contribuindo com a invisibilidade dos estudantes, com Altas Habilidades/Superdotação. Palavras-Chave: Superdotação/Altas Habilidades. Talento. Sucesso Escolar. Fracasso Escolar. Invisibilidade.. ABSTRACT.
(9) 9. This work aims to analyze the invisibility situation of students with high abilities / giftedness, aiming to understand how the imperceptibility of these students works, and what are the reasons that would justify such a situation, since, even though they have the right to specialized educational service recognized In law, these students end up being forgotten by schools, teaching networks and teachers. We investigate how the issue has been addressed in the mainstream press and in official government documents and how they have contributed to the increase / overcoming of invisibility. The field research was carried out with education professionals, teaching networks of Baixada Santista and Grande ABC. Having as theoretical reference the dialectical historical materialism and being a qualitative research, the methodology of the field research counted on the accomplishment of interviews with teachers and students; Teacher training activities on the subject; And questionnaires applied to educators, public education networks, dealing with giftedness / high skills, observing how education workers understand the invisibility of these students. Throughout the studies, we tried to verify the pertinence of three theses, from the specialized bibliography, on the invisibility of the individuals, with high abilities / giftedness, being these: the notion that the lack of consensus on the proper terminology, to refer to the gifted , Is the reason for invisibility; The idea that invisibility is the result of the absence of specific teacher training; The conception that the spread of a set of myths about gifted and high-skilled explain the phenomenon of invisibility. Throughout the research, we seek to verify how the dynamics of the school system, in capitalist society, strongly based on the perspective of production of school failure, especially of the working classes, involves education professionals and school systems, contributing to the invisibility of Students to succeed. Keywords: Gifted / High Abilities. Talent. School Success. School Failure. Invisibility.. RESUMEN.
(10) 10. Este trabajo tiene por objetivo analizar la situación de invisibilidad de los alumnos con altas habilidades/superdotación, buscando comprender cómo funciona la imperceptibilidad de estos estudiantes, y cuáles son las razones, que justificaría tal situación, pues, aunque tengan el derecho a la atención educativa especializada reconocida En la ley, estos educandos acaban siendo olvidados por escuelas, redes de enseñanza y docentes. Hemos investigado cómo el tema ha sido tratado, en la gran prensa y en los documentos oficiales de los gobiernos y cómo éstos han contribuido al incremento / superación de la invisibilidad. La investigación de campo fue realizada con profesionales de la educación, de redes de enseñanza de la Baixada Santista y Gran ABC. Con el referencial teórico el materialismo histórico dialéctico y tratándose de una investigación cualitativa, la metodología de la investigación de campo contó con la realización de entrevistas con profesores y alumnos; Actividades de formación de los docentes sobre el tema; Y cuestionarios aplicados a los educadores, de redes públicas de enseñanza, tratando de la superdotación/altas habilidades, observando de qué forma los trabajadores de la educación comprenden la invisibilidad de estos estudiantes. A lo largo de los estudios, intentamos verificar la pertinencia de tres tesis, de la bibliografía especializada, sobre la invisibilidad de los individuos, con altas habilidades/superdotación, siendo estas: la noción de que la falta de consenso sobre la terminología adecuada, para referirnos a los superdotados Sea el motivo de la invisibilidad; La idea de que la invisibilidad sea el resultado de la ausencia de formación docente específica; La concepción de que la diseminación de un conjunto de mitos sobre superdotados y altohabilidosos explique el fenómeno de la invisibilidad. En la investigación, comprobamos que la dinámica del sistema escolar, en la sociedad capitalista, fuertemente, basada en la perspectiva de producción del fracaso escolar, sobre todo de las clases trabajadoras, involucra a los profesionales de la educación y sistemas escolares, contribuyendo con la invisibilidad Estudiantes que obtengan éxito. Palabras clave: Superdotación/Altas Habilidades. Talento. Éxito Escolar. Fracaso Escolar. Invisibilidad.. LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS.
(11) 11. ABPEE- Associação Brasileira de Pesquisadores em Educação Especial. ABSD – Associação Brasileira para Superdotados AH/SD – Altas Habilidades/Superdotação. APAE – Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais. APAHSD – Associação Paulista para Altas Habilidades e Superdotação ASPAT – Associação de Pais e Amigos para Apoio ao Talento. AEE – Atendimento educacional especializado CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. CAPFC – Centro de apoio pedagógica e formação continuada da SEDUC Cubatão. CEDET – Centro para Desenvolvimento do Potencial e Talento de Lavras. CNE/CEB – Conselho Nacional De Educação/Câmara de Educação Básica. ConBraSD – Conselho Brasileiro de Superdotação. DMGT – Differentiated Model of Giftedness and Talent. EJA – Educação de Jovens e Adultos. EUA – Estados Unidos da América. IRS – Instituto Rogerio Steinberg. HTPC – Hora de Trabalho Pedagógico Coletivo. GPESP/UFSM- Grupo de Pesquisa em Educação Especial: Interação e Inclusão Social, da Universidade Federal de Santa Maria. IES- Instituições de Ensino Superior. IFSP- Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo. IDH – Índice de Desenvolvimento Humano. LDB- Lei de Diretrizes e Bases. LDBEN – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. MEC – Ministério da Educação e Cultura. NAAH/S – Núcleos de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação. NEAG -Center For Gifted Education And Talent Development. OMS – Organização Mundial da Saúde. PAAT- Projeto de atendimento ao aluno talentoso. PAH/SD – Pessoa com Altas Habilidades/Superdotação. PIDET- Projeto de identificação e desenvolvimento de estudantes talentosos. PIT- Programa de Incentivo ao Talento. PSI- Inventário de Sucesso Parental. PUC-RS- Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul..
(12) 12. PUC-SP- Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. QI – Quociente de Inteligência. RBEE- Revista Brasileira de Educação Especial. REE -Revista de Educação Especial. SEDF- Secretaria da Educação do Distrito Federal. SEDUC – Secretaria de Educação de Cubatão. SEESP – Secretaria de Educação do Estado de São Paulol. TCLE – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo. UERJ - Universidade Estadual do Rio de Janeiro. UFSCAR - Universidade Federal de São Carlos. UFPR - Universidade Federal do Paraná. UFRJ- Universidade Federal do Rio de Janeiro. UFRGS- Universidade Federal do Rio Grande do Sul. UFES - Universidade Federal do Espírito Santo. UME – Unidade Municipal de Ensino. UMESP - Universidade Metodista de São Paulo. UNB - Universidade de Brasília. UNESCO – United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization. UNESP – Universidade Estadual Paulista. UNICAMP – Universidade de Campinas. UCB - Universidade Católica de Brasília. UFSM - Universidade Federal de Santa Maria. UFAM - Universidade Federal do Amazonas. UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais. USP - Universidade de São Paulo. WISC – Escala Wechsler de Inteligência.. LISTA DE FIGURAS Pag. Figura 01- Diagrama da Teoria dos Três Anéis de Renzulli, (Virgolim, 2007, p.36).. 53.
(13) 13. Figura 02- Reportagem publicada em “A Tribuna de Santos” 03/03/2015. 204. Figura 03- Reportagem publicada em “A Tribuna de Santos” 06/04/2015. 205. Figura 04- Reportagem publicada em “A Tribuna de Santos” 28/01/2013. 206. Figura 05- Matéria publicada na “Folha de São Paulo”, 23/01/2012. Repercutida pela UDEMO Figura06- Matéria publicada na “Folha de São Paulo”, 25/12/2014. Figura 07- Número de superdotados no Brasil, “Folha de São Paulo” 18/10/2015 Figura 08- Matriculas de alunos talentosos em São Paulo - 1996-2005, SEE-SP, “Folha de São Paulo” 18/10/2015 Figura 09- Matéria publicada naFolha de São Paulo, 12/07/2015. Figura 10- Matéria publicada naFolha de São Paulo, 12/07/2015 Figura 11- Alunos com AH/SD na rede pública do Estado de São Paulo 1996-2005. 207. Figura 12- Alunos com AH/SD na rede pública do Estado de São Paulo 2006-2011. 222. Figura 13- Revista Época, 19/02/2016.. 225. Figura 14- Site Revista Época, 07/10/2016.. 225. Figura 15- Documento da Câmara dos Deputados sobre pessoas com AH/SD-2004.. 234. Figura 16- Atuação com alto-habilidosos na carreira. 273. Figura 17- Atuação com alto-habilidosos na carreira. Figura 18- Formação e invisibilidade. 274 275. Figura 19Figura 20Figura 21Figura 22-. Professores conforme formação/Experiência com AH/SD Professores conforme formação e atuação com alto-habilidosos A influência do Dom AH/SD e ideologia das aptidões naturais.. 275 277 278 279. Figura 23Figura 24Figura 25Figura 26Figura 27Figura 28Figura 29Figura 30Figura 31Figura 32Figura 33Figura 34Figura 35Figura 36Figura 37Figura 38Figura 39Figura 40-. Mito dos pais condutores O papel do ambiente social Mito da identificação. O mito da crença no futuro de sucesso O mito da não necessidade de atendimento em AEE. Os participantes segregados por perfil Disciplina/área de formação dos participantes Distribuição dos gestores participantes por cargo/função Formação acadêmica dos participantes Experiência dos participantes Rede de ensino Modalidade de ensino Local de atuação dos participantes conforme região da cidade Jornada de Trabalho dos participantes Média de alunos atendidos pelos participantes Você já teve algum aluno com AH/SD na carreira no magistério? Já teve algum aluno com AH/SD ao longo da carreira? Tem neste ano de 2015 algum alunos identificado como AH/S?. 280 281 282 283 283 284 286 288 288 289 289 290 290 290 291 291 292 294. 208 209 209 218 218 222.
(14) 14. Figura 41- Você poderia descrever algum caso de aluno de AH/SD que se lembre? Figura 42- Características dos estudantes alto-habilidosos segundo os docentes Figura 43- Participantes com alunos alto-habilidosos em 2015 Figura 44- Alguma vez já encaminhou um aluno para avaliação por suspeita de AH/SD? Figura 45- Indicação para avaliação entre profissionais da rede Figura 46- Você já lecionou para algum aluno que não sendo identificado oficialmente como AH/SDvocê tenha desconfiado se tratar de caso de criança/jovem superdotado? Figura 47- Durante a graduação, teve alguma disciplina, aula ou curso sobre alunos superdotados/altas habilidades? Figura 48- Na rede de ensino em que trabalha, já teve alguma formação sobre superdotação/altas habilidades? Figura 49- Altas habilidades/superdotaçãosão sinônimos? Figura 50- GRUPO DE CONTROLE: Altas habilidades/superdotação são sinônimos? Figura 51- Entre aqueles que tem alunos AH/SD em 2015, consideram altas habilidades e superdotação como sinônimos. Figura 52- Características dos alunos com AH/SD segundo trabalhadores da educação: Figura 53- Características das AH/SD agrupadas por categorias Figura 54- Em sua opinião o que explicaria a existência de alunos com AH/SD? Figura 55- Explicação das AH/SD por categorias Figura 56- Entre quem defende a origem INATA das AH/SD, quantos já encaminharam alunos para avaliação para identificação Figura 57- Entre quem considera a origem GENÉTICA das AH/SD, quantos já encaminharam alunos para avaliação para identificação Figura 58- Entre quem defende a origem das AH/SD, baseadas nas CONDIÇÕES AMBIENTAIS, quantos já encaminharam alunos para avaliação para identificação: Figura 59- Entre quem defende a origem das AH/SD, como resultado da interação BIOLÓGICA/SOCIAL/HISTÓRICA, quantos já encaminharam alunos para avaliação para identificação Figura 60- TALENTO com origem GENÉTICA. Atualmente existe algum aluno que você tenha contato que possa ser AH/SD? Figura 61- TALENTO com origem BIOLÓGICO/SOCIAL/HISTÓRICO: Atualmente existe algum aluno que tenha contato que possa ser AHSD? Figura 62- Já teve algum aluno com AH/SD ao longo da carreira? Figura 63- Você tem filho, ou algum parente que seja superdotado/altas habilidades, ou que você suspeite ser? Figura 64- Você tem algum amigo, ou conhecido superdotado/altas habilidades, ou que tenha filhos e/ou parentes superdotados/altas habilidades Figura 65- Seus pais e colegas de classe achavam-no superdotado/altas habilidades, ou acima da média? Figura 66- Você considera que seja superdotado/altas habilidades? ra 67- Nos seus tempos de aluno, você estudou com alguém superdotado/altas habilidades? Figura 68- Você acha que alunos superdotados/altas habilidades precisam de atenção especial?. 294 295 297 298 299 300. 300 302 302 304 304 305 308 311 314 315 316 317. 317. 318 318 318 319 319 320 320 321 321.
(15) 15. Figura 69- Você acha que os alunos identificados como superdotados/altas habilidades, bem como seus pais, deveriam ser informados da superdotação? Figura 70- Qual a relação entre NOTAS e superdotação/altas habilidades? Figura 71- Qual a relação entre disciplina e superdotação/altas habilidades? Figura 72- Qual a relação entre inteligência e superdotação/altas habilidades? Figura 73- Qual a relação entre facilidade de aprendizado e superdotação/altas habilidades? Figura 74- Qual o papel de um dom, na superdotação/altas habilidades? Figura 75- Qual o papel da genética na superdotação/altas habilidades? Figura 76- Qual a relação entre Q.I e superdotação/altas habilidades? Figura 77- Qual é o papel da família na superdotação/altas habilidades de uma criança, adolescente? Figura 78- Qual a importância da formação dos pais na superdotação/altas habilidades de um aluno? Figura 79- A classe social é determinante, ou influencia a superdotação/altas habilidades? Figura 80- Qual a importância da escola no surgimento e desenvolvimento da superdotação/altas habilidades? Figura 81- Qual a importância dos professores, ou de um professor em especial, na superdotação/altas habilidades dos alunos? Figura 82- Você considera que consegue dar a devida atenção aos seus melhores alunos? Figura 83- Os motivos da pouca atenção às AH/SD Figura 84- Caso as turmas fossem menores, teríamos mais alunos superdotados/altas habilidades e melhores condições de atendê-los? Figura 85- No Brasil, poucos alunos são identificados como superdotados/altas habilidades, na rede pública de ensino. Marque as 5(cinco) principais razões para que isto ocorra, segundo sua avaliação Figura 86- Para você, quais seriam os motivos de termos tão poucos alunos superdotados/altas habilidades em nossas escolas? Figura 87- Os motivos da sub-identificação das mulheres Figura 88- Você considera que as escolas particulares tem melhores condições de atender aos alunos superdotados/ altas habilidades? Por quê? Figura 89- Como avalia a oferta de bolsas de estudo, aos alunos que se saem bem em provas de seleção e obtêm descontos na mensalidade? Figura 90- Como os docentes avaliam as formação sobre AH/SD Figura 91- Número de prêmios Nobel distribuídos por área/país.. 323. Figura 92- Quadro de medalhas distribuídos por modalidade/país. 463. 324 326 327 328 329 329 330 330 331 332 333 334 335 336 337 338. 341 344 348 349 354 462. SUMÁRIO INTRODUÇÃO.......................................................................................................................18.
(16) 16. I- O ESTUDO DAS ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO ..................................28 1.1 AS ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO E HERANÇA GENÉTICA................33 1.2 ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO E REPRODUÇÃO SOCIAL....................36 1.3 ALTAS HABILIDADES/ SUPERDOTAÇÃO E O PAPEL DE PAIS DEDICADO.......37 1.4 A NEGAÇÃO DAS ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO.................................42 1.5 ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO, DEFINIÇÃO E CONCEITOS................44 1.5.1 As teorias das altas habilidades/superdotação...............................................................48 1.5.2 A teoria dos Três Anéis de Joseph Renzulli e outras teorias das AH/SD.....................52 II-INVISIBILIDADE: QUESTÕES TEÓRICO-METODOLÓGICAS...........................59 2.1 A PESQUISA BIBLIOGRÁFICA E DOCUMENTAL.....................................................64 2.2 A PESQUISA DE CAMPO, O RETORNO À SINGULARIDADE..................................68 2.3 A UNIDADE DE ANÁLISE .............................................................................................73 2.4 AS CIÊNCIAS SOCIAIS NA COMPREENSÃO DA INVISIBILIDADE ......................75 2.4.1 As hipóteses para a invisibilidade das AH/SD..............................................................77 2.4.2 As AH/SDentre determinismo, genética e hereditariedade..........................................80 2.4.3 O embate mérito x dom nas concepções docentes sobre as AH/SD.............................81 2.4.4 As concepções de escolarização das elites e a invisibilidade das AH/SD....................83 2.4.5 Quem seriam, então, os interessados nas AH/SD?.......................................................87 2.4.6 As AH/SD como fenômeno social multifacetado.........................................................88 2.4.7 O fenômeno a partir do conceito de Capital Cultural...................................................89 2.4.8 O Habitus Docente e a identificação de indivíduos com AH/SD.................................93 2.4.9 A invisibilidade das AH/SD e a escola reprodutora.....................................................96 2.4.10 O fracasso escolar e as altas habilidades/superdotação................................................98 2.4.11 Ideologia das aptidões naturais e AH/SD...................................................................100 2.4.12 O quadro das AH/SD, na Sociedade Brasileira..........................................................101 2.4.13 Uma situação contraditória: “a invisibilidade de algo muito visível”........................103 III- A HISTÓRIA NA INVISIBILIDADE DOS ALTO-HABILIDOSOS .....................105 3.1 O TALENTO HUMANO, AO LONGO DA HISTÓRIA................................................105 3.2 AS IDEIAS DE MONTAIGNE E LOCKE E AS AH/SD...............................................108 3.3 UMA CONCEPÇÃO HISTÓRICO-CULTURAL DAS AH/SD.....................................113 3.4 A HISTÓRIA DO BRASIL E A INVISIBILIDADE DAS AH/SD.................................114 3.5 A INVISIBILIDADE E A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA......................117 3.5.1 O Brasil Republicano..................................................................................................120 3.5.2.1 As ideias de Francis Galton e a invisibilidade das AH/SD, no Brasil........................122 3.5.2 A rede de ensino brasileira, no século XX e a invisibilidade das AH/SD...................126 IV- A PRODUÇÃO CIENTÍFICA SOBRE AH/SD.........................................................141 4.1 ESTADO DA ARTE DAS PESQUISAS SOBRE AH/SD, NO BRASIL.......................141 4.1.1 As AH/SD e seus estudos na educação brasileira.......................................................147 4.1.2 Como “nomear” e atender o indivíduo que se destaca?..............................................148 4.1.3 As AH/SD como problema de pesquisa e a produção da invisibilidade.....................154 4.1.4 A produção paulista sobre AH/SD..............................................................................159 4.1.5 A produção acadêmica sobre AH/SD no restante do Brasil......................................163 4.1.5.1 Gênero e a produção brasileira sobre AH/SD.............................................................164 4.2 OS FOCOS DE INTERESSE DOS ESTUDOS EM AH/SD...........................................166 4.3 OS MITOS SOBRE AS AH/SD E O FENÔMENO DA INVISIBILIDADE..................167 4.4 AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS E AS AH/SD..........................................................174 4.5 METODOLOGIAS DE IDENTIFICAÇÃO DOS ALUNOS COM AH/SD...................179.
(17) 17. 4.6 O PESO DAS EXPLICAÇÕES BASEADAS NA GENÉTICA .....................................182 4.7 A RESISTÊNCIA DOCENTE EM IDENTIFICAR ESTUDANTES COM AH/SD.......186 4.8 OS ALTO-HABILIDOSOS EM SANTA MARIA E NO D.F.........................................190 4.8.1 Os trabalhos do PIT em Santa Maria.............................................................................190 4.8.2 O Distrito Federal e a pesquisa e atendimento aos alto-habilidosos..............................192 4.9 A PRODUÇÃO ACADÊMICA E A INVISIBILIDADE DAS AH/SD..........................199 V- A IMPRENSA E O ESTADO NA ABORDAGEM DAS AH/SD...............................201 5.1 A CONSTRUÇÃO DO MITO DA GENIALIDADE E DE “DOM ................................215 5.2 AS AH/SD NO PORTAL OFICIAL DA SEE-SP............................................................221 5.3 AS AH/SD GANHAM AS PRIMEIRAS PÁGINAS.......................................................225 5.4 MATÉRIA DE CAPA......................................................................................................227 5.5 O TRATAMENTO DA IMPRENSA E A INVISIBILIDADE DAS AH/SD..................231 5.6 O ESTADO BRASILEIRO E OS INDIVÍDUOS COM AH/SD.....................................234 5.6.1 As AH/SD por meio dos documentos oficiais brasileiros...........................................249 5.7 AS AH/SD NA CÂMARA DOS DEPUTADOS.............................................................258 5.8 A UNIÃO EUROPEIA.....................................................................................................264 VI A INVISIBILIDADE SEGUNDO OS TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO.......268 6.1 O QUESTIONÁRIO APLICADO DURANTE AS FORMAÇÕES................................271 6.2 O QUESTIONÁRIO VIRTUAL DA PESQUISA............................................................284 6.2.1 As análises das respostas ao questionário virtual........................................................285 6.3 CURSOS E FORMAÇÕES..............................................................................................357 6.3.1 Os resultados das formações.......................................................................................361 6.3.2 A “UME Antônio de Almeida Macedo”: um ponto fora da curva.............................367 6.4 AS ENTREVISTAS..........................................................................................................373 6.4.1 Análise das entrevistas................................................................................................380 6.4.1.1 Os hábitos de estudo dos indivíduos com suspeitas de AH/SD..................................386 6.4.1.2 A experiência escolar dos alunos com AH/SD...........................................................388 6.4.1.3 A relação com os docentes e os alunos com AH/SD..................................................393 6.4.2 As entrevistas com os profissionais da educação........................................................395 6.5 AS INSTITUIÇÕES QUE ATENDEM ALTO-HABILIDOSOS..............................424 6.5.1 O Instituto Rogério Steinberg – IRS...........................................................................425 6.5.2 O CEDET- Lavras.......................................................................................................428 6.5.3 A visita ao NAAH/S de Vitória, no Espírito Santo.....................................................435 6.5.4 As instituições paulistas de atendimento às AH/SD...................................................437 ALGUMAS CONCLUSÕES E POSSIBILIDADES.............................................................444 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................................................465 GLOSSÁRIO..........................................................................................................................477. INTRODUÇÃO.
(18) 18. [...] Quando Parmênides indaga a Sócrates, para embaraçá-lo, se ele admite a existência de “formas” de coisas “que poderiam parecer até mesmo insignificantes, como um fio de cabelo, a lama, a sujeira, ou qualquer outro objeto sem importância nem valor”, Sócrates confessa que não pode decidir-se a fazer isso, pois tem medo de resvalar para um “abismo de besteiras”. Isso, diz Parmênides, é porque ele é jovem e novo em filosofia e preocupa-se ainda com a opinião dos homens. A filosofia vai apoderar-se dele um dia e lhe fará ver a inutilidade destas arrogâncias das quais a lógica não participa. (Parmênides, 130) . (BOURDIEU, 2013, p. 37). A presente pesquisa tem por objetivo esclarecer uma realidade, ainda pouco conhecida e estudada, na educação brasileira: os motivos da situação de invisibilidade vivenciado pelos alunos com características de altas habilidades/superdotação, nas redes de ensino, no país. A qualidade de pesquisas, na área da educação no Brasil, é reconhecida de longa data e conta com pesquisadores brasileiros renomados, inclusive no exterior. São bastante conhecidas as pesquisas brasileiras, no campo da violência escolar, fracasso escolar, Psicologia, História e Sociologia da Educação que recebem elogios, internacionalmente, e a cada ano, contam com mais pesquisadores brasileiros em congressos internacionais. Porém, a área que pesquisa aqueles, que tenham históricos e características de pessoas com altas habilidades/superdotação, ainda é pouco estudada e conhecida no Brasil. A produção acadêmica brasileira sobre as altas habilidades/superdotação, apesar de ter uma longa história e contar com pesquisadores, mundialmente, reconhecidos, é ainda incipiente e engatinha, para se consolidar como área de pesquisa. Podemos contar nos dedos, os programas de pós-graduação que desenvolvem trabalhos, na área e a produção acadêmica não chegou, ainda, a duas centenas de teses e dissertações. Na formação inicial dos professores brasileiros, o assunto, quando não é totalmente ignorado, é apresentado de forma superficial. No estado de São Paulo, o mais rico e com a maior rede de ensino público, do Brasil, tínhamos no ano de 2015, cerca de 1.0411 alunos identificados como alto-habilidosos, em uma rede com quase 4 milhões de estudantes e mais de 5000 escolas.. 1. http://www.atribuna.com.br/noticias/noticias-detalhe/atualidades/professores-de-sao-paulo-terao-curso-paraidentificar-alunos-superdotados/?cHash=d7ff7d62ff54093648bf60416270d543, Consultado em 12/08/2016 às 13h. Umas das grandes dificuldades relativas ao tema é obter informações oficiais atualizadas sobre o atendimento a alunos com AH/SD, fazendo com que sejamos exageradamente dependentes das informações da impressa sobre o assunto como forma de obter dados sobre o assunto..
(19) 19. No país, segundo dados do Ministério da Educação, são aproximadamente 13.3082 alunos identificados com altas habilidades/superdotação. Segundo o Censo Escolar de 2014, número 17 (dezessete) vezes maior que o registrado em 2000. Ainda assim, infinitamente inferior aos, aproximadamente, 2,5 milhões de potenciais superdotados que existiriam no país, segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde). A maior parte das redes de ensino brasileiras, mesmo após anos de ações na área, ainda não tem tradição de, sequer, informar estes estudantes, no Censo Escolar3. A maioria das cidades brasileiras não possui um único aluno identificado e registrado, no censo escolar, como estudante com altas habilidades/superdotação, indicando o tamanho da invisibilidade deste público e desta temática para a realidade educacional brasileira. Na rede de ensino da cidade, onde desenvolvemos nossa pesquisa, localizada no litoral do Estado de São Paulo, a situação não é diferente. Com cerca de 130.000 (cento e trinta mil) habitantes e mais de 15.000 (vinte mil) alunos, em sua rede de ensino, não existia, até o ano de 2016, um único estudante oficialmente identificado, com altas habilidades/superdotação. É neste contexto de fracasso escolar, em uma cidade marcada pela pobreza da população, mas com uma das maiores arrecadações municipais do país, que não conta com nenhum caso de estudante, com indicação de AH/SD, que pretendemos pesquisar os motivos que levam os indivíduos com AH/SD a tornarem-se invisíveis na realidade educacional. Pesquisar as altas habilidades/superdotação, no Brasil, significa enfrentar três desafios iniciais: primeiro, lidar com a aparência “prosaica” de desenvolver um doutorado, com indivíduos “bem sucedidos”, diante da realidade de fracasso, em massa, dos estudantes brasileiros; segundo, pesquisar um tema pouco estudado e tratado como “menor”, nas pesquisas acadêmicas sobre educação e, finalmente, estudar indivíduos que são, praticamente, ausentes. 2. http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/10/1695504-numero-de-superdotados-cresce-17-vezes-em-14anos-nas-escolas-do-pais.shtml, Consultado em 26/02/2017 às 13h. Cabe destacar a grande dificuldade em conseguirmos informações dos órgãos oficiais brasileiros sobre os números de alunos alto-habilidosos de forma atualizada. 3 Analisando o Censo de 2008 da Educação Especial, no “Quadro do número de matriculas de alunos, com altas habilidades/superdotacão, na Educação Especial por regiões, estados e municípios em 2008”, verificamos que cidades que já possuem atendimento educacional especializado, em salas de recursos, ou centros especializados e que atendem centenas de crianças, como, por exemplo, Brasília (DF); Vitória (ES); Lavras (MG); Palmas (TO); São José dos Campos (SP); Curitiba e outras cidades (PR); Porto Alegre, Santa Maria e outras cidades (RS) e Rio de Janeiro (RJ), não apresentam nenhum aluno declarado, no referido Censo. Também, no ensino médio, na Educação de Jovens e Adultos (EJA) e na Educação Profissional, não existem, igualmente, alunos com altas habilidades/superdotação matriculados. Assim, como não existem dados de alunos, com estas características, no Ensino Superior. Vale salientar que, desde 2005, foram implantados com o apoio do MEC, na maioria das capitais brasileiras e no Distrito Federal, os Núcleos de Atividades das Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S), com os objetivos de identificar e apoiar alunos com AH/SD, suas famílias, assim como seus professores. Destes Núcleos, em atividade já há cinco anos, apenas 9 declararam um total de 35 alunos. (FONSECA, 2011, P.3)..
(20) 20. das realidades educacionais dos professores brasileiros. Deste modo, é preciso, antes de tudo, coragem para se arriscar por um daqueles caminhos indicados por Bourdieu, que figuram para o mundo acadêmico entre aqueles considerados indignos ou insignificantes. A realidade educacional brasileira é conhecida pela constante exposição de suas mazelas e fracassos. A realidade educacional da cidade que pesquisamos segue a mesma tônica, gestores e docentes afogados em debates relativos à indisciplina, dificuldades de aprendizado, ausência de infraestrutura e fracasso escolar. Neste contexto, sobra pouco, quase nenhum tempo e energia, para pensar naqueles alunos que se destacam e obtêm bons resultados nos estudos. Nas salas de professores, reuniões de HTPC e mesmo, em conversas informais entre profissionais da educação, é raro que surjam assuntos relativos aos alunos que se destacam e possam levantar suspeitas de altas habilidades/superdotação. A percepção é a de que estes são estudantes esquecidos na difícil realidade, repleta de problemas e desafios, que enfrentam os profissionais da educação brasileira. Entretanto, as crianças e jovens com altas habilidades possuem direitos reconhecidos pela Lei de Diretrizes e Bases de 1996, que lhes garante o atendimento educacional especializado; aceleração de estudos; direito à atividades diversificadas em sala de aula regular, para enriquecimento do seu currículo, evitando assim, que estes alunos desmotivem-se de seus estudos. Estas são crianças que precisam ser reconhecidas e acompanhadas por seus docentes, tendo suas necessidades acolhidas e orientadas. Contradizendo a lei, são raros os casos de atendimento a estes alunos, no Brasil, gerando um quadro de invisibilidade, no qual tais educandos têm seus direitos negados, onde muitos, sequer, conseguem saber o motivo de serem diferentes, situação que, além de dificultar o desenvolvimento dos talentos destes indivíduos, pode causar sofrimento, ansiedade, medo e necessidade de camuflar seus potenciais, para parecerem “normais”. Em relação aos docentes e gestores, a situação é tão, ou mais difícil e complexa, pois é sabido, por quase todos, as dificuldades que professores, no Brasil, encaram, sejam de escolas públicas ou privadas. Baixos salários, indisciplina, salas superlotadas, deficiências no processo formativo, ataque de todos os lados, culpando os professores pela situação da educação brasileira. Mas, diante de todos os dilemas, frente a uma estrutura que existe para não deixar a educação fluir, um dos problemas que mais desanima e entristece professores e gestores é a sensação de que as crianças não aprendem, é a impressão de que todo o esforço é insuficiente e que as crianças nada conseguem assimilar..
(21) 21. Neste quadro, professores e gestores saem todos os dias do trabalho, com a sensação de que nada do que fazem surte efeito, de que ninguém aprende com seu trabalho ou se interessa por suas aulas, que por mais que tentem, não conseguem vencer tantas dificuldades de aprendizado e a falta de interesse pelos estudos. Assim, os docentes e os gestores adoecem e desanimam, com a impressão de que estão “enxugando gelo”. Será que estão? Diante desta situação, não notar, não identificar e nem trabalhar com os alunos que se destaquem e, por ventura, venham ser crianças com altas habilidades/superdotação é, no mínimo, uma atitude preocupante, afinal, estes estudantes poderiam ajudar a combater este olhar de que ninguém aprende, nem se interessa pelas aulas. Ainda, como parte da introdução da pesquisa, analisamos a forma de encaminhamento ao interesse do tema em questão e apresentamos à banca as motivações pessoais que nos levaram a decidir por um assunto pouco usual, nas pesquisas em educação, no Brasil. Deste modo, faremos uso do método biográfico, para analisar e compor nosso texto. Basear-nos-emos nos trabalhos de (DEMARTINI, 1988) para fundamentar o trabalho. Consideramos que o método biográfico, por nos obrigar a questionar a ilusão da neutralidade objetiva dos métodos quantitativos e nos fazer lidar com a subjetividade, no desenvolver de nossas pesquisas conforme (QUEIROZ, 2008), ajude-nos a compreender como nossos temas de pesquisa chegam em nossas vidas profissionais e intelectuais e, aos poucos, encaminha-nos ao trabalho científico. Esta não é uma pesquisa neutra, salientamos desde o início, assumimos o compromisso com a necessidade de pensar sobre o impacto da invisibilidade dos alunos talentosos, na dinâmica de funcionamento da instituição escolar, sobretudo, da invisibilidade do talento entre os filhos das classes trabalhadoras. Pensar no que me leva a ter interesse em um tema, como as altas habilidades na educação pública brasileira, um tema, normalmente, abordado como menos urgente, em nossa realidade educacional tão permeada por problemas ligados ao fracasso, falta de estrutura, precarização do trabalho docente, é algo que entendemos como necessário. Realizar uma pesquisa sobre, supostamente, “sucesso escolar” tem sido um importante exercício de reflexão, quanto a pertinência e real importância sobre a temática. Por vezes, até nós ficamos em dúvida sobre o assunto da pesquisa. Iniciamos, informando que a mesma não se debruça sobre o sucesso escolar e não está à margem oposta a toda a tradição de pesquisas, brasileiras, sobre o fracasso escolar. Esta é uma pesquisa que se liga aos estudos sobre o fracasso escolar, sobretudo, ao fracasso escolar da escola capitalista e sua função reprodutivista da sociedade. O ângulo escolhido é diferente.
(22) 22. daqueles, tradicionalmente, discutidos, como por exemplo, no clássico estudo de (PATTO, 2000), ao escolhermos estudar os indivíduos ditos superdotados, mas o referencial teórico e a perspectiva são os mesmos: como e porque a escola capitalista produz o fracasso. Olhando, retrospectivamente, para nossa história de vida, considero que as inquietações que me levaram ao meu atual problema de investigação: a condição de invisibilidade das crianças, com características de altas habilidades/superdotação, nas escolas públicas brasileiras, estão presentes em minhas observações, desde a mais tenra idade. Quando olho para trás, noto que o caminho das pesquisas científicas corresponde à tentativa de responder a dúvida, que sempre se apresentou nos meus tempos de estudante: o porquê tantas crianças, tão inteligentes, não conseguem desenvolver todo o seu potencial e nem serem notadas pelos seus professores. Saí da universidade curioso por entender que processo era este, onde escolas, sistemas, professores desperdiçam seus alunos mais talentosos e, pior, sequer têm conhecimento da existência destes e continuam desconhecendo-os, mesmo quando obtêm sucesso profissional. Tornei-me professor de História, da rede pública estadual de São Paulo e, em pouco tempo, tais dúvidas voltaram a se apresentar, pois com todas as dificuldades e problemas que encontramos em escolas públicas, havia um grupo de estudantes muito inteligente, dedicado, e que conseguia ótimos resultados, nos estudos e, que ainda assim, seguiam invisíveis aos olhos dos docentes e da escola. As reuniões de HTPC e conversas informais da escola, sempre tratavam dos mesmos temas: violência, evasão, reprovações, indisciplina, falta de estímulo aos estudos, infraestrutura deficiente e, especialmente, notas baixas e dificuldades de aprendizado; e a existência deste grupo de alunos, que se dedicava muito ou que tinha grande potencial, sequer, surgia como preocupação de professores e gestores, o que os tornava crianças e adolescentes invisíveis. Assim, segui por uma década, observando ano, após ano, muitos estudantes, com potencial, desestimulados, nas escolas e, sequer, notados, cercados de docentes angustiados, queixando-se do fato de não terem mais “bons alunos", ignorando a presença de crianças e jovens, imensamente inteligentes, em suas salas de aula. A angústia levou-me atuar em cursinhos pré-vestibulares, comunitários, para jovens carentes, interessados em seguir com os estudos, em cursos técnicos e faculdades, constatando que nos chegam alunos excelentes, incrivelmente, inteligentes e que, na maioria das vezes, desconhecem seus potenciais. Outra maneira para tentar resolver tais angústias e dúvidas foi a realização de uma pesquisa de mestrado, que buscava entender qual era a representação social dos docentes, da.
(23) 23. escola em que atuava, sobre o que seria um bom aluno, uma vez que, era frequente a reclamação dos professores de que estes não existiam mais, na escola pública. Dois anos de pesquisa e a conclusão: o que menos pesa na definição do conceito é a capacidade intelectual dos alunos; importam a disciplina, o capricho nos cadernos, a família com melhor ou pior condição socioeconômica e capital cultural, a configuração familiar adequada aos modelos tidos como ideais pelos professores. Compreendemos assim, que o fracasso escolar é produzido, nas duas pontas, quando não conseguimos ensinar a imensa maioria dos alunos, acusando-os de terem dificuldades, bem como, ignorando e, também, não ensinando às crianças, que, teoricamente, seriam mais talentosas. A sequência de nossas atividades profissionais ocorreu, por meio da atuação como gestor, em uma escola pública de educação infantil e ensino fundamental I e, novamente, o dilema partilhado, em outros níveis de ensino, surge dividido com poucos professores; o fato de todos os anos, inúmeras crianças com potencial, notadamente, acima da média, deixarem de ser identificadas e/ou notadas, denotando que não importa a idade do estudante ou formação e nível de atuação dos professores, o mesmo problema segue: a não identificação dos estudantes, com potencial de destaque escolar. Tentando respostas para tal situação, iniciamos os trabalhos em nível de doutorado, com o objetivo de analisar as razões que levam à invisibilidade das crianças, com características de altas habilidades/superdotação. Diante do exposto, o problema de pesquisa que o trabalho buscará responder é a compreensão das causas da invisibilidade dos estudantes com altas habilidades/superdotação, e suas relações com a produção do fracasso escolar. Os objetivos do trabalho são: levantar as principais teorias que explicam as altas habilidades/superdotação; analisar o estado da arte das pesquisas na área e suas relações com o quadro de invisibilidade; desenvolver levantamento quanto às ações do Estado, no sentido de atender o público alto-habilidoso; avaliar como o desenvolvimento histórico do sistema educacional. brasileiro. relaciona-se. com. a. situação. de. invisibilidade. das. altas. habilidades/superdotação; realizar levantamento e análise do modo como os veículos de comunicação: “O Estado de São Paulo”, “Folha de São Paulo” e “A Tribuna de Santos” tratavam do tema das altas habilidades/superdotação, ao longo dos últimos 10 anos e seu impacto na produção da invisibilidade; desenvolver pesquisa de campo junto aos docentes e gestores educacionais de uma rede de ensino da Baixada Santista, relacionada à temática das altas habilidades/superdotação e os motivos da invisibilidade; finalmente, levantar junto às.
(24) 24. instituições especializadas no atendimento ao público alto-habilidoso da região Sudeste, quanto aos motivos da invisibilidade. Como metodologia de pesquisa, realizamos levantamento bibliográfico e documental sobre o tema e suas relações com o problema por nós pesquisado, na parte do trabalho que denominamos pesquisa teórico-documental. Na sequência, desenvolvemos pesquisa de campo junto aos educadores da rede pública de ensino sobre a temática, por intermédio dos questionários, entrevistas, formações com os docentes e posterior registro das observações inloco; finalmente, realizamos visitas às instituições de atendimento especializado em AH/SD, em cada um dos estados da região Sudeste, de modo que as análises teóricas e de campo pudessem ser integradas, na confirmação das hipóteses, quanto aos motivos da invisibilidade. Utilizamos, na pesquisa, os estudos de Renzulli sobre a concepção de altas habilidades/superdotação, bem como, a produção acadêmica de Freitas, Pérez, Alencar, Fleith e Guenther, como base para nossas análises sobre o atendimento aos indivíduos com altas habilidades/superdotação, quanto as principais hipóteses para compreensão das AH/SD. Em relação as concepções teóricas da pesquisa, buscamos uma abordagem que utilizasse o materialismo histórico dialético como referencial e, para tanto, as obras de Marx e Oliveira serviram de referência ao encaminhamento teórico da pesquisa. Ainda, em relação as concepções teóricas sobre o sistema educacional, as obras de Bourdieu, Nogueira, Bisseret e Patto contribuíram para as reflexões, que envolvem a unidade de análise “INVISIBILIDADE”, e suas relações com o sistema escolar, na sociedade capitalista. Quanto a pesquisa de campo, utilizamos como referenciais teóricos os trabalhos de Queiroz, Lang, Bueno e Demartini, para a organização das etapas da pesquisa, estruturação e condução dos questionários e entrevistas, fichamentos dos registros de formação com os docentes, transcrição das entrevistas realizadas, durante os trabalhos, visitas às instituições que desenvolvem atendimento com público alto-habilidoso e, finalmente, análises dos dados obtidos pelas ferramentas de pesquisa e elaboração do texto da tese. No que diz respeito à estruturação do texto da tese, seguimos uma percurso que buscou analisar nosso problema de pesquisa, por intermédio de variados ângulos, com o objetivo de confirmar ou refutar nossas hipóteses, de modo que a unidade de análise fosse observada, inicialmente, naquilo que se referia às suas relações com a universalidade da questão. Em seguida, desenvolvemos ampla análise do problema da pesquisa, a partir de suas relações com a particularidade de se constituir em um dado contexto histórico e sociedade. Por fim, chegamos ao trabalho de campo, quando tivemos oportunidade de nos debruçar em nossa unidade de análise, em suas relações com as singularidades dos indivíduos para, assim, podermos ter um.
(25) 25. panorama amplo do problema de pesquisa e retornarmos à universalidade, buscando a síntese de pesquisa em nossas conclusões. Deste modo, o trabalho foi organizado da seguinte forma, no que se refere a distribuição dos capítulos da tese. No capítulo 01, apresentamos o problema de pesquisa ao leitor, bem como, suas implicações na realidade educacional brasileira; descrevemos como a condição de invisibilidade dos alto-habilidosos é confirmada pela bibliografia especializada, em contextos educacionais diversos e desenvolvemos análise das principais concepções teóricas sobre a definição de altas habilidades/superdotação e seu surgimento. Desenvolvemos, também, a apresentação das hipóteses predominantes, no cenário acadêmico, quanto aos motivos da invisibilidade, bem como, refletimos sobre as relações entre concepções teóricas e a produção da invisibilidade das AH/SD. No capítulo 02, desenvolvemos a fundamentação teórica da pesquisa, apresentando como procedemos a análise de nosso problema de estudo: A invisibilidade dos sujeitos com altas habilidades/superdotação, na realidade educacional brasileira e, mais especificamente, na rede de ensino, que serviu de base para nossas constatações. Indicamos qual perspectiva teórica entendemos que seja adequada para uma efetiva compreensão de nossa unidade de análise e, desta forma, indicamos a importância dos trabalho de Beth Oliveira, com a dialética do singularparticular-universal, para o desenvolvimento da pesquisa. Pensamos sobre impacto da ausência de reflexões fundamentadas nas contribuições da sociologia da educação, para a compreensão das altas habilidades/superdotação, na produção da invisibilidade dos estudantes altohabilidosos, na realidade educacional. No capítulo 03, foi realizada análise da questão das altas habilidades/superdotação, ao longo da História, em especial, ao longo da História educacional brasileira, objetivando primeiro refletir sobre o problema, em uma perspectiva histórica, onde verificamos que o debate sobre a explicação e aproveitamento dos indivíduos mais talentosos é questão bastante antiga, que percorre boa parte da História da humanidade preocupando as mais variadas sociedades. Desta forma, o problema de pesquisa é apresentado como questão histórica e, por isso, com amplo fundamento teórico conceitual, de modo que fosse identificado como problema de pesquisa relevante pela tradição acadêmica-científica, rompendo com a fragilidade que, tradicionalmente, a temática costuma encontrar para se fundamentar no debate acadêmico. Além disso, foi desenvolvido estudo historiográfico, possibilitando a constatação das profundas relações entre sociedade capitalista e forma como são compreendidos os talentos humanos, mais especificamente, as relações profundas existentes entre o trajeto do sistema educacional.
(26) 26. brasileiro, sobretudo, no que tange ao acesso dos pobres aos bancos escolares e a condição de invisibilidade dos sujeitos com altas habilidades/superdotação. No capítulo 04, desenvolvemos a análise da produção científica brasileira sobre as altas habilidades/superdotação, acompanhando o caminho histórico da produção científica brasileira, na área, aventando os principais problemas de pesquisa abordados na produção nacional. Refletimos sobre a invisibilidade vivenciada pelas próprias pesquisas e pesquisadores da área das AH/SD, bem como, as hipóteses mais importantes para a compreensão do que sejam as altas habilidades e explicações para o quadro de invisibilidade. Finalmente, refletimos quanto às relações entre a forma como se organiza e fundamenta-se o campo das pesquisas sobre altas habilidades/superdotação, no Brasil e o quadro de invisibilidade dos sujeitos alto-habilidosos, na realidade educacional brasileira, indicando que, segundo nossas observações, a própria forma como a produção científica se organiza e elege a abordagem teórica, para analisar o problema, guarda relação com a invisibilidade. No capítulo 05, realizamos um levantamento quanto a forma que os dois mais importantes jornais do Estado de São Paulo, a “Folha de São Paulo” e o “Estado de São Paulo”, bem como, o maior jornal da Baixada Santista: “A Tribuna de Santos” acompanharam a temática das altas habilidades, no período compreendido entre 2006 a 2016, buscando analisar o papel dos meios de comunicação, na formação do imaginário popular e docente sobre os indivíduos alto-habilidosos e sua consequente invisibilidade. Ainda, no capítulo 05, como forma de complementar a análise sobre o modo como o aparelho ideológico do estado, Imprensa, trata do tema da pesquisa, desenvolvemos estudo quanto às medidas estatais para atendimento das altas habilidades, nos últimos 50 anos, buscando explicações para a aparente contradição entre termos, diversas medidas e discursos governamentais em defesa do público alto-habilidoso e a carência de ações que busquem combater a invisibilidade, de modo efetivo. No capítulo 6, apresentamos os resultados da pesquisa de campo realizada junto aos educadores, de uma rede de ensino do litoral paulista, sobre o tema das altas habilidades/superdotação e suas explicações para o problema de pesquisa: os motivos da invisibilidade dos estudantes alto-habilidosos, na escola. Neste sentido, apresentamos os dados obtidos, durante mais de 3 anos de pesquisa de campo, com os profissionais da referida rede, a partir de variadas ferramentas de coleta de informações, como: questionários, entrevistas, registros de visitas as escolas, registros de cursos e formações sobre o tema que desenvolvemos com os educadores, de modo que pudéssemos reunir a maior quantidade possível de informações e perspectivas sobre o tema, em quantidade e profundidade, que nos possibilitasse análise e reflexão sobre o problema da pesquisa, de modo articulado com nosso trajeto teórico..
(27) 27. Finalmente, neste capítulo, apresentamos os resultados das visitas a 04 instituições de atendimento especializado em altas habilidades/superdotação e suas explicações para a invisibilidade. Encerramos o texto da pesquisa com a apresentação das conclusões, de modo que pudéssemos buscar a síntese de nossos estudos, apontando os diversos ângulos sob a qual nossa unidade de análise foi avaliada e, assim, desenvolvermos um retorno ao problema inicial da pesquisa: o quadro de invisibilidade dos alto-habilidosos, relacionando-o com a sociedade capitalista e com o contexto educacional, de modo mais amplo, a fim de que as concepções baseadas nas ideologias das aptidões naturais fossem superadas, a partir da constatação de suas relações com a produção da invisibilidade e os próprios indivíduos alto-habilidosos passassem a ser compreendidos, inseridos no debate educacional mais amplo, na realidade escolar, como um todo, para que as relações entre suas condições de invisíveis fossem consideradas como uma face da moeda do fracasso escolar.. CAPÍTULO I O ESTUDO DAS ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO4. A hierarquia dos domínios e dos objetos orienta os investimentos intelectuais pela mediação da estrutura das oportunidades de lucro material e simbólico, que ela contribui para definir. O pesquisador participa sempre da importância e do valor, que são comumente atribuídos ao seu objeto e é pouco provável que não leve em conta, 4. Segundo o World Council for Gifted and Talented Children, considera-se sobredotada a pessoa com elevado desempenho, ou elevada potencialidade, emqualquer dos seguintes aspectos isolados, ou combinados: capacidade intelectual geral,aptidão acadêmica específica, pensamento criativo ou produtivo, talento especial paraas artes visuais, dramáticas e musicais, capacidade motora e capacidade de liderança. (POCINHO, 2009).
(28) 28. consciente, ou inconscientemente, na alocação de seus interesses intelectuais, o fato de que os trabalhos (cientificamente) mais importantes sobre os objetos mais “insignificantes” têm poucas oportunidades de ter, aos olhos daqueles que interiorizaram o sistema de classificação em vigor, tanto valor quanto os trabalhos mais insignificantes (cientificamente) sobre os objetos mais “importantes” [...] (BOURDIEU, 2013, p.38). Nossa pesquisa busca compreender quais as razões que levam os estudantes, com características de AH/SD, a não receberem a devida atenção e atendimento, nas escolas públicas brasileiras. Buscamos os motivos, que levam alunos talentosos a viverem uma espécie de invisibilidade, bem como, as implicações e consequências desta postura para os indivíduos invisíveis, seus professores e escolas. Finalmente, analisamos como o fracasso escolar relaciona-se com a invisibilidade dos alto-habilidosos. O trabalho com a bibliografia, na área das altas habilidades/superdotação, indicou que a invisibilidade dos alto-habilidosos não é algo restrito à cidade, onde concentramos nossas pesquisas. Trabalhos nacionais e internacionais confirmam a condição de invisibilidade deste grupo de estudantes. É grande o número de trabalhos brasileiros, que denunciam a invisibilidade dos indivíduos com altas habilidades/superdotação, destacamos, por exemplo, o trabalho de Pérez (2011, p.109), que diz: “A invisibilidade dos alunos com AH/SD está estreitamente vinculada à desinformação sobre o tema e sobre a legislação que prevê seu atendimento, à falta de formação acadêmica e docente e à representação cultural das pessoas com Altas Habilidades/Superdotação (PAH/SD)” A bibliografia especializada utiliza-se do termo invisibilidade para se referir ao reduzido número de estudantes, com altas habilidades/superdotação, identificados e atendidos, nas escolas brasileiras, Pérez e Freitas, (2011, p.112), afirmam: “Talvez mais estigmatizados que os alunos com deficiência, os alunos com AH/SD não conseguem sair de sua invisibilidade sistêmica, que se reflete nos censos escolares, que não recebem informações adequadas [...] e, apresentam números insignificantes dentro das matrículas”. Perez e Freitas não são as únicas a utilizar o termo invisibilidade, para descrever a situação dos alto-habilidosos, esta, também, é denunciada por Negrini (2008, pp.275- 282), como podemos verificar:. Direciona-se a discussão à educação de alunos com altas habilidades/superdotação, os quais frequentemente estão presentes no contexto escolar, porém, como bem expõe Pérez (2004), são alunos “fantasminhas”, uma vez que muitas vezes não são identificados, nem mesmo reconhecidos pelos professores. [...] Com estas pesquisas, percebe-se que os alunos com altas habilidades/superdotação estão presentes em grande número nas escolas e que muitas vezes passam despercebidos pelo olhar do professor e dos familiares..
(29) 29. A denúncia da invisibilidade já é realizada pela produção acadêmica, na área e, desta forma, seguimos a tradição das pesquisas, ao denunciar a grave situação destes estudantes, que não têm seus direitos atendidos, em suas experiências escolares. Assim, filiamo-nos ao uso da ideia de invisibilidade para descrever a condição de não identificação e atendimento e utilizamos o conceito de invisibilidade como unidade de análise, que norteará nossa pesquisa. Entretanto, a maioria das pesquisas brasileiras, quando se questiona sobre os motivos da invisibilidade, relaciona esta situação com a falta de informação da população, em geral e de formação, específica, dos docentes brasileiros. Pérez e Freitas (2011,p.122), defendem que a razão da invisibilidade seria: “Certamente, a informação da sociedade como um todo e a formação dos docentes é um dos principais elementos que poderão apagar o nefasto prefixo dessa palavra.(Superdotado)”. É evidente que, informações adequadas para o grande público e formação docente, específica, ajudariam na questão. Da mesma forma, a existência de um imaginário5, repleto de mitos sobre o tema colabora para que seja constituída a situação, que vivenciamos com os estudantes alto-habilidosos. No entanto, trabalhamos com a hipótese de que estas explicações são insuficientes para a compreensão da invisibilidade e terminam por não colaborar com sua superação, por não considerar fenômenos complexos da realidade educacional. Ter as altas habilidades/superdotação como objeto de pesquisa, está longe de ser uma tarefa fácil ao pesquisador, em educação. Ponto central de uma antiga polêmica das disciplinas, que buscam entender a relação entre cognição-aprendizado-inteligência humana, as altas habilidades colocam-nos diante de antigas perguntas e das consequências de suas respostas: Os humanos nascem todos iguais? Teríamos, enquanto espécie, os mesmos potenciais intelectivos? Para respostas negativas, temos uma nova questão: De onde surgem, então, tais diferenças? Para respostas positivas, a favor da igualdade no nascimento, também temos outra pergunta: Como explicar o talento e os diferentes níveis de desempenho verificados, empiricamente, entre os indivíduos? De um lado, temos o empirismo, que reconhece as diferenças humanas, mas não lhes explica as origens. Do outro, o idealismo que defende a igualdade, justificando-a teoricamente, mas que, não consegue explicar os casos empíricos de talento que se apresentam, na realidade. Beethoven já nasceu “BEETHOVEN” e assim, destinado pelos “astros, deuses, ou genes” às artes musicais, ou se tornou Beethoven, ao longo de sua vida e experiência humana?. 5. Utilizamos o conceito de imaginário apresentado por Baczko (1991)..
Documentos relacionados
Equipamentos de emergência imediatamente acessíveis, com instruções de utilização. Assegurar-se que os lava- olhos e os chuveiros de segurança estejam próximos ao local de
6 Consideraremos que a narrativa de Lewis Carroll oscila ficcionalmente entre o maravilhoso e o fantástico, chegando mesmo a sugerir-se com aspectos do estranho,
Com o objetivo de compreender como se efetivou a participação das educadoras - Maria Zuíla e Silva Moraes; Minerva Diaz de Sá Barreto - na criação dos diversos
17 CORTE IDH. Caso Castañeda Gutman vs.. restrição ao lançamento de uma candidatura a cargo político pode demandar o enfrentamento de temas de ordem histórica, social e política
Seja o operador linear tal que. Considere o operador identidade tal que. Pela definição de multiplicação por escalar em transformações lineares,. Pela definição de adição
Figura 8 – Isocurvas com valores da Iluminância média para o período da manhã na fachada sudoeste, a primeira para a simulação com brise horizontal e a segunda sem brise
[r]
Quanto às variáveis relacionadas à satisfação nas duas últimas duas semanas, somente para dinheiro não houve diferença antes e depois da cirurgia, para as demais: