FEDERAL
DE SANTA CATARINA
(zCENTRO
SÓCIO-ECONÔMICO
DEPARTAMENTO
DE
SERVIÇO SOCIAL
O
CONVÊNIO
UESC/CPP:
RELATO
DE
UMA
EXPERIÊNCIA
DE
SERVIÇO
SOCIAL
NAPERSPECTIVA
DO
POPULAR
3.
¡
/
5,”
' ' Trabalho de Conclusão de Curso apresentadoao Departamento de Serviço Social' da {Í›Uzúvers¡‹1zae Federal de
sam
catarina para%ofln_¿°),\O5\0f5Q ^
.
:Judy Vønân'Tfls€à0
e do Depxo. úe serviço Soáfl
CSE¡Íu§5@
obtenção do Título de Assistente Social pela
Acadêmica Cleci Elisa Albiero, Orientado pela professora Mestre Diane Kohler.
FLORIANÓPOLIS
março
de
1999
Q v
Q
Dedlco
este
trabalho
a fodas
as pessoas
que,
assim
como
eu,
sonham
e
lutam
por
um
mundo
mais
humano,
justo-e
fraterno
de
igualdade
e
amor, sonhos
e
utopias entre
Agradecimentos
_Agradeço todas -às pessoas que
me
ajudam a crescercomo
serhumano,
em
especial:À
Iliane pela disponibilidade e atenção dispensada durante o período de estágio eorientação deste trabalho, que tanto
me
fa crescermesmo
sabendo das minhas_
_ limitações,
com
muito carinho e admiração, obrigado.aos meus pais Carlos e Zeneide pelo incentivo -e por ter acreditado
em
mim;aos meus innãos: Claudio Antonio, Cleudemir Rogério, Cleomari Cristina e Clóvis Marcelo;
'- "
aos meus sobrinhos lviichel e Caroline que sabendo de suas existências
me
dão razão_ para viver;
às amigas (os) e companheiras (os) que
me
acompanharam
nesta caminhada e puderamacompanhar. essa- metamorfose, os
nomes
são tantos e não poderia deixar decitaralgum, portanto,
no
anonimato, agradeçofa-todos de coração; às colegas de estágio do ProjetoCPP
*e,NESSOP
(Núcleo de Estudosem
Serviço Social e Organização Popular), a coordenadora do ProjetoCPP
e companheira das horas dedificuldade e nas horas de divertimento Assistente Social Simone, ao Norberto por
acreditar, assim
como
eu, que as coisaspodem
dar certo, muito obrigado;às lideranças comunitárias do Saco
Grande
Il pela oportunidade e disponibilidadeem
realizar este trabalho nesta fase especial da minha vida, muito obrigado.
às colegas de casa Marli, Leandra e Karin, que souberam entender este momento-especial da minha vida,
um
beijão para todas. à alguém muito especial que chegou a pouco, e está muito próximo demim
nestaSEMENTE
Do
AMANHÃ
1_ ''Gonzaguinha
U 'Ontem
um
menino
que
brincava
me
falou
Que
hoje
é
semente
do
amanhã
Prá
não
ter
medo
que
vai
passar.
Não
sedesespere não
!Nem\pare
de
sonhar!
Nunca
se
entregue, nasça
sempre
com
as
manhãs!
Deixe
a luz
do
solbrilhar
no
céu
de
seu
olhar.
Fé
na
vida, fá
na
gente, fé
no que
virá!Nós
podemos
tudo,
nós
podemos
mais.
_Lista
de
SiglasACOLJOGOC
-Associação do Loteamento
JoãoGonzaga-da
Costa.ACTs
-Admissão
em
Caráter Temporário.ADITEPP
-Associação de Treinamento
e projetos Pedagógicos.AMPAF
-'Associaçãodos
Moradores Parque da
Figueira.AN
SOL
-Associação dos
Moradores do
SolNascente
APROCOM
- Asso.Pró-Desenvolvimento da
Comunidade
do
Monte
Verde
APROCRUZ
-Associação
deMoradores do
Caminho
da Cruz
BIRD-
Banco
Interamericanode
Desenvolvimento. .S
C.C.
-Conselho
Comunitário.A
CETE
- Conselho`Estadual de Trabalho eEmprego.
CMTE
-Conselho Municipal
de Trabalho eEmprego.
__
CODEFAT
-Conselho
Deliberativodo
Fundo
deAmparo
/aó Trabalhador.
COMOSG
-Conselho de
Moradores do Saco Grande
II.CPP
- Centrode
Profissionalização Popular.V
DSS
-Departamento
de Serviço' Social. AETFESC
- EscolaTécnica
Federalde
Santa Catarina.FAT
-Fundo
de
Amparo
ao
Trabalhador.FECOC
- Frente Continentalede
OrganizacionesComunales.
FETESC
-Fundação
de
Escola Técnica Federal de Santa Catarina.IBGE
- Instituto Brasileiro,de
Geografia
e Estatística.ICODES
- Institutode Cooperação
eDesenvolvimento 'Ecônomico
e SocialIPUF-
Institutode
PlanejamentoUrbano
de
Florianópolis.LDB
- Lei de Diretrizes e Bases.n
MEC
- Ministérioda Educação
e Cultura.A
,
NESSOP
-Núcleo de
Estudosem
Serviço Social eOrganização
Popular. 'PIB
- ProdutoIntemo
Bruto.PMF
- PrefeituraMunicipal de
Florianópolis. 'SDSF
- Secretariade Desenvolvimento
Social eda
Família.SENAC
- ServiçoNacional de
Aprendizagem
Comercial.SENAI
-. ServiçoNacional de
Aprendizagem
Industrial.SESC
- Serviço Socialdo
Comércio.SINE
- SistemaNacional de
Emprego.
U.B.S
-Unidade
Básicade
Saúde. VUCPP
-Unidade
Comunitáriade Produção
Popular.UDESC
- Universidadedo
Estado de Santa Catarina.UFSC
-Universidade Federalde
Santa Catarina.SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
... ... .. 1CAPÍTULO
1 -COMPREENDENDO
UM
CENÁRIOz
PARTICIPAÇÃO
E
UNIVERSIDADE PUBLICA
... .. s 1.1 - Problematizando a Temática do Público da Universidade Federal de Santa . Catarina ... .. ... .. 22O 1 1.2 - Problematizando a Participação e a Cultura Popular ...ID ... .. 26'
1.2.1 -
A
Temática da Participação Popular ... .. 261.2.2 - Questões Para
Uma
Agenda ... .. _ 33 a - participação popular ... .. 33b - construção da autonomia ... .. 35
c - cidadania polítim x cidadania social ... .. 38
d - democracia ... ... .. 45
1.2.3 - Cultura Popular: Algumas Questões ... .. 49
CAPÍTULO
II -AMEDIACOES
POR
UMA
PRESENÇA
DO
POPULAR
NA
.POLÍTICA
PÚBLICA
DE
TRABALHO
E
RENDA
zUMA
EXPERIÊNCIA
NO
CONVÊNIO
UFSC/CPP
... .. só 2.1 -O
Serviço Social e O Projeto-Centro de Profissionalização Popular :A
intervenção teórica metodológica ... .. 67:J 2.2 -
O
Caminho
Sócio-Pedagógico do curso “Agentes Comunitários de Empreendimentos Produtivos” ... .. 732.2.1 -
O
Contexto da Experiência ... ., ... .. 732.2.2 -
O
Projeto Centro de Profissionalimção Popular no Saco Grande II ... .. 812.2.3 `-
A
Criação do CIu'so de “Agentes Comunitários de Empreendimentos Produtivos2.2.4 - Desenvolvimento do Curso: Contexto da Realidade ... .. 87
2.2.5 - Levantando questões para o conhecimento da realidade local ... .. 93
2.2.6
-
O
Questionário: Instrumento de Conhecimento da Realidade. ... .. 942.2.7 - Coleta de Dados - Saída a
Campo
... ..'. ... .. 962.2.8 -Tabulação e Análise dos Dados ... .. 99
2.2.9 - Apresentação dos Dados ... .. 102
2.2.10 - Políticas Públicas do
Mundo
do Trabalho ... .. 1052.2.11 - Empreendimentos Coletivos Comunitários ..z.¿. ... .. 109
2.2.12 - Avaliação do Curso e 0 Papel do Serviço Social ... .. 114
2.3 -
O
Grupo
de Lideranças no SacoGrande
H
-Um
Processoem
Construçãocom
o Serviço Social ... .. 1182.3.1 -
A
Coordenação do Grupo de Lideranças: Novo Desafio à Prática de Estágio do serviço ' Social ... .. 1212.3.2 -
O
Espaço dos Encontros ... .. ... .. 1232.3.3 - Articulação e Confronto
eom
o Poder Público :A
Mediação do Serviço Social . 125 2.3.4 - As lideranw no Processo de Coordenação e Implantação dos Cursos de Qualificação Profissional -As
Inscrições ... .. 1342.3.5 -
A
Seleção e Organimção das Turmas ... .. 136ALGUMAS
PALAVRAS
FINAIS
... ... .. 140DADos
DA
DIscI1›LINA
DE
sUI›ERvIsÃo
DE
ESTÁGIO
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
... .. 147.
INTRODUÇÃO
`
Estamos
vivendoem
uma
época de
inúmeras transformações sociaisparadigmáticas, sobre as quais precisamos fazer
algumas
reflexões.Mudanças
de
ordem
econômica, políticas e sociais, discutidasem
um
contexto de-globalização mundial,
onde
presenciamos diariamentea
hegemonia
do
capital industrial. financeiro, nosimpõe
uma
revolução técnico-científicaonde
se faz necessário adotar padrõesde
produzir ede
geriro
trabalhode
uma
forma que não
parece ser
muito
animadora. Isto é, as perspectivas sãode
exclusão social facea
globalização
de
corte neoliberal. _Na
área econômica,vem
sendo
propostouma
sociedadeonde
apenas
uma
pequena
parcelada
população teráemprego
estável ea
grande maioria estarána
informalidade.Segundo
Oliveira (1997 :25)há
quem
“antevejauma
sociedade
no
fiauro
com
20%
incluídos e80%
de
excluídos ”,sendo que “à
medida
que o
número
dos
sem-trabalhosobe
assustadorarnente,0
tecido socialsofie
e
se debilita” (folhade
São
Paulo
24/02/99).Observações
como
estanos
levaa
acreditarque
no
contexto
do
socialo
“caos” tendea
se ampliar, facea
quase insustentáveldesigualdade
econômico
produzida pela concentraçãode
rendaonde o
ricofica
mais
rico eo pobre mais
pobres. _.
No
campo
social,onde
a atuaçãodo
Estado deveria ser ampliada,obervamos
o contrário,ou
seja, está ocorrendouma
minimização, agravando, nestesentido,
cada vez
mais, as questões sociaisem
relação as pessoasmais
empobrecidas,
passando
para a sociedade civilo compromisso
de dar contados
problemas
sociais apresentados pelapopulação
com
o empobrecimento da
sociedade, caracterizando,
também
no
campo
político, decisões favoráveis àspessoas de renda mais elevada e
empresas
multinacionais,em
detrimento daquelesque deveriam
ser constantemente apoiados pelo Estado, hoje conhecidoscomo
excluídos.
4
Já
no
político, “Vo projeto neoliberal surgecomo
uma
reação
ao
Estado
do
Bem
Estar Social, contraa
socialdemocracia”(Iamamoto,l997:l9), o
que
condizcom
a
reduçãodo
papeldo
Estado, privatizaçõesde empresas
estatais e liberaçãodo
comércio
internacional.` `
Na
explicaçãoa
essas questões,o
relatórioda
FECOC,
realizadoem
Porto Alegre,
com
a participaçãode
ll países, incluindoo
Brasil, colocaque
“Frente a estos hechos, la sociedade lucha cotidianamente
contra la exclusión
y
el neoliberalismo, impulsando proyetos estratégicos que le permitan el cambio de las políticas públicas,pero tambiém ha logrado abrir espacios de participación directa que van configurando la nueva sociedad” (02/11/97).
Com
isso, as formasde
organizaçãoda
sociedade civilcomprometidas
com
uma
vida cidadã,buscam
dar seus insistentes passos,no
âmbitoda
organizaçãocoletiva
no
espaço geopolítico social.9 V
-
O
trabalhoque
ora apresentamos tenta,mesmo
que
timidarnente,
mostrar '
o caminho
trilhado pelas organizações comunitárias/popularesdo
BairroSaco Grande
II localizadona
Ilhade
Santa Catarina, pela constituiçãode
uma
altemativa para “...víabilizar atividades
geradoras
de
emprego
e renda,abrindo
um
novo espaço de
cidadaniagerador de novas
relações sociais entreprodutos
e destes
com
consumidores”
(Lisboa , 1997: 4)'
Hoje,
com
as transformações pelas quais passa a sociedade,mais
precisamente
no
mundo
do
trabalho, cujamãofde-obra
majoritária está representadapor
pessoascom
pouca
qualificação, estas transformações astomam
dispensáveis, contribuindo para a mais grave deterioraçãodo
sentimentode
auto-estimahumana,
que
éo
do
seu reconhecimento social.'
O
Brasil,como
qualquer outro paísdo
mundo,
vive esta situaçãodrástica,
com
privatizações, terceirizaçõesde
serviçosou
subcontratações, contratopor
tempo
determinado, flexibilização, robótica, extinçãode
profissões entre outras.Telles (1996: 96)
nos
colocaque “além
da
degradação das
condiçõesde
trabalho e deteriorizaçãode padrões
salariais,uma
segmentação
jurídicajoga
para toda a população, pois exige pessoas mais preparadas, mais qualificadas para
atuarem
no
mercado
de trabalho, ocorrendocom
issouma
grande disputa entre os profissionais, estando na frentesempre o que
tivermelhor
preparado. Para tanto,o
papel
do
Estado eda
sociedadena
resolução de questões sociais engendradas nestecontexto
vem
sendo amplamente
discutidos nos últimos tempos, buscando, esta sociedade, exercer o direito poruma
vida cidadã de inclusão social.Nesta
direção, a luta por trabalhadores qualificados e conscientesda
situação sócio-política vigente a organização comunitária popular representa
um
espaço de relevância,
no
sentido de articular os sujeitos sociaisno
coletivo,formando
privilegiadamente grupos,bem
como
trabalhar as potencialidadesdo
desenvolvimento
sócio-humano econômico
local.A
idéiado
trabalhoem
grupo seriauma
das alternativas de ação e dereflexão no
coletivo,de forma
solidária,valorizando e resgatando a identidade sócio cultural dos sujeitos. i
A
trajetóriaque
a sociedade civilvem
fazendono
resgate a cidadania,deixa claro
que
esta cidadania estáem
construção e lentamente assistimos ocorrênciasde
sua ampliação,que
muito diz sobre as organizações das classes populares, as quaissofrem
processos contínuos de exclusão,no
dizerde
Joséde
/S<›ÊMartins, de
“inclusões indecente”na
nossa sociedade.Nessa
perspectiva,entendemos que
a nossa atuação juntoa
organizaçãopúblicas, referendadas nas políticas de trabalho e geração de renda
no
âmbitodo
projetoCPP.
Mediante
essa situação,o
trabalhoque
ora apresentamos, é frutodo
processo de
formação
acadêmica/profissional, realizado junto ao projeto“Centro de
Profissionalização Popular”-
CPP
-,como
estágio curricularde
Serviço Social edesenvolvido
no
Núcleo de Estudos
em
Serviço Social e Organização Popular,vinculado ao
Departamento de
Serviço Socialda
Universidade Federal de SantaCatarina,
no
período deMarço-de
1997
aOutubro
de 1998. VA
vontade de expressar, atravésda
escrita,a
práticado
Serviço Social,atende vários questionamentos
que
são levantadosem
tornodo
“o quê
fazo
Assistente Socialna
áreade organização
comunitáriapopular
"?1
`
Sendo
o
ProjetoCPP
desenvolvidoem
áreasempobrecidas da
cidade,com
projetosde
geraçãode
renda, qualificar as lideranças comunitárias paraque
pudessem
iralém
do que
estavasendo
feitono
espaço local.Assim,
buscamos
descrever a trajetória realizada junto as lideranças comunitárias
no Saco
Grande
II,no
curso“Agentes
Comunitários de
Empreendimento
Produtivos”
eno “grupo
de
lideranças local”.P
_,
O
traballio, parauma
melhor
compreensão, divide-seem
dois capítulos:No
primeiro capítulo, primeira parte,procuramos
descrever o cenárioda
universidade públicado
nosso
país e a participaçãoda
população, nestauniversidade,
na
atual conjuntura nacional,bem
como
o projetodo
BIRD
que
prevêa transformação destas
em
organizações sociais.Buscamos
ainda,na
segunda
partedo
primeiro capítulo, estabelecer alguns pontos parauma
agenda da
participaçãopopular, levantando para discussão alguns questionamentos sobre: autonomia,
cidadania,
democracia
e cultura popular.No
segundo
capítulo, inicialmente, tratamosda
universidadeno
convênio
UFSC/CPP
e a organização comunitária, enum
segundo
momento,
damos
maior ênfase a sistematização, passo-a-passo,
da
prática realizada juntoao
grupode
lideranças comunitáriasdo Saco Grande
II, desde a discussão inicialdo
curso juntoa
equipe interdisciplinardo
projetoUFSC/CPP
até a realizaçãodos
cursosde
qualificação profissional, resultado
da
pesquisa realizadana comunidade.
Goulart (1997: 6)
nos
coloca que:`S
“a posição dos profissionais de Serviço Social deve ser de
compromisso social, de construção de
um
projeto civilimtório,onde a questão social deixe de ser compreendida apenas
como
assistencialismo e simum
direito político”..
Assim, percebemos
a relevânciada
inserçãodo
ServiçoSocial neste
curso, pois é
uma
conquista de espaço profissional ede
grande contribuição para a sociedade.Desejamos
que o
presente trabalhovenha
contribuir parauma
reflexão
contexto das políticas públicas e
na busca
de altemativas parauma
melhor
qualidadede vida
da população que
se encontradesempregada
ou
subempregada
e aquelesque
não
serão mais incluídos nas várias questões, principalmenteno
mundo
do
trabalho,em
funçãode
questõescomo
ade
tecnologias sofisticadas.Bem
sabemos
que o
ProjetoCPP
não
vai acabarcom
a pobreza,no
entanto, poderá possibilitar
um
fazer diferenteno
cotidianodos
sujeitos sociais dascomunidades
participantes. '_.
.
CAPÍTULO
I -COMPREENDENDO
UM
cENÁRIOz
PARTICIPAÇÃO
E UNIvERsn)ADE
PÚBLICA.
Desejamos
iniciar essa reflexão fazendo a seguinte pergunta: qual éo
cenário
que
está posto hojena Universidade Pública do
nosso pais?As
primeirasimpressões
nos dão
contade
uma
situaçãoque
vaitomando
visivelalgumas
respostas às inadequadas condições das salas de aula, quanto ao seu conforto ambiental e condições para
O uso adequado
de material didático.Na
biblioteca, éinsuficiente
O
número
de livros para atender a quantidadede
alunosque
delesnecessitam e ainda, constantemente é preciso saber lidar
com
anão
aquisiçãode
volumes
fundamentaisà
formação
profissionalda
atualidade.Nos
laboratórios,professores, alunos e fimcionários
de
apoiodeparam-se
com
a
faltade manutenção
e matériaprima
insuficiete. ~,
V
Estas são
algumas
questõesque expressam
a criseda
universidade pública (de direito público),cada vez mais
ameaçado
face àsnovas
regras impostaspela
Reforma do
Estado brasileiro, pelomercado
nacional e intemacional.É
no
âmbitodo
projetode
privatizaçõesde
setores públicosfimdamentais
em
processode
consolidaçãono
Brasil,que
a criseda
universidadepública se situa.
Este projeto prevê a transfonnação das Universidades Públicas
em
Organizações Sociais,sendo que
asnormas
e regras serão impostas peloBIRD,
que
exige
do
Governo
brasileiroenxugamento
dos gastos públicos, principalmentena
área social, para concessãode
empréstimos ao país.Segundo
o artigo l°,da
Medida
Provisória
de 09 de Outubro
de 1997,'
“O
Poder Executivo poderá qualificarcomo
organizações sociais pessoas jurídicas de direito privado,sem
fins lucrativos, cujas atividades sejam de proteção e preservação do meio ambiente, à cultura e à saúde, atendidas aos requesitos previstos nesta medida provisória” (BRASIL, 1997: 22836).Tais_ regras atingem, principalmente,
as
universidades públicasbrasileiras e
têm
quatro premissas básicas: _9 '
'_
V
0
Maior
diversificaçãodos
tiposde
instituição: neste sentidoo
BIRD
classifica
em
3 formas institucionais:V
a) sistema estatal
não
diferenciado ( só universidades estatais);b) sistema estatal diferenciado (universidades
mais
instituiçõesnão
universitárias);
c) sistema estatal e privado diferenciado.
“Desse modo, o
BIRD
propõe o incentivo às instituições privadas, através deuma
regulamentação apropriada como, por exemplo, não controlar os preços das mensalidades ouestabelecer subsídios do Estado a essas instituições, justificando que estes últimos são menos onerosos para os
cofies públicos do que fazer novos investimentos nas
universidades públicas”. (Plural, 1997. 17).
o Diversificação
das
fontesde financiamento das
instituições públicasde
.ensino superior: estas fontes de recursos
não
oficiaisdevem
serde
3 formas:a) ensino pago;
b)
doação de
ex-aluno e de empresas;c) incentivos a atividades universitárias
que
gerem
renda.Nestas
situações, o primeiro caso seriado pagamento, por
partedos
alunos, de matrículas e mensalidades,
de
talforma que
possibilitem a obtençãode
25%
a30%
do
totalde
recursos gastospor
estudante. Jáno segtmdo
caso, asdoações de
ex-alunos eda
iniciativa privadadevem
ser estirnulados atravésde
incentivos tributários,
como
éo
caso dos Estados Unidos,por
fim
deveriam
serdesenvolvidas atividades
que pudessem_
gerar renda nas. instituições públicas, taiscomo:
cursos, consultoria e pesquisasencomendadas
por
empresas./`
_
~
0 Redifinição
da
função
do Estado no
que
concerne ao
ensino superior:Neste ponto
a questão central“é a da autonomia e financiarnento das instituições públicas, através da descentralização da administração e gerenciamneto
eficiente dos recursos,
com
liberdade para estas instituições decobranças das matrículas e mensalidades; contratação de professores e determinação de seus salários l
(
oferecidas, etc. Tudo isso, de acordo
com
as tendênciasapontadas pelo mercado,
em
geral o mercado de trabalho,em
particular”(PLURAL,
1997 .l9).â
ó
Adoção
da
políticade qualidade
eequidade:
na
óticado
BIRD,
a
melhoriada
qualidade
do
ensino superior e oaumento
do
número
de
vagaspode
ser obtidose ' ° 19 i
' '
d
com pouco
ou
nenhum
aumento do
gasto publico ,onde
um
numero
maior
eestudantes teria acesso
ao
ensino superior,sem
aumentar os recursosorçamentários.
Assim, a
avaliaçãodo desempenho
da
universidade eda
criaçãodos centros
de
excelência e adaptabilidadedo
ensino, pesquisa e extensão,atendendo as
normas
do
mercado, seriam pontos centrais parao
ensino superior.No
que
se refere à qualidadedo
ensino,o
documento reconhece a
necessidade
de
professoresbem
qualificados e motivados,com
melhores condiçõesde
trabalho, redes informatizadas,de
ficil acessoa
todos, sendo estes, fatorespreponderante
no desempenho
acadêmico.Neste
sentido,a
universidade passa avislumbrar
somente o mercado,
submetendo-se àsnormas
competitivas impostas pelas necessidadesdo
lucro edo
capital.Segundo
Bresser Pereira (1997), todas asuniversidades são organizações Públicas
não
estatais.Mas
precisamos analisaruma
questão e essa parece-nos ser
a
principal: 'a cultura '..
No
Brasilnão possuímos
aindauma
cultura
de empresas
e ex-alunoscultural
que deve
ser levadaem
contaquando
se pretende avaliar as reais possibilidadesdo modelo
de
organizações sociais ”( D'Olivei1a: 1998. 65)Perante
o que
foi exposto sobreo
futuro das universidades públicasdo
nosso país,
somos
levados a questionaralgums
pontos,.como, por
exemplo:quem
terá acesso a este ensino superior? pois
sabemos que
muitos alunosque
aindaestudam
em
universidades públicas, hoje,não
têm
condiçõesde pagar
uma
universidade particular.
Questionamos o
sentidode
termosuma
instituiçãoque
somente forme
mão
de obra para atendero
mercado,sem
pensarem
formarmos
críticos,
ou
melhor, intelectuaisque
pensem
a realidade' eproponham mudanças
na
sociedade.
Vivemos
em
um
paisde
grandes desigualdades sociais, onde,50%
mais
pobres
ficam
com
apenas10%
da
renda, enquanto os5%
maisricos
recebem
20%
dela.
Não
se trataapenas da
desigualdadena
renda,que
está posta a« nossosolhos,
o que nos preocupa
eque
afeta diretamenteo
ensino públicodo
qual trata esteponto
éa
questãoda
dívida externa brasileira, a qualpagamos
38
bilhõesde
dólares,que equivalem a
4,5%
do
PIB
nacional, enquanto este cresceu apenas1,5%
nesteúltimo ano.
Outro dado que nos preocupa
éque
63%
das privatizações ocorridasno
Brasilforam compradas por empresas
estrangeirasque
aqui se instalaram. (“ProjetoÚ
l
A
partir dessesdados
alarmantes, paraum
governoque não
tem
interese
em
ser criticado,ou
melhor, questionado decomo
está a 'situaçãodo
Brasil,é
melhor
formarmassa
trabalhadorado que
pessoas pensantes para proporaltemativas de
mudanças
parao
país.O
projetodo
Bancolyíundialvem
sendo
postoem
prática etem
como
principal objetivo“redefinir o papel do ensino universitário, e principalmente, descaracterizar (ou desmantelar) a Universidade,
como
locusde reflexão de produção do conhecimento científico, de forma
autonoma e livre,
como
sempre foi o sentido do ensinoacadêmico e universalizante”( Plural, 1998.26).
A
nova
LDB
da
educação,também,
vem
afirmaratravés da
Lein
.°9.394/96,
no
seu art. 43-que a educação
superiortem
por
finalidade principal:_ I - estimular
a
criação cultural eo desenvolvimento
do
espíritocientifico e
do pensamento
reflexivo; “II -
formar
diplomados
nas
diferentesáreas de conhecimento,
aptospara
a
inserçãoem
setores profissionais epara a
participaçãono
desenvolvimento
da
sociedade
brasileira, ecolaborar
na
sua
formação
continua;III - incentivar
o
trabalhode
pesquisa e investigação científica,il
criação e difusão
da
cultura, e, dessemodo,
desenvolver
o
entendimento
do
homem
edo meio
em
que
vive. '_
Estes três pontos, entre outros, são
de maior
relevância, eque precisam
ser discutidos para
entendermos o que
está acontecendo e qual é realmenteo
papelda
universidade públicado
nosso
país. -Mas,
o
própriogovemo
brasileiro questiona a universidade pública,divulgando informações
que
são frequentemente deturpadas e incorretas.Não
podemos
perderde
vistaque
90%
das pesquisas cientificas ifeitas hojeno
Brasil sãorealizadas
em
tmiversidades públicas.Segundo
dados
publicados recentemente,no
Jornal Universitáriode
15/ 1 1/98, as universidades públicas federaisabsorvem
cercade
15%
de
todoo
orçamento
para aeducação
brasileira,mas
o
govemo
insisteem
argumentar
que o
ensino superior federal gastade
70 a
80%
de
todas as verbasdo
MEC.
~Para
termosuma
idéia,a
UFSC
sobrevivea mais de
uma
década
com
apenas
4%
dos
recursos para custeiode
gastos operacionais. Esta é questão-que
gera indignação
a
qualquer cidadão brasileiro, poiscom
o
descasoque
o
govemo
vem
tratandoa
educação, principalmente a universidade pública,não há
como
sepensar
um
povo
com
cidadania' e dignidadehumana,
sem
pensarmos
no
básico,que
é a educação.
A
indepemiênciada
nação
brasileira vai continuarcada vez
mais,e este sofre o descaso,
como
está acontecendo atuahnentecom
o ensino públicode
nível superior.Pensar as
contribuiçõesda
universidade pública brasileiraà
sociedade,é
compreender “A
educação,como
sendo
um
dos processos que age
na
sociedade,ou
melhor,-Lum
dos
sistemasde
ação sociaI...”(CALAZANAS
eVLASMAN,
1978.161), '
que melhor
seaproxima da
população,provocando
mudanças
comportamentais e ações
na
sociedade. Assim, aeducação não pode
ser analisadasomente do ponto
de vista pedagógico, éum
sistema global,de
ação social, ligadaaos aspectos econômicos, culturais, políticos,
que
formam
uma
interrelaçãocom
outros subsistemas, e
a
partir dissodefine
sua funçãona
sociedade.Uma
concepção
de educação
nesta direção exige lutas cotidianas, poisa
universidade pública, -nocenário educacional e
econômico que
está posta' atualmente,vem
sofrendo muitocom
os cortes realizados nas verbas, principalmente para bolsasde
estudo,que
condiz
um
totalde
10%
nas verbas destinadas às pesquisas de graduação `e pós-graduação. '
'
Outro
fator a resaltar,'
é
a não da
realizaçãode
concursos paraprofessores e funcionários. Estes, principalmente os professores, são contratados
como
ACTs,
num
períodode
aproximadamente
um
ano
e meio,comprometendo
a qualidadedo
ensino, a realizaçãode
pesquisa ea
extensão,ficando
prejudicada a'deterioração
da remuneraçõe
dos professores. Esses são sinais da privatização dasuniversidades públicas
do
nosso pais“Se a universidade for privatizada, no entanto, a sociedade
vai perder mais do que imagina. Vai lhe ser roubado o direito
- de avançar
em
um
processo de construção da cidadaniaapoiado no desenvolvimento cientifico, tecnológico, social e
político.
A
independência da nação brasileira vai continuarsendo
um
sonho inatingivel.” (Jornal Universitário 15/10/96).A
crise nas universidadesvem
alastrando-sehá
muito tempo, e agrava-se a cada dia
que
passa. Issovem
sendo sustentado faceà
hegemonia da
política neo-liberal,que propõe
a minimizaçãodo
Estado.na
educaçãodo
ensinouniversitário.
Assim,
aceleram-se ações, autoritariamente impostas peloMEC,
que
.ÀLL
inaugura práticas contra a granndadeíido. ensino universitário ( cobrança
de
taxasdos
alunos, pós-graduação paga, encerramento
de
serviçosde produção
e socializaçãodo
saber nas áreasde
pesquisa e extensão, voltadas aossegmentos
empobrecidosda
população e
venda
da sua produção
científico-tecnológicaa
preços de mercado).'/O sistema universitário
no
Brasil é muito recente, possui ,×aproximadamente
80
anos ea média
das universidades brasileiras, tanto públicasz/
como
privadas, éem
tomo
de40
anos./Mas a
luta pelaiautonomianasceu
com
auniversidade
enquanto
instituição,hà
maisou
menos
900, anos referindo-seá
em
relaçãoao
ensino privadoremontam
ao
período colonial, ainda hoje consideradocolônia pelos países
Americanos,
principalmentepor
ser consideradoum
paísde
terceiromundo,
isto é,em
desenvolvimento,com
gritantes diferenças sociais. _Em
meados
do
Século XVIII, as“reformas Pombalinas
da
instruçãopública”,
determinavam
a expulsãodos
jesuítasque
exerciam,na
prática,o
monopólio
do
ensinono
país.No
final dos anos 50, inicia-seuma
campanha
em
prolda
escola pública, imaginava-seum
Estado neutro,que
atuasseacima de
qualquerdiferença de classe social, configurando-se,
com
isso,o
guardião dos interessesda
sociedade
em
seu meio. Saviani `(1986:12)
nos
coloca, a disso,que “a
conclusão
de
que
colocara
educação
soba
tutelado
Estado
constituíaa
estratégiaadequada
para
garantiro
entendimentodas
necessidades brasileiras ”.Neste
sentido, questiona-seo
que
Saviani colocaem
relaçãoao Estado
e
a educação
pública para a sociedade brasileira,buscando compreender
como
asociedade entende este processo. _
A
universidade públicavem
sofrendo fortes críticas 'em relaçãoa
quem
possui acesso
a
ela.As
pessoasque fazem uso da
mesma,
são aquelasna
suamaioria,
que
tiveram condiçõesde
estudarem
escolas particulares e cursinhos pré-vestibulares,
ficando
a
grandemassa
da população
estudandoem
universidadeanalisados, e após dar
um
retorno aos sujeitos envolvidoscomo
uma
trajetórianecessária à construção de projetos
que visem
a melhoriada
situaçãoque
está postae assim, ter
uma
qualidade de vida digna. Oliveira (l986:27 ) nosdá
outra definição~
do que
vem
a ser extensao,“processo de articulação da universidade
com
a sociedade,a partir da devolução do saber e conhecimentos produzidos
em
seu interior, não se restringe à prestação de serviços,
treinamentos e cursos, mas implica
um
contextoem
que asociedade e a universidade buscam contribuir para a elevação
da qualidade de vida dos que estão buscando formação e dos
que têm acesso a essa formação”.
'
Analisando o
que
nos coloca Oliveira, é necessário que a sociedade, principalmente aquelasque
são atendidascom
projetos de extensão universitária,tome
conhecimento do que
está acontecendocom
a universidade públicado nosso
país e faça fi'ente ao projeto de privatização
que
está sendo imposto peloBanco
Mundial,
conforme
já mencionado.As
perdas serão incalculáveis, equem
perdecom
todo esse
desmantelamento da
universidade pública,com
certeza, éuma
camada
mais
pobre
da
sociedade, principalmente aquelas pessoasque
fazem
uso
dosserviços sociais públicos,
como
é o casoda
saúde, assistência jurídica, organização comunitária etambém
estudos e pesquisas realizadosem
comunidades
\,«/ 7 afim
de
proporcionar
uma
melhor
qualidade de vida para seus moradores.Frente a este contexto, a universidade pública,
como
produtora deconhecimentos e
formadora
de cidadãos,deve
contribuir e dar respostas àcomunidade
local/ nacional e internacional, criticamente,não somente
às exigênciasimpostas pelo mercado, mas,
assumindo
a responsabilidade social de ser gestorde
um
saber fazer direcionado paraum
projeto civilizado, ético-humanizador.1.1 - Problematizando a Temática do Público da Universidade Federal de Santa Catarina
A
Universidade Federal de Santa Catarina, localizadana
Capitaldo
Estado de Santa Catarina (Florianópolis),
ocupa
uma
áreade l84.000m2
edificados,e nela
estudam
e trabalham cerca de 20.000 pessoas.A
capital está localizadanuma
Ilha,
comporta
cercade 300.000
mil habitantes etem
como
principal atividade aárea de serviços.
O
ensino superiorda
universidade foi criadoem
18 dedezembro
de
1960, pela Lei 3.849,
no
Governo
do
presidente JuscelinoKubitchek
de Oliveira.Porém
o
ensino superiorde
Santa Catarina teve seu iníciono
ano
de 1955,por
um
grupo
comandado
por José Arthur Boiteux para formaro
Instituto Politécnico,estruturado para atender dois cursos:
O
preparatório (ginasial) e o de especializaçãoem
nível superior.Em
1955
foi fundada aFaculdade
de Serviço Social,mantida
pelaFundação
Vidal Ramos.”A
A
Universidadecumpre
o seu papel junto àcomunidade
atravésda
história ,
no
desenvolvimentoda
sua cultura eda
ciência, elevandoo Estado
eo
Brasil perante as
Nações
Mundiais.Neste
sentido, atende a todos os grausde
ensino,buscando
através da-educação
integral, adequaro
ensino ao potencialdo
aluno,
bem como
da
realidadedo
Estado. Investena educação
pré-escolarde
primeiro,segundo
e terceiro grau,num
ensino público ede
qualidade;`exercendo
assim
um
papel decisivo para apromoção
da
cidadania edo
desenvolvimentoda
sociedade. `
O
tripé marcanteda
universidadecompreende
o ensino, pesquisa e extensão, destacando edesenvolvendo
a cidade e influenciando todoo
Estado. Este~
tripé está
definido na
Constituiçao Federaldo
Brasil de 1988,que
estabeleceno
art.207
que
“As 'Universidades
gozam
de autonomia didático-científica., administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indíssociabilidade entre ensino,pesquisa e extensão” ( Const. Federal, 1989: 117).
p
Quanto a
pesquisa, aUFSC
desenvolve várias linhasem
diversasáreas
do conhecimento
eque
estãoem
benefícioda
sociedade:Curso: Serviço Social Curso:
Enfermagem
Curso: Ciências Sociais'Íd°nÍÍfi°a9ã° de demandas -O processo de viver, ser -Convívio
social, micro-
sócio-assistenciais. . . . ,. _ .
-Políticas sociais públicas e -Saúde e sociedade no Brasil
demandas P°P“Íaf°5- -Cultura e comunicação
-Redes de af¢f1Çã° SÔCÍO' -Empresariado, Estado e
assitenciais da sociedade civil. _
sociedade.
-Sociologia da educação -Sociologia rural
-Sociologia da inovação
*
Dados
coletados: http://www.ufsc.com .br -InternetAtualmente
a universidade oferece37
cursos de graduaçãocom
66
habilitações,
44
cursosde
especialização,28 de
mestrado e 10 de doutorado,com
perspectivas,
de
novos
cursos para ospróximos
anos. Estes cursos são distribuídosem
ll centrosde
ensino,de
três áreas: ciênciasda
saúde,humanas,
e exatas. Junto aisso desenvolve centenas de projetos de pesquisa
que
contribuem decididamente para a melhoriada
qualidadedo
ensino oferecido àcomunidade.
A
sua temáticade formação
e pesquisa engajadacom
a sociedadetem
permitido a
cooperação
efetivacom
várias instituições públicas eempresas
industriais,
além de
contribuir atravésde
seus egressos,com
centros eO
corpo discenteda
UFSC,
vindo das mais diversas regiõesdo
país,possui 1.644 alunos
no
primeiro grau, 16.324na
graduação e 3.163na
pós-graduação (dados de 95).
'
A
maior
parteda
pesquisada
universidadepode
ser classificadacomo
pesquisa científica
ou
fundamental, objetivando amissão
universitária de criar oconhecimento e preservar
o
saber.É
um
fator importante de projeçãodo
conhecimento universitário para a prestação de serviços à
comunidade
em
geral,permitindo se fazer presente
em
váriossegmentos
de atividades sociais. eeconômicas.
Neste
contexto, a Universidadevem
se destacando nacionahnentecomo
a instituição
de
nível superiorque
se desenvolveu muitona
área decooperação
internacional.
Sua
integraçãona comunidade acadêmica de
outros paises, e sua presençano
Universo dasNações,
vem
se concretizando através deum
efetivotrabalho junto aos organismos nacionais e internacionais. Estando a Universidade
inserida entre os setores sociais,
busca
engajar-seno
desenvolvimentohumano
como
fator preponderante
da
sua açãoprincipalmente“com
as bases. populares ecom
ossetores ligados diretamente
à produção
dosmeios de
vida”(Bofi;1998:
66).Os
setores mais popularesda
população,sentem
necessidades deum
saber, seja ele técnico
ou
humano.
É
neste, âmbitoque
a universidade deve atuar socializandoo
seu saber e proporcionar condições paraque
a população participe eneste sentido resgatar o seu caráter de público,
onde
“será servidorada
sociedade, 1e
não apenas
daqueles privilegiadosque
conseguem
se inscrever nela” (Boff,l998:67).
1.2 - Problematizando a Participação e a Cultura Popular
‹
1.2.1-
A
Temática da Participação Popular AA
categoria “participação”em
nosso' entendertem
muitas formas de ser interpretadas face à visão dehomem
ede
mundo
que
se estruturamna
sociedade
comtemporânea.
Etimologicamente falando, participaçãoVem
de parte, participar é fazer parte,tomar
parteou
ter parte dealguma
coisa.Antes
de maisnada
precisamos entender oporquê
participar. Participaçãoquando
setrata de organização popular,
tem
uma
única conotação de organizâr\e discutir‹ _ z \ \ zzz f____ V f '_ __: fz ______,_._, - V f -f Y V -› -V "H - ff ' V _z'__,__..,_» __ __ f \› ' . 'A
algurna coisa
que
precisa se feito , principahnente _..problemas
que precisam serresolvidos
nos
espaçoñs de participação.gOq_interessepor
participar crescesegundoía
coniunmra
dahrealidade social e se manifesta das variadas formas.A
modernidade
com
as suas grandes transformações culturais,tecnológicas, competitivas e
do
mundo
de trabalho,num
primeiromomento,
fazcom
que
as pessoas se individualizem, semassifiquem
e se automatizem, levando asituações calamitosas de relacionamento.
'
Na
atualidade as consequências desta trajetória revelam sujeitos~
conscientes
me
da
situação, - e que procuram,como
uma
forma
de reaçao, maneirasque
“
_ _ f
_fi~__*
,os
levam
a participação nos grupos e/ouem
seus locais de moradias,__traba1handoC ~ ~
coletivamente.
Essa
participacao coletiva oportuniza . a construçaode
uma
.f""`___`_`~_`_.~"“`__ “ > Mø'-',“l.____,__,.---››-f-"'^ "-°'"-°“ Í.. V `¬__"""' _..- _._.¬-___.‹..._..._,...-..-.-.,.-.v..z...¬¬.< ,¬_...,_._._ _-democracia
participativa,em
que
se universaliza equitativamente direitosde
f°¶
__ ~ Y*-W "“' "'"""“" ~ f›~ ,__,
W
_ _2'
participar, opinar, sugerir e discutir direitos e deveres
que
devem
ser vivenciadasf. ' nl/_‹___....«-z-^-“'“""'A '
7
-...___ Ú _' vz _ _ ' ______._.----'" K., ~ -"'' pelos participantes. ..Para
entendermos
essa questão é necessário expressarmoso
quinto“
princípio
do
Código de
Éticado
Assistente Social .(1996:190),que
coloca“o posicionamento
em
favor
da
eqüidade e justiça social,de
modo
a
assegurar
a
'universalidade
de
acesso aos bens e serviços relativosaos
programas
'e políticas sociais,bem como
sua
gestão democrática”.Bordenave (1986
:8)afirma
dizendo~37
que
“democracia
éum
estadode
participacaoO
uso constanteda
palavra participação, revela a aspiração, de algunssetores da- população, para
assumirem cada vez
maiso
controledo
seu própriodestino.
A
A
participação, paramelhor
entendermos, inspiracomo
uma
lutaÍ” necessária a construção
de
uma
melhor
qualidadede
vida, isto é,o
espaçoque
instrumentaliza os individuos para a ação coletiva e consequentemente efetiva
o
.
vz.
¬ direito
da
cidadania.Bordenave
(l986:14) nos colocaque “a
participaçãopopular
ea
descentralização
das
decisõesmostram-se
como
caminhos mais adequados
para
en
.entar osP
roblemas
aves ecom
lexosdos
aísesem
desenvolvimento”.A
partir
da
colocação deste autorpodemos
entenderque
a participaçãonão
éapenas
um
instrumento para resolvermos osproblemas da
população,mas
sobretudouma
necessidade fundamentaldo
serhumano
parapoder
se desenvolver e fazer parteda
sociedade.
A
participação éo caminho
natural parao
homem
manifestar sua tendência inatade
realizar, fazer coisas, afirmar-se a si.mesmo
edominar
a naturezae o
mimdo
em
seu favor.Heidemann
fazum
alertaem
relaçãoà
participação, poispode
vir a seruma
forma de dominação de
quem
detem
o poder
em
relação aosgrupos populares.
A
partir disso colocaque
“a participação, quando é resultado da conquista e da luta
dos movimentos populares, constituiu-se
num
verdadeiro'
exercicio de construção da cidadania, embora perceba,-se que,
na maioria das vezes, a participação serve para legitimar interesses de grupos dominantes, que se utilizam de
mecanismos de cooptação para poder reconhecer a sua
domirmção e dificultar a mobilização popular” ( Heidemann,
1994: 10).
.
Neste
sentido a participaçãopode
ser entendida de duas formas:uma
como
base efetiva ,em
que
participamosporque
sentimos prazerem
fazer coisasos outros
produz
muitomais
resultado e qualidadedo
que
fazê-las sozinho.O
ponto›.
central da participação
não
éo
quanto setoma
parte,mas como
setoma
parteda
situação
em
movimento
-A
participação é essencial à natureza socialdo
homem,
tendoacompanhado
sua evoluçãodesde
suaorigem
até os dias atuaisz Portanto,o
homem
é por natureza
um
ser participativo eque
não
pode
sobreviver isolado do.meio
onde
vive. Assim, para
entendermos
um
pouco
sobre participaçãonos
processosdecisórios
da
organização comunitária, é necessárioentendermos
como
as pessoas interagem neste processo,como
elasvão
participando, engajando-seno
desenrolarde
todauma
organização, tantoem
nível microcomo
macro. Nível micro,segundo
Bordenave, é
a
família e as associações, e nívelmacro
vai mais além, intervém naslutas sociais,
econômicas
e políticasde
seu tempo.Pode-se aqui
começar
a levantar questões quanto àforma de
participação das lideranças
do
bairroSaco
Grande
H,em
Florianópolis.A
realidade vivenciada, eque
ora enfoco,imprime o
esforço realizado pelas liderançasna
busca
de
um
entendimento e assimilação daquiloque
a realidade apresenta nasdimensões
sociais, políticas e culturais,
sendo
asmesmas
imbrincadas“na
sociedadepor
uma
engrenagem
de
estruturas econômicas.”(O'Gorman,
198l:28).O
seu processo--¬
coletivas, para
um
nivelmacro
que
envolveum
número
maior de
associações eo
espaço de intervenção é mais amplo.
A
cada
nível,o
movimento
de participação será diferente.A
dinâmica
da` micro-participação é diferente -da dinâmica
da
macro-participação..Cada
indivíduo participa mais intensamente
do
grupoquando o
objetivoda ação
trazbeneficios para sie para os
que o
rodeiam.i
A
participaçãona
organização comunitária, associaçõesde
moradores,movimentos
sociais e outros, consistenum
micro-cosmo, isto é,num
micro
espaçodinâmico
de forma
a representar a própria sociedadeou
nação, e esta participaçãonormalmente
acontece deforma
voltmtária,quando
suas liderançasdispensam do
/tempo de seu traballio, recursos financeiros próprios,
meios
delocomoção
ena
maioria das vezes
privando-sede
horáriosde
lazerou
de estarcom
suas famíliaspara dedicar-se
ao
trabalhoda comunidade.
A
organização comunitária,na
maioria das vezes, possuium
grupo de
lideranças,que
coordena todoo
trabalhoou
um
pequeno
grupoque
estimulaou
sustenta a organização e mobilizaçãodo
grupode
liderançasou
outros .grupos,..masneste caso trata-se especificamente
de
grupode
lideranças,que
interagemmais de
perto
cggi
apopulação
ecom
outros grupos. iNo
entanto, paraque
hajauma
participação efetiva é necessárioque
hajauma
sensibilização euma
mobilização dos sujeitosem
tomo
de. algoque
precisaser feito.
Dessa
forma, possibilita-seuma
conscientizaç__ã_g__ das___W_dem~e_11_1g1,as,x~
Ar 'W_ _.;,_,___,z--f~“"""""
imprimindo o fazer
na
dinâmicado
pensar, criando assimeuma
identidadede
grupo't , ._...¢-›‹
.l__.¬._.._.-'
"
_ ..-..«‹ ‹-'^'“""' """""”°--›-- .r...,_._,.
_ _.. _..-_z---›‹ ~z .-_ ._ ..._ ., _ ...«..._ ~f¬'
caracterizada___tar_nbem
como
fazer coletivo apartir das experiências-e.-das-expressõesÍ __ _ _¬ ___... _. ._ ....-.... __..-¬¬...,._,._.. _._.._-...-..._...._...a...__..-. .J-,_.,.-~ ._ \»›.».~...,..-.._..-~«_,›¬-¬‹-f- .‹‹-_..._. ______,________,_,,___,____ ...--¬._- _ `."°""""'\_ Pâlèularesrrra _ V '
Bordenave
( 198o: 59).colocaque
“as comunidades populares, longe de serem organismos
estanques, encontram seu sentido no relacionamento
com
isntituições econômicas, sociais, políticas e culturais que
compõe
a sociedade”.Passar
a
entender a participação e a organizaçãocomo uma
lutanecessária
à
construçãode
uma
melhor
qualidade de vida, énão
deixarde
insistirem
buscar suas fontes próprias e legítimas, as quais constituem
o
terreno*da
participação, isto é, oespaço que
instrumentaliza os indivíduos paraa
ação coletivae
consequentemente
efetivao
direito' à cidadania. -'
A
categoriacomunidade
écompreendida
no
contextodo
presentetrabalho,
segundo
Heidemann
(1994: 9)como
o localem
que
se concretizam asrelações entre os indivíduos, a partir destas relações
constróem
as suas açõescoletivas.
Neste
sentido, acomunidade
aparececomo
espaço
importante parao
desenvolvimento
do
homem
e a participação acontecequando
existem interesses eaumenta quando há
interferênciade
instituiçõesque
ajudam a comunidade a
resolverseus problemas,
melhorando o
acesso aos recursos e utilizando osmecanismos
próprios
da comunidade,
ou
também
em
alguns casos a instituiçãopode
obscurecero
trabalhoda comunidade, impedindo que
este aconteça.'
Neste
caso, a instituiçãoque
interferena comunidade
para ajudar aresolver os
problemas
é a universidade,que
presta seus serviços junto àpopulação
através de projetos de extensão e
de
estágios 'curricularesde
seus alunos, paraque
essa possa vir
a
desenvolver-se e passara
teruma
melhor
qlfalidade de vida .Esta participação
não
sedá de forma
individual entre as lideranças e a universidade.Em
decorrência sociabilidade das lutas, ela .passaa
setomar
coletiva, isto quer dizer,
que
“os laçosde
solidariedadeque
surgem quando
aspessoas
seagrupam
para
criar* redesde
transportesou
sistemasde
esgotos ecoleta
de
lixo lhesdá
um
poder
coletivo ” (Wolf, 1992: 28).Pode-se
então dizerque
vaisendo
contituido“um
sentido de sujeito coletivo, entendido no âmbito da.
;
coletividade,
em
que se esboçauma
identidade e se orgnizam1 práticas através das quais seus membros buscam
defender
"« interesses e- expressar -suas vontades, constituindo-se nestas
l\ lutas”.( Sader: 1988 .55)
Finalmente
compreende-se
a participaçãocomo
um
processoque
seexpressa
no
cotidianoda
dinâmicada
sociedade,em
que
supõe-seo reconhecimento
das necessidade básicas