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Zero, 1987, jul.

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(1)

FLORIANÓPOLIS,

JULHO

DE

1987

Você

quer

assinar

'esta

carta?

Se

você é

contra:

/obbies,

o

monopólio

das

comunicações,

a

censura,

as

concessões

clientelistas de

canais

...

Assine

a

proposta

de

dispositivo

constitucional dos

profissionais

de

comunicação.

A

liberdade

de

expressão

agradece

Na

página

dois -, , __

�BOG.S.

Quatro

visões

de

um

problema

eterno

Na central

TomMix

inspira

combate

aos

tóxicos

(2)

ZERO

Jornal laboratório do Cur­

so de Comunicação Social

da Universidade Federal de

SantaCatarina

Edição

e

supervisão:

Professores

Henrique

Finco,

Sonia Maluf e Ricardo Bar­ reto

Textos:DauroVeras, Ma­ ria Cristina Yoshizato, Moni­

que Van Dressen, Denise

Bezerra, Caê G. de Castro,

Paula Remísio,Carlos Loca­

telli, Maria Teresa Cordeiro,

Milene Corrêa, Francisco

Lins, Clarissa Santos, Ana

Lavratti, Rubens Chaves

Vargas

e AnalúZidko

Fotografia:

Carlos Au­

gusto Locatelli

Ilustração: FrankMaia

Diagramação:

Carol Pe­

reira, MoniqueVanDressen,

Ney

Pacheco, Ivan Santos,

Marcos Cardoso e Simone

Müller

Edição

gráfica:

Ricardo Barreto

Montagem: Vauremberg

Composição

e

impres­

são:

Empresa

Editora O ESTADO

Correspondência: Caixa

Postal 472,

Departamento

de

Comunicação

e

Expres­

são, Curso de Jornalismo, Florianópolis, SC

Telefone:

(0482)

33-9215 Telex: (0482) 240 BR

Distribuição gratuita

Circulação

diriqida

àutilizaçao gratuitada impren­

sa, do rádioe datelevisão, se­

gundo critérios a serem defini­

dospor lei.

Art.

-É garantidoa qualquer

cidadãoou entidades, odireito deresposta, naforma dalei.

Art.

-Nosperíodoseleitorais

ospartidostêmdireitoatempos

deutilizaçãodorádioedatelevi­ são, regulares equitativos, na

formada lei. Art.- Todocidadãotemdirei­

to, sem restrições de qualquer

natureza, inclusive do Estado,

à liberdadedeopiniãoeexpres­

são e este direito inclui a liber­ dade de procurar, receber e

transmitir informações e idéias

porqualquermeio. Art.

-Aos cidadãos, através

deinstituiçõesr�presentativasé

asseguradoo direitode partici­

pardadefiniçãodaspolíticasde

comunicação.

Art. - A

comunicação deve

estar a serviço do desenvolvi­ mentointegraldaNação,da eli­

minação das desigualdades e

injustiças e da independência

econômica,políticaeculturaldo

povobrasileiro. Art. - A

imprensa, o rádio, a

televisão, osserviços detrans­ missãodeimagens,sons eda­

dos por qualquer meio, serão

reguladosporlei,atendendo às

suas funções sociais e tendo

por objetivo a consecução de

políticasdemocráticasdecomu­

nicaçãonoPaís. Art.- Ficadefinido

queos ser­

viçosdetelecomunicaçõesede

comunicaçãopostalsão mono­

pólio estatal,tendocomoprincí­

piooatendimentoigualatodos. II - Da natureza dosVeícu­

losdeComunicação

Art.- Osveículosdecomuni­

cação, inclusive os meios im­

pressos, serão explorados por

fundações ou sociedades sem

fins lucrativos. Art. - A

administração e a

orientaçãointelectualoucomer­

ciai das pessoasjurídicas men­

cionadasnesteartigosãopriva­

tivasdebrasileiros natos.

III - Do Conselho Nacional

deComunicação

Art.- FicainstituídooConse­

lho Nacional de Comunicação,

com competênciapara estabe­ lecer, supervisionare fiscalizar

políticas nacionaise comunica­

ção, abrangendo as áreas de

imprensa, radio,televisãoe ser­

viços de transmissão de ima­

gens, sons e dados por qual­

quermeio.

Art.

-Compete ao Conselho

Nacional deComunicaçãoa ou­

torga, renovação e revogação

dasautorizaçõeseconcessões parausodefrequênciaecanais

de rádioe televisão e serviços

de transmissão de imagens,

sons e dados por qualquer

meio.

Art. - O Conselho Nacional

de Comunicação é composto

por 15(quinze)brasileiros natos

em pleno exercício de seus

di-listas credenciados ao terceiro andar do Palácio do Planalto.

As pressões não se limitaram às estações do governo, mas

também a emissoras privadas,

visando principalmente os pro­

gramasde debatespolíticos.

A Federação Nacional dos Jornalistas, atravésdeseu pre­

sidente ArmandoRollemberg,e

Carlos Max Torres, presidente

do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Fede­

ral, enviaramumtelexaopresi­

denteSarney exigindoofim da

censura. Notexto,asentidades

relatamcasos como Odojorna­

lista Carlos Chagas, que teve

sua participação no programa

Jornal da Constituinte vetada

reitoscivis, sendo2(dois)repre­

sentantesdeentidades empre­

sariais,5(cinco)representantes

deentidadesrepresentativasde

profissionaisdaárea decomu­

nicação, 7 (sete) representan­

tes de entidades decategorias

profissionaisedesetores popu­

larese 1 (um) representantede

instituiçãouniversitária.

Art. - As entidades

integran­

tes do Conselho Nacional de

Comunicação serão designa­

das pelo Congresso Nacional,

para mandatode2 (dois)anos

observadooprevistoem lei. Art. - Os

representantes.das

entidades integrantes do Con­

selho Nacional de Comunica­

ção não poderão exercermais

deum mandato consecutivo.

Art.- Paraviabilizarodesem­ penhodasfunçõesdo Conselho

Nacional de Comunicação, a

União destinará ao órgão uma

parcela da arrecadação de im­

postosetaxasprevistosem lei.

Art. - O Conselho Nacional

de Comunicação poderá fazer

repasses doseuorçamentoaos

órgãosdeexecuçãoefiscaliza­

çãoque, naformada lei,forem

criados para implementarsuas

decisões.

Art.

-Ficam criadas as se­

ções estaduais do Conselho

Nacional de Comunicação, em

cada unidadedaFederação,in­

tegradaspor 15 (quinze) brasi­

leiros natos em plenoexercício

deseusdireitoscivis,indicados

por entidades da mesmanatu­

rezadas integrantesdo Conse­ lho Nacional, a serem designa­

daspelasAssembléias Legisla­

tivas paraum mandato de dois

anos.

Art.

-Competeàsseçõeses­

taduais do C.N. deC.,asuper­ visão e fiscalização da execu­

ção das políticas decomunica­

çãoemâmbitoregional. Art. - A lei

regulamentaráas

atribuições e o funcionamento

do C. N. de C., bem como os

critérios dafunçãosocialeética

dorádioe datelevisão. IV - Da Democratização e

Acesso aos Veículos de Co­

municação

Art. - Em cada órgãode im­

prensa, rádio e televisão será

constituído umConselhoEdito­

rial,commembroseleitospelos

profissionais de comunicação,

imcumbidode definiralinhade

atuaçãodoveículo. Art.- Os

partidospolíticos,as

organizações sindicais. profis­

sionais epopulares, tem direito

pelo presidente da Raiobrás.

Sob o tema notleia afavor, os

debates foram proibidos pela Radiobrás, que, inclusive, res­

cindiu ocontrato que mantinha

com a Apoio'Vídeo, produtora

do JornaldaConstituinte. A TV

Educativa não foi poupada, e seuprogramade debates 1987, foi suspenso por ordem direta do ministro daEducação,Jorge

Bornhausen. Outra denúncia

relatada do telex, foi a de que oprogramaOpiniãoPública,da

TV Brasília, cancelou uma en­

trevista programadacom oge­

neral Andrada Serpa, cedendo

aameaças de cortena publici­

dade,feitas diretamentepeloti­ tular da Secretaria de Com

uni-Liberdade

de

expressão!

V- Dos ServiçosdeRadio­

difusão. Art.

-Dependem de conces­

são ou autorização da União,

outorgadasemcaráterprecário,

atraves do C. N. deC., atendi­

das ascondições previstas em

lei: & - O uso de freqüência de rádioetelevisão. § - A instalaçãoe ofunciona­

mentode televisão direcional e

por meio decabo.

§

-Ainstalaçãoe ofunciona­ mento de outros serviços de

transmissão de imagens, sons e dadosporqualquermeio.

§ - A retransmissão pública,

no território nacional, de rádio,

televisão edadosviasatélite.

Art.

-O Conselho Nacional de Comunicação mandará pu­

blicar, anualmente, as freqüên­

ciasdisponíveisemcadaunida­ de da federaçãe qualquerum

poderáprovocaralicitação.

Art.

-As concessõesouauto­

rizações só poderão ser sus­

pensas por sentença fundada

eminfraçãodefinidaemlei,que

regulará odireito àrenovação.

Art.- Comafinalidade deim­ pedir a concentração de pro­

priedadedos meios de comuni­

cação,fica estabelecido queca­

da concessionáriopoderáserti­ tular de apenas uma autoriza­

ção ou concessão paraexecu­

çãode serviçode rádio, televi­

são e serviços de transmissão de imagens, sons e dados por

qualquermeio.

Art.- Os concessionários que

acumularemmaisdeumaauto­

rizaçãoouconcessãoparaexe­

cução de serviço de radiodifu­

são deverão optarpela execu­

çãodeumdosserviçosobjetos

de autorização ou concessão, devendoos demais ficardispo­

níveis para redistribuição atra­ vésde licitaçãopública.

Art.- Fica vedadoo controle

indiretodasautorizaçõese con­

cessões paraexecução deser­

viçosderadiodifusão por tercei­

rose concessão.

cação Social daAdministração

Federal. Ojornalista Mino Car­ ta, daTVRecord, numaatitude

de coragem e dignidade profis­

sional, demitiu-se ao ser infor­

mado das pressões feitas por

Antonio Carlos Magalhães, mi­ nistrodasComunicações,junto

àdireçãoda empresa, paracen­ surar oprogramaJogodeCar­

tas poreledirigido.

O texto finaliza condenando

asatitudesdosfalsosjornalistas

que se travestem de censores eexigeumatotaltransparência

dos atos governamentais, con­

diçãobásicaparaademocracia

quetodosqueremverinstaura­

danopaís.

P 2

.

ZERO.

,--

J.U�HO

87

FENAJ

protesta

contra

a censura

.

É

o

que quer

o

País:

ampla

e

irrestrita

"A democratização dos

meiosdecomunicaçãoécondi­

ção fundamental para a cons­

trução de um regime efetiva­

mente democrático no Brasil,

emqueos diversossegmentos

dasociedade, independentede

suas convicções políticas, pos­

sam livremente se expressar.

Queremosgarantiropluralismo epreservaradiversidade cultu­

ral. Queremospôrfimàcensu­

ra, inclusive àquela determina­

dapelos donos dosjornais, re­

vistas, rádiosetelevisões.Que­

remos que a informação deixe

de ser tratada como se fosse

uma mercadoriae passea ser

encaradacomo um bem social.

Queremos que a liberdade de

expressãonoBrasil nãoselimi­ te àliberdade queosempresá­

rios decomunicaçãotêm dede­

fenderseus próprios pontosde

vista. Queremosgarantiro am­

plo acesso aosveículos de co­

municaçãoe a participaçãodi­

reta dos setoresorganizadosda

sociedade civil na definição de

umapolíticademocrática deco­

rnunicação".

E assimqueaFederaçãoNa­

cionaldosJornalistas(Fenaj)in­ troduz sua proposta de dispo­

sitivo constitucional, apoiada

por diversas entidades repre­ sentativas da sociedade, que

dispõesobre"odireito àcomu­

nicação, a naturezae o acesso aosveículos decomunicaçãoe

criaoConselho NacionaldeCo­

municação". A proposta intro­

duzida em parte, no relato da

subcomissão, necessita agora doapoio da sociedadecivil, re­

presentada na campanha de

assinaturas que lançamos aqui

paraserenviada à Assembléia

Nacional Constituinte atéospri­

meirosdias de agosto. Em Flo­

rianópolisvocêpodeprocurara

lista no Curso de Jornalismo

(UFSC). A seguir transcreve­

mos a íntegra da proposta de

dispositivoconstitucional: 1- Dodireito àcomunicação

Art. - A

comunicação é um

bem social e um direito funda­ mentaida pessoa humana e a

garantia de sua viabilização é

uma responsabilidadedo Esta­

do.

CARLOS

LOCATELLI

Utilizando mecanismos da di­ taduramilitar,ogovernofederal

vem coibindo otrabalho da im­ prensanacoberturada Assem­ bléia Nacional Constituinte. A

censura voltou comforça total, impedindo entrevistas, dificul­ tando o trânsito de jornalistas

no Palácio do Planaltoe discri­ minando noticiários veiculados

pela Radiobrás e Funtevê. O

próprio presidentedaRepública engajou-se nessa campanha,

(3)

jorna

-.

'IMPRENSA

A

imprensa

doRioGrandedo sulestá atravessandoumacrise bastanteséria, e corre-se o ris­

co do

agravamento

do mono­

pólio

da

informação

nas mãos daRBS

(Rede

Brasil Sul de Co­

municações),

grupo

poderoso

cuja

televisão é afiliada à Rede Globo. Mais de 600

profissio­

nais

foram demitidos

pelas

cinco

principais

empresas

gaú­

chas

-Grupo

CaldasJúnior,Re­

de

Pampa,

RBS, Rede Bandei­

rantese TV Educativa.Asitua­

ção

emPorto

Alegre

é tãograve

que os sindicatos dos

jornalis­

tas, radialistaseadministrativos

-agora transformados em um

sindicatoúnico

-estão

apelando

aos

empresários

eanunciantes desses veículos para que man­

dem

telegramas

aos

proprietá­

rios

exigindo

a

manutenção

da

qualidade

da

programação,

quedisso

depende

a audiência do

público,

e a venda de seus

próprios

produtos

anunciados.

"Só

temos

liberdade

de

empresa"

Lobby

derruba

tentativas

dos

jornalistas

por

uma

imprensa

livre

DAURO VERAS

"O

governador

deMinas Ge­

rais, Newton

Cardoso,

pressio­

noudois

deputados

amudarem

ovoto, para derrubaro

projeto

de

democratização

dos meios de

comunicação

naConstituin­

te", denunciou o

presidente

da

Federação

NacionaldosJorna­

listas

(Fenaj),

Armando Rollem­

berg,

que esteve em Florianó­

polis

nodia2de

junho

aconvite

.

doMovimento de

Oposição

Sin­ dical M.O.S. dos Jornalstas.

Apresentada

à subcomissão

de

comunicação

social da As­ sembléia Constituinte

pela

de­

putada

Cristina Tavares Correia

(PMDB-PE),

a

proposta

é ba­ seada na

seguinte premissa:

a

informação

deveserconsidera­

dacomo um bem

público,

não

devendoser

manipulada

como

mercadoria. O interesse coleti­

vodevese

sobrepor

aointersse

particular.

ele foielaborada

pela

Fenaj

e

pela

FrenteNacionalde

Luta por Políticas Democráticas de

Comunicação,

após ampla

consulta aos vários

segmentos

dasociedadeeà

categoria.

"O

governador

de Minas

ameçaçou os

deputados

fede­ rais Aloísio Vasconcelos e Ro­

berto Vital

(ambos

do PMDB de

MG),

dizendo quese eles não votassem coma o

projeto,

ve­

riam rolar

cabeças

-as suas

mesmo. Com isso modificaram

a

postura

anunciada de

apoio

à

proposta,

eelafoi

derrotada",

disse

Rollemberg.

Elecitoutam­

bém

quatro

constituintes que

votaram'contra, em causa

pró­

pria,

porserem

proprietários

de meios de

comunicação

em

massa: José Elias

(PTB-MLS),

Arnoldo Fioravante

(PDS-SP),

Rita Furtado

(PFL-RO)

e José Carlos Martinez

(PMDB-PR).

ARMA

pOLíTICA

A

proposta

que foi

rejeitada

pela

subcomissão tem basica-'

mentecincopontos. O

primeiro

deles é a

criação

do Conselho Nacional de

Cominicação

So­

cial, com 15

integrantes

oriun­ dos de entidades civis,

desig­

nados

pelo Congresso

Nacio­ nal. EsteConselho teriao man­

dato de doisanose a

atribuição

de definira

política

paraosetor, inclusive

passando

ateraprer­

rogativa

de concedercanais de

Foto/AndréDusek/Agil

Rollemberg:

maisassinaturas rádioetelevisão

-oque atual­

menteé

privilégio

do

presidente

da

República.

"A concessão

tem que deixar de ser moeda de tráfico

político",

diz o

presi­

denteda

Fenaj,

lembrando que

o

presidente

João

Figueiredo,

emseu governo,destinou40% dasconcessões de rádio eTV

do

país

agrupos que poucoou

nadatêmavercom osinteres­

ses

populares.

Um

exemplo

cla­ roé Tarcísio

Maia,

representan­

teda

poderosa oligarquia

Maia,

doRio Grande do Norte. Ele ga­

nhouoito concessõesderádio,

como forma de favorecimento

político.

Outro

ponto

é a desconcen­

tração

da

propriedade

no cam­

po das

comunicações.

Nenhu-mapessoa físicaou

jurídica

po­

deriater aconcessão de mais de uma canal de rádio ou TV.

Isto traria uma série de vanta­

gens,comoocombate à massi­

ficação,

eumamaiorênfaseaos

.valores

regionais,

também dimi-nuindoo

poder

de

manipulação

de

informações.

"Não faz sen­

tido umapessoa do interior de

Pernambucofalarcom sotaque

de

Ipanema",

acha

Rollemberg.

Ele ressalta quea

intenção

não

é

impedir

atrasmissãoemrede - fato inevitáel

em um

país

de

dimensõescontinentaiscomo o

Brasil

-e sim desconcentrar

a

propriedade

nosetor, favore­ cendo as transmissões

regio­

nais.

Sobre as rádios livres, a Fe­

naj

nãotem

posição

oficial,

mas

acredita que,dentrodeumapo­

lítica de

democratização,

é pre­ ciso que a sociedade tenha

acesso a elas. "Isto teria que

ser

regulamentado,

é óbvio. Uma rádio livre funcionandoao

lado de um

aeroporto,

por

exemplo,

poderia

interferir de forma

perigosa

com as opera­

çõs

devôo".

SATÉLITE

O

projeto prevê

a

criação

de conselhos editoriais em todos

os meios de

comunicaçã

de

massa, deforma que os

profis­

sionais da área possam discutir

edeliberarsobea linhado veí­

culo. "Nõ existe liberdade deim­

prensanoBrasil, e simde

em-presa",

diz o

jornalista.

Esses conselhos editoriais ficariam

responsáveis pelo

processo de

produção

edifusãodeinforma­

ção,

impedindo

que a mesma

fosse

manipulada.

Outroitem

importante:

odirei­

to deantena, ou

seja,

a

amplia­

ção

dodireito de

resposta

atodo cidadão que se sinta

atingido

por

informações

divulgadas

por veículos de

comunicação

de

massa. A

resposta

poderta

ser

transmitida da mesma forma,

com omesmo

destaque.

O

quinto

pontoéo

monopólio

estatal dos sistemas

postais,

de

telecomunicações

e de satéli­

tes.

Rollemberg

chamaaaten­

ção

para o fato de que dois

grandes

grupos

-aRedeGlo­ boe oBradesco estão fazendo

manobraspara

conseguir

a

pri­

vatização

do uso dos satélites de

comunicação,

e isto é um

atentado àsegurançanacional.. O

projeto

foi derrotado na

subcomissão de

comunicação,

mas alutaprossegue. A inten­

ção

da

Fenaj

eda Frente é levá­ lo àsruaso mais

rápido

possí­

vel erecolher assinaturas para

reapresentar

proposta

no

plená­

rio daConstituinte.Restaagora

mobilizara

sociedade,

desper­

tandoaspessoas paraa

impor­

tântica vital da

democratização

da

comunicação.

Vamostorcer

para queos

"representares do

povo"

não se

prostituam

mais umavez.

Uma das

providências

mais

radicaisfoitomada

pela

direção

da Caldas Júnior, que edita o

Correiodo Povoe detém a Rá­

dio e a TV Guaíba. O

proprie­

tário,RenatoRibeiro,inovouto­

talmente, reduzindootamanho do centenário Correio doPovo,

que era

standard,

para um ta­

blóidecom16

páginas,

trêscen­

tímetros menorque otamanho

oficial, nas cores azul e preto.

Além disso, iniciou a distribui­

ção

gratuita

de 200 mil exem­

plares

a seus assinantes, e a

metaé

chegar

a um milhão. O Correio do Povo também está sendo vendido em

algumas

bancas,

pela

metade do preço dosoutros

jornais.

Mais de 60

jornalistas já

foram demitidos

com a

mudança,

e os progra­ mas de

produção

local da TV Guaíba - inclusive

os de

jorna­

lismo

-foram extintos. O tele­

jornal

agora se limita à leitura

de telex vindos de

agências

de

A

crise

no

RS

reduz

os

anúncios.

Os

jornais

cortam

as

vagas.

Retorna

o

fantasma

do

monopólio

Correio: agora tablóide

notícias, e

teipes

cedidos

pelo

governo do estado.

A Rede

Pampa,

que investiu

em

programação jornalística

há pouco mais de um ano, tanto

na TV como no rádio, empre­

gando

cercade 100 novos

pro-fissionais,

simplesmente

deci­ diu fechar o

departamento

de

jornalismo

da rádio. A

alega­

ção? Prejuízo

mensaldeCz$ 1

milhão, por causa dos

juros

bancários. Somentena

redação

do

jornal

ZeroHora,que éo de

maior

tiragem

e maior número de leitores, 20

repórteres já

fo­

ramparaarua.O Diário doSul,

editado

pela

Editora Gazeta Mercantiléoúnico quenãode­ mitiu

ninguém

até agora, mas

os saláriosvêm sofrendo

atra-sos.

.

A crise ameaçasealastrara

Santa Catarinae aoutros esta­ dos. Promoveraalta rotativida­

de de

jornalistas

com umbaixo

piso

salarial de

ingresso,

este

éo

principal objetivo

dasgran­ desempresas. Elas

pretendem

economizar demitindo mais

gente, e

aproveitando-se

do

grande

número de

desempre­

gados

para pagar cadavez me­ nos a quem estiver entrando.

Umadaslutas

prioritárias

daca­

tegoria, hoje,

é

pela

estabilidade

deemprego, concessãoquees­

tá sendo difícil de arrancar na

mesa de

negociações,

e tam­

(4)

MARIA VOSHIZATO

o Curso de

Comunicação

Social-,

habilitação

emJornalismo, daUniversidade Federal deSanta Catarina apresenta carência de

equipamentos

conformea

Resolução

de fevereiro de 84 doCon­ selho Federal de

Educação

que determina

janeiro

de 87 comodata limite paraque todosos cursos

deJornalismo

estejam

totalmente

equipados.

A necessidade dequipamentoseespaçofísico

corresponde

à

quantidade

de alunos por sala de

aula. Com a

implantação

do novo currículo, é substancialoaumentodas necessidadesde ma­

terialeequipamentos.Mastambémésignificativo

aoaumento

qualificativo

noensino teórico e

prá­

tico naárea de Jornalismo. '

A lista de materiais e

equipamentos

técnicos

para

completar

a Resolução de 02/84 é grande.

No Laboratóriode

Fotografia

são necessárias 10

câmeras

fotográficas

de 135mmcomflash eletrô­ nico quecustam cercade

Cz$

22 mil cada. Além de 10 ampliadores

fotográficos

com as respec­

tivas lanternas e banheiras

(Cz$

7mil cadacon­

junto), uma teleobjetiva de 40mm por Cz$ 6 mil

e um

projetor

de

diapositivos

com sincronizador de som e

imagem

por Cz$ 10 mil.

O Laboratório de

Radiojornalismo precisa

de

uma mesade som com seis canais

(no

mínimo,

Cz$

10

mil)

e dois

gravadores

de som

-Cz$

4 mil cada. Para a

disciplina

de

Planejamento

Gráfico são necessárias vinte

pranchetas

(Cz$

1.500)

e oito mesas luminosas para visão de

transparências

(Cz$

3 mil

cada).

Para aaula de

Redação

sãonecessárias 30

máquinas

deescre­ verquecustamemtornodeCz$5.200aunidade.:

Ototaldeverbas previstasparaacomprades­

tes

equipamentos

técnicos situa-se ao redor de

5300 OTN

(1

milhão 335 mil e 600 cruzados).

Cobras-seem OTNs devido à

inflação

galopante

deste ano.

O Laboratório de T

elejornalismo

éoutropro­ blemagrave docurso

pois

são necessários mais

de

US�

.119

mil

(Cz$

4.5

milhôes)

para comprar

osequipamentos. Paraseequiparumlaboratório é necessário: umacâmera

portátil,

duas ilhas de

edição,

um programador de

edição,

três grava­

do�es

p�Jrtáteis,

cinco

conjuntos

de

iluminação

pa­

ra

hgaçao

emcorrentealternada,microfones para

gravação

externae

interna,

monitores paraotra­

b�lho

nasilhasdeedição, televisores,

tripés

para

camera entre outrosmateriais,omínimo para ga­

rantirofuncionamento. A verbaestavaaprovada

denro do

Programa

Nova Universidade mas foi

suspensa. Em virtude disto soliciou-se adicionar

o valor de

US$

119.500,00 aoCz$ 1.335.600,00

destinados pela Comissão de EspeCialistas do

MEC à UFSC para

equipar

ocurso.

Atualmente, os alunosda terceirafaseeditam

suas reportagens na ACARESC e os da sétima

fase, naprodutora

independente

EVO.

Enquanto

olaboratório docurso não vem, seé quevem.

. r

:

.','

....

CAMPUS.

'

.

, .

MONIQUE VAN DRESSEN

Está em fase de revisão naImprensa Universitária "O

CinemaemSanta Catarina"umdosprimeiroslivrosabor­ dandocinematografiado Estado. Feitoem co-edição pela

UFSCeEmbrafilme,a idéiasurgiudeumapesquisafeita poralunosdocursodeJornalismo,queem84 promoveram

a1�MostradeCinema Catarinenseelançaram acriação

deumaCinemateca. Amostrafoidivulgada pelos jornais locaise,através da revistaLux,quere-publicatextossobre

cinema, a Embrafilmetomou conhecimentodo trabalhoe

interessou-seporsuapublicação.

Desdeo anopassadoapesquisados estudantesAndréa Grossenbacher, Zeca Pires, Maria Nesi, Norberto Depiz­

zolattieSandraAraújovemsendoatualizadae o seutexto

adaptadoparaaediçãodo livro. TaianaOliveira,BethBie­

gingeSimone Garciacolaboraramna novaversãoefinal­

menteolivro vaisair.

Através depesquisasemtodooEstadoe naCinemateca

de Curitiba mostrou-se,naprimeirapartedolivro,umahistó­

riadonossocinema,desdeas primeiras produções

ama-'

doras(principalmente filmes mudos feitos por imigrantes

noinício doséculO)atéproduçõesmaisrecentes.Asegunda

parte aborda, "O Preçoda Ilusão", primeira experiência

catarinenseemlonga-metragem.Feitoem1957

pelo

Grupo

Sul, nossoprimeiro longatemvalordocumentalehistórico,

porquemostraumaFlorianópolisque não existe mais. Suas

cópiasforam perdidas restandonaCinemateca Brasileira

denovosprofessores.os au­

tores do documento pro­

põemaextinçãodocursode ciênciassociais (bacharela­ do)noperíodonoturno.

A escolha recaiu sobre o

cursonoturnopois.conforme

sua versão "o turnodiúrno éoúnico utilizadopeloscur­ sossérios".

É conveniente saber o

conceito de "sério" utilizado

pelos professorespara fazer talafirmação.

Osprofessoresdesconen­

tentesesquecemaquelapar­ cela de estudantes que, por falta deopções. sãoobriga­

dosafreqüentarcursospara

osquaisnão possuema me­

norvocação. E ofazem por

um único motivo: duranteo

dia eles trabalham para so­

breviver.

E este, se é com certeza

um problema a ser tratado.

nãonosautorizaaclassificar

os cursosnoturnosde"pou­

cosérios".

Quando estejornalestiver circulando,odocumento terá sido discutido nodeparta­

mento de Ciências Sociais.

Mas isto não invalidaa im­

portânciadessanotícia,pois.

a qualquer momento pode

surgirdamesmacatacumba

de onde partiu a proposta,

outra aíndamals aterradora.

A,TERRADORA

,

, ,

CATACUMBA

apenasseusquinzeminutosfinaisetodaabandasonora,

Produzido por ArmandoCarreirão, "OPreçoda Ilusão" não recebeu o certificado de qualidade, queobrigaria a suaexibição,eacabou dandoprejuízo,Paracobri-lo,Carrei­

rão tevequeproduzir cine-jornaisedocumentários,monta­

dosemSão PauloeexibidosemSantaCatarina.

Paraagradaroscinéfilosmaisbairristasourecordaros

temposemque assistircinemaera"o melhor" programa,

olivrocontaque Paulo Emílioeoutros tantoscríticos,cineas­

tras e artistas conheceram o "Cinema Novo" ali, no cine'

Ritz!AprimeiraSemana do Cinema Novo foi patrocinada peloGabinetedeRelaçõesPúblicase peloextinto Grupo Sul.

A terceirapartedo livronarra aatuaçãodoGrupoUniver­ sitáriodeCinemaAmador,(Guca)quecontinuouotrabalho

naárea deficção,abertapor "OPreçodaIlusão".O GUCA

produziucercade seiscurtas,dosquaisosmais conhecidos

são"ONovelo","Via Crucis"e"Olaria".Aproduçãoatual,

dosanossetentaparacá,foidivididaemfases,eaquarta

partedo livro contémassinopsesdasprincipaisproduções:

filmes produzidos pelas prefeituras, projetos como "Anita

Garibaldi"efilmesnabitolasuper-8.

Na últimaparte o livrofala dos cineastas catarinenses que alcançaram projeção nacional e internacional,orde­

nando as filmografias de Süvio Bach, Rogério Sganzela,

MarcosFarias, João Caligaro,

Ody

Fraga e conclui, que

todos eles tiveramprojetosparadesenvolverocinema cata­

rinense,mastiveram quedeixá-losdeladoesairdoEstado

paraatingirseusobjetivos.Será queahistória do cinema

catarinense terminaaí?

Cervejinha depois

da aula só é

possível

fora do

campus

PI./REMíSIO

Ah!Umacervejageladade­

poisdeumaauladesoastante

numa tarde de calor! Existe

vontademais fácilde satisfa­

zer? É só ir ao bar da Dona Nina, Pois élánoCentroTec­

nológico, o único lugaronde

encontramosalgumtipode be­

bida alcóolica sendo vendida

naUFSC,

Temendo queacapacidade

dos alunos da UFSCsejaafe­

tada, a proibição foi imposta,

E a medida foi adotada sem

queacomunidade estudantil ti­

vesse sidoconsultada, justa­

mentenumadecisão que afeta

diretamente,osalunos. Nos demais bares daUFSC,

obardo Básico,aCantina do Convivência,obarda Medici­

na e o Natural do Centro de Convivência, a venda não é realizada.

Ogerentedobar doBásico,

Danilo,confirmou quelánunca

foram vendidas bebidas alcóo­ licaseele nem têminteresse

emvender.

JáMaurício, gerenteda Can­ tina do Convivência, é contra

apenasavendade bebidas de altoteoralcóolico,comoa ca­

chaça, por exemplo, Mas a

proibiçãodacervejaéridícula.

Ali,nacantinafoi vendidocer­

vejapretano·horário do almo­

ço.

Um funcionário do bar da

DonaNina, noCentroTécno­

lógico, quenãoquisse identi­

ficar,afirmou que,obar vende

cervejas, poisé precisosatis­

fazeravontade dofreguês,

A comunidade estudantil, queenquantoissobebesucos erefrigerantes, aprovaria,sem

dúvida, avendae estácons­

cientedos'horáriosde venda, NiloAndrade,Presidente da

ComissãodosBares da UFSC

e dono da Cantinado Convi­

vência e do BarNatural, afir­

mouqueseavendafosse, li­ berada os estudantes perma­ neceriam dentroda Universi­

dade, jáqueaquelesquevão

bebericar nos arredores da

UFSC,dificilmentevoltampara

asaulas.

Seosforrós,coquetéis,reu­

niõeseencontrosque poraqui

ocorremsãoregadosaálcool,

como é que ficaa proibição,

apenas paraosbares?

Nodia 2 dejunhoàs9horas,

naReitoriadaUFSC,aPró-rei­ toradeAssistênciaàComuni­

dade,oPró-reitordeAdminis­

tração, a Comissãode Bares da UFSCeaDiretoriadoDCE,

tinham marcadaumareunião,

que acabou sendo adiada. O

assunto depautaseriaalibera­

çãode vendasde bebidas al­ cóolicasapós os horários de aulas, nosfinaisdesemanae

feriados,

Ao que parece, só "eles". queremcontinuarbebendo.

Cinema

de

SC

vira

tema

de livro

CAÊCASTRO

Cuidado! Sevocêéumda­

queles jovens, vindos do in­ teriore semparentes impor­

tantes. que tem de trabalhar duranteodia para poderse manter emFlorianópolis eã noite estuda em algum dos

cursos da UFSC, prepare­

se:estãoquerendoteexpul­

sarda escola.

Dessaveznão éo ministro

da Educação ou o reitor.

Agora quem está propondo

esta "jóia" é um grupo de

professores do curso de Ciências Sociais.

A proposta, enviada em

forma de documento à chefia do Departamento de Ciên­ cias Sociais, é assinada pe­ los professores Euduardo

t!OI�c�e��;

(l,���e�a�lijOÚII�

Guivant.todos eles conside­ rados"progressistas".

Logono início deseudo­

cumento,os"mestres"cons­

tatam queno cursode ciên­ cias sociais existe "um baixo nível de aptidão acadêmica

e de vocação sociológica".

Acusam ascausas: "Inexis­ tências deuma massacrítica

(...)e aimagem precáriaque

ocursotem nacomunidade. não atraindojovenstalento­ soseempreendedores",es­

clareceo documento.

Para os quatro professo­

res, "60% dos alunos não temcondiçõesmínimaspara realizar o curso", acrescen­

tando queessepessoalatra­

palhaorestante.

Outro grave problema

apontadoéodesobrecarga

horária enfrentadopelospro­

fessores, que' estão sem

tempo para exercer outras atividades.

Emvezde proporuma am­

pladiscussão interna sobre

osproblemaseindicaruma

profunda reforma curricular que venhaa tornaro curso

mais estimulante. capaz de desenvolverasaptidõesdos

(5)

JU�HO

87

' " "

.'

.

ZERO,

. "

P

5'

.

o

mago

da

tela

fala

de

sua

pintura

DENISE

BEZERRA

Apesar

das

demolições

dos

antigos prédios

de Floria­

nópolis,

queas imobiliárias insistememsubistituirpor

predios

horrorosos deconcreto, existeum mago cha­

mado Aldo Seck, que

pinta

em seus

quadros

o que

está sendo destruâo e

magicamente

não deixa que morra amemóriadenossacidade. Aclamadopormui­

tose

ignorado

por

alguns,

Aldo Seck éoúnico artista

no estado que se dedica à

preservação iconográfica

da

arquitetura

colonial de

Florianópolis.

Emseusqua­

dros

podemos

ver comofoiacidadeantesdos aterros

e

demolições,

queadescaracterizarammuito. Homem

simples

e sensível, Aldo Seck

pinta

desde

1947, mas desenhadesde

criança.

Fielao

impressio­

nismo, é autodidataem desenho, óleo,

aquarela,

xilo­ gravurae

nanquim.

Jáfez inúmeras

exposições,

inclu­ sive em São Paulo e

Curitiba,

mas garante que não vai

expôr

mais. O motivo? Fica muito nervoso com a

expectativa.

Eummestredaarte;quenasceu eviveemFlorianó­

polis,

masqueapenas doisanosrecebeuomerecido

reconhecimento. Muitas

lições

estão contidas nessa

verdadeira

demonstração

de amor em forma de arte

comque Aldo Seck

homenageia

a

Florianópolis

atual. Z

-Como começousuacarreira? AS

-Nunca entrei emescola de

pintura

ecomecei

a desenhar

quando

ainda era

criança.

Comoa escola nãodavamuito

tempo,

desenhavanosfinais desema­ na. Maistarde

passei

para a

aquarela.

Comaaposen­

tadoriaé que eu

pude

me dedicar inteiramente à

pin­

tura.

Z

-Por que a

preferência

pela

arquitetura

de

Florianópolis?

.

AB

-Comecei aobservar que os

antigos

edifícios

estavam

desaparecendo

e resolvi fazeruma documen­

taçãohistórica.Comoprogresso,acidade foiumpouco

prejudicada

e no

lugar

dos

prédios

antigos

existem só

csixssdecimento, Acho quedeviampreservar mais. Z- Vocêteve

o

apoio

necessário?

AS - Sim. Fiz muitas

exposições,

até em outros estados.

Apenas

uma vez me senti desestimuladoe

parei

completamente

por maisou menosquatrosanos,

devido àscríticas querecebi.Acríticatanto

pode ajudar

como

pode

prejudicar

efoioqueaconteceu na

época.

Hoje podem

falar o que

quiserem,

pois

eu

pinto

por

prazer. Z- E

quantoaosartistas catarinensesde

hoje,

qual

asua

preferência?

,

AS- Gostomuitodo trabalho de VeraSabino,Atila

e Prético.

Z - Santa Catarina tem

público

para este

tipo

de arte? AS

-O meio de cultura evoluiu bastanteem todo

o estado. Slumenau, Joinville e até Tubarão

têm

seusartistase seupúblico.

Z

-Hoje,

um artista consegue viverda

pintura

em Santa Catarina?

AS- Já foi

pior,

mas não em muito

apoio.

Quem está

começando

agoranão consegue mesmo.

É

mais

fácil do que

antigamente,

até para fazer

exposições,

mas ainda falta

apoio.

ALDO

BECK

j'

(6)

FOTOS: CARLOSLOÇôTELLl/ZE,RO

Esther Jean Langdon, antropóloga e professora da

UFSC,conviveucomgruposindígenasnaAmazônia,onde realizou inúmeros trabalhos científicos sobredrogas, alguns

publicados nos EUA, México e na Europa, Para ela, o usodedrogasnãopodeserexcluídodocontextocultural

e,nessesentido,asatitudesemrelaçãoaelas são decisões decadasociedade,Jean observaqueousodealucinógenos

seconfundecomahistória do homem, Asreligiõesarcai­ cas, por exemplo, foram baseadas, entre outras coisas,

nacondiçãode êxtase queosalucinógenostrazem,Segundo

ela,o usodedrogasentreosindígenasésagradoe muito

controlado. Alémdisso,háassistênciadeumXamã,espé­

cie de feiticeiro muitoexperienteno usodosalucinógenos,

que guia as pessoas durante as cerimônias. "Entre eles

não hácasosdeviciadosoupirados, poisconhecem oque

estão usando hácentenasde anos",comentaaantropóloga.

Osíndios com

quem

elatrabalhounosAndes usam, além

dosalucinógenospara finsreligiosos,afolhadacoca,para realizarem trabalhosfísicoseconterafome.

VALORES

"As pessoas estão usando drogas paraobterem prazer,

eprazer é uma busca constante em nossasociedade. Os indivíduossedrogam conformeasociedadepropõe eaca­

bam fazendoexperimentosemsipróprios", explicaJean.

Ela crê queapropagandafeita sobreasdrogasatualmente,

que as associam a comportamentos anormais, contribui muito para que sejam utilizadasde forma absurda. Essa

propagandaéperigosanamedidaemque osjovensveêm

naproibiçãoum motivode rebeldia,fazendoexatamente oqueasociedadepreviucomoresultadodousode tóxicos. Jean não concordacomaidéia dequearepressãováconter

o consumo, lembrando a LeiSeca nos EUA durante os

anos 20, que proibiu a fabricação e comercialização de

bebidas alcoólicas,eque gerouotráficoeo crimeorgani­ zado. "A repressãodeve serrepensada, poisessemétodo

é utilizadoemoutrasáreasproblemáticas,semapresentar

bons resultados", analisaaantropóloga. Ela defende

uma

visão mais realista doproblema,ecitaoexemplodoestado

.doOregnon

nosEstadosUnidos,ondeumapessoa

apreen-dida com pequena quantidade de maconha ou cocaína,

ésomenteobrigadaapagarumapesadamulta.Essa,segun­ doela,éumanovavisão,mas amaneiradomundoencarar a

droga

nãomudou nada. Apenasapreocupação aumen­

tou,como crescenteconsumode cocaína,

"Aeducaçãoé fundamental paraaresoluçãodoproble­

ma",diz Jean. "Masumaeducaçãoque nãoproíbanecessa­

riamenteesevolteparaainformaçãoepesquisacientífica.

É preciso dizer a verdade, pois uma realidade pode ser

danosaeoutranão, afinal omedonão pode transformar aeducaçãoemmentira",finalisaaantropóloga.

ColaborouMarquesE. Casara

Polêmico,

o tema

divide:

os

que

condenam

e os

que

aprovam. Em

quatro

depoimentos,

as

visões de

cada

um

desses

elos. E

a

da

antropóloga

Jean

Langdon

Consumidores:

"Polícia deveria

se

preocupar

com

a

violência"

O.E., 16 anos, e D.C., 18, são dois jovens boa pinta,

vindos do interior para cursarem pré-vestibular. Moram num bomapartamento nocentro

de

Florianópoliseusam

maconha ecocaínaregularmente. Eanovafacedadroga,

ondeo consumonãoserefletenaaparênciados queesco­

lhemessecaminho.

Eles recorrem àdrogaparairem a festas, para dormir,

ou mesmopara ficaremcoçandoo saco. Geralmente não usam para estudar,pois ficam viajando otempotodo. A

curiosidadefoioqueoslevouaexperimentarpela primeira

vez, háquatroanos atrás, um velho conhecido de muitas

gerações: o lança-perfume. Depois dele, o fumo e o pó.

"Queroexperimentartudo que estiverpor aí",diz D.c., "mas isso não significa que uma drogasirva de caminho

para outras mais fortes, é uma questão de estar a fim".

Elenão sabequandovai parar,masacreditaquesejauma

fase. "Cheirococahá muitotempo,masestouenchendo

osaco,ese quiserparareuposso. A vontade de continuar

é muito grande, mas dá pra parar". Quando notam que

seushábitos estãomudando,dãoumtemponacoisa para

não fissurarem. O.E., não acredita que o uso de tóxicos

gereviolência,porque "dá muitapazinterior,equemviaja

não está afimdeagredir ninguém".

BASEADINHO

"Aqui em Florianópolis é difícil encontrar quem não

fume", dizD.C.,poistudo émais liberal do quenointerior.

Lá, segundo ele, "o uso de coca está em alta, pois

statuscheirar. fcomoterumcarronovo,coisa da moda".

Aquielesadquiremamercadoriacomfacilidade,poisestá emtodoolugar.Quantoaomedodeserempresos, confes­ samqueexiste,masnãoéumfatorquedeterminemudança

de comportamento. "Apolícia deveriasepreocuparmais

comoutrascoisas, comoaviolência,osassaltos,acorrup­

ção no governo e não ficar prendendo quem fuma um

baseadinho poraí", complementaD.C..

CARLOS

LOCATELLI

Traficante: "Consumo

cresceu

muito

por

causa

da

angústia

generalizada"

o

xerife: "Política

não

pára

investigação"

Bebendo uma gelada na mesade um bar,conversei

com umdos"pontas"(trafi­

cante), que passam a coca em Florianópolis. Sem

identificar-se, ele esclare­

ceuquenãoseconsideraum

delinqüente,poissuafiloso­ fia difere da maioriadosque

estão no comércio dasdro­ gas. Além dolucro,elecur­

temuito asamizades que a

transa lhe trouxe ao longo

dos dozeanosde atividade.

Seu grupo é seleto, com

aproximadamente 20 usuá­

rios, de bom nívelcultural,

amaiorpartecom curso su­

perior, umaboaposiçãoso­

cialequeencaram acocaína

comopartedeumconjunto

de coisas boas que a vida

tem. Ele controlaa quanti­

dade que cada usuário ne­

cessita e geralmente não

fornece doses extras, para

"queninguémsepasse".Os

compradores são antigos e

podem pagar o quando

recebemseussalários. Para

ter uma vida normal, ele mantém umempregoe não

quer aumentar o negócio, masteveoportunidadede .

passar "até tonelada", se .

quisesse.

OTRÁFICO

Sem falar muitodosiste­

madetráfico,elecitaostrês

elementos que estão no fi­ nal do esquema: o "mula

,

(transportador), que trás a

mercadoriae recebepores-,

se trabalho uma cota fixa;

o "meio campo",querece­

be e centraliza a distribui­

ção e finalmente, "o pon­

ta", que compra a merca­

doria do "meio campo" e

vende para o usuário. O

"ponta", que geralmente também é usuário,é quem mais se arrisca em toda a

transação, já que se expõe a umnúmeromaiorde pes­

soas ao mesmo tempo. A

função do"meiocampo" é

amais segurae mais rentá­

vel donegócio.Acoca,que

apartaemFlorianópolispo­ de virtantodo Rio Grande doSul, quantodoParaguai,

variando conforme se en­

contra o "clima na Ilha",

pois é grande a quantidade

que circula e a pressão da

políciaéconstante.

Indagado se a transação

dadroganãoé a causadora

da violência atual, ele res­

pondeu que essa violência

nãoé frutodostóxicos,mas

sim dopróprio sistema, no

qual a droga também está

incluída. Paraele, o álcool e o cigarro matam muito mais queacocaína,etodos

sabem disso. Mas a socie­ dade se recusa a enfrentar opoder políticoeeconômi­

co existente por trásdesses

produtos, que é infinita­

mentesuperioraopoderda

droga. Ele afirmou que o

ELÓI: As cidades com

maioresproblemassãoFlo­

rianópolis, criciúma, Join­

villeeItajaí. Elasrecebem

asdrogas através de auto­

móveis quevão buscarfora doestado, ou recebem co­ mo encomenda pelos ôni­ busconvencionais, ZERO: Quem distribui as

drograsnai1ba?

ELÓI:OS donos de deter­ minadas docas, como o

MorrodoMocotó,da caixa

d'água,abocadoGilnoEs­

treito,e outros.

ZERO: Epor queapolícia

nãocbeganesseslocais?

ELÓI Nóschegams,mas a

falta depessoaledeumde­

legadosó paratóxicos difi­

cultam as operações. Por

enquantoestamos improvi­

sando.Outroproblemaéa

quantidade:temmuita dro­ ga por aí. Florianópolis é

umadascapitais de maior

consumodetóxicosdopaís.

ZERO: Além doconsumo,

Florianópolisnão seriapon­

tenadistribuiçãoparanres­

todopaís?

ELÓI: Aíeu não sei. Eu posso afirmar que édecon­

sumo, agoraseé ponte eu

não sei. Florianópolis fica meio fora derotaparaser

ponte.

tável équeessesindivíduos nemsempreserecuperam.

Amaconha,que dizemser

fraca,trásseqüelasirrever­

síveiseoviciado nãovolta maisaonormal.

ZERO: A polícia distingue

ousuário do viciado?

ELÓI: O usuário é quem

temmaischancesdese re­

cuperar. Ele para de dar

uma "bolinha" quando a

Políciaaperta.Se não aper­ tarmos, ele se transforma

numviciado,eviciados não

existem muitos.

ZERO: Reprimiros usuã­

rios temoefeitoesperado?

ELÓI: Quando atacamos,

os indivíduosse recolhem,

porqueessetipodepressão

intimida nãosó quem acaba preso, mas as pessoas que

fazem partede seu grupo.

Éumamaneiradesefazer

prevenção. Naprática, sa­

bemosque éisso queocor­ re.

ZERO: Qual aestratégia

utilizadapela polícia?

ELÓI: Um policial tenta

compraradrogaparacon­

firmar o ponto, e, no mo­

mento apropriado, caímos

emcima deles.

ZERO:Quaissãoosprinci­

paiscentrostráficoseconsu­ monoEstado?

Exercendo o cargo de diretordoDepartamento EspecializadoemInvesti­

gações Criminais

(DEIC), o delegado Elói

Gonçalves de Azevedo é

também o responsável

pelo combate ao tráfico

detóxicoemSantaCata­ rina.Favorável à pena de

morte para traficantes,

acreditanarepressãoco­ moformade evitaro uso

dedrogas,pois, segundo

ele, o tráfico está entre os piores crimes cometi­

dos contra a sociedade.

Nessa entrevista, o dele­

gado Elói, que confessa

terentradonaPolíciain­

fluenciadopelashistórias

de Flash Gordon e Tom

Mix,falacomovêopro­

blemadasdrogase como

atua.

ELÓI:Nograndetraficante

nós nãochegamos,mas va­ moschegar.Ele só deixaa

mercadoria aqui e desapa­

rece.Entãotemosdepegá­

lo nahora. Esse elemento

quefoipresopertoda As­

sembléia é dos grandes, e

com ele foi encontrado,

alémdecocaína, umalista daspessoasquecompravam

opó.

Lobãoou mesmo Gilberto

Gil, não são usadas para desviaraatençãopúblicado

elemento central da ques­

tão,ouseja,otraficante?

ELÓI: Nós,comopoliciais,

temos quereprimir todos, sejamelestraficantes,usuá­

riosouviciados. Nãopode­ mosabrir mão de nenhum deles.

ZERO:Qualseriaasolução

paraoproblema?

ELÓI: A médio e longo

prazo seria atravésdaedu­

cação nas escolas, pois a

criançatomaria consciência doperigodotóxico. Acurto

prazo seria necessárioequi­ parapolíciae atacar.Aqui

em Florianópolis é preciso umaDelegacia Especializa­

com nomínimo,50 ho­

mens ecincodelegados.De

imediato a única saída é a

respressão.Elatemqueser

feitaemtodososlugarese

sobretodasaspessoassus­

peitas, sem distinçãoalgu­ ma.

ZERO:Opodereconômico das drogasimpede ou difi· cultaasinvestigações? ELÓI: Talvez influencie,

masnãoéoquenosimpede

deagir.Essainfluência não

existe aqui, talvezem ou­ troslugaresexista. ZERO: Evocesvãochegar

naspessoas,daslistas?

ELÓI: Sim, vouchecar to­

das.Aimprensadeumuito

destaque quando prendi

GilbertoGil,mas averdade é quejádetive todososti­

pos depessoas. Aivestiga­

ção que eu estiver condu­

zindo,políticanãopára.

ZERO:Comoépagoodedo­

duro dasorganizações de tráfico?Atravésdefavores

oucompartedamercadoria

apreendida,jáqueapolícia

tambémcarecede verbas?

ELÓI: Nem comfavores,

nem commercadorias. Na SSP(SecretariadeSeguran­

çaPública)existeuma ver­

basecretautilizada paraes­ sascoisas. Masopagamen­

toéefetuadosempreemdi­

nheiro.

_,ZERO: Prisões como ado

consumo cresceumuitonos

últimosanos"devidoauma

angústia generalizada das

pessoasemrelaçãoao mun­

do". "Comacocaína,apes­ soapodeencontraroequilí­

briodesejado,oudesequili­

brar-se totalmente". Nesse

caso"adrogarevela apenas umafraqueza jácontidanas

pessoas".Paraele,apropa­

ganda negativa montada

contra a coca não leva em

consideraçãootrabalho que muitos políticos, intelec­

tuais,artistase empresários

realizam para a sociedade,

movidospela energiaquea

drogatrás. Ele acredita que

com sabedoria, tudo pode serutilizado.

ZERO: Porquevocêentrou

naPolícia?

ELÓI: Eu entrei mais in­

fluenciadoporcertasrevis­ tas, era fã do Tom Mix e

Flash Gordon, e sempre

gosteideinvestigações.

ZERO: ComoaPolícia vê

oviciado?

ELÓI: Eu consideroo vi­

ciadoumdoente. O

larnen-Elói: pena

capital'

samaplicaralgum golpe.

ZERO: Mas, justamente

por estar foradas rotas tra­

dicionais,acidadenão esta­

riasendo utilzadapara co­

nexões?

ELÓI: Talvez. Talvez

pos-ZERO: Pelovisto,apolícia

local sõ prende odistribui­

dor, porquenão consegue

prenderotraficante?

(7)

CULTURA

Barreiras

da

criação

em

vídeo

MARIA

T.

S.

CORDEIRO

A novidade do vídeo

faz

parte

da rotina dos

produ­

toresdos

grandes

centros, mas em

Florianópolis,

capi­

tal do soledomar

(que

comcertezadão "altas

cenas",

comodizem os mais fissurados por

imagem)

fazer ví­ deo éum

grande

desafio.

Produzir

aqui

ainda

implica

emter queenfrentar mui­

tasdificuldades

pois,

como emtodasasoutrasativida­ desculturais,omaior

problema

é a falta de

apoio

dos

órgãos governamentais

eeventualmente,de empresas

privadas.

Mas estas dificuldades não amedrontam quem realmente está a fim de ver numa fita de VHS

suasidéias.

Na área de vídeo em

publicidade,

o

problema

não

passasó

pela

falta de

apoio,

mas

principalmente pelo

"pão-durismo"

das

agências

de

propaganda.

Janise

da

Veiga,

gerentedaCena1,

produtora

devídeo,afirma que as

agências

querem um

produto

final de ótima

qualidade,

mas sua

preocupação

maior se concentra

no

orçamento.

"Elas

(as agências)

investem muito mais

na mídia, porque o retorno financeiro é

rápido",

diz Janise. A

parte

que

exige

mais recursoséa

produção

de VTque é a

locação

do estúdio e

equipamento

de

edição.

Tudo isso quem faz são as emissoras de TV

que possuem o

equipamento,

o que torna mais cara a

produção.

Na área de vídeo em cinema, a história é outra: a

intenção

maior não é

ganhar

dinheiro e sim mostrar

o trabalho. Charles da Silva, um dos novos

partici­

pantes

e

produtores

de vídeoem

Florianópolis explica:

POemaS/Monique

Van Dressen

Sem

poesia

Nãotem maiscanoa

quebrada

Nãotem mais

ninguém

em meu quarto

Nem bilhete

najanela perguntando

aondeeuque­ ro

chegar.

Nãotem mais

poesia

no caderno Nem certeza, nemtinta nochão. Nãotem mais sonho de valsa Nem sonho de samba Nem sonho nenhum.

A busca

Minha

mãe mediz que eu soutão

equilibrada

... E nestacorda que eu vou,

procurando

em cada neo ou meta

orosto que vai me

jogar

nochão.

E cadavezque eusaiode preto

do

nãoé sério

Estou só brincando de serdesenvolvida...

"No cinema, o

pessoal

preocupado

em mostrar o

trabalho. No começo sótem dinheiro para fazercurta­

metragem".

O

pessoal

que faz vídeo

independente

usa material

em VHS. O ideal é usar U-MATIC, mas é muitocaro.

Entre os trabalhos

realizados na ilha, vários deles até

participaram

de festivais:

"Loba",

"Duende"

(que

vai sair

ainda),

"O

Espelho",

"Política das Cores"

(ro­

teirode Mauro Faccioni,

direção

de

Angelo Sganzerla,

feito para o Partido

Verde).

As

produções

de vídeo também estão

começando

a serusadas para

despertar

a

atenção

da

população

para os

problemas

e para ofolclore de

algumas

comunidadesdo interior dailha,

como é o caso de um grupo de

Sambaqui

que está

fazendoumfilme sobre aslendase

magias

do

lugar.

Charles revela que "todo mundo que trabalha na

área de vídeoecinematá

junto".

Eestauniãosóconta

ponto a favor do

pessoal.

O que

importa

mesmo é

quetenha bastantegenteafim de fazer vídeoem Flori­ pa, só que poucas pessoas têm

algum

conhecimento técnico

adequado,

entãoa

solução

é promoverum cur­ so de cinema para que este grupo possa ter acesso

avárias

informações

e

partir

com mais conhecimento para

campo",

sugere.

Mas no

fundo,

tem umacoisa:tudo é

poesia,

desde

pintura

passando

por

fotografia

até cinema

também,

porque não?

SISTEMAS

Os sistemas usadosna

produção

devídeo são:

VHS,

U-Matice Betamax. As

diferenças

principais

entreeles

estãona

qualidade

da

imagem

e nocustodo

equipa­

mento.

O VHS

(Vídeo

Home

Sistem)

é o vídeo caseiro, a

qualidade

da

imagem

é inferiorà do U-MaticeaoBeta­

max. Porém, o

equipamento

é mais barato, menor e a

disponibilidade

de fitas no mercado das locadoras é mais

ampla.

Já o

equipamento

de U-Matic é

profis­

sional e bem maiscaro. A

qualidade

de

imagem,

no

entanto, é melhor, a bitola é maior e suas câmaras

trabalham, com três tubos de

imagem.

O Betomax,

queéfabricado apenas

pela Sony

tem menos

opções

de

filmes,

mas o

equipamento

é mais baratoetambém écaseiro, como oVHS.

MERCADO

Os

produtores independentes

em

Florianópolis

não

vivemapenas de filmes. As

opções

de trabalho sã inú­

meras, como a

gravação

de festas

(casamentos,

ani­

versários,

etc)

etrabalhos relacioradoscomos

depar­

tamentos de

relações

humana: .cl empresas

(treina­

mentos).

Outra

opção

é a

gravação

de

vídeo-clips

de

gruposmusicais locais.

Existe

a

alma

brasileira?

MILENE

CORRÊA

Falando em símbolos nacionais,

nãooselo, o escudoou abandeira,

mas o samba (que alguns desavi­ sados insistem em confundir com

"rurnba", e que o digaZé Carioca),

a feijoada e o candomblé, vem-me

àcabeça a questão da legitimidade dosseussignificadosenquantover­

dadeirossímbolos nacionais.Ora,se

perguntarmossobreaorigemdestes

símbolos,veremosqueos seuscria­

dores são exatamente os negros,

aquela raçadesclassificada, basee

braçoeconômico donossoBrasil-co­ lôniae, atualmente,base subestima­ da(aliás,sempreoforam) donosso

Brasil-ainda-colônia.Seoperigodas

manifestaçôes coletivas dosnegros

jánãoexiste,eseelasnão afetam

o sistema político e social do país,

devemosissoamaisumtiro certeiro da nossa classe dominante que, ao

seapropriarda culturanegrae mar­

ginalizada,nãoofez poroutros moti­

vos quenãoode mantê-Iasobcon­

trole e, também, pela sua incontes­ tável faltadeoriginalidade e raízes,

quea impossibilitariamde criaruma

culturaprópriaesignificativa,mesmo

que para isso tivesse um "Horário CulturalGratuito".

Que todos nós temos, "lánofundi­

nho", um pouco de sangue negro,

é verdade. Mas também é verdade

quetemos,"lánofundinho",umpou­ code todos(ou quade todos)os san­

gues: o italiano, o alemão, o portu­

guês,oíndio,ofrancês.Acasoapo­

lenta, acerveja,ofado, aspenasou a Estátua da Liberdade seriam sím­ bolos dignos da nossa nacionalida­

de? Acredito queesse nacionalismo

barato,quehojetoma forma alienan­

te, mas que tem fundo essencial­

mentepolítico, sejamaisumescudo

(não símbolo)para queaelitesepro­

teja da negritude, do que o líquido

mágico da fusão das culturas e ra­

ças.

SeoBrasilévendável(talvez, um

dia,venhaa serviáveltambém),mui­ to temcontribuído paraissoaexpor­

taçãodo "nosso"samba,da "nossa"

feijoada, do "nosso" Carvanal e de outros "nossos" que não são bem

assim, até do "nosso' futebol (que

não é maisaquele). Seráqueos ne­

gros, "nossos"negros, estariam dis­

postos a vender suas almas (suas

armas),tendoemvistaa suasubutili­

zaçáo,ouestariameles,osdesapro­

priados, rindode nós, os expropria­

dores, ao ver-nostãofelizes porter­

moscompradoas suas armas mas,

nunca,as suasalmas?

"PS',

'

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':.'

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',.'

.

ZERO

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.'

JULHO

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Referências

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