FLORIANÓPOLIS,
JULHO
DE
1987
Você
quer
•
assinar
'esta
carta?
Se
você é
contra:
/obbies,
o
monopólio
das
comunicações,
a
censura,
asconcessões
clientelistas de
canais
...Assine
aproposta
de
dispositivo
constitucional dos
profissionais
de
comunicação.
A
liberdade
de
expressão
agradece
Napágina
dois -, , __�BOG.S.
Quatro
visões
de
um
problema
eterno
Na centralTomMix
inspira
combate
aos
tóxicos
ZERO
Jornal laboratório do Cur
so de Comunicação Social
da Universidade Federal de
SantaCatarina
Edição
esupervisão:
Professores
Henrique
Finco,Sonia Maluf e Ricardo Bar reto
Textos:DauroVeras, Ma ria Cristina Yoshizato, Moni
que Van Dressen, Denise
Bezerra, Caê G. de Castro,
Paula Remísio,Carlos Loca
telli, Maria Teresa Cordeiro,
Milene Corrêa, Francisco
Lins, Clarissa Santos, Ana
Lavratti, Rubens Chaves
Vargas
e AnalúZidkoFotografia:
Carlos Augusto Locatelli
Ilustração: FrankMaia
Diagramação:
Carol Pereira, MoniqueVanDressen,
Ney
Pacheco, Ivan Santos,Marcos Cardoso e Simone
Müller
Edição
gráfica:
Ricardo BarretoMontagem: Vauremberg
Composição
eimpres
são:
Empresa
Editora O ESTADOCorrespondência: Caixa
Postal 472,
Departamento
de
Comunicação
eExpres
são, Curso de Jornalismo, Florianópolis, SC
Telefone:
(0482)
33-9215 Telex: (0482) 240 BRDistribuição gratuita
Circulação
diriqidaàutilizaçao gratuitada impren
sa, do rádioe datelevisão, se
gundo critérios a serem defini
dospor lei.
Art.
-É garantidoa qualquer
cidadãoou entidades, odireito deresposta, naforma dalei.
Art.
-Nosperíodoseleitorais
ospartidostêmdireitoatempos
deutilizaçãodorádioedatelevi são, regulares equitativos, na
formada lei. Art.- Todocidadãotemdirei
to, sem restrições de qualquer
natureza, inclusive do Estado,
à liberdadedeopiniãoeexpres
são e este direito inclui a liber dade de procurar, receber e
transmitir informações e idéias
porqualquermeio. Art.
-Aos cidadãos, através
deinstituiçõesr�presentativasé
asseguradoo direitode partici
pardadefiniçãodaspolíticasde
comunicação.
Art. - A
comunicação deve
estar a serviço do desenvolvi mentointegraldaNação,da eli
minação das desigualdades e
injustiças e da independência
econômica,políticaeculturaldo
povobrasileiro. Art. - A
imprensa, o rádio, a
televisão, osserviços detrans missãodeimagens,sons eda
dos por qualquer meio, serão
reguladosporlei,atendendo às
suas funções sociais e tendo
por objetivo a consecução de
políticasdemocráticasdecomu
nicaçãonoPaís. Art.- Ficadefinido
queos ser
viçosdetelecomunicaçõesede
comunicaçãopostalsão mono
pólio estatal,tendocomoprincí
piooatendimentoigualatodos. II - Da natureza dosVeícu
losdeComunicação
Art.- Osveículosdecomuni
cação, inclusive os meios im
pressos, serão explorados por
fundações ou sociedades sem
fins lucrativos. Art. - A
administração e a
orientaçãointelectualoucomer
ciai das pessoasjurídicas men
cionadasnesteartigosãopriva
tivasdebrasileiros natos.
III - Do Conselho Nacional
deComunicação
Art.- FicainstituídooConse
lho Nacional de Comunicação,
com competênciapara estabe lecer, supervisionare fiscalizar
políticas nacionaise comunica
ção, abrangendo as áreas de
imprensa, radio,televisãoe ser
viços de transmissão de ima
gens, sons e dados por qual
quermeio.
Art.
-Compete ao Conselho
Nacional deComunicaçãoa ou
torga, renovação e revogação
dasautorizaçõeseconcessões parausodefrequênciaecanais
de rádioe televisão e serviços
de transmissão de imagens,
sons e dados por qualquer
meio.
Art. - O Conselho Nacional
de Comunicação é composto
por 15(quinze)brasileiros natos
em pleno exercício de seus
di-listas credenciados ao terceiro andar do Palácio do Planalto.
As pressões não se limitaram às estações do governo, mas
também a emissoras privadas,
visando principalmente os pro
gramasde debatespolíticos.
A Federação Nacional dos Jornalistas, atravésdeseu pre
sidente ArmandoRollemberg,e
Carlos Max Torres, presidente
do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Fede
ral, enviaramumtelexaopresi
denteSarney exigindoofim da
censura. Notexto,asentidades
relatamcasos como Odojorna
lista Carlos Chagas, que teve
sua participação no programa
Jornal da Constituinte vetada
reitoscivis, sendo2(dois)repre
sentantesdeentidades empre
sariais,5(cinco)representantes
deentidadesrepresentativasde
profissionaisdaárea decomu
nicação, 7 (sete) representan
tes de entidades decategorias
profissionaisedesetores popu
larese 1 (um) representantede
instituiçãouniversitária.
Art. - As entidades
integran
tes do Conselho Nacional de
Comunicação serão designa
das pelo Congresso Nacional,
para mandatode2 (dois)anos
observadooprevistoem lei. Art. - Os
representantes.das
entidades integrantes do Con
selho Nacional de Comunica
ção não poderão exercermais
deum mandato consecutivo.
Art.- Paraviabilizarodesem penhodasfunçõesdo Conselho
Nacional de Comunicação, a
União destinará ao órgão uma
parcela da arrecadação de im
postosetaxasprevistosem lei.
Art. - O Conselho Nacional
de Comunicação poderá fazer
repasses doseuorçamentoaos
órgãosdeexecuçãoefiscaliza
çãoque, naformada lei,forem
criados para implementarsuas
decisões.
Art.
-Ficam criadas as se
ções estaduais do Conselho
Nacional de Comunicação, em
cada unidadedaFederação,in
tegradaspor 15 (quinze) brasi
leiros natos em plenoexercício
deseusdireitoscivis,indicados
por entidades da mesmanatu
rezadas integrantesdo Conse lho Nacional, a serem designa
daspelasAssembléias Legisla
tivas paraum mandato de dois
anos.
Art.
-Competeàsseçõeses
taduais do C.N. deC.,asuper visão e fiscalização da execu
ção das políticas decomunica
çãoemâmbitoregional. Art. - A lei
regulamentaráas
atribuições e o funcionamento
do C. N. de C., bem como os
critérios dafunçãosocialeética
dorádioe datelevisão. IV - Da Democratização e
Acesso aos Veículos de Co
municação
Art. - Em cada órgãode im
prensa, rádio e televisão será
constituído umConselhoEdito
rial,commembroseleitospelos
profissionais de comunicação,
imcumbidode definiralinhade
atuaçãodoveículo. Art.- Os
partidospolíticos,as
organizações sindicais. profis
sionais epopulares, tem direito
pelo presidente da Raiobrás.
Sob o tema notleia afavor, os
debates foram proibidos pela Radiobrás, que, inclusive, res
cindiu ocontrato que mantinha
com a Apoio'Vídeo, produtora
do JornaldaConstituinte. A TV
Educativa não foi poupada, e seuprogramade debates 1987, foi suspenso por ordem direta do ministro daEducação,Jorge
Bornhausen. Outra denúncia
relatada do telex, foi a de que oprogramaOpiniãoPública,da
TV Brasília, cancelou uma en
trevista programadacom oge
neral Andrada Serpa, cedendo
aameaças de cortena publici
dade,feitas diretamentepeloti tular da Secretaria de Com
uni-Liberdade
de
expressão!
V- Dos ServiçosdeRadio
difusão. Art.
-Dependem de conces
são ou autorização da União,
outorgadasemcaráterprecário,
atraves do C. N. deC., atendi
das ascondições previstas em
lei: & - O uso de freqüência de rádioetelevisão. § - A instalaçãoe ofunciona
mentode televisão direcional e
por meio decabo.
§
-Ainstalaçãoe ofunciona mento de outros serviços de
transmissão de imagens, sons e dadosporqualquermeio.
§ - A retransmissão pública,
no território nacional, de rádio,
televisão edadosviasatélite.
Art.
-O Conselho Nacional de Comunicação mandará pu
blicar, anualmente, as freqüên
ciasdisponíveisemcadaunida de da federaçãe qualquerum
poderáprovocaralicitação.
Art.
-As concessõesouauto
rizações só poderão ser sus
pensas por sentença fundada
eminfraçãodefinidaemlei,que
regulará odireito àrenovação.
Art.- Comafinalidade deim pedir a concentração de pro
priedadedos meios de comuni
cação,fica estabelecido queca
da concessionáriopoderáserti tular de apenas uma autoriza
ção ou concessão paraexecu
çãode serviçode rádio, televi
são e serviços de transmissão de imagens, sons e dados por
qualquermeio.
Art.- Os concessionários que
acumularemmaisdeumaauto
rizaçãoouconcessãoparaexe
cução de serviço de radiodifu
são deverão optarpela execu
çãodeumdosserviçosobjetos
de autorização ou concessão, devendoos demais ficardispo
níveis para redistribuição atra vésde licitaçãopública.
Art.- Fica vedadoo controle
indiretodasautorizaçõese con
cessões paraexecução deser
viçosderadiodifusão por tercei
rose concessão.
cação Social daAdministração
Federal. Ojornalista Mino Car ta, daTVRecord, numaatitude
de coragem e dignidade profis
sional, demitiu-se ao ser infor
mado das pressões feitas por
Antonio Carlos Magalhães, mi nistrodasComunicações,junto
àdireçãoda empresa, paracen surar oprogramaJogodeCar
tas poreledirigido.
O texto finaliza condenando
asatitudesdosfalsosjornalistas
que se travestem de censores eexigeumatotaltransparência
dos atos governamentais, con
diçãobásicaparaademocracia
quetodosqueremverinstaura
danopaís.
P 2
.
ZERO.
,--
J.U�HO
87
FENAJ
protesta
contra
a censura
.
É
oque quer
oPaís:
ampla
eirrestrita
"A democratização dos
meiosdecomunicaçãoécondi
ção fundamental para a cons
trução de um regime efetiva
mente democrático no Brasil,
emqueos diversossegmentos
dasociedade, independentede
suas convicções políticas, pos
sam livremente se expressar.
Queremosgarantiropluralismo epreservaradiversidade cultu
ral. Queremospôrfimàcensu
ra, inclusive àquela determina
dapelos donos dosjornais, re
vistas, rádiosetelevisões.Que
remos que a informação deixe
de ser tratada como se fosse
uma mercadoriae passea ser
encaradacomo um bem social.
Queremos que a liberdade de
expressãonoBrasil nãoselimi te àliberdade queosempresá
rios decomunicaçãotêm dede
fenderseus próprios pontosde
vista. Queremosgarantiro am
plo acesso aosveículos de co
municaçãoe a participaçãodi
reta dos setoresorganizadosda
sociedade civil na definição de
umapolíticademocrática deco
rnunicação".
E assimqueaFederaçãoNa
cionaldosJornalistas(Fenaj)in troduz sua proposta de dispo
sitivo constitucional, apoiada
por diversas entidades repre sentativas da sociedade, que
dispõesobre"odireito àcomu
nicação, a naturezae o acesso aosveículos decomunicaçãoe
criaoConselho NacionaldeCo
municação". A proposta intro
duzida em parte, no relato da
subcomissão, necessita agora doapoio da sociedadecivil, re
presentada na campanha de
assinaturas que lançamos aqui
paraserenviada à Assembléia
Nacional Constituinte atéospri
meirosdias de agosto. Em Flo
rianópolisvocêpodeprocurara
lista no Curso de Jornalismo
(UFSC). A seguir transcreve
mos a íntegra da proposta de
dispositivoconstitucional: 1- Dodireito àcomunicação
Art. - A
comunicação é um
bem social e um direito funda mentaida pessoa humana e a
garantia de sua viabilização é
uma responsabilidadedo Esta
do.
CARLOS
LOCATELLI
Utilizando mecanismos da di taduramilitar,ogovernofederal
vem coibindo otrabalho da im prensanacoberturada Assem bléia Nacional Constituinte. A
censura voltou comforça total, impedindo entrevistas, dificul tando o trânsito de jornalistas
no Palácio do Planaltoe discri minando noticiários veiculados
pela Radiobrás e Funtevê. O
próprio presidentedaRepública engajou-se nessa campanha,
jorna
-.
'IMPRENSA
A
imprensa
doRioGrandedo sulestá atravessandoumacrise bastanteséria, e corre-se o risco do
agravamento
do monopólio
dainformação
nas mãos daRBS(Rede
Brasil Sul de Comunicações),
grupopoderoso
cuja
televisão é afiliada à Rede Globo. Mais de 600profissio
naisjá
foram demitidospelas
cinco
principais
empresasgaú
chas
-Grupo
CaldasJúnior,Rede
Pampa,
RBS, Rede Bandeirantese TV Educativa.Asitua
ção
emPortoAlegre
é tãograveque os sindicatos dos
jornalis
tas, radialistaseadministrativos
-agora transformados em um
sindicatoúnico
-estão
apelando
aos
empresários
eanunciantes desses veículos para que mandem
telegramas
aosproprietá
rios
exigindo
amanutenção
daqualidade
daprogramação,
já
quedisso
depende
a audiência dopúblico,
e a venda de seuspróprios
produtos
anunciados."Só
temos
liberdade
de
empresa"
Lobby
derruba
tentativas
dos
jornalistas
por
umaimprensa
livre
DAURO VERAS
"O
governador
deMinas Gerais, Newton
Cardoso,
pressio
noudois
deputados
amudaremovoto, para derrubaro
projeto
de
democratização
dos meios decomunicação
naConstituinte", denunciou o
presidente
daFederação
NacionaldosJornalistas
(Fenaj),
Armando Rollemberg,
que esteve em Florianópolis
nodia2dejunho
aconvite.
doMovimento de
Oposição
Sin dical M.O.S. dos Jornalstas.Apresentada
à subcomissãode
comunicação
social da As sembléia Constituintepela
deputada
Cristina Tavares Correia(PMDB-PE),
aproposta
é ba seada naseguinte premissa:
ainformação
deveserconsideradacomo um bem
público,
nãodevendoser
manipulada
comomercadoria. O interesse coleti
vodevese
sobrepor
aointersseparticular.
ele foielaboradapela
Fenaj
epela
FrenteNacionaldeLuta por Políticas Democráticas de
Comunicação,
após ampla
consulta aos vários
segmentos
dasociedadeeà
categoria.
"O
governador
de Minasameçaçou os
deputados
fede rais Aloísio Vasconcelos e Roberto Vital
(ambos
do PMDB deMG),
dizendo quese eles não votassem coma oprojeto,
veriam rolar
cabeças
-as suas
mesmo. Com isso modificaram
a
postura
anunciada deapoio
à
proposta,
eelafoiderrotada",
disse
Rollemberg.
Elecitoutambém
quatro
constituintes quevotaram'contra, em causa
pró
pria,
porseremproprietários
de meios decomunicação
emmassa: José Elias
(PTB-MLS),
Arnoldo Fioravante(PDS-SP),
Rita Furtado(PFL-RO)
e José Carlos Martinez(PMDB-PR).
ARMA
pOLíTICA
A
proposta
que foirejeitada
pela
subcomissão tem basica-'mentecincopontos. O
primeiro
deles é acriação
do Conselho Nacional deCominicação
Social, com 15
integrantes
oriun dos de entidades civis,desig
nados
pelo Congresso
Nacio nal. EsteConselho teriao mandato de doisanose a
atribuição
de definira
política
paraosetor, inclusivepassando
ateraprerrogativa
de concedercanais deFoto/AndréDusek/Agil
Rollemberg:
maisassinaturas rádioetelevisão-oque atual
menteé
privilégio
dopresidente
daRepública.
"A concessãotem que deixar de ser moeda de tráfico
político",
diz opresi
denteda
Fenaj,
lembrando queo
presidente
JoãoFigueiredo,
emseu governo,destinou40% dasconcessões de rádio eTV
do
país
agrupos que poucoounadatêmavercom osinteres
ses
populares.
Umexemplo
cla roé TarcísioMaia,
representan
teda
poderosa oligarquia
Maia,doRio Grande do Norte. Ele ga
nhouoito concessõesderádio,
como forma de favorecimento
político.
Outro
ponto
é a desconcentração
dapropriedade
no campo das
comunicações.
Nenhu-mapessoa físicaou
jurídica
poderiater aconcessão de mais de uma canal de rádio ou TV.
Isto traria uma série de vanta
gens,comoocombate à massi
ficação,
eumamaiorênfaseaos.valores
regionais,
também dimi-nuindoopoder
demanipulação
deinformações.
"Não faz sentido umapessoa do interior de
Pernambucofalarcom sotaque
de
Ipanema",
achaRollemberg.
Ele ressalta queaintenção
nãoé
impedir
atrasmissãoemrede - fato inevitáelem um
país
dedimensõescontinentaiscomo o
Brasil
-e sim desconcentrar
a
propriedade
nosetor, favore cendo as transmissõesregio
nais.
Sobre as rádios livres, a Fe
naj
nãotemposição
oficial,
masacredita que,dentrodeumapo
lítica de
democratização,
é pre ciso que a sociedade tenhaacesso a elas. "Isto teria que
ser
regulamentado,
é óbvio. Uma rádio livre funcionandoaolado de um
aeroporto,
porexemplo,
poderia
interferir de formaperigosa
com as operaçõs
devôo".SATÉLITE
O
projeto prevê
acriação
de conselhos editoriais em todosos meios de
comunicaçã
demassa, deforma que os
profis
sionais da área possam discutir
edeliberarsobea linhado veí
culo. "Nõ existe liberdade deim
prensanoBrasil, e simde
em-presa",
diz ojornalista.
Esses conselhos editoriais ficariamresponsáveis pelo
processo deprodução
edifusãodeinformação,
impedindo
que a mesmafosse
manipulada.
Outroitem
importante:
odireito deantena, ou
seja,
aamplia
ção
dodireito deresposta
atodo cidadão que se sintaatingido
porinformações
divulgadas
por veículos decomunicação
demassa. A
resposta
poderta
sertransmitida da mesma forma,
com omesmo
destaque.
O
quinto
pontoéomonopólio
estatal dos sistemas
postais,
detelecomunicações
e de satélites.
Rollemberg
chamaaatenção
para o fato de que doisgrandes
grupos-aRedeGlo boe oBradesco estão fazendo
manobraspara
conseguir
apri
vatização
do uso dos satélites decomunicação,
e isto é umatentado àsegurançanacional.. O
projeto
foi derrotado nasubcomissão de
comunicação,
mas alutaprossegue. A inten
ção
daFenaj
eda Frente é levá lo àsruaso maisrápido
possí
vel erecolher assinaturas para
reapresentar
proposta
noplená
rio daConstituinte.Restaagora
mobilizara
sociedade,
desper
tandoaspessoas paraa
impor
tântica vital da
democratização
da
comunicação.
Vamostorcerpara queos
"representares do
povo"
não seprostituam
mais umavez.Uma das
providências
maisradicaisfoitomada
pela
direção
da Caldas Júnior, que edita o
Correiodo Povoe detém a Rá
dio e a TV Guaíba. O
proprie
tário,RenatoRibeiro,inovouto
talmente, reduzindootamanho do centenário Correio doPovo,
que era
standard,
para um tablóidecom16
páginas,
trêscentímetros menorque otamanho
oficial, nas cores azul e preto.
Além disso, iniciou a distribui
ção
gratuita
de 200 mil exemplares
a seus assinantes, e ametaé
chegar
a um milhão. O Correio do Povo também está sendo vendido emalgumas
bancas,
pela
metade do preço dosoutrosjornais.
Mais de 60jornalistas já
foram demitidoscom a
mudança,
e os progra mas deprodução
local da TV Guaíba - inclusiveos de
jorna
lismo
-foram extintos. O tele
jornal
agora se limita à leiturade telex vindos de
agências
deA
crise
noRS
reduz
osanúncios.
Os
jornais
cortam
asvagas.
Retorna
ofantasma
do
monopólio
Correio: agora tablóidenotícias, e
teipes
cedidospelo
governo do estado.
A Rede
Pampa,
que investiuem
programação jornalística
há pouco mais de um ano, tantona TV como no rádio, empre
gando
cercade 100 novospro-fissionais,
simplesmente
deci diu fechar odepartamento
dejornalismo
da rádio. Aalega
ção? Prejuízo
mensaldeCz$ 1milhão, por causa dos
juros
bancários. Somentenaredação
do
jornal
ZeroHora,que éo demaior
tiragem
e maior número de leitores, 20repórteres já
foramparaarua.O Diário doSul,
editado
pela
Editora Gazeta Mercantiléoúnico quenãode mitiuninguém
até agora, masos saláriosvêm sofrendo
atra-sos.
.
A crise ameaçasealastrara
Santa Catarinae aoutros esta dos. Promoveraalta rotativida
de de
jornalistas
com umbaixopiso
salarial deingresso,
esteéo
principal objetivo
dasgran desempresas. Elaspretendem
economizar demitindo mais
gente, e
aproveitando-se
dogrande
número dedesempre
gados
para pagar cadavez me nos a quem estiver entrando.Umadaslutas
prioritárias
dacategoria, hoje,
épela
estabilidadedeemprego, concessãoquees
tá sendo difícil de arrancar na
mesa de
negociações,
e tamMARIA VOSHIZATO
o Curso de
Comunicação
Social-,habilitação
emJornalismo, daUniversidade Federal deSanta Catarina apresenta carência de
equipamentos
conformea
Resolução
de fevereiro de 84 doCon selho Federal deEducação
que determinajaneiro
de 87 comodata limite paraque todosos cursosdeJornalismo
estejam
totalmenteequipados.
A necessidade dequipamentoseespaçofísico
corresponde
àquantidade
de alunos por sala deaula. Com a
implantação
do novo currículo, é substancialoaumentodas necessidadesde materialeequipamentos.Mastambémésignificativo
aoaumento
qualificativo
noensino teórico eprá
tico naárea de Jornalismo. '
A lista de materiais e
equipamentos
técnicospara
completar
a Resolução de 02/84 é grande.No Laboratóriode
Fotografia
são necessárias 10câmeras
fotográficas
de 135mmcomflash eletrô nico quecustam cercadeCz$
22 mil cada. Além de 10 ampliadoresfotográficos
com as respectivas lanternas e banheiras
(Cz$
7mil cadaconjunto), uma teleobjetiva de 40mm por Cz$ 6 mil
e um
projetor
dediapositivos
com sincronizador de som eimagem
por Cz$ 10 mil.O Laboratório de
Radiojornalismo precisa
deuma mesade som com seis canais
(no
mínimo,Cz$
10mil)
e doisgravadores
de som-Cz$
4 mil cada. Para a
disciplina
dePlanejamento
Gráfico são necessárias vinte
pranchetas
(Cz$
1.500)
e oito mesas luminosas para visão detransparências
(Cz$
3 milcada).
Para aaula deRedação
sãonecessárias 30máquinas
deescre verquecustamemtornodeCz$5.200aunidade.:Ototaldeverbas previstasparaacomprades
tes
equipamentos
técnicos situa-se ao redor de5300 OTN
(1
milhão 335 mil e 600 cruzados).Cobras-seem OTNs devido à
inflação
galopante
deste ano.
O Laboratório de T
elejornalismo
já
éoutropro blemagrave docursopois
são necessários maisde
US�
.119
mil(Cz$
4.5milhôes)
para comprarosequipamentos. Paraseequiparumlaboratório é necessário: umacâmera
portátil,
duas ilhas deedição,
um programador deedição,
três gravado�es
p�Jrtáteis,
cincoconjuntos
deiluminação
para
hgaçao
emcorrentealternada,microfones paragravação
externaeinterna,
monitores paraotrab�lho
nasilhasdeedição, televisores,tripés
paracamera entre outrosmateriais,omínimo para ga
rantirofuncionamento. A verbaestavaaprovada
denro do
Programa
Nova Universidade mas foisuspensa. Em virtude disto soliciou-se adicionar
o valor de
US$
119.500,00 aoCz$ 1.335.600,00destinados pela Comissão de EspeCialistas do
MEC à UFSC para
equipar
ocurso.Atualmente, os alunosda terceirafaseeditam
suas reportagens na ACARESC e os da sétima
fase, naprodutora
independente
EVO.Enquanto
olaboratório docurso não vem, seé quevem.
. r
:
.','
....
CAMPUS.
'
.
, .
MONIQUE VAN DRESSEN
Está em fase de revisão naImprensa Universitária "O
CinemaemSanta Catarina"umdosprimeiroslivrosabor dandocinematografiado Estado. Feitoem co-edição pela
UFSCeEmbrafilme,a idéiasurgiudeumapesquisafeita poralunosdocursodeJornalismo,queem84 promoveram
a1�MostradeCinema Catarinenseelançaram acriação
deumaCinemateca. Amostrafoidivulgada pelos jornais locaise,através da revistaLux,quere-publicatextossobre
cinema, a Embrafilmetomou conhecimentodo trabalhoe
interessou-seporsuapublicação.
Desdeo anopassadoapesquisados estudantesAndréa Grossenbacher, Zeca Pires, Maria Nesi, Norberto Depiz
zolattieSandraAraújovemsendoatualizadae o seutexto
adaptadoparaaediçãodo livro. TaianaOliveira,BethBie
gingeSimone Garciacolaboraramna novaversãoefinal
menteolivro vaisair.
Através depesquisasemtodooEstadoe naCinemateca
de Curitiba mostrou-se,naprimeirapartedolivro,umahistó
riadonossocinema,desdeas primeiras produções
ama-'
doras(principalmente filmes mudos feitos por imigrantes
noinício doséculO)atéproduçõesmaisrecentes.Asegunda
parte aborda, "O Preçoda Ilusão", primeira experiência
catarinenseemlonga-metragem.Feitoem1957
pelo
GrupoSul, nossoprimeiro longatemvalordocumentalehistórico,
porquemostraumaFlorianópolisque não existe mais. Suas
cópiasforam perdidas restandonaCinemateca Brasileira
denovosprofessores.os au
tores do documento pro
põemaextinçãodocursode ciênciassociais (bacharela do)noperíodonoturno.
A escolha recaiu sobre o
cursonoturnopois.conforme
sua versão "o turnodiúrno éoúnico utilizadopeloscur sossérios".
É conveniente saber o
conceito de "sério" utilizado
pelos professorespara fazer talafirmação.
Osprofessoresdesconen
tentesesquecemaquelapar cela de estudantes que, por falta deopções. sãoobriga
dosafreqüentarcursospara
osquaisnão possuema me
norvocação. E ofazem por
um único motivo: duranteo
dia eles trabalham para so
breviver.
E este, se é com certeza
um problema a ser tratado.
nãonosautorizaaclassificar
os cursosnoturnosde"pou
cosérios".
Quando estejornalestiver circulando,odocumento terá sido discutido nodeparta
mento de Ciências Sociais.
Mas isto não invalidaa im
portânciadessanotícia,pois.
a qualquer momento pode
surgirdamesmacatacumba
de onde partiu a proposta,
outra aíndamals aterradora.
�
A,TERRADORA
,, ,
CATACUMBA
apenasseusquinzeminutosfinaisetodaabandasonora,
Produzido por ArmandoCarreirão, "OPreçoda Ilusão" não recebeu o certificado de qualidade, queobrigaria a suaexibição,eacabou dandoprejuízo,Paracobri-lo,Carrei
rão tevequeproduzir cine-jornaisedocumentários,monta
dosemSão PauloeexibidosemSantaCatarina.
Paraagradaroscinéfilosmaisbairristasourecordaros
temposemque assistircinemaera"o melhor" programa,
olivrocontaque Paulo Emílioeoutros tantoscríticos,cineas
tras e artistas conheceram o "Cinema Novo" ali, no cine'
Ritz!AprimeiraSemana do Cinema Novo foi patrocinada peloGabinetedeRelaçõesPúblicase peloextinto Grupo Sul.
A terceirapartedo livronarra aatuaçãodoGrupoUniver sitáriodeCinemaAmador,(Guca)quecontinuouotrabalho
naárea deficção,abertapor "OPreçodaIlusão".O GUCA
produziucercade seiscurtas,dosquaisosmais conhecidos
são"ONovelo","Via Crucis"e"Olaria".Aproduçãoatual,
dosanossetentaparacá,foidivididaemfases,eaquarta
partedo livro contémassinopsesdasprincipaisproduções:
filmes produzidos pelas prefeituras, projetos como "Anita
Garibaldi"efilmesnabitolasuper-8.
Na últimaparte o livrofala dos cineastas catarinenses que alcançaram projeção nacional e internacional,orde
nando as filmografias de Süvio Bach, Rogério Sganzela,
MarcosFarias, João Caligaro,
Ody
Fraga e conclui, quetodos eles tiveramprojetosparadesenvolverocinema cata
rinense,mastiveram quedeixá-losdeladoesairdoEstado
paraatingirseusobjetivos.Será queahistória do cinema
catarinense terminaaí?
Cervejinha depois
da aula só é
possível
fora do
campus
PI./REMíSIO
Ah!Umacervejageladade
poisdeumaauladesoastante
numa tarde de calor! Existe
vontademais fácilde satisfa
zer? É só ir ao bar da Dona Nina, Pois élánoCentroTec
nológico, o único lugaronde
encontramosalgumtipode be
bida alcóolica sendo vendida
naUFSC,
Temendo queacapacidade
dos alunos da UFSCsejaafe
tada, a proibição foi imposta,
E a medida foi adotada sem
queacomunidade estudantil ti
vesse sidoconsultada, justa
mentenumadecisão que afeta
diretamente,osalunos. Nos demais bares daUFSC,
obardo Básico,aCantina do Convivência,obarda Medici
na e o Natural do Centro de Convivência, a venda não é realizada.
Ogerentedobar doBásico,
Danilo,confirmou quelánunca
foram vendidas bebidas alcóo licaseele nem têminteresse
emvender.
JáMaurício, gerenteda Can tina do Convivência, é contra
apenasavendade bebidas de altoteoralcóolico,comoa ca
chaça, por exemplo, Mas a
proibiçãodacervejaéridícula.
Ali,nacantinafoi vendidocer
vejapretano·horário do almo
ço.
Um funcionário do bar da
DonaNina, noCentroTécno
lógico, quenãoquisse identi
ficar,afirmou que,obar vende
cervejas, poisé precisosatis
fazeravontade dofreguês,
A comunidade estudantil, queenquantoissobebesucos erefrigerantes, aprovaria,sem
dúvida, avendae estácons
cientedos'horáriosde venda, NiloAndrade,Presidente da
ComissãodosBares da UFSC
e dono da Cantinado Convi
vência e do BarNatural, afir
mouqueseavendafosse, li berada os estudantes perma neceriam dentroda Universi
dade, jáqueaquelesquevão
bebericar nos arredores da
UFSC,dificilmentevoltampara
asaulas.
Seosforrós,coquetéis,reu
niõeseencontrosque poraqui
ocorremsãoregadosaálcool,
como é que ficaa proibição,
apenas paraosbares?
Nodia 2 dejunhoàs9horas,
naReitoriadaUFSC,aPró-rei toradeAssistênciaàComuni
dade,oPró-reitordeAdminis
tração, a Comissãode Bares da UFSCeaDiretoriadoDCE,
tinham marcadaumareunião,
que acabou sendo adiada. O
assunto depautaseriaalibera
çãode vendasde bebidas al cóolicasapós os horários de aulas, nosfinaisdesemanae
feriados,
Ao que parece, só "eles". queremcontinuarbebendo.
Cinema
de
SC
vira
tema
de livro
CAÊCASTRO
Cuidado! Sevocêéumda
queles jovens, vindos do in teriore semparentes impor
tantes. que tem de trabalhar duranteodia para poderse manter emFlorianópolis eã noite estuda em algum dos
cursos da UFSC, prepare
se:estãoquerendoteexpul
sarda escola.
Dessaveznão éo ministro
da Educação ou o reitor.
Agora quem está propondo
esta "jóia" é um grupo de
professores do curso de Ciências Sociais.
A proposta, enviada em
forma de documento à chefia do Departamento de Ciên cias Sociais, é assinada pe los professores Euduardo
t!OI�c�e��;
(l,���e�a�lijOÚII�
Guivant.todos eles conside rados"progressistas".
Logono início deseudo
cumento,os"mestres"cons
tatam queno cursode ciên cias sociais existe "um baixo nível de aptidão acadêmica
e de vocação sociológica".
Acusam ascausas: "Inexis tências deuma massacrítica
(...)e aimagem precáriaque
ocursotem nacomunidade. não atraindojovenstalento soseempreendedores",es
clareceo documento.
Para os quatro professo
res, "60% dos alunos não temcondiçõesmínimaspara realizar o curso", acrescen
tando queessepessoalatra
palhaorestante.
Outro grave problema
apontadoéodesobrecarga
horária enfrentadopelospro
fessores, que' estão sem
tempo para exercer outras atividades.
Emvezde proporuma am
pladiscussão interna sobre
osproblemaseindicaruma
profunda reforma curricular que venhaa tornaro curso
mais estimulante. capaz de desenvolverasaptidõesdos
JU�HO
87
' " ".'
.ZERO,
. "P
5'
.o
mago
da
tela
fala
de
sua
pintura
DENISE
BEZERRA
Apesar
dasdemolições
dosantigos prédios
de Florianópolis,
queas imobiliárias insistememsubistituirporpredios
horrorosos deconcreto, existeum mago chamado Aldo Seck, que
pinta
em seusquadros
o queestá sendo destruâo e
magicamente
não deixa que morra amemóriadenossacidade. Aclamadopormuitose
ignorado
poralguns,
Aldo Seck éoúnico artistano estado que se dedica à
preservação iconográfica
da
arquitetura
colonial deFlorianópolis.
Emseusquadros
podemos
ver comofoiacidadeantesdos aterrose
demolições,
queadescaracterizarammuito. Homemsimples
e sensível, Aldo Seckpinta
desde1947, mas desenhadesde
criança.
Fielaoimpressio
nismo, é autodidataem desenho, óleo,
aquarela,
xilo gravuraenanquim.
Jáfez inúmerasexposições,
inclu sive em São Paulo eCuritiba,
mas garante que não vaiexpôr
mais. O motivo? Fica muito nervoso com aexpectativa.
Eummestredaarte;quenasceu eviveemFlorianó
polis,
masqueháapenas doisanosrecebeuomerecidoreconhecimento. Muitas
lições
estão contidas nessaverdadeira
demonstração
de amor em forma de artecomque Aldo Seck
homenageia
aFlorianópolis
atual. Z-Como começousuacarreira? AS
-Nunca entrei emescola de
pintura
ecomeceia desenhar
quando
ainda eracriança.
Comoa escola nãodavamuitotempo,
desenhavanosfinais desema na. Maistardepassei
para aaquarela.
Comaaposentadoriaé que eu
pude
me dedicar inteiramente àpin
tura.
Z
-Por que a
preferência
pela
arquitetura
deFlorianópolis?
.AB
-Comecei aobservar que os
antigos
edifíciosestavam
desaparecendo
e resolvi fazeruma documentaçãohistórica.Comoprogresso,acidade foiumpouco
prejudicada
e nolugar
dosprédios
antigos
existem sócsixssdecimento, Acho quedeviampreservar mais. Z- Vocêteve
o
apoio
necessário?AS - Sim. Fiz muitas
exposições,
até em outros estados.Apenas
uma vez me senti desestimuladoeparei
completamente
por maisou menosquatrosanos,devido àscríticas querecebi.Acríticatanto
pode ajudar
como
pode
prejudicar
efoioqueaconteceu naépoca.
Hoje podem
falar o quequiserem,
pois
eupinto
porprazer. Z- E
quantoaosartistas catarinensesde
hoje,
qual
asuapreferência?
,AS- Gostomuitodo trabalho de VeraSabino,Atila
e Prético.
Z - Santa Catarina tem
público
para estetipo
de arte? AS
-O meio de cultura evoluiu bastanteem todo
o estado. Slumenau, Joinville e até Tubarão
já
têmseusartistase seupúblico.
Z
-Hoje,
um artista consegue viverdapintura
em Santa Catarina?
AS- Já foi
pior,
mas não em muitoapoio.
Quem estácomeçando
agoranão consegue mesmo.É
maisfácil do que
antigamente,
até para fazerexposições,
mas ainda falta
apoio.
ALDO
BECK
j'
FOTOS: CARLOSLOÇôTELLl/ZE,RO
Esther Jean Langdon, antropóloga e professora da
UFSC,conviveucomgruposindígenasnaAmazônia,onde realizou inúmeros trabalhos científicos sobredrogas, alguns
publicados nos EUA, México e na Europa, Para ela, o usodedrogasnãopodeserexcluídodocontextocultural
e,nessesentido,asatitudesemrelaçãoaelas são decisões decadasociedade,Jean observaqueousodealucinógenos
seconfundecomahistória do homem, Asreligiõesarcai cas, por exemplo, foram baseadas, entre outras coisas,
nacondiçãode êxtase queosalucinógenostrazem,Segundo
ela,o usodedrogasentreosindígenasésagradoe muito
controlado. Alémdisso,háassistênciadeumXamã,espé
cie de feiticeiro muitoexperienteno usodosalucinógenos,
que guia as pessoas durante as cerimônias. "Entre eles
não hácasosdeviciadosoupirados, poisconhecem oque
estão usando hácentenasde anos",comentaaantropóloga.
Osíndios com
quem
elatrabalhounosAndes usam, alémdosalucinógenospara finsreligiosos,afolhadacoca,para realizarem trabalhosfísicoseconterafome.
VALORES
"As pessoas estão usando drogas paraobterem prazer,
eprazer é uma busca constante em nossasociedade. Os indivíduossedrogam conformeasociedadepropõe eaca
bam fazendoexperimentosemsipróprios", explicaJean.
Ela crê queapropagandafeita sobreasdrogasatualmente,
que as associam a comportamentos anormais, contribui muito para que sejam utilizadasde forma absurda. Essa
propagandaéperigosanamedidaemque osjovensveêm
naproibiçãoum motivode rebeldia,fazendoexatamente oqueasociedadepreviucomoresultadodousode tóxicos. Jean não concordacomaidéia dequearepressãováconter
o consumo, lembrando a LeiSeca nos EUA durante os
anos 20, que proibiu a fabricação e comercialização de
bebidas alcoólicas,eque gerouotráficoeo crimeorgani zado. "A repressãodeve serrepensada, poisessemétodo
é utilizadoemoutrasáreasproblemáticas,semapresentar
bons resultados", analisaaantropóloga. Ela defende
uma
visão mais realista doproblema,ecitaoexemplodoestado
.doOregnon
nosEstadosUnidos,ondeumapessoa
apreen-dida com pequena quantidade de maconha ou cocaína,
ésomenteobrigadaapagarumapesadamulta.Essa,segun doela,éumanovavisão,mas amaneiradomundoencarar a
droga
nãomudou nada. Apenasapreocupação aumentou,como crescenteconsumode cocaína,
"Aeducaçãoé fundamental paraaresoluçãodoproble
ma",diz Jean. "Masumaeducaçãoque nãoproíbanecessa
riamenteesevolteparaainformaçãoepesquisacientífica.
É preciso dizer a verdade, pois uma realidade pode ser
danosaeoutranão, afinal omedonão pode transformar aeducaçãoemmentira",finalisaaantropóloga.
ColaborouMarquesE. Casara
Polêmico,
o temadivide:
osque
condenam
e osque
aprovam. Em
quatro
depoimentos,
asvisões de
cada
umdesses
elos. E
ada
antropóloga
Jean
Langdon
Consumidores:
"Polícia deveria
se
preocupar
com
a
violência"
O.E., 16 anos, e D.C., 18, são dois jovens boa pinta,
vindos do interior para cursarem pré-vestibular. Moram num bomapartamento nocentro
de
Florianópoliseusammaconha ecocaínaregularmente. Eanovafacedadroga,
ondeo consumonãoserefletenaaparênciados queesco
lhemessecaminho.
Eles recorrem àdrogaparairem a festas, para dormir,
ou mesmopara ficaremcoçandoo saco. Geralmente não usam para estudar,pois ficam viajando otempotodo. A
curiosidadefoioqueoslevouaexperimentarpela primeira
vez, háquatroanos atrás, um velho conhecido de muitas
gerações: o lança-perfume. Depois dele, o fumo e o pó.
"Queroexperimentartudo que estiverpor aí",diz D.c., "mas isso não significa que uma drogasirva de caminho
para outras mais fortes, é uma questão de estar a fim".
Elenão sabequandovai parar,masacreditaquesejauma
fase. "Cheirococahá muitotempo,masjáestouenchendo
osaco,ese quiserparareuposso. A vontade de continuar
é muito grande, mas dá pra parar". Quando notam que
seushábitos estãomudando,dãoumtemponacoisa para
não fissurarem. O.E., não acredita que o uso de tóxicos
gereviolência,porque "dá muitapazinterior,equemviaja
não está afimdeagredir ninguém".
BASEADINHO
"Aqui em Florianópolis é difícil encontrar quem não
fume", dizD.C.,poistudo émais liberal do quenointerior.
Lá, segundo ele, "o uso de coca está em alta, pois dá
statuscheirar. fcomoterumcarronovo,coisa da moda".
Aquielesadquiremamercadoriacomfacilidade,poisestá emtodoolugar.Quantoaomedodeserempresos, confes samqueexiste,masnãoéumfatorquedeterminemudança
de comportamento. "Apolícia deveriasepreocuparmais
comoutrascoisas, comoaviolência,osassaltos,acorrup
ção no governo e não ficar prendendo quem fuma um
baseadinho poraí", complementaD.C..
CARLOS
LOCATELLI
Traficante: "Consumo
cresceu
muito
por
causa
da
angústia
generalizada"
o
xerife: "Política
não
pára
investigação"
Bebendo uma gelada na mesade um bar,conversei
com umdos"pontas"(trafi
cante), que passam a coca em Florianópolis. Sem
identificar-se, ele esclare
ceuquenãoseconsideraum
delinqüente,poissuafiloso fia difere da maioriadosque
estão no comércio dasdro gas. Além dolucro,elecur
temuito asamizades que a
transa lhe trouxe ao longo
dos dozeanosde atividade.
Seu grupo é seleto, com
aproximadamente 20 usuá
rios, de bom nívelcultural,
amaiorpartecom curso su
perior, umaboaposiçãoso
cialequeencaram acocaína
comopartedeumconjunto
de coisas boas que a vida
tem. Ele controlaa quanti
dade que cada usuário ne
cessita e geralmente não
fornece doses extras, para
"queninguémsepasse".Os
compradores são antigos e
podem pagar o pó quando
recebemseussalários. Para
ter uma vida normal, ele mantém umempregoe não
quer aumentar o negócio, masjáteveoportunidadede .
passar "até tonelada", se .
quisesse.
OTRÁFICO
Sem falar muitodosiste
madetráfico,elecitaostrês
elementos que estão no fi nal do esquema: o "mula
,
(transportador), que trás a
mercadoriae recebepores-,
se trabalho uma cota fixa;
o "meio campo",querece
be e centraliza a distribui
ção e finalmente, "o pon
ta", que compra a merca
doria do "meio campo" e
vende para o usuário. O
"ponta", que geralmente também é usuário,é quem mais se arrisca em toda a
transação, já que se expõe a umnúmeromaiorde pes
soas ao mesmo tempo. A
função do"meiocampo" é
amais segurae mais rentá
vel donegócio.Acoca,que
apartaemFlorianópolispo de virtantodo Rio Grande doSul, quantodoParaguai,
variando conforme se en
contra o "clima na Ilha",
pois é grande a quantidade
que circula e a pressão da
políciaéconstante.
Indagado se a transação
dadroganãoé a causadora
da violência atual, ele res
pondeu que essa violência
nãoé frutodostóxicos,mas
sim dopróprio sistema, no
qual a droga também está
incluída. Paraele, o álcool e o cigarro matam muito mais queacocaína,etodos
sabem disso. Mas a socie dade se recusa a enfrentar opoder políticoeeconômi
co existente por trásdesses
produtos, que é infinita
mentesuperioraopoderda
droga. Ele afirmou que o
ELÓI: As cidades com
maioresproblemassãoFlo
rianópolis, criciúma, Join
villeeItajaí. Elasrecebem
asdrogas através de auto
móveis quevão buscarfora doestado, ou recebem co mo encomenda pelos ôni busconvencionais, ZERO: Quem distribui as
drograsnai1ba?
ELÓI:OS donos de deter minadas docas, como o
MorrodoMocotó,da caixa
d'água,abocadoGilnoEs
treito,e outros.
ZERO: Epor queapolícia
nãocbeganesseslocais?
ELÓI Nóschegams,mas a
falta depessoaledeumde
legadosó paratóxicos difi
cultam as operações. Por
enquantoestamos improvi
sando.Outroproblemaéa
quantidade:temmuita dro ga por aí. Florianópolis é
umadascapitais de maior
consumodetóxicosdopaís.
ZERO: Além doconsumo,
Florianópolisnão seriapon
tenadistribuiçãoparanres
todopaís?
ELÓI: Aíeu não sei. Eu posso afirmar que édecon
sumo, agoraseé ponte eu
não sei. Florianópolis fica meio fora derotaparaser
ponte.
tável équeessesindivíduos nemsempreserecuperam.
Amaconha,que dizemser
fraca,trásseqüelasirrever
síveiseoviciado nãovolta maisaonormal.
ZERO: A polícia distingue
ousuário do viciado?
ELÓI: O usuário é quem
temmaischancesdese re
cuperar. Ele para de dar
uma "bolinha" quando a
Políciaaperta.Se não aper tarmos, ele se transforma
numviciado,eviciados não
existem muitos.
ZERO: Reprimiros usuã
rios temoefeitoesperado?
ELÓI: Quando atacamos,
os indivíduosse recolhem,
porqueessetipodepressão
intimida nãosó quem acaba preso, mas as pessoas que
fazem partede seu grupo.
Éumamaneiradesefazer
prevenção. Naprática, sa
bemosque éisso queocor re.
ZERO: Qual aestratégia
utilizadapela polícia?
ELÓI: Um policial tenta
compraradrogaparacon
firmar o ponto, e, no mo
mento apropriado, caímos
emcima deles.
ZERO:Quaissãoosprinci
paiscentrostráficoseconsu monoEstado?
Exercendo o cargo de diretordoDepartamento EspecializadoemInvesti
gações Criminais
(DEIC), o delegado Elói
Gonçalves de Azevedo é
também o responsável
pelo combate ao tráfico
detóxicoemSantaCata rina.Favorável à pena de
morte para traficantes,
acreditanarepressãoco moformade evitaro uso
dedrogas,pois, segundo
ele, o tráfico está entre os piores crimes cometi
dos contra a sociedade.
Nessa entrevista, o dele
gado Elói, que confessa
terentradonaPolíciain
fluenciadopelashistórias
de Flash Gordon e Tom
Mix,falacomovêopro
blemadasdrogase como
atua.
ELÓI:Nograndetraficante
nós nãochegamos,mas va moschegar.Ele só deixaa
mercadoria aqui e desapa
rece.Entãotemosdepegá
lo nahora. Esse elemento
quefoipresopertoda As
sembléia é dos grandes, e
com ele foi encontrado,
alémdecocaína, umalista daspessoasquecompravam
opó.
Lobãoou mesmo Gilberto
Gil, não são usadas para desviaraatençãopúblicado
elemento central da ques
tão,ouseja,otraficante?
ELÓI: Nós,comopoliciais,
temos quereprimir todos, sejamelestraficantes,usuá
riosouviciados. Nãopode mosabrir mão de nenhum deles.
ZERO:Qualseriaasolução
paraoproblema?
ELÓI: A médio e longo
prazo seria atravésdaedu
cação nas escolas, pois a
criançatomaria consciência doperigodotóxico. Acurto
prazo seria necessárioequi parapolíciae atacar.Aqui
em Florianópolis é preciso umaDelegacia Especializa
�
com nomínimo,50 homens ecincodelegados.De
imediato a única saída é a
respressão.Elatemqueser
feitaemtodososlugarese
sobretodasaspessoassus
peitas, sem distinçãoalgu ma.
ZERO:Opodereconômico das drogasimpede ou difi· cultaasinvestigações? ELÓI: Talvez influencie,
masnãoéoquenosimpede
deagir.Essainfluência não
existe aqui, talvezem ou troslugaresexista. ZERO: Evocesvãochegar
naspessoas,daslistas?
ELÓI: Sim, vouchecar to
das.Aimprensadeumuito
destaque quando prendi
GilbertoGil,mas averdade é quejádetive todososti
pos depessoas. Aivestiga
ção que eu estiver condu
zindo,políticanãopára.
ZERO:Comoépagoodedo
duro dasorganizações de tráfico?Atravésdefavores
oucompartedamercadoria
apreendida,jáqueapolícia
tambémcarecede verbas?
ELÓI: Nem comfavores,
nem commercadorias. Na SSP(SecretariadeSeguran
çaPública)existeuma ver
basecretautilizada paraes sascoisas. Masopagamen
toéefetuadosempreemdi
nheiro.
_,ZERO: Prisões como ado
consumo cresceumuitonos
últimosanos"devidoauma
angústia generalizada das
pessoasemrelaçãoao mun
do". "Comacocaína,apes soapodeencontraroequilí
briodesejado,oudesequili
brar-se totalmente". Nesse
caso"adrogarevela apenas umafraqueza jácontidanas
pessoas".Paraele,apropa
ganda negativa montada
contra a coca não leva em
consideraçãootrabalho que muitos políticos, intelec
tuais,artistase empresários
realizam para a sociedade,
movidospela energiaquea
drogatrás. Ele acredita que
com sabedoria, tudo pode serutilizado.
ZERO: Porquevocêentrou
naPolícia?
ELÓI: Eu entrei mais in
fluenciadoporcertasrevis tas, era fã do Tom Mix e
Flash Gordon, e sempre
gosteideinvestigações.
ZERO: ComoaPolícia vê
oviciado?
ELÓI: Eu consideroo vi
ciadoumdoente. O
larnen-Elói: pena
capital'
samaplicaralgum golpe.
ZERO: Mas, justamente
por estar foradas rotas tra
dicionais,acidadenão esta
riasendo utilzadapara co
nexões?
ELÓI: Talvez. Talvez
pos-ZERO: Pelovisto,apolícia
local sõ prende odistribui
dor, porquenão consegue
prenderotraficante?
CULTURA
Barreiras
da
criação
em
vídeo
MARIA
T.
S.
CORDEIRO
A novidade do vídeo
já
fazparte
da rotina dosprodu
toresdos
grandes
centros, mas emFlorianópolis,
capi
tal do soledomar
(que
comcertezadão "altascenas",
comodizem os mais fissurados por
imagem)
fazer ví deo éumgrande
desafio.Produzir
aqui
aindaimplica
emter queenfrentar muitasdificuldades
pois,
como emtodasasoutrasativida desculturais,omaiorproblema
é a falta deapoio
dosórgãos governamentais
eeventualmente,de empresasprivadas.
Mas estas dificuldades não amedrontam quem realmente está a fim de ver numa fita de VHSsuasidéias.
Na área de vídeo em
publicidade,
oproblema
nãopassasó
pela
falta deapoio,
masprincipalmente pelo
"pão-durismo"
dasagências
depropaganda.
Janiseda
Veiga,
gerentedaCena1,produtora
devídeo,afirma que asagências
querem umproduto
final de ótimaqualidade,
mas suapreocupação
maior se concentrano
orçamento.
"Elas(as agências)
investem muito maisna mídia, porque o retorno financeiro é
rápido",
diz Janise. Aparte
queexige
mais recursoséaprodução
de VTque é a
locação
do estúdio eequipamento
deedição.
Tudo isso quem faz são as emissoras de TVque possuem o
equipamento,
o que torna mais cara aprodução.
Na área de vídeo em cinema, a história é outra: a
intenção
maior não éganhar
dinheiro e sim mostraro trabalho. Charles da Silva, um dos novos
partici
pantes
eprodutores
de vídeoemFlorianópolis explica:
POemaS/Monique
Van DressenSem
poesia
Nãotem maiscanoa
quebrada
Nãotem mais
ninguém
em meu quartoNem bilhete
najanela perguntando
aondeeuque rochegar.
Nãotem mais
poesia
no caderno Nem certeza, nemtinta nochão. Nãotem mais sonho de valsa Nem sonho de samba Nem sonho nenhum.A busca
Minha
mãe mediz que eu soutãoequilibrada
... E nestacorda que eu vou,procurando
em cada neo ou metaorosto que vai me
jogar
nochão.E cadavezque eusaiode preto
do
nãoé sério
Estou só brincando de serdesenvolvida...
"No cinema, o
pessoal
tápreocupado
em mostrar otrabalho. No começo sótem dinheiro para fazercurta
metragem".
O
pessoal
que faz vídeoindependente
usa materialem VHS. O ideal é usar U-MATIC, mas é muitocaro.
Entre os trabalhos
já
realizados na ilha, vários deles atéjá
participaram
de festivais:"Loba",
"Duende"(que
vai sairainda),
"OEspelho",
"Política das Cores"(ro
teirode Mauro Faccioni,direção
deAngelo Sganzerla,
feito para o PartidoVerde).
Asproduções
de vídeo também estãocomeçando
a serusadas paradespertar
aatenção
dapopulação
para osproblemas
e para ofolclore dealgumas
comunidadesdo interior dailha,como é o caso de um grupo de
Sambaqui
que estáfazendoumfilme sobre aslendase
magias
dolugar.
Charles revela que "todo mundo que trabalha naárea de vídeoecinematá
junto".
Eestauniãosócontaponto a favor do
pessoal.
O queimporta
mesmo équetenha bastantegenteafim de fazer vídeoem Flori pa, só que poucas pessoas têm
algum
conhecimento técnicoadequado,
entãoasolução
é promoverum cur so de cinema para que este grupo possa ter acessoavárias
informações
epartir
com mais conhecimento paracampo",
sugere.Mas no
fundo,
tem umacoisa:tudo époesia,
desdepintura
passando
porfotografia
até cinematambém,
porque não?
SISTEMAS
Os sistemas usadosna
produção
devídeo são:VHS,
U-Matice Betamax. As
diferenças
principais
entreelesestãona
qualidade
daimagem
e nocustodoequipa
mento.
O VHS
(Vídeo
HomeSistem)
é o vídeo caseiro, aqualidade
daimagem
é inferiorà do U-MaticeaoBetamax. Porém, o
equipamento
é mais barato, menor e adisponibilidade
de fitas no mercado das locadoras é maisampla.
Já oequipamento
de U-Matic éprofis
sional e bem maiscaro. A
qualidade
deimagem,
noentanto, é melhor, a bitola é maior e suas câmaras
trabalham, com três tubos de
imagem.
O Betomax,queéfabricado apenas
pela Sony
tem menosopções
de
filmes,
mas oequipamento
é mais baratoetambém écaseiro, como oVHS.MERCADO
Os
produtores independentes
emFlorianópolis
nãovivemapenas de filmes. As
opções
de trabalho sã inúmeras, como a
gravação
de festas(casamentos,
aniversários,
etc)
etrabalhos relacioradoscomosdepar
tamentos de
relações
humana: .cl empresas(treina
mentos).
Outraopção
é agravação
devídeo-clips
degruposmusicais locais.
Existe
a
alma
brasileira?
MILENE
CORRÊA
Falando em símbolos nacionais,
nãooselo, o escudoou abandeira,
mas o samba (que alguns desavi sados insistem em confundir com
"rurnba", e que o digaZé Carioca),
a feijoada e o candomblé, vem-me
àcabeça a questão da legitimidade dosseussignificadosenquantover
dadeirossímbolos nacionais.Ora,se
perguntarmossobreaorigemdestes
símbolos,veremosqueos seuscria
dores são exatamente os negros,
aquela raçadesclassificada, basee
braçoeconômico donossoBrasil-co lôniae, atualmente,base subestima da(aliás,sempreoforam) donosso
Brasil-ainda-colônia.Seoperigodas
manifestaçôes coletivas dosnegros
jánãoexiste,eseelasjánão afetam
o sistema político e social do país,
devemosissoamaisumtiro certeiro da nossa classe dominante que, ao
seapropriarda culturanegrae mar
ginalizada,nãoofez poroutros moti
vos quenãoode mantê-Iasobcon
trole e, também, pela sua incontes tável faltadeoriginalidade e raízes,
quea impossibilitariamde criaruma
culturaprópriaesignificativa,mesmo
que para isso tivesse um "Horário CulturalGratuito".
Que todos nós temos, "lánofundi
nho", um pouco de sangue negro,
é verdade. Mas também é verdade
quetemos,"lánofundinho",umpou code todos(ou quade todos)os san
gues: o italiano, o alemão, o portu
guês,oíndio,ofrancês.Acasoapo
lenta, acerveja,ofado, aspenasou a Estátua da Liberdade seriam sím bolos dignos da nossa nacionalida
de? Acredito queesse nacionalismo
barato,quehojetoma forma alienan
te, mas que tem fundo essencial
mentepolítico, sejamaisumescudo
(não símbolo)para queaelitesepro
teja da negritude, do que o líquido
mágico da fusão das culturas e ra
ças.
SeoBrasilévendável(talvez, um
dia,venhaa serviáveltambém),mui to temcontribuído paraissoaexpor
taçãodo "nosso"samba,da "nossa"
feijoada, do "nosso" Carvanal e de outros "nossos" que não são bem
assim, até do "nosso' futebol (que
não é maisaquele). Seráqueos ne
gros, "nossos"negros, estariam dis
postos a vender suas almas (suas
armas),tendoemvistaa suasubutili
zaçáo,ouestariameles,osdesapro
priados, rindode nós, os expropria
dores, ao ver-nostãofelizes porter
moscompradoas suas armas mas,
nunca,as suasalmas?
"PS',
'