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A Primeira República do Brasil Os Militares

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A Primeira República do Brasil – Os Militares

Prof. Me. Ubiratã F. Freitas. Na segunda metade do século XIX, a sociedade brasileira sofreu uma série de transformações. Nas províncias ao sul do Rio de Janeiro, a mão de obra escrava foi substituída pelo trabalho dos imigrantes. Capitalistas instalaram ferrovias para escoar as mercadorias até os portos. Em 1889, o Brasil possuía cerca de 10 mil quilômetros de ferrovias. Enquanto isso crescia a insatisfação de vários grupos sociais em relação à monarquia. Aos a Guerra do Paraguai, os militares exigiam um tratamento privilegiado, o que era recusado pelo Estado imperial. Depois de maio de1888, até mesmo os donos de escravos estavam descontentes com a monarquia, pois se sentiram lesados com o fim da escravidão. Havia ainda uma percepção entre as elites de que a monarquia era incapaz de modernizar o país e, com isso, aproximar o Brasil de países considerados “adiantados”, como a França e a Inglaterra o fim da monarquia representou, para muitos grupos, o início da modernidade no Brasil. Um dos símbolos dessa modernização foi a remodelação das ruas e dos edifícios das principais cidades brasileiras, ocorrida a partir do início do século XX.

Civis e Militares Derrubam a Monarquia

Em 1870, um grupo formado por políticos liberais dissidentes, jornalistas e intelectuais publicaram no Rio de janeiro, no jornal A República. O Manifesto Republicano. Liderados por Quintino Bocaiúva e por Saldanha Marinha, esses republicanos repudiam o poder centralizado do Império e defendiam a criação de uma República Federativa. Em 1873, um grupo de cafeicultores do Oeste de São Paulo, insatisfeitos com a monarquia, reuniram-se na chamada Convenção de Itu e fundou o Partido Republicano Paulista. Mas esses vários grupos de republicanos não seguiam um projeto político único. Havia uma multiplicidade de projetos visando à construção de um novo país.

Projetos de República

Durante a gestação da República destacaram-se três projetos políticos:

 Liberalismo à Monarquia – defendia uma sociedade regulada pelo mercado, sem intervenção do Estado na vida dos cidadãos. Era adotada principalmente pelas oligarquias rurais paulistas (PRP) e mineiras.

 Jacobinismo à francesa – prega a participação direta dos cidadãos no governo. Alguns setores urbanos, como os profissionais liberais, os estudantes, os jornalistas e os professores, defendiam o jacobinismo.

 Positivismo – criado pelo francês Augusto Comte, defendia um Poder Executivo forte e um Estado intervencionista. Grande parte dos militares brasileiros identificava-se com esse projeto. Os republicanos civis, liderados pelo jornalista Quintino Bocaiúva, aproximaram-se do exército e conseguiram convencer o veterano marechal Deodoro da Fonseca a derrubar D. Pedro II do poder.

No dia 15 de novembro de 1889, as unidades militares marcharam pelas ruas do Rio de Janeiro e Deodoro depôs o ministério sem nenhuma resistência. Dom Pedro II e sua família foram banidos e partiram para a Europa na Madrugada do dia 17 de novembro. A população não participou do golpe, apenas assistiu à movimentação de tropas.

A República da Espada

Os presidentes da República entre 1889 e 1894 eram militares. Por esse motivo, o período ficou conhecido como República da Espada. Foi um período de transição marcado por conflitos entre os grupos políticos que disputavam o poder. Nesse momento o exército garantiu o controle do país pelas oligarquias do sudeste, principalmente os cafeicultores de São Paulo.

O Encilhamento

Deodoro escolheu Rui Barbosa para comandar o Ministério da Fazenda. O novo ministro adotou medidas de estímulo à industrialização do país. O governo passou a conceder empréstimos generosos e autorizou os bancos particulares a emitir papel-moeda. Esse dinheiro deveria financiar a criação de novas empresas, principalmente indústrias. Outra fonte de dinheiro que deveria ser aplicada nas indústrias foi a bolsa de valores, que teve um alto índice de vendas de ações. A grande quantidade de dinheiro em circulação

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permitiu aos investidores comprar muitas ações. Os preços dispararam, atraindo mais investidores. Quando o mercado percebeu que muitas empresas eram “fantasmas”, o crédito foi cortado e todos quiseram vender as ações. Os preços despencaram e a maioria das novas empresas, fictícias e reais, faliu. O primeiro plano econômico da República foi um fiasco. Rui Barbosa pediu demissão, deixando uma imensa crise econômica. Constituição de 1891

A primeira Constituição republicana alterava a organização política nacional. A forma de governo adotada era a Republicana presidencialista. Os poderes constituídos passaram a ser: Executivo, Legislativo e Judiciário. O voto era limitado aos homens alfabetizados maiores de 21 anos. Não votavam: mulheres, mendigos, soldados, membros de ordens religiosas, estrangeiros e analfabetos. As regras da nova constituição afastavam o povo da vida política, principalmente os ex-escravos e os pobres em geral, tanto brancos quanto negros, que raramente eram alfabetizados, além de todas as mulheres.

Governo Constitucional

Os deputados da Assembléia Constituinte elegeram Deodoro da Fonseca como presidente e o Marechal Floriano Peixoto como vice. Dessa forma, Deodoro permanecia chefiando o governo, mas sob novas condições: devia dividir o poder com o Congresso e o Judiciário. Essa nova situação não agradou ao militar, que passou a agir de forma autoritária. Destituiu os governadores estaduais que não eram seus aliados e entrou em conflito com a oposição no Congresso Nacional. No auge do conflito com os republicanos civis, o presidente fechou o Congresso. Pressionado por uma rebelião da marinha, Deodoro da Fonseca renunciou à presidência em novembro de 1891.o vice-presidente Floriano Peixoto, assumiu o governo.

O Autoritarismo Florianista

Floriano Peixoto era partidário de um Estado forte que incentivasse a industrialização e a melhora das condições de vida do povo. Em seu governo, os aluguéis forma congelados e praticou-se o co0ntrole de preços dos produtos de primeira necessidade. Floriano manteve hábitos simples, evitando o luxo e o aparato oficial da presidência da República. Com essas medidas, conquistou o apoio das camadas populares. Contudo, setores das elites regionais não aceitavam o governo. Muitos republicanos entendiam que Floriano deveria ter convocado novas eleições para substituir Deodoro. A firme decisão de Floriano de permanecer no poder causava grande insatisfação nas correntes divergentes dos florianistas. A união dos monarquistas a esses grupos descontentes gerou duas rebeliões armadas: Revolução Federalista e Revolta Armada que tentaram derrubar o presidente, pondo em risco a jovem república.

A República Civil

Ao afastar-se da política, Floriano Peixoto deixou o caminho aberto para as oligarquias do Centro-Sul, principalmente os cafeicultores, estabelecerem um mecanismo político capaz de garantir estabilidade econômica e sua manutenção no poder. O paulista Prudente de Moraes, advogado ligado aos interesses dos cafeicultores, foi o primeiro presidente civil do Brasil. As afinidades existentes entre o governador do Rio Grande do Sul, Júlio de Castilhos; e os políticos paulistas permitiram que Prudente de Morais negociasse o fim da Revolução Federalista em 1895. O problema mais sério dessa administração foi a Guerra de Canudos.

Campos Sales e seu Governo

Campos Sales, herdou uma enorme dívida externa do governo anterior, em um momento em que os preços do café caia no mercado internacional. O governo brasileiro fez um empréstimo ao banco inglês Rothschild e suspendeu o pagamento da dívida. A garantia, se não houvesse pagamento, era a renda da alfândega do Rio de Janeiro. Essa negociação ficou conhecida como Dívida Flutuante, o que na realidade era outro empréstimo para pagar o anterior. Para diminuir as despesas e aumentar a receita, o ministro da Fazenda Joaquim Murtinho foi rigoroso: cortou as despesas do governo em infraestrutura, como construção de estradas, escolas e hospitais, e aumentou os impostos. Durante seu governo, a economia foi saneada, mas quem pagou a conta foi o povo: mais imposto e menos emprego.

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A Política dos Governadores na Primeira República A Política dos Governadores

Após solucionar os problemas financeiros, a administração de Campos Sales criou alguns mecanismos para garantir a permanência das oligarquias no poder, o que ficou conhecido como política dos governadores. Por trinta anos, as oligarquias conseguiram anular todos os projetos políticos de oposição.

O Coronelismo e o Voto de Cabresto

A manipulação das eleições era uma das bases da política dos governadores. Os latifundiários ou “coronéis”, denominação originada na Guerra Nacional, indicavam o seu candidato para qualquer cargo. O “voto aberto” determinava o processo de controle, permitindo a formação do “curral eleitoral”, grupo de eleitores que seguiam a indicação do chefe local. O coronel determinava os votos de seus comandados em troca de favores, que iam de cargos públicos até presentes variados, como um par de botas, remédios ou uma garrafa de cachaça. Essa disposição do eleitorado em vender seu voto contribuía para o “voto de cabresto”, controlado pelos coronéis. Caso a influência política, os discursos ou os presentes não gerassem o resultado esperado, apelava-se para a violência ou para a fraude, comum desde as eleições do Império.

O Poder dos Governadores

As oligarquias de cada estado se organizavam principalmente nas eleições para o Congresso Nacional. Por meio dos coronéis e de seus currais eleitorais, eram eleitos os deputados e os senadores, aliados políticos das oligarquias. Para evitar a vitória de candidatos de oposição, o governo de Campos Sales criou a Comissão Verificadora de Poderes para apurar possíveis irregularidades do candidato eleito. Na realidade, essa comissão encontrava irregularidades apenas entre os candidatos de oposição, que não conseguiam assumir seus cargos. Essa prática era conhecida como degola, e permitia ao presidente da República governar sem uma oposição significativa.

Nos Estados, os mesmos mecanismos possibilitavam aos governadores controlar os legislativos estaduais. Havia, na verdade, um sistema de convivência pacífica entre o poder federal, controlado pelos grandes estados, e os poderes estaduais, controlados pelas oligarquias locais. Como o presidente da República não sofria oposição significativa na Câmara Federal e no Senado, as oligarquias estaduais, em troca, ficavam livres para fazer o que bem entendessem dentro de seus estados. A política dos governadores era essa cordial troca de favores entre o presidente da República e os governadores de estados aliados. O

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rompimento do equilíbrio entre União e estados ocorreu pela insatisfação crescente dos estados médios, como o Rio grande do Sul, Bahia e Pernambuco, com a predominância de São Paulo e Minas Gerais.

A Política Café com Leite

São Paulo era o estado mais rico da federação, e Minas Gerais era o estado mais populoso e o segundo mais rico. As oligarquias dos dois estados eram representadas pelo PRP (partido republicano paulista) e pelo PRM (partido republicano mineiro), o PRM é que organizaram a máquina eleitoral para eternizá-los no poder federal. A alternância de políticos de São Paulo e de Minas na presidência da República ficou conhecida como política café com leite, integrante da política dos governadores.

Convênio de Taubaté

Em 1906, a economia baseada na exportação de café enfrentava grave crise. A produção de café atingia 20 milhões de sacas, enquanto o consumo mundial era inferior a 16 milhões. O excesso de produção fazia os preços despencarem. Os governadores dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro reuniram-se no chamado Convênio de Taubaté, em Taubaté SP, e tomaram uma série de medidas para os preços: realização de um empréstimo externo de 15 milhões de libras esterlinas; estabelecimento de um preço mínimo para a saca de café; proibição de novas plantações de café e a criação de estoques regulares. O convênio de Taubaté permitiu que as oligarquias cafeicultoras permanecessem no poder, fortalecendo a política dos governadores.

A Campanha Civilista

Nas eleições de 1910, pela primeira vez, houve uma campanha eleitoral realmente disputada, com comícios, discursos e bandas de música. O jurista baiano Rui Barbosa, apoiado pelo PRP, concorreu com o marechal Hermes da Fonseca. Essa campanha eleitoral ficou conhecida como Civilista, devido à luta de Rui Barbosa em nome da moralização das eleições e contra a volta dos militares ao poder. Houve fraudes praticadas pelos partidários dos dois candidatos. No final das apurações, Hermes da Fonseca foi aclamado vencedor. A espada voltava ao poder.

A campanha civilista materializou as dissidências entre oligarquias do Brasil. O domínio político de São Paulo causava profunda insatisfação nas demais oligarquias do país. A política dos governadores, que produzira uma relativa estabilidade no início da República, entrava em crise.

A Dissidência Militar

Os militares estavam muito insatisfeitos com o governo das oligarquias estaduais. Epitácio Pessoa, eleito em 1919, manteve uma relação tensa com o meio militar, negando o aumento nos soldos e mandou prender, por desacato, o ex- presidente Hermes da Fonseca. Em 1921, a eleição do mineiro Artur Bernardes para a presidência foi considerada uma afronta pelo exército. No mesmo ano o Correio da Manhã publicou cartas atribuídas a Bernardes em que Hermes da Fonseca era chamado de sargentão sem compostura, e nas quais se afirmava que o Exército era formado por elementos Venais.

O Tenentismo e as Revoltas dos Tenentes

Durante o mandato de Artur Bernardes, jovens oficiais do Exército iniciaram o movimento conhecido como Tenentismo. Eles definiram reformas como o voto secreto, a centralização do poder, o ensino primário e o profissional obrigatório, etc. Em nome desses ideais, lideraram inúmeras rebeliões:

 Revolta dos 18 do Forte de Copacabana – tentando evitar a posso de Artur Bernardes, em 1922, foi planejada sublevação dos fortes do Rio de Janeiro. Só o forte de Copacabana aderiu à revolta. Isolados e bombardeados, os soldados do forte se renderam, com a exceção de 17 homens, que saíram e enfrentaram as tropas do governo. A eles juntou-se um civil apenas. Apenas dois sobreviveram.

 Revolução Paulista de 1924 – em julho de 1924, tropas de Exército sediadas em São Paulo se rebelaram contra o governo federal. O plano era que fossem acompanhadas pelas tropas gaúchas, o que não ocorreu. Isolados na capital, as tropas rebeldes foram cercadas e bombardeadas pelas forças fiéis ao governo. Abandonaram então a cidade para cessar o ataque que atingia os civis.  Coluna Prestes – as tropas que participaram da Revolução Paulista uniram-se aos militares

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Coluna Prestes. O plano de Prestes era levar a revolução ao interior do país, conquistando o apoio da população. Entre 1925 e 1927, a coluna percorreu cerca de 25 mil quilômetros em treze estados do país, perseguidas por tropas legalistas. Sem apoio popular e reforços militares, acabou refugiando-se na Bolívia, onde se dissolveu.

Século XX no Brasil: A Semana de Arte Moderna de São Paulo 1922 Introdução

O começo do século XX no Brasil foi marcado por fatos que mudaram sua história. Dentre eles destacam-se o início da produção industrial e a vinda de grande número de imigrantes de diversos países. Como consequência o país assistiu a um expressivo crescimento econômico e a grandes transformações sociais, resultantes do convívio com diferentes culturas.

Uma Nova Arte Brasileira

Nesse contexto de grandes mudanças sociais começou a se desenvolver uma nova arte brasileira, a princípio na literatura. Escritores como Oswald de Andrade, Menoti Del Pichia, Mario de Andrade e outros foram se conscientizando da época em que viviam. Para Oswald de Andrade, os artistas brasileiros deveriam ter como ponto de partida as raízes nacionais. Assim, ele passou a expor nos jornais suas ideias renovadoras e a participar de grupos de artistas unidos em torno de uma nova proposta para a arte brasileira.

Essa busca por novos caminhos ganhou força com a Semana de Arte Moderna, realizada em fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo. No evento foram apresentados concertos e conferências, além de exposição de artistas plásticos.

A Busca pela Cultura Brasileira

Com a Semana de Arte Moderna, os modernistas buscaram outro sentido para o “nacional” na cultura brasileira. Ela foi o ponto de partida para um questionamento das concepções culturais europeias que orientavam a maioria da produção cultural do país. Em conformidade com a rapidez das transformações materiais que se operavam na sociedade brasileira, cujos benefícios eram restritos, no entanto, às camadas médias e setores da elite, o modernismo, situado historicamente, pretendia romper com o formalismo, a retórica, o academicismo.

Ao mesmo tempo, buscou-se a aproximação com o poder, o regional, “descobriu” o folclore, “redescobriu” o Brasil e procurou fixar o “nacional” numa perspectiva diferente do que havia sido tentado até então, como, por exemplo, pelos românticos. Em fim, procurou, sobretudo em sua vertente mais nacionalista, reelaborar o conceito de “cultura brasileira”. Ao fazê-lo, construiu, ainda, uma nova identidade cultural do “brasileiro”. A obra Macunaíma, de Mario de Andrade, em essência, representaria esse “novo homem”. Impossível em outros tempos, o anti-herói macunaímico, novo símbolo da brasilidade, afirma, logo após nascer: “Ai, que preguiça”.

A busca do “nacional” na cultura brasileira ganhou um novo sentido e uma nova dimensão a partir da década de 1930 e, mais particularmente, com a implantação da ditadura de Vargas, em 1937 - Estado Novo. Conceituar a “cultura brasileira” de acordo com a perspectiva ditatorial da época passou a ser uma preocupação ainda maior nesse período e nesse novo contexto político marcado pelo intervencionismo do Estado, inclusive no plano cultural.

Autoridades políticas e mesmo intelectuais – a favor ou cooptados pelo regime – procuraram efetivar um projeto nacionalista que incorporasse a classe trabalhadora urbana. Esta representava uma novidade do cenário social, assim como o surgimento de uma sociedade de massa, reflexos da nova dinâmica industrial do país. Na perspectiva de um regime autoritário e centralizador, as camadas populares urbanas deveriam estar sob a tutela do Estado e para elas seria construída uma nova concepção de “cultura brasileira”.

Identidade Cultural Brasileira

A partir do Estado Novo o Brasil passou a se preocupar com a sua “identidade nacional”, pois antes desse período as tentativas sempre sofreram resistência às tendências de uma nacionalização. Um exemplo dessa preocupação foi a ampla distribuição de verbas às escolas de samba do Rio de Janeiro que se dispuseram a trocar a apologia à malandragem por temas patrióticos e de incentivo ao trabalho. Para difundir

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as ideias nacionalistas entre os jovens estudantes, o Estado tornou obrigatória a disciplina de Educação Moral e Cívica nas escolas.

Resistências às tentativas de disciplinarização na cultura também se manifestaram no período do Estado Novo. Lançada em1908e com circulação até 1960, a revista Careta, que adotava um tom humorístico, sempre encontrou meios para fazer críticas as Estado Novo, recorrendo, dentre outras formas, a temas da política internacional para denunciar o que acontecia no país.

A Crescente Penetração Cultural Norte-americana

Nos dias atuais, se transformou em verdadeira avalanche, geralmente encoberta pela ideia de globalização que tem acompanhado a internacionalização da economia. Um efeito, sem dúvida, nocivo, desse processo em nossa cultura, é a preocupação que manifestamos com a imagem que os outros, em especial quando estes outros fazem parte do chamado primeiro mundo, têm de nós mesmo. No início da década de 1960, ganhou intensidade, entre intelectuais de esquerda, uma tendência que vinha se manifestando desde os anos 40.

A Construção de uma Cultura Nacional e Popular

Buscou-se uma identidade, um rosto para o Brasil. O projeto passou também pela incorporação das manifestações culturais populares ou, como se afirmava na época, resgatar o “nacional-popular”. Uma das preocupações características dessa nova tendência era a de que a cultura deveria ser detonadora de uma consciência social e de classe, visando, em última instância, a construção de uma utopia: um projeto global de Brasil que transformasse as estruturas socieconô-micas. Assim, a noção de cultura (nacional-popular) estava associada à ideia de revolução.

É nessa perspectiva que surgem, por exemplo, o Teatro de Arena, o Cinema Novo e o Centro Popular de Cultura (CPC), este último vinculado à União Nacional dos Estudantes (UNE). O Teatro de Arena encenou peças Arena contra Zumbi e Arena contra Tiradentes. O engajamento político e o compromisso com os oprimidos e excluídos definiam o sentido maior do trabalho de seus integrantes.

O Cinema Novo, rompendo com os padrões estéticos estabelecidos pela indústria cinematográfica, explorou uma temática em que os problemas sociais, em especial os do Nordeste e do mundo rural, eram denunciados: Vidas Secas, baseado no romance de Graciliano Ramos, e Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, são bons exemplos, por fim, o CPC, quase sempre integrado por universitários com tendências de esquerda, buscou, por meio do teatro e principalmente da música, o engajamento político, a popularização e a democratização dos meios de cultura.

A Busca do “Nacional-Popular”

Implicava a percepção de que era necessária uma vanguarda, formada por intelectuais comprometidos com a mudança, e que trabalhasse, nos vários campos das manifestações artísticas e culturais, para que o “homem do povo” adquirisse consciência de sua real dimensão na sociedade. Considerado tradicionalmente alienado e submetido ao controle e à manipulação ideológica das elites, era necessário “libertar” o homem do povo, sem o que a ideia de revolução estaria comprometida. Por esta razão, muito do que se fez tinha um caráter quase didático.

O golpe de 1964, obviamente, representou um retrocesso nas tentativas que vinham sendo feitas de se construir um “novo espelho” em que o país se refletisse. Peças teatrais engavetadas e censuradas, músicas proibidas, teatros invadidos, rigoroso controle da imprensa, invasão de universidades, prisão de líderes estudantis, teatrólogos, compositores. Este foi o saldo inicial da longa “noite de trevas” que se iniciou para o país e para a produção cultural nacional. Trevas que, a partir de 13 de Dezembro de 1968, com a implantação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), transformaram-se nos “anos de chumbo”.

Durante o regime militar, as autoridades responsáveis pelo controle das manifestações culturais procuraram se contrapor ao conceito de “nacional-popular” na cultura brasileira, tão caro ás esquerdas, definindo o que era para eles deveria ser o essencial na cultura produzida no país: a construção de uma ideia de unidade e “paz social”, uma vez que a autoproclamada “Revolução de 1964” havia livrado o país de “ideologias exóticas” que o ameaçavam.

O que é o Brasil e sua Cultura

Uma constante tentativa de interpretar o contexto do fim do regime militar e da “redemocratização”, em 1985. Descobrir qual era a “cara” do Brasil foi uma preocupação que tomou conta de novos

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compositores que surgiram no cenário da cultura brasileira a partir de então. Um ano antes, à época da campanha das Direto Já, amplo movimento social que tomou conta das ruas das principais cidades brasileiras exigindo eleições diretas para presidente, essa “nova cara” do Brasil e dos brasileiros – um povo, em última instância, pretendia tomar o seu destino em suas mãos – começou a emergir.

Em nossos dias, o dilema sobre a presença do “nacional” em nossa cultura ainda é objeto de controvérsias e debates. Passados quinhentos anos desde a chegada dos portugueses a um território que se constituiu no Brasil, nossa identidade cultural talvez ainda não esteja claramente definida. No entanto, suas marcas continuam sendo a enorme diversidade e uma grande criatividade.

Referências

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