• Nenhum resultado encontrado

A vida de professor é apaixonante

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "A vida de professor é apaixonante"

Copied!
7
0
0

Texto

(1)

a p ág in a da e du ca çã 9 7 7 1 6 4 7 3 2 4 0 8 8 I S S N 1 6 4 7 -3 2 4 8 S ér ie II | n º 19 2 | P R IM A V E R A 2 01 2 | w w w .a p ag in a. p t | 4 e S ér ie II | n º 19 2

Manuela Silva

A história dos sindicatos e do sindicalismo encerra uma grande capacidade de

inovação

| Jaime Carvalho e Silva

Os professores de Matemática precisam de estar conscientes

do importantíssimo papel que desempenham na formação dos jovens

| Peniche

memória da resistência

A vida de professor

é apaixonante

em foco

Pobreza infantil

cada vez mais visível

professores do norte

Reflectir para melhorar

uma flor: e os balaios sem reticências de mágoas,

cheios de trissos de aves, de pássaros remotos de

que ignorávamos a voz ou havíamos esquecido o

toque e a fímbria. Contarás de Abril que na nossa terra

já não apodrecem as raízes e que já não adiamos o

coração; que já não nos dói a velhice e que os rios

são todos nossos e íntimos e que já não perdemos a

infância e que nascem crianças insubmissas e claras e

livres. Contarás de Abril a espessura mágica, o punho

reflexo, o dia de água, a lágrima, a vontade de sermos

e de estarmos, o límpido grito, a forma inconsútil, o

vermelhor e a brisa, o livor das coisas, a maravilha

discreta de assear a vida, o caminhar, os restos nesta

dócil pausa e neste imenso perdão. Contarás de Abril

as casas de mil sóis, a imponderável descoberta dos

sussurros, a brancura inadiável da perseverança, o

resplandecente varar dos dias, a feira alvoroçada das

horas. Contarás de Abril as mãos dadas. Contarás de

Abril o renascer da essencial frescura.

(2)

DIRECTORA: Isabel Baptista | DIRECTORA ADJUNTA: Ana Brito Jorge | EDITOR: António

Baldaia

CONSELHO EDITORIAL: Américo Nunes

Peres, Ariana Cosme, Fátima Antunes, Fernando Santos, Henrique Borges, Paulo Teixeira de Sousa, José Rafael Tormenta, Rui Trindade

REDACÇÃO: Ricardo Jorge Costa, Teresa Couto

(fotografia)

COLABORAM NESTA EDIÇÃO: Gonçalo Mo

-reira da Silva (capa), Humberto Lopes, João Paulo Coutinho, José Paulo Oliveira, Maria João Leite

SECRETARIADO DA REDACÇÃO: Sílvia Enes CONTACTOS: Telefone (00 351) 22 600 27 90

Fax (00 351) 22 607 05 31 | E-mail: [email protected]

EDIÇÃO IMPRESSA: Trimestral, publica-se no

1.º dia de cada estação do ano | Preço de capa: 4 € | Tiragem desta edição: 19.000

PRODUÇÃO GRÁFICA: Multiponto, S.A.| EMBALAGEM: Notícias Direct | DISTRI BUI ÇÃO: Logista Portugal – Distribuição de Publi

-cações, S.A.

EDIÇÃO DIGITAL: http://www.apagina.pt

Cumprindo o Estatuto Editorial, a PÁGINA res-peita e publica as variantes do Português, Mirandês, Galego e Castelhano. São traduzidos para Português os textos escritos noutras línguas. Registo na ERC n.º 116.075 | Depósito Legal n.º 51.935/91 | ISSN 1647-3248

PROPRIEDADE: Profedições, Lda. | Con tri

-buinte n.º 502 675 837 | Capital Social: 5.000 euros | Registo na Conservatória Comercial do Porto: 49.561

SEDE: Rua D. Manuel II, 51/C – 2.º (sala 25)

4050-345 PORTO (Portugal)

COMPOSIÇÃO DO CAPITAL DA ENTIDADE PROPRIETÁRIA: Sindicato dos Pro fes

-sores do Norte, 90% | Abel Macedo, 5% | João Baldaia, 5%

CONSELHO DE GERÊNCIA: Carlos Midões |

João Baldaia

SECRETARIADO DA ADMINISTRAÇÃO / PUB LI CIDADE / ASSINATURAS: Telefone: 22 600 27 90

|Fax: 22 607 05 31| E-mail: [email protected] |

Livros: [email protected]

a

á

g

ina

da

educação

Associação Portuguesa de Imprensa, API

editorial

Faz sentido uma Primavera mais solidária e insubmissa – é preciso, é urgente

Isabel Baptista . . . . pág.

4

memória e identidade

Alice Pestana, educadora republicana

En más de una ocasión hemos escrito que Alice Pestana es la auténtica embajadora educativa

entre Portugal y España entre los siglos xixy xx.

Pero no desempeña esa tarea desde cualquier posición, sino desde una lectura republicana de la sociedad, la educación, la vida.

José M. Hernández Díaz . . . . pág.

6

Mulher, professora…

Claro que não fui melhor professora por ser mulher. Mas acredito que me tornei uma mulher mais inteira por ter sido professora!...

Ana Brito Jorge . . . . pág.

7

MiguEl sAntOs guErrA

“Uma escola perfeita seria

uma comunidade educativa

que tivesse em conta o lugar

onde está inserida, que

conhecesse bem a sua

reali-dade, porque sem conhecer o

contexto não se pode

enten-der bem o texto. Seria uma escola com

muita participação dos alunos, com um

pro-grama que supusesse uma preparação para

a vida, com dinâmicas inovadoras, não

roti-neiras, integrada por profissionais que

amas-sem a sua profissão, dirigida por um líder ou

por um conjunto de pessoas que ajudassem

os outros a crescer. Uma instituição criativa,

com capacidade para se reinventar, flexível,

com possibilidade de modificar as coisas

que estão a ser feitas, com uma enorme

capacidade de exigência, com capacidade de

auto-crítica. Diria também que deve ser

uma instituição aberta, em dois sentidos:

que saia, que se encontre com o que está à

sua volta, e que o que está à sua volta entre,

que o exterior entre na Escola, que não

esteja isolada”.

. . . . pág.

8

do secundário

Avaliação, prática e experiência vivida

Parece fundamental que em qualquer processo de avaliação se tenha na devida conta a prática e a experiência vivida pelos intervenientes, articu-lando-as, quando necessário, com abordagens mais baseadas no pensamento criterial.

Domingos Fernandes . . . . pág. 1

7

entrelinhas e rabiscos

Avaliação de desempenho docente?! Mas não há nada para avaliar...

O colega entrou com alguns horários na mão – um deles, o dela. Logicamente, perguntou-lhe o que andava ele a fazer com o horário dela; e ele: que era para tentar encontrar um tempo comum para que pudessem reunir todos.

José Rafael Tormenta . . . . pág.

18

pedagogia social

Para uma avaliação dos padrões de desem-penho

O despacho reflecte os pressupostos do nosso sistema educativo e das orientações que o inspi-ram, os quais são, por isso, plasmados no delinea-mento da identidade dos professores olhados como seus agentes e garantes principais.

Adalberto Dias de Carvalho . . . .pág.

20

El paraíso perdido de la educación

Desespera que se ponga énfasis en la globalidad del enfoque para superar la crisis de las escuelas y el desamparo de quienes las abandonan, ape-lando a las políticas sociales, sin que la Educación Social y su Pedagogía se nombren.

José A. Caride Gómez . . . .pág.

22

coisas do tempo

Olhar para um trabalho invisível

Nas escolas públicas, todos sabem que trabalham com um tecido social rasgado, extremamente minado, onde a mínima faísca provoca desastres. Os GAAF facilitam uma abordagem multiface-tada dos problemas.

Pascal Paulus . . . .pág.

24

(3)

2

i

3

PriMAvErA 2011

1

N.º192

em foco

Pobreza infantil é cada vez mais visível

Chegou a andar com umas sapatilhas rotas à frente. As roupas nem sempre acompanham o crescimento dele, e por isso as mangas da cami-sola são bastantes mais curtas do que os braços.

Reportagem de Maria João Leite

e Teresa Couto . . . .pág.

26

formação e desempenho

investigar para desocultar

Predominam no terreno de acção do professor evidências e fachadas que escondem o seu con-trário, opiniões dominantes e versões oficiais que nem sempre promovem processos educativos justos e inclusivos.

Carlos Cardoso . . . .pág.

33

impasses e desafios

Pedagogias críticas sem redencionismo

Os resultados concretos da educação escolar, entendidos através da experiência da relação pedagógica entre professores e alunos, não podem ser reduzidos a termos absolutos e uni-versais de falência completa ou sucesso total.

Gustavo E. Fischman e

Sandra Regina Sales . . . .pág.

34

discurso directo

Escola Pública em versão minimalista

Se tivéssemos um Ministério da Educação que entendesse a Escola Pública como uma necessi-dade crucial, e não um Ministério das Finanças que a remete para a coluna das despesas, o rumo das coisas seria possivelmente outro.

Ariana Cosme e Rui Trindade . . . .pág.

36

JAiME CArVAlHO E silVA

“Os tempos que correm não

são fáceis, mas noutras épocas

também já houve problemas

graves e as pessoas

consegui-ram ultrapassá-los. Sozinhos

pouco conseguiremos fazer.

Tra balhando uns com os

outros, nas escolas, nas associações,

poderemos fazer muita coisa. O ensino da Mate

-mática é essencial na sociedade actual, pelo

que os conhecimentos que os jovens possam

adquirir são essenciais a uma vida de cidadão

mais completa e mais proveitosa. Os

profes-sores de Matemática precisam de estar

cons-cientes do importantíssimo papel que

desempenham na formação dos jovens”.

. . . .pág.

38

da ciência e da vida

Como se a magia alquímica tivesse atingido os seus limites

Em apenas dois séculos, a Química colocou à dis-posição da sociedade muitas dezenas de elemen-tos anteriormente desconhecidos, abarcando praticamente toda a tabela periódica.

Rui Namorado Rosa . . . .pág.

44

COngrEssO DO sPn:

rEFlECtir PArA MElHOrA

r

Não têm sido anos fáceis para os

pro-fessores e para a Educação em Portugal.

Foram anos de conquistas, de acordos,

de recuos, de desilusões, de medidas

que levaram milhares de docentes a sair

à rua em algumas das maiores acções

reivindicativas e de descontentamento

já realizadas. Agora é tempo de reflectir,

de expor preocupações, de partilhar e

de encontrar propostas de resolução

para os problemas que os afectam.

Reportagem de Maria João Leite, Gonçalo Moreira da Silva

e João Paulo Coutinho . . . .pág.

46

MAnuElA silVA

“Os professores têm um

papel extremamente

impor-tante na sociedade. E esta

valorização do papel social,

político e económico do

pro-fessor é um dos aspectos

fun-damentais que os sindicatos

devem assumir e valorizar cada vez mais.

Por outro lado, enquanto classe profissional,

temos problemas idênticos a outros

traba-lhadores, mas também problemas

específi-cos inerentes à nossa actividade. É este tipo

de trabalho, que implica envolvermo-nos

em tudo o que diz respeito à educação, e

simultaneamente na luta mais geral contra a

exploração e em prol de uma sociedade

mais justa, que caracteriza desde o início e

continua a ser a matriz da Fenprof e dos

seus sindicatos”.

. . . .pág.

54

a escola que aprende

Construir um conhecimento prudente

Não se deve excluir qualquer epistemologia de investigação. Pelo contrário, o carácter complexo e casuístico que existe na Educação é a melhor

abordagem para processos e pessoas, também elas complexas e singulares.

David Rodrigues . . . .pág.

62

reconfigurações

nós e os outros

Uma escolarização segmentada por identidades dificilmente facilita a integração e muito menos elimina do imaginário social a divisão entre o próprio e o alheio.

Xavier Bonal . . . .pág.

64

A educação superior, o conhecimento e as competências

Os ‘resultados da aprendizagem’ e as ‘competên-cias’ são apontados como elementos essenciais nas reformas. Embora seja ainda cedo para iden-tificar as suas reais consequências, urge o debate sobre os conceitos e aquilo que eles parecem colocar em jogo.

António M. Magalhães . . . .pág.

66

lugares da educação

Business as usualou um ensaio de economia

pura

Assistimos à emergência de um sector financeiro pujante como nunca na história (a economia de

casino, como alguns a têm vindo a designar), que

submerge toda a actividade económica clássica e que está na base da eclosão da crise actual.

Manuel António Silva . . . .pág.

68

[trans]formações

Os caminhos da escola e os trilhos da vida

Através de um trabalho etnográfico com alguns alunos que estiveram pelo menos 10 anos sem estudar, procura-se compreender o como e o porquê do regresso à escola, a sua trajectória social, as motivações, as preocupações e as trans-formações na vida pessoal e profissional.

Sara Mónico Lopes . . . .pág.

70

comunicação e escola

recursos para a educação para os media

"Mais do que condenar ou justificar o inquestio-nável poder dos media, urge aceitar o seu signifi-cativo impacto e a sua difusão através do mundo como factos consumados, valorizando ao mesmo tempo a sua importância enquanto elemento de cultura no mundo hodierno”.

Sara Pereira . . . .pág.

72

fora da escola

A ‘circulação científica’ em educação

A socialização dos conhecimentos científicos é crescente, e esta nova configuração do modo de comunicação tem implicações diretas no campo da Educação.

(4)

cultura e pedagogia

Decifrar as pedagogias culturais do presente

Cada vez mais, o alfabetismo cultural implica o domínio de gramáticas complexas que ultrapas-sam amplamente as versões mais simples de lei-tura e escrita que conhecemos.

Marisa Vorraber Costa . . . .pág.

76

saúde escolar

Quando a saúde é esquecida em todas as políticas

Para que se definem metas e objectivos específi-cos, se delineiam estratégicas, políticas e activida-des, se no processo de concretização dos projec-tos se perde a consciência e o foco do objectivo e da política de saúde?

Débora Cláudio . . . .pág.

78

Quem é o intruso?

Por passarem longas horas como utilizadores da internet, muitos jovens defendem possuir um sentido de mestria e de análise das situações que nem sempre é o mais adequado.

Rui Tinoco . . . .pág.

79

divulgação

A Páginacom presença pedagógica no Brasil

A PÁGiNA estabeleceu uma parceria com a revista brasileira «Presença Pedagógica».

. . . .pág.

80

Colectânea de licínio lima na Profedições

A Profedições acaba de editar um conjunto de pequenos textos reunidos por Licínio Lima.

. . . .pág.

81

Allariz recebe Educadores pela Paz

O xxv Encontro Galego-Português de Educadores pela Paz vai decorrer em Allariz (Ourense)

. . . .pág.

82

escritas soltas

sobre a natureza das letras

As letras são generosas, atentas à nossa sede de evasão, disponíveis em todo o espaço da nossa habitação, permanentes, desde a manhã em que nos insinuamos perante o mundo até que dele nos despedimos para esse destino de que elas nos aliviam, como nos aliviam das certezas e do tédio.

Luís Vendeirinho . . . .pág.

83

levedura e leviandade

Entre a levedura e a leviandade vai uma enorme distância. Penso que há muita leviandade em algumas coisas que se dizem por falta de tempo de levedura!

André Escórcio . . . .pág.

84

quotidianos

A questão do neoliberalismo

Só o Estado pode representar consensos entre cidadãos. O mercado não pode nem está interes-sado em servir de mediador. O mercado não é um deus, nem um ser humano, pensante e imparcial.

Carlos Mota . . . .pág.

86

olhares de fora

ser no tempo: distância do presente

É pelo conhecimento que o ser bruto ascende ao plano da existência, estando a nossa consciên-cia pressuposta na da existênconsciên-cia no mundo.

Ivonaldo Leite . . . .pág.

87

educação desportiva

A inteligência competitiva e o espectáculo desportivo

A multidimensionalidade da Sociedade da infor -mação exige, também dos fazedores do espectá-culo desportivo, mais informação e mais cultura.

Manuel Sérgio . . . .pág.

88

observatório

O impossível necessário

Não há revolução social sem revolução intelec-tual, que, entre outras questões, assume a luta por uma sociedade justa e igual como uma luta contra o capitalismo selvagem, na qual a escolari-zação pública deve estar na linha da frente.

João Paraskeva . . . .pág.

90

em português

O exame das palavras

Feito o balanço do exercício que dominou o “inverno do nosso descontentamento”, a situa-ção líquida já apurada remete-nos para a refle-xão de um reputado mestre das Ciências Sociais, como preparação para o complicado “exame” das palavras proferidas pelos protagonistas.

Leonel Cosme . . . .pág.

92

ErA uMA VEZ...

uM COntADOr DE HistÓriAS

Em boa hora, a arte de contar, a beleza

e a criatividade do imaginário do conto

tradicional português ganham lugar de

relevo.

Reportagem de José Paulo Oliveira . . . . .pág.

94

cinema

Potemkin sempre

“O que não sei é se a beleza se justifica por si só – e o mesmo pode dizer-se do conhecimento. Ou, dito de outro modo, prefiro a Arte que se funda num sentido moral”.

Paulo Teixeira de Sousa . . . .pág.

97

viajar

Peniche: memória da resistência

No forte de Peniche, o Museu da resistência evoca a funesta utilização do lugar durante a dita-dura do Estado Novo, quando o forte se trans-formou em presídio político.

Humberto Lopes . . . .pág.

98

afinal onde esta a escola?

Fui ao Chile e não o achei

Santiago é hoje uma cidade que nega seu passado. A política implícita nas ruas parece tão eficiente e pragmática quanto a da gestão dos grandes negó-cios do capital. Que sociedade ensina Santiago hoje?

Cláudio Barría Mancilla . . . .pág.

102

textos bissextos

O multiculturalismo falhou... O senhor que se segue?

O que potencialmente está a florescer é o exer-cício da expressão cívica num contexto de opressão consentida e tolerada pelo chamado mundo livre ocidental.

Paulo Raposo . . . .pág.

104

dizeres

What is your name?

Nessa tarde, o Carlos chegou excitado a casa: vamos ter umas disciplinas novas, mãe. Música, Desenho e inglês...

Angelina Carvalho . . . .pág.

106

república dos leitores

Cidadania patrimonial: emergência e desafio Maximina Girão . . . .pág.

108

A idade de ouro dos medíocres

Paulo F. Gonçalves . . . .pág.

109

A Educação Permanente como fonte para repolitizar o debate sobre a educação e for-mação de adultos

Rosanna Barros . . . .pág.

110

Estatísticas e Português: PisAr na leitura? Hélio J. S. Alves . . . .pág.

111

escaparate

Dicionario galego de Pedagoxia | Da Cadeira ao Banco | revista lusófona de Educação

. . . .pág.

112

breves

PisA vai avaliar literacia financeira: Portugal de fora

. . . . pág. 23 Chanel plagiada nas candidaturas ao Ensino superior britânico

(5)

4

i

5

PriMAvErA 2011

1

N.º192

Sim ao dever de insubmissão, sim a Abril, sempre!..

Hoje, como ontem, é preciso, é urgente, erguer cravos de esperança.

Liberdade, democracia, paz. É com estas palavras que, desde há quatro décadas, se

diz Primavera em Portugal. Uma Primavera que este ano se apresenta

particularmente sombria, obscurecida pelo drama da injustiça social, pelo

desem-prego crescente, pelo escândalo da desigualdade e, de um modo geral, pela perda

de direitos de cidadania. Trinta sete anos depois desse sublime 25 de Abril estamos

mais pobres em desejo de futuro, vencidos por frustrações sucessivas e por

esperanças traídas, mas também (importa lembrar) por rotinas de acomodação

preguiçosa e imprudente. De tal modo que até “nos damos ao luxo” de esquecer

os ganhos civilizacionais conquistados por homens e mulheres de extraordinária

coragem e ao longo de anos de luta dolorosa e perseverante. Basta lembrar, por

exemplo, que antes de Abril de 1974, este simples exercício de escrita não era

possível, não havia então lugar para projectos com o carácter editorial da PÁGiNA.

Citando o filósofo Emmanuel Lévinas, “a história é trabalhada pelas rupturas da

história em que se faz juízo sobre ela”. Ora, é esse, justamente, o poder evocativo

da revolução de Abril, enquanto acontecimento emancipador e de ruptura. E por

isso faz sentido – é preciso, é urgente – uma Primavera mais solidária e insubmissa,

começando por Março, mês em que se comemora o centésimo aniversário do Dia

internacional da Mulher. Apesar do muito que já foi conseguido no plano da justiça

de género, o facto é que as mulheres continuam a ser tratadas como “cidadãos

de segunda”, pondo assim em causa a humanidade comum.

Em Abril temos a festa da liberdade e, numa altura em que no nosso país, como

noutros mais distantes, o povo teima em “sair à rua”, por vezes em resposta a

movimentos de apelação cívica inéditos e sobre os quais valerá a pena reflectir. Em

todo o caso, a “rua” contínua a constituir um espaço político de referência onde,

de forma muito especial, se faz causa da “coisa pública”. É essa precisamente a força

de “Maio”, e recorde-se que foi precisamente em 1974 que os trabalhadores

portugueses celebraram pela primeira vez esse seu dia na rua, confirmando desse

modo e com inesquecível eloquência cívica os valores da revolução de Abril.

É este, pois, o espírito do tempo a que a PÁGiNA se associa na sua edição da

Primavera de 2011, onde se fala de pobreza, de exclusão social, de escolas que

fazem questão de o ser, de professores em luta e de experiências pedagógicas de

ed

itorial

Faz sentido uma

Primavera mais solidária

e insubmissa

(6)

referência, sobretudo em época de crise. A par do inestimável

contributo das colaborações regulares, esta edição conta com

duas reportagens de fundo, uma sobre o 7º Congresso do

Sindicato dos Professores do Norte (SPN) e outra centrada nas

questões de “pobreza infantil”, ambas apoiadas em depoimentos

de professores, aqui valorizados na plenitude da sua condição de

sujeitos autores-actores.

No que se refere a entrevistas, Manuela Silva, professora e

dirigente sindical, dá testemunho sobre a memória social

docente, recordando o capital de conhecimento gerado no

seio dos Grupos de Estudo, estrutura pioneira no âmbito da

organização associativa dos professores portugueses. Jaime

Carvalho e Silva, professor da Universidade de Coimbra,

fala-nos na necessidade de melhorar o ensino da

Matemática e Fátima veiga, uma das responsáveis da EAPN/Portugal,

confronta-nos com a realidade invisível que afecta a vida de muitas das

nossas crianças. Finalmente, Miguel Santos Guerra, catedrático da

Universidade de Málaga e colaborador permanente da PÁGiNA,

colocanos diante dos desafios inerentes a uma escola organi zacio

-nalmente criativa e democrática, reforçando o quanto a docência pode

ser apaixonante.

De assinalar ainda o início de um intercâmbio com a revista «Presença

Pedagógica», que agrega educadores e investigadores de vários pontos

do Brasil. É também com este tipo de laços que se celebram os ideais de

justiça e solidariedade. Assim, pugnando por mais e melhor educação

para todos, digamos “Abril sempre”. Contra o medo, a repressão

silenciosa, a desigualdade e a alienação de direitos, vivam os cravos do

nosso compromisso e da nossa esperança!

(7)

a p ág in a da e du ca çã 9 7 7 1 6 4 7 3 2 4 0 8 8 I S S N 1 6 4 7 -3 2 4 8 S ér ie II | n º 19 2 | P R IM A V E R A 2 01 2 | w w w .a p ag in a. p t | 4 e S ér ie II | n º 19 2

Manuela Silva

A história dos sindicatos e do sindicalismo encerra uma grande capacidade de

inovação

| Jaime Carvalho e Silva

Os professores de Matemática precisam de estar conscientes

do importantíssimo papel que desempenham na formação dos jovens

| Peniche

memória da resistência

A vida de professor

é apaixonante

em foco

Pobreza infantil

cada vez mais visível

professores do norte

Reflectir para melhorar

uma flor: e os balaios sem reticências de mágoas,

cheios de trissos de aves, de pássaros remotos de

que ignorávamos a voz ou havíamos esquecido o

toque e a fímbria. Contarás de Abril que na nossa terra

já não apodrecem as raízes e que já não adiamos o

coração; que já não nos dói a velhice e que os rios

são todos nossos e íntimos e que já não perdemos a

infância e que nascem crianças insubmissas e claras e

livres. Contarás de Abril a espessura mágica, o punho

reflexo, o dia de água, a lágrima, a vontade de sermos

e de estarmos, o límpido grito, a forma inconsútil, o

vermelhor e a brisa, o livor das coisas, a maravilha

discreta de assear a vida, o caminhar, os restos nesta

dócil pausa e neste imenso perdão. Contarás de Abril

as casas de mil sóis, a imponderável descoberta dos

sussurros, a brancura inadiável da perseverança, o

resplandecente varar dos dias, a feira alvoroçada das

horas. Contarás de Abril as mãos dadas. Contarás de

Abril o renascer da essencial frescura.

Referências

Documentos relacionados

Para alcançarmos nosso objetivo presentamos a realidade do Parque Indígenas do Xingu, como proposta para o Ensino da Matemática nos anos inicias para escola

Considerando o teor do Ofício nº 1733/2012 - PGE/PC, datado de 03 de agosto de 2012, que consta no Processo Administrativo protocolado sob o nº 474628/2012-9 (PMRN), expedido

A preocupação do monitoramento em áreas destinadas à disposição final desses materiais deve ter igual importância independente da classificação; parte dos resíduos

Os relatos anteriores reforçam a participação indígena no trabalho com a erva mate. A sua invisibilidade no cotidiano ervateiro é mais uma manobra da Companhia

A redução do tamanho de partículas deve ser considerada na simulação de processos de consumo e digestão de forragens. A falta de conhecimento sobre a dinâmica desses processos

cordões’ espalhadas por toda a fazenda. As matas ciliares situam-se ao longo dos rios Miranda e Abobral, e também ao longo de seus corixos. Interessante salientar que essas áreas

[r]

Só ficou a falsidade da jura que ocê escreveu Do nosso amor é o que resta, a esperança perdida Não vejo mais seu sorriso que alegrava minha vida. “Só leio a palavra triste da