ESTUDO DE IMPACTE AMBIENTAL
Projecto de Ampliação da Pedreira do “Caramelo”
FREGUESIA DE CAPARROSA CONCELHO DE TONDELA
DISTRITO DE VISEU
RESUMO NÃO TÉCNICO
1 – INTRODUÇÃO
O presente documento constitui o Resumo Não Técnico do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do projecto de ampliação da pedreira denominada “Caramelo” de MOTA & COMPANHIA, S.A., localizada na freguesia de Caparrosa, concelho de Tondela, distrito de Viseu. Dando cumprimento à legislação em vigor sobre o Processo de Avaliação de Impactes Ambientais (AIA), este documento tem como principal finalidade dar apoio à participação pública, pelo que nele se descreve de forma sucinta e coerente, numa linguagem e apresentação acessível à generalidade do público, as informações mais importantes que constam do Relatório Síntese do EIA da referida pedreira.
O Resumo Não Técnico (RNT) e o Relatório Síntese (RS) integram o Estudo de Impacte Ambiental da pedreira do “Caramelo”, sendo o EIA do projecto de ampliação da pedreira acompanhado por um Plano de Pedreira (Plano de Lavra – PL, e Plano Ambiental e de Recuperação Paisagística – PARP), elaborado de acordo com a legislação em vigor que rege a actividade de exploração e o abandono de pedreiras, nomeadamente os Decretos-Lei n.os 270/2001 de 6 de Outubro e 90/90 de 16 de Março. A realização do EIA decorreu durante 8 meses, no período que mediou de Dezembro de 2002 a Julho de 2003.
2 – DESCRIÇÃO GERAL DO PROJECTO
2.1 – Dono da Obra e Entidade Responsável pelo EIA
O dono da obra é a Mota & Companhia, S.A., com sede em Casa da Calçada, Cepelos, Apartado 10, 4600-017 Amarante, que é também a entidade promotora e responsável pelo EIA referente ao Projecto de Ampliação da Pedreira do “Caramelo”.
2.2 – Fase do Projecto
Denomina-se a fase do projecto por fase de Execução ou fase de Exploração, sendo que, à data da conclusão do Relatório Síntese do EIA (Julho de 2003), a intervenção na área licenciada (3,7 ha) se resumia aos trabalhos adstritos à implantação do estabelecimento industrial anexo à pedreira, com as desmatações e nivelamentos topográficos na área de implantação, com a construção e beneficiação de acessos, com a construção em betão dos maciços de suporte dos diversos equipamentos que fazem parte da instalação, e com a montagem no local dos vários módulos que integram esses mesmos equipamentos.
2.3 – Justificação e Objectivos do Projecto de Ampliação
A Mota & Companhia é um dos maiores empreiteiros de obras públicas nacionais, pelo que a exploração das pedreiras do grupo assume um papel importante no fornecimento de matérias-primas a utilizar nas actividades directa ou indirectamente relacionadas com a construção, nomeadamente de estradas, ferrovias, pontes, viadutos, portos, aeroportos, barragens e outras infra-estruturas, obras que exigem elevados quantitativos de materiais inertes, concretamente para o fabrico e aplicação de produtos betuminosos e de betão hidráulico. Possuindo a empresa recursos técnico-económicos que permitem assegurar a viabilidade e o desenvolvimento do projecto de ampliação da pedreira do “Caramelo”, o mesmo surge da necessidade de corresponder à demanda imposta pelas especificações
técnicas dos cadernos de encargos das obras adjudicadas e em adjudicação na região, nomeadamente alguns troços do IP5 e IP3, a beneficiação de vias rodoviárias associadas, e as obras estruturantes públicas e privadas de desenvolvimento local e regional, pelo que a Mota & Companhia se vê obrigada a equacionar uma maior produção de inertes graníticos, com qualidade elevada, constante e padronizada. Esta situação irá no curto prazo exercer na pedreira do “Caramelo” uma forte pressão a qual, inevitavelmente, levará a um ajustamento de toda a dinâmica produtiva em correspondência com a necessidade de alargamento da pedreira de forma a assegurar uma maior produção de inertes e a garantir uma lavra em profundidade que permita atingir sectores do maciço onde a rocha é mais sã e portanto de melhor comportamento geotécnico, situação praticamente impossível de se concretizar na reduzida área de lavra actualmente licenciada (3 ha).
Os resultados da prospecção e pesquisa efectuada anteviram o aumento das reservas da massa mineral de granito de boa qualidade, tendo-se concluído que o maciço granítico do Souto Escuro é o mais favorável para servir de mancha de empréstimo às obras em curso na região, devido aos seguintes factores: a) à localização geográfica do maciço granítico relativamente a essas obras; b) às vias de acesso privilegiadas relativamente à área de exploração; c) ao enquadramento do local de implantação da pedreira face aos aglomerados populacionais envolventes; d) aos resultados da caracterização física e tecnológica efectuada ao granito; e) à volumetria das reservas geológicas.
A extensão da vida útil da pedreira, a optimização da lavra e consequente racionalização da exploração, estão assim dependentes da ampliação da área da pedreira, pelo que o projecto de ampliação configura a exploração das reservas de granito industrial contidas na área definida no Plano de Pedreira, facto que obriga o projecto a sujeitar-se à Avaliação de Impactes Ambientais (AIA) no cumprimento do estipulado na alínea a) do n.º 2 do Anexo II do Decreto-Lei n.º 69/00 de 3/5. A pedreira encontra-se licenciada para uma área de 3,7 ha, pelo que se pretende incorporar no novo licenciamento terrenos que no seu conjunto perfazem uma área total de 23,6 ha (3,7 da área licenciada + 19,9 da área de ampliação).
A área total de lavra restringe-se a cerca de 13,3 ha (3,0 da área licenciada + 10,3 da área de ampliação) o que, segundo o estipulado no Plano de Pedreira, traduzirá ás cotas de projecto (até à cota base dos 225 m) reservas geológicas exploráveis na ordem de 31 milhões de toneladas, estimando-se que possam ser exploradas durante os próximos 62 anos com referência a uma produção constante de 500 000 ton/ano.
2.4 – Localização e Acessos
A pedreira do “Caramelo” localiza-se no lugar de Paranho, freguesia de Caparrosa, concelho de Tondela, distrito de Viseu, encontrando-se em linha recta afastada cerca de 3 km para Sul de Caparrosa e cerca de 10 km para Norte de Tondela. A pedreira insere-se no centro de um triângulo formado pelos vértices onde assentam as freguesias de Caparrosa, Santiago de Besteiros e Vilar de Besteiros, localizadas respectivamente a Norte, Sudoeste e Sudeste da pedreira. A área da pedreira desenvolve-se na vizinhança W do vértice geodésico do Caramelo, entre a margem direita do rio Dinha e a margem esquerda da ribeira das Mestras (afluente do rio Criz).
O acesso principal ao local da pedreira faz-se através da Estrada Nacional EN228 (Mortágua - Vouzela) onde, ao km 40.350 deste itinerário e no sentido Vouzela-Mortágua, se toma à esquerda a Estrada Municipal EM627 em direcção a Tondela. Percorrendo-se cerca de 1.750 km neste itinerário secundário, encontra-se à direita o caminho que faz a ligação ao limite E da pedreira, asfaltado no troço inicial paralelo à EM627 e em terra batida na vizinhança da área do projecto. Os itinerários principais IP5 e IP3 são os eixos viários mais importantes que atravessam a região onde se insere a pedreira alvo de estudo.
A figura 1 ilustra a localização da pedreira do “Caramelo” tendo em consideração o seu enquadramento à escala nacional, regional e local. Ao nível local o posicionamento da pedreira é dado pela poligonal inserida no extracto da folha n.º 188 (Vila Chã de Sá/Viseu) da Carta Militar de Portugal.
Portugal 105000 Pedreira do Caramelo Limite da propriedade Poligonal da pedreira Tondela
2.5 – Caracterização da Exploração
Recurso Geológico: A massa mineral a explorar na pedreira é o granito de Souto Escuro,
rocha de grão médio a grosseiro, com predomínio de quartzo, feldspato e biotite. A delimitação do jazigo mineral foi feita através da observação e análise dos resultados de 10 sondagens mecânicas à rotação com amostragem contínua, a qual permitiu definir um conjunto de três horizontes com os topos localizados a 0, 0.2 e 2-12 m de profundidade, correspondentes à camada de terra vegetal, granito decomposto a muito alterado e granito são a mediamente alterado, respectivamente.
Desmonte: A massa mineral de granito que se pretende explorar apresenta uma
modelação topográfica em flanco de encosta e um comportamento geomecânico que implicam um desmonte a céu aberto por degraus direitos utilizando meios mecânicos móveis em interligação com a acção de explosivos. O desmonte será compartimentado em duas fases: 1ª) até à cota base dos 305 m numa área a intervencionar de 4,1 ha, a qual decorrerá durante os primeiros 12 anos de actividade; 2ª) até à cota base dos 225 m numa área a intervencionar de 13,3 ha, que decorrerá desde o fim da primeira fase até ao fim da vida útil da pedreira. Ambas as fases envolverão as seguintes operações: A) decapagem e armazenamento das terras vegetais e outros materiais ripáveis; B) extracção do granito; C) remoção e taqueio mecânico; D) limpeza das frentes de desmonte e transporte da rocha até à instalação industrial. Nesta, o material irá sofrer uma redução de calibres através da quebra, britagem e classificação, seguindo-se as fases de stockagem e expedição.
No fim da vida útil da exploração projectada, formar-se-á até ás cotas do projecto uma escavação com as seguintes características:• Área de ocupação – 13,3 ha; • Profundidade máxima/mínima – 180/120 m;• Bancadas - em número de 18 (máximo) e em número de 12 (mínimo), com 10 m de altura, separadas por patamares direitos com 5 m de largura; • Geometria - bacia fechada de fundo largo; • Cota base da escavação – 225 m, com plataforma de ressalto definida aos 245 m.
Áreas e Produções: A área total da pedreira é de 23,6 ha e a área de extracção/desmonte
com a ampliação proposta é cerca de 13,3 ha. Os cerca de 10,3 ha não abrangidos pela lavra englobam as áreas ocupadas pelo estabelecimento industrial anexo à pedreira, pelos depósitos de materiais, pelos acessos, e pelas zonas não intervencionadas onde, entre outras, se incluem as zonas de defesa. A produção média de inertes prevista para a pedreira é de cerca de 500 000 ton/ano. As terras vegetais e o horizonte de granito decomposto a muito alterado, que na área da pedreira apresentam respectivamente espessuras médias de 20 cm e 6,6 m, irão numa primeira fase e após as decapagens a efectuar no terreno, formar o talude de protecção ao bordo superior da escavação, sendo o material excedente depositado em locais adequados para posterior recuperação dos patamares finais da escavação e das áreas ocupadas pelo estabelecimento industrial. O granito decomposto servirá de substrato de enchimento nos locais a recuperar, sobre o qual será colocada a terra vegetal seguida das plantações e sementeiras preconizadas.
Infra-Estruturas de Superfície: A transformação do recurso explorado será desenvolvida
numa instalação industrial anexa composta pelas seguintes unidades: • Infra-estruturas e equipamentos fixos associados à quebra, britagem e classificação do granito;• Instalações administrativas e sociais; • Oficina de manutenção; • Báscula; • Armazém; • Depósito de combustível;• Posto de transformação. Estas infra-estruturas ficarão localizadas no interior da área da pedreira.
Equipamentos Produtivos: O equipamento produtivo adstrito à actividade de exploração
na pedreira do “Caramelo” será o seguinte: • 1 unidade de britagem (torva de recepção, alimentador vibrante c/ grade, britadores de maxilas, crivos vibrantes, moinhos cónicos e tapetes transportadores);• 2 escavadoras hidráulicas sobre lagartas; • 4 dumpers de carga articulados; • 3 pás carregadoras de rodas e balde frontal; • 1 carro de perfuração hidráulica;• 1 grupo industrial; • 1 tractor c/ cisterna de 5000 litros.
Meios Humanos e Regime de Laboração: A laboração irá desenvolver-se ao longo dos
12 meses do ano, num turno diário de 8 h que decorrerá entre as 8.30 e as 18 h. O quadro de pessoal a laborar na pedreira totalizará 16 funcionários distribuídos por:• gestor/técnico responsável (1); • administrativo (1); • operador de laboratório (1); • operador de perfuradora/carregador de furo (1); • encarregado geral (1); • apontador (1); • operador de britagem (2); • palista (2); • condutor manobrador (4); • mecânico (1); • serralheiro (1).
Protecção Ambiental e Recuperação Paisagística: As medidas de recuperação
paisagística e de minimização da perturbação ambiental serão executadas durante e após a vida útil da exploração, segundo um modelo que incorpora duas fases principais: Uma 1ª Fase que engloba as medidas de recuperação paisagística e de protecção ambiental da pedreira e da área de trabalhos onde se insere o estabelecimento industrial, em fase com o desenvolvimento das tarefas de lavra definidas para esta fase (primeiros 12 anos de actividade); Uma 2ª Fase que, não sendo dissociável da recuperação a executar em fase com o desenvolvimento do céu aberto durante os restantes 50 anos de actividade, se refere fundamentalmente à recuperação paisagística a implementar no final da vida útil da pedreira. Em ambas as fases, e relativamente à protecção ambiental, actuar-se-á fundamentalmente ao nível da gestão de resíduos e ao nível do controlo da qualidade do ambiente com a monitorização dos níveis de ruído, poeiras e vibrações. No que diz respeito à recuperação paisagística, na 1ª Fase actuar-se-á ao nível do armazenamento das terras vegetais e do material de alteração superficial do maciço, da constituição de um ecrã arbóreo, e da recuperação de patamares finais com o repovoamento vegetal dos pisos formados nesta fase. Na 2ª Fase, o modelo de recuperação paisagística a implementar irá fundamentalmente assentar na extensão das medidas preconizadas para a 1ª Fase, dando-se no final da vida útil da pedreira especial atenção aos aspectos relacionados com a restituição paisagística da área ocupada pelas infra-estruturas do anexo de pedreira, após a desactivação e desmantelamento de anexos e equipamentos. A depressão escavada será gradualmente preenchida pelas águas pluviais, situação cujo enquadramento levará ao ordenamento de uma lagoa na zona central do céu aberto.
3 – CARACTERÍSTICAS AMBIENTAIS DE REFERÊNCIA
Geologia e Geomorfologia – A observação e análise dos resultados das sondagens
mecânicas realizadas em conjugação com toda a informação obtida na caracterização tecnológica e geotécnica do maciço granítico de Souto Escuro, permitiu concluir que na totalidade da área de lavra da pedreira ocorre um recurso mineral com características adequadas ao fabrico de várias gamas de inertes, cujas reservas exploráveis perspectivam a viabilidade da exploração no horizonte temporal definido para o desenvolvimento da actividade no local. A pedreira insere-se na grande superfície de aplanação localizada entre as serras do Caramulo e Estrela, assentando num flanco de encosta de uma pequena elevação situada na margem esquerda da ribeira das Mestras, num terreno com cotas a variar dos 350 aos 400 m, orientando-se de SW para NE no sentido das cotas crescentes.
Solos – Na área do projecto e sua envolvente mais próxima os solos associados ao granito
são pouco espessos e arenosos, permitindo uma cobertura florestal de médio a elevado porte essencialmente formada por pinheiros bravos e eucaliptos (uso florestal). Os solos mais férteis agricultados ocorrem em locais afastados da pedreira, ao redor dos núcleos urbanos de Paranho, Caparrosa, Santiago e Vilar de Besteiros.
Planeamento e Ordenamento do Território – A área do projecto (área licenciada + área
de ampliação) abrange na totalidade terrenos pertencentes à classe de Espaços Florestais, exceptuando dois pequenos retalhos inseridos na classe de Espaços Naturais (Planta de Ordenamento do Território). Em termos de áreas de uso condicionado, a área do projecto não assenta em solos pertencentes à Reserva Agrícola Nacional (RAN). No que diz respeito à Reserva Ecológica Nacional (REN) a área do projecto abrange somente dois pequenos retalhos de reduzida expressão cartográfica incluídos na legenda desta carta (áreas com risco de erosão). Na Carta de Condicionantes, para além dos perímetros da RAN e da REN, define-se uma mancha denominada por Área Submetida ao Regime Florestal Parcial, que ocupa a quase totalidade da área licenciada.
Clima – A pedreira localiza-se numa encosta quente, com exposição a poente. A influência
Atlântica reflecte no clima da região a elevada pluviosidade, o período de estio curto e bastante seco, e a acentuada humidade e nebulosidade. O vento mais frequente sopra de nordeste, sendo este o rumo do vento mais veloz nos meses mais secos e quentes do ano.
Recursos Hídricos - A pedreira situa-se na sub-bacia hidrográfica da ribeira das Mestras
(afluente do Criz), concretamente na margem esquerda deste curso de água perene, que passa no local mais próximo da exploração a cerca de 125 m a oeste. A poligonal da pedreira apenas intersecta duas linhas de água pouco extensas e de escoamento efémero, as quais só apresentam caudal no período chuvoso encontrando-se completamente secas no período estival. Localizando-se a pedreira numa área com risco de erosão reduzido, os resultados do balanço hídrico à escala da sub-bacia permitiram concluir que a área em estudo reúne boas condições para a infiltração sub-superficial, mas condições pouco favoráveis à recarga dos aquíferos subterrâneos. O nível da qualidade da água superficial atingido na estação de monitorização mais próxima da pedreira (Sobral/Ferreirós) situa-se em termos globais nas características de uma água de boa qualidade.
Paisagem – Integrada na paisagem global que caracteriza o Planalto da Beira Alta, a área
do projecto insere-se na unidade da paisagem Vale de Besteiros, concretamente na unidade homogénea de paisagem denominada Área Florestal, a qual incorpora zonas com matriz fundamentalmente florestal, caracterizadas pelo seu relevo pouco acentuado e ligeiramente ondulado, pelo substrato rochoso-terroso densamente coberto por manchas de pinheiro bravo e eucalipto, no estrato arbóreo, e por mato rasteiro pobre no arbustivo.
Flora e Fauna – A poligonal definida pela pedreira e a sua envolvente mais próxima,
assentam fundamentalmente nas áreas ocupadas pelo pinhal/eucaliptal e mato rasteiro associado, constituindo preferencialmente um habitat florestal de suporte a espécies da avifauna sem quaisquer estatutos especiais de conservação e/ou protecção, localmente pouco abundantes devido à estrutura jovem evidenciada pela floresta. Na envolvente mais
afastada da pedreira, as galerias vegetais associadas aos principais cursos de água e os terrenos agricultados, constituem os habitats com maior diversidade vegetativa e faunística.
Ruído, Qualidade do Ar, Vibrações – À data da conclusão do EIA, os trabalhos na área
da pedreira encontravam-se numa fase prematura, resumindo-se ao início das intervenções necessárias para a implantação do estabelecimento industrial numa pequena parcela de terreno da área licenciada, com recurso a um reduzido número de equipamentos utilizados em operações de terraplenagem, nivelamentos topográficos, movimentação de terras e construção em betão dos maciços de suporte dos diversos equipamentos que fazem parte do estabelecimento industrial. A correcta caracterização destas componentes ambientais na envolvente da pedreira só será esclarecedora e determinante no estabelecimento de um quadro ambiental de referência aquando da entrada em funcionamento da unidade de britagem e dos equipamentos móveis a utilizar nas diversas actividades produtivas (desmonte, perfuração, taqueamento, remoção, transporte, etc.), uma vez que será este o quadro operacional de referência que se prolongará pelo tempo de vida útil previsto para o desenvolvimento da actividade no local. Neste contexto, só após a entrada em funcionamento do projecto de exploração, concretamente com o arranque das acções de desmonte na área de lavra e com a beneficiação da massa mineral na unidade de britagem, se procederá à quantificação dos principais parâmetros aferidores da qualidade do ambiente (ruído, poeiras e vibrações) que será gerada pela actividade extractiva no local, no âmbito da implementação dos respectivos planos de monitorização. De realçar no entanto que o estudo estabelece um quadro previsional de referência para as componentes ambientais em questão, não se tendo admitido nesta fase de intervenção que os níveis de emissão (ruído e poeiras) possam ultrapassar os valores admissíveis estipulados por lei.
Rede Viária - O concelho de Tondela possui actualmente uma rede viária de nível razoável
onde, para além das estradas municipais que ligam a sede do concelho às sedes de freguesia e aglomerados populacionais, se destacam 4 importantes eixos rodoviários que atravessam o concelho: a EN230–Tondela/Caramulo/Águeda; a EN228–Mortágua/Campo
de Besteiros/Vouzela; a EN2–Coimbra/Tondela/Viseu; e o IP3. O acesso principal ao local da pedreira faz-se através da Estrada Nacional EN228 e da Estrada Municipal EM627, vias que actualmente oferecem condições de circulação aceitáveis. O IP3 e o IP5, vias bastante próximas da área do projecto, permitem uma fácil acessibilidade aos grandes centros urbanos, abrindo enormes potencialidades ao concelho, nomeadamente a nível industrial.
Sócio-Economia – Em termos de concelho, as actividades económicas do sector terciário
são as que têm maior peso. Em expansão destacam-se as indústrias de madeira e de componentes automóveis, bem como as actividades directa ou indirectamente relacionadas com a hotelaria/hotéis. Alguma retracção é sentida nas indústrias de avicultura (das mais importantes no concelho), da cerâmica do barro vermelho, e das serrações. Na freguesia de Caparrosa é claro o predomínio de indivíduos empregados no sector primário, constituindo a agricultura a actividade económica predominante. Nas actividades económicas destacam-se assim a indústria dos materiais lenhosos, a agricultura (vinho, milho e batata), a fruticultura, a horticultura, a pecuária, a serralharia civil, o artesanato, a tecelagem, o pequeno comércio e outros pequenos serviços. Relativamente a outros indicadores, é de destacar ao nível do concelho e da freguesia o envelhecimento bem vincado na estrutura populacional, a diminuição da população activa, a acentuada taxa de analfabetismo, e as carências quanto às infra-estruturas sanitárias básicas.
Património Arquitectónico e Arqueológico – O património classificado mais próximo da
pedreira encontra-se na freguesia de Caparrosa, 2650 m a Norte da área de exploração: a Estela Menir da Caparrosa, um Imóvel de Interesse Público localizado no lugar denominado por Tapada da Anta; e o Troço de Calçada Romana, um Imóvel de Interesse Municipal localizado em Paranho de Besteiros. No interior da pedreira não há vestígios ou qualquer sítio de interesse arquitectónico/arqueológico, embora a região apresente um espólio bastante rico em termos de megalitismo e época castreja, merecendo especial menção os interessantes vestígios da arte rupestre distribuídos por várias estações conhecidas na região.
4 – IMPACTES AMBIENTAIS E MEDIDAS PRECONIZADAS
A análise global aos impactes gerados pelo empreendimento não foi direccionada na perspectiva da avaliação dos impactes gerados pelo projecto de ampliação mas sim dos impactes gerados pela exploração da pedreira no seu todo, uma vez que na área licenciada a intervenção efectuada até à data não configura um quadro ambiental passível de uma análise profunda ao nível dos impactes instalados, que efectivamente pudessem centralizar a análise no estabelecimento de um cenário de impactes cumulativos estritamente relacionados com a ampliação da pedreira do “Caramelo”. Neste contexto, a análise e a previsão dos impactes ambientais incidiu sobre os aspectos negativos e positivos que serão gerados no meio ambiente pela exploração da pedreira do “Caramelo”, tendo-se utilizado na avaliação dos impactes uma escala que de forma resumida os classificou como nulos, importantes, pouco ou muito importantes.
Clima – Considerando os efeitos que serão gerados pela escavação, pela emissão de
gases e poeiras e pelas decapagens a efectuar no terreno, não será de prever que estas acções configurem qualquer alteração de registo ao nível da temperatura do solo e da humidade relativa do ar, pelo que se considera pouco importante o impacte que o projecto de exploração terá sobre o clima local.
Geomorfologia – De todos os indicadores de impacte analisados, a maior parte dos quais
de carácter temporário e pouco importantes, apenas a alteração topográfica do terreno que será originada pela escavação irá constituir um impacte negativo importante na geomorfologia local, ao mesmo tempo que se irá gerando um impacte visual acentuado. São impactes de carácter permanente, dado que o projecto não prevê o enchimento da cavidade com material inerte ou outro. As medidas de recuperação paisagística a implementar durante a vida útil da exploração e no final da actividade, permitirão atenuar os impactes visual e morfológico gerados pela depressão escavada e pelos taludes finais que a compõe.
Solos e Ordenamento do Território – O estudo revelou que serão pouco importantes os
impactes gerados pela pedreira nos solos, no ordenamento do território e nas áreas de uso condicionado. Nos solos porque se prevê que a alteração do seu uso e os eventuais riscos de contaminação constituam impactes pouco expressivos, no primeiro caso pela baixa capacidade agrícola e pela vocação florestal evidenciada na área a intervencionar, no segundo caso pelo compromisso de uma gestão controlada de resíduos e por uma manutenção de equipamentos adequada; No ordenamento do território porque a área a afectar abrange na sua quase totalidade espaço florestal; Em termos de uso condicionado porque para além da área a intervencionar não afectar manchas da RAN a análise efectuada sobre os mapas de declives e risco de erosão elaborados para a área demonstrou que serão pouco importantes os impactes sobre a estrutura local da REN.
Recursos Hídricos – Serão pouco importantes os impactes gerados pela pedreira nos
recursos hídricos locais e regionais. Focalizado o estudo no interior da sub-bacia da ribeira das Mestras, o mesmo revelou nas vertentes analisadas que não serão de prever impactes com repercussões negativas acentuadas na alteração da rede de drenagem superficial, na interferência com os circuitos sub-superficiais e profundos e na qualidade da água superficial. O regime de fluxos de água locais tenderão somente a adaptar-se ao desenvolvimento gradual da depressão escavada, sendo de admitir no final da actividade o restabelecimento de um novo equilíbrio hidrológico com o ordenamento da lagoa prevista.
Fauna e Flora – Não são expectáveis impactes importantes sobre a fauna e flora na área
da pedreira e no interior do seu perímetro de influência. Apesar da pedreira não se encontrar sobre ou perto de áreas abrangidas por estatutos de protecção em termos de conservação da natureza, e a área evidenciar uma reduzida diversidade de espécies da fauna e da flora proporcionada pela estrutura jovem que caracteriza a mancha florestal, o estudo recomenda no entanto um conjunto de medidas com o intuito de colmatar as alterações no coberto vegetativo que resultarão das acções de decapagem a efectuar no terreno, bem como a previsível dispersão das espécies referenciadas para o local,
especialmente as da avifauna. Estas medidas passam pelas acções de recuperação paisagística a implementar durante as fases de exploração preconizadas, em paralelo com o controlo do ruído, das poeiras e da detonação das pegas de fogo, antevendo-se no fim da vida útil da pedreira um incremento do valor ecológico de toda a área explorada, que será fundamentalmente proporcionado pelo novo habitat criado – o corpo de água, o qual constituirá neste âmbito um impacte positivo a registar.
Paisagem – Os impactes negativos na paisagem serão importantes devido ás alterações
previstas na estrutura paisagística ao nível do espaço a intervencionar, nomeadamente as que serão induzidas pela presença da depressão escavada, o principal elemento perturbador do carácter global da paisagem. Apesar de o local apresentar uma amplitude visual reduzida, sobretudo a partir das povoações mais próximas e da EM627, a atenuação do carácter permanente deste impacte passará fundamentalmente pelas intervenções de integração paisagística previstas para os períodos de exploração considerados, para que no final da actividade estejam criadas todas as condições necessárias para uma efectiva reabilitação ambiental e paisagística do espaço afectado.
Ruído, Poeiras, Vibrações – Dada a fase prematura em que à data se encontram os
trabalhos no local (ausência de acções de desmonte na área de lavra e de beneficiação da massa mineral na unidade de britagem), a avaliação previsional dos impactes foi efectuada sobre modelos de simulação da fase operatória em correspondência com o normal funcionamento da pedreira, com o objectivo de prever os níveis de ruído, poeiras e vibrações que se farão sentir nas zonas envolventes da mesma. Os resultados obtidos sugerem que serão pouco importantes os impactes negativos gerados por estas componentes no ambiente externo da pedreira, dado o isolamento da mesma face ao posicionamento dos aglomerados habitacionais mais próximos. O estudo recomenda no entanto um conjunto de medidas conducentes à redução e ao controlo dos níveis de emissão, se os resultados obtidos nas campanhas de monitorização a realizar durante o
normal funcionamento da pedreira ultrapassarem os limites estipulados na legislação específica de cada uma das componentes.
Rede e Circulação Viária – Serão pouco importantes os impactes negativos que resultam
da incomodidade gerada pela passagem dos camiões no interior das povoações de Caparrosa e Vilar de Besteiros, uma vez que os itinerários mais solicitados (EM627 e EN228) têm na vizinhança destas populações um traçado marginal que não passa pelos núcleos densamente povoados. O impacte negativo mais importante considerado prende-se com a eventual degradação do pavimento que prende-será mais solicitado pelos camiões (EM627), dado o previsível acréscimo de circulação de veículos pesados nesta via (cerca de 60 veículos/dia), pelo que foram propostas algumas medidas com o intuito de preservar o actual estado do pavimento e das valetas, bem como o de melhorar as condições de circulação actuais e futuras, de forma a evitar que se atinjam índices de degradação e perigosidade elevados, nomeadamente à entrada/saída do acesso da pedreira à EM627.
Património Arqueológico e Arquitectónico – Não são expectáveis impactes negativos no
património cultural da região, uma vez que na área da pedreira e na sua zona de influência não existe património arquitectónico protegido, em vias de protecção ou em estudo, nem qualquer sítio ou estação de interesse e/ou potencial arqueológico.
Sócio-Economia – Serão importantes os impactes positivos na vertente sócio-económica
que resultarão da actividade extractiva a desenvolver no local, sobretudo pelo significado que representam os postos de trabalho a criar na pedreira e pela dinamização da economia local e regional que o projecto acarreta. Por outro lado, e com repercussões a nível regional, não esquecer a importância estratégica que esta pedreira irá ter como “mancha de empréstimo” às importantes obras estruturantes em curso na região, e nas quais a empresa está inserida, nomeadamente na duplicação do IP5, beneficiação do IP3 e obras associadas, que à data da sua conclusão se irão revelar de extrema importância pelo facto de abrirem enormes potencialidades ao desenvolvimento sócio-económico da região.
Impactes Residuais – O estudo revelou que o impacte negativo de carácter permanente
que será gerado pela depressão escavada e pelos taludes que a definem é pouco importante se devidamente recuperados e integrados no meio. O impacte positivo de carácter permanente induzido pela formação de um plano de água no interior da escavação será bastante importante nos efeitos benéficos que se farão sentir nas componentes ecológica e paisagística do local. A importância estratégica deste recurso hídrico poderá ser potenciada na satisfação de vários usos, nomeadamente sociais e económicos.
5 – PLANOS DE MONITORIZAÇÃO
O estudo apresenta propostas de monitorização para o ruído, qualidade do ar (poeiras) e vibrações, que numa primeira fase deverão ser postas em prática no âmbito do estabelecimento de um quadro ambiental de referência que contemple a actividade normal na pedreira e o normal funcionamento de todas as unidades produtivas, e numa segunda fase no âmbito do processo de observação e recolha de dados sobre o estado do ambiente e sobre os efeitos ambientais que serão induzidos pelo desenvolvimento do projecto de ampliação. De forma resumida, todos os planos de monitorização propostos contemplam a discriminação dos seis principais aspectos : 1) os parâmetros a medir; 2) os equipamentos a utilizar; 3) as metodologias recomendadas; 4) os locais de medição ou de colheita; 5) a periodicidade das campanhas; 6) a análise dos resultados obtidos. Os relatórios técnicos posteriormente elaborados por consultor especializado, serão entregues à autoridade de Avaliação de Impactes Ambientais, neste caso à Direcção Regional do Ambiente e do Ordenamento do Território do Centro, com a periodicidade recomendada nos respectivos planos ou a que eventualmente for estabelecida na Declaração de Impacte Ambiental.
6 – CONCLUSÕES
A generalidade dos impactes que serão causados pela actividade de exploração na pedreira do “Caramelo”, em termos ambientais, são considerados temporários, reversíveis
e de significado local. Os aspectos negativos que irão ocorrer são pouco importantes, pelo que serão compensados com os impactes positivos que serão gerados pela instalação desta pedreira na região.
As perspectivas e todos os indicadores de desenvolvimento da região, apontam para a exploração dos recursos naturais e patrimoniais existentes, com a dinamização e criação de actividades turísticas e recreativas que só podem ser equacionadas e desenvolvidas com a melhoria prevista das acessibilidades.
Neste contexto, a exploração da pedreira do “Caramelo” enquadra-se numa estratégia de desenvolvimento sustentado de interesse local e regional, com influências positivas para a região da Beira Alta, não esquecendo que a Mota & Companhia está envolvida nas principais obras estruturantes em curso na região, e daí a importância estratégica que esta pedreira irá ter como “mancha de empréstimo” à duplicação do IP5, à beneficiação do IP3 e obras associadas.
As recomendações e as medidas propostas no presente estudo serão capazes de assegurar uma qualidade ambiental aceitável se adoptadas e implementadas dentro de uma calendarização compatível com as diversas fases do projecto.
Em suma, considera-se que o empreendimento é de extrema importância para a empresa e para a região pelo que, submetido ao cumprimento da legislação em vigor relativamente à melhoria das condições de trabalho, da qualidade de vida das pessoas, e no respeito pelo meio ambiente, o mesmo deverá ser encarado como um vector de referência promocional do sector extractivo, não só em termos ambientais mas também sociais e económicos.
ANEXOS
Plantas da exploração e da recuperação
- Desenho nº 1: Planta de ordenamento da pedreira. - Desenho nº 2: Planta de planeamento e sinalização.
- Desenho nº 3: Planta de lavra e recuperação paisagística para o período “proximal”. - Desenho nº 4: Planta de lavra final.