A INFLUÊNCIA DO BRINCAR NO COMPORTAMENTO SOCIAL DE CRIANÇAS DE 5 E 6 ANOS
Eliyara Ikehara – Unisalesiano – [email protected] Yamila do Santos Monteiro – Unisalesiano – [email protected] Orientadora: Elza Brígida M. T. Anequini – Unisalesiano – [email protected]
Resumo
O brincar é um fenômeno universal que tem atravessado fronteiras e épocas e mesmo passando por várias transformações não perdeu a sua essência. As crianças podem expressar seus sentimentos positivos e negativos sem a utilização de palavras, pois o brincar é visto como a linguagem própria da criança, sendo a mesma capaz de comunicar-se com os outros. É uma atividade dotada de uma significação social que necessita de aprendizagem na observação de outras crianças brincando e prepara a criança para a vida em sociedade e influencia no comportamento social, sendo este um conjunto de ações, atitudes e pensamentos que o individuo apresenta em relação à comunidade, aos indivíduos com que interage e a ele próprio. As crianças com cinco e seis anos possuem escolhas heterossexuais com freqüência passando a escolher a outra para interagir e corresponder suas necessidades. O brincar também é importante no desenvolvimento motor, cognitivo, emocional e da linguagem.
Palavras chave: Brincar. Comportamento social. Crianças de cinco e seis anos.
Introdução
O brincar é um fenômeno universal e por meio dele as crianças procuram espaços e maneiras de explorar e conhecer o mundo. Através dele, a criança prepara-se para que futuramente possa ingressar em grupos sociais e estabelecer contatos com outras pessoas, respeitando regras impostas pela sociedade e respeitar o outro.
Diante as brincadeiras, a criança consegue exteriorizar sentimentos que não foram resolvidos em seu dia-a-dia, imitando a vida adulta.
Baseadas nisto, o objetivo do trabalho é demonstrar a realização da observação diante ao brincar livre das crianças e se o mesmo influencia no comportamento social das mesmas entre a faixa etária de cinco e seis anos.
A pesquisa foi realizada na escola Instituto Americano de Lins (Ialzinho), na pré-escola no período da tarde durante o tempo de junho a setembro de 2006.
Desenvolvimento
Segundo Ferland, 2006, o brincar é uma atitude subjetiva em que o prazer, a curiosidade, o senso de humor e a espontaneidade se tocam; tal atitude se traduz por uma conduta escolhida livremente, da qual não se espera nenhum rendimento especifico.
De acordo com Friedmann, 2006, mesmo por ter passado por várias modificações, o brincar atravessou fronteiras e épocas sem perder a sua essência, pois é algo que se manifesta a todos mundialmente.
desenvolvimento neuropsicológico, motor, cognitivo, emocional, social e conseqüentemente à saúde. “É a forma mais completa que a criança tem de comunicar-se consigo mesma e com o mundo.” (JUNQUEIRA, 1999)
Mesmo sem utilizar as palavras, as crianças podem comunicar seus sentimentos, tanto positivos quanto negativos. Jogar um objeto no chão, sorrir a um personagem, rasgar um desenho, apresentar um objeto a um parceiro, provocar um acidente, eis aí tantos gestos que a criança pode utilizar para comunicar o que sente. (FERLAND, 2006, p.05)
O brincar pode ser visto como um processo de funcionamento psicológico que assegura ao sujeito a ficar distante em relação ao real (KISHIMOTO, 2002).
Segundo Rosenberg, 1989, cada ser humano consegue enfrentar imposições colocadas pela vida através do brincar, e este possui alguma das várias características como o despertar da iniciativa, a busca de soluções, o desenvolvimento da atividade criadora e ações que estão de acordo com suas próprias necessidades.
“O brincar se situa na área intermediária entre a realidade interna e a externa, entre a criatividade primária e a percepção objetiva baseada no teste da realidade.” (WINNICOTT, 1975)
Brincar é uma atividade natural presente no mundo todo desde seu início. Outros animais também brincam, mas a diferença é que o ser humano é dotado de uma cultura, porque ele procura sua existência, adquire conhecimentos através de brincadeiras construídas e alcançam a simbolização.
A repetição para a criança é essencial na brincadeira, nada lhe dá tanto prazer quando brinca novamente.
“Para a criança, o brincar é a expressão do desejo de descobrir por si mesmo como viver e como ser.” (BOMTEMPO, 1990 apud TAKATORI, p.94)
Segundo Kishimoto (2002) o brincar é uma atividade dotada de uma significação social precisa que, como outras, necessita de aprendizagem e esta é adquirida pela participação em jogos com os companheiros e pela observação de outras crianças, ou seja, quando as crianças pequenas observam os mais velhos antes de se lançarem por sua vez na mesma brincadeira.
Segundo Bomtempo, 2002, enquanto as crianças representam fantasias de ira e hostilidade em jogos de guerra ou preencham seus desejos de grandeza, imaginam ser o Super-homem, o Hulk, o Batman ou um rei. Com esta imitação, procuram satisfazer indiretamente as fantasias irreais e ao mesmo tempo, procuram livrar-se do controle dos adultos, especialmente dos pais.
Vigotsky, 1998, salienta a importância da maturação da criança onde a mesma deve passar pelas fases de desenvolvimento de um estágio para o outro. Quando é pequena e tem o desejo de realizar algo que lhe é proibido, fica mal humorada, pois a tendência é que possa imediatamente satisfazer seus desejos. Neste instante, ela pode ser distraída com algo e se acalmar rapidamente esquecendo o seu desejo.
Já na fase pré-escolar, quando a criança não consegue esquecer e satisfazer seu desejo num dado momento, seu comportamento será diferente da criança pequena. Para resolvê-lo, ela usará um mundo imaginário, onde possa realizar os seus desejos que na realidade, não puderam ser resolvidos. A imaginação é ausente na consciência das crianças menores e torna-se presente na consciência das crianças em fase pré-escolar.
(FERLAND, 2006, p.9) Esta analise demonstra certamente que:
Observar uma criança brincando possibilita saber quais as habilidades nas diferentes esferas de seu desenvolvimento. De fato, a brincadeira testemunha o que é a criança. A criança que brinca tem mais recursos em habilidades e características próprias, que influem no seu modo de brincar e que são, por sua vez, estimuladas e modificadas pela experiência do brincar. (...) quanto mais a criança brincar, mais ela se tornará hábil. (FERLAND, 2006, p. 9)
Ao brincar, a criança ensaia em suas brincadeiras comportamentos e situações reais e imaginárias, e isto faz com que ela possa se preparar, no futuro, ao assumir os papéis e valores sociais que serão necessários à sua vida em sociedade e também adquirir a motivação, atitudes e habilidades sociais. “É a brincadeira que é universal e que é própria da saúde: o brincar facilita o crescimento e, portanto, a saúde; o brincar conduz aos relacionamentos grupais.” (WINNICOTT, 1975, p.63) Após os cinco anos, a criança começará a exercer papéis e impor regras arbitrárias em suas brincadeiras no contexto imaginário.
“As regras que ela própria inventa a conduzirão suavemente para brincadeiras que comportem regras preestabelecidas, que prevalecerão após os seis anos.” (FERLAND, 2006, p.16)
Nesta idade, desenvolverá habilidades para brincar com os colegas e suas capacidades vão lhe permitir alimentar a atividade da brincadeira, ou seja, os amigos vão se tornando importantes com o passar do tempo.
O brincar é um fenômeno universal e por meio dele, as crianças procuram espaços e maneiras de explorar e conhecer o mundo, independente do seu contexto sociocultural e econômico, raça, idade e condições de saúde. Através dele, elas aprendem a enfrentar situações que lhe são ainda tão complexas, explorando sua criatividade e liberdade de expressão, descobrindo o seu eu.
A pesquisa foi realizada no Instituto Americano de Lins, Ialzinho. O método utilizado foi estudo de caso observando a influência do brincar no comportamento social de duas crianças na faixa etária entre cinco e seis anos, de ambos os sexos, que estão matriculadas na pré-escola. A presente pesquisa teve como objetivo observar as crianças brincando e quais os comportamentos apresentados pelas mesmas.
As crianças foram escolhidas através de amostragem, pela professora que indicou aquelas que não interagem socialmente em atividades recreativas.
Para observar o comportamento, foi utilizada a Escala Lúdica Pré-Escolar de Knox (Adaptada). Esta avaliação é composta por quatro dimensões: direção espacial, direção material, faz-de-conta (simbólica) e participação. Foram utilizadas apenas as duas ultimas dimensões.
No caso 1, a criança é do sexo feminino, cinco anos de idade, reside na cidade de Lins-SP. No caso 2, a criança é do sexo masculino, 6 anos de idade, reside na cidade de Lins-SP.
Verificou-se que no caso 1, trata-se de uma criança com comportamento social adequado para sua idade.
Prefere ficar com o grupo de meninas, realizando brincadeiras de faz-de-conta, como mamãe e filhinha. Tem interesse em cuidar das crianças menores, empresta seus brinquedos as outras crianças e se “preocupa” em estar sendo útil as mesmas. A criança brinca cooperando com as outras e conversa como os adultos, mas tem preferência por seu grupo de amizades.
de brincar da criança, imaginando situações impossíveis como pular e sair voando, correr, correr como um super–herói. Houve um episódio onde o mesmo se desentendeu com os colegas, querendo ser o mais poderoso e para isso deveria ser o Power Ranger vermelho e com os seus “poderes eliminar os inimigos”.
Não tem interesse por brincadeiras que exigem regras definidas.
Em algumas situações não soube lidar com as “perdas”, chamando a atenção para ele.
Tem dificuldade em concentrar-se em atividades que exigem maior atenção, pois está todo o tempo correndo e pulando.
Em ambos os casos foram percebidos, que algumas palavras, tinham amplos significados, o que provocava o riso das mesmas, ou até, uma brincadeira espontânea.
Conclusão
O brincar é importante, pois através dele a criança se relaciona com outras, se posiciona diante as situações em conflito, o que é importante para a aquisição de valores futuros, necessários a sua socialização, como aprender a compartilhar, respeitar o outro, respeitar as regras e limites e aprender a conviver em grupo reconhecendo o valor do próximo.
Referências
BOMTEMPO, E. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. In: Tizuko M. Kishimoto (Org.). O brincar e suas teorias. São Paulo: Pioneiro Thompson Learning, 2002. FERLAND, F. O Modelo lúdico. O brincar , a criança com deficiência e a Terapia
Ocupacional. 3 ed. São Paulo Roca, 2006.
FRIEDMANN, A. NEPSID: Núcleo de Estudos e Pesquisas Simbolismo – Infância – Desenvolvimento. O papel do brincar na cultura contemporânea: o espaço do brincar, São Paulo, 16 mar. 2006. Disponível em:<http:// www.nepsid.com.br/artigos/opapeldobrincar.htm.
JUNQUEIRA, M.de F.P.da S. O brincar e o desenvolvimento infantil. Pediatria Moderna. São Paulo: Grupo Editorial Moreira Júnior, v.35, n.12, p.988-90. dez/1999. KISHIMOTO, T. M. O brincar e suas teorias. São Paulo: Pioneiro Thompson Learning, 2002.
PARHAM, L. D.; FAZIO, L. S. A recreação na terapia ocupacional. São Paulo: Santos Livraria Editora, 2002.
ROSENBERG, S. A criança e seu espaço de brincar. São Paulo, 1989 (tese – Doutorado – ECA - USP).
TAKATORI, M. O brincar no cotidiano da criança com deficiência física:
reflexões sobre a clínica da terapia ocupacional. São Paulo: Atheneu, 2003
processos psicológicos superiores. 6ª ed. São Paulo – Martins Fontes, 1998
WINNICOTT, D.W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975. “Clássica”.