1º Concerto da Academia
Foi em 1943, com a
Sociedade de Concertos da Madeira, que tudo começou em plena Grande Guerra, quando grandes nomes do mundo da Música vieram periòdicamente ao Funchal para dar recitais de música clássica. Exaustivo seria nomear a lista de
celebridades que tocaram quer no Teatro Municipal Baltazar Dias quer na Quinta Vigia: pianistas como Wilhem Kempff ou Benno
Moiseinwitsch; violinistas como Henry Szeryng e Yvonne Astruc; violoncelistas com o timbre de Pierre Fournier ou Gaspar Cassado.
Por iniciativa de dois membros do Conselho Directivo, Engenheiro Luiz Peter Clode e Dr. William Edward Clode, a Academia de Música da Madeira surgiu no panorama cultural
madeirense do pós-guerra como um oásis no relativo deserto da arte musical nesta ilha.
As bases para a criação da
Academia de Música da
Madeira foram aprovadas por unanimidade pelo Conselho Directivo da Sociedade de Concertos da Madeira, em sessão de 1 de Outubro de 1945. A 5 de Setembro de 1947 foi dado pelo Sub-secretário de Estado da Educação Nacional, o alvará autorizando definitivamente o funcionamento deste estabelecimento de ensino, de harmonia com os programas oficiais do Conservatório Nacional a 248 alunos de ambos os sexos, 124 dos quais frequentariam o curso diurno, devendo frequentar o curso nocturno igual nº de alunos.
A 13 de Novembro de 1946, escolhido o corpo docente da Academia, por indicação do ilustre pianista Professor Lourenço Varela Cid, que desde o primeiro momento se interessou e empenhou
incansàvelmente pela Sociedade de Concertos e pela Academia de Música da Madeira, fez-se a inauguração oficial da Academia na sua sede: Avenida Arriaga, 13 - Funchal.
Teatro Municipal Baltazar Dias
A Administração da Academia coube aos seus fundadores Engenheiro Luiz Peter Clode e Dr. William Edward Clode e ainda ao Coronel Eduardo António Santos Pereira. Nomeado Director desta instituição em sessão do Conselho Directivo da Sociedade de Concertos da Madeira de 18 de Setembro de 1946, o Eng. Luiz Peter Clode acompanhou-a de perto todos os dias durante quase 30 anos vivendo intensamente todos os seus problemas.
Instituição de carácter particular , a Academia visava ministrar o ensino da música vocal e instrumental em cursos regulares, mas abarcando outros objectivos, nomeadamente, promover o desenvolvimento da cultura musical da Madeira, quer organizando Concertos em que actuavam os próprios alunos, conferências e audições, quer auxiliando iniciativas alheias tendentes a atingir o mesmo fim.
Mais tarde, foi anexado à Academia, o sector de
Línguas vivas (francês, inglês, italiano e alemão) e o sector de Belas Artes (Pintura e Escultura). Em sessão do Conselho Directivo da Sociedade de Concertos da Madeira de 24 de Abril de 1946, é de destacar a proposta
apresentada pelo Coronel Eduardo António Santos Pereira, para a criação no Funchal, de uma Emissora Regional para a radiodifusão de peças de compositores consagrados como forma de as divulgar ainda mais e de fomentar o gosto pela música clássica e pela boa música em geral. O mencionado posto que se designou "Posto Emissor de Radiodifusão do Funchal", foi feito com o objectivo de se intensificar a Vida Musical, como
prolongamento da acção já desenvolvida neste meio citadino pela Sociedade de Concertos da Madeira, com a realização de concertos, conferências ou simples palestras radiofónicas. A direcção do posto foi confiada ao Dr. William E. Clode, ao Eng. Herculano Ramos e ao Eng. Luiz Peter Clode, sendo este o
engenheiro responsável pelo mesmo posto. Como técnico permanente foi contratado o Sr. João Higino Acciaiolli
Ferraz, um dos primeiros e mais competentes
radiofilistas da Madeira,
premiado em vários concursos internacionais. O Posto foi oficialmente inaugurado a 28 de maio de 1948.
Período posterior à Revolução de 25 de Abril de 1974
Após a extinção da Academia de Música e Belas Artes da Madeira, e sua oficialização como Conservatório de Música da Madeira em 1977, foi nomeada em 1978, pela Secretária Regional Margarida Neves da Costa, uma
Comissão Instaladora
constituída pelos professores Maria Augusta Perestrello, João Luís Gomes Abreu e José Agostinho Bettencourt, que saiu pouco tempo depois. Inicialmente trabalhou em conjunto com esta comissão, a Comissão Instaladora das Belas Artes (de que faziam parte Jorge Marques da Silva e Isabel Santa Clara Gomes). Veio a fazer-se mais tarde a descentralização das Artes Plásticas e do Conservatório. Em 1986, em presença do novo Secretário da Educação, Dr. Brazão de Castro, e da Comissão antes referida, foi regionalizado o Conservatório de Música da Madeira,
Regional da Educação com o nome de Escola Secundária de Ensino Artístico.
A 1 de Outubro de 1987, por despacho do Secretário Regional da Educação de 10 de Setembro de 1987, tomou posse como Presidente da Comissão Instaladora a Drª Inês Clode de Freitas, filha e sobrinha dos fundadores da Academia de Música, Eng. Luiz Peter Clode e Dr. William E. Clode, sendo vogais os Professores João Nunes Atanásio e João Vítor Costa.
No ano lectivo subsequente, este último seria exonerado a partir de 31 de Dezembro de 1988, tendo~se mantido a Comissão Instaladora apenas com dois elementos até 1 de Setembro de 1992, altura em que foi nomeado um segundo vogal, a Drª Maria Teresa Tomé.
Um dos vectores marcantes, da gestão presidida pela Drª Inês Clode, foi a aposta na contratação de professores estrangeiros, procedentes de países de tradição musical, e de nível artístico superiores aos do nosso. Assim se
acrescentou à boa qualidade do ensino, já existente, um corpo docente suficiente para corresponder aos anseios e necessidades de um número
crescente de alunos. Existem actualmente na Escola,
leccionando quer
instrumentos de tecla, sopro ou cordas, quer Formação Musical e Composição, docentes provenientes da Hungria, da Croácia, da Rússia, da Ucrânia, da Finlandia, da Inglaterra, da Venezuela, da Argentina, da Arménia e da Itália. No final de 1994, com a aposentação da Drª Inês Clode de Freitas, iniciou-se um processo eleitoral que conduziu à nomeação da 1ª Comissão do Conservatório: Presidente João Victor Costa, vogais: professor João Nunes Atanásio e o professor José Agostinho Bettencourt. Devido a pretensas
divergências internas, esta comissão demitiu-se em
Fevereiro de 1995, tendo sido posta a vacatura à disposição da Secretaria Regional da Educação. O Secretário Regional da Educação,
Francisco Abreu dos Santos, nomeou nova Comissão Directiva constituída por funcionários superiores da própria Secretaria Regional da Educação: Dr. Miguel Rodrigues, Dr. Duarte Tranquada Gomes e Drª Teresa Brígida Oliveira, que tomaram posse a 8 de Março de 1995
Actualmente a Direcção é presidida pela
Srª Engª Inês Costa Neves, que tomou posse em 2001; as áreas de recursos humanos, financeira e jurídica
encontram-se a cargo respectivamente do Dr. Fernando Guimarães, Drª Susana Costa e Drª Sofia Rocha.
Os cursos profissionais de Dança, Música e Teatro, com equivalência ao 12º ano, nível III de Qualificação Profissional da União Europeia e com acesso ao ensino superior são contributos essenciais para a formação integral dos alunos. Os Cursos Profissionais de Música, Interpretação, Dança e Jazz, são coordenados respectivamente pelos Professores Cristina
Pliousnina, Eduardo Luíz, Carlos Fernandes e Humberto Fournier.