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Oxidaçãodeaminoácidoseciclodauréia

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(1)

Campus Diadema

Oxidação de aminoácidos e

Ciclo da Uréia

Prof. Dr. Helotonio Carvalho

Abril de 2011

UC-Bioquímica Metabólica

(2)

Oxidação de aminoácidos

A fração de energia metabólica obtida pela oxidação de

aminoácidos depende do tipo de organismo:

Carnívoros

, logo após uma refeição, podem obter até 90 %

de sua demanda energética através da oxidação de

aminoácidos.

Herbívoros:

apenas uma pequena fração da energia obtida

vem da oxidação de aminoácidos.

Microorganismos

podem retirar aminoácidos do ambiente

em que se encontram e utilizar como fonte energética.

Plantas

praticamente não se utilizam desta via. A

concentração de aminoácidos em plantas é regulada de

maneira a se ajustar apenas à biossíntese de precursores

para moléculas necessárias ao seu crescimento.

(3)

Oxidação de aminoácidos

Em animais a oxidação de aminoácidos ocorre em três

circunstâncias diferentes:

Durante a síntese e degradação normal de proteínas

celulares,

aminoácidos não utilizados para a síntese de

novas proteínas são oxidados

.

Quando uma dieta é rica em proteínas e a quantidade de

aminoácidos excede a necessidade para síntese de

protéinas,

estes

aminoácidos

são

catabolizados.

Aminoácidos, ao contrário de carboidratos e lipídeos, não

podem ser armazenados.

Durante o jejum prolongado ou em diabetes não

controlada, a ausência ou incapacidade do organismo em

utilizar carboidratos faz com que proteínas celulares sejam

usadas para fornecer energia.

(4)

Visão geral da

oxidação de

aminoácidos

(5)

Digestão de

proteínas

(6)

Digestão enzimática de proteínas no

estômago e intestino

1) A entrada de proteínas no estômago estimula a mucosa gástrica a secretar o hormônio gastrina.

2) Gastrina estimula a secreção de HCl pelas células parietais e de pepsinogênio pelas células principais.

3) Pepsinogênio é clivado a pepsina que hidrolisa as proteínas (desnaturadas pela acidez do estômago, pH 1,0 a 2,5) na porção NH2-terminal de resíduos de Phe, Trp e Tyr.

4) O conteúdo do estômago passa para o intestino médio e seu baixo pH induz a secreção de secretina no sangue.

5) Secretina estimula o pâncreas a secretar HCO3- para neutralizar o

(7)

Digestão enzimática de proteínas no

estômago e intestino

6) A digestão continua no intestino delgado. A passagem de aminoácidos no duodeno causa liberação de colecistocinina, que estimula a secreção de precursores de várias enzimas pancreáticas: tripsinogênio, quimiotripsinogênio, procarboxipeptidases A e B.

7) Tripsinogênio é clivado e ativado pela enteropeptidase (secretada pelo intestino). Tripsina ativa as outras proteases.

8) A ação conjunta destas proteases, com diferentes especificidades, além de uma aminopeptidase resulta na liberação de aminoácidos livres que são absorvidos pelas células da mucosa intestinal.

9) Os aminoácidos são transportados pelo sangue até o fígado.

(8)

Destino dos

grupos amino

(9)

Destino dos grupos amino

Glutamato e glutamina

têm papel essencial como

captadores dos grupos

amino de aminoácidos.

No citossol de hepatócitos,

grupos amino da maior

parte dos aminoácidos são

transferidos

para

-cetoglutarato

formando

glutamato, que entra na

mitocôndria onde perde

seu grupo amino na forma

de NH

4+

.

(10)

Destino dos grupos amino

A amônia em excesso

produzida

em

outros

tecidos é convertida a

glutamina, que é enviada

ao fígado pelo sangue.

A

glutamina também perde

seu grupo amino na forma

de NH

4+

na mitocôndria.

As

concentrações

de

glutamato e glutamina na

maior parte dos tecidos é

maior que a de outros

aminoácidos.

(11)

Formas de excreção dos grupos amino

Ao contrário dos animais,

plantas reciclam todos os

grupos amino e

praticamente não

excretam nitrogênio.

Amonotélicos

Ureotélicos

(12)

Transferência de grupos amino para -cetoglutarato

O papel das aminotransferases (transaminases)

Reações de transaminação visam

coletar os grupos amino de

diferentes aminoácidos como

L-glutamato.

O glutamato atua como doador de

grupos

amino

em

vias

de

biossíntese de aminoácidos ou em

vias de eliminação de amônia pelo

organismo.

Muitas

aminotransferases

são

específicas para

-cetoglutarato

mas diferem na especificidade com

relação aos aminoácidos doadores

de grupos amino.

(13)

Transferência de grupos amino para -cetoglutarato

O papel das aminotransferases (transaminases)

Reações

catalisadas

por

aminotransferases

têm

G

próximo

de

zero

(são

reversíveis).

As enzimas utilizam piridoxal

fosfato (PLP) como grupo

(14)

Pirodoxal fosfato e sua forma

contendo grupo amino

(15)

Liberação do grupo amino do glutamato

no fígado (mitocôndria)

Glutamato

passa

por

desaminação

oxidativa

catalisada pela glutamato

desidrogenase.

Glutamato desidrogenase

é a única enzima que

pode usar tanto NAD

+

como NADP

+

.

-cetoglutarato produzido

pode ser usado no ciclo

de Krebs.

(16)

Transporte de grupos amino no sangue

pela glutamina

Amônia é tóxica para tecidos

animais

e

os

níveis

sanguíneos são estritamente

regulados.

Na maioria dos animais a

amônia livre é convertida em

uma espécie não tóxica

antes de ser exportada para

o fígado ou rins.

A glutamina exerce esse

papel

.

No

fígado,

a

enzima

glutaminase recupera o

glutamato e libera NH

4+

novamente, que é convertido

em uréia.

(17)

Transporte de amônia produzida nos músculos

O papel da alanina no Ciclo da Glicose-Alanina

Nos músculos, os grupos amino são

coletados como glutamato. Este pode ser

convertido a glutamina ou transferir o grupo

amino para o piruvato, um produto

abundante da glicólise muscular, formando

alanina.

Esta reação é catalisada pela alanina

aminotransferase.

Alanina atua como transportador de grupos

amino dos músculos para o fígado.

No fígado, glutamato e piruvato são

gerados novamente. Glutamato libera NH

4+

e

piruvato

pode

ser

usado

para

gliconeogênese, o que pode gerar mais

energia para os músculos.

(18)

Excreção de nitrogênio e Ciclo da Uréia

Grupos amino não utilizados na síntese de novos

aminoácidos são excretados.

Em animais ureotélicos, a amônia liberada nas mitocôndrias

dos hepatócitos é convertida em uréia pelo

Ciclo da Uréia

.

A uréia é produzida quase exclusivamente no fígado,

passando então para a corrente sanguínea e para os rins,

sendo excretada na urina.

(19)

Ciclo da Uréia

 Dois grupos amino são convertidos em uréia. Um dos grupos amino entra no ciclo como carbamoil fosfato; o outro como aspartato.  Síntese de carbamoil fosfato a

partir de NH4+ e CO

2 (na forma de HCO3-), catalisada pela carbamoil

fosfato sintetase I.

1) Carbamoil fosfato transfere o grupo carbamoil para ornitina formando

citrulina, numa reação catalisada pela ornitina transcarbamoilase. Citrulina passa para o citossol.

2) Condensação entre citrulina e aspartato, formando

argininosuccinato pela ação da

(20)

Ciclo da Uréia

3) Argininosuccinato é clivado a

arginina e fumarato, pela ação da

arginino succinase. Fumarato entra no Ciclo de Krebs.

4) A arginase cliva arginina gerando

uréia e ornitina.

CO

2

+ NH

4+

+ 3ATP + aspartato + 2H

2

O

Uréia + 2ADP + 4 Pi + AMP + fumarato

Reação Global

(21)

Interligações entre o Ciclo da Uréia e o

Ciclo de Krebs

(22)

Regulação do Ciclo da Uréia

O fluxo de nitrogênio pelo ciclo da uréia depende da dieta

.

Com uma dieta altamente protéica, os esqueletos

carbônicos dos aminoácidos são usados na produção de

energia, produzindo uréia a partir do excesso de grupos

amino.

Durante o jejum prolongado, proteínas musculares passam

a ser utilizadas na produção de energia, aumentando a

produção de uréia

.

A regulação de longo prazo ocorre pelo aumento da

síntese de carbamoil fosfato sintetase e das 4 enzimas do

ciclo.

A regulação a curto prazo ocorre por regulação alostérica

da carbamoil fosfato sintetase.

(23)

Excreção de compostos

nitrogenados no homem

Composto

Quantidade Excretada

(g/dia)

Uréia

30

NH

4+

0,7

Creatinina*

1,4

Ácido Úrico

0,8

Ácido úrico é derivado da degradação de nucleotídeos.

(24)

Defeitos genéticos em enzimas do

Ciclo da Uréia

Pessoas com defeitos genéticos em enzimas do ciclo da uréia não podem utilizar dietas ricas em proteínas.

Aminoácidos ingeridos em excesso em relação às necessidades diárias para a síntese de proteínas são desaminadas no fígado produzindo amônia livre que não pode ser convertida em uréia, o que resulta num aumento nos níveis de amônia, que é tóxica.

Sintomas incluem danos ao sistema nervoso central, incluindo problemas de desenvolvimento e retardo mental.

Uma dieta sem proteínas não é opção terapêutica devido à incapacidade de humanos em sintetizar metade dos 20 aminoácidos.

(25)

Degradação de

aminoácidos

(26)

As vias de degradação de aminoácidos

As vias de degradação dos 20 aminoácidos convergem para 6 produtos finais

que entram no ciclo de Krebs.

(27)

Cofatores enzimáticos importantes no

catabolismo de aminoácidos

Atuam em reações de transferência de um átomo de carbono com

diferentes estados de oxidação.

(28)

Aminoácidos

degradados a piruvato

Triptofano

Treonina

Glicina

Serina

Alanina

Cisteína

(29)

Via alternativa de degradação de glicina

Lactato desidrogenase

D-aminoácido oxidase tem como função primária a detoxificação de

aminoácidos D derivados da parede celular de bactérias e de comidas

cozidas (calor leva à alguma racemização de aminoácidos).

Oxalato desta reação ou proveniente da dieta, forma oxalato de

cálcio (75 % das pedras nos rins)

(30)

Triptofano

Lisina

Fenilalanina

Tirosina

Leucina

Isoleucina

Aminoácidos

degradados a

acetil-CoA

(31)

Alguns intermediários da degradação de triptofano

são precursores de outras biomoléculas

(32)

Catabolismo de fenilalanina e

doenças metabólicas

(33)
(34)

Catabolismo de fenilalanina e

fenilcetonúria

Uma das primeiras doenças metabólicas hereditárias a ser descoberta. Causa retardo mental em crianças. Incidência: 8-10 em 100.000 nascimentos.

Nestes pacientes, a via metabólica ao lado, pouco ativa normalmente, passa a atuar.

Fenilalanina e fenilpiruvato se acumulam no sangue e em tecidos e são excretados na urina. Sintomas parecem ser devidos à competição da

fenilalanina em excesso com outros aminoácidos para o transporte através da barreira hematoencefálica, resultando em níveis reduzidos de metabólitos essenciais.

Portadores podem evitar os sintomas com controle rígido da quantidade de fenilalanina e tirosina ingerida (apenas a necessária para biossíntese de proteínas).

Odor característico (diagnóstico)

(35)

Arginina

Prolina

Histidina

Glutamato

Glutamina

Aminoácidos

degradados a

-cetoglutarato

(36)

Metionina

Treonina

Isoleucina

Valina

Aminoácidos

degradados a

succinil-CoA

(37)

Catabolismo de aminoácidos de

cadeia ramificada

Não ocorre no

fígado, mas em

tecidos como

adiposo,

músculo, rins e

cérebro, que

contêm uma

aminotransferase

ausente no

fígado.

(38)

Aminoácidos

degradados a

oxaloacetato

Asparagina

Aspartato

(39)

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