Universidade da Madeira (UMa)
Recursos Humanos (ETI, concursos e contratações, 2016)
4 de março de 2016
Em 20141 e em 20152, definiu-‐se como objetivos para os recursos humanos da Universidade
da Madeira:
I) estancar a diminuição dos recursos humanos disponíveis (docentes e não docentes), que
tem sido uma constante ao longo dos últimos anos3, de modo a que a Universidade
consiga funcionar, do ponto de vista docente e administrativo, com a qualidade e eficiência mínimas, necessárias;
II) retomar uma política de abertura de concursos para os lugares de topo da carreira
docente universitária (professor associado e professor catedrático)4 que de forma
planeada, ainda que muito lenta5, nos permita encurtar a enorme distância a que nos
encontramos dos indicadores estabelecidos no Estatuto da Carreira Docente
Universitária (ECDU) a esse respeito6.
Estes objetivos mantêm-‐se em 2016, conforme se detalha à frente, abordando-‐se cada um deles em separado e analisando o que foi realizado em 2015 e o que é planeado para 2016.
1 Em documento, intitulado "Recursos Humanos (ETI, concursos e contratações, 2014)", aprovado em
Comissão Académica do Senado, a 5/3/2014, e em Conselho Geral, a 10/3/2014.
2 Em documento, intitulado "Recursos Humanos (ETI, concursos e contratações, 2015)", aprovado em
Comissão Académica do Senado, a 22/5/2015, e em Conselho Geral, a 15/6/2015.
3 De acordo com os dados do relatório de gestão e contas de 2012, de 2009 a 2012, a UMa "perdeu"
13 funcionários não docentes e cerca do equivalente a 10 docentes a tempo integral, e em 2013, 8 funcionários não docentes e 6 docentes de carreira reformaram-‐se ou transferiram-‐se para outras instituições ou faleceram e não foram substituídos. Por sua vez, no SASUMa, desde 2008 já saíram 11 funcionários.
4 Retoma que se inicia com a ocupação de um lugar de professor catedrático em dezembro de 2013,
tendo, anteriormente, o último concurso para um lugar do quadro tido lugar em julho de 2010 (no caso para um lugar de professor associado).
5 Uma vez que depende de os lugares a concurso irem sendo ganhos por professores já na UMa, ou
de fora, devido aos custos inerentes à última situação.
6 De acordo com o n.º 1 do artigo 84.º do ECDU, o conjunto de professores associados e catedráticos
de carreira deveria representar entre 50% e 70% do total dos professores de carreira. No que concerne à carreira docente politécnica, a situação, no que respeita à ocupação dos lugares de topo da carreira, encontra-‐se dentro do estipulado no respetivo estatuto (ECPDESP -‐ estatuto da carreira do pessoal docente do ensino superior politécnico).
Saliente-‐se, contudo, que este ano contém algumas especificidades, a seguir enunciadas, que aconselham a que nos limitemos agora a propostas exclusivas sobre o ano corrente, deixando para altura ulterior planeamentos plurianuais e de médio prazo.
No que respeita ao ano corrente, de 2016, há a salientar, nomeadamente, o seguinte: • O atual governo anunciou uma alteração da política de financiamento do Ensino
Superior e da Ciência, em que sobressai um objetivo de aumento desse financiamento, o que se saúda;
• O aumento em causa, do financiamento das Instituições de Ensino Superior (IES), não tem lugar já no corrente ano de 2016; em relação a 2016, é afirmado que as IES receberão exatamente o mesmo que em 2015, corrigido apenas em função das alterações salariais que irão ocorrer;
• O aumento do financiamento das IES a partir de 2017 terá por base um contrato de confiança, de incidência plurianual, a estabelecer pela tutela com cada IES;
• Decorrente, em grande parte, dos sucessivos cortes orçamentais e quebras no número de alunos que têm ocorrido ao longo dos últimos anos, o ano de 2015 foi o pior dos últimos anos da UMa em termos de execução orçamental, apresentando um saldo deficitário muito significativo.
I -‐ Manutenção dos recursos humanos disponíveis
I-‐a) Contratações de docentes para a carreira ou como convidados a tempo integral
Em 2015, aprovou-‐se que a contratação de professores auxiliares e de professores adjuntos, para a carreira ou como convidados a tempo integral (com ou sem exclusividade), só podia ocorrer:
i)• Em resposta a imposições explícitas da A3ES (Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior), para evitar o encerramento de cursos;
ii)• Em áreas em que o corpo docente existente estivesse claramente abaixo do mínimo requerido para dar resposta ao serviço letivo docente a seu cargo;
iii)• Para substituir docentes que abandonassem a Universidade, em áreas em que eram necessários, ou para substituir um conjunto de docentes a tempo parcial equivalente
em termos de ETI7 à contratação proposta.
Para a determinação das áreas em que o corpo docente existente se encontrava claramente abaixo do mínimo necessário, usou-‐se a comparação do ETI disponível para lecionação com o correspondente ETI padrão da Unidade Orgânica/área em causa.
No que respeita à determinação do ETI padrão, que corresponde a cada unidade orgânica (em função da sua participação nos diferentes ciclos de estudos e do número de alunos nestes matriculados), apresentam-‐se em anexo os valores obtidos de três formas:
a) Usando a fórmula e os rácios de 2006, que, de algum modo, ainda servem indiretamente de base à atribuição das verbas do Orçamento de Estado às IES (uma vez que esta tem sido calculada, nos últimos anos, essencialmente numa base histórica, como uma percentagem do montante atribuído no ano anterior);
b) Considerando os mesmos rácios, mas supondo que eram financiáveis todos os
cursos conferentes de grau8, e não apenas os 1.º ciclos de estudos e os 2.º ciclos de
estudos considerados necessários ao exercício de uma profissão;
c) Considerando o ETI que seria gerado pelos alunos da UMa existentes nos anos letivos de 2014/15 e 2015/16, de acordo com a proposta de modelo de financiamento que foi desenvolvida pelo anterior Secretário de Estado do Ensino
Superior9, proposta que entretanto foi colocada de parte pelo atual Ministro da
Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.
Apresentam-‐se igualmente em anexo os valores do ETI usado pelas várias unidades orgânicas (nas suas diferentes vertentes: ETI suportado financeiramente pela UMa, ETI total ao serviço e ETI disponível para lecionação), devendo ter-‐se, contudo, presente, que esses valores, no que respeita ao ano corrente, ainda são provisórios.
Apresenta-‐se ainda em anexo a evolução do ETI padrão das várias unidade orgânicas calculado através das formas a) e b) acima. É imediato constatar que o ETI padrão tem vindo
7 ETI significa Equivalente a Tempo Integral.
8 Para além dos cursos técnicos superiores profissionais (TeSP), que são financiáveis de acordo com o
artigo 33.º do Decreto-‐Lei n.º 43/2014, de 18 de março.
9 Este modelo conduziria a ETI's substancialmente inferiores para a UMa e para algumas outras IES.
Esta proposta foi colocada de parte pelo atual Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, mas não devemos deixar de ter em conta que existiu e de termos presente os indicadores que continha.
a diminuir, de modo relevante, em virtude da diminuição do número de alunos da UMa que tem ocorrido.
A evolução do número de alunos em cada ciclo de estudos com pelo menos 60 ECTS apresenta-‐se em anexo. Em seguida exibe-‐se a evolução do número total de alunos (excluindo externos e estudantes recebidos em Erasmus e outros regimes de mobilidade) juntamente com a evolução do número de novos alunos inscritos, em cada tipo de ciclos de estudos. Apesar de neste ano letivo ter existido um incremento do número de novos alunos inscritos (em grande parte devido ao início da oferta dos cursos técnicos superiores profissionais), o número total de alunos da UMa continua a decrescer, embora de forma
mais atenuada neste ano, de acordo com os dados disponíveis a dezembro de 201510.
10 De acordo com os dados disponíveis, a percentagem de trabalhadores estudantes reduz-‐se em mais
O próximo quadro permite comparar a situação global da Universidade, em termos de recursos docentes, no primeiro semestre de 2013/14, 2014/15 e 2015/16:
Item 2013/2014 2014/2015 2015/2016
Professores carreira 146 147 147
Docentes carreira 156 154 151
Professores carreira + professores
convidados a tempo integral 159 163 170
Docentes carreira + docentes convidados a tempo integral (sem destacamentos)
177 173 176
Docentes carreira + docentes convidados a tempo integral ou parcial (sem destacamentos e Pro-‐ Bono)
192,8 195,5 198,1
ETI pago pela UMa (Docentes carreira + convidados a tempo inte-‐ gral ou parcial -‐ docentes em mobili-‐ dade e licenças sem vencimento)
190,8 191,5 192,1
ETI total ao serviço (incluindo
destacamentos e Pro-‐Bono) 216,9 212 213,9
ETI disponível para lecionação (não contabiliza dispensas de serviço obrigatórias, baixas prolongadas, investigadores/destacamentos em projetos, Reitor e Vice-‐Reitores)
190,5 (sem contabilizar a
maioria dos docentes dos CET)
195,9 (sem contabilizar a
maioria dos docentes dos CET)
201,5 (contabilizando todos os docentes
dos TeSP)
A situação orçamental obriga a que esta política de contenção no reforço do corpo docente tenha necessariamente de continuar, limitando as contratações a efetuar, nomeadamente no que respeita a contratações de duração prolongada (em dedicação exclusiva ou tempo integral), uma vez que a situação financeira da Universidade se tem agravado.
Proposta:
Propõe-‐se que em 2016 se mantenha a política de só se efetuar contratações em dedicação exclusiva ou tempo integral, nomeadamente de duração prolongada, para impedir o encerramento de ciclos de estudos (em virtude de imposições da A3ES) ou para compensar situações de grande défice ou de saída equivalente de docentes, quando o serviço letivo em causa o requeira.
I-‐b) Contratações para os serviços
No que respeita aos serviços, era urgente colmatar as saídas que vinham a ter lugar e, pelo menos, as ocorridas durante o ano de 2013, uma vez que os recursos humanos disponíveis nos serviços eram claramente insuficientes para assegurar uma resposta adequada às diferentes solicitações.
Assim, em 2014, foram abertos dois tipos de concursos: para a carreira (contratos por tempo indeterminado) e para contratos por tempo determinado (6 meses, renováveis até um máximo de três anos). Alguns destes concursos prolongaram-‐se por algum tempo,
nomeadamente os para a carreira11, encontrando-‐se ainda um concurso de um técnico
superior por finalizar. Ao todo foram contratados para a carreira 4 técnicos superiores e 1 assistente operacional, e foram contratados por tempo determinado 3 técnicos superiores, 2 especialistas de informática e 3 assistentes operacionais.
Como os resultados dos concursos permanecem válidos por 18 meses, a Universidade pode recorrer a estes concursos para proceder, de forma célere, à substituição de saídas de funcionários que entretanto ocorram. Encontra-‐se em estudo a possibilidade de usar essa facilidade para suprir (parcialmente) também algumas saídas de funcionários do SASUMa (que se encontra igualmente em acentuado défice de funcionários), recorrendo a esses concursos para recrutar funcionários e afetando-‐os, em seguida, ao SASUMa, através do regime de mobilidade.
11 Os concursos para a carreira são mais demorados, por exigirem um maior número de provas/etapas,
Durante o ano de 2015, não se abriu qualquer novo concurso para a contratação de funcionários não docentes. Em 2016 foi aberto um concurso para a carreira para especialista
de informática12, não se prevendo a abertura de qualquer outro novo concurso.
II -‐ Concursos para os lugares de topo (associados e catedráticos) da carreira docente universitária
Em 2015 aprovou-‐se a possibilidade de realização de concursos para preenchimento de uma vaga de catedrático e duas de associado, no âmbito da Faculdade de Artes e Humanidades
(FAH)13, de uma vaga de associado, no âmbito da Faculdade de Ciências Exatas e da
Engenharia (FCEE), e de uma vaga de associado, no âmbito da Faculdade de Ciências Sociais (FCS).
Acabaram por apenas ser abertos concursos para preenchimento da vaga de catedrático da FAH e da vaga de associado da FCS, concursos entretanto já concluídos.
Em parte, os atrasos na abertura dos restantes concursos tiveram a ver com dúvidas que se levantaram sobre quem podia participar e votar no âmbito da discussão e deliberação do Conselho Científico relativamente à área científica em que os concursos deveriam ser abertos, e sobre como proceder nos eventuais casos em que os Conselhos Científicos não se encontrassem em condições de deliberar sobre tal assunto. Foi solicitado um parecer jurídico sobre esta complexa matéria, ainda em 2014 (a 20 de outubro). Um primeiro parecer foi emitido a 27 de janeiro de 2015, tendo suscitado pedidos de esclarecimentos adicionais. O parecer final, datado de 26 de maio, foi homologado e divulgado a 28 de julho. A situação orçamental da Universidade e a possibilidade de qualquer concurso aberto poder vir a ser ganho por candidatos externos, com decorrentes acréscimos significativos de custos, impõe que se mantenha uma política de grande cautela no número de vagas que poderão estar em concurso, em simultâneo. Assim, propõe-‐se que sejam abertas as vagas que acabaram por não ser postas a concurso em 2015, por parte da FAH e da FCEE, que possa ser aberta mais uma vaga de associado por parte da FCS, conforme estava calendarizado, e que se preveja a eventual abertura de uma vaga de associado ou catedrático, no âmbito da Faculdade de Ciências da Vida (FCV), para a área da Medicina, caso haja candidatos com
12 Um dos técnicos especialistas de informática, contratado a tempo determinado, abandonou
entretanto a Universidade.
13 A unidade orgânica que se encontra claramente em pior situação, no que respeita à percentagem
currículo adequado que mostrem interesse em vir para a nossa Universidade e instalar-‐se na Madeira, contratação de um "sénior" que nos parece essencial se se pretende a manutenção e desenvolvimento do curso de Medicina na UMa, com alargamento futuro ao 3.º ano. Proposta:
a) Propõe-‐se que em 2016 sejam preenchidas as seguintes vagas (nas áreas indicadas pelos Faculdades em causa).
Centro de Competência Número de vagas a preencher para
professor catedrático
Número de vagas a preencher para professor associado
Artes e Humanidades 2
Ciências Exatas e da Engenharia 1
Ciências Sociais 1
2) Propõe-‐se, igualmente, que se preveja a eventual abertura de uma vaga de associado ou catedrático, para a área da Medicina, também em 2016, caso haja candidatos com currículo adequado.
À medida que tenham lugar os concursos em causa, poder-‐se-‐á iniciar a abertura de outros concursos, caso os concursos abertos (com exceção do de Medicina) sejam ganhos por docentes já na UMa.
No âmbito do contrato de confiança a firmar com a tutela dever-‐se-‐á procurar que se estabeleçam condições que permitam uma ocupação mais célere dos lugares de topo da carreira docente universitária, de modo a nos irmos aproximando dos indicadores estabelecidos no ECDU a este respeito.
ANEXOS
Evolução do número de alunos matriculados em cada curso na UMa (sem considerar os alunos externos, nem os alunos Erasmus)
Não se considera igualmente cursos breves
(mais genericamente, não se considera, a seguir, cursos com menos de 60 ECTS)