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Superior Tribunal de Justiça

AgRg na CARTA ROGATÓRIA Nº 1.589 - EX (2006/0043281-7)

AGRAVANTE : DELOITTE E TOUCHE TOHMATSU AUDITORES

INDEPENDENTES

ADVOGADO : JOSÉ HENRIQUE NUNES PAZ E OUTRO(S)

JUSROGANTE : TRIBUNAL DISTRITAL DOS ESTADOS UNIDOS -

DISTRITO SUL DE NOVA YORK

EMENTA

CARTA ROGATÓRIA. AGRAVO REGIMENTAL. AUTENTICAÇÃO E TRADUÇÃO JURAMENTADA. TRÂMITE POR MEIO DE AUTORIDADE CENTRAL. DILIGÊNCIA ROGADA. CITAÇÃO. DOCUMENTOS QUE ACOMPANHAM A INICIAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA,

OFENSA À ORDEM PÚBLICA OU SOBERANIA NACIONAL.

COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTRANGEIRA E REGULARIDADE NA RELAÇÃO PROCESSUAL. QUESTÕES A SEREM ANALISADAS PELA JUSTIÇA ROGANTE.

– Encaminhado o pedido rogatório via autoridade central, estão satisfeitos os requisitos da legalidade e autenticidade, nos termos dos arts. 5º e 6º da Convenção Interamericana sobre Cartas Rogatórias – Decreto n. 1.899/1996.

– Não se exige, tanto na legislação brasileira quanto na americana, que o ato citatório venha acompanhado de todos os documentos mencionados na petição inicial. Não há falar, desse modo, em violação dos princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa.

– A simples citação, por si só, não implica afronta à ordem pública ou à soberania nacional e destina-se, apenas, a dar conhecimento da ação em curso, permitindo a defesa da interessada.

– Não cabe a esta Corte avaliar a regularidade da relação processual instaurada na ação original, ou mesmo a incompetência absoluta da Justiça estrangeira para o deslinde da causa, pois são matérias a serem deduzidas no Juízo rogante.

Agravo regimental improvido.

ACÓRDÃO

Vistos e relatados estes autos, em que são partes as acima indicadas, decide a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, na forma do relatório e notas taquigráficas precedentes que integram o presente julgado. Votaram com o Sr. Relator os Srs. Ministros Antônio de Pádua Ribeiro, Cesar Asfor Rocha, Ari Pargendler, José Delgado, Fernando Gonçalves, Carlos Alberto Menezes Direito, Felix Fischer, Aldir Passarinho Junior, Gilson Dipp, Hamilton Carvalhido, Paulo Gallotti, Nancy Andrighi, Laurita Vaz, Luiz Fux e Teori Albino Zavascki. Ausentes, justificadamente, o Sr. Ministro Nilson Naves e, ocasionalmente, os Srs. Ministros Humberto Gomes de Barros, Eliana Calmon, Francisco Falcão e João Otávio de

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Superior Tribunal de Justiça

Noronha.

Brasília, 16 de maio de 2007 (data do julgamento)

MINISTRO FRANCISCO PEÇANHA MARTINS

Presidente

MINISTRO BARROS MONTEIRO

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Superior Tribunal de Justiça

AgRg na CARTA ROGATÓRIA Nº 1.589 - US (2006/0043281-7)

RELATÓRIO

O SR. MINISTRO BARROS MONTEIRO:

O Tribunal Distrital dos Estados Unidos da América, Distrito Sul de Nova Iorque, solicitou, mediante esta carta rogatória, a citação do representante legal da empresa "Deloitte e Touche Tohmatsu Auditores Independentes", nos termos do texto rogatório de fls. 3-635.

Intimada previamente (fl. 642), a interessada apresentou impugnação (fls. 644-653).

O Ministério Público Federal, pelo parecer de fls. 690-692, manifestou-se pela concessão da ordem.

Às fls. 694-695, foi concedido o exequatur.

Contra essa decisão foi interposto o presente agravo regimental, pelo qual a interessada sustenta: a) ausência de autenticação, pelo Juízo de Nova Iorque, dos documentos que acompanham o pedido rogatório; b) falta dos documentos que teriam instruído a petição inicial, o que violaria os arts. 210 do CPC e 8º, “a”, da Convenção Interamericana sobre Cartas Rogatórias – Decreto n. 1.899/1996; c) incompetência da Justiça rogante para o deslinde da causa, pois tanto a ré quanto os autores não estão sediados em Nova Iorque e o serviço foi prestado pela interessada no Brasil; d) violação da ordem pública e dos princípios do contraditório e da ampla defesa, uma vez que a petição inicial imputa à interessada a prática de atos ilícitos em

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conjunto com outras empresas desconhecidas; e) ausência de tradução juramentada. É o relatório.

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Superior Tribunal de Justiça

AgRg na CARTA ROGATÓRIA Nº 1.589 - US (2006/0043281-7)

VOTO

O SR. MINISTRO BARROS MONTEIRO (Relator):

Inicialmente, no que tange à alegada necessidade de tradução juramentada e de autenticação dos documentos desta comissão pelo Juízo de Nova Iorque, o pedido rogatório foi encaminhado a esta Corte via autoridade central (ofício do Ministério da Justiça à fl. 2), o que lhe confere a necessária legalidade e autenticidade, segundo os arts. 5º e 6º da Convenção Interamericana sobre Cartas Rogatórias – Decreto n. 1.899/1996.

Ademais, nos termos do entendimento jurisprudencial desta Corte,

“negar a presunção de autenticidade de documentos com trânsito no Ministério da Justiça é colocar em suspeita a lisura do órgão do poder público brasileiro competente para processar os intentos rogatórios” (Agravo Regimental na CR n.

1000-AR, da minha relatoria, publicado no DJ de 1º-8-2006). Outro não é o entendimento do Supremo Tribunal Federal acerca do tema:

"3. Tratando-se de comissão rogatória, o trânsito pela via

diplomática, modalidade, aliás, usual de tal espécie, confere autenticidade aos documentos que a instruem, não obstante a versão para o vernáculo seja feita na origem (CR 3749, iter alia). Somente são objeto de tradução autêntica os intentos rogatórios que ingressam na Corte pelas mãos do particular interessado e desde que obtenham na origem a chancela brasileira (C.C.R.R. 3.317, 3.3428, 3.350, iter alia) (RTJ 115/90). Dessa forma, providencie a requerente a chancela do consulado brasileiro no país de origem nos documentos de folha 3 a 5, bem como a tradução destes por tradutor público juramentado no Brasil"

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Superior Tribunal de Justiça

(Carta Rogatória n. 10.367-AT, Relator Ministro Marco Aurélio, publicada no DJ de 1º-8-2002).

Não prospera também o argumento de que as cartas rogatórias deverão ser acompanhadas das cópias de todos os documentos que foram juntados à petição inicial.

A diligência rogada é a citação da empresa e, segundo Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery, "a citação é a comunicação que se faz ao

sujeito passivo da relação processual (réu ou interessado), de que em face dele foi ajuizada demanda ou procedimento de jurisdição voluntária, a fim de que possa, querendo, vir se defender ou se manifestar" (in Código de Processo Civil Comentado.

7ª ed., RT, 2003, p. 594). Não se exige, tanto na legislação brasileira quanto na americana, que o ato citatório venha acompanhado de todos os documentos mencionados na petição inicial. Não há falar, desse modo, em violação dos princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa (nesse sentido: Agravo Regimental na CR n. 535, publicado no DJ de 11-12-2006),

De outra face, o pedido rogatório de citação, por si só, não apresenta qualquer situação de afronta à ordem pública ou à soberania nacional, pois está destinado a dar conhecimento da ação em curso, permitindo a defesa da interessada. A esta Corte cumpre verificar, apenas, se há autenticidade dos documentos e observância dos requisitos da Resolução n. 9/2005, deste Tribunal, o que, no caso, ocorreu.

Não cabe a esta Corte avaliar, portanto, a possibilidade de a Justiça americana aceitar o ajuizamento de ação na qual pessoas indeterminadas figurem no pólo passivo, ou mesmo sua incompetência absoluta para o deslinde da causa, uma vez

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que as partes não estariam sediadas em seu território e o serviço teria sido prestado no Brasil, como argumenta a interessada. Tais questões relacionam-se com a defesa que deverá ser apresentada pela interessada na Justiça americana. Acerca do tema, confiram-se precedentes desta Casa e do Supremo Tribunal Federal:

"AGRAVO REGIMENTAL EM CARTA ROGATÓRIA. EXAME DE MÉRITO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTRANGEIRA. CITAÇÃO. EFEITOS. OFENSA À SOBERANIA OU À ORDEM PÚBLICA. INOCORRÊNCIA.

1. Questões pertinentes ao mérito da carta rogatória. Impossibilidade de análise. Matéria de exame apenas no âmbito da justiça rogante.

2. O mero procedimento citatório não produz qualquer efeito atentatório à soberania nacional ou à ordem pública, apenas possibilita o conhecimento da ação que tramita perante a justiça alienígena e faculta a apresentação de defesa" (AgRg na CR n.

10.849-7, Relator Ministro Maurício Corrêa, DJU de 21-5-2004).

"Carta rogatória suficientemente instruída, com documentos traduzidos e bastantes para a compreensão da finalidade da diligência. Objeções, relativas a legitimidade ativa, a prescrição da divida e até ao mérito de controvérsia, devem ser declinadas a justiça rogante, sem lhes caber o exame na sede da concessão do

exequatur " (AgRg na CR n. 6.411, Relator Ministro Paulo Gallotti,

DJU de 23-9-1993).

Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o voto.

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CERTIDÃO DE JULGAMENTO CORTE ESPECIAL AgRg na Número Registro: 2006/0043281-7 CR 1589 / US Número Origem: 12512006 EM MESA JULGADO: 16/05/2007 Relator

Exmo. Sr. Ministro PRESIDENTE DO STJ Presidente da Sessão

Exmo. Sr. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS Subprocurador-Geral da República

Exmo. Sr. Dr. EUGÊNIO JOSÉ GUILHERME DE ARAGÃO Secretária

Bela. Vânia Maria Soares Rocha

AUTUAÇÃO

JUSROGANTE : TRIBUNAL DISTRITAL DO ESTADOS UNIDOS - DISTRITO SUL DE NOVA

YORK

INTERES. : DELOITTE E TOUCHE TOHMATSU AUDITORES INDEPENDENTES

ADVOGADO : JOSÉ HENRIQUE NUNES PAZ E OUTRO(S)

ASSUNTO: Civil - Responsabilidade Civil - Indenização

AGRAVO REGIMENTAL

AGRAVANTE : DELOITTE E TOUCHE TOHMATSU AUDITORES INDEPENDENTES

ADVOGADO : JOSÉ HENRIQUE NUNES PAZ E OUTRO(S)

JUSROGANTE : TRIBUNAL DISTRITAL DO ESTADOS UNIDOS - DISTRITO SUL DE NOVA

YORK

CERTIDÃO

Certifico que a egrégia CORTE ESPECIAL, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:

A Corte Especial, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.

Os Srs. Ministros Antônio de Pádua Ribeiro, Cesar Asfor Rocha, Ari Pargendler, José Delgado, Fernando Gonçalves, Carlos Alberto Menezes Direito, Felix Fischer, Aldir Passarinho Junior, Gilson Dipp, Hamilton Carvalhido, Paulo Gallotti, Nancy Andrighi, Laurita Vaz, Luiz Fux e Teori Albino Zavascki votaram com o Sr. Ministro Relator.

Ausentes, justificadamente, o Sr. Ministro Nilson Naves e, ocasionalmente, os Srs. Ministros Humberto Gomes de Barros, Eliana Calmon, Francisco Falcão e João Otávio de Noronha.

Brasília, 16 de maio de 2007

Vânia Maria Soares Rocha Secretária

Referências

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