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ESTADO DO CEARÁ PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA

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Academic year: 2021

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EMENTA: DIREITO ADMINISTRATIVO. PROCESSO CIVIL. REEXAME NECESSÁRIO. AÇÃO DE USUCAPIÃO ORDINÁRIO. AUSÊNCIA DE JUSTO TÍTULO DE PROPRIEDADE E DE LAPSO TEMPORAL, AMBOS EXIGIDOS PELO ART. 1.242 DO NÓVEL CÓDIGO CIVIL. MANUTENÇÃO DO RESPEITÁVEL DECISUM MONOCRÁTICO.

1.Em minuciosa análise vejo que o processo teve regular tramitação em observância dos requisitos legais, com solução adequada dada pelo julgador a quo, positivando-se apenas, o recurso de ofício, em face da norma insculpida na Súmula nº 423 do STF: "Não transita em julgado a sentença por haver omitido o recurso ex officio, que se

considera interposto ex lege".

2.Nota-se da Escritura Pública de Doação de Direitos de Ação e Posse de fls. 06/07, que os doadores, ora requeridos, não eram os proprietários do terreno/bem imóvel e sim meros possuidores, como bem destacou a d. Procuradoria Geral de Justiça em seu parecer de fls. 77/83.

3.Ademais, dita escritura vedava a transferência de propriedade, restando prejudicada a existência de justo título, ao contrário do que expôs os autos em exordial.

4.Ainda, acompanhando o entendimento da Procuradoria Geral de Justiça, não vislumbrei prova suficiente que ateste a posse exercida por José Sampaio da Silva e Maria Gildete Cruz da Silva em relação ao

bem imóvel por mais de dez anos, como determina a codificação civil, em face da rala prova trazida aos autos.

5.Por fim, entendo que não se comprovaram os requisitos ensejadores para o deferimento do pedido exordial, ou seja, justo título e lapso temporal exigidos.

7. Reexame Necessário conhecido e desprovido. Sentença irretocável.

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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de Remessa Necessária nº 387-46.2006.8.06.0039/1 em que figura como partes as acima indicadas.

ACORDA 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, em julgamento de turma, por unanimidade, em conhecer da remessa, mas para negar-lhe provimento, nos termos do voto do

desembargador Relator.

Relatório

Cuida-se de remessa necessária buscando o reexame da sentença proferida pelo Juízo da Comarca de Aratuba que julgo improcedente Ação de Usucapião.

Alega o Município/Autor em exordial (fls. 02/05), que é legítimo possuidor de uma área/terreno na localidade de Sítio Barreiros, que pertencia anteriormente aos réus, conforme Escritura Pública de Doação de Direitos de Ação e Posse (fls. 06/07).

Em continuidade, afirma que os réus mantiveram a posse mansa, pacífica e ininterrupta por mais de 10 (dez), sendo transferida ao Município e sem restrições todo o domínio, posse, direito e ações do dito bem.

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populares, com recurso provenientes do Governo do Estado do Ceará, sendo que se faz necessário para tal liberação o registro do imóvel.

Por fim, argumenta que o presente pedido encontra-se embasado em documento hábil e idôneo, qual seja, Escritura Pública de Doação de Direitos de Ação e Posse (fls. 06/07), cuja escritura foi lavrada em cartório de notas e tabelião.

Juntou documentos às fls. 06/09 e de Certidões às fls. 14/16.

Parecer ministerial pela citação dos confinantes, citação dos requeridos e intimação da Fazenda Pública nacional e estadual - fls. 28, e seu cumprimento às fls. 46/47.

Certidão de decorrência de prazo sem manifestação dos requeridos - fls. 48.

Parecer do Parquet (fls. 50/54) pela improcedência do pedido, em face da documentação acostada não caracterizar título hábil à transferência de domínio.

Sentença a quo pela improcedência do pedido com fundamento no art. 269, I do CPC, argumentando, o d. Magistrado, que a transferência do imóvel foi realizada pelos réus, meros possuidores e não proprietários do bem, inexistindo o justo título por parte do município autor - fls. 55/58.

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A Procuradoria Geral de Justiça opinou pela manutenção do decisum - fls. 77/83.

Os autos foram inicialmente distribuídos ao Exmo. Sr. Des. Ademar Mendes Bezerra, e vieram a mim redistribuídos em data de 09.03.2010, em decorrência do disposto na Portaria nº 1.489/2009 datada de 17 de novembro de 2009.

Relatório.

Voto.

Trata-se de reexame necessário em face de sentença lançada nos autos de Ação de Usucapião, que julgou improcedente o pedido autoral.

Em minuciosa análise dos autos, vejo que o mesmo teve regular tramitação em observância dos requisitos legais, com solução adequada dada pelo julgador a quo, positivando-se apenas, o recurso de ofício,

em face da norma insculpida na Súmula nº 423 do STF: "Não transita em julgado a sentença por haver omitido o recurso ex officio, que se considera interposto ex lege".

Entendeu o d. Juiz que o documento de Escritura Pública de Doação de Direitos de Ação e Posse (fls. 06/07) apresentada pelo município/autor não constitui direito real, de propriedade e sim de

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posse, já que os requeridos não eram proprietários do terreno doado, sendo dito documento competente, tão somente, para transferir a posse, descaracterizando, portando, o justo título.

Ora, de uma simples análise da exordial e documentos a ela carreados, temos que o pedido de usucapião manejado pelo Município de Aratuba carece dos requisitos autorizadores. Explico.

O art. 1.242 do Código Civil assevera:

"Art. 1.242. Adquire também a propriedade do imóvel aquele que, contínua e incontestadamente, com justo título e boa-fé, o possuir por dez anos". Grifei

Colhe-se da doutrina de César Fiúza: "Justo título é a causa que seria hábil para constituir a posse, não contivesse defeito que a torna-se inábil" (in Direito Civil, ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2009, p. 871).

Logo, da Escritura Pública de Doação de Direitos de Ação e

Posse de fls. 06/07, nota-se que os doadores, ora requeridos, não eram os proprietários do terreno/bem imóvel e sim meros possuidores, como bem destacou a d. Procuradoria Geral de Justiça em seu parecer de fls. 77/83, senão vejamos:

"Assim, o fato de a transferência não ter siso realizada pelo proprietário, mas pelo mero possuidor, constitui óbice ao

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reconhecimento da existência de justo título (¿)".

Ademais, não vislumbrei prova suficiente que ateste a posse de José Martins de Souza e Maria Marli Pereira de Sousa em relação ao bem imóvel por mais de dez anos.

Por fim cabe citar entendimento deste e. Tribunal:

EMENTA: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. REEXAME NECESSÁRIO.

USUCAPIÃO. PRECARIEDADE DA PROVA DOCUMENTAL. AUSÊNCIA DE JUSTO TÍTULO. USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIO. NÃO IMPLEMENTAÇÃO DO LAPSO TEMPORAL EXIGIDO POR LEI. IMPROCEDÊNCIA DA AÇÃO.

1. Adquire o domínio do imóvel pela usucapião quem comprovar a posse mansa e pacífica, pelo prazo legal, com animus domini, sem interrupção ou oposição. 2. A cessão de direitos possessórios não é meio hábil à transferência do domínio do imóvel, não sendo justo título para fins do art. 1242 do Código Civil. 3. Não implementado o lapso temporal exigido por lei, torna-se inviável o reconhecimento da pretensão aquisitiva do autor. 4. Face à ausência dos requisitos necessários, deve ser indeferido o pleito autoral, não se lhe reconhecendo o domínio do imóvel objeto da demanda. 5. Sentença

confirmada. (Reexame Necessário nº 341-57.2006.8.06.0039/1, Rel.: Desembargador Clécio Aguiar de Magalhães, Órgão Julgador: 5ª Câmara Cível, Tribunal de Justiça do Estado do Ceará).

Ante o exposto e, em consonância com o parecer da Douta Procuradoria Geral de Justiça conheço da remessa, mas nego-lhe

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provimento, mantendo integra a respeitável sentença de primeiro grau.

É como voto.

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