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Ciênc. saúde coletiva vol.2 número12

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Academic year: 2018

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Transdisciplinaridade em Saúde Coletiva:

Tópicos Filosóficos Complementares zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Vera Port ocarrero

1

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I. Pro b l e m as d e

T ran s d i s ci p l i n ari d ad e

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Sem dúvida, quand o se trata de estabe-lecer relaçõ es entre disciplinas, a partir da exigência de uma reunião , de uma síntese, justamente aí, o nd e há esquizo frenia, esface-lamento , o esp aço "entre", aquele das inter-ferências, está aind a relativamente p o uc o explo rad o . Po d emo s o bservar que, em certo s meio s mais intelectualizados, está na mo da a palavra "interface", que supõ e a possibilida-de da junção entre dois ou mais co nceito s, ou entre duas ou mais ciências, ou entre ciências e práticas - pelo meno s teo ricamen-te. Modismos a parte, co nv enhamo s, estes espaço s "entre" são muito mais co mplicad o s do que imaginamo s. É o que A lmeida Filho se ap ressa em analisar, e c o m to d a a pertinência, uma vez que aquilo a que se pro põ e pensar - saúd e-d o ença-cuid ad o - é co mp lexo .

A partir de uma breve história, co nceitualmente bem cuidada, A lmeida Filho afir-ma estarmos diante de um no vo o bjeto , que

co rrespo nd e a um apagamento de fronteiras, à desinsularização das disciplinas. Tal o bjeto é não-linear, múltiplo, plural, emergente, enfim multifacetado, e exige um tratamento sintéti-co e totalizante, o nd e cada camp o disciplinar dispõ e de um p o nto de o bserv ação privile-giado em relação a cad a faceta.

Segund o ele, em Saúde Coletiva, a co -municação se estabelece não entre campo s científico s, mas entre agentes, através da cir-culação não de discurso s, mas dos sujeitos dos discurso s. Estes agentes d evem ser capa-zes de fazer d eslo camento s de um camp o para outro, co m o o bjetivo de produzir um discurso co o rd enad o eficiente, até certo po n-to válido co m o o bjen-to -mo d elo -sintético , resultante de o p eraçõ es de p ro d ução de co -nhecimento s de diversas naturezas. Tais sín-teses serão , necessariam ente, to talizaçõ es provisórias, co nstruídas paradigmaticamente na prática cotidiana e co ncreta dos agentes, através de o perad o res mutantes de fo rmação "anfíbia", para respo nd er a no vas demandas pro venientes d o atual estad o de dispersão, pro liferação e p arcelamento de co nhecimentos. Daí a ind icação d e um méto d o enciclo -p éd ico no -p ro cesso de -p ro d ução científica que será social, político, institucional, matricial,

amplificado.

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Transdisciplinaridade e Saúde Coletiva

remete-nos, indubitavelmente, a questões caras à filosofia: méto d o s, o bjeto s e suas muitas implicaçõ es presentes na história da filosofia. Co ntudo , A lmeida Filho escapa das visões tradicionais de ciência, instauradas a partir da mo d ernid ad e, tais co m o as fundadas na no -ção de adequatio rei et intellectus, e outras mais, driblando as infindáveis elo cubraçõ es a respeito da o bjetividade e da verdade em ciências.

A rejeição de binô mio s que separam local/ global, poder/ saber, ciência/ tecnologia, sujeito / o bjeto , no rm alm ente subsum id o s

==1 Doutora em Filosofia. Coordenadora d o Programa

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quando analisamos os processos de produ-ção científica, contextualiza seu trabalho diante das respostas, implementadas na década de 70 e complexificadas nos anos 90, contrárias à fragmentação do saber. Trata-se de uma abordagem profunda, que sintetiza novas dificuldades da Saúde Coletiva, que como tal têm de ser enfrentadas.

Limitome, aqui, a apresentar alguns tó -pico s de natureza filosófica que talvez po s-sam contribuir nessa empreitada, supo

stamen-te voltada para a tarefa de reco mp o r simetricamenstamen-te o mund o e a vida, através de uma nova mistura; apenas apo nto certo s aspecto s

constitutivos da temática em d ebate.

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II. T ó p i co s C o m p l e m e n t a re s

Cabe, antes de mais nada perguntar,

co mo Serres em

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Éclaircissements: Co mo aco n-teceu de as ciências humanas ou sociais não

falarem jamais so bre o mund o , co mo se o s grupos p ermanecessem suspenso s no vazio? Co mo as ciências ditas duras deixam o s ho -mens de lado? E ainda. Co mo no sso s saberes se perpetuam hemiplégicos? Fazê-los apren-der a caminhar co m o s dois pés, a utilizar as duas mão s, me parece ser um dos deveres da Filosofia. Trata-se do elo gio do s mestiço s e das misturas, que causam horror aos filó-sofos da pureza.

A idéia de que, em história das ciências, nenhuma exp licação escap a à análise das relaçõ es de forças, leva-nos a repensar sua crítica à visão de ciência co mo mito fundado numa cisão que precisa ser ultrapassada: re-laçõ es de razão X rere-laçõ es de forças, isto é, ciência X so cied ad e. A o pro po r um méto d o que tenta reco mp o r as fo rças, sem reduzi-las nem hierarquizá-las, trava-se uma luta contra a Razão, po r vezes co nsiderada a maior fonte de patologia e de mortalidade d o século XX. Ao fazê-lo , Latour apresenta o mo d elo político da batalha, inspirado em Tolstoi, que inclui uma multidão de aliados, estudando o s

ângulos dos deslocamentos tanto das grandes multidões envolvidas, quanto dos persona-gens particulares que dão ordens às massas. Ordens que são mal compreendidas, mal transmitidas, traídas, ocasionando movimen-tos de regimenmovimen-tos, e, em troca, fazendo com que se obtenham informações diferentes das originais. Para Latour, deste ponto de vista, a ciência deve ser estudada como uma multi-dão de aliados heterogêneos que compõem a forma dos objetos ditos científicos. Convém ressaltar que, nesta multidão, incluem-se tro-pas humanas e não humanas, sábias e não sábias.

Sua análise baseia-se na d enúncia d o caráter arbitrário da Razão dico tô mica que institui tal cisão , a ela o p o nd o o princípio da multiplicidade de fo rças, segund o o qual é necessário criar um princípio de pro jeção que permita seguir o s múltiplos e imprevisíveis co nto rno s d o mund o . Para tanto, o projeto de uma genealo gia nietzscheana parece ga-nhar cada vez mais sentido : recuar, através da Filosofia, ao mo mento de origem em que se separaram saber e po d er. Neste sentido, as no çõ es de estado de natureza e de estado de so cied ad e são duas co nseqüências simé-tricas da ação do s pesquisad o res para alinhar humano s e não humano s. Assim send o , resta

perseguir, co m o p o nto de vista das irreduções, o s atores, o s d eslo camento s po r eles o perad o s, as cadeias de traduçõ es, as

alian-ças, enfim, as fo rças.

A ênfase dada ao papel do s atores/ agentes na pro po sta de d efinição da transdiscipli-naridade em detrimento de suas bases na

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inte-resses e forças como determinantes de sua construção.

Nesta perspectiva, p o d emo s co mp reen-der as afirmaçõ es de Bruno Latour, em 1992, quando pro clama que para determinar se um enunciad o - que define o grau de eficácia e perfeição de um mecanismo - é o bjetivo ou subjetivo, não adianta buscar respostas em suas qualidades intrínsecas, mas reconstituir historicamente o co njunto das transfo rmaçõ es que sofre mais tarde nas mão s dos outros. Dito de outro mo d o , é a natureza da força coercitiva d o s enunciad o s que co nv ence a validade de sua própria p o sição . Se co nsid e-rarmos esta abo rd agem, o que está em jo go é o familiar pro blema da legitimação cientí-fica - seus méto d o s, seu o bjeto .

Entretanto, segund o Foucault, ao dirigir-se ao do mínio do saber, não p o d emo s no s restringir à d escrição de disciplinas ou ciên-cias, mas à d escrição de positividades, o que abrange o s d o cumento s literários, filo só fico s ou políticos, bem co mo as práticas (discursivas e não discursivas). Analisar as positividades é apo ntar as regras seg und o as quais uma prática discursiva p o d e fo rmar grupo s d e o bjeto s, co njunto s de enunciaçõ es, jo go s de co nceito s, séries de esco lhas teó ricas.

O o bjetiv o de Fo ucault é estabelecer relaçõ es entre o s saberes, todos co nsid era-dos co mo po ssuind o uma positividade esp e-cífica - a positividade d o que foi efetivamen-te dito e d eve ser aceito co mo tal - para que destas relaçõ es surjam, em uma mesma ép o

-ca ou em ép o -cas diferentes, compatibilidades e inco mpatibilidades que permitam in-dividualizar fo rmaçõ es discursivas e traçar as

diversas co nfiguraçõ es d o s camp o s de saber. A articulação entre o s saberes é possível d e-vido à relação de imanência entre o s discur-sos e certo s princípios de o rganização do s saberes que p o d em ser situados co m o ele-mento s d e um d ispo sitivo essencialmente político.

Para Latour, a questão dos enunciad o s formulada po r Foucault mostra o impasse d o

neo-Kantismo: como assegurar, passo a pas-so, que as mesmas estruturas se encontram em toda parte, que as mesmas categorias formam todos os conhecimentos produzidos num dado momento? Em lugar da análise de categorias que se impõem para todos, Foucault propõe o estudo da distribuição dos enunciados possíveis, que são perfeitamente localizáveis e observáveis. É o regime do dis-curso e não o disdis-curso em si mesmo que possui uma estrutura e uma organização que tornam possíveis certos enunciados, certos encadeamentos e interditam outros, através de uma economia dos enunciados - em sua rarefação e proliferação organizadas - fazen-do com que certas coisas possam ser ditas e outras não, certas deduções sejam admitidas e outras proibidas. Este regime se estabiliza em vastas configurações que fazem seu tem-po e fabricam sua história.

Na prática, evid enciar estes regimes não é fácil. Po rém, afirma Latour, falta explicar o que produz estes enunciad o s e a maneira pela qual são pro duzido s. Para ele, ao tomar esta questão , Fo ucault ro mpe co m todas as respostas antes imaginadas: o enunciad o

-esta é a grande lição d e

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Vigiar e Punir - é indissociável de todas as técnicas, de todos

os dispositivos, materiais e institucionais, pelos quais os atores humano s se entredefinem.

A lição é geral: um enunciad o se produz ao mesmo temp o que o o bjeto que o qua-lifica, e sua p ro d ução é instrumentalizada em toda uma série de o p eraçõ es que fazem falar o o bjeto de co nhecimento e o obrigam a reco nhecer que ele é realmente aquilo que o enunciad o diz que ele é.

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objeto fronteiriço, objeto híbrido, objeto-mundo, quase-objeto, objeto complexo. A essa atividade de adjetivação dos conteúdos das ciências da saúde corresponde uma reflexão sobre as formas de abordá-los. Tantos adje-tivos dizem respeito ao esforço de lidar com um real esfacelado que se quer unidade, to-talidade, com a garantia das especificidades que os constituem como objetos de pesquisa, que precisam receber um novo tratamento.

A pesquisa biomédica freqüentemente co mbina uma forte auto -imagem da ciência fundamental co m uma ligação co m a prática médica igualmente forte. Ela é legitimada pela sua co ntribuição para a co mp reensão funda-mental d o s fenô m eno s da vida e para a so lução de pro blemas práticos de d etecção , cura e p rev enção de d o enças. Os estudio so s das práticas de laboratórios bio méd ico s es-barram em tais articulaçõ es, e, cada vez mais, as incluem em suas investigaçõ es. Terminam po r deparar-se co m a questão da gênese e desenvo lvimento do s "fatos científico s". Um fato científico p o d e ser co ncebid o co mo uma regra desenvolvida po r um p ensamento co -letivo, isto é, po r um grupo de pesso as liga-das po r um estilo d e p ensamento co mum, que formula não só o co nhecimento que é co nsiderado co m o garantido po r um pensa-mento co letivo dado , mas também seu co rp o de práticas: méto d o s e ferramentas usados no exame da evidência e critérios para julgar seus resultados.

A "tradução " da medicina para a pesqui-sa bio méd ica nem sempre apresenta unida-de. A "bio lo gia dura" d ep end e das articula-çõ es bem sucedidas co m as demandas médi-cas, o s interesses criadores do s políticos e dos capitalistas especulad o res e dos indus-triais. Em suma, o s pesquisad o res e práticos bio méd ico s trabalham na interseção d o "bio " mundo das ciências co m o mund o méd ico co mp o sto po r méd ico s, industriais, adminis-tradores da saúde e pacientes. As demandas da área méd ica e da indústria muitas vezes interagem co m a pesquisa bio méd ica, e as

traduções multidirecionais podem moldar tan-to a pesquisa quantan-to as práticas médicas e industriais.

Um exemp lo d e liana Löw y: o s o nco g e-nes (gee-nes celulares co nsid erad o s implicados na transfo rmação maligna da célula) foram descritos primeiramente p elo s o nco lo gistas e foram vinculado s à transfo rmação das células pelo s vírus o nco g ênico s; d epo is, foram feitos estudos do s "o nco g enes celulares" - esta tran-sição foi mo ldada po r circunstâncias mate-riais, co m o a difusão da engenharia genética, além de outros aco ntecimento s co m o o fra-casso d o Programa Vírus-Câncer d o Instituto Nacional do Câncer, no s Estados Unidos, e a crescente importância das co nexõ es entre os labo rató rio s bio méd ico s e as empresas de bio tecno lo gia.

A estabilização do s o nco g enes co mo fe-nô meno s bio ló gico s, e sua difusão no s diver-so s mund o s diver-so ciais (bió lo go s mo leculares, bió lo go s celulares, pesquisad o res d o câncer, o nco lo g istas clínico s), estava vinculad a à generalização de méto d o s padro nizado s de pesquisa em biologia molecular e de reagentes padro nizado s (investigaçõ es so bre o DNA, antico rpo s mo no clo nais).

Os grupo s profissionais, que se esfo rçam para manter sua auto no mia e seu prestígio, precisam ter o co ntro le d o acesso ao co nhe-cimento padro nizado e transmissível que lhes permite co mpetir co m a incerteza, mas, ao mesmo tempo , precisam assegurar-se de que seus méto d o s e habilidades não sejam redu-zidos a rotinas das quais qualquer pesso a p o ssa se ap o d erar. Tentam enco ntrar um po nto intermediário que lhes permita codifi-car o s padrõ es de co mp o rtamento profissio-nal, d eixand o -lhes esp aço suficiente para o co nhecimento especializad o .

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entre "mundos sociais" distintos. Um "ob-jeto fronteiriço" é constituído de um nú-cleo rígido - uma zona de acordo entre os grupos profissionais que interagem - e a partir de uma "periferia difusa", indistinta, que é diferente para cada grupo. A trans-posição e assimilação de elementos de um estilo de pensamento diferente (geralmen-te mais prestigiado) por um grupo diverso podem acarretar benefícios concretos para o grupo que assimila estes elementos de estilo.

Os "o bjeto s fro nteiriço s" e as transposi-çõ es e assimilatransposi-ções po d em ser to mado s co m o artifícios que possibilitam o d esenvo lvimento da interação entre mund o s hetero g êneo s, permitindo a co o rd enação local das práticas e dos atores distintos, que co ntinuam ligados aos seus diferentes estilos de p ensamento , coletivos, gerais.

Fala-se que há co isas que são do do mí-nio do co letivo e do do mímí-nio da natureza. A no ção de "o bjeto s híbrid o s" não faz esta disjuntiva. To marei um exemp lo de Serres: um carro perco rre um esp aço (d o mínio da natureza), e co nco rre para a vaidade de seu proprietário (cultura); juntos, estes dois veí-culos, que são um só , no s permitem, no fim-de-semana ou nas férias melho rar no ssa sed e interminável de sacrifícios humano s, que o fe-recemo s, nas datas exatas e oficiais, so lenes das festas, a d euses que acreditamo s ter es-quecid o : máquina - o bjeto técnico , que acen-tua no sso d o mínio - que regula algumas re-laçõ es de grupo s ou de psico lo gia visco sa, mas d esce nas pro fundezas de uma antro po -logia formidável.

A través d este exem p lo , v em o s c o m o passamo s, sem ruptura, da ciência (a termo -dinâmica e a resistência dos materiais) à téc-nica, e desta à so cio lo gia, d epo is à história das religiões... Para Serres, as ciências são fo rmaçõ es culturais entre outras, e o utensílio é ao mesmo tempo um o bjeto -mund o e um o bjeto -so cied ad e. Cada técnica transfo rma nossa relação com as coisas e, ao mesmo

tempo, as relações entre nós, pois assegura a publicidade das nações que a lançam.

Contudo, os cientistas ignoram a cultura, e prend em-se à o rd em d as d isciplinas es-truturadas em termo s d e co nteúd o s e de instituiçõ es, d e jo g o s o rg aniz ad o s de ensi-no , d e labo rató rio s e p atrõ es, revistas e ed ito res...

Fala-se que há "quase-o bjeto s": co m este enfo que é p reciso reco mp o r as fo rças. O destino d o s fatos e das máquinas está nas mão s de lo ngas cad eias de atores que o s transformam. Enfo cad o s a partir d o princípio de simetria (da irredução de uma força à o utra), to rna-se necessário identificar os vá-rios estado s de fo rça: resistência, d o minação , enfraquecimento , d esd o bramento , reforço etc. O que importa é o bserv ar as ind ecisõ es d o s d iferentes ato res (p o r exem p lo : Pasteur, o s micró bio s, o s d o entes, o s med icamento s, as pro vas "irrefutáveis", o s méd ico s da A ca-d emia ca-d e Meca-d icina, o s reag entes, instru-mento s e m éto d o s no labo rató rio etc.), na c o m p o siç ão exata das tecno ciências; dada a simetria, o q ue resta é aquilo que se co nserv a através das transfo rmaçõ es, afinal nunca no s d efro ntamo s co m uma ciência, mas co m uma g ama d e asso ciaçõ es mais o u m eno s fo rtes o u fracas d e humano s e n ã o - h u m a n o s .

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III. M i s tu rar p a ra R e c o m p o r

o M u n d o

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O pro blema é co mo lidar co m todos estes

o bjeto s e criar um méto d o para fazê-lo co ncretamente. A idéia de um saber enciclo p é-dico no final d o século XX parece bastante

interessante, pois pertence à o rdem da sabe-doria, o nd e não se perde a perspectiva da totalidade ativa do saber d o mund o e da vida; ao tentar tudo incluir (ciências, mito, literatura), permite-no s pensar as circunstân-cias da história: a morte, o amor, os outros, a violência, a dor, o mal.

O grande o bstáculo , justamente, reside nas d ivisõ es impo stas nas instituiçõ es d e ensino e pesquisa que cristalizaram o co nhe-cimento em dico to mias e subdivisões das dicotomias, até as especialidades díspares e inco mensuráveis entre si, inco municáveis. De fato, resta-no s, ago ra, reunir, reco mp o r o mundo , misturar. Co mo fazê-lo? Eis aí o de-safio.

Transp o rtes, transferências, trad uçõ es serão necessário s. To d as as dificuldades, to -dos o s o bstáculo s, todas as co nd içõ es destes transportes de méto d o , de práticas, de o bje-tos, incluindo o s micró bio s, o s artefabje-tos, o s "quase-o bjeto s", o s "o bjeto s fronteriços", os

atores que permitem as passagens, mediando a comunicação alcançada, ou, ao contrário, as interceptações que a tornam difícil ou impossível.

A no va enciclo p éd ia assume o papel parado xal de acumulação máxima de todos o s saberes e de todas as experiências, o nd e, evid entemente, as med iaçõ es se multiplicam e, ao mesmo temp o se anulam. Para chegar-mo s à co nvivência destes dois pó lo s - acu-mulação máxima e supressão total - certa-mente uma única resposta a todas as ques-tõ es parece p o uco pro vável.

Referências

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