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Rev. adm. empres. vol.54 número3

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Academic year: 2018

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© RAE | São Paulo | V. 54 | n. 3 | maio-jun 2014 ISSN 0034-7590

RAE-Revista de Administração de Empresas | FGV-EAESP

EDITORIAL

E

nquanto investimos em indicadores do impacto aca-dêmico da produção cientíica, ainda carecemos de indicadores consolidados para medir o impacto social dessa mesma produção. De fato, os principais indicado-res utilizados para avaliar a repercussão da produção cientíica (Fator de Impacto, Índice H etc.) têm foco na avaliação interna, ou seja, como a própria comunidade acadêmica reconhece a relevância dessa produção pelos pares. Concretamente, esses indicadores consagrados são essencialmente utilizados como critério para dividir o escasso recurso de pesquisa disponível, pois criam uma hierarquia da produtividade acadêmica na qual se baseia a ila para o acesso a verbas.

Não temos indicadores muito precisos para avaliar como nossas pesquisas contribuem, por exemplo, para a melhoria da qualidade de vida, para aumento da performance empresa-rial ou mesmo do desempenho do setor público. Pode-se argu-mentar, com razão, que a pesquisa não tem necessariamente aplicação imediata, e muitos dos resultados que a academia nos entrega hoje só terão impacto décadas adiante. Entretan-to, também não sabemos se a avaliação interna produzida pe-los índices que já consagramos manterá a mesma relevância ao longo do tempo e continuamos sem uma boa resposta para o desaio de monitorar e tomar decisões com base nos resultados de nossa produção para nossos stakeholders externos no curto, médio e longo prazos.

Especiicamente na área de Administração, uma ciên-cia aplicada por deinição, a falta de bons indicadores de nos-so impacto nos-social deixa-nos particularmente vulneráveis a críti-cas sobre a verdadeira relevância social de nossa pesquisa. Um recente artigo publicado no inluente The New York Times ali-menta a polêmica, airmando que alguns dos principais pensa-dores do planeta são professores universitários, mas a maioria deles não é mais relevante para os “grandes debates” de hoje. Concorde-se ou não com a opinião expressa nesse artigo, que, diga-se, poupa os professores de Economia da crítica, ela nos provoca para uma relexão.

Tomemos como exemplo as pautas da grande imprensa, por dever de ofício, mais sintonizada com os tais “grandes de-bates”, ainda que esses também possam ser taxados de efême-ros. Em meio à grave crise de gestão em que vivemos – basta mencionar a enorme quantidade de recursos humanos, mate-riais e ambientais desperdiçados tanto pelo setor público quan-to pelo privado – raramente pesquisadores da área de

Admi-nistração são chamados para expor ao grande público como o resultado de suas pesquisas poderia contribuir para mitigar es-ses problemas. É mais comum encontrarmos executivos e po-líticos do que pesquisadores opinando nesses espaços. Seria esse um sinal do baixo reconhecimento da relevância da pes-quisa em Administração?

Enim, embora não seja uma tarefa simples, é primordial que passemos a nos dedicar à relevância social da nossa pes-quisa, tanto quanto temos nos esforçado para avaliar o seu im-pacto no âmbito exclusivo da academia. Certamente, a discus-são sobre a criação de indicadores de impacto social estará na mesa de debates.

Nesta edição da RAE, publicamos seis artigos inéditos. “Fragmentação do conhecimento cientíico em Administração: uma análise crítica” discute a fragmentação da ciência por meio da interface entre os campos de Operações e de Recur-sos Humanos. “Gerenciamento de resultados e crises econô-micas no mercado de capitais brasileiro” veriica a hipótese de que, durante crises econômicas, as empresas listadas no mer-cado de capitais do Brasil tendem a adotar práticas de geren-ciamento de resultados. “Valor da marca na indústria hoteleira paquistanesa” identiica a inter-relação das dimensões de va-lor de marca baseadas no cliente no ramo de hotelaria. “Inter-net e participação: o caso do orçamento participativo digital de Belo Horizonte” investiga as representações sociais que emer-gem da participação pública mediada pelo uso de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). “Empreendedorismo, mar-ginalidade e estratiicação social” analisa o estrato social de origem de empreendedores industriais e seu padrão de mobili-dade intergeracional. “Key factors of process maturity in English -speaking Caribbean irms” é um estudo sobre determinantes-chave da maturidade de processos em pequenas empresas desenvolvedoras de software.

Completa a edição uma homenagem ao “Sociólogo das Organizações”, professor Fernando C. Prestes Motta, que pode ser conferida nos textos “Tributo a Fernando C. Prestes Motta: um acadêmico e sua obra docente”, de Maria Ester de Freitas, e “Poder e resistências nas organizações: a propósito das con-tribuições de Fernando Prestes Motta”, de Liliana Segnini e Ra-fael Alcadipani.

Tenham uma boa leitura!

EDUARDO DINIZ | EDITOR CHEFE

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