Gestão Estratégica do
Agronegócio
Módulo: Finanças Estratégicas Professor: Pedro Piccoli
Apresentação
FORMAÇÃO ACADÊMICA
Engenheiro Civil – UFPR
Especialização em Finanças – UNIFAE
Mestre em Administração – PUCPR (área de concentração: finanças) Doutorado Sanduíche na McGill University, Montreal, Canadá
Doutorado em Administração - PUCPR (área concentração: finanças)
ATUAÇÃO PROFISSIONAL
Experiência na gestão financeira em multinacionais e empresas familiares Professor de finanças do mestrado em gestão de cooperativas da PUC-PR Professor de finanças da graduação em administração da UFPR
Professor do MBA em finanças da UFPR, do MBA em gestão financeira da PUCPR e da Pós em Banking e Finanças da PUC-PR Consultor em Finanças Corporativas, com ênfase em avaliação de empresas
INTERESSES DE PESQUISA
Eficiência do Mercado de Capitais
Modelos de Precificação de Ativos Financeiros Finanças Comportamentais
Finanças Corporativas e sua aplicação no mercado brasileiro
Roteiro
1. Principais demonstrativos financeiros (revisão) 2. Índices de Liquidez e de Atividade
3. Índices de Rentabilidade e Lucratividade 4. Índices de Endividamento
5. Modelo DuPont
6. Índices de Solvência 7. Análise Dinâmica 8. Efeito tesoura
Todos os conceitos serão aplicados pela análise das maiores cooperativas agro do Paraná
Avaliação: 50% exercícios “em sala”, 50% Caso Grupo Maringá (atividade pós-Aula)
Estratégia e Medidas Financeiras
• A estratégia definida pela empresa deve ser transformada em indicadores
financeiros
• Tais indicadores representam o fim para os demais objetivos e medidas de todas as
outras perspectivas do scorecard
• De que adianta conquistar a excelência profissional à custa da saúde financeira?
• Critérios para estabelecer os objetivos financeiros:
1. Coerência com os objetivos estratégicos pré-estabelecidos
2. Os objetivos devem ser particularizados para cada unidade de negócios, pois cada uma segue uma estratégia diferente
Estratégia e Medidas Financeiras
• Identificar a fase em que vive a empresa/unidade de negócios
• Fases: Crescimento, sustentação, colheita.
Estratégia e Medidas Financeiras
•
A Unidade de negócios (UN) pode operar com geração de caixa negativo ou baixíssimo retorno sobre o investimento• Medidas de rentabilidade como Retorno sobre o Investimento ou Retorno sobre o Patrimônio Líquido não são indicadas
• Preferir indicadores que mensurem a contribuição marginal da unidade de negócios (UN) para a empresa
• Medidas de crescimento de receita (geral e relativa) são mais indicadas. • Ex: Análise Vertical e Horizontal do Balanço e/ou DRE
Estratégia e Medidas Financeiras
• Fase em que se situam a maioria das unidades de negócio
• Devem buscar a rentabilidade máxima de sua unidade, mantendo ou aumentando sua participação no mercado
• Foco na lucratividade da UN
• Medidas de rentabilidade e lucratividade são mais indicadas.
• Ex: Retorno sobre o patrimônio líquido e retorno sobre o capital investido
Estratégia e Medidas Financeiras
•
A empresa deseja colher os investimentos feitos nas fases anteriores• Não se fazem novos investimentos significativos (apenas manutenção de equipamentos e
capacidades)
• Portanto, medidas de rentabilidade como o ROI não se mostram muito adequadas.
• Objetivo: maximizar o fluxo de caixa
• Foco na diminuição da Necessidade do Capital de Giro
• Ex: Índices de Atividade e Gestão do Capital Circulante
Principais demonstrativos
Balanço Patrimonial
As contas apresentam informações acumuladas e estáticas dos valores que as compõem
Ativo Bens e Direitos Passivo Obrigações
Patrimônio Líquido Riqueza dos sócios
Principais demonstrativos
Balanço Patrimonial
• Contas circulantes e não-circulantes
• Realização até 1 ano: Circulante
Principais demonstrativos
Balanço Patrimonial
• Contas circulantes e não-circulantes
Exemplo 1: Uma construtora vendeu 1 apartamento em 36 parcelas mensais de $ 20.000 cada. Suponha que não haja incidência de juros. Como tais
parcelas aparecerão no Balanço?
Exemplo 2: Uma cooperativa contraiu um empréstimo de $ 3.000.000 que será pago em 30 parcelas mensais de $ 100.000 cada. Como tais parcelas
aparecerão no Balanço?
• Ordenamento das contas do ativo: pela liquidez
Caixa
Contas a Receber
Estoques Liquidez
Ver BP de 2019 da Castrolanda
Principais demonstrativos
DRE
• Relatório dinâmico: mostra o que aconteceu ao longo do exercício social (como as contas se movimentaram)
• Regime de competência e de caixa: As movimentações são contabilizadas no momento em que são contratadas, e não quando são efetivamente
desembolsadas
Ver DSP de 2019 da Castrolanda
Principais demonstrativos
Demonstração do Fluxo de Caixa
• A demonstração de fluxos de caixa resume os movimentos de entrada e saída de caixa durante o período considerado.
• Oferece uma visão dos fluxos de caixa operacionais, de investimento e financiamento da empresa e concilia esses fluxos com as variações dos saldos de caixa nesse período
• Para o gestor, deve ser visto como a principal demonstração financeira visto que, dentre as quatro, é aquela que melhor captura a geração de riqueza ao acionista
• Ajustes da DRE para refletir o desempenho operacional de caixa (financeiro):
Ver DFC de 2019 da Castrolanda
Índices de Liquidez
• Medem a capacidade da empresa honrar com suas obrigações de curto prazo.
Índice de Liquidez corrente
Índice de Liquidez Seca
Índice de Liquidez Imediata
Índice de Liquidez Geral
• Quanto mais alto esse valor, maior a capacidade da empresa honrar com suas obrigações. Contudo, valores excessivamente altos podem denotar também ineficiência no uso dos ativos
Índices de Atividade
• Medem a velocidade com que as várias contas são convertidas em vendas ou caixa.
Prazo Médio de Estoques
Prazo Médio de Recebimento
Observação: Por conveniência, os índices de atividade envolvendo contas circulante supõem que os valores do final dos períodos são boas aproximações do saldo médio durante o período
Índices de Atividade
Ciclo Operacional:
• É o prazo desde a encomenda de materiais até o pagamento de contas a receber. • Reflete o tempo consumido pela operação da empresa: compra de matéria-prima,
processamento da matéria-prima em produto acabado, venda do produto e recebimento da venda
Ciclo de Caixa (ou Ciclo de Conversão de Caixa)
• É o prazo desde o pagamento aos fornecedores até o recebimento com a venda do produto final
• Reflete o tempo entre o momento em que a empresa paga os fornecedores e o momento em que recebe dos clientes
Índices de Atividade
Índices de Atividade
• Matematicamente:
Ciclo Operacional = PME + PMR
Ciclo de Caixa = Ciclo Operacional – PMP = PME + PMR – PMP
Perguntas:
• Quanto maior o Ciclo de Caixa, melhor ou pior para a empresa?
• O Ciclo de Caixa pode ser negativo?
Índices de Atividade
Giro dos Estoques e dos Ativos
• Mede a eficiência operacional da empresa em termos de renovação de seus estoques e
reposição de seus ativos, respectivamente
Índices de Lucratividade
• É a relação entre determinado nível de lucro e as respectivas vendas geradas pela empresa no mesmo período
Índices de Lucratividade
Margem Ebitda
• Apesar de seu amplo uso no mercado financeiro, tal índice não é comumente apresentado nos livros tradicionais de finanças corporativas
EBITDA = Earnings Before Interests Depreciation and Amortization
Lucro antes dos juros, depreciação e amortização ou
Visto como uma medida aproximada da geração de caixa apresentada pela empresa
Índices de Rentabilidade
• Medidas de rentabilidade que relacionam determinada informação de lucro – usualmente o lucro líquido – com uma ou mais contas do Balanço Patrimonial
ROA e ROE
• Indicam a capacidade da empresa remunerar seus ativos e seus proprietários, respectivamente
Índices de Rentabilidade
ROIC
• Amplamente utilizado no mercado financeiro
• O Retorno Sobre o Capital Investido, ROIC (Return on Invested Capital) busca medir a capacidade que a empresa possui de gerar retorno a partir das fontes de financiamento que ela possui, isto é, capital próprio (patrimônio líquido) e capital de terceiros (passivo oneroso).
• Utiliza o conceito do Lucro Operacional Após os Impostos (Net Operating Profit After Taxes - NOPAT) como medida de lucro
Índices de Endividamento
• Indica o volume de dinheiro de terceiros usado para gerar lucros
• Foco: dívidas de longo prazo pois comprometem a empresa com uma série de pagamentos por muitos anos
• O uso de capital de terceiros também é chamada de alavancagem financeira. A alavancagem eleva o risco da empresa, mas também o potencial de retorno
Grau de endividamento
Índices de Endividamento
Índices de cobertura dos juros
• Medem a capacidade da empresa cumprir com os serviços da dívida a partir de seus resultados operacionais
Índices Dívida/Ebitda
• Mede quanto tempo, aproximadamente, a empresa levará para pagar suas dívidas honerosas a partir de sua geração de resultado operacional
Modelo DuPont
Sistema DuPont de análise
• Unifica a demonstração de resultado e o balanço patrimonial por meio de duas medidas de rentabilidade: ROA e ROE
• Sua vantagem está na decomposição da rentabilidade da empresa (ROE) em rentabilidade de vendas (Margem Líquida), eficiência na utilização de ativos (Giro Total dos Ativos) e uso do capital de terceiros (multiplicador da alvancagem financeira) – variável de risco.
• Essa decomposição permite ao analista “isolar” a(s) causa(s) resultante(s) do desempenho (inferior ou superior) obtido pela empresa
• Sua interpretação é relativa (ou seja, em comparação à media setorial, a um concorrente específico, ou à própria empresa em períodos anteriores)
• A “leitura” é feita da direita para a esquerda (a partir do ROE, entende-se como a empresa atingiu tal resultado de modo a isolar a possível causa se sucesso/insucesso)
Modelos de previsão de insolvência
Modelos de previsão de insolvência:
• Tais modelos utilizam alguns contábeis com diferentes pesos que, somados, resultam em um valor. Tal valor é associado a uma classificação de solvência.
• A elaboração desses modelos segue uma rigorosa metodologia estatística. • Modelo de Altman:
Zaltman = -1,44 + 4,03.X1 + 2,25.X2 + 0,14.X3 + 0,42.X4
Se o valor de Z for:
positivo -> empresa sem problemas financeiros
negativo -> empresa com problemas
financeiros X1 = Patrimônio Líquido / Ativo Total
X2 = LAJIR / Ativo Total
X3 = Patrimônio Líquido / Exigível Total X4 = Vendas Líquidas / Ativo Total
Modelos de previsão de insolvência
Modelos de previsão de insolvência
• Modelo de Kanitz:
ZKanitz = 0,05.X1 + 1,65.X2 + 3,55.X3 – 1,06.X4 -0,33.X5
Se o valor de Z for: entre 0 e 7 -> empresa sem problemas financeiros (solvente)
entre 0 e -3 -> empresa com situação indefinida
entre -7 e -3 -> empresa com problemas financeiros (insolvente)
X1 = ROE
X2 = Ativo Total / Exigível Total X3 = Liquidez Seca
X4 = Liquidez Corrente
Análise Dinâmica
Análise Dinâmica
Suponha, agora, que ambas tenham gerado vendas de $ 1.000.000, sendo que possuem margem bruta de 40%. Como estão seus prazos médios de estoque e de recebimento?
• Afinal, qual empresa possui a melhor situação financeira de curto prazo?
Análise Dinâmica
• Em muitas situações, a classificação tradicional das contas de curto prazo do balanço se
mostra inadequada para uma análise dinâmica da situação econômico-financeria da empresa
• O mesmo ocorre com os indicadores neles baseados, como os Índices de Liquidez
• As contas do ativo como Estoques e Contas a Receber demandam uma aplicação permanente de recursos da empresa.
• Aplicação: pois quanto maior o volume estocado e o prazo concedido aos clientes, maior o valor
financeiro que a empresa terá que desembolsar para girar suas operações;
• Permantente: porque essas contas renovam-se constantemente, visto que traduzem a operação
Análise Dinâmica
• O Modelo Dinâmico de Análise de Balanço (Modelo Fleuriet) busca tratar dessa questão ao propor um modelo que reclassifica as contas de curto prazo da empresa, de acordo com o ciclo operacional dela
• Assim, as contas de curto prazo serão reclassificadas em 2 grupos:
• Contas Operacionais (ou cíclicas): aquelas diretamente relacionadas com o ciclo de atividade da empresa. Ex.: contas a pagar, estoques, fornecedores, salários, etc.
• Contas de Tesouraria (ou erráticas): aquelas que não estão diretamente relacionadas com a operação da empresa. Ex.: caixa, aplicações financeiras, empréstimos, etc.
• Estas contas são então agrupadas. A interrelação entre as contas do ativo e do passivo dão origem a dois conceitos fundamentais para esse modelo que serão vistos a seguir:
Análise Dinâmica
Necessidade do Capital de Giro
• Mede a necessidade que a empresa tem de financiar suas operações de curto prazo
PASSIVO OPERACIONAL ATIVO
OPERACIONAL
NECESSIDADE DE CAPITAL DE GIRO
Análise Dinâmica
Saldo de tesouraria
• Mostra o saldo financeiro (disponibilidades menos empréstimos de curto prazo) que a empresa possui para suportar suas operações no curto prazo
DISPONIBILIDADES EMPRÉSTIMOS DE CURTO
PRAZO
SALDO DE TESOURARIA
Análise Dinâmica
• Uma Necessidade de Capital de Giro crescente significa que a empresa demanda um investimento cada vez maior em suas operações de curto prazo
• Esta demanda deve ser financiada com o Saldo de Tesouraria. Se, em determiando momento, a empresa não tiver mais fundos próprios para suportar o aumento da NCG, ela deverá
recorrer a financiamento de terceiros
• A empresa terá sua situação financeira deteriorada se essa situação se mantiver, e seu nível de vendas permanecer crescente
• A soma da Necessidade de Capital de Giro com o Saldo de Tesouraria perfazem o Capital de Giro :
Análise Dinâmica
• Como ficariam as contas das empresas analisadas inicialmente, se adotássemos o Modelo Fleuriet?
Análise Dinâmica
Efeito Tesoura
A Hallifax é uma empresa do ramo de alimentos processados. Há cerca de 5 anos ela iniciou uma forte expansão no mercado indiano, que tem mostrado enorme crescimento. Como a rede de distribuidores é muito pulverizada e marcada por micro-empresas locais, a Hallifax se viu obrigada a financiar a operação de seus clientes, ampliando seu prazo médio de recebimento. Na visão da diretoria, a estratégia vem dando certo, visto que o lucro consolidado vem crescendo constantemente. Para o departamento comercial, tal
desempenho é atribuído às vendas na Índia que em 5 anos passaram de 3% para 25% do total das vendas da Hallifax. Com o êxito dessa expansão, a empresa tem conseguido manter a política agressiva de distrubuir 75% de seus lucros aos acionistas, em um momento no qual seus concorrentes vêm diminuindo essa
No entanto, apesar do crescimento, a empresa vem demandando cada vez mais empréstimos de curto prazo e, recentemente, seu banco comercial endureceu bastante as condições de financiamento destes empréstimos. O que está acontecendo com a empresa?
Efeito Tesoura
• Uma importante função da diretoria financeira de uma empresa é acompanhar a evolução do Saldo de Tesouraria, a fim de evitar que permaneca negativo e crescente
• Empresas nessas condições demonstram excessiva dependência de empréstimos a curto prazo que poderiam levá-las à insolvência
• Esta situação pode ocorrer mesmo com empresas que se mostram lucrativas e com vendas crescentes, desde que sua geração de caixa fique
permanentemente abaixo de sua necessidade de giro
• Nestas circunstâncias, o aumento das vendas demandará cada vez mas capital de giro, obrigando a empresa a recorrer a empréstimos de curto prazo para financiar sua crescente operação
• Caso essas fontes externas cortem os financiamentos (recessão), a empresa não conseguirá manter sua Necessidade de Giro, podendo tornar-se
insolvente.
• É o chamado “Efeito Tesoura”
Efeito Tesoura
Meses/anos$
Vendas NCG CDGT
T
Efeito Tesoura
• Voltando ao caso, como estão as contas de curto prazo da empresa pela análise dinâmica?
Efeito Tesoura
• Condições para a ocorrência desse efeito:
• As vendas crescem a taxas elevadas
• Durante o crescimento das vendas, as fontes de capital (empréstimos de longo prazo ou aumentos de capital social em dinheiro) são utilizadas somente em novos investimentos no ativo permanente • Seu retorno sobre o capital investido (ROIC) se mantém abaixo do aumento do Ativo Econômico da
Efeito Tesoura
• E como estão evoluindo seu ROIC e o crescimento de seu ativo econômico?
Empresa em crescente dificuldade financeira, apesar de seu crescimento nas vendas. Sua expansão na Índia está aumentando a necessidade de capital de giro (ciclo financeiro) a uma taxa superior a seu ROIC. Efeito Tesoura!