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Coordenadas geométricas em funções paramétricas no winplot

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Academic year: 2018

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FORTALEZA 2014

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CENTRO DE CIÊNCIAS

DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM

MATEMÁTICA EM REDE NACIONAL

FRANCISCO ALLAN QUINTELA SILVA

(2)

FORTALEZA 2014

COORDENADAS GEOMÉTRICAS EM FUNÇÕES PARAMÉTRICAS NO WINPLOT

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Matemática em Rede Nacional do Departamento de Matemática da Universidade Federal do Ceará como requisito parcial para a obtenção do Título de Mestre em Matemática. Área de concentração: Ensino de Matemática.

(3)

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação Universidade Federal do Ceará

Biblioteca do Curso de Matemática

S58c Silva, Francisco Allan Quintela

Coordenadas geométricas em funções paramétricas no Winplot / Francisco Allan Quintela Silva. – 2014.

77 f. : il., enc.; 31 cm

Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Ceará, Centro de Ciências, Departamento de Matemática, Programa de Pós-Graduação em Matemática em Rede Nacional, Fortaleza, 2014. Área de Concentração: Ensino de Matemática.

Orientação: Prof. Dr. Marcos Ferreira de Melo.

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(6)

A Deus, por confiar a mim o poder de compreender as limitações de minha família e as minhas próprias limitações, o poder de aceitar a vida conforme ela a mim se apresenta, e o poder de reconhecer a importância da humanidade daqueles com quem tive o prazer de conviver.

A minha mãe, Tereza, um espelho de força e persistência contra a dura jornada da vida.

A minha mãe, Didi, um santuário de ternura e afabilidade, que me ensinou a dar os primeiros passos.

Ao meu pai, Francisco, por me orientar em importantes escolhas da minha vida, inclusive a de cursar nível superior em Matemática.

A todos os professores, mestres e doutores do Mestrado Profissional, em especial aos professores Marcos Ferreira de Melo e Marcelo Ferreira de Melo, pelo exemplo e pela dedicação presentes durante todo o processo de construção deste curso que, então, encerra-se para a turma de 2012.

E a todos aqueles que, de uma maneira ou de outra, contribuíram para a realização deste trabalho, não esquecendo os colegas do PROFMAT da turma de 2012, por compartilharem suas dúvidas e incertezas, e por dividirem seu companheirismo nos melhores e nos piores momentos. Muito obrigado a todos.

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“Descartes comandou mais o futuro a partir de seus estudos do que Napoleão a partir de seu trono.”

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Desde o princípio, as sequências e séries numéricas geraram interesse entre os matemáticos. Sua aplicabilidade atual é extensa e inclui o cálculo refinado da área da superfície e do volume de uma variedade de sólidos. Neste trabalho usaremos as diferenças entre os elementos de uma sequência finita a fim de encontrar leis que expressem as tendências nela contidas. Veremos também como um estudo simples sobre progressões aritméticas de ordens diversas é capaz de fornecer funções paramétricas de curvas passando por pontos pré-definidos, de

superfícies contendo curvas pré-definidas ou, até mesmo, de regiões do R³

situadas entre duas superfícies dadas. Além disso, poderemos, com o auxílio do programa computacional Winplot, visualisar as curvas, superfícies ou regiões obtidas em cada exemplo de nosso estudo, além de, eventualmente, verificar pontos de máximo e mínimo relativos de uma curva ou calcular a área de uma

superfície e o volume de uma região limitada do R³, tudo isto com um devido e

prévio embasamento teórico.

(9)

From the beginning, the numeric sequences and series generated interest among mathematicians. Your present applicability is extensive and includes the refined calculation of the surface area and volume of a variety of solids. In this work we will use the differences between the elements of a finite sequence in order to find laws that express the trends contained therein. We will also see how a simple study about arithmetic progressions of various orders is able to provide curves's parametric functions through predefined points, of surfaces containing predefined

curves or even regions of the R³ localized between two given surfaces. Moreover,

we will can, with the aid of the computational program Winplot, visualize the curves, surfaces, or regions obtained in each example of our study, in addition to eventually check points of relative maximum and minimum of a curve or calculate

the area of a surface and the volume of a limited region of R³, all of this with a

necessary and previous theoretical background.

(10)

1 INTRODUC¸ ˜AO . . . 09

2 CONJUNTOS E FUNC¸ ˜OES . . . 10

2.1 Conjuntos . . . 10

2.2 Func¸ ˜oes . . . 11

2.2.1 Gr ´aficos e func¸ ˜oes param ´etricas . . . 13

2.2.2 Sequ ˆencias . . . 14

2.2.2.1 Progress ˜oes aritm ´eticas . . . 17

3 LIMITES E CONTINUIDADE . . . 19

3.1 Limites . . . 19

3.1.1 Limites de sequ ˆencias . . . 19

3.1.2 Limites de func¸ ˜oes . . . 22

3.2 Limites e continuidade . . . 24

4 DERIVADAS . . . 27

5 INTEGRAIS . . . 32

6 COORDENADAS GEOM ´ETRICAS EM FUNC¸ ˜OES PARAM ´ETRICAS . . . 38

6.1 Exemplo 1 . . . 38

6.2 Exemplo 2 . . . 45

6.3 Exemplo 3 . . . 49

6.4 Exemplo 4 . . . 52

6.5 Exemplo 5 . . . 56

6.6 Exemplo 6 . . . 61

6.7 Exemplo 7 . . . 64

6.8 Exemplo 8 . . . 68

6.9 Exemplo 9 . . . 71

6.10 Exemplo 10 . . . 74

7 CONSIDERAC¸ ˜OES FINAIS . . . 76

(11)

1 INTRODUC¸ ˜AO

Neste breve trabalho mostraremos como ´e poss´ıvel obtermos elementos geom ´etricos bidimensionais e tridimensionais a partir das coordenadas, ou das func¸ ˜oes param ´etricas das coordenadas, de outros elementos pr ´e-definidos. Para tanto, faremos uma breve parada pelos t ´opicos pormenorizados de cada teoria que fundamenta nosso estudo, enfatizando sua natureza sistematizada.

Assim, iniciaremos nossa explanac¸ ˜ao com as definic¸ ˜oes e proposic¸ ˜oes sobre conjun-tos, func¸ ˜oes, sequ ˆencias e progress ˜oes aritm ´eticas, onde fundamenta-se a maior parte deste trabalho. Passaremos ent ˜ao a abordar as definic¸ ˜oes e proposic¸ ˜oes sobre limites e suas propriedades. Em seguida, trataremos das definic¸ ˜oes e proposic¸ ˜oes relativas `a derivada de uma func¸ ˜ao, suas propriedades e aplicac¸ ˜oes. E agruparemos, em seguida, as definic¸ ˜oes e proposic¸ ˜oes que envolvem a integral de uma func¸ ˜ao, suas propriedades e aplicac¸ ˜oes. Finalmente encerraremos este trabalho mostrando dez exemplos, onde faremos uso de toda a teoria descrita anteriormente, e onde o estudo de sequ ˆencias servir ´a de base para modelarmos os elementos geom ´etricos requeridos em cada exem-plo, junto ao programa computacional Winplot. As aplicac¸ ˜oes da derivada e da integral de uma func¸ ˜ao servir ˜ao para compararmos os resultados obtidos, no Winplot, no que diz respeito `a obtenc¸ ˜ao dos pontos de m ´aximo e m´ınimo relativos de uma func¸ ˜ao, e ao c ´alculo da ´area da superf´ıcie e do volume de s ´olidos geom ´etricos.

Veremos que o m ´etodo descrito neste trabalho ´e bastante simples e contem uma infinidade de exemplos que poder´ıamos usar para ilustr ´a-lo. Veremos tamb ´em que tal m ´etodo n ˜ao pretende esgotar todas as possibilidades para obtenc¸ ˜ao de elementos geom ´etricos a partir de outros elementos pr ´e-definidos. Os exemplos aqui descritos en-fatizam apenas a possibilidade de obtermos certos elementos geom ´etricos que incluam elementos pr ´e-definidos numa dada ordem, sempre mostrando que ´e poss´ıvel atrav ´es do sequenciamento dos n ´umeros de cada coordenada, ou dos coeficientes das func¸ ˜oes param ´etricas de cada coordenada, de determinados elementos geom ´etricos obtermos as func¸ ˜oes param ´etricas que representam as coordenadas do elemento geom ´etrico de-sejado. Enfatizamos aqui tamb ´em que, sem o aux´ılio de uma ferramenta computacional como o programa Winplot, n ˜ao conseguir´ıamos obter o grau de comparac¸ ˜ao de resulta-dos alcanc¸ado neste trabalho, tampouco conseguir´ıamos observar o resultado maior de nosso experimento que s ˜ao as curvas e superf´ıcies geradas pelo programa.

(12)

2 CONJUNTOS E FUNC¸ ˜OES

Para darmos in´ıcio ao nosso trabalho s ˜ao necess ´arios alguns conceitos e definic¸ ˜oes pr ´e-liminares que tratam das noc¸ ˜oes de conjunto e de func¸ ˜ao. A primeira destas noc¸ ˜oes diz respeito ao agrupamento de elementos de acordo com uma caracter´ıstica comum a todos eles. J ´a a segunda noc¸ ˜ao nos diz como relacionar dois ou mais conjuntos por meio de uma lei ou regra.

2.1 Conjuntos

Dentre todos os conceitos que abordaremos em nosso estudo, o conceito mais pri-mitivo ´e o de conjunto ou colec¸ ˜ao de elementos ou objetos.

Quanto a um elemento pertencer ou n ˜ao a um conjunto dizemos que sea ´e elemento de um conjunto A ent ˜ao escrevemos a ∈ A (l ˆe-se a pertence a A), caso contr ´ario escrevemosa /∈A(l ˆe-sean ˜ao pertence a A).

Representamos um conjunto qualquer A por seus elementos entre chaves ou por uma propriedade caracter´ıstica de seus elementos tamb ´em entre chaves. Por exemplo o conjuntoA = {b, c, d} pode ser representado tamb ´em comoA = {x;x ´e consoante situada entre as duas primeiras vogais do nosso alfabeto}, onde xrepresenta um ele-mento qualquer do conjuntoA.

Definiremos a seguir algumas operac¸ ˜oes entre conjuntos, a saber: a reuni ˜ao (ou uni ˜ao), a intersec¸ ˜ao e a diferenc¸a entre dois conjuntos.

Definic¸ ˜ao 2.1. Dados os conjuntosAeB:

(i) a reuni ˜aoA∪B ´e o conjunto formado pelos elementos deAou deB; (ii) a intersec¸ ˜aoA∩B ´e o conjunto formado pelos elementos deAe deB. (N ´umeros e Func¸ ˜oes Reais, PROFMAT, u.1 e 2, p.16).

Definic¸ ˜ao 2.2. A diferenc¸a entre dois conjuntosAeB ´e definida por:

B\A={x;x∈B ex /∈A}. (N ´umeros e Func¸ ˜oes Reais, PROFMAT, u.1 e 2, p.15).

Assim, por exemplo, dadosA={b, c, d}eB ={a, b, c}, teremosA∪B ={a, b, c, d}, A∩B ={b, c}eA\B ={d}.

(13)

racionais (fracion ´arios) ou represent ´aveis na forma p

q com p, q ∈ Z, o conjunto I dos n ´umeros n ˜ao-racionais ou irracionais, isto ´e aqueles que n ˜ao podem ser representados na forma p

q, com p, q ∈ Z, como, por exemplo a medida da diagonal de um quadrado cuja medida do lado ´e um n ´umero natural, e finalmente o conjuntoRdos n ´umeros reais que consiste da uni ˜ao entre o conjunto dos n ´umeros racionais e o conjunto dos n ´umeros irracionais, ou seja,R=Q∪I.

Quanto `a relac¸ ˜ao de conting ˆencia entre dois conjuntos, segue a pr ´oxima definic¸ ˜ao.

Definic¸ ˜ao 2.3. Sejam A e B conjuntos. Se todo elemento deA for tamb ´em elemento deB, diz-se queA ´e um subconjunto deB, queAest ´a contido emB, ou queA ´e parte de B. Para indicar este fato, usa-se a notac¸ ˜ao A ⊂ B. (N ´umeros e Func¸ ˜oes Reais, PROFMAT, u.1 e 2, p.5).

Podemos, ent ˜ao, escrever, com base na definic¸ ˜ao dos conjuntos num ´ericos citados anteriormente, a relac¸ ˜aoN⊂Z⊂Q⊂R. Ainda quanto a subconjuntos, indicamos por In, n ∈ N, o subconjunto de N dado por In = {p ∈ N;p ≤ n}. Assim, por exemplo, escrevemosI7 ={1,2,3,4,5,6,7}.

As definic¸ ˜oes a seguir tratam de conjunto limitado superiormente, conjunto limitado inferiormente, e supremo e ´ınfimo de um conjunto.

Definic¸ ˜ao 2.4. Um conjuntoX ⊂Rdiz-se limitado superiormente quando existe algum b ∈Rtal quex ≤b para todox ∈X. Neste caso, diz-se queb ´e uma cota superior de X. Analogamente, diz-se que o conjuntoX ⊂R ´e limitado inferiormente quando existe a∈Rtal quea≤xpara todox∈X. O n ´umero achama-se ent ˜ao uma cota inferior de X. (LIMA, 2006, p.16).

Definic¸ ˜ao 2.5. Seja X ⊂ R limitado superiormente e n ˜ao-vazio. Um n ´umero b ∈ R chama-se o supremo do conjunto X quando ´e a menor das cotas superiores de X. Analogamente, seX ⊂ R ´e um conjunto n ˜ao-vazio, limitado inferiormente, um n ´umero realachama-se o ´ınfimo do conjuntoX. (LIMA, 2006, p.16).

Indicamos o supremo e o ´ınfimo de um conjunto X respectivamente por sup X e inf X.

Podemos agora relacionar os elementos de dois ou mais conjuntos por meio de uma lei ou regra que os associe, a qual chamaremos de func¸ ˜ao.

2.2 Func¸ ˜oes

(14)

Al ´em disso, dada uma func¸ ˜ao qualquer f : A B, denomina-se os conjuntos A, B e f(A) respectivamente de dom´ınio (D(f)), contra-dom´ınio(CD(f)) e imagem(Im(f)) da func¸ ˜ao f, sendo quef(A) = {yB;y=f(x)}. Assim, por exemplo, dados os conjuntos A={−1,0,√2}eB ={1,2,3}, comx Ae yB, podemos dizer que a express ˜ao y =x2

+ 1representa uma func¸ ˜aof : A B, j ´a que todo elementoxest ´a associado a um elementoy pela func¸ ˜ao f pois f(1) = 2, f(0) = 1 e f(√2) = 3, e ainda que D(f) =A,CD(f) = Im(f) =B.

Dizemos tamb ´em que uma func¸ ˜aof : X Y ´e injetora se para quaisquerx0, x1 D(f), com x0 6= x1, tem-se f(x0) 6= f(x1), ´e sobrejetora se Im(f) = CD(f), e ´e bijetora, ou uma bijec¸ ˜ao, sef ´e simultaneamente injetora e sobrejetora.

Podemos agora definir conjuntos cardinalmente equivalentes, conjuntos finitos e conjuntos infinitos, conforme segue.

Definic¸ ˜ao 2.7. Dois conjuntosX eY s ˜ao ditos cardinalmente equivalentes (ou equipo-tentes) se existe uma bijec¸ ˜aof : X Y. (N ´umeros e Func¸ ˜oes Reais, PROFMAT, u.3, p.7).

Podemos estabelecer, por exemplo, uma equival ˆencia entre o conjunto dos n ´umeros reais, R, e o conjunto dos pontos de uma reta, a qual chamaremos reta real. Se de-finirmos um ponto O da reta como origem da mesma e ref ˆencia para o n ´umero real zero e definirmos o sentido positivo da reta para direita, demarcando sobre esta um ponto correspondente ao n ´umero real um, podemos fazer a correspond ˆencia entre os n ´umeros racionais, pertencentes a Q, contidos em R e os pontos da reta que podem ser obtidos com base na unidade, sob alguma raz ˜ao p

q, comp, q ∈Z. Para completar a equival ˆencia, inclu´ımos no conjuntoRos n ´umeros que n ˜ao podem ser demarcados na reta sob a raz ˜ao p

q, comp, q ∈Zcom base na unidade, isto ´e, os n ´umeros irracionais do conjuntoI. Reciprocamente podemos associar todo ponto P da reta real a um n ´umero real que representa a dist ˆancia orientada, positiva, negativa ou nula, de P `a origem O da reta.

Assim, acabamos de estabelecer uma bijec¸ ˜ao entre os n ´umerosxRe o conjunto dos pontosX pertencentes `a reta real, `a qual denominaremos simplesmente de eixo realOX, e no qual os n ´umerosxs ˜ao chamados coordenadas abscissas dos pontosX da reta. A figura, a seguir, representa a reta real e dois pontosX, um `a esquerda da origem e associado ao n ´umero real negativox=d(X, O), e outro `a direita da origem e associado a um n ´umero real positivox=d(X, O), onded(X, O)representa a dist ˆancia de cada pontoX `a origemO da reta real.

(15)

Definic¸ ˜ao 2.8. Um conjunto X diz-se finito quando ´e vazio ou ent ˜ao existemn ∈ N e uma bijec¸ ˜aof :In →X. (LIMA, 2006, p.3).

Definic¸ ˜ao 2.9. Diz-se que um conjunto ´e infinito quando n ˜ao ´e finito. Assim,X ´e infinito quando n ˜ao ´e vazio nem existe, seja qual forn ∈ N, uma bijec¸ ˜ao f : In → X. (LIMA, 2006, p.5).

O pr ´oximo t ´opico trata de sistemas de coordenadas cartesianas e define gr ´afico de func¸ ˜oes param ´etricas de vari ´avel real no plano e no espac¸o.

2.2.1 Gr ´aficos e Func¸ ˜oes Param ´etricas

Antes de definirmos o gr ´afico de uma func¸ ˜ao, necessitamos conceituar produto car-tesiano entre dois ou mais conjuntos. Assim, dados os conjuntosX e Y, definimos o produto cartesianoX×Y como o conjunto dos pares ordenados(x, y)tais quex∈Xe y∈Y, isto ´eX×Y ={(x, y);x∈X ey ∈Y}. Da mesma forma, definimos o produto cartesiano de tr ˆes conjuntosX,Y eZ, como sendoX×Y×Z ={(x, y, z);x∈X, y ∈Y e z ∈ Z}. Abreviadamente, escrevemos os produtos cartesianos R×Re R×R×R respectivamente comoR2

eR3 .

Podemos agora estabelecer uma equival ˆencia entre um par ordenado(x, y)do con-junto R2

e um ponto P do plano, definindo-se antes um sistema composto por duas retas reais perpendiculares, de origem O = (0,0) comum, tamb ´em conhecidas como eixo das coordenadas abscissas e eixo das coordenadas ordenadas ou, respectiva-mente, eixos OX e OY, sendo o primeiro, horizontal e orientado positivamente para direita, e o segundo, vertical e orientado positivamente para cima, onde os n ´umeros reaisxeyem seus respectivos eixos representam, nesta ordem, a dist ˆancia orientada, positiva, negativa ou nula, do pontoP, respectivamente, aos eixosOY eOX, portanto, determinando-o. Da mesma forma, podemos associar um ponto P do plano `as suas coordenadas xe y, ou seja, a um par ordenado (x, y) ∈ R2

. Na figura a seguir, est ˜ao representados o planoπ, seu sistema cartesianoOXY e alguns pontos do citado plano com suas respectivas coordenadas.

(16)

Analogamente ao caso anterior, podemos estabelecer uma equival ˆencia entre o con-junto dos elementos (x, y, z) doR3

e o conjunto dos pontos do espac¸o tridimensional, adotando-se um terceiro eixo real orientado positivamente para cima, eixoOZ, sendo este perpendicular aos eixosOX eOY, e de mesma origemO = (0,0,0), compondo o chamado sistema ortogonalOXY Z.

As figuras a seguir mostram uma regi ˜ao do espac¸o tridimensional limitada pelos planosOXY, OXZ e OY Z que contem, respectivamente, os eixosOX e OY, OX e OZ, e OY e OZ, onde o ponto O ´e a ´unica intersecc¸ ˜ao entre os planos OXY,OXZ e OY Z. Al ´em disso, podemos associar o terno de n ´umeros reais(a, b, c) nas figuras a seguir como as coordenadas do ponto P, onde a = d(P, Q3), b = d(P, Q2) e c = d(P, Q1), onde os pontosQ1,Q2 eQ3s ˜ao, nesta ordem, os p ´es das perpendicularesr1, r2 e r3 baixadas deP sobre os planosOXY,OXZ eOY Z.

Geometria Anal´ıtica, PROFMAT, u.13, p.5. Geometria Anal´ıtica, PROFMAT, u.13, p.5. Geometria Anal´ıtica, PROFMAT, u.13, p.5. Uma func¸ ˜ao param ´etrica de vari ´avel realt no plano ´e uma func¸ ˜aof :R → R2 cujo gr ´afico no sistemaOXY comp ˜oe-se dos pontosP = (x, y) = (f1(t), f2(t))do plano que obedecem `a lei da func¸ ˜aof e onde as coordenadasxeys ˜ao, respectivamente, func¸ ˜oes f1 ef2 no par ˆametro realt. De forma an ´aloga, uma func¸ ˜ao param ´etrica de vari ´avel real t no espac¸o tridimensional ´e uma func¸ ˜aof : R → R3 cujo gr ´afico no sistema OXY Z comp ˜oe-se dos pontosP = (x, y, z) = (f1(t), f2(t), f3(t))do espac¸o que seguem `a lei da func¸ ˜aof e onde as coordenadasx,y e z s ˜ao, respectivamente, func¸ ˜oesf1,f2 e f3 no par ˆametro realt.

As definic¸ ˜oes a seguir tratam de sequ ˆencia num ´erica, sequ ˆencia limitada, sequ ˆencias mon ´otonas e subsequ ˆencia.

2.2.2 Sequ ˆencias

(17)

Como o conjunto N = 1,2,3, . . . ´e o mesmo para toda e qualquer sequ ˆencia x, pode-se convenientemente representar a sequ ˆencia(x(1), x(2), . . . , x(n), . . .)de valo-res funcionais dexpor(x1, x2, . . . , xn, . . .)e a sequ ˆenciaxpor(xn), onde seu n- ´esimo termo tamb ´em ´e conhecido como termo geral da sequ ˆencia.

Definic¸ ˜ao 2.11. Uma sequ ˆencia (xn) ´e dita limitada, se existe c > 0tal que |xn| < c, para todo n ∈ N. Quando uma sequ ˆencia (xn) n ˜ao ´e limitada, dizemos que ela ´e ilimitada. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.1, p.4).

Definic¸ ˜ao 2.12. Uma sequ ˆencia (xn) ser ´a dita decrescente se xn+1 < xn para todo n ∈ N. Diremos que a sequ ˆencia ´e n ˜ao crescente, se xn+1 ≤ xn para todo n ∈ N. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.1, p.5).

Definic¸ ˜ao 2.13. Uma sequ ˆencia (xn)ser ´a dita crescente se xn+1 > xn para todo n ∈ N. Diremos que a sequ ˆencia ´e n ˜ao decrescente, se xn+1 ≥ xn para todo n ∈ N. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.1, p.5).

Definic¸ ˜ao 2.14. As sequ ˆencias crescentes, n ˜ao decrescentes, decrescentes ou n ˜ao crescentes s ˜ao chamadas de sequ ˆencias mon ´otonas. (Fundamentos de C ´alculo, PROF-MAT, u.1, p.5).

Definic¸ ˜ao 2.15. Dada uma sequ ˆencia (xn)n∈N de n ´umeros reais, uma subsequ ˆencia de (xn) ´e a restric¸ ˜ao da func¸ ˜ao x que define (xn) a um subconjunto infinito N1 = {n1 < n2 < n3 < . . . < nk < . . .}. Denotamos a subsequ ˆencia por (xn)n∈N1, ou (xn1, xn2, xn3, . . . , xnk, . . .)ou ainda(xni)i∈N. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.1, p.7).

Podemos agora enunciar e demonstrar nosso primeiro Teorema.

Teorema 2.1. Toda sequ ˆencia(xn)possui uma subsequ ˆencia mon ´otona. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.1, p.15).

Demonstrac¸ ˜ao. Considere os dois seguintes conjuntos: A1 = {p ∈ N; existe n > p tal que xn ≥ xp} e A2 = {p ∈ N; existe n > ptal que xn ≤ xp}. ´E claro que se tem A1∪A2 =N. Temos, agora, duas possibilidades: a)A1 ´e infinito. Neste caso, ´e imediato extrair uma subsequ ˆencia n ˜ao decrescente de(xn). b)A1 ´e vazio ou finito. Neste caso, A2 ´e necessariamente infinito e, portanto, podemos extrair de (xn) uma subsequ ˆencia n ˜ao crescente. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.1, p.15).

(18)

•Pnk=11 :Pnk=11 = 1 + 1 +. . .+ 1

| {z }

n vezes

=n.1 =n;

•Pnk=1a, comaconstante: Pn

k=1a=a|+a+{z. . .+a} n vezes

=a.(1 + 1 +. . .+ 1)

| {z }

n vezes

=a.Pnk=11 =a.n;

•Pnk=1k :

Pn

k=1k = 1 + 2 + . . . + (n−1) + n

Pn

k=1k = n + (n−1) + . . . + 2 + 1

2.Pnk=1k = (n+ 1) + (n+ 1) + . . . + (n+ 1) + (n+ 1)

⇒Pnk=1k = n.(n+1)2 ;

•Pnk=1a.k, comaconstante: Pn

k=1a.k =a.1 +a.2 +. . .+a.n=a.(1 + 2 +. . .+n) =a. Pn

k=1k =a. n(n+1)

2 ; •Pnk=1k2 :

Pn

k=1(k+ 1)3− Pn

k=1k3 = 23+. . .+n3+ (n+ 1)3−(13+ 23+. . .+n3) = (n+

1)313 Pn

k=1[(k+ 1)3−k3] =n3+ 3n2+ 3n+ 1−1⇒ Pn

k=1(3k2+ 3k+ 1) =

n3+ 3n2+ 3n3.Pn

k=1k2+ 3. Pn

i=1k+ Pn

k=11 = n3+ 3n2+ 3n ⇒ Pn

k=1k2 = 1

3.(n

3+ 3n2+ 3n3.Pn k=1k−

Pn

k=11) = 1 3.(n

3+ 3n2+ 3n3.n(n+1)

2 −n)⇒ Pn

k=1k2 = 1 3. 2n3 +6n2 +6n−3n2 −3n−2n 2 = 2n3 +3n2 +n 6 ⇒ Pn

k=1k2 =

n(n+1)(2n+1)

6 .

Verificamos assim que o somat ´orio das pot ˆencias dek,kp, comp= 0,1,2 (Pn k=1kp) s ˜ao polin ˆomios de graup+ 1. Iremos, ent ˜ao, generalizar em um Teorema estes resulta-dos e demonstr ´a-lo, por induc¸ ˜ao, conforme segue.

Teorema 2.2. 1p+ 2p + 3p +. . .+np = Pn

k=1kp ´e um polin ˆomio de graup+ 1emn. (Matem ´atica Discreta, PROFMAT, u.5, p.11).

Demonstrac¸ ˜ao. Vamos proceder por induc¸ ˜ao sobre p. Para p = 1, o teorema j ´a foi provado anteriormente.

Suponhamos agora quePnk=1kp seja um polin ˆomio de graup+ 1emn, para todo

p ∈ {1,2,3, . . . , s}. Mostraremos que essa afirmac¸ ˜ao ´e verdadeira para p = s + 1, isto ´e, mostraremos quePnk=1ks+1 ´e um polin ˆomio de grau s + 2 em n. Observe que

(k+1)s+2 =ks+2+(s+2)ks+1+. . ., onde os termos que n ˜ao foram escritos explicitamente formam um polin ˆomio de grau s em k.

Temos ent ˜ao,

Pn

k=1(k+ 1)s+2 = Pn

k=1ks+2+ (s+ 2) Pn

(19)

ondeF(n) ´e um polin ˆomio de graus+ 1emn, pela hip ´otese da induc¸ ˜ao. Simplificando os termos comuns aos dois primeiros somat ´orios, obtemos

(n+ 1)s+2

= 1 + (s+ 2)Pnk=1ks+1

+F(n). Da´ı,

n X

k=1

ks+1 = (n+ 1) s+2

−1−F(n) s+ 2

que ´e um polin ˆomio de grau s + 2 em n. (Matem ´atica Discreta, PROFMAT, u.5, p.11). Assim, dado um polin ˆomio qualquerF(k) = a0+a1k+a2k2

+. . .+apkp, o somat ´orio Pn

k=1F(k)pode ser calculado como

n X

k=1

F(k) = n X

k=1

(a0+a1k+a2k2+. . .+apkp)

= a0 n X

k=1

1 +a1 n X

k=1

k+a2 n X

k=1

k2+. . .+ap n X

k=1 kp

e observando-se que o grau de Pnk=1F(k) depende somente do grau de Pnk=1kp na express ˜ao acima e que este, pelo Teorema 1, ´e igual ap+ 1 podemos, ent ˜ao, enunciar o seguinte Corol ´ario.

Corol ´ario 2.1. SeF ´e um polin ˆomio de graupent ˜aoPnk=1F(k) ´e um polin ˆomio de grau p+ 1 emn. (Matem ´atica Discreta, PROFMAT, u.5, p.12).

As definic¸ ˜oes a seguir tratam da definic¸ ˜ao de progress ˜ao aritm ´etica, do operador diferenc¸a para sequ ˆencias e da definic¸ ˜ao de progress ˜ao aritm ´etica de segunda ordem.

2.2.2.1 Progress ˜oes Aritm ´eticas

Definic¸ ˜ao 2.16. Uma progress ˜ao aritm ´etica ´e uma sequ ˆencia na qual a diferenc¸a entre cada termo e o termo anterior ´e constante. Essa diferenc¸a constante ´e chamada de raz ˜ao da progress ˜ao e representada pela letra r. (Matem ´atica Discreta, PROFMAT, u.5, p.3).

(20)

Podemos, com base nos resultados anteriores e de posse da express ˜ao do termo

geral da progress ˜ao aritm ´etica, encontrar uma express ˜ao para a soma dos termos de

uma progress ˜ao aritm ´etica(ak) : (a1, a2, . . . , an−1, an), ou seja, Pn

k=1ak. Assim:

n X

k=1

ak = n X

k=1

(a1 + (k−1)r) =

n X

k=1

((a1−r) +r.k)

= (a1−r). n X

k=1

1 +r. n X

k=1 k

= (a1−r).n+r.n(n+ 1)

2 =

rn(n+ 1) + 2(a1−r)n

2

= rn

2

+rn+ 2a1n−2rn

2 =

(rn+r+ 2a1−2r).n

2

= (2a1+rn−r).n

2 =

(a1 + (a1+ (n−1)r).n

2 =

(a1+an)n

2 .

Definic¸ ˜ao 2.17.Define-se para sequ ˆencias o operador∆, chamado de operador diferen-c¸a, por∆an =an+1−an. (Matem ´atica Discreta, PROFMAT, u.5, p.8).

Como consequ ˆencia desta definic¸ ˜ao, v ˆe-se que toda sequ ˆencia (an) em que ∆an ´e constante ´e uma progress ˜ao aritm ´etica. Define-se ainda progress ˜ao aritm ´etica es-tacion ´aria aquela em que ∆an ´e constante e igual a zero, e progress ˜ao aritm ´etica de primeira ordem (ou n ˜ao-estacion ´aria) aquela em que ∆an ´e constante e diferente de zero.

Definic¸ ˜ao 2.18. Uma progress ˜ao aritm ´etica de segunda ordem ´e uma sequ ˆencia(an)na qual as diferenc¸as∆an =an+1−an, entre cada termo e o termo anterior, formam uma progress ˜ao aritm ´etica n ˜ao-estacion ´aria. (Matem ´atica Discreta, PROFMAT, u.5, p.8).

De um modo geral, podemos afirmar que uma progress ˜ao aritm ´etica (an) ´e de k-´esima ordem,k ≥ 2, quando a sequ ˆencia formada pelas diferenc¸as consecutivas entre seus termos, isto ´e(∆an), ´e uma progress ˜ao aritm ´etica de (k-1)- ´esima ordem.

Dada uma sequ ˆencia qualquer(aj) : (a1, a2, . . . , an)podemos, por diferenciac¸ ˜ao de seus elementos, encontrar sequ ˆencias(∆ak),(∆∆ak)ou(∆2

ak),(∆3

ak), . . . ,(∆n−1 ak), das quais pelo menos uma podemos supor ser uma progress ˜ao aritm ´etica estacion ´aria.

Assim, obtemos o seguinte esquema em pir ˆamide.

∆n−1 a1

∆n−2

a1,∆n−2 a2 . . .

∆2

a1, . . . , ∆2 an−2

(21)

Observe que, na pior das hip ´oteses, podemos considerar(∆n−1

a1)como progress ˜ao aritm ´eti-ca estacion ´aria e a partir da´ı escrevermos express ˜oes gerais para as demais sequ ˆencias por meio da igualdade ∆la

j = ∆la1 +

Pj−1

m=1∆

l+1

am, onde j varia de 1 a

n −l em cada progress ˜ao. Neste caso, (∆n−2

aj) e (∆n−3aj) ser´ıam, por definic¸ ˜ao,

respectivamente, progress ˜oes aritm ´eticas de primeira e de segunda ordens. Seguindo este racioc´ınio, ter´ıamos enfim que(ak)ser´ıa uma progress ˜ao aritm ´etica de (n-1)- ´esima

ordem. Note tamb ´em que, neste caso, o grau do polin ˆomio que define o termo geral ∆la

j de cada progress ˜ao da pir ˆamide depende apenas do somat ´orio dosj−1primeiros

termos de sua sequ ˆencia imediatamente superior, ∆l+1

aj, e que, pelo Corol ´ario 1, ´e o

grau do polin ˆomio desta mais uma unidade. Portanto, conclui-se que o polin ˆomio que define a sequ ˆencia (aj), neste caso, possui grau n-1. Assim, de modo geral, se l ´e

o menor n ´umero para o qual tem-se (∆la

j) como progress ˜ao aritm ´etica estacion ´aria,

ent ˜ao o grau do polin ˆomio que representa a sequ ˆencia(aj) ´e igual al.

As definic¸ ˜oes e Teoremas, a seguir, tratam do limite (lim) de sequ ˆencias e suas pro-priedades, bem como do limite de func¸ ˜oes e suas propro-priedades, e fundamentam nosso estudo sobre derivadas e integrais de func¸ ˜oes.

3 LIMITES E CONTINUIDADE

3.1 Limites

3.1.1 Limites de Sequ ˆencias

Definic¸ ˜ao 3.1. Sejam(xn)uma sequ ˆencia de n ´umeros reais elum n ´umero real.

Dize-mos que(xn)converge paral, ou ´e convergente, e escreve-se lim n→∞

xn=l, quando para

qualquer intervalo aberto I contendo l (por menor que ele seja) ´e poss´ıvel encontrar um inteiron0 ≥ 1, de modo que xn ∈ I para todo n > n0. (Fundamentos de C ´alculo,

PROFMAT, u.1, p.12).

Podemos, por exemplo, mostrar que lim

k→∞

c = c, ou simplesmente limc = c, com cconstante. Neste caso, considere a sequ ˆencia (ck), onde ck = cpara todo k, e um

intervaloI = (−r+c, c+r), onder >0 ´e um n ´umero real arbitr ´ario. Assim, admitindo-sek0 = 1teremos para todo k > k0 que −r+c < ck =c < c+r e portantock ∈ I, o

que quer´ıamos demonstrar.

O Teorema, a seguir, trata da unicidade do limite. Teorema 3.1. Se existir um n ´umero reall tal que lim

n→∞

xn =l, ent ˜ao ele ´e ´unico. (

(22)

Demonstrac¸ ˜ao. Suponha por absurdo que lim

n→∞xn=l1 e quenlim→∞xn =l2, coml1 6=l2. Tomer = |l2−l1|

2 >0. Assim, existem inteiros positivosn1 en2tais que para todon > n1, |xn−l1|< re para todon > n2,|xn−l2|< r. Tomando-sen0 =max{n1, n2}, temos que |xn−l1|< re|xn−l2|< r, para todon > n0, o que ´e equivalente al1−r < xn< l1+r e l2 −r < xn < l2 +r, para todo n > n0. Multiplicando-se a primeira desigualdade por −1, obtemos a desigualdade −l1 −r < −xn < r −l1. Agora, adicionando-a `a segunda, obtemosl2−l1−2r < 0 < l2−l1 + 2r, ou seja, −2r < l1−l2 < 2r, donde |l2−l1| <2r =|l2−l1|, absurdo. Provamos assim que o limite ´e ´unico. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.1, p.20).

Os Teoremas, a seguir, tratam da limitac¸ ˜ao de sequ ˆencias convergentes e da com-pletude dos n ´umeros reais.

Teorema 3.2.Toda sequ ˆencia convergente ´e limitada. (Fundamentos de C ´alculo, PROF-MAT, u.1, p.13).

Demonstrac¸ ˜ao. Seja(xn)uma sequ ˆencia convergente, tal que lim

n→∞xn =l. Pela defini-c¸ ˜ao de sequ ˆencia convergente, temos que dado um intervalo limitado I contendo l, existe um inteiro positivon0 tal que para todo inteiron > n0, tem-se quexn ∈I. Assim, os ´unicos termos da sequ ˆencia que eventualmente n ˜ao pertencem ao intervaloI, s ˜ao os termosx1, x2, . . . , xn0, portanto em n ´umero finito.

Basta agora tomar um intervalo limitadoJ contendo o intervaloI e tamb ´em os ter-mosx1, x2, . . . , xn0 . Obtemos assim, que todos os termos da sequ ˆencia pertencem ao intervaloJ e que, portanto, (xn) ´e limitada. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.1, p.14).

Teorema 3.3. Toda sequ ˆencia mon ´otona limitada ´e convergente. (LIMA, 2006, p.25).

Demonstrac¸ ˜ao. Seja(xn)mon ´otona, digamos n ˜ao decrescente, limitada. Escrevamos X =x1, . . . , xn, . . . ea =supX. Afirmamos que a= limxn. Com efeito, dado ǫ >0, o n ´umeroa−ǫ n ˜ao ´e cota superior de X. Logo existen0 ∈ N tal quea−ǫ < xn0 ≤ a. Assim,n > n0 ⇒a−ǫ < xn0 ≤xn < a+ǫe da´ılimxn =a.

Semelhantemente, se(xn) ´e n ˜ao-crescente, limitada ent ˜aoxn ´e o ´ınfimo do conjunto dos valoresxn. (LIMA, 2006, p.25).

Os Teoremas e o Corol ´ario a seguir e suas respectivas demonstrac¸ ˜oes tratam do limite da soma, do limite do produto, do limite de polin ˆomio, do limite do inverso, do limite do quociente e da relac¸ ˜ao entre limites e desigualdades aplicada a sequ ˆencias. Teorema 3.4. Se lim

n→∞xn=lenlim→∞yn=k, ent ˜aonlim→∞(xn+yn) = l+k. (Fundamentos

(23)

Demonstrac¸ ˜ao. Pela desigualdade triangular, para todo n, temos

|(xn+yn)−(l+k)|=|(xn−l) + (yn−k)| ≤ |xn−l|+|yn−k|

A validade desta proposic¸ ˜ao decorre do fato de que podemos tornar a soma|xn−l|+

|yn−k|t ˜ao pr ´oximo de zero quanto queiramos desde que tomemos nsuficientemente grande (pois isto vale tanto para|xn−l|quanto para|yn−k|. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.2, p.2).

Teorema 3.5. Se lim n→∞

xn=le lim n→∞

yn=k, ent ˜ao lim n→∞

xn.yn= ( lim n→∞

xn).( lim n→∞

yn) = lk. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.2, p.3).

Demonstrac¸ ˜ao. Notemos que

xnyn−lk =xnyn−xnk+xnk−lk =xn(yn−k) +k(xn−l)

Por outro lado, sabemos que existeM > 0tal que|xn| ≤M para todo n, pois toda sequ ˆencia convergente ´e limitada. Portanto, para todon,

|xnyn−lk|=|xn(yn−k) +k(xn−l)| ≤ |xn(yn−k)|+|k(xn−l)|=|xn||yn−k|+

|k||xn−l| ≤M|yn−k|+|k||xn−l|. Da´ı resulta que lim

n→∞

xnyn = lk, j ´a que podemos tornarM|yn−k|+|k||xn−l| t ˜ao pr ´oximo de zero quanto queiramos desde que tomemosnsuficientemente grande (pois isto vale tanto para|xn−l|quanto para|yn−k|. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.2, p.3-4).

Por exemplo, sejacuma constante real arbitr ´aria,xn=cpara todon ≥1e lim n→∞

yn=

k. Assim, como lim n→∞

xn = lim n→∞

c = c temos, do teorema anterior que lim n→∞

cyn = lim

n→∞

xnyn= ( lim n→∞

xn)( lim n→∞

yn) =ck.

Teorema 3.6. Sejap(x) =amxm+. . .+a

1x+a0 um polin ˆomio. Tem-se que lim n→∞

xn =

l⇒ lim

n→∞

p(xn) = p( lim n→∞

xn) =p(l). (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.2, p.5).

Demonstrac¸ ˜ao. De fato, dos Teoremas 3.4, 3.5 e do exemplo anterior, segue-se que

lim n→∞

p(xn) = lim

n→∞(

amxnm+. . .+a1xn+a0)

= lim n→∞

amxnm+. . .+ lim n→∞

a1xn+ lim n→∞

a0

= am lim n→∞

xnm+. . .+a1 lim n→∞

xn+a0

= amlm+. . .+a1l+a0 =p(l).

(Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.2, p.5).

Teorema 3.7. Se(yn) ´e uma sequ ˆencia de n ´umeros reais n ˜ao nulos convergindo para um n ´umero realk n ˜ao nulo, ent ˜ao a sequ ˆencia(1

yn)converge para 1

k. (Fundamentos de

(24)

Demonstrac¸ ˜ao. Seja r um n ´umero real arbitr ´ario no intervalo (0, k2

). Assim, r2 > 0

e k2

−r > 0. Como yn converge para k, sabemos que kyn converge para k 2

. Logo,

existem inteiros positivosn1en2 tais que paran > n1temos|yn−k|< r 2

e paran > n2

temos|kyn−k 2

|< k2−r. Tomando-sen0 =max{n1, n2}, segue que para todon > n0, temos que |yn− k| < r

2

e |kyn −k 2

| < k2

−r. Expandindo a ´ultima desigualdade, obtemos kyn > r > 0para todon > n0, donde 0 <

1 kyn <

1

r. Assim, conclu´ımos que para todon > n0,|1

yn− 1 k|=|

k−yn kyn |<

r2

r =r, provando a proposic¸ ˜ao. (Fundamentos de

C ´alculo, PROFMAT, u.2, p.6).

Corol ´ario 3.1. Se lim n→∞

xn = l e lim n→∞

yn = k, com yn 6= 0, para todon ∈ N, e k 6= 0 ent ˜ao lim

n→∞ xn yn = lim n→∞x n lim n→∞yn = l

k. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.2, p.6).

Demonstrac¸ ˜ao. De fato, dos Teoremas 3.5 e 3.7, temos que

lim n→∞

xn yn

= lim n→∞(

xn. 1 yn

) = ( lim n→∞

xn)( lim n→∞

1 yn

) =l.1 k =

l k.

(Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.2, p.7).

Teorema 3.8. Se(xn) ´e uma sequ ˆencia convergente satisfazendoxn< bpara todon ∈ N(respectivamente,xn> bpara todon ∈N), ent ˜ao lim

n→∞

xn ≤b(respectivamente,lim n→∞

xn ≥b). (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.2, p.7).

Demonstrac¸ ˜ao. Provaremos apenas a primeira asserc¸ ˜ao, pois a segunda se prova de

modo an ´alogo e a deixamos como exerc´ıcio para o leitor.

Seja lim n→∞

xn =le suponha por absurdo quel > b. Tomemosr >0, suficientemente

pequeno, tal quel−r > b.

Por definic¸ ˜ao de limite de uma sequ ˆencia, existe um inteiro positivon0 tal que para todon > n0 tem-se que xn ∈ (l −r, l+r). Mas isso significa que para todo n > n0, tem-se que xn > b, contradizendo a hip ´otese xn < b para todo n ∈ N. Conclu´ımos, portanto, quel≤b. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.2, p.8).

3.1.2 Limites de Func¸ ˜oes

Vamos agora estender a definic¸ ˜ao de limite para uma func¸ ˜aof :RR.

Definic¸ ˜ao 3.2. Sejamf :D→R, ondeD ´e o dom´ınio def,a∈Rtal que todo intervalo aberto contendo a intersecte D\{a} e l ∈ R. Diz-se que f(x) tende para l quando x tende paraa, e escreve-se lim

x→af(x) =

l (l ˆe-se: limite def(x)quandoxtende paraa ´e

igual al) quando para toda sequ ˆencia(xn)de elementos deD\{a}tal que lim n→∞

xn=a,

tem-se lim n→∞

(25)

Os Teoremas e o Corol ´ario a seguir, com suas respectivas demonstrac¸ ˜oes tratam do limite de polin ˆomio, do limite da soma, do limite do produto e do limite do quociente aplicado a func¸ ˜oes, al ´em do limite do produto de uma constante por uma func¸ ˜ao e do limite da diferenc¸a de duas func¸ ˜oes.

Teorema 3.9. Se p ´e um polin ˆomio qualquer, ent ˜ao, para todoa R, lim

x→a

p(x) = p(a). (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.3, p.6).

Demonstrac¸ ˜ao. De fato, tomemos qualquer sequ ˆencia (xn) de n ´umeros reais

diferen-tes de a tal que lim

n→∞

xn = a. Vimos no Teorema 3.6 que lim

n→∞p(xn) = p(a). Assim, lim

x→ap(x) =p(a). (

Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.3, p.6).

Teorema 3.10. Sejam f, g : D Re a Rtal que todo intervalo aberto contendo a intersecteD\{a}. Se lim

x→a

f(x) = l1 e lim

x→ag(x) =

l2, ent ˜ao,

(a)lim

x→a(f +g)(x) =

l1+l2.

(b)lim

x→a(

f g)(x) = l1l2.

(c)Seg(x)6= 0para todox∈Del2 6= 0, tem-se que lim

x→a(

f

g)(x) = l1

l2. (Fundamentos

de C ´alculo, PROFMAT, u.3, p.9).

Demonstrac¸ ˜ao. (a) Seja(xn)uma sequ ˆencia arbitr ´aria de elementos deD\{a}tal que

lim

n→∞

xn =a. Como lim x→a

f(x) =l1, segue-se que lim

n→∞f(xn) =

l1 e, como lim

x→ag(x) = l2, segue que lim

n→∞g(xn) =

l2. Pelo Teorema 3.4, obtemos lim

n→∞(f+g)(xn) = limn→∞(f(xn) + g(xn)) = lim

n→∞

f(xn) + lim

n→∞g(xn) =

l1+l2. Portanto, pela definic¸ ˜ao de limite, lim

x→a(f+g)(x) =

l1+l2, como hav´ıamos afirmado.

(b) De fato, seja (xn) uma sequ ˆencia arbitr ´aria de elementos de D\{a} tal que

lim

n→∞

xn =a. Como lim x→a

f(x) =l1, segue-se que lim

n→∞

f(xn) = l1 e, comoxlim →a

g(x) = l2, segue que lim

n→∞g(xn) =

l2. Pelo Teorema 3.5, obtemos lim

n→∞(f g)(xn) = limn→∞(f(xn)g(xn)) = ( lim

n→∞

f(xn))( lim

n→∞g(xn)) =

l1l2. Portanto, pela definic¸ ˜ao de limite, lim

x→a(f g)(x) = l1l2.

(c) A demonstrac¸ ˜ao deste item ´e an ´aloga `as dos itens anteriores, lembrando que dever ´a ser usado o Corol ´ario 3.1. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.3, p.10).

Corol ´ario 3.2. Sejamf, g :DRcomo no enunciado do Teorema 3.10. (a) Sec∈R, ent ˜ao lim

x→a

cf(x) =clim

x→a

f(x) = cl1.

(b) lim

x→a

(26)

Demonstrac¸ ˜ao. (a) Aplique o item (b) do Teorema 3.10 com g(x) = c a func¸ ˜ao constante.

(b) Observe que lim

x→a

(f(x)−g(x)) = lim

x→a

[f(x) + (−g(x))] e aplique a esta ´ultima express ˜ao os itens (a) do Teorema 3.10 e do presente corol ´ario. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.3, p.10).

Antes de definirmos a derivada de uma func¸ ˜ao faz-se necess ´ario definirmos quando

uma func¸ ˜ao ´e cont´ınua em um dado ponto de seu dom´ınio e quando uma func¸ ˜ao ´e dita

cont´ınua. As definic¸ ˜oes a seguir tratam deste t ´opico.

3.2 Limites e Continuidade

Definic¸ ˜ao 3.3. Sejam f :D →Ruma func¸ ˜ao definida no dom´ınioD ∈Re a ∈D, um ponto tal que todo intervalo aberto contendoaintersectaD\{a}. Dizemos que a func¸ ˜ao

f ´e cont´ınua emase lim

x→a

f(x) =f(a). (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.7, p.3).

Definic¸ ˜ao 3.4. Sejaf :D→ R. Dizemos quef ´e cont´ınua sef for cont´ınua em todos os elementos deD. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.7, p.4).

Assim, por exemplo, podemos afirmar que toda func¸ ˜ao polinomial p : R → R ´e cont´ınua pois, pelo Teorema 3.9, temos lim

x→a

p(x) = p(a) para todo a ∈ R, isto ´e p ´e cont´ınua em todos os pontos de seu dom´ınio.

Os Teoremas, a seguir, e suas respectivas demonstrac¸ ˜oes tratam respectivamente

do Teorema do Valor Intermedi ´ario, da imagem de um intervalo e do Teorema de

Wei-erstrass e auxiliar ˜ao em nosso estudo sobre integral de uma func¸ ˜ao.

Teorema 3.11. Sejaf : [a, b]→Ruma func¸ ˜ao cont´ınua e sejadum n ´umero entref(a) ef(b). Ent ˜ao existe um n ´umero c∈ (a, b)tal quef(c) = d. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.8, p.5).

Demonstrac¸ ˜ao. Sem perda de generalidade, podemos supor que f(a) < d < f(b).

Al ´em disso, considerandog : [a, b]→Ra func¸ ˜ao definida porg(x) =f(x)−d, tamb ´em cont´ınua, observamos que basta demonstrar o teorema para o caso em que d = 0.

Logo, podemos supor quef(a) < 0 < f(b)e, portanto, queremos achar c ∈ (a, b) tal

quef(c) = 0.

A estrat ´egia que usaremos para achar esse n ´umero c ´e a seguinte: construiremos

duas sequ ˆencias mon ´otonas contidas em [a, b], portanto limitadas. Pela completude

dos n ´umeros reais, elas s ˜ao convergentes. Al ´em disso, a sequ ˆencia obtida tomando a dist ˆancia entre os seus termos, converge para zero. Portanto, elas convergem para um

(27)

Constru´ımos duas sequ ˆencias, (an)e (bn), da seguinte maneira: a1 = a e b1 = b. Sejam1 = a1+b1

2 , o ponto m ´edio do intervalo [a, b]. Apenas uma das tr ˆes possibilidades

pode ocorrer: f(m1) = 0, f(m1) < 0 ou f(m1) > 0. Caso f(m1) = 0. Neste caso, tomandoc=m1, o teorema est ´a demonstrado. Caso f(m1) <0. Neste caso, escolhe-mosa2 = m1 e b2 = b1. Isto ´e, estamos abandonando a primeira metade do intervalo

[a, b]. Veja na ilustrac¸ ˜ao a seguir.

Fonte:Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.8, p.15.

Casof(m1)>0. Neste caso, escolhemosa2 =a1 eb2 =m1. Isto ´e, abandonamos a outra metade do intervalo.

Fonte:Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.8, p.15.

Repetimos este processo fazendom2 = a2+b2

2 . Novamente, sef(m2) = 0, ent ˜ao o

resultado ´e verdadeiro. Sef(m2) < 0, escolhemosa3 = m2 e b3 = b2. Se f(m2)> 0, escolhemosa3 =a2 eb3 =m2.

Prosseguindo desta forma, ou obtemos uma soluc¸ ˜ao def(x) = 0, como algum ponto m ´edio dos subintervalos, ou produzimos duas sequ ˆencias mon ´otonas,(an)e (bn), tais que para todo n ´umeron∈N,

•an≤an+1 ebn ≥bn+1;

•bn−an = b1−a1 2n ; •f(an)<0e f(bn)>0.

A primeira afirmac¸ ˜ao, mais o fato de todos os elementos das duas sequ ˆencias

es-tarem contidos no intervalo[a, b], pelo Teorema 3.3, implicam que as duas sequ ˆencias convergem. Sejamliman=c1elimbn =c2. A segunda afirmac¸ ˜ao garante quec1 =c2. De fato,c2−c1 = limbn−liman = lim(bn−an) = 0.

Logo, c1 = c2. Chamaremos esse n ´umero de c. Este ´e o candidato `a soluc¸ ˜ao de

f(x) = 0. Para mostrar isso, usamos a hip ´otese da continuidade. Como f ´e cont´ınua,

limf(an) = limf(bn) = f(c). A terceira afirmac¸ ˜ao garante, pelo Teorema 3.8, que

limf(an) = f(c) ≤ 0 e limf(bn) = f(c) ≥ 0. Portanto, f(c) = 0. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.8, p.15-16).

Teorema 3.12. Sejaf :I →Ruma func¸ ˜ao cont´ınua definida em um intervaloI. Ent ˜ao,

(28)

Demonstrac¸ ˜ao. Na verdade, vamos mostrar que a imagem f(I), do intervalo I por f

possui a seguinte propriedade: se α e β s ˜ao elementos de f(I), ent ˜ao o intervalo de

extremosα e β est ´a contido emf(I). Esta caracterizac¸ ˜ao dos subconjuntos deRque s ˜ao intervalos ´e bastante intuitiva e poderia ser demonstrada rigorosamente usando a completude deR. Note que estamos considerando todos os tipos de intervalos, inclusive

Re{a}= [a, a].

Vamos aos detalhes. Sef ´e constante,f(I)reduz-se a um conjunto com um ´unico

elemento. Vamos ent ˜ao suporfn ˜ao constante e sejamαeβelementos def(I). Ent ˜ao,

existem a e b em I tais que f(a) = α e f(b) = β. Suponhamos, sem perder em

generalidade, quea < b. Aqui usamos a hip ´otese deI ser um intervalo: [a, b] → I. A

func¸ ˜aof, cont´ınua emI, quando restrita a [a, b], ainda ´e uma func¸ ˜ao cont´ınua. Agora,

suponhaγ um elemento qualquer entre αe β. Portanto,γ ´e um elemento entref(a)e

f(b)e, pelo Teorema do Valor Intermedi ´ario aplicado af restrita `a[a, b], existec∈[a, b]

tal quef(c) =γ. Isso quer dizer que todos os elementos entreαeβ s ˜ao elementos de

f(I), ou seja,[α, β]⊂f(I). (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.8, p.6).

Teorema 3.13. Seja f : [a, b] R uma func¸ ˜ao cont´ınua definida no intervalo [a, b],

fechado e limitado da reta. Ent ˜ao, existem n ´umerosce d, contidos em [a, b], tais que,

para todo x ∈ [a, b], f(c) ≤ f(x) ≤ f(d). (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.8,

p.9).

Demonstrac¸ ˜ao. Vamos mostrar que a imagem de [a, b]porf ´e um intervalo fechado

e limitado [C, D]. J ´a sabemos que f([a, b]) = I, um intervalo. Se f for constante,

I = [C, C] ={C}. Vamos supor quef n ˜ao ´e constante.

Mostraremos inicialmente queI ´e um intervalo limitado. Suponhamos, por absurdo, que I n ˜ao seja limitado. Podemos ent ˜ao tomar (sem perda de generalidade) uma

sequ ˆencia(yn)de elementos deI, escolhendoy1um elemento qualquer deIe fazendo

yn = yn−1+ 1, para n ≥ 2. Ent ˜ao, limyn = +∞. Na verdade, qualquer subsequ ˆencia

(yn′)tamb ´em satisfaz a condic¸ ˜aolimyn′ = +∞.

Considere agora a sequ ˆencia (an)de elementos de [a, b], tal que f(an) = yn.

Apli-cando o Teorema 2.1, podemos considerar(an′), uma subsequ ˆencia mon ´otona de(an),

que tamb ´em ´e limitada, uma vez que seus elementos pertencem ao intervalo [a, b].

Pelo Teorema 3.3, da completude dos n ´umeros reais, essa subsequ ˆencia converge

para algum n ´umero em [a, b], digamos liman′ = l. A continuidade de f garante que

limyn′ = limf(an′) = f(l), que contradiz o fatolimyn′ = +∞. Logo, I ´e um intervalo limitado.

Vamos agora provar queI ´e fechado. Suponhamos queDseja o extremo superior

deI. Vamos mostrar que D ∈ f([a, c]). A estrat ´egia ´e a mesma. Tomemos (zn)uma

sequ ˆencia de elementos distintos deI, tal quelimzn = D. Podemos considerar, por

exemplo,z1 um elemento deIe, portanto,z1 < D. Definazn= D−zn1

(29)

Agora, seja(bn)a sequ ˆencia de elementos de[a, b]tal quef(bn) =zn. Escolha uma

subsequ ˆencia (bn′) mon ´otona e limitada, portanto convergente. Digamos limbn′ = d.

A continuidade de f garante que limf(bn′) = f(d) = lim(zn′) = D. Isto prova que

D ∈ I = f([a, b]). Analogamente, prova-se que C, o extremo inferior do intervalo I,

tamb ´em pertence aI. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.8, p.17).

4 DERIVADAS

Vamos agora definir a derivada de uma func¸ ˜ao. Para isto, dada uma curva do R2

denomina-se coeficiente angular ou inclinac¸ ˜ao da reta secante `a curva, passando pelos

pontosP = (x0, f(x0))eQ= (x1, f(x1))desta, a raz ˜ao f(x1) −f(x0)

x1−x0 =

f(x0+h)−f(x0)

h , onde

h=x1−x0.

Com base no conceito de inclinac¸ ˜ao de uma reta e na express ˜ao do limite de uma func¸ ˜ao, poderemos a seguir tratar da definic¸ ˜ao de derivada de uma func¸ ˜ao e dar

interpre-tac¸ ˜ao geom ´etrica `a mesma.

Definic¸ ˜ao 4.1. A derivada de uma func¸ ˜aoy = f(x)definida em um intervalo abertoI

em um pontox0 ∈ I ´e dada por f′(x0) = lim

h→0

f(x0+h)−f(x0)

h , caso este limite exista. Se

o limite existir a func¸ ˜aof ´e dita deriv ´avel em x0. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT,

u.9, p.4).

Definic¸ ˜ao 4.2. Sejaf uma func¸ ˜ao definida em um intervalo abertoI. Sef ´e deriv ´avel para todo ponto de seu dom´ınio, dizemos que a func¸ ˜ao ´e deriv ´avel e que a func¸ ˜aof′

:

I →Rque associa a cadax∈Io valorf′

(x) ´e a func¸ ˜ao derivada def. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.9, p.4).

Podemos ainda representar por dydx a derivada f′

(x) e por dydx|x=x0 a derivada da func¸ ˜ao f no ponto x0 de seu dom´ınio, ou seja, f′(x0). A definic¸ ˜ao, a seguir, mostra

que a derivada de uma func¸ ˜aof em um pontoP de abscissa x0 ´e a inclinac¸ ˜ao da reta

tangente `a curva, gr ´afico da func¸ ˜ao, no pontoP.

Definic¸ ˜ao 4.3. A reta tangente a uma curva que ´e gr ´afico de y = f(x) em um ponto

P = (x0, f(x0)) ´e a reta que passa porP e cujo coeficiente angular ´e dado porf′(x0) =

lim h→0

f(x0+h)−f(x0)

h , se o limite existir. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.9, p.8).

Por exemplo, as inclinac¸ ˜oes das retas tangentes aos gr ´aficos das func¸ ˜oes constante

(f : R → R, tendo-se f(x) = k, com k constante) e identidade (f : R → R, onde

f(x) = x), em um ponto qualquer P = (x, f(x)) de seus gr ´aficos, podem ser obtidas

como segue.

•f(x) =k ⇒f′

(x) = lim h→0

f(x+h)−f(x)

h = limh0

k−k

h = limh0 0

h = limh00 = 0; •f(x) =x⇒f′

(x) = lim h→0

f(x+h)−f(x)

h = limh0

(x+h)−x

h = limh0 h

(30)

Uma observac¸ ˜ao importante ´e a de que uma func¸ ˜aof s ´o ´e deriv ´avel em um ponto

P = (x0, f(x0))de seu gr ´afico se os limites lim h→0

f(x0+h)−f(x0)

h ehlim 0+

f(x0+h)−f(x0)

h forem

iguais, ou seja, se a derivada da func¸ ˜aof for a mesma quando nos aproximamos dex0

pela esquerda (h→0−) ou pela direita (h→0+).

Os Teoremas e o Corol ´ario a seguir, com suas respectivas demonstrac¸ ˜oes tratam da

continuidade de uma func¸ ˜ao deriv ´avel, da derivada da soma, da derivada do produto,

da derivada do produto de uma constante por uma func¸ ˜ao e da derivada da diferenc¸a

aplicada a func¸ ˜oes.

Teorema 4.1. Sejaf um func¸ ˜ao definida em um intervalo abertoI. Sef ´e deriv ´avel em

x0 ∈Ient ˜aof ´e cont´ınua emx0. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.9, p.20).

Demonstrac¸ ˜ao. Temos que f(x0 +h)−f(x0) = f(x0+h) −f(x0)

h .h. Passando ao limite quandoh→0:

lim h→0

f(x0+h)−f(x0) = lim h→0

f(x0+h)−f(x0)

h .hlim0h.

Maslim h→0

f(x+h)−f(x)

h =f

(x)e lim h→0

h= 0. Logolim h→0

f(x0+h)−f(x0) = f′(x).0 = 0, o que mostra quef ´e cont´ınua emx0. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.9, p.20).

A prova e o Teorema a seguir tratam da derivada da soma de duas func¸ ˜oes.

Demonstrac¸ ˜ao. Vamos provar que a derivada da soma de duas func¸ ˜oes ´e a soma das

derivadas das func¸ ˜oes. Sejamf(x)eg(x)duas func¸ ˜oes reais. Ent ˜ao

(f +g)(x+h)−(f+g)(x) = f(x+h) +g(x+h)−(f(x) +g(x))

= (f(x+h)−f(x)) + (g(x+h)−g(x)).

Portanto,

(f+g)′

(x) = lim h→0

(f +g)(x+h)−(f +g)(x)

h

= lim h→0

(f(x+h)−f(x)) + (g(x+h)−g(x))

h

= lim h→0

f(x+h)−f(x)

h + limh→0

g(x+h)−g(x)

h =f

(x) +g′ (x),

caso os limites envolvidos existam. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.10,

p.2-3).

Teorema 4.2. Sejamf egduas func¸ ˜oes definidas em um intervalo abertoI. Se as duas

func¸ ˜oes forem deriv ´aveis emx0 ∈I, ent ˜ao a func¸ ˜ao somaf+g ´e deriv ´avel emx0e vale que(f+g)′

(x0) =f′

(x0) +g′

(x0). (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.10, p.3).

(31)

Demonstrac¸ ˜ao. Vamos obter uma f ´ormula para a derivada do produto de duas func¸ ˜oes

(f g)(x) =f(x)g(x). Observe inicialmente que:

f(x+h)g(x+h)−f(x)g(x) =f(x+h)g(x+h)−f(x)g(x+h) +f(x)g(x+h)−f(x)g(x)

em que simplesmente somamos e subtra´ımos na express ˜ao a parcela f(x)g(x+h). Reagrupando a express ˜ao:

f(x+h)g(x+h)−f(x)g(x) = f(x+h)g(x+h)−f(x)g(x+h) +f(x)g(x+h)

−f(x)g(x)

= (f(x+h)−f(x))g(x+h) +f(x)(g(x+h)−g(x)).

Dividindo a express ˜ao porhe passando ao limiteh→0, obtemos:

lim

h→0

f(x+h)g(x+h)−f(x)g(x)

h = limh0

(f(x+h)−f(x))

h g(x+h) + limh0f(x)

(g(x+h)−g(x))

h

= (lim

h→0

(f(x+h)−f(x))

h )g(x) +f(x)(limh0

(g(x+h)−g(x))

h ).

Observe que no desenvolvimento acima usamos as propriedades do limite da soma

e do produto, estudados anteriormente. Usamos tamb ´em a continuidade da func¸ ˜aog,

assegurada pelo Teorema 4.1 para o caso em queg ´e deriv ´avel. Os limites na ´ultima

equac¸ ˜ao acima s ˜ao, supondof e g deriv ´aveis, respectivamente, os valores de f′ (x)e

g′

(x). Provamos, portanto, a seguinte proposic¸ ˜ao. (Fundamentos de C ´alculo, PROF-MAT, u.10, p.4).

Teorema 4.3. Sejamf egduas func¸ ˜oes definidas em um intervalo abertoI. Se as duas

func¸ ˜oes forem deriv ´aveis emx0 ∈ I, ent ˜ao a func¸ ˜ao produto(f g)(x) ´e deriv ´avel em x0

e vale que(f g)′

(x0) = f′(x0)g(x0) +f(x0)g′(x0). (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT,

u.10, p.5).

Corol ´ario 4.1. Se k ´e uma constante e f uma func¸ ˜ao deriv ´avel ent ˜ao (kf)

= kf′

.

(Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.10, p.5).

Demonstrac¸ ˜ao. (kf)′

= (k)′

f+k(f)′

= 0.f+k.f′ =kf′

, em que usamos o fato de que a derivada da constante ´e zero. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.10, p.5).

Corol ´ario 4.2. Sef eg s ˜ao func¸ ˜oes deriv ´aveis ent ˜ao(f −g)′ =f′−g′.

Demonstrac¸ ˜ao. (f −g)′ = (f + (−g))′ = f′+ (−g)′ = f′ + (−g′) = f′ −g′, em que

usamos o Teorema 4.2 e o Corol ´ario 4.1.

As proposic¸ ˜oes a seguir, tratam da derivada da pot ˆencia aplicada a func¸ ˜oes, da

definic¸ ˜ao de valores m ´aximos e m´ınimos absolutos de uma func¸ ˜ao, e da definic¸ ˜ao e

(32)

Teorema 4.4. A func¸ ˜aof(x) = xn

´e deriv ´avel para todo x∈ Rsen ≥0e [...]f′ (x) = (xn

)′

=nxn−1

(Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.10, p.7).

Demonstrac¸ ˜ao. Sen = 0o resultado se segue imediatamente, poisx0

= 1, cuja deri-vada ´e 0. Provaremos o cason >0por induc¸ ˜ao. Vale para n= 1, pois

f(x) = x1 =x⇒f′

(x) = 1 = 1.x1−1.

Suponha que o resultado vale para n = k, ou seja, f(x) = xk

´e deriv ´avel e f′ (x) =

kxk−1

, ent ˜ao, aplicando a regra do produto, temos queg(x) =xk+1

=x.xk

´e deriv ´avel e

(xk+1 )′

= (x.xk )′

=x′

xk

+x.(xk )′

=xk

+kxxk−1 =xk

+kxk

= (k+1)xk

, o que completa

a prova do cason >1.[...](Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.10, p.8).

Definic¸ ˜ao 4.4. Um func¸ ˜aof : D → Rtem m ´aximo absoluto emcsef(x) ≤ f(c)para todoxno dom´ınioDdef. Neste caso, o valor f(c) ´e chamado valor m ´aximo def em

D. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.13, p.2).

Definic¸ ˜ao 4.5. Um func¸ ˜ao f : D → Rtem m´ınimo absoluto em csef(x) ≥ f(c) para todoxno dom´ınio Dde f. Neste caso, o valor f(c) ´e chamado valor m´ınimo def em

D. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.13, p.2).

Definic¸ ˜ao 4.6. Uma func¸ ˜ao tem m ´aximo local (ou m ´aximo relativo) em um ponto c de seu dom´ınio, se existe intervalo abertoI, tal quec ∈ I e f(x) ≤ f(c)para todo x ∈ I.

Neste caso, dizemos que f(c) ´e valor m ´aximo local de f. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.13, p.4).

Definic¸ ˜ao 4.7. Uma func¸ ˜ao tem m´ınimo local (ou m´ınimo relativo) em um ponto c de seu dom´ınio, se existe intervalo abertoI, tal quec ∈ I e f(x) ≥ f(c)para todo x ∈ I.

Neste caso, dizemos que f(c) ´e valor m´ınimo local de f. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.13, p.4).

Teorema 4.5. Sejaf :I →Ruma func¸ ˜aof cont´ınua definida em um intervalo abertoI. Sef tem m ´aximo ou m´ınimo local emx=c,c∈Ief ´e deriv ´avel emcent ˜aof′

(c) = 0. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.13, p.7).

Demonstrac¸ ˜ao. Suponha quef tenha um m ´aximo local emx= c. A prova do caso em

quef tem m´ınimo local emc ´e totalmente an ´aloga.

Comof ´e deriv ´avel emc, ent ˜ao

lim x→c−

f(x)−f(c)

x−c = limx→c+

f(x)−f(c)

x−c = limx→c

f(x)−f(c)

x−c =f

′ (c).

Comof(c) ´e m ´aximo local, h ´a um intervalo(a, b)no dom´ınio def tal quec∈(a, b)

(33)

Sex < cent ˜aox−c <0e, portanto f(xx)−cf(c) ≥0parax∈(a, b), logo

lim x→c−

f(x)−f(c)

x−c ≥0. (I)

Por outro lado,x > cent ˜aox−c >0e, portanto, f(xx)−cf(c) ≤0parax∈(a, b), logo

lim x→c+

f(x)−f(c)

x−c ≤0. (II)

Comparando as desigualdades(I)e(II), e levando em conta que s ˜ao o mesmo n ´umero, resulta

lim x→c

f(x)−f(c) x−c =f

(c) = 0.

(Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.13, p.7).

As proposic¸ ˜oes, a seguir, tratam do Teorema de Rolle e do Teorema do Valor M ´edio.

Teorema 4.6. Se f : [a, b]R ´e cont´ınua em [a, b] e deriv ´avel no intervalo aberto (a, b) e f(a) = f(b) ent ˜ao existe pelo menos um n ´umero c ∈ (a, b) tal que f′

(c) = 0. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.13, p.14).

Demonstrac¸ ˜ao. Pelo Teorema de Weierstrass, a func¸ ˜aofcont´ınua em[a, b]possui valor m ´aximo e m´ınimo no intervalo. SejammeM os valores de m´ınimo e m ´aximo absolutos de f em [a, b], respectivamente. Se estes valores s ˜ao assumidos nos extremos do intervalo, por exemplo, f(a) = m e f(b) = M, ent ˜ao, como f(a) = f(b)por hip ´otese, o m´ınimo e o m ´aximo da func¸ ˜ao s ˜ao o mesmo valor e, portanto, a func¸ ˜ao ´e constante

em todo o intervalo. Como a derivada da func¸ ˜ao constante ´e nula, temosf′

(c) = 0para todoc∈(a, b), o que prova o Teorema de Rolle neste caso.

Caso o m´ınimo ou m ´aximo absoluto da func¸ ˜ao n ˜ao estejam nos extremos do

inter-valo, ent ˜ao h ´a um pontocno intervalo aberto(a, b)tal quef(c) ´e m ´aximo ou m´ınimo de f. Ent ˜aoc ´e extremo local defe, pelo Teorema 4.5, comof ´e deriv ´avel em(a, b)temos f′

(c) = 0, o que conclui a demonstrac¸ ˜ao. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.13, p.14-15).

Teorema 4.7. Seja f uma func¸ ˜ao cont´ınua no intervalo [a, b] e deriv ´avel no intervalo aberto(a, b). Ent ˜ao existe pelo menos um n ´umero c ∈ (a, b) tal que f′

(c) = f(b)−f(a)

b−a . (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.13, p.17).

Demonstrac¸ ˜ao.Para aplicar o Teorema de Rolle, faremos uso de uma func¸ ˜aog, definida

a partir de f e tal que g(a) = g(b). Seja a func¸ ˜ao g : [a, b] → R definida por g(x) = f(x)−f(b)baf(a)x. Ent ˜aog ´e cont´ınua em[a, b]e deriv ´avel em(a, b). Al ´em disso:

g(a) =f(a)− f(b)bfa(a)a= bf(a)−af(b)

b−a eg(b) =f(b)−

f(b)−f(a)

b−a b=

bf(a)−af(b)

(34)

Logo,g(a) =g(b). Podemos ent ˜ao aplicar o Teorema de Rolle parage concluir que

existe umc∈(a, b)tal queg′

(c) = 0. Masg′

(x) = f′

(x)− f(b)bf(a)a . Logo,g′

(c) = 0 ⇒f′

(c) = f(b)−f(a)

b−a , o que completa a demonstrac¸ ˜ao do Teorema do

Valor M ´edio. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.13, p.17).

Finalizamos nosso estudo te ´orico com o conceito de integral de um func¸ ˜ao, onde

abordaremos o c ´alculo da ´area de uma superf´ıcie e o c ´alculo do volume de um s ´olido.

O Teorema, sua demonstrac¸ ˜ao e as definic¸ ˜oes, a seguir, tratam da partic¸ ˜ao de um

inter-valo, da norma de uma partic¸ ˜ao, da soma de Riemann e da integral definida.

5 INTEGRAIS

Definic¸ ˜ao 5. 8. Se f ´e uma func¸ ˜ao cont´ınua definida em a ≤ x ≤ b, dividimos o intervalo [a, b] em n subintervalos de comprimentos iguais ∆x = (b −a)/n. Sejam

x0(=a), x1, x2, . . . , xn(=b)as extremidades desses subintervalos, escolhemos os pon-tos amostrais x∗

1, x ∗ 2, . . . , x

n nesses subintervalos, de forma que x ∗

i esteja no i- ´esimo

subintervalo[xi−1, xi]. Ent ˜ao a integral definida def deaa b ´e

Z b

a

f(x)dx= lim n→∞

n

X

i=1 f(x∗

i)∆x

desde que este limite existia. Se ele existir, dizemos que f ´e integr ´avel em [a, b].

(STEWART, 2011, p.376).

Teorema 5.8. Dada uma func¸ ˜ao f : [a, b] → R cont´ınua, existem duas func¸ ˜oes f+ : [a, b]→Ref− : [a, b]→R, ambas cont´ınuas, tais quef(x) =f+(x) +f−(x),f+(x)≥0

ef−(x)≤0, para todox∈[a, b]. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.17, p.11).

Demonstrac¸ ˜ao. Basta escreverf+(x) = f(x), sef(x) ≥ 0e f+(x) = 0, sef(x) < 0,

assim como f−(x) = f(x), se f(x) ≤ 0 e f−(x) = 0, se f(x) > 0. Se f(x) ≥ 0

temos lim

x→af+(x) = limx→af(x) = f(a) = f+(a), poisf ´e cont´ınua, e sef(x) < 0 ent ˜ao lim

x→af+(x) = limx→a0 = 0 = f+(a), portanto a func¸ ˜ao f+ ´e cont´ınua. A demonstrac¸ ˜ao

de que a func¸ ˜aof− ´e cont´ınua ´e an ´aloga. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.17,

p.12).

Definic¸ ˜ao 5.9. No caso def : [a, b] →R ser uma func¸ ˜ao tal quef(x) ≤ 0, para todos os elementosx ∈ [a, b], tomamos g = −f e definimos Rabf(x)dx := −Rabg(x)dx. No

caso geral, definimos Z b

a

f(x)dx=

Z b

a

f+(x)dx+

Z b

a

f−(x)dx.

(35)

Definic¸ ˜ao 5.10. Sejaf : [a, b]→ Ruma func¸ ˜ao cont´ınua. ´E conveniente convencionar as seguintes afirmac¸ ˜oes:

1.Sejacum ponto de[a, b]. Ent ˜aoRccf(x)dx= 0. 2.Rabf(x)dx =−

Ra

b f(x)dx. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.17, p.12-13).

Os Teoremas e a definic¸ ˜ao, a seguir, tratam de algumas propriedades da integral

definida, da primitiva de uma func¸ ˜ao e do Teorema Fundamental do C ´alculo.

Teorema 5.9. Seja f : I → Ruma func¸ ˜ao cont´ınua definida em intervalo I. Sea,b e c∈I, ent ˜aoRb

a f(x)dx= Rc

a f(x)dx+ Rb

c f(x)dx. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.17, p.16).

Demonstrac¸ ˜ao. Consideremos inicialmente a possibilidade a < c < b. Neste caso,

[a, c]∪[c, b] = [a, b]Ie as restric¸ ˜oes def a cada intervalo mencionado ´e uma func¸ ˜ao cont´ınua. A propriedade segue do fato de que, seP ´e uma partic¸ ˜ao de[a, c]e Q ´e uma

partic¸ ˜ao de[c, b], ent ˜aoP ∪Qser ´a uma partic¸ ˜ao de[a, b]. O resultado ent ˜ao seguir ´a da

propriedade do limite sobre as partic¸ ˜oes.

Veja uma representac¸ ˜ao gr ´afica desta situac¸ ˜ao.

Fonte:Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.17, p.16.

Nos casos de ccoincidir com a ou com b ou se uma das situac¸ ˜oes, c < a < b ou

a < b < cocorrer, basta lembrar que Rccf(x)dx = 0 e queRacf(x)dx = −Ra

c f(x)dx. (Fundamentos de C ´alculo, PROFMAT, u.17, p.16).

Teorema 5.10. Sejamf, g : [a, b]→Rfunc¸ ˜oes cont´ınuas,kRuma constante. Ent ˜ao

(i)

Z b

a

(f+g)(x)dx =

Z b

a

f(x)dx+

Z b

a

g(x)dx;

(ii)

Z b

a

kf(x)dx = k Z b

a

f(x)dx.

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