Gonçalo Rodrigues Lopes
Reabilitação operacional dos ROV EOD no DMS1
Estudo de Recuperação e Projeto de ROV EOD
Dissertação para obtenção do grau de Mestre em Ciências Militares Navais, na
especialidade de Marinha
Gonçalo Rodrigues Lopes
Reabilitação operacional dos ROV EOD no DMS1 Estudo de recuperação e projeto de ROV EOD
Dissertação para obtenção do grau de Mestre em Ciências Militares Navais, na especialidade de Marinha
Orientação de: Engenheiro Vítor Sousa Lobo
Coorientação de:1TEN STU Rodrigues Barroso
O Aluno Mestrando O Orientador O Coorientador
_______________________________________________________________________ [Rodrigues Lopes] [Vítor Sousa Lobo] [Rodrigues Barroso]
Não ataqueis de frente as posições que podeis conquistar envolvendo-as
V
DEDICATÓRIA
AGRADECIMENTOS
Nesta secção pretendo agradecer ao meu Coorientador pelo auxílio na elaboração desta dissertação de mestrado conseguindo indicar-me sempre o melhor rumo a seguir. A disponibilidade do Sr. Comandante CFR EN-MEC Ribeiro Correia para ensinar e dedicação ao projeto que iniciei.
Não deixar de realçar a colaboração e disponibilidade demonstrados pelos meus camaradas de curso da classe EN-AEL que no seu tempo livre me transmitiram ideias e conselhos. A também disponibilidade da Esquadrilha de Submarinos, da parte da Escola de Mergulhadores ao autorizarem a realização deste projeto, com base na plataforma do ROV EOD ai existente. Ao 2TEN Pessanha Santos, pelo contributo e empenho que teve em todo o processo na realização dos objetivos desta dissertação.
RESUMO
Em Portugal, nas áreas de responsabilidade da Marinha Portuguesa (terrestre e marítima), as operações de inativação de engenhos explosivos são conduzidas pelo Comando Naval ou Comandos de Zona (por delegação do Comando Naval) e a sua execução está a cargo das unidades de mergulhadores. Na organização interna do Agrupamento de Mergulhadores o Destacamento de Mergulhadores Sapadores Nº 1 é o responsável por manter equipas de prontidão e executar este tipo de operações.
Para a sua execução em segurança necessitam acima de tudo de meios e condições de segurança. A utilização de robôs, nesta área, é um ponto-chave no que se refere à segurança das equipas de inativação de engenhos explosivos. No final dos anos 80 dois robôs, existentes na Marinha Portuguesa e entregues à Esquadrilha de Submarinos, encontram-se inoperacionais e sem utilização por não cumprirem as tarefas para as quais foram construídos.
No decorrer deste projeto existirá um plano de recuperação da capacidade de operação remota com ROV, através da reparação de um dos robôs e posteriormente o delinear do projeto para a criação de novos robôs, que definirá as linhas bases da construção, para futura incorporação nos Destacamentos de Mergulhadores Sapadores.
Palavras-chave:
Veículos de Controlo Remoto – ROV;
Inativação de Engenhos Explosivos – IEE (EOD);
Mergulhadores Sapadores;
Robótica;
ABSTRACT
In Portugal, in the Portuguese Navy areas of responsibility (land and sea), the Explosive Ordnance Disposal operations are conducted by the Naval Command or Maritime Zone Commands (by delegation from the Naval Command) and its execution is in charge of the Divers Units. In the Divers Group internal organization, the Sapper-Divers Detachment Nº 1 is the responsible for maintaining readiness teams and perform such operations.
For a safety running execution they need above all means and safety conditions. The use of robots in this area is a key point for regarding the safety of explosive ordnance disposal teams. In the late 80s that two robots, in the Portuguese Navy and delivered to the Submarines Squadron for use of the Divers Units, are inoperative and therefore unused for not complying with the tasks for which they were made.
During this project there was the built up of a plan for the recovery of remote operation capability with this robots, through the repair of one of the robots and then the outline of the project to create new robots, which define the baselines building for future incorporation in Sapper-Divers Detachments.
KEYWORDS:
Remotely Operated Vehicles - ROV;
Explosive Ordnance Disposal – EOD;
Sapper-Divers
Robotics
ÍNDICE
DEDICATÓRIA ... V
AGRADECIMENTOS ... VII
RESUMO... IX
ABSTARCT ... XI
LISTA DE ACRÓNIMOS E SIGLAS ... XIX
LISTAS DE ABREVIATURAS ... XXIII
ÍNDICE DE FIGURAS ... XXV
ÍNDICE DE TABELAS ... XXVII
INTRODUÇÃO ... 1
Justificação do tema ... 1
Objetivos ... 2
Metodologia ... 3
1. CORPO DE CONCEITOS E ENQUADRAMENTO ... 7
1.1 Corpo de conceitos ... 7
1.1.1Engenhos Explosivos – EO, UXO e IED ... 8
1.1.1.1 EO - Explosive Ordnance ... 8
1.1.1.2 UXO - Unexploded Ordnance ... 9
1.1.1.3 IED - Improvised Explosive Device ... 10
1.1.2Inativação de Engenhos Explosivos - EOD, EOR e IEDD ... 12
1.1.2.1 EOD - Explosive Ordnance Disposal ... 12
1.1.2.2 EOR - Explosive Ordnance Recconaissance ... 14
1.1.2.3 IEDD – Improvised Explosive Device Disposal ... 14
1.1.3ROV - Remotely Operated Vehicles ... 15
1.1.3.1 Plataforma ... 16
1.1.3.2 Braço manipulador ... 17
RESERVADO
1.2 Enquadramento ... 19
1.2.1Histórico ... 19
1.2.2Portugal e as ameaças atuais ... 21
1.2.3Organização EOD na Marinha Portuguesa ... 21
1.2.3.1 Áreas de responsabilidade: ... 21
1.2.3.2 Responsabilidade pela condução e execução das operações: 22 1.2.4Congéneres noutras Forças em Portugal ... 23
1.2.4.1 Exército: ... 23
1.2.4.2 Força Aérea Portuguesa (FAP): ... 24
1.2.4.3 Guarda Nacional Republicana (GNR) ... 25
1.2.4.4 Polícia de Segurança Pública (PSP): ... 25
2. A DOUTRINA, OS PRINCÍPIOS E A FILOSOFIA DAS OPERAÇÕES EOD APLICADA AOS ROV ... 27
2.1 Doutrina ... 27
2.1.1EOD ... 27
2.1.2IEDD ... 31
2.1.3CBRN EOD ... 33
2.2 Princípios e Filosofia de operação ... 34
2.2.1EOD ... 34
2.2.2IEDD ... 35
2.2.3CBRN EOD ... 37
2.2.4Remotely Operated Vehicles– ROV ... 38
3. ESTADO DA ARTE ... 41
3.1 Modelos de ROV EOD ... 42
3.1.1Quinetiq ... 42
3.1.1.1 Dragon Runner 10 ... 43
3.1.1.3 Talon ... 44
3.1.2Remotec Uk ... 45
3.1.2.1 Wheelbarrow MK9 ... 45
3.1.3Allen Vanguard ... 46
3.1.3.1 Defender Bombtech ... 47
3.1.3.2 Vanguard MKII ... 48
3.1.4Cobham ... 49
3.1.4.1 Teodor ... 49
3.1.4.2 Telemax ... 50
3.1.5Irobot ... 51
3.1.5.1 110 FristLook ... 52
3.1.5.2 510 Packbot... 53
3.1.5.3 710 Kobra ... 54
3.2 Tipos de construção ... 55
3.2.1Reconhecimento ... 56
3.2.2Inativação de engenhos explosivos ... 56
3.2.2.1 Ligeiros ... 56
3.2.2.2 Pesados ... 56
4. REQUISITOS OPERACIONAIS ... 57
4.1 Requisitos da Doutrina... 57
4.2 Condições de Operação ... 58
4.3 Características ROV EOD ... 58
4.3.1Velocidade ... 59
4.3.2Agilidade ... 60
4.3.3Unidade de controlo ... 61
4.3.4Obtenção de imagens ... 62
RESERVADO
4.3.6Ferramentas ... 63
4.3.7Dimensões ... 64
4.3.8Outros ... 65
5. RECUPERAÇÃO OPERACIONAL DO ROV HUNTER ... 67
5.1 Testes Iniciais ... 67
5.1.1Componentes Operacionais ... 69
5.1.2Componentes Inoperacionais ... 70
5.2 Comando e controlo do ROV ... 71
5.2.1Unidade de controlo e comunicação ... 72
5.2.2Eletrónica de comando de 5V ... 73
5.2.3Eletrónica de controlo de potência ... 75
5.3 Objetivos da recuperação ... 76
5.3.1Análise de resultados dos testes ao ROV Hunter ... 77
5.3.2Aquisições... 78
5.3.3Atualizações e Melhoramentos ... 79
6. CONCLUSÃO ... 81
6.1 Analise Sumária do trabalho desenvolvido ... 81
6.2 Recomendações e Sugestões de trabalhos futuros ... 83
7. BIBLIOGRAFIA ... 85
APÊNDICES ... 89
Apêndice A - Entrevista ao Comandante do Destacamento de Mergulhadores Sapadores Nº1 ... 89
Apêndice B - Entrevista ao Chefe do Departamento de Formação de Inativação de Engenhos Explosivos - Escola de Mergulhadores . 97 Apêndice C – Sistemas de comando e controlo do ROV Hunter, após recuperação ... 105
Apêndice D – Programação em Arduino ... 111
CÓDIGO ... 113
Apêndice E – ROV Hunter (estrutura e componentes)... 119
Apêndice F – Informação Técnica dos ROV EOD estudados ... 125
QINETIQ ... 125
ANEXOS ... 147
Anexo A – Resenha Jornalística de incidentes com IED ... 147
Bomb Explodes on Tverskaya, Sapper Killed ... 147
Heroic bomb disposal cop killed by device he trying to disarm outside petrol station ... 151
Thai bomb disposal expert survives car blast ... 153
Anexo B – Artigo da revista National Defense Magazine ... 155
Bomb Squad Robots Taking Human Form ... 155
Anexo C – Artigos sobre ROV EOD de forças EOD portuguesas ... 157
Abertura e destruição de contentores com materiais industriais perigosos - RE1 ... 157
Porto de Setúbal realizou exercício de proteção... 159
LISTA DE ACRÓNIMOS E SIGLAS
AAP - Allied Administrative Publication
AEODP –Allied Explosive Ordnance Disposal Publication APA –American Psychological Association Publication Style
ATP - Allied Tactical Publication
C2 –Comando e Controlo
CBRN –Chemical, Biological, Radiological and Nuclear C-IED –Counter-Improvised Explosive Device
CIESS –Centro de Inactivação de Explosivos e Segurança em Subsolo
CIEXSS –Centro de Inativação de Explosivos
CN –Comando Naval
CP –Contact Point
CTSFA –Centro de Treino de Sobrevivência da Força Aérea
CWIED –Command Wire Improvised Explosive Device CZM –Comandos de Zona Marítima
DIVOPS– Divisão de Operações
DMS –Destacamentos de Mergulhadores Sapadores
DMS1 –Destacamento de Mergulhadores Sapadores Nº 1
DMS3 –Destacamento de Mergulhadores Sapadores Nº 3
ECM –Electronic Counter-Measures EEC –Engenho Explosivo Convencional
EED –Electro-explosive devices EEI –Engenho Explosivo Improvisado
EIEEX –Equipas de Inactivação de Engenhos Explosivos
EMA –Estado-Maior da Armada
EO –Explosive Ordnance
EODT –Explosive Ordnance Disposal Team EOR –Explosive Ordnance Reconnaissance ERW –Explosive Remnants of War
EUA –Estados Unidos da América
FAP –Força Aérea Portuguesa
FR –Firing Point
GNR –Guarda Nacional Republicana
HME –Home-Made Explosive IED –Improvised Explosive Device
IEDD –Improvised Explosive Device Disposal
IEE – Inativação de Engenhos Explosivos
IEEC – Inativação de Engenhos Explosivos Convencionais
IEEI – Inativação de Engenhos Explosivos Improvisados
IR –InfraRed
IRB –Irish Republican Brotherhood
MCM –Mine Counter-Measures / Minas e Contramedidas
MP – Marinha Portuguesa
NATO –North Atlantic Treaty Organization NIR –Near IR
NSA -NATO Standardization Agency
NSO –NATO Standardization Office P/T –Pan/Til
PSP –Policia de Segurança Pública
RCIED –Radio Control Improvised Explosive Device REE –Reconhecimento de Engenhos Explosivos
ROV –Remotely Operated Vehicles RSP –Render-Safe Procedures
STANAG –Standardization Agreement
TTP –Tactics, techniques and procedures / Táticas, Técnicas e Procedimentos
LISTAS DE ABREVIATURAS
°
–
graus
cm
–
centímetro
ed.
–
edição
etc.
–
e outros (coisas)
ex.
–
exemplo
h
–
hora
kg
–
quilograma
km/h
–
quilómetros por hora (velocidade)
m
–
metro
nº -
número
p.
–
página
pp.
–
páginas
ÍNDICE DE FIGURAS
ÍNDICE DE TABELAS
INTRODUÇÃO
Justificação do tema
Em Portugal, a Marinha Portuguesa é responsável pelo Reconhecimento e Inativação e de Engenhos Explosivos (REE e IEE) nas suas áreas de responsabilidade (terrestre e marítima) (IOA 109, 1995, p. 5), sendo que estes engenhos podem ser de origem convencional (fabricados em linhas de produção industriais) ou de origem improvisada (manufaturado) (IOA 107, 1996, p. 1 a 4).
Como se verá pela análise das publicações da North Atlantic Treaty Organization (NATO) que serviram de referências nesta dissertação, o elemento fundamental neste tipo de operações é a segurança, em primeiro lugar da vida humana, na qual se inclui a dos inativadores. Acima de tudo, a segurança consegue-se respeitando a doutrina e utilizando os equipamentos indicados para cada operação, assim a utilização de robôs nesta área é um ponto-chave no que se refere à segurança das equipas de reconhecimento e inativação de engenhos explosivos. Neste momento, dois dos robôs doàtipoà Remotely Operated Vehicles ROV à (AAP-15, 2015, pp. R-10) existentes na Marinha Portuguesa direcionados para a componente terrestre encontram-se inoperacionais e sem utilização por não cumprirem as suas funções.
Como será demonstrado, a inexistência desta capacidade é uma enorme lacuna no seio de qualquer equipa de reconhecimento e inativação de engenhos explosivos. A não operação com meios remotos, dependendo do cenário de operações,pode ser um fator que contribui de forma ativa para o aumento do risco de vida dos elementos envolvidos neste tipo operações, não se podendo garantir a execução das Táticas, Técnicas e Procedimentos (TTP) segundo os princípios e filosofia das operações com explosivos, emanadas da doutrina NATO, ratificada pela Marinha Portuguesa.1 A própria sensibilidade do tema, dentro da NATO, determina que a redação desta
1 A salvaguarda da vida humana e importância de meios remotos serão mais detalhadamente apontados
dissertação, de acordo com os padrões de segurança para a informação sobre inativação de engenhos explosivos, seja classificada, dado que aborda vulnerabilidades e/ou pontos fracos no que concerne a uma ferramenta especializada de inativação no âmbito dos engenhos explosivos improvisados, o que pode conduzir à ineficiência do sistema ou dar origem a contramedidas contra procedimentos das equipas de reconhecimento e inativação de engenhos explosivos (AEODP-12, 2015, pp. 2-7 e 2-8)2. Ainda de acordo com esta referência, o nível de classificação, é determinado e da responsabilidade do originador do documento.
Por esta razão é de todo pertinente e de extrema importância resolver o problema acima descrito, trazendo soluções e respostas de modo a que se restaure a capacidade de operação remota dos Destacamento de Mergulhadores Sapadores (DMS), nesta área das operações militares.
Dada a importância e urgência na resolução desta problemática identificaram-se à partida duas questões para análiidentificaram-se:
Q.1 - A curto prazo, como reerguer a capacidade de operação remota com ROV, na Marinha Portuguesa?
Q.2 - A médio/longo prazo, como reerguer a capacidade de operação remota com ROV, na Marinha Portuguesa?
Objetivos
A realização, desta dissertação e projeto, pretendeu ser um ponto de partida para a recuperação da capacidade de operação remota, recorrendo a ROV, na execução de operações de reconhecimento e inativação de engenhos explosivos, pelas equipas do Destacamento de Mergulhadores Sapadores Nº 1 (DMS1), da Marinha Portuguesa. Partindo das duas questões anteriormente identificadas, a investigação
2 .àVul e a ilitiesàa d/o à eak essesà o e i gàspe ializedàEODàtoolsào àte h i uesàthatà ouldàlead
to system ineffectiveness and countermeasures to EOD procedures when related to: …àààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààààà
pretendeu obter as respetivas respostas e algumas soluções técnicas, tendo sido dividida em duas partes, correspondentes às questões da investigação.
De forma a potencializar a rápida recuperação e operacionalização dos antigos ROV decidiu-se iniciar o trabalho pelo estudo das características pretendidas para os futuros ROV (1ª parte) e só então, dentro das possibilidades, realizar o projeto de recuperação (2ª parte) indo ao encontro dos requisitos delineados na 1ª parte, tendo em conta a viabilidade da reparação através dos estudos dos sistemas e as limitações físicas inerentes aos antigos ROV.
Assim nesta busca pela recuperação da capacidade de operação remota, partiu-se para o delimitar, delinear e identificar do rumo a partiu-seguir nos futuros projetos de construção e a rápida reoperacionalização dos antigos ROV, estabelecendo-se assim as hipóteses que dessem resposta às questões da investigação, e consequentemente à resolução do problema identificado:
H.1 - Efetuar a rápida recuperação e operacionalização dos antigos ROV, atualmente inoperacionais, permitindo de uma forma temporária colmatar a lacuna ao nível da capacidade de execução de ações remotas, pelo DMS1.
H.2 - Definir os Requisitos e Necessidades Operacionais que se deverão refletir na construção de futuros ROV, para o DMS1, que permitam reerguer desta capacidade vital.
Metodologia
prevista para os diplomas legais, nas normas da Escola Naval (DIREÇÃO DE ENSINO, 2015, p. 24 a 26).
A investigação foi desenvolvida na linha do método dedutivo, pressupondo o uso de premissas (neste caso emanadas da doutrina NATO) para, por intermédio de raciocínio em ordem descendente, de análise da doutrina geral para o caso particular dos ROV, chegar a uma conclusão sobre os requisitos a aplicar na recuperação e projeção de futuros robôs (SILVA & MENEZES, 2005).
Visou-se essencialmente gerar um conjunto de conhecimentos teóricos para aplicação prática e dirigidos à solução de um problema específico, devolver às equipas dos Mergulhadores Sapadores a capacidade de operar remotamente com ROV terrestre, incrementando grandemente a segurança dos inativadores de engenhos explosivos. Desta forma a metodologia desta investigação considera-seà Aplicada à quanto à sua natureza (SILVA & MENEZES, 2005).
A sequência de redação, deste relatório da dissertação, não será apresentada pela ordem cronológica da sua execução, será em vez disso, apresentada pela ordem do encadeamento das ideias, ou seja, começando pelo estudo teórico com obtenção de resultados (requisitos operacionais) e posteriormente aplicando-os à parte prática de recuperação dos robôs, ainda que a prática tenha começado a ser desenvolvida antes e tenha terminado após a parte teórica.
À data de início deste projeto os ROV encontravam-se na Esquadrilha de Submarinos sem utilização, fazendo parte de um espólio museológico. Com a autorização da Esquadrilha de Submarinos foi possível deslocar um dos robôs, o S.A. 100 Hunter, para o Departamento de AEL na Escola Naval e dar-se início à componente prática deste projeto.
alcançadas efetuou-se um estudo de viabilidade para a sua reparação e as decisões a tomar nesse âmbito.
Posteriormente deu-se início à parte da pesquisa teórica. Ao mesmo tempo que permitiu traçar a linha dos futuros ROV a construir, permitiu também ir alimentando a recuperação alicerçada nos requisitos operacionais possíveis de integrar no antigo ROV. A metodologia empregue no decurso da investigação obedeceu ao proposto por Sarmento (2008) e alicerçou-se em diversos métodos de recolha de dados. A análise documental foi o método de recolha de informação privilegiado nesta parte da investigação. Do ponto de vista dos objetivos foi realizada uma pesquisa Exploratória, abordada quantitativamente, utilizando as técnicas de levantamento bibliográfico/ documental sobre os temas que estão subordinados ao título. Desta parte da investigação resultaram a definição dos Requisitos Operacionais e o estudo do Estado da Arte (Indústria Robótica Móvel).
Realizaram-se ainda levantamentos/entrevistas junto de Oficiais Mergulhadores Sapadores, da Marinha Portuguesa, com experiência na área e que lidam com a problemática em estudo. Foram também analisadas algumas operações reais, de conhecimento público, de forma a estimular a compreensão sobre o impacto e a importância do estudo.
Após a definição teórica, a parte prática da dissertação encontrou base no método de observação direta, na realização de entrevistas e na recuperação do ROV existente, tendo em vista apurar a validade das hipóteses de investigação apresentadas. Através das entrevistas foram ainda recolhidas informações sobre as missões praticadas nos últimos anos, pelo DMS1, onde o empenhamento dos ROV era mais crítico e necessário, definindo-se desta forma quais seriam as Necessidades Operacionais.
FA SE A N A LÍ TI C A FA SE E X P LO R A TÓ R IA HIPOTESES:
H.1 - Efectuar rápida recuperação e operacionalização dos antigos ROV;
H.2 - Definir Requisitos e Necessidades Operacionais, para construção de futuros ROV EOD, na MP;
PROJECÃO DOS FUTUROS ROV EOD, A CONSTRUIR, NA MP
- Enquadramento (EOD) - Estado de Arte
Parte Prática
RÁPIDA RECUPERAÇÃO DO ANTIGO ROV EOD
Parte Teórica
- Necessidades DMS1 - Requisitos Operacionais - Análise missões reais - Missões DMS1
ESTUDO EXPLORATÓRIO DO ANTIGO ROV:
- Recuperação de algumas funções básicas do ROV;
- Conhecimento dos sistemas e funcionamento.
PROBLEMA:
-Inexistência de ROV EOD na MP;
-Inexistência capacidade de operação remota; -Aumento do risco de vida dos inativadores.
QUESTÕES:
Como reerguer a capacidade de operação remota com ROV EOD, na MP:
Q.1 - A curto prazo? Q.2 - A médio/longo prazo?
OBJECTIVO:
Recuperação da capacidade de operação remota
INTEGRAÇÃO DE REQUISITOS, POSSIVEIS, NA RECUPERAÇÃO DO ANTIGO
ROV EOD FAS E C O N C LU SI V A R ES U LT A D O S
CONCLUSÕES
1.
CORPO DE CONCEITOS E ENQUADRAMENTO
Neste capítulo, explana-se a base geral dos conceitos e da doutrina, que foram utilizados na redação desta dissertação. O enquadramento nos conceitos, subordinados ao tema, começará pelas definições dos termos mais importantes utilizados, que serão abordados individualmente e esclarecidas em que situações poderão assumir sentidos mais latos. Posteriormente será apresentada a filosofia e o conceito das operações, de reconhecimento e inativação de engenhos explosivos, que servirão de linha condutora no raciocínio dedutivo em relação aos requisitos operacionais a definir e à recuperação do ROV S.A. 100 Hunter.
A partir deste capítulo, de forma a facilitar a leitura, o termo Marinha Portuguesa passará a ser referido como Marinha ou MP, e a designação do ROV S.A. 100 Hunter, passará a ser feita apenas como Hunter.
1.1 Corpo de conceitos
Na introdução tentou evitar-se o uso de termos na forma inglesa por se tratar de um capítulo introdutório/apresentação do tema e da dissertação. A partir deste capítulo os termos técnicos da doutrina serão utilizados na sua forma inglesa, ainda que também sejam apresentados inicialmente os termos portugueses correspondentes, quando estes existam. Optou-se por este método por três razões que se explicam sucintamente: Em primeiro lugar, o facto de grande parte da doutrina ser de carácter multinacional e aliada, proveniente da NATO, não existindo para muitos termos, uma forma portuguesa oficial; Em segundo lugar, para que não se perca o significado original em tentativas de tradução, ou o facto de numa das línguas o mesmo termo poder ser mais ou menos abrangente/universal do que na outra; Por último, porque de forma geral a terminologia em inglês é aquela que, efetivamente é utilizada pelos operacionais que trabalham nesta área.
1.1.1 Engenhos Explosivos – EO, UXO e IED
1.1.1.1 EO - Explosive Ordnance
É um dos termos cujo significado mais se pode desdobrar. A classificação de um engenho como EO é independente da sua proveniência ou utilizador, tanto podendo ser utilizados tanto por forças amigas como por forças não amigas (STANAG 2143, 2005, p. 2)3. Mais detalhadamente a NATO define que se incluem neste grupo, todo o tipoà e ge hosà ueà o te ha à e plosi osà eà age tesà CBRNà Chemical, Biological, Radiological and Nuclear ), independentemente do seu tipo, da sua origem industrial legal, clandestina ou improvisada (Improvised Explosive Device (IED)), ou de se encontrarem na sua forma completa ou por componentes similares ou relacionados de natureza (AAP-6, 2014, pp. 2-E-7)4. Fazem ainda parte deste grupo os engenhos
explosivos não detonados (Unexploded Ordnance (UXO)) (ATP-72, 2006, pp. 1-1)5.
Embora não exista uma sigla de correspondência direta, definida na doutrina da Marinha, aquilo que se pode entender da leitura das páginas 1 e 2 da IOA 107, é que o termo que acompanha a definição da NATO é Engenho Explosivo.
EEC – Engenho Explosivo Convencional, é uma definição da doutrina da Marinha, e que cabe dentro do termo EO, não existindo este termo na NATO. Este é um pouco mais específico ao subdividir o Explosive Ordnance em Engenhos Explosivos Convencionais. Resumidamente separa o EO, na sua generalidade, da EO que tenha sido objeto de fabricação em linha deàp oduç o…àutilizados normalmente por forças militares :
ág upa -se na designação genérica de EEC todos os dispositivos destruidores ou letais, que contenham agentes explosivos, incendiários,
3 i lude a i tu e of EO used e e fo es, fo e ellige e ts a d/o NATO atio s . 4 All u itio s o tai i g e plosi es, u lea fissio o fusio ate ials a d iologi al a d he
mical agents. This includes bombs and warheads; guided and ballistic missiles; artillery, mortar, rocket and small arms ammunition; all mines, torpedoes and depth charges, demolition charges; pyrotechnics; clusters and dispensers; cartridge and propellant actuated devices; electro-explosive devices; clandestine and improvised explosive devices; and all similar or related items or components e plosi e i atu e .
tóxicos, químicos, biológicos, propulsores, ou materiais de fissão, fusão ou radiação nuclear e que tenham sido objeto de fabricação em linha de produção, designadamente munições, granadas, bombas, minas, torpedos, mísseis, foguetes, pirotécnicos e outros, utilizados normalmente por forças
ilita es.
(IOA 107, 1996, p. 1)
1.1.1.2 UXO - Unexploded Ordnance
É o termo atribuído a todo o EO que se encontra na situação de não detonado, após ter sofrido um qualquer estímulo, tecnicamente, suficiente para iniciar o seu normal funcionamento. Os engenhos nesta situação constituem sempre um perigo para as operações, instalações, pessoal ou material nas suas imediações, independentemente da causa da falha do engenho (AAP-6, 2014, pp. 2-U-1)6, por se encontrarem num estado de instabilidade podendo iniciar o seu funcionamento a qualquer momento.
Cerca de 10% de todo os EO pode ficar na situação de não detonada devido a mau funcionamento, esta percentagem pode ser ainda maior quando nos referimos a defeitos de fabrico. Sabendo que um engenho explosivo é constituído por uma cadeia de fogo, com vários dispositivos e cargas explosivas internas, se contarmos com 10% de mau funcionamento ou de defeitos de fabrico, em cada um desses componentes, é possível supor que nos campos de batalha existam bastantes UXO (STANAG 2143, 2005, p. 2).
À semelhança de EO, o termo UXO não tem na Marinha um termo técnico diretamente associado, no entanto da leitura da introdução da IOA 107 pode depreender-seà ueàoà o eitoàdeà e ge hos explosivos …à oàdeto ado àou UXO está integrado na definição de engenho explosivo convencional (EEC):
6 E plosi e o d a e hi h has ee
Aspectos de concepção, fabrico, armazenamento e utilização, isolados ou concorrentes conduzem em percentagem não desprezável a avarias ou deteriorações de engenhos explosivos convencionais, os quais, limitando-se em tempo de paz à generalidade do armamento utilizado pelas Forças Armadas aliadas, constituem contudo em muitos casos perigo para o pessoal, material e instalações, quando encontrados no terreno, na situação de não detonados. à
1.1.1.3 IED - Improvised Explosive Device
Designa os dispositivos ou engenhos colocados ou fabricados de uma forma improvisada que incorporando materiais, produtos ou agentes explosivos, nocivos pirotécnicos ou químicos incendiários, concebidos para serem letais ou destrutivos, têm o objetivo de destruir, incapacitar, confundir ou perturbar. Podem incorporar materiais ou componentes militares mas são frequentemente construídos usando componentes não-militares (AAP-6, 2014, pp. 2-I-2)7.
EEI – Engenho Explosivo Improvisado, é a definição da doutrina da Marinha (IOA 107, 1996, p. 2) que, coincide com a definição de IED, da NATO.
Os IED são normalmente uma das componentes das ações de sabotagem8, terrorismo, atividades criminais, de desordem ou da insurgência9. São utilizados como meio na guerra assimétrica, sendo uma ameaça presente em todo o espectro dos ambientes de conflito (convencional/não convencional; regular/irregular) e mesmo em tempo de paz10. Para além dos efeitos destrutivos, diretamente associados à detonação do IED, os efeitos indiretos originados pelo medo e incerteza no meio
7 A de i e pla ed o fa i ated i a i p o ised a e i o po ati
g destructive, lethal, noxious, pyrotechnic or incendiary chemicals and designed to destroy, incapacitate, harass or distract.
Note: It may incorporate military stores, but is normally devised from non- ilita o po e ts. .
8
Sabotagem - na doutrina da Marinha (IOA 107, 1996, p. 1).
9
Para propósitos desta dissertação serão coletivamente designados de Inimigo.
10 “ oà u aà a a te ísti aà dosà á ie tesà deà Ope aç oà atuaisà
operacional são bastante diversos e constrangedores para as operações, criando restrições aos movimentos e à proteção das forças. Assim o inimigo, a pouco custo, consegue obrigar ao empenhamento de meios adicionais e ao desvio esforços, levando ao permanente desgaste de forças militares, instituições de ordem pública e da população em geral. Um dos principais objectivos deste tipo de engenhos é manter um ambiente de ameaça permanente e dificultar o regresso à normalidade (AEODP-3 Vol.I,
2012, pp. 1-1).
A sua construção pode ser de base simples ou complexa, dependendo de vários fatores, como sejam a disponibilidade de explosivos e outros componentes no teatro de operações ou até do nível de conhecimentos técnicos do construtor.
Os componentes tecnológicos são normalmente obtidos através do aproveitamento eletrodomésticos e equipamentos de telecomunicações também prontamente disponíveis, e relativamente baratos. Existe mesmo a possibilidade de
serem utilizados os conhecimentos e experiência de pessoal altamente qualificado11,
solidários com as causas dos grupos que utilizam os IED (AEODP-3 Vol.I, 2012, pp. 1-1).
Os explosivos e alguns dos componentes utilizados nos IED têm tipicamente três fontes (AEODP-3 Vol.I, 2012).:
Explosivos Militares: abandono de EO e/ou de resíduos explosivos (Explosive Remnants of War (ERW) (AEODP-3 Vol.I, 2012, pp. 1-1));
Explosivos Comerciais;
Explosivos de fabrico caseiro (Home-Made Explosive (HME)).
Embora não se possa definir um padrão de construção dos IED, é possível at a sà deà i estigaçõesà igo osas,à e ide ia à u aà a a à ouà te d iaà asà construções ou mesmo um modus operandi, e assim adaptar as TTP ao local das operações (AEODP-3 Vol.I, 2012, pp. 1-1).
Na doutrina da NATO os IED são classificados em três categorias, de acordo com o método de operação (AEODP-3 Vol. II, 2012):
11 It is e e possi le that so e hostile atio s a e gage thei atio al s ie tifi esou es a d
Temporizadores (Time Operated)12: o Antipessoal;
o Anti propriedade; o Anti forense.
Operados pela vítima (Victim Operated)13;
Operação Remota (Command Operated)14: o Fio (Command Wire IED (CWIED))15;
o Controlo Rádio (Radio Control IED (RCIED)) 16; o Suicida (Suicide IED).
1.1.2 Inativação de Engenhos Explosivos - EOD, EOR e IEDD
1.1.2.1 EOD - Explosive Ordnance Disposal
Segundo a AAP-6 (2014, pp. 2-E-7) asà ope açõesà EODà i lue à aà deteç o,à identificação, avaliação no local, tornar seguro ou neutralização, recuperação e eliminação final dos UXO 17. A NATO considera que a EOD é uma função vital na persecução das operações na medida em que as forças EOD são empenhadas para contraditar a ameaça originada pelos EO, na qual se incluem os UXO (ATP-72, 2006). Mais adiante será apresentado o termo IED Disposal (IEDD), no entanto podemos já entender que se os IED estão incluídos no EO, também a IEDD estará incluída na EOD.
IEE – Inativação de Engenhos Explosivos, é o termo na doutrina da MP equivalente a EOD. Este define que se trata de uma ope aç oà ueàutilizaàu à conjunto de procedimentos e ações conduzidas com o objetivo de garantir que os engenhos
12
Operaram com um atraso pré-determinado, podendo ser temporizadores mecânicos ou eletrónicos, igníferos ou pirotécnicos.
13 Concebidos de forma que a vítima cause o funcionamento do engenho explosivo. 14
Permitem que seja escolhido o momento do funcionamento do engenho explosivo.
15
Possui uma ligação física de fio entre o Ponto de Disparo (Firing Point (FR)) e o Ponto de Contato (Contact Point (CP)).
16 A ligação, entre o FR e o CP, é feita por um equipamento que utiliza o espectro eletromagnético. 17 The detection, identification, onsite evaluation, rendering safe, recovery and final disposal of
explosivos detetados deixem de constituir perigo para o pessoal, material ou
instalações, ou de prejudicar a execução de outras operações 18. Ainda, consoante a
natureza dos engenhos aexplosivos, alvo, subdivide as operações IEE ou EOD em:
Operações de inativação de engenhos explosivos convencionais (IEEC);
Operações de inativação de engenhos explosivos improvisados (IEEI).
(IOA 107, 1996, p. 3)
Na NATO entende-se como incidente EOD a suspeita ou deteção da presença de um UXO, ou EO em condições anómalas19, que tenham implicações na segurança de pessoas, material, instalações ou no normal desenvolvimento das operações (AAP-6, 2014, pp. 2-E-7). A Marinha Portuguesa a es e taàai daàaàestaàdefi iç oàaà deteção de objeto suspeito àouà e e ta e toàeàouài dioàdeào ige à oàide tifi ada à(IOA 107, 1996, p. 2)
Das definições anteriores, entende-se que o termo EOD é bastante abrangente, paralelemente com o termo EO, referindo-se a todas as ações que envolvam a pesquisa, reconhecimento e inativação de todos os EO20, de objetos suspeitos e ainda de incidentes passiveis de terem origem em engenhos explosivos.
EOD é frequentemente utilizado em sentido mais lato, que não desvirtua o seu significado mas que serve para adjetivar outros termos, de forma a associá-los à temática EOD. São exemplos disso, os casos de equipa EOD ou EOD Team (EODT) (AAP-15, 20(AAP-15, pp. E-7), ROV EOD ou Operador EOD entre outros.
No âmbito da ameaça da EO, as forças EOD são empenhadas com o objetivo de assegurarem a proteção do pessoal e do material, e apoiar na manutenção e restauração da liberdade de movimentos das forças amigas em todo o espectro das operações. São ainda, empenhadas para apoiar na restauração da normalidade após
18 N oàs oà o side adosà o oào jetoàdeàope açõesàdeàIEEàosàe ge hosàe plosi os à o à
anomalias decorrentes do fabrico, transporte e a aze a e to à ouà Deteçõesà oà itoà dasà ope açõesà deà
o t a edidasàdeà i as à Mi eàCounter-Measures (MCM)) (IOA 107, 1996, p. 3).
19 Não inclui o armar acidental ou outras condições desenvolvidas durante a manufatura, manutenção
técnica, colocação de campos de minas ou cargas de demolição (AAP-6, 2014, pp. 2-E-7).
um conflito, através da redução e/ou eliminação da ameaça EO no terreno (ATP-72, 2006).
1.1.2.2 EOR - Explosive Ordnance Recconaissance
Designa o conjunto de ações, desenvolvidas por agentes de reconhecimento de engenhos explosivos ou agentes EOR, envolvendo a investigação, deteção, localização, marcação, identificação preliminar e relato de UXO suspeitos, de forma a determinar ações futuras (AAP-6, 2014, pp. 2-E-7).
Resumidamente trata-se da coleta de informação sobre a situação de um UXO ou EO numa área limitada, e que pode ser desempenhada por pessoal, não EOD, com treino EOR. A inativação não faz parte das funções dos agentes EOR (ATP-72, 2006, pp. 3-4).
REE – Reconhecimento de Engenhos Explosivos, é a definição da Marinha em linha com a de EOR da NATO, sendo que atribui ainda aos agentes REE a funções, de apósà deteç oà eà ide tifi aç oà p eli i a à deà u à UXO,à deà à avaliar os riscos daí decorrentes, aconselhar medidas de proteção e segurança adequadas ao incidente, avaliar a necessidade e recomendar as condições de emprego duma equipa de inativação. .
Ainda em linha com a definição da NATO a Marinha descarta os agentes REE de qualquer procedimento de EOD, para além das ações já definidas para os agentes REE: em caso algum poderão ter contacto físico direto ou indireto ou movimentar o obieto detetado. à(IOA 107, 1996, p. 2).
1.1.2.3 IEDD – Improvised Explosive Device Disposal
À semelhança do conceito de EOD, as operações IEDD referem-se a eliminação e à segu a çaà dosà IED,à eà i lue à aà lo alizaç o, identificação, tornar seguro ou neutralização e eliminação final dos IED 21 EOR (ATP-72, 2006, pp. 3-4), por pessoal
21
devidamente treinado, autorizado e com um profundo conhecimento nesta área de especialização (AEODP-3 Vol.I, 2012, pp. 1-1).
É uma das componentes na luta para derrotar a ameaça22 IED dentro do conceito mais abrangente de combater o IED ou Counter-IED (C-IED). Enquanto IEDD se concentra no engenho, C-IED procura identificar e atacar/derrotar todo o sistema IED do inimigo23(AEODP-3 Vol.I, 2012, pp. 1-2).
Conforme já foi referido, na definição do conceito EOD, IEDD é apenas uma parte dentro do EOD. E embora algumas linhas orientadoras, na abordagem aos incidentes, sejam similares é necessário considerar o alto grau de desconhecimento e incerteza que os IED apresentam, face aos incidentes com engenhos convencionais.
De eà se à o side adaà aà possi ilidadeà deà i ide tesà o à improvised CBRN devices ,à si ples e complexos, ou com materiais tóxicos nas proximidades do IED
(AEODP-3 Vol.I, 2012, pp. 1-2).
IEEI – Inativação de Engenhos Explosivos Improvisados, como já foi demonstrado na definição IEE da Marinha, IEEI tem a mesma caraterização que IEEC sendo que a sua distinção apenas se faz pela natureza do engenho explosivo a inativar, se convencional ou improvisado.
1.1.3 ROV - Remotely Operated Vehicles
Os veículos de controlo remoto ou Remotely Operated Vehicles –ROV (AAP-15, 20(AAP-15, pp. R-10), são robôs que estão capacitados de locomoção pelos seus próprios meios, sendo que existem diferentes ambientes onde se deslocam tais como no ar, na água ou em terra. Em regra, são operados por humanos podendo ter determinadas ações que possam ser automatizadas e sem intervenção do controlador.
O mundo da robótica é um assunto que se revela em constante evolução, sendo que o seu aparecimento é relativamente recente e o que hoje existe resulta de
22
Defeat the Device Pillar .
23 C-IED inclui 3 pilares vitais, todos apoiados na compreensão e nas informações (
várias décadas de desenvolvimento. A robótica móvel é a mais recente das vertentes da robótica e sobre o qual está subordinado o tema da dissertação.
Existem atualmente, enumeras empresas que constroem ROV terrestres para as mais diversas áreas de operação incluindo para serviços de emergência, forças de segurança e forças militares. No âmbito desta investigação irão ser analisados vários ROV existentes no mercado especialmente dedicados ao reconhecimento e inativação de engenhos explosivos.
Uma componente cada vez mais forte no mundo dos ROV é a eletrónica e os melhoramentos que tem proporcionado ao nível das unidades de comando e controlo, cada vez mais intuitivas e operacionalmente adequadas.
Embora se possa observar um ligeiro padrão estrutural nos vários ROV existentes no mercado, cada empresa desenvolve o seu conceito, no entanto existem dois componentes que marcadamente se evidenciam em todos os ROV são a plataforma que serve de chassis (NORTHROP GRUMMAN, s.d.), com sistema de locomoção, e o braço manipulador que pode carregar sensores, câmaras, ferramentas ou armas.
No contexto dos ROV analisados durante a investigação, interessa nesta fase introduzir alguns conceitos sobre os componentes mais comuns existentes nos ROV. De forma a facilitar o entendimento serão usadas diversas figuras com exemplos dos componentes.
1.1.3.1 Plataforma
A forma de locomoção pode variar de construtor para construtor ou pela função e terreno para os quais foi idealizado. Os tipos de locomoção mais frequentes são por eixos de rodas e por lagartas, simples ou do tipo Flippers24(IROBOT, 2015).
1.1.3.2 Braço manipulador
O braço é um componente recorrentemente utilizado por todos os fabricantes como solução para manipular engenhos, objetos suspeitos, carregar ferramentas e sensores, ganhar acesso ou para inspeção de locais de difícil acesso ou qualquer função inopinada que o braço consiga cumprir. Normalmente também carrega vários periféricos eletro-óticos para transmissão, em direto, das imagens de vídeo para análise, no posto de controlo, e para facilitar a condução do ROV.
O braço pode ser constituído por várias articulações que trabalham com diferentes ângulos desde rotações completas a ângulos limitados (torre, ombro, cotovelo e pulso) (Melco, 2008). A torre é a base do braço manipulador que permite ao braço executar rotações, normalmente de 360°, relativamente à plataforma.
Associados aos braços existem mais três conceitos a reter, braços modulares25 (QINETIQ, 2015) braços prontos para disruptores26 (QINETIQ, 2015) e braços telescópicos27 (NORTHROP GRUMMAN, s.d.).
1.1.3.3 Manipulador
O manipulador, também algumas vezes designado de garra (Melco, 2008), é uma ferramenta básica existente em praticamente todos os ROV EOD. Ainda que alguns ROV, exclusivos para EOR, não carreguem este componente alguns permitem acoplar módulos com manipulador (IROBOT, 2015).
24
Flipper - Estrutura de secundária de lagartas num dos eixos rotativos da lagarta principal, que permite alterar a sua posição vertical em relação à plataforma. Por norma, funcionam em pares com o flippers do lado oposto.
Figura 2. Principais componentes estruturais de um ROV EOD terrestre ( (NORTHROP GRUMMAN, s.d.)(IROBOT, 2015).
1.2 Enquadramento
1.2.1 Histórico
Remontam ao final do século IXX e início do século XX, as primeiras inativações de engenhos explosivos improvisados documentadas, principalmente dinamite proveniente de explorações mineiras, resultantes de ataques por parte do Irish Republican Brotherhood (IRB), no denominado período Fenian Dynamite campaign 28, as infraestruturas e entidades do Reino Unido, que cerca de um século mais tarde evoluiria para o grupo armado conhecido como Irish Republican Army (IRA) (FAHIM, 2010).
Na Irlanda do Norte, por volta de 1970, uma nova problemática surgiu após os ataques da campanha terrorista do grupo armado IRA29. No espaço de um ano30, o Royal Army Ordnance Corps (RAOC) perde oito Ammunition Technical Officers (ATO)31 resultado das opções muito limitadas disponíveis para um operador diante de um IED. Os carros-bomba eram a nova problemática e devido às suas dimensões eram associados a grandes engenhos explosivos com impacto em áreas consideráveis. Havia necessidade de modificar os procedimentos e equipamentos, e é então que o reservista, o Tenente - coronel Peter Miller se voluntaria para tentar acabar com as mortes dos operadores EOD. Embora não houvesse nenhuma ideia de como lidar com um carro-bomba percebeu-se que a capacidade de movimentá-lo para uma zona de segurança era solução inicial (HAWKINS, 1998). Segundo palavras do próprio Tenente-coronel Miller a uma entrevista:
" I then remembered that I had invented a delightful labour-saving technique when I modified my lawnmower. This seemed a possible solution to the problem, so I went to a local garden centre with the intention of buying a
28
1867-1885.
29 F o 19 9 u til 199 ,
the IRA conducted an armed paramilitary campaign primarily in Northern Ireland and England, aimed at ending British rule in Northern Ireland in order to create a united Ireland (DODDS, 2005).
30 1971-1972.
gutted lawnmower. The sales manager suggested that the chassis of an electrically powered wheelbarrow might be suitable. I thought it was ideal and bought one on the spot." (SMITH, 2001).
Constrói-se o primeiro Wheelbarrow que é entregue num período extremamente curto após a sua solicitação, tratando-se de uma solução acima de tudo muito prática e barata. No entanto após ser rebocar o veículo suspeito para longe do alvo era necessário que o operador EOD tornar o veículo seguro. Ao projeto inicial é então desenvolvido uma gama de acessórios que permitiu ao Wheelbarrow transportar e posicionar disruptores32 (HAWKINS, 1998).
Iniciou-se neste período, o nascimento de novos métodos e técnicas que bastante bem-sucedidas, acompanhando as evoluções ao longo das décadas até aos dias de hoje, permitindo salvaguardar a vida humana não colocando em risco de vida os operador EOD durante estas ações. A experiência adquirida pelas Forças Armadas Inglesas na área do EOD em mais de 50 anos a combater o IRA continua a ser uma referência na formação, procedimentos e doutrina para os países membros da NATO (BARROSO, 2015).
Anos mais tarde, surgem os Estados Unidos América (EUA), numa 1ª fase da guerra do Golfo33 sem estarem preparados para a ameaça IED utilizada pelos insurgentes no Iraque. Prova disso foi o número significativo de baixas nas Forças Armadas Americanas, mais de 65%, provocadas pela detonação de IED. Na sequência desta realidade, os EUA alteraram por completo a sua abordagem em relação aos teatros de operações onde a ameaça IED estava presente. A estratégia englobou um forte investimento em tecnologia, formação, procedimentos e doutrina. Entre as quais, podemos dar particular enfase, à robótica para a componente EOD (BARROSO, 2015).
1.2.2 Portugal e as ameaças atuais
Em Portugal, após o 25 de Abril de 1974, iniciou-se um período marcado por diversas manifestações de violência, sendo que entre os anos de 1980 e 1987, a organização conhecida como Forças Populares 25 de Abril (FP-25) com conotações políticas à extrema-esquerda foi responsável por 17 assassinatos, 66 atentados à bomba e 99 assaltos a bancos, com recurso a engenhos explosivos e incendiários (GRÁCIO, 2011, p. 16).
Os atentados a Madrid a 11 de março de 2004 foram uma realidade muito próxima do território nacional na qual morreram 191 pessoas e 1857 ficaram feridas. É um aviso claro que este tipo de ameaças não é assim tão distante e estar preparado para este tipo de eventualidades é uma necessidade (RIBEIRO, 2014).
Segundo Ramos (2014), a 1 de julho de 2014, o Estado Islâmico (EI) proclama a reconquista do Califado e apela diretamente aos seus seguidores e apoiantes para combaterem aqueles que prejudicaram o Islão. Nesta propaganda afirmam que nos próximos cinco anos, o Califado se irá estender até meio do continente africano e incluir a Península Ibérica, os Balcãs e zonas do Império Otomano, alcançando a Índia. Este é mais um exemplo do tipo de ameaças que todos os países Europeus e pertencentes à NATO têm de estar preparados para reagir.
1.2.3 Organização EOD na Marinha Portuguesa
1.2.3.1 Áreas de responsabilidade:
No âmbito do objeto de estudo, os ROV EOD terrestres, a Marinha Portuguesa é responsável por realizar operações EOD nas seguintes áreas:
à …em todas as áreas sob jurisdição das autoridades marítimas; (2) Nas instalações ou áreas terrestres pertencentes à Marinha, bem
como em quaisquer outras que lhe tenham sido confiadas para efeitos operacionais ou de segurança;
(4) Noutras áreas, fora de jurisdição da Marinha, desde que as suas características ou a natureza da tarefa ali a executar aconselhem o emprego de pessoal da Marinha.
b. Poderá ainda ser atribuída à Marinha, e por solicitação do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, a responsabilidade pela execução de operações de REE e de IEE, relativas a incidentes com engenhos explosivos convencionais, em qualquer ponto do território nacional ou área de operações das Forças Armadas. (IOA 107, 1996, p. 3 e 4)
1.2.3.2 Responsabilidade pela condução e execução das operações:
A condução de operações EOD compete ao Comando Naval (CN), podendo ser delegada nos Comandos de Zona Marítima (CZM) apenas a condução de operações EOR, e etoà asài stalaçõesàeà easàdeàope aç oàa teriormente ocupadas por forças oposito as .
A execução das operações EOR compete às várias equipas EOR do CN e dos CZM com formação para o efeito, exceto na mesma situação apontada no parágrafo anterior competindo nesse caso às Unidades de Mergulhadores a execução de operações EOR.
A execução das operações EOD, na vertente da inativação de engenhos explosivos, na Marinha Portuguesa compete exclusivamente ao CN através das Unidades de Mergulhadores.
(IOA 107, 1996, p. 4)
minas e contramedidas (Mine Counter-Measures (MCM)), em ambiente marítimo (IONAV 8000, 2013).
A doutrina, princípios e filosofia de operação EOD descrita nas publicações NATO foi ratificada e adotada pela Marinha, com ligeiras adaptações à realidade nacional promulgadas essencialmente na IOA109 (1995) e IOA107 (1996). Ao nível dos procedimentos técnicos EOD e EOR as Unidades de Mergulhadores Sapadores utilizam exclusivamente as fontes NATO para formação, treino e operação.
1.2.4 Congéneres noutras Forças em Portugal
Esta parte do enquadramento serve para, de forma sucinta enquadrar a realidade da utilização de ROV EOD em Portugal. Tendo em conta que existe alguma dificuldade em encontrar fontes bibliográficas, para referenciação deste assunto, optou-se por recorrer a informação como comunicados oficiais das instituições e trabalhos editados pelas mesmas e ainda a artigos jornalísticos e informação disponível na internet, em que de alguma forma é feita referência aos ROV EOD ou ao seu uso atual. Alguns dos artigos completos podem ser consultados no Anexo C.
1.2.4.1 Exército:
Do sítio na internet do Exército Português, é possível ler um comunicado oficial de uma missão executada pelo Regimento de Engenharia Nº 1, através do Grupo de Equipas EOD, em 7 e 8 de Janeiro 2015, em que recorreu ao uso de um ROV EOD, neste caso o tEODor da empresa Cobham (antiga TeleRob):
empresa do Parque de Resíduos da Chamusca.
Na sequência de várias tentativas de abertura dos contentores manualmente e também por meios mecânicos, tendo ambas as situações resultado em deflagrações descontroladas…à Através do emprego de um Veí uloà deà Co t oloà Re otoà VCR à tEODo à ope adoà à dist ia,à para colocação e detonação de cargas lineares de corte de aço, o GrEqEOD apresentou uma modalidade de ação com baixo nível de risco.
(EXÉRCITO PORTUGÛES, 2015)
1.2.4.2 Força Aérea Portuguesa (FAP):
Do sítio na internet, do Centro de Treino de Sobrevivência da Força Aérea (CTSFA), consultando a seção referente ao Curso de Reconhecimento e Inativação de Engenhos Explosivos, é possível verificar que a FAP a operar o ROV EOD Wheelbarrow da NORTHROP GRUMMAN Electronic Sistems (FAP, 2015).
Ainda num artigo da revista Operacional, sobre exposição SEGUREX 2015, Salão Internacional de Protecção e Segurança, que decorreu entre 6 e 9 de Maio de 2015, é possível verificar que a FAP possui um outro ROV EOD Wheelbarrow, embora uma versão mais antiga, que apresentou na exposição SEGUREX 2015 (MACHADO, 2015).
1.2.4.3 Guarda Nacional Republicana (GNR)
A partir da consulta de um trabalho de investigação aplicada, da Academia Militar por Grácio (2011, p. 87 e 88), retira-se a informação de que as equipas EOD ou Equipas de Inactivação de Engenhos Explosivos (EIEEX) àda GNR, estavam em, 2011, equipadas com dois tipos de ROV EOD.
A estrutura do Centro de Inactivação de Explosivos e Segurança em Subsolo (CIESS) compreende uma Secção de Inactivação de Engenhos Explosivos “IEE à , onde estão incluídas as suas duas EIEEX:
Anexo S demonstra o equipamento de referência das EIEEX do CIESS. Salienta-se que ao nível do equipamento de protecção, estas equipas são as únicas no universo do SIEE que dispõem do Fato de Protecção EOD 9 e dos ROV no âmbito da componente da i a ti aç o. à
àOà àE àte osàap o i ados,à efe e-se que o valor do modelo VCR Telemax (pequeno porte)34 àdeà à €àeàdoàVCRàDefe de à g a deàpo te 35 àdeà à €à
1.2.4.4 Polícia de Segurança Pública (PSP):
Num artigo de uma revista, a e aàdoàe e í ioà “ETáà àde proteção do porto de Setúbal, desenvolvido pelas Autoridades Portuária e Marítima do Porto de Setúbal, é possí elà le à ueà A resposta operacional em terra ficou a cabo ... do Centro de Inativação de Explosivos (CIEXSS) da Unidade Especial de Polícia (UEP),à daà P“P .à Daà foto associada ao artigo é possível visualizar os agentes da PSP a operarem com um ROV EOD, neste caso o Vanguard MKII da empresa Allen Vanguard (MOURA, 2013)
.
34 Ligeiro 35 Pesado
Figura 7. Vanguard da PSP (1) (MOURA, 2013)
Também num blog dedicado à semana da Segurança e Proteção Civil do ISLA – Lisboa 2011, é possível visualizar o Ce t oà deà I ati aç oà deà E plosi osà eà “egu a çaà e à “u soloà aà e o e ,à o à oà usoà deà u à o ot,à oà e plosi o à utiliza doà oàROV EOD, Vanguard MKII (SARAMAGO, 2011).
2.
A DOUTRINA, OS PRINCÍPIOS E A FILOSOFIA DAS OPERAÇÕES EOD
APLICADA AOS ROV
Neste capítulo será exposta a abordagem, feita pela NATO, às operações EOD e entender o porquê dos ROV EOD, para a NATO, serem uma ferramenta comum e elementar no apoio às operações EOD e dos militares que as executam. Não será objetivo deste capítulo expor pormenorizadamente toda doutrina EOD ou todos os procedimentos, mas sim onde estão a bases da necessidade de atuar com ROV EOD, em cenários onde a ameaça do EO, incluindo IED, está presente. Como se verificou nas definições, em torno dos explosivos e sua inativação, a ameaça do EO está presente tanto em cenários de conflitos como em cenários de paz, seja pelas variadas formas de instabilidade social seja por consequência de antigos conflitos, em áreas já pacificadas onde a presença de EO, em especial de ERW, continuam a constituir uma ameaça.
2.1 Doutrina
2.1.1 EOD
Para qualquer tipo de operação EOD a NATO define através do ATP-72 o que entende serem os princípios gerais de comando e controlo, conceitos, procedimentos e responsabilidades a aplicar pelas nações aliadas, abrangendo os princípios de segurança para operações EOD multinacionais e nacionais. A NATO considera que esta publicação estabelece padrões de emprego eficientes, eficazes e seguros para todas as forças da aliança, e que portanto a falha em aderir ao estabelecido no ATP-72 coloca as vidas dos militares e civis em risco. Como se viu anteriormente a atividade das forças EOD, é uma função vital na persecução dos objetivos militares36, na medida em que essas forças são empenhadas para contraditar uma ameaça com alto poder de destruição e bastante constrangedora das restantes operações militares e da vida
36 A título de exemplo, conforme visto no subcapítulo 1.2.1, nos atuais cenários de combate dos EUA,
quotidiana das populações. As operações EOD são um ponto-chave para a liberdade de movimentos das forças37, proteção de força38 e outras operações militares.
Em operações multinacionais apenas o EOD Staff, as unidades EOD, engenheiros especializados e mergulhadores sapadores39 planeiam e conduzem operações EOD. No decorrer das operações EOD multinacionais têm de ser aceites e compreendidas por todos os intervenientes as Standard Operating Procedure (SOP)40, as linhas orientadoras, os processos, as restrições e os regulamentos gerais de segurança. A par das capacidades e recursos EOD, as capacidades de Comando e Controlo (C2) são prementes neste tipo de operações.41
(ATP-72, 2006)
As ações EOD, nas quais se incluem as operações IEDD, estão alicerçadas numa
sequência de procedimentos, e que servem de linhas orientadoras ou modos de ação,
ainda que possam e devam ser adaptados perante as diferentes situações
operacionais:
Procedimentos de Acesso - Access procedures: Localizar e ganhar acesso ao UXO ou IED;
Procedimentos de Diagnóstico - Diagnostic procedures: Identificar e avaliar o UXO ou IED;
P o edi e tosà deà i e tizaç oà ouà to a à segu o à- Render-Safe Procedures (RSP): Aplicação de métodos e ferramentas EOD42 que efetuam a interrupção de funções ou a separação de componentes essenciais dos UXO ou IED, de forma a prevenir uma detonação inaceitável43:
37 F eedo of Mo e e t: … lea i g sea o la d Li es of Co
unication (LOCs), Ports of Disembarkation PODs , Deplo ed Ope ati g Bases DOBs , Mai “uppl Routes M“Rs … oute lea a e, Milita Search, deliberate area clearance, and minefield operations involving a known or probable threat of UXO and mines (ATP-72, 2006, pp. 3-2).
38Force Protection. 39
Clearance Divers.
40 Procedimentos Operacionais Padrão. 41
Informação mais detalhada sobre a organização C2 EOD pode ser encontrada no ATP-72 (2006).
42
application of special explosive ordnance disposal methods and tools .
43
o Inibição – Inhibition: De natureza temporária (congelamento, travamento de mecanismos mecânicos, etc.);
o Disrupção/Neutralização - Disruption/Neutralization: Separação, geral ou precisa, de componentes da cadeia de fogo ou neutralização do conteúdo explosivo da EO.
(AEODP-7, 2004, pp. 2-1)
Procedimentos de Recuperação - Recovery procedures: Recuperar os componentes inertizados do UXO ou IED;
Procedimentos de Destruição final - Final disposal procedures: Eliminar totalmente a ameaça através da detonação total, queima, remoção para área de detonação final44.
(AAP-6, 2014) (ATP-72, 2006)
Em qualquer das fases dos procedimentos anteriores, é possível empenhar um ROV EOD para executar a tarefa, ainda assim é igualmente plausível que a situação no local impeça o uso do ROV.
Tal como os procedimentos EOD também a atribuição das categorias e prioridades é transversal a todas as operações envolvendo o uso de forças EOD. A sua atribuição é inicialmente uma decisão de comando, podendo ser recategorizada por proposta do operador EOD que executa a operação, e assenta- se no balanceamento entre o nível que a ameaça representa para as operações e o nível de risco aceitável de se executar a tarefa EOD (ATP-72, 2006). Estão previstas as seguintes Categorias de A a D.
A: Incidentes que constituem uma ameaça grave e imediata: o Prioridade sob todos os incidentes a decorrer;
o A importância da missão sobrepõe-se à redução do risco do pessoal; o As operações devem iniciar de imediato independentemente do risco
para o pessoal.
B: Incidentes que constituem uma ameaça indireta:
44
o Devem executar-se medidas de redução de risco do pessoal (tempos de espera) antes do início das operações.
C: Incidentes que constituem uma ameaça reduzida: o Com o mínimo de risco para o pessoal;
o Executadas após terminadas todas as cat. A e B, quando a situação o permitir.
D: Incidentes que não constituem uma ameaça, no momento. (STANAG 2143, 2005), (ATP-72, 2006), (AEODP-3 Vol.I, 2012, pp. 1-6)
De acordo com a STANAG 2143 (2005), é um requisito das forças EOD, terem capacidade de remotamente executarem a deslocação e desmontagem de EO45. Na AEODP-12 (2015) é ainda classificado com padrão mínimo de proficiência dos operadores EOD e IEDD, a capacidade de operar e manter ROV e equipamento associado operacionais.
Ao nível dos materiais, a utilizar na construção de equipamentos EOD, a NATO tem bastante bem definido o que são os seus critérios de aceitabilidade de um equipamento. No que toca a equipamentos para operarem com e nas proximidades de EO, deve ser dada primazia na seleção dos materiais, às composições não-ferrosas, plásticos ou materiais compósitos. Outra preocupação são as emissões irradiadas pelos equipamentos46, portanto é um fator a ter em consideração a constante modernização dos materiais de forma a baixar as suas assinaturas eletromagnética, acústica, sísmica e outros campos de influência. As formas de cálculo, valores e teste de aceitabilidade constam dos anexos da AEODP-7 (2004).
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Manusear, levantar, baixar, puxar, empurrar ou aplicar torque em pequenos artigos de EO.
46 Ele t i al, e ha i al, h d auli , o p eu ati po e sou es should e desig ed a d fa i ated to e it the