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Projeto Biblioteca Aprendiz do Centro Comunitário Ludovico Pavoni - CCLP

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Academic year: 2018

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Relatos de Experiência

Projeto Biblioteca Aprendiz do Centro

Comunitário Ludovico Pavoni - CCLP

Rosana Formigoni Telles

Bibliotecária graduada pela FESP-SP (Fundação Escola de Biblioteconomia de São Paulo); com

especialização em Sistemas Automatizados de Informação, PUCAMP (Pontifícia Universidade Católica de Campinas); Master in Curriculum and Teaching (Michigan State University) e com pós-graduação em Gestão do Conhecimento, SENAC-SP.

Resumo: As bibliotecas comunitárias quando sob a direção de um bibliotecário têm cumprido papel de

extraordinária importância no desenvolvimento de competências informacionais, formação de leitores e como espaço para a pesquisa, a curiosidade e o crescimento cultural e intelectual de populações mais carentes. Este projeto ganhou o IX Prêmio Laura Russo sob o tema Empreendedorismo Social em 2010.

Palavras-chave: Biblioteca comunitária; Centro Ludovico Pavoni; Projeto Biblioteca Aprendiz; Prêmio Laura Russo

1 NATUREZA DA INSTITUIÇÃO

O Centro Comunitário Ludovico Pavoni – CCLP é uma das inúmeras instituições sem

fins lucrativos que atuam no país, prestando serviços às comunidades carentes. Criado

em 1995, por iniciativa dos padres da Ordem Pavoniana1, oriunda da Itália, o centro

atende crianças, adolescentes e adultos moradores das favelas Real Parque e Jardim

Panorama.

O CCLP assumiu para si a responsabilidade de contribuir para a melhoria da qualidade

de vida de moradores das duas comunidades, atuando de forma a elaborar programas

que despertem o exercício da coletividade, da cidadania e da eficiência no trabalho.

Programas como o Viva o Leite (que distribui mensalmente 6.000 litros de leite) e Cesta

Básica (280 cestas mensais, com prioridade para as famílias dos 120 alunos

matriculados no centro) incluem as famílias ligadas ao centro e às comunidades das

favelas, garantindo o comprometimento dos pais com a educação suplementar

proporcionada aos seus filhos, regularmente matriculados no CCLP.

Sob orientação de uma diretora pedagógica e graças ao trabalho voluntário de vários

profissionais, os alunos matriculados no CCLP – quando não se encontram na escola

municipal ou estadual que, obrigatoriamente devem frequentar – participam dos projetos

Pirilampo e Crescer, oferecidos pelo centro.

       1

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O Projeto Pirilampo atende crianças de 4 a 11 anos, trabalhando no sentido de integrar

os aspectos emocional, cognitivo e social por meio de atividades pedagógicas,

recreativas e culturais.

O Projeto Crescer atende adolescentes entre 12 e 14 anos, orientando-os para a

construção dos seus projetos de vida de maneira crítica, consciente e cidadã, por meio

de atividades pedagógicas, recreativas e culturais que os despertem para a realidade do

mercado de trabalho.

1.1 Natureza do Entorno

Segundo um levantamento realizado sobre as favelas de São Paulo pela prefeitura do

município2, entre as 2.018 favelas existentes na cidade, a do Real Parque pode ser

considerada – como “brincam” seus moradores – “uma favela de primeiro mundo” que,

por não ser tão populosa (menos de 3.000 habitantes, de acordo com dados de 2.000 do

IBGE) seus problemas, se comparados às grandes favelas da capital, não são tão sérios.

A proximidade de ruas asfaltadas por onde circulam linhas de ônibus urbanos, as vielas

cimentadas, o esgoto parcial canalizado pelos próprios moradores e a disponibilidade de

água e luz, graças aos “gatos” – ou ligações clandestinas – não eliminam a opressão

sentida pelos moradores da favela que, com o passar dos anos e por causa da

especulação imobiliária, foram-se encolhendo para dar lugar a bairros de apartamentos e

casas de classe média ascendente e alta. Essas pessoas são forçadas a vivenciar o

desnível social imposto por seus vizinhos ricos e por projetos imobiliários milionários que,

ao se instalarem nos limites da favela, além de acentuarem a sensação de abismo social

– com suas instalações voltadas aos milionários da cidade – tentam, com a força do

dinheiro, adquirir seus pequenos lotes de terra, afastando-os de suas casas, de seus

universos.

2 RESPONSÁVEL

A responsável pelo projeto é a bibliotecária Rosana Formigoni Telles, graduada pela

FESP-SP (Fundação Escola de Biblioteconomia de São Paulo); com especialização em

Sistemas Automatizados de Informação, PUCAMP (Pontifícia Universidade Católica de

Campinas); Master in Curriculum and Teaching (Michigan State University) e com

pós-graduação em Gestão do Conhecimento, SENAC-SP.

      

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3 ENDEREÇO

O Centro Comunitário Ludovico Pavoni está localizado à Rua Barão de Castro Lima, 478,

no Real Parque, São Paulo.

Endereço do site: http://www.ccludovicopavoni.org.br/

Telefones: 3758-9060 / 3758-4112

4 HISTÓRICO DO PROJETO

O projeto foi iniciado em março de 2005, a partir da grande quantidade de livros

constantemente doados ao CCLP e que se encontravam e informalmente arranjados em

uma estante no refeitório. Do ponto de vista da biblioteconomia escolar, tal informalidade

no arranjo dos livros desencadeou a perspectiva de um desafio: aplicar a experiência

profissional da autora – adquirida em bibliotecas de escola internacional de elite, com

amplos recursos orçamentários – para montar e fazer funcionar uma biblioteca que

prestasse empréstimo manual às crianças e adolescentes do centro comunitário, com

“recurso nulo”, tendo como lema o “aproveitamento máximo dos recursos disponíveis”.

Imediatamente, fez-se presente uma citação de Friedrich Schiller:

[...] Deve, entretanto, empenhar-se em engendrar o Ideal a partir da conjugação do possível e do necessário. Deve moldá-lo em ilusão e verdade, nos jogos de sua imaginação e na seriedade de suas ações; deve moldá-lo em todas as formas sensíveis e espirituais e lançá-lo, silenciosamente, no tempo infinito.

5 OBJETIVO

Capacitar um grupo de adolescentes carentes do Projeto Crescer do CCLP com os

princípios básicos de organização necessários para, com ônus mínimo para a instituição,

criar uma biblioteca para prestar serviço de empréstimo manual e desenvolver um

programa básico de capacitação informacional para aos alunos e professores do centro,

com base no modelo de biblioteca escolar apresentado no livro Information Power (AASL

- American Association of School Librarians, 1998).

6 BENEFÍCIADOS

6.1 Aprendiz

ƒ Atuação como voluntário em projeto de inclusão social;

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ƒ Participação em projeto de inclusão informacional;

ƒ Motivação para a leitura a partir do contato com os livros;

ƒ Aquisição de conhecimento para aprimoramento pessoal;

ƒ Motivação para se engajar em processo contínuo de aprendizagem;

ƒ Melhor desempenho escolar;

ƒ Maior chance de sucesso na atuação profissional.

6.2 Aluno do CCLP

ƒ Oportunidade de utilizar uma biblioteca;

ƒ Participação em projeto de inclusão informacional;

ƒ Acesso à literatura e informação em suporte impresso;

ƒ Motivação para se engajar em processo contínuo de aprendizagem;

ƒ Melhor desempenho escolar;

ƒ Motivação para, no futuro, participar do Projeto Biblioteca Aprendiz;

ƒ Reconhecimento e valorização do trabalho realizado pelos aprendizes.

6.3 Centro Comunitário Ludovico Pavoni

ƒ Apoio a projeto inovador;

ƒ Agregação de valor à proposta educacional da instituição (biblioteca atuando como agência educadora);

ƒ Possibilidade de oferecer treinamento e oportunidade de inserção no mercado de trabalho para a equipe de aprendizes;

ƒ Possibilidade de propiciar desenvolvimento profissional para os funcionários da instituição a partir do estabelecimento de uma nova visão de biblioteca

escolar.

6.4 Pai de Aluno

ƒ Inclusão dos pais no interesse e valorização de novas descobertas;

ƒ Fortalecimento da auto-estima;

ƒ Valorização de um serviço prestado pelo CCLP;

ƒ Colaboração na ênfase à responsabilidade frente ao material da biblioteca,

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7 DESCRIÇÃO DO PROJETO

O trabalho de organização física do acervo está apoiado no conceito de linha de

produção industrial. Os aprendizes se organizam em equipes para atuar nas diferentes

etapas envolvidas na seleção, encaminhamento dos livros recusados e processamento

técnico do livro, inclusive inclusão de cartão para realização de empréstimo manual.

A simplificação do número de chamada, com utilização das categorias (I para Infantil; F

para Ficção; número de classificação de Dewey para os livros de Não-ficção) acrescidos

das três primeiras letras do sobrenome do autor, associada à estruturação de um

programa básico de capacitação informacional foram utilizadas para garantir a

compreensão do sistema de organização utilizado e consequente inclusão informacional

dos usuários.

Aprendizes, alunos e professores passam a atuar como colaboradores da manutenção

da ordem na biblioteca, tornando-se autônomos na busca de informações devido ao fato

de terem adquirido o conhecimento básico abaixo citado:

ƒ Planta baixa da biblioteca;

ƒ Partes do livro;

ƒ Principais categorias e formatos;

ƒ Número de chamada;

ƒ Sistema de classificação Decimal de Dewey (Homem das Cavernas).

Além da capacitação nos princípios básicos para a organização de uma biblioteca, os

aprendizes são sensibilizados para os seguintes conceitos:

ƒ Crença e dedicação na busca de resultados (sonhos);

ƒ Aproveitamento máximo de recursos disponíveis;

ƒ Valor da informação;

ƒ Custo e benefício na organização da informação;

ƒ Consistência na execução de tarefas;

ƒ Pró-atividade e retrabalho;

ƒ Trabalho em equipe (compartilhamento de conhecimento);

ƒ Comunicação entre equipes;

ƒ Controle de qualidade;

ƒ Atendimento ao cliente;

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O incentivo à leitura é resultado do envolvimento com o trabalho, a saber:

ƒ Participação nas tomadas de decisão (definição de políticas e procedimentos);

ƒ Participação na organização da biblioteca;

ƒ Contato com os materiais durante o processo de seleção;

ƒ Respeito pelo trabalho dos colegas;

ƒ Orgulho por possuir uma biblioteca organizada pelo grupo.

Atualmente, o CCLP conta com uma biblioteca de aproximadamente 2.000 livros (16,9

livros por aluno). O espaço inicial, de 3 metros quadrados, foi ampliado para 30 metros

quadrados. A partir deste ano, será agregada uma sala complementar que abrigará a

coleção de Livros Infantis com criação de espaço agradável para leitura, a ser desfrutado

pelos alunos do Projeto Pirilampo.

Os aprendizes passam uma manhã por semana com a autora, realizando os trabalhos

necessários. O cento comunitário contratou uma estagiária para gerenciar a biblioteca,

que está aberta todos os dias da semana e recebe os alunos dos Projetos Pirilampo e

Crescer que, graças à inclusão de um período semanal reservado à biblioteca garantido

na grade horária para todos os grupos, podem desfrutar desse tempo para a realização

de leitura e retirada de livros.

O trabalho realizado pela equipe de aprendizes é valorizado pela comunidade do CCLP

e o sentido de apropriação vivenciado pelos aprendizes é forte fator motivacional que

leva ao desenvolvimento natural de uma mentalidade de respeito e cuidado quanto ao

uso da biblioteca por parte dos alunos, administradores e professores.

O sonho inicial de organizar uma biblioteca para os alunos do CCLP foi transformado em

objetivo comum e, de acordo com Senge (1990), “quando existe um objetivo concreto e

legítimo, as pessoas dão tudo de si para aprender, não por obrigação, mas por livre e

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REFERÊNCIAS

AMERICAN ASSOCIATION OF SCHOOL LIBRARIANS. Information power: building partnerships for learning. Chicago: American Library Association, 1998.

MIGUEL, Sylvia. A ciência contra as ameaças da natureza. Jornal da USP. São Paulo, 15-21 dez., 2003. Ambiente, Ano XVIII, no. 670. Disponível em: http://www.usp.br/jorusp/arquivo/2003/jusp670/pag03.htm. Acesso em: 22 de agosto de 2006.

SCHILLER, Friedrich. A educação estética do homem: numa série de cartas. São Paulo: Iluminuras, 1990.

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