Teoria Geral do Processo
Prof. Me. Giulliano R. G. Silva
UNIDADE II – PRINCÍPIOS GERAIS DO PROCESSO
Premissa geral - n
a CF encontram-se os
princípios processuais fundamentais, sendo eles:
1. Princípio do devido processo legal (CF, art.
5º, LIV - due process of law) – desse
princípio decorre a imprescindibilidade de se
respeitarem todas as garantias processuais.
2. Princípio do contraditório e da ampla
defesa (CF, art. 5º, LV) – as partes devem ter oportunidade de questionar, responder e refutar;
3. Princípio da igualdade (CF, art. 5º, caput) – determina a igualdade de armas no
processo, assegurando o equilíbrio de forças entre os sujeitos processuais;
Nota: decorre da igualdade a indispensabilidade da defesa técnica, como condição de validade do processo (CF, art. 5º, LXXIV, art. 133 e art. 134).
4. Princípios da celeridade processual e da economia processual (CF, art. 5º,
LXXVIII) – significam, no conjunto, a obtenção do máximo resultado na
atuação jurisdicional com o mínimo de dispêndio que se mostrar possível
(custo-benefício);
Nota: são corolários desses princípios os da
razoável duração do processo e da primazia
5. Princípio do juiz natural (CF, art. 5º, LIII) – assegura que o juiz seja imparcial, ou seja, o juiz não deve ser convocado para aquele caso especificado. Disso decorrem três regras de proteção (cf. Scarance):
• só podem exercer jurisdição os órgãos instituídos pela Constituição;
• ninguém pode ser julgado por órgão instituído após o fato;
• entre os juízes pré-constituídos vigora uma ordem taxativa de competências que exclui qualquer alternativa deferida à discricionariedade de quem quer que seja.
6. Princípios da fundamentação e da
publicidade dos atos decisórios (CF, art.
93, IX, e CPC, arts. 8º e 11) – os
destinatários da fundamentação do juiz são todos os envolvidos com o processo e
também a sociedade, que pode verificar a
motivação do juiz e, mais, se ele agiu com
imparcialidade e com conhecimento da
causa.
7. Princípio da livre investigação e
apreciação das provas ou do dispositivo (CPC, art. 2º) –o juiz necessita da iniciativa das partes para instaurar a causa e
conceder as provas, verificando as alegações em que se baseará para fundamentar sua decisão. As partes
possuem o ônus de provar o que alegam, cabendo ao julgador livremente apreciar o que foi colhido e apresentado sobre os fatos necessários ao deslinde da questão.
7. Princípio da livre investigação e apreciação das provas ou do dispositivo (CPC, art. 2º) – desse princípio decorrem:
• a necessidade de conceder iguais oportunidades às partes de pleitear a produção de provas;
• não haver disparidade de critérios no
deferimento ou indeferimento das provas pelo julgador;
• possibilidade das partes participarem dos atos probatórios e de se manifestarem sobre seus
8. Princípio da boa-fé processual ou da lealdade processual (CPC, art. 77) – determina que os integrantes da relação processual atuem sem artifícios fraudulentos, sob pena de infração aos preceitos éticos previstos em lei;
9. Princípio do duplo grau de jurisdição
(interpretação da CF, art. 5º, XXXV, LIV e LV, e § 3º, c/c Decreto n. 678/1992, anexo, art. 8º, item 2, alínea h, e art. 25) – possibilidade de revisão, através de recurso, de causas julgadas pelo juiz de primeiro grau, pois o homem pode falhar, cometer injustiça ou errar;
10. Princípio da congruência, da correlação ou da adstrição (CPC, art. 492) – o julgamento deve estar atrelado ao pedido, não pode ir além do que foi pedido no processo - ultra petita, nem
extravasá-lo em termos materiais - extra petita;
11. Princípio da indeclinabilidade ou da
inafastabilidade da jurisdição (CF, art. 5º, XXXV, e CPC, art. 3º) - garante o acesso ao Poder Judiciário a todos aqueles que tiverem seu direito violado ou ameaçado, não sendo possível o Estado-Juiz
eximir-se de prover a tutela jurisdicional, mesmo havendo lacuna ou obscuridade na lei (cf. LINDB,
12. Princípio da colaboração ou da cooperação (CPC, art. 6º) – considera o processo como um produto da atividade cooperativa triangular (entre o juiz e as partes);
13. Princípio da dignidade da pessoa humana (CPC, art. 8º, art. 12 e art. 162, III) – disciplina a busca da humanização do processo;
14. Princípio da vedação à decisão-surpresa (CPC, art. 10) – é indispensável que tenham as partes a possibilidade de pronunciar-se sobre tudo que pode servir para decisão da causa