Susie Hodge
BREVE
HISTÓRIA ARTE DA
BREVE HIS TÓRIA D A ARTE Susie Hodge
editoraolhares.com.br
Um guia de bolso para os
principais movimentos, obras, inovações
e temas
Sumário
6 Introdução
9 Como usar este livro MOVIMENTOS
12 Arte pré-histórica 13 Arte greco-romana 14 Arte bizantina 15 Arte medieval 16 Renascimento inicial 17 Renascimento nórdico 18 Renascimento 19 Alto renascimento 20 Renascimento veneziano 21 Maneirismo
22 Era de ouro holandesa 23 Barroco
24 Rococó 25 Neoclassicismo 26 Romantismo 27 Realismo 28 Impressionismo 29 Pós-impressionismo 30 Neoimpressionismo 31 Art Nouveau 32 Expressionismo 33 Expressionismo alemão 34 Fauvismo
35 Cubismo 36 Futurismo 37 Suprematismo 38 Dadaísmo 39 Neoplasticismo 40 Realismo mágico 41 Surrealismo
42 Expressionismo abstrato 43 Colour Field
44 Pop Art
45 Arte performática 46 Minimalismo 47 Arte conceitual
OBRAS
50 Grande Sala dos Touros (Lascaux) 52 Vênus de Milo
54 Cristo Pantocrator 56 Lamentação, Giotto
58 Retrato do casal Arnolfini, Van Eyck 60 Primavera, Botticelli
64 Hércules na encruzilhada, Dürer 66 Pietà, Michelangelo
68 Mona Lisa, Da Vinci
70 Cristo cai a caminho do calvário, Rafael 72 Vênus de Urbino, Ticiano
76 Caçadores na neve, Bruegel 78 Espólio de Cristo, El Greco 80 Baco, Caravaggio
82 Judite matando Holofernes, Gentileschi 84 Descida da cruz, Rubens
86 Apolo e Dafne, Bernini
88 Autorretrato com os olhos arregalados, Rembrandt
90 As Meninas, Velázquez
92 Moça com brinco de pérola, Vermeer 94 O balanço, Fragonard
96 Juramento dos Horácios, David 100 Alto das cataratas de Reichenbach: Arco-
íris, Turner
102 Três de maio de 1808, Goya 104 Massacre de Quios, Delacroix 106 Banho turco, Ingres
108 Olympia, Manet
110 Impressão, nascer do sol, Monet 112 A Idade do Bronze, Rodin
114 Uma tarde de domingo na ilha de Grande Jatte, Seurat
116 Café noturno, Van Gogh 118 O grito, Munch
120 Natureza-morta com cebolas, Cézanne 124 Barcos em Collioure, Derain
126 O beijo, Klimt 128 Acordeonista, Picasso
130 Formas únicas de continuidade no espaço, Boccioni
132 Rua com prostituta de vermelho, Kirchner
134 Quadrado vermelho, Malevich 136 Fonte, Duchamp
138 Os amantes, Magritte 140 As duas Fridas, Kahlo
142 Broadway Boogie Woogie, Mondrian 144 Caminhos ondulados, Pollock 146 Sem título, Rothko
148 O caracol, Matisse
150 Sem título, a partir de “Marilyn”, Warhol
152 Sem título, Judd
154 Eu gosto da América e a América gosta de mim, Beuys
156 A impossibilidade física da morte na mente de alguém vivo, Hirst TEMAS
160 Animais 161 Figuras humanas 162 Religião
163 Retrato 164 Autorretrato 165 Interiores 166 Mitologia 167 Alegoria 168 Paisagem 169 Cor 170 Gênero 171 Natureza 172 Guerra 173 História 174 Paisagens marinhas 175 Natureza-morta 176 Isolamento 177 Morte 178 Inconsciente 179 Amor 180 Movimento 181 Paisagens urbanas
182 Forma e formato 183 Man-made 184 Abstração 185 Consumismo TÉCNICAS
188 Lápis 189 Cerâmica 190 Mosaico 191 Giz 192 Mármore 193 Têmpera 194 Douração 195 Underpainting 196 Sfumato 197 Óleo sobre painel 198 Perspectiva linear 199 Perspectiva atmosférica 200 Escorço
201 Xilogravura 202 Argila 203 Óleo sobre tela 204 Afresco 205 Chiaroscuro 206 Gravura 207 Água-forte 208 Pena e tinta 209 Câmera escura 210 Aquarela 211 Bronze 212 Pontilhismo 213 Impasto 214 Ready-mades 215 Guache 216 Colagem 217 Serigrafia 218 Índice 223 Museus
224 Créditos das imagens
as criaram foram por vezes ridicularizados ou desacreditados ao produzir ou apresentar suas obras pela primeira vez. Contudo, por fazerem algo diferente e se recusarem a seguir as convenções, esses artistas mudaram o rumo da história da arte. Embora, do ponto de vista atual, muitas dessas obras possam parecer banais ou pouco revolucionárias aos olhos contemporâneos, várias delas foram consideradas chocantes ou irreverentes quando foram originalmente criadas.
Cada obra é discutida e analisada dentro de seu contexto, e uma breve biografia proporciona uma compreensão maior dos artistas e das razões pelas quais produziram sua criações de vanguarda naquele momento específico.
Temas
EDWARD HOPPER: “SE EU PUDESSE EXPRESSAR ISSO COM PALAVRAS, NÃO HAVERIA RAZÃO PARA PINTAR”
Representados de inúmeras maneiras por diferentes artistas, muitas vezes os mesmos temas – ou temas semelhantes – apareceram no decorrer da história em uma grande variedade de contextos. Explorar a arte através dos temas pode aumentar nossa compreensão das intenções e ideias que ela representa.
Os temas na arte são, muitas vezes, mensagens sobre a vida, a sociedade ou a natureza humana e costumam ser mais insinuados que explicitamente declarados. Esses temas, que não correspondem exatamente ao assunto específico da obra, muitas vezes são ambíguos ou vagos. Alguns temas – como paisagem, religião ou cor – são mais prevalentes durante determinados movimentos ou períodos.
Técnicas
GEORGES BRAQUE: “HÁ MAIS SENSIBILIDADE NA TÉCNICA DO QUE NO RESTANTE DO QUADRO”
Do desenho a carvão à serigrafia e do afresco ao escorço, desde que a arte foi produzida pela primeira vez, os artistas desenvolveram inúmeras técnicas e métodos. O capítulo Técnicas explica e explora a evolução de muitas das principais técnicas artísticas usadas ao longo da história, como o underpainting, a água-forte, o método da cera perdida, a pintura a óleo e o impasto.
Discutem-se também os materiais em relação aos métodos, e são citados muitos artistas que usaram ou inventaram certas técnicas, além de várias mudanças de abordagem e fatos relevantes.
8 INTRODUÇÃO
76 OBRAS OBRAS 77
RENASCIMENTO NÓRDICO p.17 ÓLEO SOBRE PAINEL p. 197 PAISAGEM p. 168 GÊNERO p. 170 UNDERPAINTING p. 195 Geralmente considerado o maior pintor flamengo do século xvi, Pieter Bruegel, o Velho (1525-1569) pintou cenas religiosas e mitológicas, alegorias e sátiras sociais em um estilo narrativo original.
Também conhecida como O regresso dos caçadores, esta obra faz parte de uma série pintada por Bruegel que representa os meses do ano. Retratando janeiro, ela era a primeira do friso, portanto as árvores na lateral esquerda serviam de moldura. Como era característico de Bruegel, a pintura é repleta de detalhes. Tendo conseguido pouca coisa pelo trabalho do dia, três caçadores e seus cães cruzam um vale gelado de volta para casa aparentemente exaustos.
Sobre a paisagem nevada podem-se ver várias atividades, como pessoas andando em trenós, patinando em lagos congelados e camponeses tentando apagar uma fogueira.
O dia está frio e calmo. Pingentes de gelo acumulam-se numa roda de moinho, as árvores escuras estão sem folhas e a fumaça paira no ar. A maneira como o pintor faz a neve se ressaltar em tamanha brancura é um triunfo da técnica. As encostas e picos montanhosos ao longe foram baseados na visita que Bruegel fez aos Alpes em 1552-1553.
OUTRAS OBRAS DE BRUEGEL Provérbios holandeses 1559, Gemäldegalerie, Berlim, Alemanha Brincadeiras infantis 1560, Kunsthistorisches Museum, Viena, Áustria O casamento camponês 1566-1569, Kunsthistorisches Museum, Viena, Áustria
PIETER BRUEGEL, O VELHO
Famoso ainda em vida, Pieter Bruegel, o Velho era às vezes chamado de “Bruegel Camponês” por suas representações detalhadas de camponeses e da vida nas aldeias. No início de sua carreira, ele retratava muitas figuras humanas em dimensões bastante reduzidas, porém mais tarde suas figuras se tornaram maiores, e suas composições, mais ambiciosas. Ele foi o primeiro de uma grande família de pintores.
Hunters in the Snow
PIETER BRUEGEL, O VELHO: ÓLEO SOBRE PAINEL • 117 × 162 CM • KUNSTHISTORISCHES MUSEUM, VIENA, ÁUSTRIA
1565
18 MOVIMENTOS MOVIMENTOS 19
14001550–
1490– 1530
Abrangendo o renascimento inicial, o nórdico e o alto renascimento, o termo renascimento ou renascença descreve o “renascer” de um novo interesse pelo aprendizado e proliferação das artes na Europa, assim como seu desenvolvimento.
Uma quantidade surpreendente da arte e dos escritos renascentistas sobreviveu – e muito mais se perdeu.
Novas tecnologias e técnicas, incluindo a descoberta das leis matemáticas da perspectiva linear, a invenção da prensa tipográfica, um novo sistema astronômico, a produção do lápis de grafite, o uso da tinta a óleo e a fundição de bronze com cera perdida acompanharam as novas ideias. O renascimento teve seu apogeu no
fim do século xv e início do século xvi, quando os artistas procuravam capturar a experiência e a emoção humanas, e a beleza e o mistério do mundo natural. Pela primeira vez desde a Antiguidade clássica, a arte se tornou convincentemente realista.
Os temas religiosos eram os mais comuns, enquanto os retratos refletiam um novo senso de autoestima, e histórias mitológicas eram representadas por seus ensinamentos morais. Os artistas alcançaram um prestígio equivalente ao dos poetas e membros da corte: a genialidade de Leonardo da Vinci (1452-1519) foi reconhecida em Florença, Milão, Roma e na França, e consta que o imperador Carlos v se abaixou para apanhar o pincel de Ticiano.
FIGURAS HUMANAS p.161 RELIGIÃO p.162 PORTRAITURE p.163 MITOLOGIA p.166 AMOR p.179 MORTE p.177 AFRESCO p.204 TÊMPERA p.193 ARGILA p.202 BRONZE p.211 PERSPECTIVA LINEAR p.198
FATOS RELEVANTES Ao longo do século xv, Florença foi o centro mais produtivo da arte na Itália, muitas vezes chamada de “berço do renascimento”. Mas, no século xvi, Roma e Veneza a ultrapassaram em importância, e muitas outras cidades italianas – especialmente Urbino, Mântua, Ferrara, Bolonha e Milão – também desenvolveram “escolas”
artísticas significativas.
A partir do final do século xv, quando o poder papal se estabilizou em Roma, vários papas encomendaram obras de arte e arquitetura, determinados a restaurar a antiga glória da cidade.
Nos primeiros anos do século xvi (o período do alto renascimento), progressos anteriores culminaram em uma síntese harmoniosa e um novo estilo clássico e heroico para a figura humana. Os papas Júlio ii (1503-1513) e Leão x (1513-1521), em particular, encomendaram projetos extensos e ambiciosos a artistas de enorme talento, sobretudo Rafael (1483-1520) e Michelangelo (1475-1564) com as Stanze do Vaticano e o teto da Capela Sistina, onde eles implementaram totalmente os ideais do humanismo e aperfeiçoaram os métodos do realismo e ilusionismo.
Havia a crença de que o passado clássico tinha sido não apenas igualado, como superado. Os artistas tinham acesso a
técnicas extremamente elaboradas de perspectiva linear e atmosférica, escorço, gradação tonal e a novas cores vivas e repletas de “nuances” ou “matizes”. Muitos dos artistas tinham um conhecimento avançado de anatomia, mostravam incríveis habilidades no uso dos materiais e empregavam grande imaginação.
Madona e o Menino com o nascimento da Virgem e o encontro de Joaquim e Ana, Filippo Lippi, c. 1452, óleo sobre madeira, 135 cm de diâmetro, Galleria Palatina, Palazzo Pitti, Florença, Itália
Banquete na casa de Levi, Paolo Veronese, 1573, pintura a óleo, 5,55 × 13,1 m, Gallerie dell’Accademia, Veneza, Itália
Renascimento
PRINCIPAIS ARTISTAS: PIERO DELLA FRANCESCA • SANDRO BOTTICELLI • PERUGINO ANDREA MANTEGNA • FILIPPO LIPPI
Alto renascimento
PRINCIPAIS ARTISTAS: LEONARDO DA VINCI • MICHELANGELO • RAFAEL • ANDREA SANSOVINO • ANDREA DEL SARTO • PAOLO VERONESE
FATOS RELEVANTES A partir das bases estabelecidas por seus antecessores, os artistas do alto renascimento criaram composições ambiciosas usando efeitos precisos de perspectiva e figuras humanas observadas atentamente. Embora reverenciassem a Antiguidade clássica, eles refletiam novas atitudes em relação à beleza e à harmonia – todos com extraordinárias capacidades técnicas. Pela primeira vez, alguns artistas se tornaram famosos por suas inovações e habilidades.
FIGURAS HUMANAS p.161 RELIGIÃO p.162 RETRATO p.163 MITOLOGIA p.166 ALEGORIA p.167 AMOR p.179 ÓLEO SOBRE TELA p.203 MÁRMORE p.192 BRONZE p.211 GIZ p.191 ESCORÇO p.200 SFUMATO p.196
Como usar este livro
Este livro está dividido em quatro capítulos separados: Movimentos, Obras, Temas e Técnicas. Cada capítulo pode ser lido independentemente dos outros. A parte central do livro – Obras – apresenta 50 obras
Datas importantes
Fatos relevantes
Referências a temas e técnicas
Informações gerais sobre o artista Principais artistas
Outras obras importantes do artista
importantes feitas por artistas famosos.
As referências no rodapé de cada página conduzem o leitor de um capítulo para outro, enquanto os blocos em destaque apresentam fatos relevantes e o histórico de cada artista.
Artista, técnica, dimensões e local Data da obra
Referências a movimentos, temas e técnicas
9
ARTE PRÉ-HISTÓRICA 12 • ARTE GRECO-ROMANA 13 • ARTE BIZANTINA 14 ARTE MEDIEVAL 15 • RENASCIMENTO INICIAL 16 • RENASCIMENTO NÓRDICO 17 RENASCIMENTO 18 • ALTO RENASCIMENTO 19 • RENASCIMENTO VENEZIANO 20 MANEIRISMO 21 • ERA DE OURO HOLANDESA 22 • BARROCO 23 • ROCOCÓ 24 NEOCLASSICISMO 25 • ROMANTISMO 26 • REALISMO 27 IMPRESSIONISMO 28 PÓS-IMPRESSIONISMO 29 • NEOIMPRESSIONISMO 30 • ART NOUVEAU 31 EXPRESSIONISMO 32 • EXPRESSIONISMO ALEMÃO 33 • FAUVISMO 34 • CUBISMO 35 • FUTURISMO 36 • SUPREMATISMO 37 • DADAÍSMO 38 • NEOPLASTICISMO 39 REALISMO MÁGICO 40 • SURREALISMO 41 • EXPRESSIONISMO ABSTRATO 42 COLOUR FIELD 43 • POP ART 44 • ARTE PERFORMÁTICA 45 • MINIMALISMO 46
ARTE CONCEITUAL 47
Movimentos
20 MOVIMENTOS
1430– 1550
Nos séculos x e xvi, Veneza era a cidade mais poderosa da Itália, tendo enriquecido graças a quase mil anos de comércio e à recente aquisição de territórios no continente e colônias no Mediterrâneo oriental.
Os artistas venezianos tornaram-se reconhecidos internacionalmente por seus quadros em cores vibrantes, que exploravam as novas técnicas de pintura a óleo vindas do norte. A dinastia artística mais importante do renascimento inicial em Veneza foi a família Bellini, que compreendia Jacopo Bellini (c. 1400-1470) e seus filhos Gentile (c. 1429-1507) e o grande Giovanni (c. 1430-1516), que continuou a inovar até a idade avançada, além da
nova geração de Giorgione (1477-1510), Ticiano (1488/1490-1576) e Sebastiano del Piombo (c. 1485-1547). Após a morte prematura de Giorgione, Ticiano passou a ser reconhecido como o maior pintor do século xvi, exportando suas obras para a França, a Espanha e o restante da Itália.
Giorgione e Ticiano foram os primeiros artistas a usar cenários de paisagens como elementos importantes em seus quadros. O magnífico colorido de Ticiano (muitas vezes comparado ao “desenho” de Michelangelo) foi continuado por Tintoretto (1518-1594) e Paolo Veronese (1528-1588), que deram início aos temas e esquemas decorativos dos palácios barrocos do século xvii.
FIGURAS HUMANAS p.161 RELIGIÃO p.162 RETRATO p.163 MITOLOGIA p.166 ALEGORIA p.167 AMOR p.179 MORTE p.177 PAISAGEM p.168 ÓLEO SOBRE TELA p.203 GIZ p.191
FATOS RELEVANTES A partir da segunda metade do século xv, o estilo distinto da pintura veneziana tornou-se evidente, reconhecido por suas cores fortes, perspectiva dramática e composições dinâmicas. Os pintores venezianos foram os primeiros a abandonar o painel de madeira em favor da tela como suporte para a tinta a óleo, com um acabamento mais “solto”.
A tempestade, Giorgione, c. 1508, óleo sobre tela, 82 × 73 cm, Gallerie dell’Accademia, Veneza, Itália
Renascimento veneziano
PRINCIPAIS ARTISTAS: GIOVANNI BELLINI • GIORGIONE • TITIAN • TINTORETTO • PAOLO VERONESE • JACOPO SANSOVINO
MOVIMENTOS 21
1520– 1600
A partir da década de 1520, um novo estilo de pintura surgiu na tentativa de levar adiante as realizações artísticas do alto renascimento, porém, muitas vezes perturbando sua harmonia em nome do efeito e do virtuosismo.
Originado do termo italiano “maniera”, que significa maneira ou estilo, o maneirismo é um movimento pictórico que se desenvolveu entre 1510 e 1520 na Itália, entre artistas que valorizavam cada vez mais a originalidade acima de tudo.
A palavra destinava-se a descrever o padrão de excelência atingido no alto renascimento, que toda arte deveria passar a seguir, mas na prática levou à estilização e ao uso da arte “para mostrar a arte”, às vezes com grande sucesso – como na obra do aprendiz de Rafael, Giulio Romano (c.
1499-1546), em Mântua. O maneirismo ganhou uma conotação negativa quando se tornou obsessivo e quando a arte começou a ofuscar ou obscurecer o que estava sendo representado: o Concílio de Trento, com novas regras para a arte sacra, reagiu contra os excessos do maneirismo. Embora o termo seja aplicado principalmente à arte italiana, houve também um maneirismo nórdico. Os maneiristas do norte incluem Hendrick Goltzius (1558-1617) e Bartholomeus Spranger (1546-1611), artistas de enorme talento que criaram composições mitológicas complexas e retorcidas.
Natividade, Antonio da Correggio, c. 1529-1530, óleo sobre tela, 256,5 × 188 cm, Gemäldegalerie Alte Meister, Dresden, Alemanha
Maneirismo
PRINCIPAIS ARTISTAS: PARMIGIANINO • ANTONIO DA CORREGGIO • ROSSO FIORENTINO • PONTORMO • GIULIO ROMANO
FATOS RELEVANTES
O maneirismo foi um estilo que surgiu nas cortes, movido por uma necessidade de competir e de agradar patronos autocráticos que desejavam usar a arte para ostentar sua magnificência. A pintura maneirista muitas vezes parece artificial, com exageros que incluem figuras alongadas, poses estranhas, efeitos de luz, perspectiva e proporções incomuns e cores extravagantes.
FIGURAS HUMANAS p.161 RELIGIÃO p.162 MITOLOGIA p.166 ALEGORIA p.167 AMOR p.179 MORTE p.177 MÁRMORE p.192 BRONZE p.211 GIZ p.191 PENA E TINTA p.208
MOVIMENTOS 33
1905– 1935
O movimento expressionista que surgiu na Alemanha começou com dois movimentos menores: Die Brücke, em Dresden, e Der Blaue Reiter, em Munique.
Com seu histórico de artistas fervorosos como Matthias Grünewald (c. 1470-1528), a Alemanha era uma localização natural para o surgimento do expressionismo.
Van Gogh e Edvard Munch (1863-1944) – especiamente seu quadro O grito, de 1893 – também foram fortes influências. Em 1889, uma colônia de artistas formou-se em Worpswede, na Baixa Saxônia, inicialmente pintando paisagens ao estilo dos franceses de Barbizon, mas logo desenvolvendo uma abordagem mais expressionista. Os artistas do Die Brücke expressavam visões sociais radicais por meio de figuras humanas, cenas
urbanas e paisagens, enquanto os artistas do Der Blaue Reiter procuravam injetar valores espirituais na arte por meio da cor. Na década de 1920 surgiu o Neue Sachlichkeit (Nova Objetividade), um estilo artístico que protestava visualmente contra a corrupção e a desmoralização da Alemanha pós-guerra.
Os artistas do Neue Sachlichkeit desejavam retratar a realidade objetiva no lugar do foco subjetivo do expressionismo. Entre eles estavam Max Beckmann (1884-1950), Otto Dix (1891-1969) e George Grosz (1893-1959), que produziam imagens pungentes e satíricas da sociedade de Weimar. Muitos expressionistas alemães ficaram traumatizados com a Primeira Guerra Mundial e, a partir de 1915, sua obra tornou-se uma forma de protesto consciente.
FIGURAS HUMANAS p. 161 FORMA E FORMATO p. 182 ABSTRAÇÃO p. 184 COR p. 169 PAISAGEM p. 168 MAN-MADE p. 183 ISOLAMENTO p. 176 GUERRA p. 172 ANIMAIS p. 160 LÁPIS p. 188 ÁGUA-FORTE p. 207
FATOS RELEVANTES
O centro de arte mais importante da Alemanha no início do século xx era a galeria Der Sturm, em Berlim, que exibia obras expressionistas, especialmente pinturas de artistas do Die Brücke e Der Blaue Reiter. A galeria foi fundada e dirigida pelo crítico de arte alemão de esquerda Herwarth Walden (1879-1941), que também lançou a revista Der Sturm, defensora do expressionismo alemão.
Rua com prostituta de vermelho, Ernst Ludwig Kirchner, 1914-1925, óleo sobre tela, 125 × 90,5 cm, Museo Nacional Thyssen-Bornemisza, Madri, Espanha (ver Obras p. 132)
Expressionismo alemão
PRINCIPAIS ARTISTAS: ERNST LUDWIG KIRCHNER • MAX BECKMANN • OTTO DIX • GEORGE GROSZ • EMIL NOLDE • MAX PECHSTEIN
34 MOVIMENTOS
1905– 1909
Inspirados inicialmente por diversos pós-impressionistas, o grupo de pintores que passaram a ser chamados de Les Fauves (“As Feras”) usava cores vivas e pinceladas soltas.
Vários fauvistas, como Henri Matisse (1869-1954), Albert Marquet (1875-1947) e Georges Rouault (1871-1958), haviam sido alunos do artista simbolista Gustave Moreau (1826-1998) e a maioria deles foi inspirada pela forma como Cézanne (1839- 1906) explorou a solidez, pelas pinceladas expressivas de Vincent van Gogh (1853- 1890) e pelo uso de cores puras justapostas de Georges Seurat. Matisse geralmente é visto como líder do fauvismo, e os outros artistas o acompanharam no uso de cores intensas para descrever a luz e o espaço e
transmitir emoções inspiradoras. Muito influenciado pelo ensinamento de Moreau, de que a expressão pessoal era um aspecto importante de um grande pintor, Matisse também foi particularmente influenciado pelo pontilhismo de Seurat. Abandonando os anseios dos artistas anteriores para criar imagens realistas, os fauvistas usaram as cores de novas maneiras para projetar uma atmosfera positiva e estabelecer um senso de estrutura sem reproduzir diretamente a realidade. Suas formas simplificadas e cores saturadas também chamavam a atenção para suas superfícies sem profundidade, e suas reações emocionais e sua intuição eram consideradas mais importantes do que teorias acadêmicas ou temas elevados.
Barcos em Collioure, André Derain, 1905, óleo sobre tela, 38,4 × 46 cm, coleção particular (ver Obras p. 124)
Fauvismo
PRINCIPAIS ARTISTAS: HENRI MATISSE • ANDRÉ DERAIN • MAURICE DE VLAMINCK • HENRI MANGUIN • ALBERT MARQUET
FIGURAS HUMANAS p. 161 COR p. 169 FORMA E FORMATO p. 182 ABSTRAÇÃO p. 184 MOVIMENTO p. 180 PAISAGEM p. 168 RETRATO p. 163 ÓLEO SOBRE TELA p. 203 CERÂMICA p. 189 COLAGEM p. 216
FATOS RELEVANTES Com suas inovações no uso da cor, expressão e enfatizando a planicidade das superfícies pintadas, o fauvismo tornou-se um precursor do cubismo, do expressionismo e da abstração. Quando um grupo liderado por Matisse fez uma exposição em Paris em 1905, o crítico Louis Vauxcelles (1870-1943) descreveu seus quadros como “feras”.
GRANDE SALA DOS TOUROS (LASCAUX) 50 • VÊNUS DE MILO 52 • CRISTO PANTOCRATOR 54 • LAMENTAÇÃO GIOTTO 56 • RETRATO DO CASAL ARNOLFINI VAN EYCK 58 PRIMAVERA BOTTICELLI 60 • HÉRCULES NA ENCRUZILHADA DÜRER 64 • PIETÀ MICHELANGELO 66 • MONA LISA DA VINCI 68 • CRISTO CAI A CAMINHO DO CALVÁRIO RAFAEL 70 • VÊNUS DE URBINO TICIANO 72 • CAÇADORES NA NEVE BRUEGEL 76 ESPÓLIO DE CRISTO EL GRECO 78 • BACO CARAVAGGIO 80 • JUDITE MATANDO HOLOFERNES GENTILESCHI 82 • DESCIDA DA CRUZ RUBENS 84 • APOLO E DAFNE BERNINI 86 • AUTORRETRATO COM OS OLHOS ARREGALADOS REMBRANDT 88 AS MENINAS VELÁZQUEZ 90 • MOÇA COM BRINCO DE PÉROLA VERMEER 92 O BALANÇO FRAGONARD 94 • JURAMENTO DOS HORÁCIOS DAVID 96 • ALTO DAS CATARATAS DE REICHENBACH: ARCO-ÍRIS TURNER 100 • TRÊS DE MAIO DE 1808 GOYA 102 • MASSACRE DE QUIOS DELACROIX 104 • BANHO TURCO INGRES 106 • OLYMPIA MANET 108 • IMPRESSÃO, NASCER DO SOL MONET 110 • A IDADE DO BRONZE RODIN 112 • UMA TARDE DE DOMINGO NA ILHA DE GRANDE JATTE SEURAT 114 CAFÉ NOTURNO VAN GOGH 116 • O GRITO MUNCH 118 • NATUREZA-MORTA COM CEBOLAS CÉZANNE 120 • BARCOS EM COLLIOURE DERAIN 124 • O BEIJO KLIMT 126 ACORDEONISTA PICASSO 128 • FORMAS ÚNICAS DE CONTINUIDADE NO ESPAÇO BOCCIONI 130 • RUA COM PROSTITUTA DE VERMELHO KIRCHNER 132 • QUADRADO VERMELHO MALEVICH 134 • FONTE DUCHAMP 136 • OS AMANTES MAGRITTE 138 AS DUAS FRIDAS KAHLO 140 • BROADWAY BOOGIE WOOGIE MONDRIAN 142 • CAMINHOS ONDULADOS POLLOCK 144 • SEM TÍTULO ROTHKO 146 • O CARACOL MATISSE 148 SEM TÍTULO, A PARTIR DE “MARILYN” WARHOL 150 • SEM TÍTULO JUDD 152 EU GOSTO DA AMÉRICA E A AMÉRICA GOSTA DE MIM BEUYS 154 • A IMPOSSIBILIDADE
FÍSICA DA MORTE NA MENTE DE ALGUÉM VIVO HIRST 156
Obras
50 OBRAS
ARTE PRÉ-HISTÓRICA p.12
Grande Sala dos Touros
RECONSTRUÇÃO DE PINTURAS RUPESTRES DO PERÍODO PALEOLÍTICO, LASCAUX • 350,5 CM DE ALTURA × 1.900 CM DE COMPRIMENTO × 550-750 CM DE LARGURA • MUSÉE DES ANTIQUITÉS, SAINT-GERMAIN-EN-LAYE, FRANÇA
Entre as obras mais conhecidas da arte paleolítica estão as grandes pinturas rupestres da série de cavernas interligadas em Lascaux, na região francesa de Dordogne.
Dentro do complexo de Lascaux fica a chamada Grande Sala dos Touros. Ali, as pinturas preenchem os dois lados da caverna em toda a sua extensão, compreendendo cerca de 130 animais, figuras humanas e símbolos geométricos abstratos. Predominam cavalos, bisões, cervos e touros.
O fato de todos os animais serem retratados de forma realista, quase sempre de lado, e passarem a impressão de movimento atesta a habilidade dos artistas. Entre os muitos animais estão quatro enormes touros negros. Um deles é o maior animal pintado já descoberto na arte rupestre, com 520 cm de comprimento.
A maioria das imagens foi pintada nas paredes com pigmentos minerais. Alguns contornos foram entalhados.
Os pigmentos são predominantemente vermelhos, marrons, brancos e pretos, mas mesmo com uma paleta tão reduzida os artistas conseguiam transmitir a sensação de textura – do pelo, por exemplo. As superfícies ásperas e as projeções naturais das paredes da caverna foram incorporadas na representação dos animais, enfatizando seu contorno e estrutura. É provável que houvesse um artista “mestre”, auxiliado por assistentes que misturassem os pigmentos e segurassem lamparinas de gordura animal para iluminar o espaço.
OS ARTISTAS DE LASCAUX
A Grande Sala dos Touros fica nas profundezas das cavernas de Lascaux, razão pela qual se costuma acreditar que as imagens tenham sido pintadas como uma forma de ritual religioso, não como ornamento.
Os instrumentos rudimentares usados para aplicar o pigmento sobre o calcário úmido provavelmente incluíam gravetos aos quais se prendiam pelos de animais, para pincelar a tinta entre as fendas.
c. 16 mil – 14 mil a.C
OBRAS 51
ANIMAIS p.160 GIZ p.191 OUTRAS OBRAS PALEOLÍTICAS
Vênus de Willendorf Naturhistorisches Museum, Viena, Áustria Homem com cabeça de pássaro com bisão Lascaux, França Horseshoe Canyon Utah, Estados Unidos
58 OBRAS
RENASCIMENTO NÓRDICO p.17 Famoso pelas técnicas pioneiras no uso da pintura a óleo e por explorar as múltiplas camadas de tinta que elas permitiam, Jan van Eyck (1390-1441) representou figuras humanas e objetos com detalhes minuciosos e cores intensas e abundantes.
Um dos primeiros artistas a usar tinta a óleo em lugar da têmpera, as pinturas coloridas e detalhadas de Jan van Eyck estão imbuídas de sutis efeitos de luz. Este é um retrato duplo de Giovanni de Nicolao Arnolfini (1400-1452) e talvez de sua falecida esposa, Costanza Trenta (c. 1405-1433). Arnolfini vinha de uma próspera família de mercadores de Lucca, mas vivia em Bruges, que era um importante centro de comércio. Costanza não está grávida, ela apenas ergue sua farta e pesada saia – um sinal da riqueza do casal. Eles se encontram em um quarto do piso superior no início do verão, como indicam os frutos na cerejeira do lado de fora. Entre os vários sinais de riqueza incluem-se o espelho, o grande candelabro de bronze, as laranjas e o elegante cortinado da cama. Refletidas no espelho estão duas figuras junto à entrada do recinto. Uma delas, provavelmente, é o próprio Jan van Eyck. A mão erguida de Arnolfini acusa a presença das figuras. A pintura não é um simples retrato, mas um quadro cuidadosamente calculado para transmitir várias mensagens – nas laranjas que simbolizam amor e fertilidade, nos caros tamancos de Arnolfini, que apontam para o mundo do lado de fora, insinuando sua atividade cosmopolita, e no cãozinho que representa fidelidade e lealdade. A assinatura ornamentada em latim na parede “Johannes de eyck fuit hic, 1434” significa “Jan van Eyck esteve aqui, 1434”.
OUTRAS OBRAS DE VAN EYCK Retábulo de Gante c. 1430-1432, Catedral de São Bavão, Gante, Bélgica
A anunciação c. 1434-1436, National Gallery of Art, Washington, DC, Estados Unidos
A Virgem do chanceler Rolin 1435, Musée du Louvre, Paris, França
JAN VAN EYCK
Nascido em Flandres, Jan van Eyck trabalhou inicialmente com seu irmão mais velho, o pintor Hubert van Eyck (1370-1426), mas após a morte de Hubert foi contratado pelo poderoso duque de Borgonha, Felipe, o Bom (1396-1467). Um homem inteligente, educado e muito viajado, Van Eyck trabalhou como diplomata além de sua atividade como artista. Seu trabalho minucioso era bastante admirado, principalmente pelo uso revolucionário da tinta a óleo.
Retrato do casal Arnolfini
JAN VAN EYCK: ÓLEO SOBRE MADEIRA DE CARVALHO • 82,2 × 60 CM • NATIONAL GALLERY, LONDRES, REINO UNIDO
1434
OBRAS 59
FIGURAS HUMANAS p. 161 ALEGORIA p. 167 INTERIORES p. 165 ÓLEO SOBRE PAINEL p. 197 PERSPECTIVA LINEAR p. 198