ANÁLISE DE FITOPLÂNCTON
Exercício realizado na Agência Portuguesa do Ambiente, (APA)
Laboratório de Referência do Ambiente, (LRA)
ABRIL/MAIO 2011
LEONOR CABEÇADAS* e JOÃO FERREIRA**
* Agência Portuguesa do Ambiente, APA
** Instituto da Água, INAG
7 de Junho 2011, INAG
No âmbito de um Projecto de colaboração
INAG, APA e CIIMAR
Kirchneriella spp.
Objectivos:
Realização de um Exercício com vista a comparar a variabilidade dos
resultados de uma análise quantitativa de Fitoplâncton entre os
participantes.
Delinear um procedimento comum a adoptar no próximo Exercício de
Comparação Interlaboratorial
(ECI) de fitoplâncton
de modo a
minimizar potenciais fontes de variabilidade nos resultados entre
participantes.
Tabela 1. Participação de 12 representantes de 11 Entidades
•
Foi preparada a amostra B –
Alvito, de Junho de 2010, em
triplicado .
•
Três grupos de participantes.
Cada grupo analisou 1 dos
replicados.
•
Tempo médio de análise da
amostra ± 3 horas.
Nome do
participante Instituição participante
Carla Gameiro Quimiteste – Engenharia e Tecnologia, S.A.
Cristina Costa AquaExam, Lda.
Elisa Pereira Nostoc – Laboratório de Investigação Biológica, Lda.
Leonor Cabeçadas Agência Portuguesa do Ambiente Manuel Carneiro Águas do Douro e Paiva, S.A. Micaela Vale CIIMAR – Universidade do Porto
Paulo Pereira Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
Sérgio Paulino Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
Sílvia Condinho Águas do Algarve, S.A.
Sónia Gonçalves Labelec – Estudos, Desenvolvimento e Actividades Laboratoriais, S.A.
Susana Nunes Laboratório da Água da Universidade de Évora
Vitor Gonçalves Direcção de Serviços dos Recursos Hídricos/Universidade dos Açores
Para uma estimativa de contagem de fitoplâncton estatísticamente aceitável,
recomenda-se serem contadas pelo menos 50 unidades de cada um dos taxon
dominantes (células, colónias ou filamentos). A contagem total deve atingir os 500
indivíduos (Venrick, 1978).
A Tabela 2 e Figura 1 mostram a relação entre o nº de unidades contadas e a
precisão.
Considerando que o método de Utermöhl se baseia no pressuposto de que a
distribuição das células no fundo da câmara de sedimentação é a de Poisson, a
precisão é dada pela seguinte equação:
Nº de células contadas L.C. ± (%) 1 200 2 141 3 116 4 100 5 89 6 82 7 76 8 71 9 67 10 63 15 52 20 45 25 40 40 32 50 28 75 23 100 20 200 14 400 10 500 9 700 8 1000 6 2000 5 5000 3
Tabela 2. Relação entre o nº de células contadas e o limite de confiança (L.C.), (para um nível
de confiança de 95% (Anderson & Thröndsen 2003).
0 50 100 150 200 250 0 100 200 300 400 500 600 700 800
L.C. ( %)
nº de células contadasPara manter uma precisão aceitável (28%) é suficiente contar 50
unidades de cada um dos taxon dominantes . Para se obter uma
precisão de 10 a 9% a contagem total deve situar-se entre os 400
e os 500 indivíduos (Olrik et al., 1998).
Fig.1 Relação entre o nº de células contadas e o limite de
A conversão das contagens de fitoplâncton para a respectiva concentração, C (densidade
/abundância ) num determinado volume de amostra (normalmente litro ou mililitro)
obtêm-se através da seguinte equação:
Onde:
C = Concentração (densidade/abundância) das espécies fitoplanctónicas (respectivamente
Células l
-1e Células ml
-1)
V = volume da câmara de contagem (ml)
A
t= área total da câmara de contagem (mm
2)
A
c= área contada da câmara de contagem (mm
2)
N = nº de células das espécies contadas
Procedimento adoptado para todos os participantes, Método de Utermöhl,
NE 15204, 2006:
Fig. 2 –
Sedimentação, para evitar a formação debolhas de ar na câmara de sedimentação ** colocou-se ao lado uma caixa de Petri com água e ambas foram cobertas com caixa de plástico forrada com papel de filtro humedecido para manter a humidade.
Nota* = préviamente homogenizada durante 1 min.
3 - Área do fundo da câmara de
sedimentação = 491 mm
24 - Estratégia de contagem:
6 T em 200X – Área observada= 54 mm
2(
11% da área do fundo da câmara)
6 T em 400X – Área observada= 27 mm
2(
6% da área do fundo da câmara).
5 - Factores de conversão para o cálculo
da concentração de fitoplâncton em
número de células por litro:
6 T em 200X = 3795
6 T em 400X = 7506
1 – Sedimentação de uma alíquota*
da amostra B - Alvito Junho 2010 numa
câmara de sedimentação.
2 - Volume de amostra sedimentado **
= 2,4 ml
Nota** = câmara de sedimentação previamente calibrada por pesagem.
6 - Os taxa seleccionados para contagem na ampliação de 200X foram
os seguintes:
•Aphanizomenon sp.– filamento (21 células/filamento) •Woronichinia spp.– colónia (128 células/colónia)
•Coelastrum reticulatum – coenobia > 20 µm (32 células/coenobium) •Chlorococcales coloniais – colónia > 20 µm (7 células/colónia)
•Closterium aciculare – célula solitária
•Closterium acutum var. variabile – célula solitária •Cosmarium spp.- célula solitária
•Staurastrum spp.– célula solitária •Cryptomonas obovata - célula solitária
7 - Os taxa seleccionados para a contagem na ampliação de 400X foram
os seguintes
:•Merismopedia spp.– coenobia (4 células/coenobium)
•Coelastrum reticulatum – coenobia < 20 µm (16 células/coenobium) •Crucigenia spp.– coenobia (4 células/coenobium)
•Oocystis spp.– coenobia (4 células/ceoenobium) •Tetraedron spp.– célula solitária
•Chlorococcales não coloniais < 20 µm – célula solitária •Chlorococcales coloniais < 20 µm (5 células/colónia) •Cyclotella spp.– célula solitária
•Chroomonas acuta – célula solitária
•Nanofitoflagelados não identificados – célula solitária
Notas:
Para a espécie Coelastrum reticulatum distinguiram-se duas classes de tamanho (coenobium > 20 µm e coenobium < 20 µm) quantificadas cada uma delas em ampliações diferentes, respectivamente em 200X e 400X.
Tabela 3
. Resultados obtidosFitoplâncton total, Nanoplâncton e Micro plâncton (cel/ml)
Participante FitoTotal Nano Micro Código (cel /ml) (cel/ml) (cel/ ml)
ELab11A01 59298 50883 8842 1ª semana ELab1102 59638 43820 15818 câmara 1 ELab1104 47951 37222 10728 n=5 ELab1108 58925 45817 13108 ELab1111 62700 50981 11719 ELab11A02 64093 53698 10801 2ª semana ELab1101* 59651 50869 8782 câmara 2 ELab1106 41302 30122 11180 n=6 ELab1110 33285 24845 8440 ELab1112# 51275 40175 11100 ELab1113 87395 76494 10865 ELab11A04 70131 60423 9708 3ª semana ELab1105& 106004 88578 18144 câmara 3 ELab1109** 73900 58262 18336 n=4 ELab11A04d 71434 59275 12144 Média 63132 51431 11981 SD 17842 16436 3138 CV% 28 32 26 N 15 15 15 Mediana 59651 50883 11100 Estratégia de contagem
Todos os Participantes Excepções
6T 200x * , & 2T 400x 6T 400x # 3T 400x
Fig.3 – Resultados obtidos pelos participantes para a análise quantitativa de
Fitoplâncton Total e para as fracções respectivamente de nanofitoplâncton
e microfitoplâncton (cel/ml).
0 20000 40000 60000 80000 100000 120000 FitoTotal (cel/ml) Nano (cel/ml) Micro (cel/ml)(cel/ml
)
Fig. 4 – Boxplots para resultados de Fitoplâncton total, Nanoplâncton e
0 20000 40000 60000 80000 100000 120000 140000 FitoTotal (cel/ml) Média (cel/ml) (-3SD) (+3SD) (cel/ml)
Fig.5 – Resultados obtidos pelos participantes para a análise quantitativa de
Fitoplâncton Total (cel/ml). A média (63 132 cel/ml) e ± 3SD (9 607 e 116 651
cel/ml) são calculados com base nos resultados de todos os participantes.
Limite Superior de Controlo, LSC
0 20000 40000 60000 80000 100000 120000
Fracção do Nanofitoplâncton (cel/ml) Nano (cel/ml)
Fig.6 - Resultados para a fracção de
nanofitoplâncton
(cel/ml).
Fig.7 – Boxplot para a fracção de
0 20000 40000 60000 80000 100000 120000 Meris* (cel/ml) Cret<20um** (cel/ml)
Fig.8 - Resultados para Merismopedia
spp. e Coelastrum reticulatum <20 µm
(cel/ml) (todos os participantes).
Tabela 4 - Teste-U não paramétrico
Mann-Whitney
Para resultados de Merismopedia spp. (cel/ml) em 2 transeptos 400X vs 6 transeptos 400X (todos os participantes). -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 0 200 400 600 800 1000 Merismopedia spp.
% desvio em relação `a média
*valores aproximados
As duas amostras não são significativamente diferentes (P>=0,05, bi-caudal).
Nº de células contadas
Fig.9 – Percentagem de desvio em
relação à média para contagens de
Merismopedia spp. (nºcélulas) em 2
transeptos em 400X (todos os
participantes).
n1 n2 U P (bi-caudal) P (uni-caudal) 15 11 87 0,838442 0,419221 normal aprox 0,815334* 0.407667* z = 0,23355Fig.10 - Coeficiente de variação (%) referente a cada um dos participantes na contagem
com a ampliação de 400X.
Fig. 11 - Coeficiente de variação (%) referente a cada um dos participantes na contagem
com a ampliação de 200X.
0 5 10 15 20 25 30 35CV% (400X)
0 5 10 15 20 25 30CV% (200X)
CONCLUSÕES
O coeficiente de variação de 28% (n=15) observado para os resultados obtidos pelos
participantes no exercício de análise de fitoplâncton traduz uma variabilidade de
resultados controlada .
Procedimentos a adoptar no futuro exercício
1-Volume de sedimentação
Recomenda-se o uso simultâneo de 3 câmaras de sedimentação de diferentes volumes de
modo a permitir a escolha da mais adequada (ex. 25, 10 e 5 ml).
2-Estratégia de contagem
Células de dimensões elevadas (ex. Ceratium spp.), colónias (ex. Fragilaria spp., Microcystis spp.,
Tabellaria spp.), coenobia (ex. Coelastrum spp., Pediastrum spp., Woronichinia spp.) e
filamentos (ex. Anabaena spp., Aphanizomenon spp., Tribonema spp.) devem ser contados como
uma unidade taxonómica numa ampliação baixa (ex. 200X) em toda a câmara, metade da
câmara ou 6 transeptos, dependendo da abundância da amostra.
Caso seja adoptada uma contagem em meia câmara, esta deve ser feita contando sempre o 2º
transepto de modo a obter uma contagem distribuída por toda área do fundo da câmara e não
a área correspondente à metade superior ou inferior da câmara.
Células de pequenas dimensões (ex. células isoladas de Microcystis spp., Chroomonas spp.,
Plagioselmis spp., Tetraedron spp.), coenobia/colónias de pequenas dimensões (ex.
Merismopedia spp., Crucigenia spp.) devem ser contadas em ampliação elevada (ex. 400X) no
R1479
Merismopedia tenuissima
Lemmermann
Célula: 0,6 – 2 µm
R1476
Merismopedia minima
BeckCélula: 0,5 – 0,6 µm
BIOVOLUME
ø=0,6 μm; V=0,113 μm
3a) 5 000 cel/ml 0,001 mm
3/l
b) 50 000 cel/ml0,006 m
3/l
Fig. 12 – Exemplos da distribuição de Merismopedia spp. na amostra da Albufeira do Alvito
em Junho de 2010. Concentrações de biovolume de Merismopedia spp. calculadas
respectivamente para a) amostra original e b) amostra analisada no exercício de
Abril/Maio de 2011.
REFERÊNCIAS
•
Andersen, P & J. Throndsen, 2003. Estimating cell numbers. In Hallegraeff, G.M. Anderson D.M. & A.D. Cembella (eds) Manual on Harmful Marine Microalgae. Monogr. on Oceanogr. Method. no. 11. p.99-130. UNESCO Publishing, Paris.•
Brierley, B. Carvalho, L. Davies, S. & J. Krokowski, 2007. Guidance on the quantitative analysis of phytoplanktocn in Freshwater samples. Phytoplankton Counting Guidance v1 2007 12 05.dochttp://nora.nerc.ac.uk/5654/1/Phytoplankton_Counting_Guidance_v1_2007_12_05.pdf
•
NE 15204, 2006 - Water quality – Guidance standard on the enumeration of phytoplankton using inverted microscopy (Utermöhl technique).•
Hallegraeff, G.M., Andersen D.M. & A.D. Cembella (eds), 2003. Manual on Harmful Marine Microalgae. UNESCO Publishing, Paris, 793 pp.•
HELCOM, 2003. Manual for Marine Monitoring in the COMBINE Programme of HELCOM, ANNEX C-6: Phytoplankton Species composition, Abundance and Biomass, 12 pp.•
INAG, 2009. Manual para a avaliação da qualidade biológica da água em lagos e albufeiras segundo a Directiva Quadro da Água. Protocolo de amostragem e análise para o Fitoplâncton. Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional. Instituto da Água, I.P.•
Lund, J. W. G., Kipling, C. & E. D. Le Cren, 1958. The inverted microscope method of estimating algal numbers and statistical basis of estimation by counting. Hydrobiologia 11: 2, pp. 143-170.•
Olrik, K., Blomqvist P., Cronenberg G. & P. Eloranta, 1998. Methods for quantitative assessment of phytoplankton in freshwaters, part I. Naturvärdsverket, Svensk miljöövervakning, Rapport 4860.•
Venrick, E.L., 1978. How many cells to count?. – In: Sournia (ed.). Phytoplankton manual. UNESCO Monogr. Oceanogr. Method. 6: 167-180.ERRATA referente ao 3º Exercício de Comparação Interlaboratorial de Junho de 2010
Fot.37 - R1280 Staurastrum brachiatum
(Ralfs) West & West
Célula: 27- 36 x 25 - 48 μm Istmo: 5-9 μm