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AFOGAMENTO AFOGAMENTO CIRURGIA GERAL

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Academic year: 2021

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AFOGAMENTO

CIRURGIA GERAL

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AFOGAMENTO

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SUMÁRIO

VISÃO GERAL ... 4

EPIDEMIOLOGIA ... 4

FATORES DE RISCO E PRECIPITANTES ... 4

DEFINIÇÃO ... 4

FISIOPATOLOGIA ... 5

SINAIS E SINTOMAS ... 6

DIAGNÓSTICO ... 6

TRATAMENTO ... 6

CADEIA DE SOVREVIVÊNCIA DO AFOGAMENTO ... 6

RECONHECIMENTO E ALARME DO INCIDENTE...6

SUPORTE BÁSICO DE VIDA E RESGASTE NA ÁGUA...7

SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA AO AFOGADO...7

ATENDIMENTO HOSPITALAR...8

ALTA DE PACIENTES VÍTIMAS DE AFOGAMENTO...9

PROGNÓSTICO ... 9

PREVENÇÃO ... 10

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VISÃO GERAL

Neste ebook, procura-se expor os concei- tos relativos a definição do afogamento, sua nomenclatura e classificação; a cadeia de sobrevivência; as técnicas mais ade- quadas de resgaste; o tratamento e as abordagens na ressuscitação da criança afogada.

Nos últimos anos, houve acentuada valo- rização do tema, resultando em redução da morbimortalidade por essa causa. No en- tanto, o afogamento ainda consititui grave e negligenciado problema de saúde pú- blica.

EPIDEMIOLOGIA

Mundialmente, o afogamento é uma das 10 principais causas de mortalidade de cri- anças e jovens em todo o mundo. No Bra- sil, o afogamento, mais frequentemente em água doce (rios, lagos e represas), é a segunda causa de morte do sexo mascu- lino na faixa etária entre 5 e 14 anos, e quinta entre as meninas, após óbitos por colisões de veículos. Ainda, é a terceira causa de morte externa para todas as ida- des.

Aproximadamente, 40% a 50% das mor- tes ocorrem durante a recreação na água e, em sua maioria, ocorrem a dez metros de algum tipo de segurança.

FATORES DE RISCO E PRECIPITAN- TES

Idade (em seus extremos), sexo (mascu- lino), uso de bebidas alcoólicas, condições socioeconômicas (considerando renda ou escolaridade) e a falta de supervisão são os principais fatores de risco para o afoga- mento.

Os principais fatores precipitantes incluem ingestão de álcool, uso de sedativos, con- vulsões, trauma (acidentes com barcos in- clusive), doença cardiopulmonar, mergu- lho em apneia e mergulho autônomo, mer- gulho resultando em lesão cervical ou traumatismo craniana. Outros são síncope, câimbras, síndrome do QT longo, sín- drome de imersão, homicídio e suicídio. É importante identificar o perfil das causas determinantes dos casos de afogamento, pois tal identificação pode orientar quanto a métodos específicos de resgaste e res- suscitação.

DEFINIÇÃO

O afogamento é a insuficiência respiratória (por aspiração de líquido não-corporal) re- sultante da submersão ou imersão em meio líquido, pode ou não ser fatal.

O processo de afogamento é um conti- nuum, que começa quando a via aérea do paciente está abaixo do nível da superfície líquida que se ininterrupta. O paciente

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5 pode ser resgatado a qualquer momento

durante o processo e a ele ser fornecida medida apropriada de ressuscitação. Con- sidera-se morte por afogamento, sem chances de iniciar a reanimação, compro- vada por tempo de submersão maior que uma hora, como rigidez cadavérica, livores ou decomposição corporal.

Qualquer incidente de submersão ou imer- são sem evidência de aspiração de líquidos deve ser considerado um resgaste aquá- tico (isto é, eventos em que não se percebe falha respiratória evidente, com ou sem le- sões associadas, ou hipotermia). O termo antigo “quase afogamento” (near-drow- ning) foi abandomado, assim como ex- pressões afogamento “seco” e secundário.

FISIOPATOLOGIA

A alteração mais importante é a hipóxia. E, em geral, a apneia é a primeira resposta automática. O distúrbio respiratório é me- nos influenciado pela composição da água e mais, por sua quantidade. A aspiração de água, seja doce ou salgada, produz des- truição de surfactante, alveolite e edema pulmonar não-cardiogênico, resultando em um aumento do shunt pulmonar e da hipóxia.

Raramente, a quantidade de água aspi- rada é insuficiente para provocar distúr- bios eletrolítico significativo. A fibrilação ventricular, quando ocorre, é relacionada à

hipóxia e à acidose, e não à hemólise ou à hipercalemia.

A hipóxia produz uma sequência de even- tos cardíacos muito conhecida, com taqui- cardia, bradicardia, uma fase de contra- ções cardíacas ineficazes, sem pulso, se- guida então de perda completa do ritmo cardíaco e da atividade elétrica (assistolia).

Os resultados da hipóxia são: diminuição do débito cardíaco, hipotensão arterial, hi- pertensão pulmonar e aumento da resis- tência dos vasos pulmonares. Também é comum a intensa vasoconstrição periférica causada pela hipóxia, liberação de adrena- lina e hipotermia.

Na parada cardiorrespiratória (PCR) cau- sada pelo afogamento, há primeiramente a apneia e, seguida de parada cardíaca, caso a vítima não seja ventilada rapida- mente. É fundamental enfatizar que o co- ração e o cérebro são os dois órgãos com maior risco de dano permanente, após pe- ríodos relativamente curtos de hipóxia. O desenvolvimento de encefalopatia por hi- póxia, com ou sem edema cerebral, é a causa mais comum de morbimortalidade em afogados hospitalizados.

Quanto à hipotermia, que pode ser um pro- blema significante, é induzida pela exposi- ção à água fria. Todavia, a hipotermia tam- bém pode ser protetora por estimular o re-

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6 fluxo do mergulho, diminuir a pulsão e au-

mentar a resistência periférica, desviando o sangue oxigenado de extremidade e in- testino para órgãos nobres. Somado a isso, a hipotermia diminui a necessidade de oxi- gênio dos tecidos, e possivelmente pro- longando a sobrevida e retardando o início do dano tissular por hipóxia.

SINAIS E SINTOMAS

Durante o afogamento, pânico e falta de ar ocorre; e após o regaste, é comum ansie- dade, vômitos, alteração da consciência e respiração ofegante. Pacientes podem apresentar insuficiência respiratória com taquipneia, contrações intercostais ou cia- nose. Esses sintomas respiratórios e a hi- póxia são retardados em até 6 horas após a submersão. Ademais, os pacientes po- dem apresentar sintomas decorrentes de lesões ou exacerbação de doenças subja- centes.

DIAGNÓSTICO

A maioria das vítimas é encontrada perto ou dentro da água, o que torna o diagnós- tico clinicamente óbvio. Além da avaliação e suspeita clínica, para lesões concomitan- tes, exames de imagem e laboratoriais são solicitados conforme indicado.

TRATAMENTO

O tratamento tem por objetivo corrigir pa- rada cardíaca, hipóxia, hipoventilação, hi- potermia e outras alterações fisiológicas.

CADEIA DE SOVREVIVÊNCIA DO AFOGAMENTO

A cadeia de sobrevivência do afogamento compreende desde a prevenção, o atendi- mento pré-hospitalar até a unidade de emergência. No afogamento, o resgate é componente vital para manter o paciente vivo.

RECONHECIMENTO E ALARME DO INCI- DENTE

Qualquer atitude de ajuda deve ser prece- dida pelo reconhecimento de que alguém está se afogando. Ao contrário da crença popular, a vítima não acena com a mão e tampouco chama por ajuda. A vítima en- contra-se tipicamente em posição vertical, com os braços estendidos lateralmente, batendo-os na água. Indivíduos próximos da vítima podem não perceber, assumindo que está apenas brincando na água. A ví- tima pode submergir e emergir a cabeça diversas vezes, enquanto está lutando para se manter acima da superfície. Como a respiração instintivamente tem priori- dade, a vítima de afogamento geralmente é incapaz de gritar por socorro.

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7 SUPORTE BÁSICO DE VIDA E RESGASTE

NA ÁGUA

Para aqueles que não são guarda-vidas, a prioridade é ajudar sem se tornar uma se- gunda vítima. Se possível, as pessoas dis- postas a ajudar podem utilizar técnicas como jogar objetos flutuantes, oferecer longos objetos que alcancem a vítima ou, ainda, orientá-la como proceder para sair daquela situação.

A decisão de realizar o suporte básico de vida na água baseia-se no nível de consci- ência da vítima. Caso esteja consciente, o protocolo consiste em resgate até a terra, sem demais cuidados médicos. Para víti- mas inconscientes, a medida necessária é a instituição imediata de manobras de res- suscitação.

A ressuscitação aquática (ventilação ape- nas) proporciona à vítima chance 20 vezes maior de sobrevivência sem sequelas. Os socorristas devem checar a ventilação e, sempre que possível e indicado, iniciar res- piração boca-a-boca ainda na água. As compressões cardíacas externas não têm como ser realizadas de maneira efetiva na água; logo, a verificação de pulso e as compressões cardíacas devem ser feitas quando a vítima estiver fora da água.

Considerando a baixa incidência de trau- matismo raquimedular no afogamento e a possibilidade de desperdício de tempo

precioso para iniciar a ventilação, a imobi- lização de rotina da coluna cervical du- rante resgate aquático em vítimas de afo- gamento sem sinais de trauma não é reco- mendada. Em caso suspeito de lesão de coluna vertebral, deve-se fazer a vítima flutuar em posição horizontal, permitindo que as vias aéreas permaneçam fora da água, seguida de checar respiração sem hiperextensão do pescoço. Se apneia, ini- ciar respiração boca-a-boca; e, se respira- ção espontânea, estabilizar a cabeça da ví- tima em posição neutra, utilizando as mãos.

SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA AO AFOGADO, EM TERRA

A remoção da vítima para fora da água deve ser realizada de acordo com seu nível de consciência, preferencialmente a posi- ção vertical deve ser adotada, para evitar vômitos e demais complicações de vias aé- reas.

O primeiro passo em terra deve ser posici- onar a vítima em posição paralela ao espe- lho d’água, deitada em decúbito dorsal, distante o suficiente da água a fim de evi- tar as ondas.

Se o paciente não responder à respiração de resgaste, iniciam-se as compressões cardíacas, seguidas por suporte cardíacos de vida avançados.

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8 Embora as diretrizes atuais de ressuscita-

ção cardiopulmonar da American Heart Association recomendem compressões to- rácicas como o primeiro passo para a rea- nimação dos pacientes com parada cardí- aca, o afogamento é uma exceção a essa orientação.

Deve-se evitar tentativas de remover a água dos pulmões porque atrasam a ven- tilação e aumentam o risco de vômitos. A presença de vômito nas vias aéreas pode acarretar mais broncoaspiração e obstru- ção, impedindo a oxigenação. Se for o caso, recomenda-se virar a cabeça da ví- tima lateralmente e remover o vômito com o dedo indicador, com um lenço ou usar aspiração.

A manobra de compressão abdominal (Heimlich) nunca deve ser realizada como meio para eliminar água dos pulmões, pois é ineficaz e gera riscos significativos de le- são.

A oxigenação e/ou a intubação são realiza- das o quanto antes. Deve-se evitar aspira- ção do tubo orotraqueal em demasia, pois pode prejudicar a ventilação. Pacientes com hipotermia são aquecidos e outras medidas de tratamento podem incluir re- moção das roupas, secagem e isolamento.

ATENDIMENTO HOSPITALAR

Todos os pacientes com hipóxia ou mode- radamente assintomáticos são hospitali- zados. No hospital, continuam os trata- mentos de suporte, com objetivo primário de alcançar níveis arteriais aceitáveis de oxigênio e dióxido de carbono.

A ventilação mecânica pode ser necessá- ria. Inicialmente, administram-se 100% de oxigênio; a concentração é escalonada para um nível mais baixo com base nos re- sultados da gasometria. Frequentemente, é necessária pressão positiva final expira- tória (PEEP) para auxiliar a expansão ou manter a desobstrução dos alvéolos. Ape- sar da otimização das configurações do respirador, em caso de não melhora, pode- se considerar a oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO).

Os beta-2-agonsitas nebulizados podem auxiliar na redução do broncospasmo e dos sons sibilantes. Corticoides não são adotados, exceto em casos de broncoes- pasmo refratário. A administração de sur- factante pode ser útil em pacientes com problemas significativos de complacência pulmonar após o afogamento. Pacientes com pneumonia bacteriana são tratados com antibióticos direcionados aos micror- ganismos identificados ou suspeitos com base nos resultados das hemoculturas e/ou testes de escarro.

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9 Raramente são necessários líquidos ou

eletrólitos para corrigir desequilíbrios sig- nificantes. Restrição a líquidos, bem como diuréticos, raramente são indicados. Le- sões e distúrbios concomitantes, tais como lesão cerebral ou cervical, convulsões e ar- ritmia, também podem exigir tratamento específico.

Monitora-se a temperatura corporal cen- tral, tratando a hipotermia.

ALTA DE PACIENTES VÍTIMAS DE AFO- GAMENTO

Pacientes com leves sintomas, pulmões limpos e oxigenação normal devem ser observados no departamento de emer- gência durante seis horas. Se os sintomas regredirem, o exame e a oxigenação esti- verem normais, os pacientes podem ser li- berados com instruções para retornarem em caso de reaparecimento dos sintomas ou pior do quadro clínico.

PROGNÓSTICO

Os fatores que aumentam a probabilidade de sobreviver à submersão sem dano per- manente são: reanimação iniciada precoce (medida mais importante), submersão rá- pida, temperatura da água mais fria, idade mais jovem e ausência de condições médi- cas subjacentes, trauma secundário e as- piração de partículas de substâncias quí- micas.

A sobrevivência pode ser possível em sub- mersão em água fria com mais de 1 hora de duração, especialmente entre crianças;

desse modo, mesmo pacientes em sub- mersão prolongada são vigorosamente re- animados.

Vale ressaltar que múltiplos estudos mos- tram que o prognóstico depende quase que unicamente de um único fator: o tempo de submissão.

Probabilidade de sobrevida neurológica intacta à alta hospitalar, com base no tempo de submersão

Duração da submersão Morte ou lesão cere- bral grave

O a <5 minutos 10%

5 a <10 minutos 56%

10 a <25 minutos 88%

>25 minutos 100%

Notar como a mortalidade aumenta seis vezes quando se passa para 5 a 10 minutos de submer- são, ao se comparar com o grupo de menos de 5 minutos.

Vários sistemas de escore de prognóstico foram desenvolvidos para prever quais pacientes vão evoluir bem com a terapia padrão e quais estão mais propensos a de- senvolver a encefalopatia anóxica isquê- mica, requerendo assim medidas mais agressivas para proteger o cérebro. Um dos escores mais poderosos é a avaliação da escala de coma de Glasgow no período imediato após a ressuscitação (1a hora).

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@jalekoacademicos Jaleko Acadêmicos @grupoJaleko

PREVENÇÃO

Apesar da ênfase no tratamento, a con- duta prioritária é a prevenção. A prevenção permanece sendo a mais poderosa inter- venção terapêutica e pode evitar quase 85% dos casos de afogamento. É impor- tante que a orientação aos pais e/ou aos

cuidadores as medidas de prevenção es- pecificadas. Dessas medidas, podemos ci- tar: aulas de natação, supervisão, uso de dispositivos de flutuação ou coletes salva- vidas, evitar uso de álcool e acesso a salva-vidas treinados e serviços médicos de emergência.

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