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Análise da implantação da logística reversa de embalagens no Brasil

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Academic year: 2022

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“Análise da Implantação da Logística Reversa de Embalagens no Brasil”

por

Élen Dânia Silva dos Santos

Dissertação apresentada com vistas à obtenção do título de Mestre Modalidade Profissional em Saúde Pública.

Orientador: Prof. Dr. Marcelo Motta Veiga

Brasília, novembro de 2013.

(2)

Esta dissertação, intitulada

“Análise da Implantação da Logística Reversa de Embalagens no Brasil”

apresentada por

Élen Dânia Silva dos Santos

foi avaliada pela Banca Examinadora composta pelos seguintes membros:

Prof. Dr. Paulo Celso dos Reis Gomes Profa. Dra. Clarice Melamed Prof. Dr. Marcelo Motta Veiga –

Orientador

Dissertação defendida e aprovada em 21 de novembro de 2013.

(3)

Catalogação na fonte

Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica Biblioteca de Saúde Pública

S237 Santos, Élen Dânia Silva dos

Análise da implantação da logística reversa de embalagens no Brasil. / Élen Dânia Silva dos Santos. -- 2013.

xvii,121 f. : il. ; tab. ; graf.

Orientador: Veiga, Marcelo Motta

Dissertação (Mestrado) – Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Rio de Janeiro, 2013.

1. Resíduos Sólidos. 2. Logística. 3. Embalagem de Produtos. 4. Lei nº 12.305/2010. 5. Portugal. I. Título.

CDD - 22.ed. – 628.44

(4)

Serviço de Gestão Acadêmica - Rua Leopoldo Bulhões, 1.480, Térreo – Manguinhos-RJ – 21041-210 Tel.: (0-XX-21) 2598-2969 ou 08000-230085

E-mail: [email protected] Homepage: http://www.ensp.fiocruz.br

A U T O R I Z A Ç Ã O

Autorizo, exclusivamente para fins acadêmicos e científicos, a reprodução total ou parcial desta dissertação, por processos fotocopiadores.

Brasília, 21 de novembro de 2013

.

_____________________________________

Élen Dânia Silva dos Santos

(5)

AGRADECIMENTOS

A Deus, que me acompanha em todos os momentos de minha vida, me dando forças e condições de superar as dificuldades que encontro.

Aos meus pais, Valda e Maximino, e meus irmãos Uálisson, Wendel e Wellerson pelos ensinamentos e por acreditarem em mim sempre.

Aos demais familiares, que esperaram ansiosamente pelo término deste trabalho.

Ao pessoal da Superintendência de Resíduos Sólidos pelo apoio e compreensão.

À ADASA e à ENSP/FIOCRUZ pela oportunidade.

À Profª Clarice Melamed por acreditar na proposta do curso e lutar para que ele se transformasse em realidade.

Ao Marcos Helano F. Montenegro pelo incentivo à capacitação, pelos ensinamentos e exemplo de seriedade no exercício da função pública.

À Sociedade Ponto Verde pelos esclarecimentos fornecidos.

Aos amigos da ADASA e de mestrado Bento, César, Cássio, Cristina e João Pedro, pelas boas risadas, inesquecíveis histórias e por tornar as horas de estudos muito mais alegres.

Valeu galera!

Ao Prof. Marcelo Motta Veiga pela compreensão, pelas discussões e orientação que resultaram na confecção dessa dissertação.

Ao Isaque, por todo o amor, incentivo e paciência!

(6)

“Se as coisas são inatingíveis... ora!

Não é motivo para não querê-las...”

Mário Quintana

(7)

RESUMO

No Brasil, as discussões sobre logística reversa ganharam intensidade com a publicação da Lei n° 12.305/2010 que reconheceu essa ferramenta de gestão como um dos instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Dentre as categorias inicialmente identificadas como prioritárias para serem objeto da implantação de Sistemas de Logística Reversa, as embalagens em geral representam aqueles de maior volume disposto de maneira inadequada no Brasil. A Diretiva Europeia 94/62/CE, relativa a embalagens e resíduos de embalagens, tem se demonstrado uma referência no tocante à implementação de canais reversos desses resíduos. Um dos países que tem conseguido viabilizar o cumprimento dos objetivos estabelecidos na Diretiva 94/62/CE, alcançando as metas globais estabelecidas antes do prazo proposto é Portugal. Nesse sentido, o objetivo desse trabalho foi analisar as propostas de acordos setoriais para implantação do Sistema de Logística Reversa de Embalagens para o Brasil à luz do modelo de gestão de resíduos de embalagens em geral adotado por Portugal, considerado neste trabalho como referência. Para tanto se utilizou a Análise SWOT, uma ferramenta muito utilizada na busca por orientações estratégicas. Após as análises, conclui-se que as propostas de acordos setoriais submetidas à avaliação do Ministério do Meio Ambiente não atendem a totalidade dos requisitos obrigatórios impostos pelos normativos legais.

Observou-se que as características do modelo português consideradas como favoráveis e eficazes na implantação desse sistema não foram abordadas na maioria das propostas analisadas. Nesse sentido, este trabalho se encerra recomendando a rediscussão das propostas de acordos setoriais com representantes do setor empresarial, dos titulares dos serviços públicos e dos catadores de materiais recicláveis de forma a se chegar a um resultado que atenda ao disposto nas normas legais, regulamentares e que seja eficaz e eficiente tanto nos seus fluxos físicos quanto financeiros.

Palavras-chave: Resíduos Sólidos, Logística Reversa, Embalagens em Geral, Portugal, Lei nº 12.305/2010.

(8)

ABSTRACT

In Brazil, discussions on reverse logistics have gained intensity with the publication of Law n°. 12.305/2010 which recognized this management tool as an instrument of National Solid Waste Policy. Among the categories initially identified as priorities for Reverse Logistics Systems deployment, general packaging represent those of larger volume improperly disposed in Brazil. European Parliament and Council Directive 94/62/EC on packaging and packaging waste has been a reference regarding the implementation of reverse pathways of such waste.

One of the countries that have managed to enable the fulfillment of the objectives set out in Directive 94/62/EC, achieving the overall established goals ahead of time, is Portugal.

Therefore, the aim of this study was to analyze proposals for sectoral agreements towards implementing the reverse logistic system of packaging in Brazil according to the packaging management model adopted by Portugal, considered in this paper as a reference. To this purpose, it was used the SWOT analysis, a widely applied tool for strategic approaches. After analysis, it is concluded that the sectorial agreements proposals submitted to the Brazilian Environment Ministry evaluation do not meet all the mandatory requirements imposed by legal norms. It was observed that the Portuguese model characteristics, considered as propitious and effective in the deployment of such system, have not been addressed in most of the analyzed proposals. In this sense, this work concludes by recommending renewed discussion on sectoral agreements proposals carried out with business sector representatives, holders of public services and waste pickers‘ participation, in order to achieve a result that meets the provisions of legal and regulatory rules, being effective and efficient in both physical and financial flows.

Keywords: Solid Waste, Reverse Logistics, General Packaging, Brazilian Law n.

12.305/2010.

(9)

SUMÁRIO

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ... XI LISTA DE TABELAS ... XIV LISTA DE QUADROS ... XV LISTA DE GRÁFICOS ... XVI LISTA DE FIGURAS ... XVII

1. INTRODUÇÃO ... 1

2. OBJETIVOS ... 8

2.1. Objetivo Geral ... 8

2.2. Objetivos Específicos ... 8

3. REFERENCIAL TEÓRICO ... 9

3.1. Resíduos de Embalagens no Brasil ... 9

3.2. Legislação Brasileira sobre Resíduos Sólidos ... 12

3.3. Logística Reversa ... 16

3.4. Logística Reversa e a Política Nacional de Resíduos Sólidos ... 20

3.5. Sistemas de Logística Reversa Instituídos antes da Lei n° 12.305/2010 .. 28

3.6. Gestão dos Resíduos Sólidos na União Europeia ... 32

3.7. Resíduos de Embalagens na União Europeia ... 37

4. METODOLOGIA ... 43

4.1. Tipo de Pesquisa ... 43

4.2. Limitação do Escopo ... 43

4.3. Análise SWOT ... 45

5. GESTÃO DOS RESÍDUOS DE EMBALAGENS EM PORTUGAL ... 47

5.1. Modelos de Gestão de Resíduos Sólidos ... 47

5.2. Marcos Legais sobre a Gestão de Resíduos de Embalagens em Portugal . 49 5.3. Entidades Licenciadas para a Gestão dos Resíduos de Embalagens ... 57

5.4. Sociedade Ponto Verde (SPV) ... 57

5.5. Adesão ao Sistema Ponto Verde ... 61

5.6. Fluxos Financeiros da SPV ... 64

5.7. Resultados obtidos por Portugal ... 70

6. LOGÍSTICA REVERSA DE EMBALAGENS EM GERAL NO BRASIL ... 74

7. ANÁLISE SWOT DO MODELO ADOTADO POR PORTUGAL E DAS PROPOSTAS DE ACORDOS SETORIAIS PARA O BRASIL ... 80

(10)

8. AVALIAÇÃO DAS PROPOSTAS DE ACORDOS SETORIAIS ... 87

8.1. Existência de Entidade Gestora ... 89

8.2. Integração do SLR com os Serviços de Coleta Seletiva ... 93

8.3. Definição de Fluxos Financeiros ... 96

8.4. Especificações Técnicas para Retomada dos Resíduos Triados ... 99

8.5. Existência de um Mercado Organizado de Resíduos ... 100

8.6. Participação de Cooperativas/Associações de Catadores no SLR ... 105

9. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ... 109

10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 113

(11)

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABEAÇO - Associação Brasileira de Embalagem de Aço

ABIVIDRO - Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro ABDI - Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial

ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas

ABRAFATI - Associação Brasileira dos Fabricantes de Tinta ABRE - Associação Brasileira de Embalagens

ABRELPE - Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais ABREPET - Associação Brasileira da Cadeia de Sustentabilidade Ambiental do PET ANIP - Associação Nacional da Indústria Pneumática

ANTT - Agência Nacional de Transportes Terrestres APA - Agência Portuguesa do Ambiente

CBO - Código Brasileiro de Ocupações

CCME - Canadian Council of Ministers of the Environment CE - Comissão Europeia

CEMPRE - Compromisso Empresarial para Reciclagem CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente

CORI - Comitê Orientador para Implantação de Sistemas de Logística Reversa EIMPACK - Economic Impact of the Packaging and Packaging Waste Directive EPA - Environmental Protection Agency

EPR – Extended Producer Responsability

ERSAR - Entidade Reguladora de Águas e Resíduos de Portugal GTA - Grupo Técnico de Assessoramento

IBAM - Instituto Brasileiro de Administração Municipal

INPEV- Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias

(12)

IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada IRRs - Instalações de Recuperação de Resíduos LRPV - Logística Reversa de Pós-Venda LRPC - Logística Reversa de Pós-Consumo MMA – Ministério do Meio Ambiente MME - Ministério de Minas e Energia MOR - Mercado Organizado de Resíduos NBR - Norma Brasileira

OECD - Organisation for Economic Co-operation and Development OGR - Operadores de Gestão de Resíduos

PERSU II - Plano Estratégico para os Resíduos Sólidos Urbanos II PERH - Plano Estratégico de Resíduos Hospitalares

PERAGRI - Plano Estratégico de Resíduos Agrícolas

PESGRI 01 - Plano Estratégico de Gestão de Resíduos Industriais PGIRS - Planos de Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos

PLANARES – Plano Nacional de Resíduos Sólidos PNRS – Política Nacional de Resíduos Sólidos PNSB – Plano Nacional de Saneamento Básico

Pro Europe - Packaging Recovery Organization Europe PROLATA - Associação PROLATA Reciclagem RC - Responsabilidade Compartilhada

RSU - Resíduos Sólidos Urbanos

SIGRE - Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens

SINMETRO - Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial SIBR - Sistema Integrado de Bolsa de Resíduos

(13)

SIRAPA - Sistema Integrado de Registro da Agência Portuguesa do Ambiente SIRER - Sistema Integrado de Registro Electrônico de Resíduos

SISNAMA - Sistema Nacional do Meio Ambiente SLR – Sistema de Logística Reversa

SMAUT - Autarquias Locais/Empresas Gestoras de Sistemas Multimunicipais ou Intermunicipais

SNVS - Sistema Nacional de Vigilância Sanitária SPV – Sociedade Ponto Verde

SUASA - Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária SWOT - Strengths, Weaknesses, Opportunities and Threats UE – União Europeia

VC - Valor de Contrapartida

VIC - Valor de Informação Complementar VIM - Valor de Informação e Motivação VPV - Valor Ponto Verde;

VR - Valor de Retoma

(14)

LISTA DE TABELAS

Tabela 1.1 – Taxa de geração de RSU de alguns países... 2

Tabela 1.2 - Quantidade diária de resíduos sólidos domiciliares e/ou públicos encaminhados para destinação final, para os anos 2000 e 2008... 4

Tabela 3.1.1 - Estimativa da composição gravimétrica dos resíduos sólidos no Brasil... 10

Tabela 3.1.2 - Consumo aparente dos materiais recicláveis no ano de 2008... 11

Tabela 3.5.1 - Metas de recolhimento de óleos lubrificantes no Brasil de 2008 a 2011... 32

Tabela 3.6.1 - Geração de resíduos nos países da UE em Kg/habitante/ano... 35

Tabela 5.2.1 - Metas de valorização e reciclagem estabelecidas para Portugal... 51

Tabela 5.6.1 - Valor Ponto Verde para o ano de 2011 (€/Kg)... 66

Tabela 5.6.2 - Valores de contrapartida praticados em 2011... 69

Tabela 5.7.1 - Quantidade de embalagens (em toneladas)... 71

(15)

LISTA DE QUADROS

Quadro 3.2.1 - Leis, resoluções e portarias anteriores à PNRS que já disciplinavam o tema. 13

Quadro 3.2.2 - Normas NBR – ABNT referentes a resíduos sólidos... 14

Quadro 3.4.1 - Responsabilidade de cada agente sobre os resíduos sólidos gerados nos termos da Lei n° 12.305/2010... 21

Quadro 3.6.1 - Legislação da UE sobre resíduos sólidos... 34

Quadro 5.1.1 - Infraestrutura e equipamentos de gestão de RSU... 49

Quadro 7.1 - Avaliação da Matriz SWOT para o modelo de gestão de embalagens adotado por Portugal... 81

Quadro 7.2 - Avaliação da Matriz SWOT para a proposta da ABIVIDRO... 82

Quadro 7.3 - Avaliação da Matriz SWOT para a proposta da ABREPET... 83

Quadro 7.4 - Avaliação da Matriz SWOT para a proposta do PROLATA/ABRAFATI... 84

Quadro 7.5 - Avaliação da Matriz SWOT para a proposta do CEMPRE... 85

Quadro 8.1.1 - Acionistas da SPV... 90

(16)

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 3.1.1 - Composição dos resíduos sólidos recicláveis coletados referente ao ano de

2008... 11

Gráfico 3.6.1 - Destinação dos resíduos sólidos urbanos nos países da UE (em kg/habitante/ano)... 36

Gráfico 3.7.1 - Percentual dos materiais que compõem os resíduos de embalagens na EU em 2010... 41

Gráfico 3.7.2 - Taxas de valorização de embalagens e resíduos de embalagens na União Europeia em 2009... 42

Gráfico 3.7.3 - Taxas de reciclagem de embalagens e resíduos de embalagens na União Europeia em 2009... 42

Gráfico 5.6.1 - Modelo de aplicação dos valores de contrapartida... 68

Gráfico 5.7.1 - Evolução da taxa de reciclagem de embalagens em geral em Portugal... 71

Gráfico 5.7.2 – Evolução da taxa de reciclagem do vidro... 72

Gráfico 5.7.3 – Evolução da taxa de reciclagem do plástico... 72

Gráfico 5.7.4 – Evolução da taxa de reciclagem do papel/papelão... 72

Gráfico 5.7.5 – Evolução da taxa de reciclagem do metal... 72

Gráfico 5.7.6 – Evolução da taxa de reciclagem da madeira... 72

(17)

LISTA DE FIGURAS

Figura 3.3.1 – Processo Logístico Direto e Reverso... 19

Figura 4.3.1 - Matriz SWOT... 46

Figura 5.4.1 - Esquema de funcionamento do SIGRE... 58

Figura 5.4.2 - Fluxo de resíduos urbanos de embalagens... 60

Figura 5.4.3 - Fluxo de resíduos não urbanos de embalagens... 61

Figura 5.5.1 - Símbolo Ponto Verde... 63

Figura 5.5.2 - Situação dos Países Europeus quanto à gestão dos resíduos de embalagens.... 64

(18)

1. INTRODUÇÃO

O crescimento populacional, a crescente urbanização, a elevação da renda média, o progresso científico, econômico e industrial bem como mudanças de estilo de vida e hábitos alimentares têm um impacto significativo sobre a quantidade de resíduos produzidos a cada dia no planeta.

De acordo com um estudo publicado pelo Banco Mundial, entre os anos de 1990 e 2012 a população mundial aumentou cerca de 63%, passando de 2,259 bilhões para 3,690 bilhões de habitantes. Segundo o mesmo estudo, em 2012 a população urbana já representava 53% dos habitantes existentes no planeta (WORLD BANK, 2013).

Gouveia (2012) alerta que como decorrência direta desses processos, vem ocorrendo um aumento na produção de resíduos sólidos, tanto em quantidade como em diversidade. Os resíduos produzidos atualmente passaram a abrigar em sua composição elementos sintéticos e perigosos aos ecossistemas e à saúde humana, em virtude das novas tecnologias incorporadas.

No Brasil, conforme dados do Datasus e IBGE (2002 e 2010a) os quais foram utilizados na elaboração do Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PLANARES), a quantidade de resíduos coletados pelos sistemas municipais tem aumentado. No ano 2000 foram coletadas em média 149.094,30 t/dia de resíduos. Em 2008, esse número aumentou para 183.481,50 t/dia, porém a geração per capita correspondente a esses dois exercícios não sofreu alteração, mantendo-se em 1,1 Kg/habitante/dia (PLANARES, 2012, p. 8).

Trabalhos técnicos têm demonstrado a existência de relação entre renda e produção de resíduos, sobretudo quando da comparação entre países desenvolvidos e os em desenvolvimento (CAMPOS, 2012 e ALSAMAWI; ZBOON; ALNAKEEB (2009) apud ONOFRE, 2011, p.25).

(19)

A tabela a seguir mostra a taxa de geração de resíduos de alguns países, por meio da qual é possível notar que a geração per capita de resíduos é menor nos países em desenvolvimento.

Tabela 1.1 – Taxa de geração de RSU de alguns países.

Países Bangladesh (1999)

Paquistão (2001)

Indonésia (2001)

Tailândia (2003)

Estados Unidos da América

(2002) Massa de resíduos

gerada (Kg hab-1 d-1) 0.5 0.6-0.8 0.8-1.0 1.6 3.26

Fonte. ALSAMAWI; ZBOON; ALNAKEEB (2009) apud ONOFRE (2011, p. 25).

O aumento da geração de resíduos sólidos ao longo das últimas décadas deu origem a vários problemas relacionados às questões ambientais, de sáude e sociais. Os Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) possuem papel de destaque na estrutura epidemiológica de uma comunidade. Mesmo que indiretamente, podem provocar a transmissão de doenças provocadas pela ação dos vetores, que encontram nos locais onde os resíduos estão depositados as condições adequadas para a sua proliferação (SIQUEIRA e MORAES, 2009).

Uma das grandes preocupações relacionadas ao gerenciamento dos RSU refere-se a sua destinação final, que se realizada de maneira inadequada pode dar origem aos problemas mencionados anteriormente.

No mundo inteiro, os aterros sanitários ainda representam a principal forma de disposição final dos resíduos sólidos, apesar dos crescentes números relacionados a outra formas de destinação como reciclagem, compostagem e recuperação energética (SANTOS, 2011, p. 4). Sobre a utilização de aterros sanitários Araújo (2011, p. 16) menciona que ―Esta modalidade de disposição ainda apresenta custos mais baixos de execução e manutenção, e procedimentos técnicos operacionais mais simples, se comparados à alta qualificação necessária para o manuseio de incineradores.‖

(20)

Nos Estados Unidos, por exemplo, em 2010 foram gerados cerca de 250 milhões de toneladas de resíduos sólidos municipais, dos quais 54,2% foram dispostos em aterros sanitários, 34,1% foram submetidos aos processos de reciclagem e compostagem e 11,7%

foram encaminhados para incineração com recuperação energética (EPA, 2011, p.3).

Na União em Européia, de acordo com dados divulgados pela Eurostat (2012)1, no ano de 2010, dos resíduos sólidos urbanos gerados, aproximadamente 38% foram dispostos em aterros sanitários; 22% incinerados; 25% reciclados e 15% submetidos à compostagem.

O Brasil ainda convive com uma realidade preocupante no tocante à destinação adequada dos resíduos sólidos urbanos. De acordo com ABRELPE (2010, p. 43) no ano de 2010 cerca de 61% dos municípios brasileiros ainda faziam uso de unidades de destinação final inadequada, encaminhando os resíduos para lixões e aterros controlados, que pouco se diferenciam daqueles, uma vez que ambos não possuem o conjunto de sistemas e medidas necessários para proteção do meio ambiente contra danos e degradações conforme preconizado pelas normas brasileiras vigentes.

A tabela a seguir apresenta as diferentes formas de destinação final dado aos RSU coletados no Brasil nos anos 2000 e 2008.

1 A Eurostat é o Gabinete de Estatísticas da União Europeia.

(21)

Tabela 1.2 - Quantidade diária de resíduos sólidos domiciliares e/ou públicos encaminhados para destinação final, para os anos 2000 e 2008.

Destino Final 2000 2008

% %

Aterro Sanitário2 35,4 58,3

Aterro Controlado3 24,2 19,4

Vazadouros a céu aberto (Lixão)4 32,5 19,8

Unidade de Compostagem 4,5 0,8

Unidade de triagem para reciclagem 1,5 1,4

Unidade de incineração 0,3 <0,1

Vazadouros em áreas alagáveis 0,2 <0,1

Locais não fixos 0,6 --

Outra Unidade 0,7 0,3

Fonte: IBGE (2002) e IBGE (2010b).

Apesar do aumento da utilização de aterros sanitários no Brasil demonstrado na Tabela 1.2, a quantidade de resíduos sólidos urbanos dispostos em aterros controlados e em lixões ainda é expressiva, impactando negativamente sobre a qualidade de vida da população. Os aterros sanitários em operação estão localizados principalmente nas Regiões Sudeste e Sul.

Nas demais regiões, essas estruturas são menos comuns.

No que diz respeito ao tratamento, apesar da massa de resíduos sólidos urbanos apresentar alto percentual de matéria orgânica, as iniciativas de compostagem no Brasil são ainda incipientes. O resíduo orgânico, por não ser coletado separadamente, acaba sendo encaminhado para disposição final, juntamente com os demais resíduos domiciliares. Essa forma de destinação gera, para a maioria dos municípios, despesas que poderiam ser evitadas caso a matéria orgânica fosse separada na fonte e encaminhada para um tratamento específico, por exemplo, via compostagem.

De acordo com o relatório de pesquisa publicado pelo IPEA (2012a, p. 36), do total estimado de resíduos orgânicos coletados em 2008 somente 1,6% foi encaminhado para

2Aterro sanitário: Técnica de disposição de resíduos sólidos urbanos no solo, sem causar danos à saúde pública e à sua segurança minimizando os impactos ambientais, método este que utiliza os princípios de engenharia (impermeabilização do solo, cercamento, ausência de catadores, sistema de drenagem de gases, águas pluviais e lixiviado) para confinar os resíduos e rejeitos à menor área possível e reduzi-los ao menor volume permissível, cobrindo-o com uma camada de terra na conclusão de cada jornada de trabalho, ou a intervalos menores, se necessário - adaptado da NBR 8419:1992 (PLANARES, 2012, p.12).

3 Aterro controlado: Forma inadequada de disposição final de resíduos e rejeitos, no qual o único cuidado realizado é o recobrimento da massa de resíduos e rejeitos com terra (PLANARES, 2012, p.12).

4 Lixão: Forma inadequada de disposição final de resíduos e rejeitos, que consiste na descarga do material no solo sem qualquer técnica ou medida de controle (PLANARES, 2012, p.12).

(22)

tratamento via compostagem. Em termos absolutos tem-se 211 municípios brasileiros com unidades de compostagem, sendo que os Estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul possuem a maior concentração, 78 e 66 unidades respectivamente.

Quanto à reciclagem, observa-se que de acordo com os dados da Tabela 1.2, os percentuais de resíduos destinados às unidades de triagem para a reciclagem foram 1,5% em 2000 e 1,4% em 2008, com relação a todo o resíduo coletado no País. Esses números comparados com a massa total de resíduos sólidos recicláveis coletados, representam um valor ínfimo, demonstrando que o país necessita progredir nesse aspecto.

De acordo com as metas constantes no PLANARES (2012), o Brasil deverá reduzir os resíduos recicláveis secos dispostos em aterros sanitários em no mínimo 22% até o ano de 2015 (PLANARES, 2012, p.80). Diante deste quadro, torna-se necessário um grande esforço para se cumprirem as metas estabelecidas.

Ressalta-se que o esforço para aumentar os percentuais de materiais reciclados e compostados objetiva, sobretudo, reduzir o consumo de energia e matéria-prima dos processos, bem como a quantidade de resíduos dispostos diariamente nos aterros sanitários, aumentando, por consequência, a vida útil destes.

Lenvenson (1993) menciona que para enfrentar os problemas relacionados aos resíduos sólidos é necessário uma mudança de pensamento da sociedade em relação a utilização e disposição desses materiais, considerando todo o seu ciclo de vida. Uma estratégia de redução está relacionada a mudança de ações dos consumidores e dos fabricantes. Estes podem modificar o disign do produto, reduzindo a quantidade de matéria- prima utilizada, optar por materiais menos tóxicos e com maior potencial de reciclagem ou reutilização. Os consumidores, sejam eles residenciais, comerciais ou públicos, podem dar preferência à produtos com menor toxicidade, mais duráveis ou reutilizáveis.

(23)

Nesse contexto, a gestão de resíduos sólidos representa atualmente um desafio real imposto às autoridades locais em razão da escassez de matéria-prima, dos crescentes custos relacionados ao ciclo de vida dos produtos, inadequação das políticas de gestão adotadas e ausência de regulamentação que permita produzir resultados adequados do ponto de vista econômico, social e ambiental.

Somente a disposição dos resíduos sólidos em aterros sanitários, aterros controlados ou em lixões tornou-se insuficiente no atual contexto político, ambiental e empresarial. É preciso operacionalizar o retorno dos resíduos sólidos após o seu consumo à cadeia produtiva.

Essa estratégia é denominada logística reversa (GUARNIERI, 2011, p. 29).

A logística reversa tem sido cada vez mais utilizada pelos gestores públicos de diversos países com vistas a diminuir a quantidade de materiais e produtos dispostos no meio ambiente, sobretudo os resíduos de embalagens. Salienta-se que a disposição inadequada de embalagens pode ocasionar diversos impactos ambientais. Alguns fatores devem ser considerados para a análise desses impactos, dentre eles o custo ambiental de fabricação, a origem da matéria prima, possibilidades e limites de reciclagem, velocidade de decomposição e formas de disposição final ambientalmente adequada.

Desta forma a logística reversa se apresenta como um importante instrumento para gestão de resíduos de embalagens, uma vez que ao garantir o retorno desses resíduos à indústria estará contribuindo com a redução de utilização de matérias-primas e da quantidade de resíduos dispostos inadequadamente no ambiente.

Apesar desse instrumento ser citado na literatura desde a década de 70 (HORI, 2010, p.42), no Brasil, ele passou a ser intensamente discutido a partir da publicação da Lei n°

12.305, de 04 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

(24)

A implantação desse sistema no país para as diversas categorias de resíduos sólidos, em especial as embalagens em geral, ainda representa um desafio para as autoridades competentes. Desta forma, o estudo e o conhecimento de experiências bem-sucedidas podem auxiliar na construção de um modelo eficaz, que atenda os princípios e os objetivos da PNRS.

(25)

2. OBJETIVOS 2.1. Objetivo Geral

O pressuposto deste trabalho é que o conhecimento do modelo de gestão dos resíduos de embalagens adotado por Portugal contribuirá para a realidade brasileira no tocante a identificação de medidas que assegurem a eficácia de um Sistema de Logística Reversa (SLR) para esses resíduos.

Desta forma, o objetivo geral é fazer uma análise comparativa entre o modelo de gestão de resíduos de embalagens em geral adotado por Portugal e o proposto para o Brasil a partir do sistema preconizado pela Lei n° 12.305/2010. Com isso, objetiva-se identificar as oportunidades de melhoria para as propostas de acordos setoriais encaminhadas ao Ministério do Meio Ambiente.

2.2. Objetivos Específicos

Este trabalho tem como objetivos específicos:

I. caracterizar o sistema de gestão de resíduos de embalagens adotado por Portugal para implementação da Diretiva Europeia 94/62/CE;

II. identificar fatores que têm contribuído para o sucesso/insucesso do modelo adotado;

III. caracterizar o instrumento de logística reversa instituído nos termos da Lei n°

12.305/2010;

IV. analisar as propostas de acordos setoriais de logística reversa de embalagens apresentadas ao Ministério do Meio Ambiente;

V. identificar as potencialidades, fraquezas, oportunidades e os riscos da gestão de resíduos de embalagens no Brasil frente ao modelo adotado por Portugal;

VI. propor alternativas que contribuam para implantação de um Sistema de Logística Reversa de embalagens eficaz no Brasil.

(26)

3. REFERENCIAL TEÓRICO

3.1. Resíduos de Embalagens no Brasil

O conceito de embalagens não foi contemplado na PNRS e nem no Decreto n° 7.404, de 23 de dezembro de 2010 que a regulamentou, dificultando a caracterização e consequente identificação dos resíduos que compõem esse grupo.

No entanto, a Resolução-RDC nº 59, de 17 de dezembro de 2010, que dispõe sobre os procedimentos e requisitos técnicos para a notificação e o registro de produtos saneantes, emitida pela ANVISA5, estabeleceu em seu art. 4° a definição para embalagem:

―(...)

X - embalagem: invólucro, recipiente ou qualquer forma de acondicionamento, removível ou não, destinado a cobrir, empacotar, envasar, proteger ou manter, especificamente ou não, produtos de que trata este regulamento;

a) embalagem primária: acondicionamento que está em contato direto com o produto e que pode se constituir em recipiente, envoltório ou qualquer outra forma de proteção, removível ou não, destinado a envasar ou manter, cobrir ou empacotar produtos acabados; e

b) embalagem secundária: acondicionamento que tem como finalidade agrupar e proteger embalagens primárias; (Resolução-RDC nº 59/2010)‖

A norma técnica ABNT NBR 15792:2010, que estabelece as definições e o método de cálculo do índice de reciclagem de embalagem pós-consumo, trouxe em seu conteúdo a definição de embalagem de uso único e embalagem reutilizável. A primeira é definida como aquela que é projetada para ser utilizada apenas uma vez, também denominada descartável (e que após o seu uso deve ser encaminhada para a coleta seletiva). Já embalagem reutilizável é definida como aquela que pode ser reutilizada em sua forma original para o mesmo fim para o qual foi concebida e projetada para desempenhar um número mínimo de viagens ou rotações dentro do seu ciclo de vida.

A Associação Brasileira de Embalagens (ABRE) define embalagem como um recipiente ou envoltura que armazena produtos temporariamente, individualmente ou

5 A Lei n° 9.782, de 26 de janeiro de 1999, que define o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária e cria a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), art. 8°, atribuiu à referida Agência a competência para regulamentar, controlar e fiscalizar produtos e serviços que envolvam risco à saúde pública no âmbito Federal.

(27)

agrupando unidades, tendo como principal função protegê-lo e estender o seu prazo de vida (shelf life), viabilizando sua distribuição, identificação e consumo.6

Observa-se que a definição constante da Resolução-RDC nº 59/2010, é a mais abrangente e completa. A definição da NBR citada anteriormente se limita a definir embalagens para determinadas finalidades.

Segundo dados do IBGE (2010a), o percentual estimado de material reciclável presente no total de RSU coletados em 2008 no Brasil, no qual está incluído as embalagens, corresponde a 31,9%, conforme demonstra a Tabela 3.1.1. Cabe mencionar que esse percentual varia de município para município e está relacionado às características socioeconômicas e culturais do local.

Tabela 3.1.1 - Estimativa da composição gravimétrica dos resíduos sólidos no Brasil

Materiais Participação

% Material Reciclável 31,9

Metais 2,9

- Aço 2,3

- Alumínio 0,6

Papel, papelão e tetrapak 13,1

Plástico Total 13,5

- Plástico filme 8,9

- Plástico rígido 4,6

Vidro 2,4

Matéria orgânica 51,4

Outros 16,7

Total 100

Fonte: IBGE (2010a).

Com os dados constantes na Tabela 3.1.1 é possível estimar os percentuais dos diferentes materiais presentes na composição dos resíduos sólidos recicláveis coletados no Brasil, os quais são apresentados no gráfico a seguir:

6 http://www.abre.org.br/setor/apresentacao-do-setor/a-embalagem/

(28)

Gráfico 3.1.1 - Composição dos resíduos sólidos recicláveis coletados no ano de 2008.

Fonte: Elaborado pela autora.

Observa-se que o plástico, papel, papelão e tetrapak são os materiais de maior predominância, representando mais de 83% dos resíduos sólidos recicláveis coletados.

A tabela a seguir apresenta os dados do exercício de 2008 referentes ao consumo aparente7 dos diferentes materiais recicláveis e a parcela destes materiais correspondentes às embalagens.

Tabela 3.1.2 - Consumo aparente dos materiais recicláveis no ano de 2008.

Aço Alumínio Papel e

Papelão Plástico Vidro Consumo aparente (1 mil t) 27.192,30 1.126,70 8.755 5.391 2.411

Embalagens (1 mil t) 886 347 4.154 782 1.041

% Embalagens 3% 31% 47% 15% 43%

Nota: Elaboração do autor a partir dos dados disponibilizados no IPEA (2012a) 8.

Nota-se que as embalagens de aço têm representatividade menor em relação aos demais materiais. Portanto, a quantidade de aço e sucata ferrosa encontrada nos resíduos deve-se mais a outros bens, como eletrodomésticos.

Em relação às embalagens de alumínio, que correspondem cerca de 30% do consumo aparente deste material, as latas de alumínio são aquelas com mais destaque, e respondem por cerca de 55% de todas as embalagens de alumínio vendidas (IPEA, 2012a, p. 14).

7 Obtido a partir do total produzido, acrescido do importado, menos o exportado.

8O Estudo do IPEA citado foi produzido no âmbito dos estudos que subsidiaram a elaboração do Plano Nacional de Resíduos Sólidos.

7,2% 1,9%

41,1%

42,3%

7,5% Aço

Alumínio

Papel, papelão e tetrapak Plástico

Vidro

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As embalagens de papel e papelão são de grande relevância para esse setor, uma vez que representam quase 50% do consumo aparente destes materiais.

Conforme ressaltado por IPEA (2012a, p.14), os dados de geração de resíduos de plástico consistem em informações bastante complexas, devido à diversidade de polímeros existentes, cada um com usos específicos e importância diferenciada nos resíduos sólidos.

As embalagens também têm grande destaque para os fabricantes de vidro, sendo responsáveis por 43% do consumo deste material.

3.2. Legislação Brasileira sobre Resíduos S ólidos

A edição da Lei Federal n° 12.305/2010, estabeleceu um importante marco regulatório para a gestão dos resíduos sólidos no Brasil.

O Projeto de Lei n° 1991/2007, que deu origem à referida lei, tramitou por cerca de 20 anos entre o Senado Federal e a Câmara dos Deputados. Entretanto, a demora também trouxe como resultado uma Lei mais consistente, que além de preencher lacunas legislativas existentes, trouxe inovações como a instituição de princípios que implicarão em uma alteração do modelo de gestão dos resíduos sólidos.

Antes da PNRS, inexistia no País um arcabouço legal consolidado. As disposições relacionadas aos resíduos estavam distribuídas em diversas leis, decretos, portarias e resoluções elaboradas pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA (ARAÚJO, 2011, p. 18 e 19).

O quadro a seguir apresenta os principais normativos legais federais já existentes que abordavam a gestão dos resíduos sólidos.

(30)

Quadro 3.2.1 – Leis, resoluções e portarias anteriores à PNRS que já disciplinavam o tema.

Lei/Resolução/Portaria E menta

Constituição da República Federativa do Brasil de 1988

Lei n° 7.802/1989 ( a ) Dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins.

Lei n° 9.966/2000 Dispõe sobre a prevenção, o controle e a fiscalização da poluição causada por lançamento de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas em águas sob jurisdição nacional.

Lei n° 10.257/2001( Estatuto da Cidade) Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana.

Lei n° 11.445/2010 ( b ) Estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico.

Portaria MINTER(c) 053/1979 Estabelece obrigatoriedade de aprovação de órgão estadual para projetos de tratamento e disposição de resíduos sólidos.

Resolução CONAMA 1 -A/1986 Dispõe sobre transporte de produtos perigosos

Resolução CONAMA 05/1993 Dispõe sobre gerenciamento de resíduos sólidos gerados em portos, aeroportos, terminais rodoviários e ferroviários.

Resolução CONAMA 023/1996 Regulamenta a importação e uso de resíduos perigosos e dispõe sobre classificação de resíduos

Resolução CONAMA 307/2002 Estab elece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil .

Resolução CONAMA 313/2002 Dispõe sobre o Inventário Nacional de Resíduos Sólidos Industriais .

Resolução CONAMA 316/2002 Dispõe sobre procedimentos e critérios para o funcionamento de sistemas de tratamento térmico de resíduos.

Resolução CONAMA 358/2005 Dispõe sobre tratamento e disposição final dos resíduos dos sistemas de saúde .

Resolução CONAMA 401/2008 Estabelece os limites máximos de chumbo, cádmio e mercúrio para pilhas e baterias comercializadas no território nacional e os critérios e padrões para o seu gerenciamento ambientalmente adequado .

Resolução CONAMA 404/2008 Estabelece critérios e diretrizes para o licenciamento ambiental de aterro sanitário de pequeno porte de resíduos sólidos urbanos .

Resolução CONAMA 416/2009 Dispõe sobre a prevenção à degradação ambiental causada por pneus inservíveis e sua destinação ambientalmente adequada .

Notas: (a) Alterada pela Lei n° 9.974/2000. (b) Regulamentada pelo Decreto n° 7.217/2010. (c) Ministério do interior. A Portaria foi r evogada pela Resolução CONAMA N° 5, de 05/08/1993.

Regulamentada pelo Decreto nº 4.074/2002 .

Fonte: MAGRINI (2010) apud SANTOS (2011, p. 125 -127), com adaptações.

Além dos atos normativos listados na tabela acima, as NBRs (normas brasileiras) editadas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) são de grande relevância em relação ao gerenciamento dos resíduos sólidos, uma vez que podem se tornar de observância

(31)

obrigatória nos casos em que os instrumentos emanados pelo Poder Público assim dispuserem.

Quadro 3.2.2 – Principais normas NBR – ABNT referentes a resíduos sólidos.

Norma Ementa

Resíduos

NBR n° 10004 Resíduos Sólidos – Classificação

NBR n° 10005 Lixiviação de resíduos

NBR n° 10006 Solubilização de resíduos

NBR n° 10007 Amostragem de resíduos

Aterros sanitários e industriais

NBR n° 8418 Apresentação de projetos de aterros de resíduos industriais perigosos

NBR n° 8419 Apresentação de projetos de aterros sanitários de resíduos sólidos urbanos

NBR n° 10157 Aterros de resíduos perigosos - Critérios para projeto, construção e operação

NBR n° 13896 Aterros de resíduos não perigosos - Critérios para projeto, implantação e operação

Tratamento, armazenamento e transporte de resíduos

NBR n° 11174 Ar mazenamento de Resíduos Classe II - Não Inertes e III - Inertes (Antiga NB -1264)

NBR n° 11175 Incineração de Resíduos Sólidos Perigosos - Padrões de Desempenho (antiga NB 1265)

NBR n° 13894 Tratamento no Solo (Landfarming)

NBR n° 98 Ar mazenamento e Manuseio de Líquidos Inflamáveis e

Combustíveis

NBR n° 7505 Ar mazenamento de Petróleo e seus Derivados Líquidos e Álcool Carburante

NBR n° 12235 Ar mazenamento de Resíduos Sólidos Perigosos (antiga NB - 1183)

NBR n° 13221 Transporte de Resíduos

Fonte: ARAÚJO (2011, p. 26)

Pode-se afirmar que a interligação da PNRS com as demais leis, decretos, resoluções e normas existentes contribui com a sua implementação. O próprio art. 2° da Lei n°

12.305/2010 reforça essa ideia de conexão entre os atos normativos ao estabelecer que além das leis mencionadas anteriormente, aplicam-se aos resíduos sólidos as normas estabelecidas pelos órgãos do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama), do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa) e do Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Sinmetro).

(32)

A PNRS introduziu no âmbito da gestão e gerenciamento de resíduos diversos princípios, dentre os quais de destaca a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, definida no instrumento legal em questão como:

...conj unto de atribuições individualizadas e encadeadas dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, para minimizar o volume de resíduos sólidos e rejeitos gerados, bem como para reduzir os impactos causados à saúde humana e à qualidade ambiental decorrentes do ciclo de vida dos produtos... ( Lei n° 12.305/2010 , art. 3°, inciso XVII).

A responsabilidade compartilhada (RC) é vista como um marco na história do Direito Ambiental, pois envolve todos os atores que participam do ciclo de vida dos produtos, englobando desde a fabricação até a sua destinação final. O grande objetivo deste princípio é minimizar os danos causados ao meio ambiente pelo descarte inadequado dos resíduos sólidos.

A RC decorre de um princípio similar bastante difundido na literatura, o Extended Producer Responsability (EPR) ou ―responsabilidade estendida do produtor‖, derivado por sua vez do princípio poluidor – pagador.

O conceito de EPR foi desenvolvido na Europa Ocidental no início da década de 90 como uma resposta às limitações das políticas públicas tradicionais de lidar com a quantidade crescente de resíduos sólidos (MILANEZA e BÜHRSB, 2009).

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico define EPR como uma abordagem política ambiental em que a responsabilidade do produtor por seu produto é estendida para a fase do pós-consumo (OECD, 2001). O princípio em tela de certa forma afasta a responsabilidade do poder público local sobre a fase final do ciclo de vida do produto, repassando-a para o produtor e incentivando-o a incorporar as considerações ambientais na concepção dos seus materiais (MILANEZA e BÜHRSB, 2009; WIDMER et al, 2005). Além disso, a EPR estimula a indústria a redesenhar seus produtos e processos de modo a reduzir a quantidade de material utilizado.

(33)

Conforme mencionado por CCME (2009), diante desta responsabilidade dos fabricantes, estes podem embutir os custos de tratamento e disposição final nos preços dos respectivos produtos, refletindo os impactos causados ao meio ambiente pelos itens produzidos pela indústria.

3.3. Logística Reversa

A preocupação com o esgotamento dos recursos naturais alarga a responsabilidade da logística em organizar fluxos com menores custos econômicos, sociais e ambientais possíveis.

Usualmente pensamos em logística como o gerenciamento do fluxo direto de materiais do seu ponto de aquisição até o seu ponto de consumo. Neste caso os produtos saem dos fabricantes e fornecedores e são direcionados até os diversos clientes, constituindo-se em um processo divergente. No entanto, existe também um fluxo logístico reverso, do ponto de consumo até o ponto de origem, em que os consumidores direcionam os itens após o seu consumo para as empresas responsáveis por recepcioná-los, sendo um processo convergente que precisa ser gerenciado (GUARNIERI, 2011, p. 32).

Conforme mencionado por HORI (2010, p. 42) a logística reversa teve seu papel destacado dentro da estratégia organizacional a partir da década de 70. Uma das referências mais antigas encontradas na literatura data de 1971, de Willian G. Zikmund e Willian J.

Statan. Esses dois autores utilizaram a expressão ―distribuição reversa‖ para designar ―o fluxo físico de produtos no sentido reverso ao tradicional, aplicado à necessidade de recolhimento de materiais sólidos provenientes de usuários para reutilização pelo produtor, com finalidade de reciclagem‖.

Entretanto, apenas na década de 90 o tema passou a ser discutido com maior intensidade, surgindo as primeiras conceituações.

Para Rogers e Tibben-Lembke (1998, p. 2) logística reversa é:

(34)

O processo de planejamento, implementação e controle do fluxo eficiente e de baixo custo de matérias primas, estoque em processo, produto acabado e informações relacionadas, desde o ponto de consumo até o ponto de origem, com o propósito de recuperação de valor ou descarte adequado para coleta e tratamento de lixo.9

Os referidos autores ressaltam ainda que a logística reversa não engloba apenas os produtos retornados após o seu uso pelo consumidor, mas também a reinserção na cadeia produtiva de mercadorias danificadas, não comercializadas ou desatualizadas (TIBBEN- LEMBKE, 1998, p. 9).

Quesada (2003) reforça esse entendimento ao mencionar que a logística reversa não está condicionada ao fim da vida útil do produto. Um produto defeituoso vendido a um consumidor ou cujo defeito tenha sido detectado na loja varejista antes de ser vendido pode ser enviado de volta para o fabricante para ser reparado, sem ter sido utilizado e consequentemente, com a mínima possibilidade de ter esgotado seu ciclo de vida.

Carter e Ellram (1998) definem esse instrumento como a distribuição reversa acompanhada de uma redução dos recursos. Murphy e Poist (1995, p.12) a definem como o movimento de mercadorias de um consumidor para um produtor por meio de um canal de distribuição.

Nota-se nas duas definições reproduzidas acima que seus respectivos autores preocuparam-se em ressaltar o fluxo a ser seguido por um produto objeto da logística reversa.

Entretanto, esta preocupação nem sempre é observada na literatura, a exemplo da definição atribuída a Giuntini e Andel (1995, p. 73), onde a logística reversa é definida como uma gestão da organização de recursos materiais obtidos a partir de clientes.

Neste mesmo ano outro conceito interessante foi dado por Kroon e Vrijens, (1995, p.56):

9―The process of planning, implementing, and controlling the efficient, cost effective flow of raw materials, in- process inventory, finished goods and related information from the point of consumption to the point of origin for the purpose of recapturing value or proper disposal.” (Tradução livre)

(35)

Logística Reversa se refere às competências de gestão logística e atividades envolvidas na redução, gestão e eliminação de resíduos perigosos ou não perigosos de embalagens e produtos.10

Observa-se nesta definição uma preocupação com o descarte de resíduos de embalagens. Nesta mesma linha Stock (1998, p. 20), menciona que o termo logística reversa é usado para se referir ao papel da logística no retorno de produtos, redução na fonte, reciclagem, substituição de materiais, reutilização, eliminação de resíduos, reparação e reciclagem. Desta forma o referido autor compartilha da visão de Kroon e Vrijens em relação ao papel desse instrumento na eliminação de resíduos, destacando também a sua importância para a redução de resíduos na fonte.

A logística reversa também pode se referir ainda às atividades associadas para recuperar equipamentos, produtos, componentes, materiais, ou mesmo todo um sistema técnico (DE BRITO e DEKKER, 2002 apud HORI, 2010, p. 39). Nesse caso, essa recuperação, segundo os autores, pode se dar pela revenda de algum item ou pode estar acompanhada de uma série de processos como coleta, inspeção, triagem e reciclagem.

De todas as definições apresentadas, a definição de Rogers e Tibben-Lembke é considerada uma das mais completas e ambiciosas (HORI, 2010, p. 40 e QUESADA, 2003).

Isso se deve ao fato de que ela contempla além do fluxo reverso de produtos, o de matérias primas, produtos inacabados e informações, trazendo ainda a ideia de direção ou fluxo característico da logística reversa.

Nota-se que quase todas as definições apresentadas destacam como objetivo da logística reversa a recuperação do valor dos materiais, a reciclagem e o descarte ambientalmente adequado dos resíduos.

10“Reverse Logistics refers to the logistics management skills and activities involved in reducing, managing and disposing of hazardous or non-hazardous waste from packaging and products‖(Tradução livre)

(36)

Observa-se na literatura uma diferenciação sobre os processos de fluxos reversos, que podem ser divididos em duas áreas de atuação: logística reversa de pós-venda (LRPV) e logística reversa de pós-consumo (LRPC).

A LRPV refere-se à área que trata do planejamento, do controle e da destinação dos bens sem uso ou com pouco uso, que retornam à cadeia de distribuição por diversos motivos, dentre eles devoluções por motivo de garantia, avarias no transporte, excesso de estoques, prazo de validade expirado e obsolescência. Já a LRPC se caracteriza pelo planejamento, controle e disposição final dos bens de pós-consumo, que são aqueles bens que estão no final de sua vida útil, devido ao uso. Os bens ou materiais usados transformam-se em produtos denominados de pós-consumo e podem ser enviados para disposição final11 ou retornar ao ciclo produtivo por meio de canais de desmontagem, reciclagem ou reutilização, propiciando uma extensão de sua vida útil (GUARNIERI, 2011, p. 54-64).

Figura 3.3.1 – Processo Logístico Direto e Reverso

Fonte: Guarnieri (2011, p. 47), adaptado de Rogers e Tibben-Lemke (1998, p.5)

11 A PNRS procurou diferenciar os conceitos de destinação final ambientalmente adequada do conceito de disposição final ambientalmente adequada. O primeiro refere-se à destinação de resíduos que inclui a reutilização, a reciclagem, a compostagem, a recuperação e o aproveitamento energético ou outras destinações admitidas pelos órgãos competentes do Sisnama, do SNVS e do Suasa, entre elas a disposição final, observando normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos. Já a disposição final ambientalmente adequada é definida como distribuição ordenada de rejeitos em aterros, observando normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos. (PNRS, art. 3°, incisos VII e VIII).

(37)

Destaca-se que o conceito de logística reversa foi introduzido na legislação brasileira por meio da Lei n° 12.305/2010, a qual estabeleceu essa ferramenta de gestão como um dos instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos. A referida Lei a definiu como:

...instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada; (Lei n° 12.305/2010, art. 3°, inciso XII)

3.4. Logística Reversa e a Política Nacional de Resíduos Sólidos

Um dos instrumentos instituídos pela PNRS que melhor traduz o princípio da responsabilidade compartilhada é a logística reversa. Esse sistema engloba diferentes atores sociais na responsabilização da destinação ambientalmente adequada dos resíduos sólidos. De um modo pragmático, tal instrumento estipula ações, procedimentos e meios para assegurar o retorno dos resíduos gerados para o setor responsável por sua produção ou comercialização (IBAM, 2011, p. 5).

A PNRS, ao definir a logística reversa gerou obrigações, sobretudo ao setor empresarial, de realizar o recolhimento de produtos e embalagens pós-consumo, assim como assegurar seu reaproveitamento nos mesmos ciclos produtivos ou em outros.

O quadro a seguir demonstra, de forma resumida, as principais responsabilidades dos consumidores, titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes sobre os resíduos sólidos gerados.

(38)

Quadro 3.4.1 - Responsabilidade de cada agente sobre os resíduos sólidos gerados nos termos da Lei n° 12.305/2010.

Consumidores Titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos

Fabricantes e importadores

Distribuidores e comerciantes

Acondicionar

adequadamente e de forma diferenciada os resíduos sólidos gerados.

Organizar e prestar direta ou indiretamente os serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, observados o respectivo plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos, a Lei 11.445/2007, e as disposições da Lei n°

12.305/2010 e seu regulamento.

Estruturar e

implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos.

Estruturar e

implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos.

Disponibilizar

adequadamente os resíduos sólidos reutilizáveis e recicláveis para coleta seletiva ou devolução.

Adotar procedimentos para reaproveitar os resíduos sólidos reutilizáveis e recicláveis oriundos dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos.

Implantar

procedimentos de compra de produtos ou embalagens usados.

Implantar

procedimentos de compra de produtos ou embalagens usados.

Efetuar a devolução após o uso, aos comerciantes ou distribuidores, dos produtos e das embalagens objeto de logística reversa.

Estabelecer sistema de coleta seletiva.

Disponibilizar postos de entrega de resíduos reutilizáveis e recicláveis.

Disponibilizar postos de entrega de resíduos reutilizáveis e recicláveis.

Articular com os agentes econômicos e sociais medidas para viabilizar o retorno ao ciclo produtivo dos resíduos sólidos reutilizáveis e recicláveis oriundos dos serviços de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos.

Dar destinação ambientalmente adequada aos produtos e às embalagens reunidos ou devolvidos pelos distribuidores e comerciantes.

Efetuar a devolução aos fabricantes ou aos importadores dos produtos e embalagens reunidos ou devolvidos pelos consumidores.

Realizar as atividades definidas por acordo setorial ou termo de compromisso destinado à implementação da LR mediante a devida remuneração pelo setor

Encaminhar o rejeito para a disposição final ambientalmente adequada, na forma estabelecida pelo órgão competente do Sisnama e, se houver, pelo plano

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