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A reabilitação do quantitativo na economia

Autor(es):

Barbosa, António Manuel Pinto

Publicado por:

Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra

URL

persistente:

URI:http://hdl.handle.net/10316.2/26189

Accessed :

8-Mar-2021 17:08:25

digitalis.uc.pt impactum.uc.pt

(2)
(3)

A reabilitação do quantitativo

na Economia *

Pouco, muito pouco mesmo, poderei acrescentar às justas palavras que acabam de ser ditas por quem possui autoridade científica para as dizer, nesta sessão comemora-tiva do centenário do nascimento do insigne matemático Mira Fernandes.

Assim sendo, como poderá então justificar-se a minha presença aqui, neste lugar?

Só a grande delicadeza de espírito dos ilustres con-frades da Classe de Ciências poderá explicá-la, pois a eles se ficará devendo a iniciativa de incluir na sessão de hoje também o depoimento, certamente muito abreviado, de alguém que, não pertencendo ao mundo da Matemá-tica, usufruísse, todavia, do grato privilégio de ter sido aluno de Mira Fernandes, no I. S. C.E. F.

(1).

Não se estranhará, por isso, que me limite a aflorar um ou outro aspecto menos conhecido do convívio que com Mira Fernandes tive, primeiramente como aluno ante

*

Palavras proferidas na sessão comemorativa do centenário do nascimento de Mira Fernandes, realizada na Academia das Ciências de Lisboa, em 18 de Junho de 1984.

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um Plofess r com a

110çã

perfeita da dignidade da função, depois como colega no LS.C.E.F. e mais tarde no LS.T.

(1)

c lega só D rma]mente, pois ele era sempre «primus inter pare », e, p r últim e para sempre, como Amigo qu n5' preei a de adjectiv .

1. Tentarei, para tanto, regressar ao período que se inicia na segunda metade dos anos 30 e se prolonga até ao final da década de 40.

São sobejamente conhecidas as dificuldades de reco-locar situaçõe e ajuizar de atitudes em contexto temporal tão distante, neste caso, e tão diferente. Esforcei-me, no entanto, por atenuar essas dificuldades, tendo, por um lado, bem pre ente o risco de analisar homens de ontem à luz da ciência actual e do sistema de ensino vigente; recorrendo, por outro lado, a uma documentação enxuta e ao complicado e nem sempre seguro arquivo da memória; e, admitindo, por último, que «alguma coisa há que, apesar de tudo, n s reconduz, em memória e em saudade, a uma época, já longínqua, em que éramos outros e que tem o condão de nos fazer acreditar que continuamos a ser só um!»

(2).

Antes, porém, não resisto à tentação de aludir a um facto passado comigo, com o seu quê de misterioso.

Eu cursava, por essa altura (1933), o 7. o ano no Liceu de Passos Manuel, o qual se situava, como hoje, aqui ao lado, a escassa distância do local em que nos encontramos neste momento. Para aqueles estudantes que moravam

(I) Instituto Superior Técnico.

(2) .Requerimento», palavras proferidas por Mira Fernandes no almoço comemorativo das Bodas de Prata dos engenheiros

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para o lado ocidental da cidade, como era o meu caso, o acesso ao referido liceu fazia-se, a partir de Santos, pela Avenida das Cortes (hoje de D. Carlos), Rua do Poço dos Negros e Travessa do Convento de Jesus. O carro eléctric da carreira de AJgés ou do Dafundo era o meio de transporte por mim normahl1ente utilizado. Saía de casa por volta das 8 hora da manhã e chegava a Santos cerca das 8 e meia. C m a primeira aula era às 9, dis-punha de tempo suficiente para fazer a pé o percurso de Santos até ao liceu. Ora, acontecia com desusada fre-quência que, quando subia a Avenida das Cortes até ao desvio para a Rua do Poço dos Negros, me cruzava, no mesmo lado do passeio, com Alguém que por essa hora descia a mesma Avenida e que, utilizando uma pequena escadaria gue nela xistia ao fundo, tomava a Rua da Boavista, ao Conde Barão, onde se localizava então o edifício do I.S.T ..

Era uma fIgura que se distinguia à distância, de rosto largo, boa estatura, bem entroncada, aprumada no andar, de mãos atrás das costas, e com um olhar que parecia pairar muito acima das contingências quotidianas daquela mole humana que por essa hora só tinha uma preocupação - e gue salutar preocupação! - a de chegar a tempo ao emprego... De assinalar ainda uma pequena particulari-dade: usava sempre gravata branca, a contrastar com o tom sóbrio do chapéu e do restante vestuário.

Era um senhor que eu via de longe, sem coragem para me aproximar, e que, todavja, exercia sobre mim uma estranha atracção. Não sei, nem cuido agora de saber, gue forças estariam na sua origem, capazes de f.:wer de -pertar dessa forma a curiosidade naturalmente irrequieta de um simples estudante liceal que nunca tinha visto Mira Fernandes em pessoa ou em fotografIa e que apenas ouvira

(6)

falar do seu grande prestígio no círculo de amigo que, ao tempo, frequentavam a casa dos Pais.

A dúvida quanto à identificação da pessoa só viria a ser esclarecida mais tarde quando um dia, já escolar de Economia no LS.C.E.F., um colega mais antigo, vendo-me entre surpreendido e confuso perante Alguém que passava junto de nós, me tranquilizou, dizendo simplesmente: é o Professor de Cálculo, Mira Fernandes! Como seria de esperar, levei tempo a refazer-me da surpresa e ainda hoje continuo intrigado e a interrogar-me quanto à expli-cação do facto, eu que nunca fui muito permeável às teortas do magnetismo pessoal.

2. A cadeira de Cálculo do I.S.C.E.F. inscrevia-se no 2. o ano dos cursos de Finanças e de Administração

Comercial. Transposta a primeira barreira, representada pela disciplina de Álgebra, de precedência obrigatória, e a cargo do grande pedagogo que foi Bento Caraça, era a aprovação na cadeira de Cálculo que constituía para o reduzido número de alunos que a frequentavam, em virtude da selecção operada no 1. o ano, o objectivo

priori-tário a atingjr, pois daí por diante o caminho, sem deixar de ser trabalhoso, apresentava-se, sem dúvida, mais apla-nado.

Se

é

certo que a matéria - Cálculo diferencial, inte-gral, das variações e das probabilidades - já de si punha condições bastante exigentes, quer pela extensão do pro-grama, quer pela sua própria natureza, não é menos exacto que o profundo respeito que todos os alunos sentiam pelo Professor os levava a atribuir à cadeira uma importância estratégica decisiva. Ninguém se abalançava a apresen-tar-se a exame sem se considerar minimamente preparado. Daí que pudesse haver desistências a priori, mas reprovações,

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s6 muito raras. De resto, a avaliação de conhecimentos, como agora se diz, obedecia no geral a critérios suficien-temente seguros para não darem origem a surpresas. «A clareza no enunciado das proposições, a correcção no desenvolvimento dos raciocínios, o vigor insinuante da exposição, o interesse que revela para se transmitir, a sobriedade que disciplina para não cansar»

(1)

eram características dominantes das lições de Mira Fernandes, características reveladoras de uma singular aptidão peda-g6gica, na qual, aliás, se baseava, em boa parte, para a generalidade dos alunos do I.S.C.E.F. - e é nessa qualidade que me estou pronunciando - a auréola de prestígio e de respeito que rodeava o nome de quem era, a todas as luzes, o Príncipe dos Mestres do seu tempo.

2.1. O programa que seguia na cadeira de Cálculo era vazado essenciahnente nos moldes daquele que regia no I.S.T., mas em nível menos aprofundado, de acordo, aliás, com a diferença que ao tempo existia quanto à exigência das Matemáticas na formação do engenheiro e na do economista. Isto, porém, prende-se com a posição das Matemáticas no ensino superior da Economia, aspecto sobre o qual terei algo a dizer mais adiante.

2.2. Realizados com êxito os respectivos exames, deixei, consequentemente, de frequentar as aulas de Mira Fernandes. O que jamais deixei foi não s6 de manter, mas de estreitar, sobretudo mais tarde já como docente, o seu convívio de excepção.

Foi nesse convívio, que se desenvolveu principal-mente a partir dos anos 40 e se localizou - imagine-se

(8)

- no banc do eléctric da carreir. de Algés (Mira F mande vi itava om frequência a ftlha mais velha, Maria Adelaide, e, bretud,

°

eu «almgo e neto»

Manuel, que viviam em Algé),

D

i ness convívio,

dizia, com um cenário quase sempre improvisado, que eu pude, em várias ocasiões, nã só abalançar-me a abordar junto de Mira Fernande o problema que ao tempo me interessava (o da p ição da Matemática n ensino supe-rior da Economia), como também me pude aperceber, mais de perto, da excepcional riqueza humana da sua personalidade.

2.3. Quanto à poslçao das Matemáticas no ensino supenor da Economia, o problema podia equacionar-se nos seguinte termo:

a)

Nos cursos professados no I.S.C.E.F.

funciona-vam como disciplinas selectiva a de Merceologia (para

a . ecção Aduaneira e Diplomática-consular) e as de Mate-mática (Álgebra e Cálculo) para a secções de Adminis -tração Comercial e Finanças. Se essa situação podia de algum modo compreender-se em função da estrutura e objectivos do antigo Instituto Superior do Comércio, já su citava sérias reservas quanto à formação do economista, tal como e concebia perante os recente progressos da Análise Económica e as necessidades do País, que

começa-vam a despontar no horizonte do seu desenvolvimento;

h)

Não eram a meu ver as Matemáticas nem a Merceo-logia que e tavam mal posicionadas. As disciplinas de Economia é que não ocupavam o lugar que lhes devia competir no elenco de um curso verdadeiramente superior de Economia. Daí que o primeiro esforço devesse incidir no sentido de trazer a Economia, no nível de

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nucleares, pa sando a selecção a fazer-se também com base nela, como seria 16gico;

c) Havia, por outro lado, que articular melhor o plano de estudos e o conteúdo programático das Matemáticas e da Merceologia com as novas orientações imprimidas ao ensino e à investigação no domínio da Economia, sem que por isso viesse a ser afectado o papel formativo que, em relação às Matemáticas, pelo menos, se tinha e tem por indiscutível.

Conhecem-se as dificuldades, quando não os melin-dres, que resultam de concepções nem sempre coincidentes entre os que produzem as alfaias e aqueles que pretendem utilizá-las ...

O meu interesse pelo estudo da Economia de intenção científica levou-me a procurar conhecer as principais correntes que então dominavam o pensamento econ6mico. E entre elas sobressaía aquela que, mediante a quantificação

e a formalização matemática permitia que a Economia

pudesse aspirar a ser, a um tempo, uma ciência operacional e experimental.

Não devo ocultar, a este propósito ,a poderosa influên-cia exercida através de 4 vectores no espírito dos que, como eu, tentavam ao tempo descobrir a sua estrada de Damasco.

Esses 4 vectores podiam ser assim enumerados: 1. o Vector: as variáveis keynesianas (1936) - algumas delas foram, aliás, objecto de um seminário do Instituto de Altos Estudos desta Academia - variáveis em con-sequência das quais se verificaram sensíveis progressos nas contabilidades nacionais;

2. o Vector: Em 1930, aparecia nos Estados Unidos a Sociedade Econométrica, com a revista «Econométrica», e, mais tarde, em 1932, a «Cowles Comissioll». Todas

(10)

ela e ocupavam expressamente de avanços da teoria

económica na sua relações com a Estatística e com as

Matemáticas. O eu trabaJho reveSOam, por vezes, a forma de modelos econométricos, alguns dos quais não podiam deixar indiferentes os centros europeus de inves-tigação económica;

3.0 Vector: a fundação em 1944, em Paris, sob a égide do Prof. François Perroux, do I.S.E.A. (1), hoje I.S.E. M.A.

(2),

que compreendia desde o início um grupo de Matemáticas aplicadas à Economia cuja actividade viria

a assumir uma e)..'Pressão pre-topológica, substituindo-se

assim aos instrumentos matemáticos tradicionalmente

uti-lizados na Economia;

4. o Vector: a publicação, também em 1944, da obra

ainda hoje fundamental «The Theory of Games and

Econo-mic Behavior», cuja autoria era partilhada de uma forma inovadora, pois associava um grande matemático, John von Neuman, a um economista de renome, Oskar Mor-genstem. Procurava-se fundamentalmente, nessa obra, ultrapassar o esquema walrasiano do equilíbrio, inspirado na mecânica clássica, por uma evolução dinâmica, com base em interacção de diferentes factores, assumindo o com-portamento dos agentes económicos um papel primacial,

sobretudo a incerteza desses comportamentos. Abria-se

desse modo a possibilidade da entrada do conflito na aná-lise teórica, o que viria a permitir formalizações

matemá-ticas mais ajustadas à rede de projectos e de operações

dos agentes económicos e às lutas-concursos e

conflitos--cooperações entre eles e os seus aliados ou coligações.

(1) Institut de science économique appliqué.

(11)

161

Este sopro renovador não podia deixar de vir a con-dicionar, em novos moldes, a estrutura que se impunha do ensino da Economia, para o que, no entanto, se tornava indispensável introduzir alterações no plano de estudos e no conteúdo programático das restantes disciplinas que integravam a área nuclear, concretamente as Matemáticas e a Merceologia. Se, quanto a esta última, pelas suas pró-prias características, as alterações eram menos difíceis de levar a cabo, já o mesmo não sucedia em relação às das Matemáticas, em que, para além do papel formativo que a estas continuava, como já se referiu, a ser-lhes reconhe-cido e das reservas epistemológicas a ter em conta apesar do sopro renovador, havia que atender ainda ao grande pre5tígio de que muito justamente desfrutavam os profes-sores encarregados das respectivas regências. Ora, cons-tituía clara manifestação da superioridade do seu espírito a maneira compreensiva, indulgente e até interessada com que Mira Fernandes acompanhava as minhas reflexões sobre

o problema, eivadas daquela ânsia de acção e daquela

preocupação inovadora que quantas vezes despontam com os verdes anos, para os quais a variável tempo parece ter outra unidade de medida.

É que, ao impressionante grau da extensa e variada

cultura de Mira Fernandes, não havia passado despercebido o movimento que então se desenhava, com vista à

reabi-litação do quantitativo no domínio da Economia,

quanti-tativo esse que, em sua douta opinião, era até aí, nos dados

e nos resultados, considerado apenas uma indumentária.

Como lucidamente observava quem, por essa altura, também se preocupava com este problema: «Se a Mate-mática, com o seu método e com os recursos da sua análise, não conseguiu impor-se, passado tanto tempo, numa ciência essencialmente quantitativa corno é a Economia

(12)

Política,

é

porque o contacto entre as duas ciências nã

têm sido estabelecidos nos ponto pr6pri s»

(1).

Daí a

necessidade que se fazia sentir, uma vez que o problema da legitimidade já não era de se pôr, de identificar quais

seriam ess pontos pr6prios, para que os contactos tidos

por indispensáveis entre a duas ciências se tornassem,

na realidade, fecundos. Que eu saiba, ninguém até hoje

definiu melhor os termos a que devia obedecer essa reabi-litação do quantitativo 110 domínio econ6mico, do que o

economista norte-americano Henry Schultz, autor de

uma desenvolvida investigação econométrica sobre a

teoria da procura (2). Dizia ele, em feliz síntese: «A

Eco-nomia deve ser estudada com Matemática, mas não como

Matemática».

Porém, para o meu modo de ver as coisas, que no

geral não se esgota na visão unilateral, falta, neste particular,

acrescentar o seguinte: a dita reabilitação do quantitativo

na Economia dependia e depende também e necessaria-mente da maneira fria, precisa e concisa por que o

econo-nústa formulava as verdadeiras questões pertinentes ao

seu foro. E isso, impõe-se reconhec~lo, nem sempre

terá acontecido. O seu a seu dono.

3. Da excepcional riqueza humana que a

persona-lidade de Mira Fernandes a cada passo revelava, apenas

referirei - por ser talvez menos conhecida, embora se

me afigure rica de simbolismo - a sua atitude perante

o rude golpe que ferira o seu coração amantíssimo: a morte

da Esposa, Senhora Dona Margarida.

(1) cA MatémátiC2 e a Economia PoUticv, Prof. DIOGO PACHBCO

DB AMORIM, pág. 3.

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163

Para isso, voltemos de novo ao meio de transporte que ele de preferência utilizava nas suas deslocações urba-nas, o carro eléctrico, e ao percurso que fazia com fre-quência pelas razões há pouco indicadas, ou seja de Santos a Algés e vicc-versa. Sempre que atravessava a passa-gem de nível de Alcântara - presenciei a cena dezenas de vezes - erguia-se de súbito e, ante o olhar de espClllto dos passageiros mais pr6ximos, numa atitude de impres-sionante respeito perfilava-se na direcção assinalada pelos ciprestes do cemitério dos Prazeres, descobria-se, fazia um ligeiro aceno com a cabeça e nos seus olhos claros e profundos perpassava uma fugaz ponta de emoção. É que repousavam precisamente nos Prazeres os restos mortais daquela que fora em vida a sua adorada companheira e dilecta esposa.

4. A traject6ria do nosso convívio ao longo de um período que s6 pecou por ter sido tão curto não teve senão wn sentido: o do constante enriquecimento ético--moral da minha economia sentimental.

Não teria tempo suficiente nos escassos minutos de que disponho para aflorar sequer as fases mais salientes desse enriquecimento, mas, mesmo que o tivesse, não saberia encontrar por certo as palavra~ que pudessem

descrev~las com inteira fidelidade. Tentando apesar disso sintetizar numa simples frase o que foi toda a evo-lução desse processo complexo, diria gue nos tomámos amigos e amigos eram, no seu pr6prio dizer, aqueles que nos prezam e nos respeitam. Fiel a esta acepção, praticou irrepreensível e devotadamente o difícil culto da amizade, isto é, soube não s6 ser amigo, como ter amigos.

E por aqui me quedo, neste magro depoimento sobre a nobre figura de Mira Fernandes, na tríplice perspectiva

(14)

do Professor, do Colega e do Amigo. P rém, dentro da

paredes desta Ca a faltaria ainda dizer - e serão as minhas

derradeira palavra - que, se M.ira Femandes, por

mere-cimentos e obra ci ntí.fi.ca foi e é da Academia e da Clas e

de Ciências, pela lição maravilhosament humana da

sua vida, bem merece er património cultural d( todos

nós, pOl tuguese .

ANTÓNIO MANUEL PINTO BARBOSA Faculdade de Economia - Universidade Nova de Lisboa

Referências

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