Física: da ilusão à óptica
Patrícia Sattin Garrouba Biégas Iolanda Cristina Justus Dechandt Fabiana Cristina Nascimento
Resumo
Neste artigo iremos propor diferentes maneiras do professor motivar seus alunos através de experimentos simples que envolvam conceitos de óptica. Sabemos que existe um grande desinteresse por parte de alguns alunos á respeito dos tópicos de Física, e por isso o nosso intuito é motivá-los através de práticas simples e de baixo custo. Um dos aspectos principais é que também faremos uso da ilusão de óptica, o que vem a despertar grande interesse dos educandos.
Palavras-chave: óptica, ilusão, motivação Abstract
Physics: the optical illusion
In this paper we propose different ways of the teacher motivate yours students through of simple experiments involving optical concepts. We know there is a great indifference on the part of some students about the topics in physics, and so our aim is to motivate them using simple practical and low cost. Will make use optical illusion to arouse students’ interest.
Keywords: optical, illusion, motivation
Introdução
Ao longo dos últimos anos tem havido um crescente interesse em se melhorar o ensino no Brasil, e o ensino de Física faz parte desta intenção. Muito se fala sobre as situações problemas encontradas nas escolas, por isso cabe a nós profissionais do ensino tentar apresentar alguns métodos para tentar driblar esses problemas.
Nós professores, temos o dever de despertar no aluno o interesse pelo estudo, o que não estamos observando na maioria das instituições de ensino no país. Na maioria das vezes, os conhecimentos são passadas de forma pronta e sem qualquer contextualização, o que não passa para o aluno a vontade de investigar, de descobrir.
Neste artigo partiremos da premissa de que o aluno deve ser participante do processo de construção de seu conhecimento, e de que cabe ao professor encaminhar um processo de ensino prazeroso, despertando nos alunos a curiosidade que é tão necessária no processo de ensino-aprendizagem.
Algumas práticas realizadas em sala de aula podem enriquecer o tema discutido ou até um tema a ser tratado, podendo-se usar dessas experiências como parte introdutória do conteúdo, e torná-lo mais atraente.
Não podemos nos esquecer de levar em conta as dificuldades que muitos professores encontram ao se tentar trabalhar com experimentos em salas de aula, como por exemplo, a falta de materiais adequados e a baixa carga-horária, por isso a nossa intenção é tentar trabalhar com procedimentos simples, que envolvem poucos materiais e de baixo custo.
Tentaremos passar para o professor, maneiras de se trabalhar alguns conceitos de Física de uma forma menos teorizada. Iremos sugerir propostas de ensino que usam de experiências bastante simples para tentar observar e explicar alguns fenômenos do nosso dia-a-dia, fazendo com que o aluno estabeleça uma conexão entre a Física e o cotidiano.
Outro aspecto relevante, é que devemos sempre tentar envolver outras disciplinas neste processo, o aluno deve entender que tudo anda em conjunto, que todas as disciplinas têm igual importância diante da vida.
Muitas vezes no ensino médio os conceitos de ótica são praticamente esquecidos, portanto é necessária uma boa motivação para ministrar esse conteúdo.
Usaremos também da ilusão de óptica, para tentar atrair a atenção dos alunos e despertar sua curiosidade e interesse pelos assuntos de Física, afinal, quem não gosta de truques de
mágica? E por que não chamar de mágica? Sabemos que essas palavras têm forte apelo à curiosidade de todos nós, e como já falamos, o nosso objetivo é justamente o de atrair cada vez mais a atenção de nossos alunos
As práticas que serão sugeridas são de fácil desenvolvimento, não necessitando de grandes preparações, como por exemplo, a observação do tamanho aparente da lua cheia, que quando esta nascendo parece muito maior do que quando já se passou algumas horas de sua aparição no céu, ou seja, uma grande ilusão de óptica.
Com base no que foi dito, percebemos que o texto irá trazer técnicas para que o professor use em suas aulas, trazendo um pouco de novidade ao Ensino de Física que às vezes pode parecer tão monótono e metódico.
Colocando em prática
Como dito anteriormente, a idéia principal é ligar a física à ilusão de óptica e mostrar para os alunos como pode ser divertido descobrir novos conhecimentos.
A primeira atividade a ser proposta é a observação da lua cheia. Mas podemos nos perguntar, o que isto tem a ver com ilusão de óptica? Respondemos que tem tudo a ver. Quem nunca reparou que a lua cheia quando nasce parece muito maior do que quando já se passou algumas horas de nascimento? Este é um fenômeno muito interessante a ser proposto em salas de aula, pois os alunos tendem a apreciar bastantes os fenômenos que não envolvem tantos cálculos.
O que nós professores temos que entender é que nem sempre a física deve ser introduzida com tantas fórmulas, tantos cálculos. Devemos sempre tentar com que o aluno se sinta motivado a aprender e para isso é preciso que despertemos neles a curiosidade, e porque não fazemos isso antes de introduzir a parte teórica. Será que dessa forma os alunos não se sentiriam mais motivados a estudar essa parte de cálculo, sabendo realmente para o que ela é necessária.
O que podemos perceber é que este método de dar aulas que está sendo usado em quase todas as instituições não está servindo para que o aluno se interesse por física e é isso que nos interessa aqui. Como dito, vamos mostrar para os alunos que física é divertido sim, e que não é um bicho de sete cabeças como muitos pensam.
Voltando à idéia da prática com a lua, a princípio podemos pensar que a observação da mesma não seria uma atividade de fácil desenvolvimento para aluno do período matutino e
também do vespertino, pois para sua observação é necessário que esteja de noite. Mas por que não propomos esta atividade para os alunos do período noturno? Podemos encarar está prática como uma boa maneira de aproximar esses alunos que muitas vezes são encarados como desinteressados, pois muitas vezes passaram o dia todo trabalhando e não tem ânimo para estudar. Mas será que eles realmente não têm interesse ou falta a nós professores métodos para despertar esse interesse?
Como pratica, propomos que o professor no inicio da aula, ou seja, no horário de entrada dos alunos, que também bate com o horário em que a lua nasce, proponha aos alunos uma observação conjunta da lua. A segunda parte da tarefa consiste em os alunos observarem a lua no momento em que a aula acaba. Podemos perceber, obviamente, que no momento da segunda observação a aula já esta para acabar, não daria tempo para explicar os fenômenos observados.
Como continuação da tarefa, o professor na próxima aula pode propor aos alunos uma discussão sobre o que foi observado, e aí sim, podem-se começar as explicações.
Provavelmente, algum aluno irá levantar a questão de que a lua ao passar das horas diminuiu de tamanho, e é justamente este o nosso foco nesta prática. É nesta hora que o professor deverá mostrar o conceito de que tudo não passa de uma grande ilusão de óptica, e que nada daquilo acontece realmente, pois obviamente a lua não diminui de tamanho.
O que pode ser proposto aos alunos e de uma forma bem simples é que eles coloquem uma moeda a uma mesma distância do olho em direção á lua no horizonte e próximo ao zênite. O que os alunos irão constatar é que a moeda cobre a lua tanto na primeira posição quanto na segunda.
Com essa simples atividade o professor pode tratar de diversos conceitos, como a astronomia por exemplo. Com certeza, qualquer assunto fica muito mais interessante quando podemos analisá-los na prática, e é isso que estamos tentando passar aqui, é a correlação com o real.
Outra forma interessante de se falar da ilusão de óptica nas escolas é com outra atividade bem simples. O professor deverá escolher três objetos idênticos e alinhá-los da mesma forma em que se está representado na figura 1:
Figura 1: Exemplo de como o professor deve executar a atividade da Ilusão de Ponzo
Sabemos que as diferenças de tamanho que aparecem na figura só acontecem por causa de uma ilusão de óptica, que mais precisamente neste efeito é chamada de Ilusão de Ponzo.
É claro que nem sempre poderemos tratar destes tópicos da física em uma sala de aula de ensino médio comum, pois devemos levar em consideração os planos de curso previamente definidos e que não podemos tratar de conhecimentos que não estejam nele estipulados, mas o intuito deste artigo é fazer com que nós, professores, tentemos cada vez mais fazer com que a física se torne cada vez mais interessantes aos olhos dos alunos das escolas.
Outra atividade que é muito interessante para se fazer em sala de aula é a construção de uma lupa apenas com o uso de um plástico transparente, um aro e algumas gotas de água. Usando estes materiais extremamente viáveis, podemos verificar que pingando algumas gotas de água no papel filme o mesmo se tornara uma lente convergente. Pode parecer tão pouco, mas há muitos conceitos de física envolvidos na composição desses dois elementos.
Para que se possa entender melhor o que estamos falando basta observar as figuras 2 e 3:
Figuras 2 e 3: Exemplo de construção de uma lupa apenas com um aro, papel transparente e gotas de água
Levando essa proposta para a sala de aula o conteúdo se tornara muito mais atraente, pois os alunos mesmos podem construir suas próprias lupas, o que fará com que o conteúdo seja mais facilmente assimilado pelos alunos.
Com base em tudo o que foi aqui apresentado, podemos perceber que todas as atividades que aqui foram propostas são no mínimo muito simples e de fácil execução, e com certeza despertam e muito a curiosidade dos educandos. Nós professores devemos sempre tentar motivar cada vez mais nossos alunos para que eles entendam que estudar não é uma mera obrigação, mas que pode sim ser algo prazeroso. Quem não se lembra das aulas de artes, por exemplo, que tínhamos nos primeiros anos de escola? Quem não se sentia motivado a aprender com todas aquelas atividades? O nosso intuito é justamente este, motivação.
Referências
SILVEIRA, F. L. e MEDEIROS, A. A ilusão sobre o tamanho da lua no horizonte. 2006. Revista Física na Escola, São Paulo, v.7, n.2, p.67 – 69, 2006
NASCIMENTO, F. C. Ciência e arte: ilusão de ótica - publicado em CD-ROM, p. 50. 2009. SILVEIRA, F. L. Imagens sobre temas da física geral. Disponível em:
Patrícia Sattin Garrouba Biégas. Acadêmica do curso de Licenciatura em Física – Universidade Estadual de Ponta Grossa – DEFIS-UEPG. [email protected]
Iolanda Cristina Justus Dechandt. Acadêmica do curso de Licenciatura em Física – Universidade Estadual de Ponta Grossa – DEFIS-UEPG. [email protected]
Fabiana Cristina Nascimento. Prof. Dra. Fabiana Cristina Nascimento- Universidade Estadual de Ponta Grossa – DEFIS-UEPG. [email protected]