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Anais CONeGOV 2004

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H695e

Anais da Conferência Sul-Americana em Ciência e Tecnologia Aplicada ao Governo Eletrônico – CONeGOV 2004 / Hugo Cesar Hoeschl (org.) – Florianópolis (SC) : Editora Digital Ijuris, 2004.

ISBN 85-89587-17-7

1. Governo Eletrônico 2. Inteligência Jurídica 3. Inteligência Artificial 4. Cidadania Digital. I. Autor II. Título.

(3)

Hugo Cesar Hoeschl, Post Doc. (org.)

Anais da Conferência Sul-Americana em Ciência

e Tecnologia Aplicada ao Governo Eletrônico

CONeGOV 2004

Florianópolis

Editora Digital Ijuris

(4)

Copyright © 2004 IJURIS

ISBN: 85-89587-17-7

EDITORA DIGITAL IJURIS

Coordenação

Marcos Carlson

Rua Lauro Linhares, 728 / 212 Trindade

88036-002 Florianópolis SC BRASIL

+55 48 3025-6609 / +55 48 234-5434 fax

[email protected]

www.ijuris.org/editora

(5)

SUMÁRIO

FULL PAPERS

Certificação Digital e Mandado De Prisão

9

Governo Eletrônico e Meio Ambiente

25

Governo Eletrônico: A Construção da Acrópole Digital

33

Pregão Eletrônico - Administração Pública no Ciberespaço

43

Arquitetura de Data Warehouse da Plataforma Lattes

55

Abertura de Novas Perspectivas para a Cidadania Diante do

Ciberespaço: Governo Eletrônico e Espaço Púbico Digital Não

Estatal

67

O Novo Modelo de Rede Corporativa e de Desenvolvimento

Regional em Operacionalização na Federação das Indústrias do

Estado de Santa Catarina

79

Governo Eletrônico na Mídia On Line

89

Implantação de um Núcleo de Inovação, Propriedade Intelectual e

Transferência de Tecnologia na Fundação Centro Tecnológico de

Minas Gerais – CETEC

101

Governança Corporativa Eletrônica

113

SHORT PAPERS

Acompanhamento Processual Via Internet no Sistema de

Automação do Judiciário (SAJ)

123

Sistema Especialista Aplicado ao Domínio Jurídico

129

Governo e Eleição Eletrônicos no Brasil

137

Interoperabilidade para Sistemas de Informações Geográficas

Aplicada ao Governo Eletrônico

145

SERPI – Sistema de Registro de Produção de Propriedade

Industrial

155

Ontologias e Sistemas de Conhecimento Jurídico: Uma Abordagem

Sobre Entorpecentes

(6)

História da Internet: Origens do e-Gov no Brasil

169

Segunda Reflexão Sobre a Acessibilidade Digital Como o Grande

Desafio para o Governo Eletrônico

179

O Impacto da Internet no Funcionamento das Instituições

Representativas Brasileiras: Um Estudo Sobre a Informatização

dos Legislativos Estaduais no Brasil

189

Instrumentos de Informação Para Plataforma de Gestão de e-Gov

201

RESEARCH ABSTRACTS

Uso de Tecnología Internet en la Prestación del Servicio Publico

Catastral

211

Segurança na Análise de Crédito: Um Direito do Cidadão

217

Os Atores Sociais e a Cidadania na Sociedade da Informação e do

Conhecimento

219

Os Impactos da Tecnologia da Informação na Administração

Pública: Licitações Eletrônicas

221

Biblioteca Digital x Direito Autoral

223

Uma Proposta de Recomendações de Adequação de Interfaces

Ergonômicas e Acessíveis a Portadores de Necessidade Especial

Visual

(7)
(8)
(9)

CERTIFICAÇÃO DIGITAL E MANDADO DE PRISÃO

A TECNOLOGIA COMO INSTRUMENTO DE GARANTIA À

LIBERDADE DO CIDADÃO

Eduar d o Marcelo Castella

IJURIS [email protected]

RESUMO

Com a edição da Medida Provisória 2.200 / 0 2, regula m e n t o u se o uso da certificação digi -tal, criando as regras e o padrão que seria m adota d o s no Brasil para o trâmite de docu m e n t o s digitaliza d o s e criados em meio eletrônico. Deu credibilida de jurídica aos docu m e n t o s certifi -cados digital me nt e reforçan d o, e amplian d o, o teor da Lei 9.800 / 9 91. Com isto possibilitou o

uso por divers os órgãos, entidad e s e até mes m o, pessoa s físicas, para emitir e trans mi tir docu m e n t o s por meios eletrônico s, com a garantia de sua aute nticidad e, tanto no conteú d o quant o na sua emissão, pessoa do emitent e. A aplicação da certificação digital para o cum pri m e n t o de manda d o s de prisão vem de encon tro aos princípios constitucionai s, e in -alienáveis, de garantia da liberda de do ir, vir e ficar do cidadão, pois possibilita a impre s s ã o de um docu me n t o direta m e n t e da tela do monitor do comp ut a d o r, com a segura nça de que aquele docum e n t o é uma cópia fiel do emitido pela autorida de judiciária, evitando o trâmite, e a morosid a d e na convencional remes s a de papéis, desneces s á rios ante as novas tecnologias.

PALAVRAS- CHAVE

Medida Provisória 2.200; certificação digital; man d a d o de prisão; Constituição Federal;

1. INTRODUÇÃO

Em que admirável mun do novo nos encontr a m o s onde pode m o s localizar pess oa s, assun -tos e notícias a qualquer mome n t o e enqua n t o os fa-tos acontece m. Que mund o é esse onde pode m o s ser ludibriad os com falsas mens age n s, mas que de tão bem elabora do s nos levam a acreditar que são verda deiros? Onde pode m o s ser lesados sem sentir a ação de quem nos lesa?

Estamos no mun do eletrônico, digital, no ciberes pa ço (Gibson), na grande teia que cobriu o plane ta de novida de s e ilusões, de avanços e tam bé m dos mes m o s proble m a s existent e s na vida material, palpável. É a Interne t nos envolvendo com sua magnitu d e e possibilida de s em prop orcio na r uma agilidad e na transação de negócios (governo, cidadãos e emp res a s); infor -mações (noticiários on- line , com textos e imagens concomit a nt e s aos fatos), futilidad e s (tudo, ou quase, que se imaginar sobre assu nt o s diversos e variados); novas form a s de relaciona -mento, mediant e páginas de encont ro de pess oa s (sites de busca, onde é feita conform e o perfil e as preferências individuais); os bloggs (diários pessoais eletrônicos com o conte ú do abert o, diferent e m e n t e dos tradicionais em agenda s hermé ticas); Orkut (site de relaciona m e n -to, comuni da de restrita aos seus mem br o s, em que some nt e é pos sível participar caso venha

1 Lei 9.800 / 9 9, de 26.05.99 (DOU 27.05.99) - Permite às partes a utilização de sistem a de

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a ser convida do por algum de seus integran te s, morm e n t e a indicação é de um amigo que cham a outro amigo ou conhecido).

Seguindo por esse camin ho digital, empre s a s, governos e cidadão s vêm cada vez mais uti -lizan do os recurs o s eletrônicos para ampliar e multiplicare m seus cam po s de atuaçã o. Sob esta ótica focarem o s o present e trabalho em uma ativida de exclusiva de governo, nem sem -pre vista com bons olhos pela socieda d e, qual seja, o cum pri m e n t o do mand a d o de prisão.

O estud o focará a ques tã o do indivíduo frente à Constituição Federal, quant o as garantias da liberda d e individual e seu direito de ir, vir e ficar, també m as restrições legais à esses mes m o s Direitos. A com pe tê ncia para efetuar o cum pri m e n t o do manda d o judicial restritivo de liberda d e, sua forma prática de funciona m e n t o, e finalme n te, a legalida de e vantagens no aspecto da certificação digital para concretiz a r o exequat ur ante as novas tecnologias.

2. A LIBERDADE INDIVIDUAL

2.1 A Liberdade no tempo

Ao pens a r m o s no ser hum a n o como uma criatu ra que evoluiu de um estágio grotesco, rude, selvagem mes m o, para chegar a uma condição de domina d o r das mais diversas espéci es e criatura s existent e s na face da Terra, inclusive dele mes m o, deve mos relevar que há mui to, ainda, nas ações hum a n a s de agressivida d e, apesa r dos avanços tecnológicos e intelectu -ais.

Na medida em que as relações entre os seres primitivos tornava m se cada vez mais com -plexas, surgindo interes s e s individuais com sobrep o sição aos coletivos, aparecera m os primeiros sinais da opres s ã o social.

Inicia a caracteri zação da proprieda d e territorial privada, ou restrita a um grupo. Dela decorre a subor di naçã o de um ser huma no para com outro., até chegar - se à escravidão.

Ao longo de tem po s imem oriais, houve a formação dos clãs, das tribos, grupo s sociais cada vez mais elabora d o s e estrut u r a d o s, calcan do - se na pos se do imóvel, e no correr das estações, de pessoa s. Organizações visando mante r o poder e o domínio sobre a terra, afas -tand o os invasore s utilizand o seus semelha n t e s como guerreiros e escravos, aos quais se atrelavam pelo discur s o ou pela força. Os privilégios decorre n te s do poder, deter a pro -prieda de sobre determi na d o s bens, especialm en t e a terra, invariavelme n t e levava a luta para vencer as imposições e a dura realida de para que m nada tinha de poss es, cabend o lhes ape -nas servir àqueles senhores.

Durant e séculos muitas fora m às justificativas para garantir a manut e nç ã o do status quo dos senhore s do poder, da prop rie da d e. Desde crenças religiosas até políticas outra s voltada s para o terror, mediante o uso da força bruta, subj uga n d o a vontade da coletividade à do mais forte.

Mas no correr evolutivo do ser hum a n o houve, també m, variações no pensa m e n t o, culmi -nando com regula m e n t a çõe s no intuito de limitar o uso da proprie da d e pelo seu dono e a sua relação com os dem ais semelha nt e s, é a intervenção do Estado na atividade particular. Passa -se a advogar a idéia de que o interes s e coletivo deve sobrepo r - -se ao do particular, em uma relação que seja justa e harm ô nica (MORGAN).

Esta cons ta n t e luta para garantia de mais Direitos, como dito, vêm desde a antiguida d e. A partir do mom e n t o em que se passo u delimitar espaços, apos s ar - se de áreas, regiões que proviam a subsistê ncia sem a necessida de de desloca m e n t o s , o nom a dis m o encerrou origi -nando as novas forma s de vida em socieda de, fun da d a na prop rie da d e.

Note - se que neste contexto a liberda d e está afeta a condição do livre desloca m e n t o de uma região para outra dent ro da cidade, Estado ou país. É o pode r do ir, vir e ficar.

Os significados da palavra liberda de, em termos lingüísticos, são assim definido s:

“li.ber.da.de

s. f. 1. Estado de pessoa livre e isenta de restrição externa ou coação física ou moral. 2. Condição do ser que não vive em cativeiro. 3. Condição de pessoa não sujeita a escravidão ou servidão. 4. Independência, autonomia. 5. Ousadia. 6. Permissão. 7. Imunidade. S. f. pl. 1. Re -galias, franquias, imunidades, privilégios concedidos aos cidadãos pela constituição do país ou

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de que goza um país, uma divisão dele, uma instituição etc. 2. Familiaridade importuna; atre -vimento, confiança: Tomar liberdades com alguém”.2

Temos então uma ampla definição de liberda d e, a qual poderá trans m u d a r - se depe n de n d o do contexto que a observar m o s, político, ideológico, sociológico, filosófico e jurídico, dentre outro s enfoq ue s.

Para este trabalho estare m o s focando a juridicidad e do term o. Liberda de como sendo o estado do cidadão livre, com plenos podere s para exercer e exigir seus direitos e garantias constit ucional m e n t e estabelecidas.

Press u p o s t o do mundo democrático, a liberda de individual é tida como um Direito sagra -do de toda pess oa, some n te lhe sen-do impos t a s restrições em virtude de lei, e ainda assim em casos muito específicos e sem pre media nt e funda m e n t a çã o.

Várias foram às manifes t açõe s para se garantir o direito à liberda d e, restringin d o os abu -sos contra as pess oa s, desde a antiguida d e localiza m o s fragm e nt o s dos direitos e garantia s fun da m e n t a is do ser hum a no, tais como “o veto do tribun o da plebe contra ações injusta s dos patrícios em Roma, a lei de Valério Publícola proibindo penas corporais contra cidadão s em certas situações até culminar com o Interdicto de Homine Libero Exhibendo ,”3 o qual veio a

ser o instru m e n t o para a pos terior criação do hábeas corpus . No entant o foi na idade média onde surgira m os grande s escrito s que transfo r m a ri a m as socieda de s da época proporcio -nando instru m e n t o s para a funda m e n t aç ã o das políticas e legislações hum a nis t a s futura s.

Alavancada s pela teoria do direito natural, começara m a surgir as primeira s limitações aos poderes dos mona rca s, buscava - se restringir, ainda que timida m e n t e, vez que beneficiava aos nobres, estabelecer uma nova orde m de equilíbrio entre aquele que mandava e os que obede -ciam, sendo exem plo os pactos , os forais e as cartas de franq uia .4

Seguiram - se outra s cartas e docu m e n t os , sendo que as mais famos a s dess a época são as inglesas Magna Carta (1215 - 1225), a Petition of Rights (1628), o Habeas Corpus Ame n d m e n t

Act (1679), e o Bil of Rights (1688). Conteúdo semelhante, mas posteriores e com maior im

-pacto nos direitos huma n o s moder no s, foram as cartas de direitos das colônias inglesas na América do norte, Charter of New England (1620); Charter of Massachussets Bay (1629);

Charter of Maryland (1632); Charter of Rhode Island (1663); Charter of Carolina (1663), den

-tre outra s.

No calor das transfor m a ç õe s sociais de então, a elaboração da carta de Vergínia (12.01.177 6), anteces s or a da Declaração de Indepe n d ê ncia dos EUA, veio a sacra me n t a r o pensa m e n t o dos filósofos Locke, Roussea u e Montes q uieu, refere nt e a democracia, estrut u ração dos podere s do Estado e das liberda de s dos seres hum a n o s. A declaraçã o da inde pendê ncia Norte Americana, calcou se no referido manu s crito fecha ndo o ciclo sobre o re -conhecim e nt o de garantia s e direitos inalienáveis de todos os cidadão s como o direito a vida, a liberda de e a busca da felicidade.

A Asse m bléia Constituint e frances a pro m ulgo u a sua Declaração dos Direitos do Home m e do Cidadão em 1789 onde, mais uma vez, ficou patent e a influencia dos pensa d or e s Rousseau, Montes quieu Locke e de todos os demais filósofos da época. Da sua redação ex traem se, como sua marca registra da, os princípios de liberdade, de igualdade da pro

-priedade e da legalidade.

Notam o s, porta nt o, a intens a busca dos povos em conseg uir assegura r o respeito pela in -dividualida d e do ser hum a no, bem como, o reconheci me n t o de que é poss ui do r de direitos e obrigações, mas cabendo ao poder Estatal auto - limitar - se, pois que é apena s detent o r de um poder derivado do povo, que lhe outorgo u a possibilida de de gerir e administ ra r a vida de seus cidadão s.

No direito brasileiro seguim os, especialme nt e após a procla m ação da indepe n d ê ncia, por ritos semelha nt e s aos demais países, com limitações ao poder do soberan o, recon heci me n t o de direitos e garantias individuais, inclusive com a abolição da escravidão, mes m o que tardia. Criação de conselhos que limitava m o poder do impera d or até, finalmen t e, ocorrer a procla -mação da república.

2 Dicionário Eletrônico Michaelis, versão UOL, www.uol.com.br, em 20.09.200 4

3 da Silva, José Afonso, Curso de Direito Constitucio nal Positivo, 8a ed., 1992, São Paulo, Ed.

Malheiros.

4 Manoel Gonçalves Ferreira Filho, Curso de Direito Constit ucional, 7a ed., São Paulo, Saraiva,

(12)

Ressalte - se que na cons tituição do império de 1824, já havia previsão legal refere nt e aos direitos do home m, cidadão. No transcor rer da história brasileira outra s cons tit uições foram redigidas e sem pr e houve referê ncia aos direitos e garantias individuais, com maior ou menor ênfase.

2.2 A liberdade da Pessoa física

Dentre os direitos individuais, de liberda de da pessoa física, está o de ir, vir e ficar. Este se contra p õ e direta m e n t e ao de escravidão e de detenção e prisão.

A escravidão, no Brasil revogada a sua vigência e legalida de durant e o governo do então Impera d o r do Brasil D.Pedro II, por ato da Princesa Isabel, por muito tem p o foi admitida como uma regra de direito natural, e serviu como mola propul s or a para a economia do país. Uma das grande s referências de luta contra a manut e nçã o de tal “direito” foi o Quilom bo dos Palmare s, o qual por mais de cem anos contes t o u o pode r do Estado em manter os negro s na condição de objetos, de proprie da d e dos branco s.

Extirpad a e execrada nos países de conotações dem ocrática s, ficou a escravidão como uma triste lembra nç a do que som os capaz e s de fazer quando o pens a m e n t o político e filosó -fico manipula algo que na nature z a é impraticável, subj ug ar seu semelha n t e à dominação para seu deleite e subserviência. No prese nt e estu d o foi retirad o a situação de inam ovibili -dade por motivos de saúde, por incondi ze n te com o objeto final.

Sendo, juridicam e n t e, a liberdad e da pessoa física a condição que todos poss u e m em deslocar se dentro do território nacional sem a necessida de de obter permis s õe s ou autor -izações, é a vonta de de cada um dirigindo seus próprios atos, poden d o, inclusive, entrar e sair do território nacional, resta verificar como opera a restrição legal da liberda de.

A prom ulgação da Constit uição Federal de 1988 esta m p o u o princípio da liberda de física no art. 5o. Inciso XV:

“é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens”

A exceção ao direito do livre ir, vir e ficar é tida como uma medida de reserva, mor m e n t e encont r a - se delimita da em leis e regula m e n t o s de cunho penal, sendo aplicado como uma sanção ante a um fato tido como punível. Excepciona - se, igualmen t e, se o país encontra r - se em guerra, aqui compree n di d o como sendo a situação em que houve a declaração de guerra , ato form aliz a d o pelo President e da República e referend a d o pelo Congres s o Nacional, nos term o s dos art. 21, II; e art. 84, XIX e XX5. É o estado de beligerâ ncia com as formalida de s

constit ucionai s estat uint e s de uma condição de oposição a outro país, haven do, mes m o, con -flito arma d o, o qual somen t e cessará quan do houver uma formal declaração de paz, quan do há a celebração da paz. Será, porta n t o, tem p o de guerra o período decorri do entre a declaração da guerra e a celebração da paz. Durant e este lapso tem po r al outras medida s poderão ser adota da s quanto ao direito individual de livre circulação, mas jamais será admis -sível a supre s s ã o do princípio, da instituição liberda de. A guerra é uma situação excepcional e de difícil ocorrência, tant o assim que a própria CF em seu artigo 4o, ao tratar dos princípios

que regem o Brasil nas relações internacionais, estabelece nos incisos VI e VII a defesa da paz e a solução pacífica dos conflitos.

Assevera, desta maneira, que para se efetivar a detenção ou a prisão de algué m, some nt e será levada a term o caso existam motivos bem definidos, e ainda, que sejam estabelecidos em lei. Trata - se do princípio da legalida de ou reserva legal ou, ainda, da intervençã o legalizad a, em latim é o “nullu m crime n, nulla poena sine previa lege”. Não há crime, nem pena, sem prévia lei, estand o inscrito no CP em seu art. 1o:

“Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal”.

E, em 1988 foi elevado a princípio cons tit ucion al, por meio da redação do art. 5o, inciso

XXXIX:

5Art. 21 Compete a União:

II - declarar a guerra e celebrar a paz.

Art. 84. Compete privativam en te ao President e da República:

XIX – declarar guerra, no caso de agres s ão estra ngeira, autoriz a d o pelo Congres s o Nacional ou referen d a d o por ele, quan do ocorrida no intervalo das sessõe s legislativas, e, nas mes m a s condições, decreta r, total ou parcialme n t e, a mobilização nacional;

(13)

“não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal”.

També m o da irretroativida de da lei, “salvo para beneficiar o réu”, art. 2o do CP:

“Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de conside rar crime, cessa n d o em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença conde na t ó ria”.

E art. 5o, inciso XL da CF:

“a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu”.

E reforçan d o a import â ncia dos direitos e liberda de s funda m e n t ai s, estabelece, no mes m o art.5o, inciso XLI que a lei irá criar mecanis m o s de punição para os casos de “discriminação

atenta t ória” contra eles:

“a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades funda me ntais”.

Se por um lado estabelece ser a liberda de um bem inalienável, de outro cria mecanis m o s pelos quais ela pode rá ser restringida, sem com isso abolir o ideal ou o satatus libertatis das pess oa s, mor m e n t e daquelas que deixam de enqua d r a r - se nos modelos de restrição.

É a visão do todo, ampla, de como o legislador infra - constit ucion al deve agir em relação a criação das norm a s de condu t a, leia- se norm a s penais, para todo o país. A necessida d e da edição de norm a s cujo conteú d o venha a cercear o livre ir e vir, decorre da própria vida em socieda de ante ao inevitável surgimen t o de conflitos. Se antes era o olho por olho, dente por

dente, ao aceitarmos o Estado como mediador, é a ele que compete a realização do julgamen

-to daquele s que infringirem as norm a s estabelecida s.

Para controlar as pessoa s cujos atos importe m em grande prejuí zo aos demais, ou ao menos buscar refreá - los, lhe são imput a d a s sanções, punições, restriçõe s. Dentre elas, e a mais grave, está a prisão do indivíduo.

3. PENAS E MANDADO DE PRISÃO

3.1 Penas restritivas de liberdade

Ao discorrer, de form a genérica, sobre as modalida d e s criminos a s, a Constituição de 1988 també m estabeleceu princípios quant o as pena s a serem adota d a s no regime penal brasileiro, art.5o, inciso XLVI:

“a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade;

b) perda de bens; c) multa;

d) prestação social alternativa;

e) suspensão ou interdição de direitos”

E no seu inciso seguint e, XLVII, especificou quais jamais poderã o ser impos t a s aos conde -nados:

“não haverá penas:

a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; b) de caráter perpétuo;

c) de trabalhos forçados; d) de banimento;

e) cruéis”.

Vemos, mais uma vez, a característica hum a ni s t a do legislador constitucion al ao afastar qualque r possibilida d e em adota r penas que conflitem com os direitos e garantias funda -mentais, balizado s pela Declaração Universal dos Direitos Hum a nos6.

No entan to, ainda persist e m situaçõe s onde será a restrição a liberda de uma medida legal, letra a do inciso XLVI do art. 5o da CF.

Estas previsões decorre m da lei, confor m e dito, não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem previa cominaçã o legal. É a pena a res pos t a do Estado recon hecen d o que hou -ve uma ofens a, uma lesão a um direito juridica m e n t e protegido, por meio da incidência de uma ação típica, jurídica e culpável.

6 A Declaração Universal dos Direitos Huma no s foi adota d a pela ONU e é aceita por todos os

países que a integra m, sen do respon s ável pela sua manut e nçã o o escritório do Alto Comiss aria d o pelos Direitos Huma no s.

(14)

Filósofos e teóricos conte m p o r â n e o s do Direito buscam estabelecer critérios para a justi ficativa da pena privativa de liberda de, onde ela seria um mal para o delinqüe n t e, sem ser ex -agerad a, guarda n d o a devida proporcion alida de com a prática do delito (Carrara). Em tem p os pass a d o s, era mera m e n t e de caráter retributivo, praticad o o ilícito deveria sofrer uma sanção castra do r a da liberda de por merecedor ante o ato reprovável. Hoje, se admite a pena de prisão, des de que aplicada em casos muito específicos, devend o existir mecanis m o s compe n satórios pelo bom comp or t a m e n t o, para que seja o apena do incluído na socieda d e, reinte grando o ao convívio social (Packer, Roxin, Copello, dentre outro s). Em que pese ainda punir -se por vingança, ou sob o pretexto da prevenção, há uma forte moviment açã o para que -se bus que transfor m a r atitude s anti - sociais em atitu de s sociais, tran s m u d a r penas - castigo para penas - recuperaçã o.

De qualque r modo, pondo de lado as manifes taçõe s e divagações sobre o caráter da prisão, deverá a pena criminal ser aplicada por órgão com pet e n t e, media nt e o devido proces -so legal, com o devido respeit o ao princípio constit ucion al da liberda de individual, inclusive o do contra di t ório e o da ampla defesa (Mestieri).

A pena de prisão será aplicada sem p re que houver a prática de um delito cuja pena esteja fora do alcance da lei dos juiza dos especiais criminais, nos term o s da Lei 9.099 / 9 5:

Art. 61 – Considera m - se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 1 (um) ano, excetuados os casos em que a lei preveja procedimento especial.

E, posterior m e n t e, com a edição da Lei 10.259 / 0 1 , o conceito de delitos de meno r pote n -cial ofensivo foi am pliado:

Art. 2o Compete ao Juizado Especial Federal Criminal processar e julgar os feitos de com -petência da Justiça Federal relativos às infrações de menor potencial ofensivo.

Parágrafo único. Considera m - se infrações de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a dois anos , ou multa. (grifei)

Ante a nova legislação vários delitos considera d o s como de menor pote ncial ofensivo para a Justiça Federal, eram com un s na esfera Estad ual, ou seja, seriam julgados sem os benefícios daquela. Para corrigir esta distorção os opera dor e s do Direito pas sara m a interpret a r que a previsão de pena máxima de dois anos també m valeria para a esfera da justiça esta dual, por uma quest ão de lógica jurídica (Damásio). Questã o já sedime n t a d a.

A existência do delito de menor potencial ofensivo fez com que o julgador tivesse maior cautela na aplicação da pena restritiva de liberda de. Está ele igualm ent e autoriza d o a emitir o devido mand a d o coercitivo, mas a política criminal é de que seja ele evitado, prop on d o - se penas alternativas às privativas de liberda d e, tais como a de prestação de serviços à comu -nidade ou pena s pecuniárias em favor de entida d e s assistenciais.

Há, ainda, na restrição a liberda de, o estabelecim en t o de regimes onde será a pena execu tada, pode n d o ser fechad o (penitenciárias de segura nç a máxima ou média); regime semi abert o (colônias penal agrícola, indus t rial ou outra similar) e regime aberto (albergue s, na fal -ta destes, prisão domiciliar). Estes são definidos na indicação da pena, ao definir se é a pena de prisão com reclus ão ou detençã o, fechado no primeiro caso e aberto ou semi - aberto no segun d o. O limite da pena de prisão está deter mi na d o na “sanção corres p o n d e n t e a cada tipo legal de crime” (art. 53 do CP).

3.2 Prisão Pena e Prisão sem Pena

Atenta n d o - se para o art.5o, inciso LXI da CF, o qual estabelece que “ningué m será preso

senão em flagra nt e delito ou por orde m escrita e funda m e n t a d a de autorida d e judiciária compe te n t e, salvo nos casos de trans gre s s ã o militar ou crime propriam e n t e militar, definidos em lei”.

Há circuns t â ncias onde será a liberda d e do indivíduo restringida mes m o que ainda esteja sem uma conden açã o judicial definitiva, em que pese ser esta passível de apreciação pelo ju diciário quanto a sua legalidade, por ser a comunicação da prisão ao juiz compet e n t e de ime diato. São os casos de prisão sem pena, poss uin d o uma ampla varieda de legislativa no orde -namen t o brasileiro. A prisão civil é uma delas, decorre n d o de orde m expedida por juiz cível e é devida em razã o da finalidad e que possui, cabend o nas hipótes e s de depo sit ário infiel ou da falta de paga m e n t o de pens ão alimentícia, únicas possíveis ante o texto constitucional, art.5o, inciso LXVII, mas exigem formalida d e s legais necess ária s para ser cons ub s t a ncia do. A

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cham a d a prisão administ ra tiva, art. 319 do CPP, após a CF de 1988, some nt e pode ser decre -tada por orde m judicial, por força do art. 5o, inciso LXI, bem como a prisão disciplinar, per

-mitida para as trans gre s s õ e s militares e crimes propria m e n t e militares. Neste sentido, há, també m, as prisões denomi na d a s cautelares de natu re z a proces s u al, aprese nt a n d o - se sob três modalida de s: a) prisão em flagrant e; b) prisão preventiva (stricto sensu ); c) prisão pro -visória resultan t e de pronú ncia (Tourinho Filho). No primeiro caso, flagrant e delito, haverá a prisão sem a necessi da d e de expedição de orde m judicial, é a próp ria Autorida de Policial quem faz a análise da situação fática, e ao final da lavratur a do auto, const at a d a a incidência do ilícito penal, deter mi na o recolhime nt o do autua d o ao cárcere público. Posterior m e n t e será avaliado se a prisão preenc he u todos os requisitos legais, onde então o juiz decidirá pela manut e nçã o da prisão ou pelo relaxam e n t o do flagrant e. Neste últim o caso pode rá colocar o autua d o em liberda d e, caso entend a ser esta medida inadequ a d a, poderá relaxar o flagrant e, por ques tõe s legais, e concomita n t e m e n t e, expedir o respectivo man da d o de prisão, enten -dendo se tratar de situação grave ou de grande repercu s s ã o na socieda de. Os demais casos, preventiva e decorre n te de pronú ncia, ambas anteriores a conde nação, já sofrem uma análise prévia por parte do julgador, juiz com pet e n t e, para some nt e após ser expedi do o ma n d a m u s . Será prisão pena aquela decorre nt e de uma conde nação, houve todas as fases de um pro cesso criminal onde, ao final, restou compr ova d o ser o réu o culpa do pela prática de uma in -fração penal. Há o julgam e nt o do mérito da ação. E, a partir da conde nação, funda d a na pena impost a, é que será definido qual o tipo de regime disciplinar a ser seguido, fechado, semi -abert o ou -aberto.

Para se chegar a tal ponto o poder judiciário já efetuo u o julgame n t o do acusa d o, conde -nando - o, sen do este ato decorre n te da análise e da observação do dispos t o nos artigos 59 e seguinte s do CP e calculada no preceito do art. 68 do CP, avaliados critérios como culpabili dade, aos antecede n t e s , à condut a social, à person alida d e do agente, aos motivos, às circun -stâncias e conseq üê ncia s do crime, bem como ao com por t a m e n t o da vítima, condu t a social, situação financeira em caso de penas pecuniárias, circuns t â n cia s aten ua n t e s e agravant e s, causa s de diminuição e aumen t o de pena, e mais outra s.

Importa, para o present e, os casos onde é expedido o docum e n t o para que seja efetivado o ato restritivo da liberda de, denomi na d o manda d o de prisão, e a forma como se dá o cum pri -mento do mes m o.

3.3 Mandado de prisão

Examinada a questã o da pena, vamos ao res pon s ável em expedir o mand a d o de prisão. Para tal recorre m o s ao CPP, art. 282:

“À exceção do flagrante delito, a prisão não poderá efetuar se senão em virtude de pro núncia ou nos casos determinados em lei, e mediante ordem escrita da autoridade competen -te”.

O primeiro pont o a ser esclarecido é saber quem é a autorida de com pe te n t e para dar a or dem por escrito a fim de que seja efetua d a a prisão. Como o próprio dispositivo legal já in duz, será com pet e n t e a autorida de que o é para a decretação da prisão preventiva, para pro -nunciar o réu, para conden a r e mes m o para revogar a prisão. Salvo os casos de flagra nt e e nos casos de trans gre s s ã o militar ou crime pro pria m e n t e militar, será a autorida d e compe -tente a judiciária, sem pre! E esta regra está clarame n t e estabelecida no art. 5o, inciso LXI da

CF:

“ningué m será preso senão em flagrante delito ou por orde m escrita e funda m e n t a d a de

autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propria -mente militar, definidos em lei.”

Mas além da orde m emana r de autorid a d e com pet e n t e, qual seja a judiciária, deverá ela ser escrita, seguind o os requisitos estabelecidos no art. 285 do CPP:

“A autoridade que ordenar a prisão fará expedir o respectivo ma n d a d o.

Parágrafo único - O mandado de prisão:

a) será lavrado pelo escrivão e assinado pela autoridade;

b) designará a pessoa, que tiver de ser presa, por seu nome, alcunha ou sinais característi -cos;

c) mencionará a infração penal que motivar a prisão;

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e) será dirigido a quem tiver qualidade para dar- lhe execução ”.

As formalida de s das letras a, b e c, caso deixem de ser observado s, sim ples m e n t e torna m inexiste nt e o mand a d o. No caso da letra a , poderá ser lavrado o ato por outro servent u á ri o da justiça que não o escrivão, sem com isso invalidar sua formalida d e. Porém, a ausência da as -sinatu ra do magistra d o acarre tar á falha insanável. Com relação aos demais itens, d e e, a omissã o em aten de - los possibilita sua nulidad e, vez que exigíveis (Tornaghi, Basileu Garcia).

Lavrado o man da d o, será ele encamin ha d o a quem de direito para cum pri - lo. Via de regra é elabora d o em três vias de igual teor, todas assina d a s pelo juiz, sendo distrib uída s ao Oficial de Justiça, ao Delegado de Polícia e uma terceira via à Delegacia de Vigilância e Captur a s DVC. O art. 320 do CPP especifica que os mand a d o s de prisão cíveis serão remetidos a Auto -ridade Policial para cum pri m e n t o.

Ao receber uma via do mand a d o de prisão, a Autorida d e Policial, in casu, o Delegado de Polícia, pode rá efetuar tantas cópias quant a s forem necess árias para o suces s o das ações de busca do procura d o, desde que seja m fiéis ao teor do original, nos termo s do art. 297 do CPP. Estas são repas s a d a s às equipes de investigação.

Ao efetuar o cum p ri m e n t o do mand a d o, deverá o policial estar na pos se de uma duplicata, pois uma das vias servirá como nota de culpa ao pres o, art. 286 do CPP, onde consta rá o dia, a hora e o lugar da execução, pass a n d o ele recibo na via do executor. Trata se de uma garan -tia para o cidadão e para o execut or do ato, pois ali está consigna d o o mome n t o em que foi preso e o local da ação, resgua r da n d o direitos e obrigações para os dois lados. Deverá, por oport u n o, em atençã o a CF, inform a r ao preso dos direitos que o assiste m, dentre eles o de perm a n ece r calado, ser assistido pela família e por advogad o (art. 5o, LXIII), e tam bé m ser in

-form a d o quant o “à identificação dos respon s áveis por sua prisão ou por seu interroga tó rio policial” (art. 5o, LXIV).

Ocorre m situações várias em que o manda d o de prisão, o docum e n t o formaliza do em pa pel impres s o, estará muito longe do local da ação policial onde se faz a execução do ato, sen do freqüent e alcançar o foragido em outra Comarca, onde o preso será apres e nt a d o a autori dade local. Nestes casos, com o avanço das tecnologias, muito já foi aperfeiçoad o, seja reme -tendo uma cópia do mand a d o por precatória, seja inform a n d o via telefone a autorida d e local quant o a existência e vigência do mes m o, seja enviando cópia via aparelho de fax e até por telegra m a, sendo dever da autorida de a quem se está apres e nt a n d o o preso, diversa daquela que expediu a orde m de prisão, acautelar se no sentido de verificar a procedê ncia das infor -mações. De qualquer maneira, de todas as soluçõe s apont a d a s a mais freqüe nt e é median te o emprego da trans m is s ã o de uma cópia do man d a d o median te o uso de fax, quando existen te na localida de. Certo, tam bé m, que esta apres e nt a alguns inconvenient e s em alguns casos, tais como a da parca legibilidade do docu m e n t o recebido, muito escuro, há com falhas no texto além de outros (d)efeitos. Se pont ua r m o s pela ques tã o segura nça, esta somen t e estará res -paldad a na mút ua confiança entre as partes envolvidas.

Tradicional m e n t e a expedição de cópias se faz em papel, mas a infor m a ti z aç ão do apare -lho estatal, com emprego de tecnologias cada vez mais seguras e eficientes, isto pode e deve ser muda d o. E é esta muda nça com po rt a m e n t al e tecnológica que se faz apres e nt a r sob a form a da certificação digital de docum e n t o s, in casu , manda d o de prisão.

4. CERTIFICAÇÃO DIGITAL

Ao considerar m o s as políticas públicas voltada s para a área da Tecnologia da Inform a çã o – TI, verifica mos que as ações para a implem e n t a çã o do governo eletrônico vêm toman d o, a cada ano, mais força. A partir do ano de 2.000, quan do o governo federal oficialment e imple -mento u o e- gov, houve uma crescente política para a inclusão digital em sua esfera de ação, e també m para que todos os Estados passa s s e m a adotar políticas para o setor alinhava d o com a União.

A Medida Provisória n.º 2.200 de 28 de junho de 2001, torno u - se um marco na história do governo brasileiro, especialm e n te no que tange as ações de governo eletrô nico. Em que pese muito discutida, e contes t a d a a via como foi colocado em vigor, o fato é que a certificação di -gital foi impleme n t a d a e está hoje consolida n d o relações nos mais diferent e s ambient e s.

Com a edição da emen d a constit ucional n.º 32 de 11.09.01, a qual limitou a reedição das medidas provisórias, houve peque n a s alterações na MP 2.200, estand o em vigor a reedição

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data da de 28.08.01, sendo que, em síntes e, estabeleceu a criação da ICP – Brasil (infra estru -tura de chaves públicas brasileiras), que vêm a ser o conju nt o de arquitet u ra, organização, técnicas, práticas e procedi m e n t o s que suport a m , no todo, a implem e n t aç ã o e a operação de um sistem a de certificação basea do em criptografia de chaves públicas. Desta feita foi viabili zado o modelo brasileiro para a emissão de docu m e n t o s eletrônicos certificado s digitalm en -te.

Neste sentido, um certificado digital é uma declaração assina da digitalm e nt e por uma Au -torida d e Certificador a (AC), no caso do Brasil deverá ser vinculada a ICP - Brasil para fins de obtenção de fé pública, conten d o campo s obrigatórios. A fé pública trans m i t e ao docu m e n t o eletrônico o mes m o valor que ao docu m e n t o impres s o em papel, lavrado em cartório. A dife -rença está na forma em que é elabora d o um e outro. Ambos surte m efeitos jurídicos, sendo que o digital poss ui a vantage m da capilarida de, pode n d o estar em vários locais ao mes m o tem po e toda s as vias serão idênticas ao original e com o mes m o valor.

O docum e n t o certificad o digitalme n t e é cifrado com criptografia assimét rica, a qual vêm a acontecer “quand o duas parte s troca m inform açõe s criptografa d a s, poré m, a origem geral -mente utiliza uma chave privada para criptografa r os dados e o destino utiliza uma chave pública para fazer o caminh o inverso (decript ogr afa r). A origem da chave pública é a chave privada, mas, é totalm e nt e improvável (teoricame n t e) que através da chave pública recons -trua - se a chave privada.”7. Import a esclarecer a res peito da cifrage m que se trata da chama da

função unidirecional, especificam e nt e, função HASH8. Esta consiste, sucinta m e n t e, na capaci

-dade de se criar uma função fácil de calcular, poré m quase impos sível em ser revertida. A imagem que melhor pode repre se n t a r uma função Hash, ou função unidirecional, é a do que bra cabeças. Ao visualizar uma paisage m monta d a, a partir de um quebra cabeças, num qua -dro de muitos milhares de peças, pode m o s achar graça e facilidade em des m a n c h a - la, poré m se efetivado tal irrefletido ato, verificar - se - á uma gigantesca dificulda d e em recons t r uí - lo.

Assim são as funções unidirecionais, fáceis de obter, poré m praticam e n t e impos sível re -const ruí - lo. Em termo s mate m á ticos, pega m o s, v.g. , um núm ero e partir dele aplica - se uma função unidirecional, des ta aplicação obter - se - á um resulta do. Sem conhecer o núm er o que o originou será, praticam e n t e, impos sível descobrir que núm er o era aquele. Ou, ainda, ser efe tuarm o s uma conta de divisão, como 30 / 7 (trinta dividido por sete), restará 2 (dois). Será re -lativame nt e tranq üilo elaborar uma forma de cálculo para saber qual será o resto da divisão de qualquer núm er o por sete, oscilará sem pr e entre 0 (zero) e 9 (nove). Porém, o inverso é in -viável, saber qual foi o núm er o que dividido por sete deu resto 2, por exem plo. Há infinitas pos sibilidade s, e aí ocorre o que se cham a de colisão. Mas para que serviria um sistem a, fun ção de has h, como este se a revers ão é inviável, ou mes m o conflitan te, pois que muitos po -dem ser os resulta do s, várias combinações como mes m o valor final.

Esta é a diferença da função hash criptográfica da não criptográ fica. Para que tenha utili dade as colisões devem ser minimiza d a s. Ainda assim terem os criptografia simét rica e assi -métrica. Na primeira a chave para criptogra far e decript ogr afa r é a mes m a. Para o segund o caso, assim ét rica, serão duas as chaves, uma pública e outra privada. A chave privada é a res -ponsável em criptografar o arquivo, caben d o a chave pública proceder ao caminh o inverso, decriptogr afa r. Ou seja, uma inverte o papel da outra. Como menciona d o acima, apesar da chave pública ser gerada a partir da chave privada, é praticam e n te impos sível recons t r uir esta utilizan d o aquela.

A título ilustrativo, a figura seguinte most ra a seqüência de atos para uma assinat u ra digi -tal utiliza n do uma função hash:

7 Diogo C. Gonzaga, http: / / b r - linux.org / t u t o ri ais / 0 0 2 2 0 9.h t m l

8 Hash: do inglês: bagunça, confus ão, mist ura r, confun dir. Infor m á tica: prod u zi r um núm ero

único, derivado da pró pria entra da, para cada entrad a em uma base de dados; ± hashing function = função hash = algorit m o usa do para produ zi r um código hash para uma entra da e assegur ar que este código é único para cada entrada; Dicionário Eletrônico Michaelis.

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Para melhor compree n s ã o, pode se comp ara r esta estru t u r a com a de uma casa. Nela te -mos várias unida de s interna s, quarto s, salas, escritório e outros cômod o s. Para cada um deles há uma chave para acesso, e para todos eles há uma chave mestra, sendo que em cada local existe uma fecha du r a e somen te a chave mestra é capa z de adent ra r a todos os apose nt o s. Para abri los há que se ter uma chave adequ a d a, e para que se tenha acesso a todos eles, im prescindível a chave mestr a. Sendo dono do imóvel, somen te será fornecida chave para aces -sar a área interna àqueles a que m conceder tal direito. Aos demais será negado, e porta n t o, deixarão de verificar o que há no mes m o. Assim, mes m o que alguém deten ha todas as chaves da casa, ainda assim será improvável, ou mes m o impos sível, que consiga reprod u z ir a chave mest ra. Portant o, ao fazer esta similitude, temos que as áreas interna s da residência são os arquivos do comp u t a d o r (criptografa d o s ou não); a chave mestra é a chave privada (qual nun ca é divulga da por ques tõe s de segura nça), as demais chaves de acesso serão as chaves pú -blicas, e as fechadu r a s serão os algorit m o s criptográficos9.

Devido a sua forma mate m á tica de se com por, as funções hash viabiliza m a seguran ça no tráfego e arma z e n a m e n t o das infor m açõe s prod u zi da s ou gerada s digitalm e nt e. “Uma vez que um valor de hash represe n t a o conjun t o de dados a partir do qual ele foi calculado, po -demos, a qualquer mome n t o, calcular novame n te o hash deste mes m o conjun t o de dados e compa ra r com o valor obtido originalm e n t e.”10 Na prática isto significa que valores iguais,

import a em docu m e n t o íntegro, valores desiguais apont a para uma modificação dos dados, mes m o que irrisória, como a alteraçã o de um bit.

Outras quest õe s técnicas referent e s ás caracterís ticas da certificação digital deixam de ser aborda d o s neste texto por incongrue n t e s com a essência do trabalho, tais como a discus s ã o sobre os algorit m o s para a imple me n t a ç ão de hash, onde faze m o s apenas menção àquelas que são mais utiliza da s, como o MD5 e o SHA. Apena s para se ter uma idéia do potencial de combinaçõe s de valores has h possíveis de ser criados com o uso do MD5, chega se a um nú -mero até 100 trilhõe s de vezes maior que o de grãos de areia existent e s no Deserto do Saara. Mas por ora basta saber m o s que será muito difícil quebrar uma senha utilizan d o tal algorit -mo.

Portan to, e nos termo s da Medida Provisória 2.200 - 2, a ICP- Brasil “será com po s t a por uma autori da de gestora de políticas e pela cadeia de autorida d e s certificador a s comp os t a pela Autorida de Certificadora Raiz AC Raiz, pelas Autorida d e s Certificado ra s AC e pelas Auto -ridades de Registro – AR”, art. 2º.

Nos termo s do Decreto nº3.587 de 05.09.2000, a ICP Brasil poss ui a seguint e estrut ur a:

9 idem 7

10 MELO, Leonardo Bueno de; Funções Unidirecionais e Hash, Revista Perícia Federal, N.º17 –

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A certificação, com a respectiva assinat u ra digital, de um docum e n t o garante a sua inte -gridade, sendo um import a n t e aliado para os operado re s do Direito quan to ao trâmite digital de petições, sentenças e os mais variados docum e n t o s que se queira protege r.

A figura abaixo repres e nt a um exem plo de certificado digital, onde as chaves represe n t a m a chave privada, de um lado, amarela, e a chave pública do outro, vermelho.

5. CERTIFICANDO OS MANDADOS DE PRISÃO

5.1 Estrutura

A aplicabilida de da certificação digital é múltipla, sendo que neste mom e n to focare m o s o estud o para os man da d o s de prisão. Dentro do que foi aprese n t a d o, com pe t e a polícia civil, como regra geral, cumprir os mand a d o s de prisão expedid os pela autorida de judiciária, e por isto import a procede r a análise de como funciona o siste m a dent ro do Estado do Paraná, local objeto do estudo.

A estrut u r a atual para o cum prim e n t o dos manda d o s de prisão é por demais defas a da tecnologica m e n t e, quand o analisa do a form a para se consulta r a existência dele e para se conseguir uma cópia. O Estado do Paraná, em face às políticas públicas para a área de segu -rança, poss ui a maior parte de suas cidade s, acima de 35 mil habita nt es, com as unida d e s da

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polícia civil já infor m a ti z a d a s, favorece nd o a trans m is s ã o de docum e n t o s por meios eletrôni cos, e pos sibilitan do a impleme n t aç ão de novos siste m a s autom a ti z a d o s. Isto represe n t a di zer que todos os 156 (cento e cinqüen t a e seis) municípios que são sede s de comarca judiciá ria, poss ue m Delegacias de Polícia infor ma ti z a d a s , conecta d a s aos siste m a s oficiais do Esta -do, intranet, e tam bé m com Internet.

Há, nos atuais sistem a s de inform ação policiais do Paraná, bancos de dados referent e s aos mais variados assun t o s, dent re eles, mand a d o s de prisão. Estes são “inseridos” na rede infor matiz a da mediante a remes s a dos docu me n t o s originais pelos órgãos judiciais, principal -mente Vara de Execução Penal e algum a s Varas Criminais, e depe n d e n d o da situaçã o jurídica, direta m e n t e pelo Tribunal de Justiça.

Com a chegada da docu m e n t a ç ã o na Delegacia de Vigilância e Captura s – DVC, órgão en -carregad o do cum p ri m e n t o geral dos manda d o s de prisão; comp on d o - se de ofício e original ou cópia autentica da do man da d o de prisão da vara criminal emitente, caberá a ela procede r a inserção dos dados no siste m a. O docum e n t o original perm a nec er á arquivado para, em ha -vendo a detenção do procu ra d o, poss a extrair cópia para efetivar o cum pri m e n t o e instruir a comunicação ao juízo de direito compe te n t e. Note - se que o que é inserido no sistem a é tão somen te a infor m açã o de que a pess oa ali indicada pos s ui um manda d o de prisão, bem como aquelas referen te a origem do docu m e n t o, ou seja, some nt e cam po s textuais. Isto se deve a inviabilida de em se extrair cópias e remeter a todas as unidad e s policiais do Estado, tanto de orde m prática quant o econômica, bem como pela impos sibilida de da digitalização do man

-damus , ante a falta de recursos técnicos capazes de recepcionar e gerenciar tais informações

de modo adequ a d o.

O policial ao acessar ao sistem a de investigação criminal e fazer a consult a ao nome de uma pes soa, dentre as opções de pesquisa poderá incluir a expres s ã o “mand a d o de prisão”, onde então lhe será apres e nt a d o na tela do comp u t a d o r, os dados pessoais, nome com plet o, filiação, num eral dos docu m e n t o s que poss ui, e sendo o caso, també m os antecede n t e s cri -minais, e em caso afirm ativo quant o ao mand a d o, aparecerá na tela um indicativo referen te ao mes m o com os dados de sua origem. De posse da inform ação e median te solicitação for -mal da autorida de policial, fará contat o com a DVC para que esta, na pess oa de seu Delegado de Polícia, prom ova o envio de um ofício, para a unida d e requisitant e, da cópia do man da d o de prisão para efetivar o seu cum pri m e n t o, com todas as dem ais formalida de s legais, como a comunicação a autorida d e judicial compe te n t e, recolhim e nt o à carcerage m e outros.

A siste m á tica é simple s, mas, na prática a situação torna - se muito mais complexa. Toda a seqüê ncia de atos para cum prir - se um man da d o de prisão envolve um grande núm er o de pess oa s, des de aqueles que mant é m a base de dados atualiza da, até os outro s que estão nas ruas em busca dos foragidos da justiça. Se em algum a parte neste caminh o houver deficiên -cia, todos os demais atos poderã o ser falhos ou mais lentos.

A conseq üê ncia prática está na possibilida de de alguém ser detido em uma sexta - feira, em horário posterior ao encerra m e n t o das atividade s da DVC, e ao cons ulta r o siste m a inform a tiza do verificar que há um mand a d o de prisão contra ela. Somente com o retor no do expedi ente, na segun d a feira, parte da manhã, é que será possível enviar um ofício solicitand o con firma r se há mand a d o, e em caso positivo, que seja ele remeti do para cum pri m e n t o. Isto de manda r á uma busca nos arquivos, que são manuais, para então fotocopia r, autenticar e de -volver com um ofício da DVC. Em sendo na Capital, até o final da tarde da segun d a - feira a unidade requisita nt e já poderá efetivar o cum pri me n t o do mand a d o, até porqu e dispo nibili -zará efetivo para diligenciar pess oal m e n t e. Em se trata n d o de unida de do interior do Estado, provavelme nt e deverá aguard a r mais um dia até ocorrer o retor no.

A confiabilida de na transação dos docum e n t o s está assegur a d a pelo fato de ocorrer a co -municação entre órgãos públicos, os quais pos s u e m fé pública nos seus atos. Porém há como garantir melhor qualidad e e segura nç a na transferê ncia das cópias dos man da d o s de prisão, mediant e a certificação digital.

A utilização de meios eletrônicos para remes s a de docu m e n t o s já vêm send o assegura d a por lei há algu m tem po, onde cita - se a Lei n.º 9.800, de 26 de maio de 1999, a qual permitia o uso de siste m a s de trans m i s s ã o de dados para a prática de atos proces s uai s, medida esta adota da e regula m e n t a d a por vários tribunais do país.

No âmbito do poder Executivo Federal, há o Decreto n.º3.714, de 03 de janeiro de 2001, dispon d o sobre a remes s a por meio eletrô nico de docu m e n t o s entre as entida de s que lhe es -tão afeta s direta m e n t e, tais como os ministérios. Entre suas deter mi naçõe s está a neces si da de dos docu m e n t o s enviados estare m “assina do s eletro nica m e n t e pela autorida d e com pet e n t e,” exigindo que esta “far se á por siste m a que lhes garant a a segura nça, a auten ticida de e a in

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-tegrida de de seu conteú d o, bem como a irretrat a bilida de ou irrecus abilida de de sua autoria”, art. 2º do Decreto.

Na última re - edição da MP 2.200, que ainda vige, houve a modificação do art.10, parágrafo 2º, onde ficou manifes t a a ausência do monop ólio da ICP- Brasil quant o a permis s ã o para “a

utilização de outro meio de comprovação da autoria e integridade de documentos em forma eletrônica, inclusive os que utilizem certificados não emitidos pela ICP Brasil, desde que admi -tido pelas partes como válido ou aceito pela pessoa a quem for oposto o docume nto”11.

Como o trabalho versa sobre docu m e n t o cuja cópia é emitida por autorida de pública, per -tencente ao pode r executivo, enten de m o s deva a certificação do man da d o de prisão seguir os requisitos estabelecido s pela MP 2.200 - 2, última versão.

Na medida que estas legislaçõe s pros pe r a m igualme nt e em outra s esferas do poder públi -co, a mística em torno da certificação digital tende a desap a rece r, em razão de tornar - se mais conhecida e discutida, conseq ü e n t e m e n t e menos ass us t a d o r a devidos aos seus aspecto s téc -nicos e legais.

Estas ações reforça m o enten dim e n t o de que as certificações e assina t ur a s digitais são muito mais do que tendê ncias, em verda de vêm se trans for m a n d o em norm a s cogente s.

5.2 Modernizando e implementando

A criação da ICP – Brasil, possibilito u a garantia de segura nç a nos docum e n t o s eletrônicos. Um docum e n t o eletrônico certificado poderá ter sua compr ovação de que está inaltera do sem p re que for confro nt a d o, uso das chaves pública e privada.

No caso dos mand a d o s de prisão, a DVC poderá proceder a digitalização dos docum e n t o s que recebe em papel, assinan d o - os digitalme n t e nos termo s previstos pela Medida Provisória 2.200 - 2, e inseri - los nos bancos de dado s. Somente esta ação já será suficiente para diminuir os riscos de perda das infor m açõe s, uma vez que hoje os mand a d o s sequer são microfilma -dos, sendo apenas guarda d o s em arquivos da mes m a maneira que fora m entreg ue s, sem pre em papel.

Armaze n a d o s em meio eletrônico pode n d o, e devendo, ser em local fisicame nt e distinto da Delegacia, para garantia da segurança na guard a das inform açõe s, com realização de cópi -as de segura nça, abre a possibilidade de dispo ni bilizar -as inform a çõe s para todos os usuários do sistem a, ou ao menos para aqueles a quem está autoriza d o o acesso a tais inform açõe s.

Como estarão respald a d o s por uma certificação digital, protegido s em um arquivo eletrônico, ocorrerá, igualm ent e, a garantia da integrida d e das infor m açõe s bem como es -tarão imunes ao desga s te do tem po, comu m ocorrer em docum e n t o s impres s o s e sem condições adequ a d a s de guarda.

Atualme nt e há em “estoque” na DVC, mais de 70.000 (setenta mil) manda d o s de prisão em form at o papel. Na medida em que é dado cump ri m e n t o aos mes m o s, são efetivada s as baixas junto ao siste m a e mantido s em arquivos com tal referência. E, mensal m e n t e, adentr a m ao sistem a outros mil a mil e quinhe n t o s man da d o s de prisão para sere m cum p ri do s.12

Ao procede r o início da certificação, será necess ário converter, em um primeiro mom e n t o, todos os docu m e n t o s em arquivo, para então digitalizar e assinar os que chega m diariam e n t e o que, com os recurs o s necess ários, em cerca de trinta dias pode rá estar concluído.

A alimen taçã o do banco de dados policiais, referent e aos manda d o s de prisão, atualm e nt e já é procedido por policiais da própria unida de, os quais são em núm ero reduzi do e com grande respo n s a bilida de, sendo seus acess os auditáveis a qualquer tem po. Com a aplicação da certificação digital, os funcionários indicado s para proced er ao serviço receberão treina -mento adequ a d o para procede re m a digitalizaçã o de cada novo mand a d o recebido, com a conseqüe n t e assina t ur a.

Estando as unidad e s da polícia civil interligada s por intra net, acessa n d o aos siste m a s poli ciais às 24 horas do dia, sete dias na seman a, restará inform a r e treinar os usuários do siste ma quant o a nova modalida d e de obtençã o da cópia de um manda d o de prisão, ficando dis pensa d o s da neces sida d e de reme s s a de ofícios, pode n d o o mes m o ser consult a d o e visuali

-11 ROVER, Aires José; OLSEN DA VEIGA, Luiz Adolfo, A relativa abrangência da ICP- Brasil,

infojur.ufsc.br / a i r e s, 15.10.2004

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zado antes de ser impres s o. Isto em decorrê ncia do próprio siste m a de certificação garantir a impossi bilidade de modificação por quem não autori za d o, bem como efetua r um cadas t r o de acesso, mediant e o uso de senha s para os usuários, onde haverá a indicação de quem, quan d o e onde foi procedid a a consulta ou impres s ã o.

Na medida que há o avanço da infor m a ti z ação das unida de s policiais civis, send o que já há no Paraná mais de 156 (cento e cinqüen t a e seis) cidades com rede inform a ti z a d a, maior é a inclusão digital dos servidore s criando, assim, a possibilida de do acess o às infor m açõe s de modo dinâ mico.

Desta forma o uso da certificação digital dos mand a d o s de prisão, repre se nt a a inserção de mais uma modalida de no sistem a de uso policial, com a segura nça necess ária para prese r -var o conteú d o da inform ação.

6. CONCLUSÃO

Para a polícia, a certificação digital dos manda d o s de prisão se tradu z em agilidade no acesso á inform açã o, com total indepen d ê n cia quant o aos horários e dias para a consulta e obtenção de cópia com validade idêntica a do original, inclusive com a mes m a qualida de, im -pingind o maior rapide z no serviço. E, sendo o siste m a totalme n t e auditável, há trans pa r ê ncia nas ações policiais, uma vez que há o controle na distribuição das senhas para as pess oa s que terão acess o às inform aç õe s, pode n d o, igualmen t e, ser verificado a qualque r tem po que m, quan do e de onde, foram feitos os acess os.

Ainda, sendo a Certificação Digital uma ferra m e n t a de segura nça, atende ela a cinco des -ses aspectos, dent re os requisitos que comp õe m os níveis de segura nça recome n d a d o s , como: Confide ncialida de – O acess o às infor m açõe s que trafega m pela rede será some n te por pess oa s autoriza d a s, utilizand o criptografia;

Autenticação – A origem e a aute nticida d e das inform açõe s são garanti da s;

Integrida d e – As infor m açõe s enviadas não sofrerão alterações duran t e o tráfego na rede; Não repú dio – Com a assinat u ra digital a autoria é garantid a;

Autorização – Controle de acess o des de o estabeleci me nt o seguro da conexão até a per -missão para acessar as inform açõe s.13

Isto torna o seu emprego uma garantia a mais para a emissã o de docum e n t o s.

Para o cidadão pode repres e n t a r muito mais, vez que deixará de perm a ne ce r detido até chegar a cópia, via fax ou fotoco piad a, do mand a d o, para então proced er aos demais atos form ais para o cum p ri m e n t o. Mesmo que a unidade solicitante esteja localiza da no interior do Estado, sem equipa m e n t o s de inform á tica, com a atual distribuição da rede intra net do Paraná, poderá obter uma cons ulta e a respectiva via do mand a d o de prisão em uma cidade vizinha, já infor m a ti z a d a, pois que ante ao grande núme ro de Delegacias que já conta m com equipa m e n t o s , estas são as sede s das comarca s judiciárias por onde, via de regra, são expe -didos os docu m e n t o s de prisão. Otimiza o tem po para a comu nicação ao poder judiciário, o qual por algum a event ual falha na convers ação entre a vara criminal respon s ável pela emis -são e o recebim e nt o pela Delegacia de Vigilância e Captur a s, tenha procedi do ao recolhim e n to do man d a m u s prisional, possibilitan d o a liberação do cidadã o em menor tem po, vez que o judiciário será notificado em um prazo menor, além da possibilidad e de confirm açã o imedia -ta quant o a integrida d e do docum e n t o aprese nt a d o.

Finalment e, o uso da tecnologia de certificação digital pode assegur ar aos cidadãos o di -reito funda m e n t al do ir, vir e ficar, constitucio nal m e n t e assegura d o e maior referencial da democracia.

AGRADECIMENTO

A toda equipe do IJURIS, na pess oa do Prof. Hugo César Hoeschl, e ao Prof. Aires Jose Ro-ver, pela oport u ni d a d e em permitir a abert ura da discus s ã o de tem as polêmicos para a área

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