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A utilização de adjuvantes na qualidade da pulverização

Autor(es):

Cannas, António

Publicado por:

Publindústria

URL

persistente:

URI:http://hdl.handle.net/10316.2/25778

Accessed :

19-Apr-2021 16:59:28

digitalis.uc.pt

impactum.uc.pt

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*

2182-4401F

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A utilizAção

de AdjuvAntes nA quAlidAde

da pulverização

n

os últimos anos temos assistido a uma

notó-ria evolução dos equipamentos de aplicação de fitossanitários. Bombas de baixa pressão, bicos de aplicação com as mais diversas fun-cionalidades, utilização de GPS, etc. Por ou-tro lado, as empresas produtoras de molécu-las de fitossanitários têm correspondido aos desafios ambientais do presente, com a criação de substâncias activas cada vez mais eficazes e com menor dose de aplicação. A necessidade de a agricultura se adaptar às novas exigências de sustentabilidade le-vou, nos últimos anos, a uma redução significativa do volume de calda aplicado por hectare. Em França, o volume de calda médio por hectare em aplicações de herbicidas é de 140 litros, enquanto nos fungicidas e insecticidas esse volume é de apenas 200 litros. Com estes volumes de aplicação a difusão no ar da calda aplicada é bastante reduzida, bem como a possível contaminação de águas subterrâneas e aquíferos de superfície.A toda esta evolução juntou-se a necessidade de assegurar em todas as aplicações a máxima eficácia. Os adjuvantes, “inaugura-ram”, um pouco por toda a Europa, um novo segmento de mercado, muito especializado, e capaz de assegurar a máxima eficácia das aplica-ções, quer por acção química sobre as caldas (pH, por exemplo), quer actuando sobre as suas propriedades físicas (como sejam a limitação da deriva, ou a expansão da gota que atinge o alvo). Os adjuvantes são, assim, auxiliares altamente especializados da pulverização, não exis-tindo neste segmento o “tudo em um”, devendo a sua escolha ser pon-derada em função da, ou das funcionalidades pretendidas.

Quais são então essas funcionalidades?

1.ª Molhabilidade: trata-se da capacidade que determinado adju-vante tem, de uma vez adicionado à calda, expandir o diâmetro da gota que atinge o alvo;

2.ª Retenção: adesividade da gota ao alvo após o impacto;

3.ª Penetrabilidade: capacidade da calda em mobilizar uma deter-minada substância activa para o interior da planta, por acção, quer sobre os estomas (pequenos “poros” microscópicos da folha por onde esta respira), quer sobre a cutícula;

4.ª Manutenção das propriedades da calda: capacidade que deter-minado adjuvante tem de acidificar a água que serve de suporte à calda, prolongando o tempo de vida da mesma (caldas de her-bicidas);

5.ª Aderência: capacidade conferida à calda por determinado ad-juvante, que limita as perdas por “salpico” no momento do im-pacto;

6.ª Anti-deriva: capacidade que determinado adjuvante tem de re-duzir drasticamente a difusão da calda pelo ar à saída dos bicos de aplicação;

7.ª Qualidade da calda: intervenção do adjuvante na redução de espuma, ou na compatibilização da mistura de mais de um fi-tossanitário.

Existem presentemente no mercado duas classes de adjuvantes, de acordo com a sua composição e finalidade:

1) Tendo por princípio activo a lecitina de soja e o ácido propió-nico, destinados a caldas de herbicidas e reguladores de cresci-mento:

a) Possuem um efeito molhante ampliando o diâmetro da gota até 6x o tamanho da mesma quando atinge o alvo (efeito ten-sioactivo);

b) Retêm a gota sobre a superfície impactada, melhorando a efi-cácia da substância activa, quer se trate de um herbicida de contacto, ou sistémico;

c) Por acidificação da calda, mantêm as propriedades químicas da mesma, evitando a degradação por hidrólise alcalina; d) Agindo sobre o diâmetro da gota à saída do bico de

pulve-rização, limitam as perdas por deriva ou por escorrimento; e) Mantêm a estabilidade das caldas que tenham por base a

mistu-ra de dois ou mais herbicidas, impedindo fenómenos de flocu-lação ou precipitação.

2) Adjuvantes baseados em látex sintético, destinados a serem asso-ciados a caldas de fungicidas e insecticidas:

a) O seu efeito “super-molhante” amplia o diâmetro da gota até 15x o seu diâmetro original no momento em que atinge o alvo;

b) Retêm a gota sobre o alvo (superfície vegetal, insecto, fungo ou outra), melhorando consideravelmente a eficácia dos fun-gicidas ou insecticidas, sejam eles sistémicos ou de contacto;

Por:

António Cannas

Departamento de

Desenvolvimento

Lusosem, S.A.

proTeCção

de CulTuraS

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c) Criam um imediato efeito de aderência ao alvo, impedindo o escorrimento, ou as perdas motivadas por “salpicos”.

Que factores deverão ser ponderados

no momento de uma aplicação?

1) Climatologia;

2) Equipamento de aplicação;

3) Quantidade de produto a aplicar/ha. 4) Volume de calda a aplicar;

5) Qualidade da água que serve de suporte à elaboração da calda. 1) Climatologia

Deveremos ter especial atenção à intensidade e direcção do ven-to no momenven-to da aplicação, de forma a evitar sobredosagens na cultura tratada, ou efeitos fitotóxicos sobre culturas vizinhas. Por outro lado, não deveremos tratar quando o alvo se encontra molhado por uma orvalhada matinal, quando se prevêem chu-vas nas horas seguintes à aplicação, ou quando a humidade at-mosférica é muito baixa. As melhores condições para a aplicação dão-se normalmente ao início da manhã, ou no final do dia. 2) Equipamento de aplicação

Deve ser o adequado à aplicação em causa. Normalmente, em culturas extensivas faz-se por meio de uma barra com bicos de pulverização “de leque”, ou de “injecção de ar” também chama-dos de “anti-deriva”. Presentemente, muitos fabricantes de bicos de pulverização aderiram à norma “ISO”, que permite relacionar directamente o débito com a cor dos mesmos:

Débito por minuto à pressão constante de 2,8 bar

Cor do Bico Galões Americanos Litros

Laranja 0,1 0,38 Verde 0,15 0,57 Amarelo 0,2 0,76 Azul 0,3 1,14 Vermelho 0,4 1,51 Castanho 0,5 1,89 Cinzento 0,6 2,27 Branco 0,8 3,03

A escolha do tipo de bico (leque simples, ou de injecção de ar) deve ser ponderada em função do tipo de formulação dos herbicidas a utilizar, tendo em conta que algumas formulações por si mesmas têm tendência para produzir gotas de maior ou menor diâmetro:

Formulação Descrição Tipo de gota produzida

WG dispersíveis Grânulos

em água Fina

SC Suspensão concentrada Fina

SL Solução concentrada Fina

EW Emulsão óleo em água Média

EO Emulsão água em óleo Média

EC para emulsãoConcentrado Grande

Tendo em conta que os bicos de injecção de ar são chamados de anti-deriva devido ao tamanho “grande” da gota que produzem, os produtos com formulações do tipo EW, EO ou EC não são recomen-dados na aplicação com este tipo de bico.

A pressão de trabalho é factor de primordial importância, na medida em que esta se encontra intimamente ligada ao fracciona-mento da gota e por consequência aos fenómenos de deriva ou es-corrimento que podem ocorrer. Na aplicação de herbicidas a pressão deve situar-se entre os 2 e os 4 bar. Aos fabricantes de pulverizadores fica desde já o desafio de passarem a lançar para o mercado manó-metros limitados aos 10 bar. Os actuais (40 ou 80 bar) não permitem determinar com precisão pressões iguais ou inferiores a 4 bar. No caso de agricultores que necessitem de um equipamento misto para aplicação de herbicidas em culturas extensivas, e de insecticidas ou fungicidas com auxílio de “lança” (em castanheiros por exemplo), um esquema de distribuição da calda em “T” com torneiras e dois manómetros, um de 10 bar e outro de 40 bar, podem resolver de forma eficaz e económica a situação.

3) Quantidade de produto a aplicar/ha

Devem ser respeitadas as indicações do fabricante tendo em conta que em muitos casos as doses variam em função das infes-tantes a combater ou das condições atmosféricas no momento da aplicação.

4) Volume de calda a aplicar

É presentemente o maior desafio que se coloca ao aplicador de herbicidas. A título de exemplo, refira-se que uma seara de ce-real em pleno desenvolvimento tem em média uma capacidade de retenção de água (sem escorrimento) de apenas 400 litros/ ha. Seguramente, as infestantes que combatemos numa fase mui-to precoce (3 ou 4 folhas) não conseguirão reter para além de 100 litros/ha. Altos volumes na aplicação de fitossanitários têm como consequência enormes perdas por escorrimento, potencial contaminação de aquíferos subterrâneos e de superfície, e uma real perda de eficácia dos mesmos.

Se pretendermos aplicar 0,5 litros/ha de uma determinada es-pecialidade fitofarmacêutica, e o fizermos com um volume de 100 litros/ha, a concentração do mesmo na calda é de 0,5%, en-quanto que se o fizermos num volume de 600 litros/ha a con-centração baixa para os 0,08%. Então, se perdemos produto por escorrimento e/ou deriva, e a concentração de substância activa que fica efectivamente em contacto com o alvo é muito débil, teremos seguramente uma quebra de eficácia!

A determinação do volume de calda a aplicar por ha deve ser calculada em função do número de impactos que pretendemos obter por cm2, o qual varia segundo o tipo de fitofármaco que utilizamos:

Produtos sistémicos: 20 a 30 impactos por cm2;

Produtos de contacto: 50 a 70 impactos por cm2.

A determinação do número de impactos bem como da sua uni-formidade pode ser facilmente visualizada recorrendo ao auxílio de papel hidrosensível. Normalmente, um volume de 150 a 200 litros de calda/ha permite atingir o objectivo, no que diz respeito ao volume de calda. A título informativo, relembramos que a média francesa em

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grande culturas é presentemente de 140 litros de calda/ha, em herbi-cidas, e 200 litros de calda/ha em insecticidas e fungicidas.

Qualidade da água que serve de suporte à elaboração da calda. Numa aplicação de herbicidas a água não é mais do que um “veículo” destinado a fazer chegar a substância activa ao “alvo”, e em regra não é um meio “conservante”. Podemos afirmar que a generalidade das águas utilizadas em pulverização é de reacção alcalina, mas nem mesmo as de reacção neutra (pH 7) são um meio favorável à aplica-ção de herbicidas. No nosso quotidiano, podemos depararmo-nos com diversos produtos com longos períodos de conservação e que têm por base um meio ácido (caso dos refrigerantes do tipo cola com um pH 2,5).

Por outro lado, a hidrólise alcalina está na base do processo de saponificação de gorduras para a produção de sabão (meio alcalino). Também não será “por acaso” que o melhor produto(N.R. Phytnet) do mercado para a limpeza de pulverizadores tem por base o amoní-aco (pH 11,5) como princípio activo e agente sequestrante de molé-culas. Poderemos, assim, dizer de um modo genérico, que os meios ácidos são “conservantes” e os meios alcalinos “desagregadores”. Na aplicação de herbicidas a primeira preocupação a ter é a de baixar o pH da água que servirá de base à calda, e só depois deveremos juntar o produto comercial destinado ao combate das infestantes.

A acidificação de caldas destinadas a fungicidas e insecticidas não é uma prática recomendada!

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A aplicação de fitofármacos deve ser alvo dos mesmos cui-dados e preocupações que levam o empresário agrícola a esco-lher uma determinada semente, um determinado esquema de fertilização, um determinado fungicida ou herbicida.

Para o ajudar a obter o máximo rendimento da sua aplica-ção deverá procurar no mercado adjuvantes com base em le-citina de soja e ácido propiónico, para associação com as suas aplicações de herbicidas ou reguladores de crescimento; e con-tendo látex sintético para juntar às aplicações de fungicidas e insecticidas.

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Referências

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