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Academic year: 2021

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Reflexões sobre a teoria e a prática do turismo social: estudo de

caso do programa de turismo social do SESC Bertioga

Reflections about theory and practice of social tourism: case study of social tourism programme SESC Bertioga

Ana Paula Bianchini Vieira [email protected] Orientadora: Profª Tatiana Marchetti Panza

RESUMO: O presente artigo promove uma reflexão sobre a Unidade SESC Bertioga,

considerando as atividades desenvolvidas no Programa de Turismo Social e os conceitos de turismo responsável, sustentável e inclusivo. Por meio da definição de tais conceitos e de sua caracterização mediante às atividades desenvolvidas, foi possível identificar a atuação do SESC Bertioga sobre a comunidade local e a busca por um turismo mais preocupado com resultados e com a criação de uma nova consciência turística. Para tal análise foram caracterizados os conceitos através de pesquisa bibliográfica e entrevistas com a Gestão Administrativa do SESC SP buscando uma melhor compreensão da atividade e de seus resultados perante a comunidade.

Palavras-chave: Turismo social, SESC Bertioga, Turismo responsável, Turismo sustentável, Turismo inclusivo

ABSTRACT: This article promotes a reflection on the SESC Bertioga considering the

activities developed in the social tourism programand the concepts of responsible, sustainable and incluse tourism. By defining the conceps and their characterization by the activities, it was possible to identify the role of the SESC Bertioga on the local communit and the activities, it was possible to identify the role of the SESC Bertioga on the local community and the search research literature and interviews with the administrative management of SESC SP seeking a better understanding of the activity and its results to the community.

Keywords: Social Tourism, SESC. Bertioga, responsible tourism, sustainable tourism, inclusive tourism

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1 Introdução

Busca-se promover uma reflexão sobre como o Serviço Social do Comércio (SESC) unidade Bertioga desenvolve, em seu programa de turismo social, os conceitos considerados como finalidade desta modalidade de turismo, definidos pela Organização Mundial do Turismo (OMT) no Código Mundial de Ética, este artigo discutirá como tais conceitos são trabalhados pelo SESC Bertioga, bem como quais perspectivas são abordadas em suas ações e incorporadas nas atividades turísticas dentro da Unidade.

Pode-se observar através da pesquisa como o SESC vem desenvolvendo um turismo mais humanizado e capaz de atender um grande número de usuários sem massificar ou simplesmente mecanizar a atividade turística, tornando-a algo maior que apenas bons arranjos econômicos e, fazendo dessa, uma atividade com forte ação para a modificação social, capaz de agir dentro da localidade de forma a ampliar o crescimento socioeconômico, servindo como um forte aliado à preservação ambiental e a promoção social.

Nos dias atuais, nota-se que a atividade turística, quando observada pelo prisma do turismo social, conta com a utilização de produtos e serviços mais preocupados com o indivíduo, preparando-o para uma melhor assimilação da cultura local e a utilização consciente do ambiente.

Sobre esse ponto de vista, o SESC desenvolveu o programa de turismo social, com o objetivo de incluir e difundir o turismo a um grupo maior de pessoas, atuando com uma atividade de lazer que conta com a hospitalidade e a educação como meta de trabalho. (SESC, 2000)

Esse processo de educação, cultura e integração social, motivou o questionamento sobre a importância de conceitos sustentáveis, responsáveis e inclusivos na atividade desenvolvida pelo SESC e qual a sua significância em relação ao programa levando a uma reflexão mais apurada sobre tais conceitos e sobre a atividade de Turismo Social.

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Para tanto o trabalho baseou-se em uma pesquisa exploratória, bibliográfica e documental em um primeiro momento, onde buscou caracterizar os conceitos de modo a determinar o caráter social inclusivo ampliando a compreensão dos valores abordados dentro do programa e de que como essa atuação age como mecanismo social. Após análise dos conceitos em comparação ao conteúdo obtido através de entrevistas com a Administração Geral do SESC em São Paulo, foi possível promover uma reflexão mais completa em relação ao desenvolvimento do Programa de Turismo Social na Unidade Bertioga do SESC.

Visando a confirmação da atuação do SESC Bertioga na comunidade, e como suas ações são recebidas pelos moradores, foram aplicados 100 questionários nas redondezas da unidade a fim de avaliar a opinião dos moradores locais e comerciantes sobre a presença da unidade Bertioga e qual a sua real postura sobre as atividades do SESC na cidade.

2 Turismo social, responsável, sustentável e inclusivo

Segundo o Bureau Internacional de Turismo Social (BITS), a atividade de turismo social é “o conjunto de relações e fenômenos resultantes da participação, no turismo das camadas sociais com rendimentos mais modestos, participação que se torna possível ou é facilitada por medidas de caráter social bem definido”. (BITS

apud Comité Económico e Social Europeu, 2006, p.02)

O turismo social busca promover uma atividade turística dedicada ao maior número de pessoas possível, facilitando o acesso a grupos sociais menos favorecidos, ou que possuam impedimentos nesse sentido. Esse exercício pressupõe que “todos os seres humanos têm direito a descansar, a um tempo de ócio, a um limite de horas trabalhadas e a férias pagas” (BITS, 1996, art. 1, p.02)

Observando o que se entende por finalidade do turismo social, a OMT, descreveu no Código Mundial de Ética, que esta atividade deve “promover um turismo responsável, sustentável e acessível a todos no exercício do direito de qualquer individuo de utilizar-se do seu tempo livre em lazer ou em viagens e no respeito pelas escolhas sociais de todos os povos”. (MTUR, 2006, p.02)

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Toda essa idéia de tornar a atividade social no turismo como ferramenta para o benefício social, torna-se tão complexa quando analisada sob o ponto de vista da inclusão social. Concluindo-se isso e observando o pensamento de Marcelino (2002, p.74), “o turismo pode e deve ser entendido como uma atividade cultural de lazer”, que é composta de elementos sócio-educadores e de enriquecimento pessoal, agregando não só ao visitante, mas também a comunidade visitada, a experiência única da percepção da sociedade sob todos os pontos de vista, proporcionando não só relações de consumo, mas também a melhoria econômica e social na condição de vida da localidade.

Dumazedier (1973, p. 34) define que:

O lazer é um conjunto de ocupações às quais os indivíduos podem entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se ou, ainda para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais.

Sabendo-se da grande preocupação em desenvolver no turismo social um lazer voltado para o bem estar do indivíduo percebemos que se trata então de um turismo preparado para lidar com os impactos da atividade e administrado para gerar benefícios à sociedade como um todo, descrito assim como um turismo mais responsável, capaz de proteger e manter suas riquezas, além de preocupar-se com a questão social, não deixando de lado o desenvolvimento do indivíduo e o aproveitamento deste tempo dedicado ao lazer.

A prática do turismo responsável, sustentável e inclusivo deve ser algo que, por meio do bom planejamento, possa preservar ambientalmente a localidade e proporcionar as futuras gerações o aproveitamento total e consciente dos recursos disponíveis, ofertando mais oportunidades de lazer ao maior número de pessoas possível.

O turismo responsável é compreendido pela World Wildlife Fund (WWF) como “aquele que mantém e, onde é possível, valorizar as características dos recursos naturais e culturais nos destinos, sustentando-as para as futuras gerações, comunidades, visitantes e empresários‟‟. (WWF, 2001, p. 99)

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De maneira concomitante, a OMT descreve o turismo sustentável como “aquele que atende às necessidades dos turistas de hoje e das regiões receptoras, ao mesmo tempo em que protege e amplia as oportunidades para o futuro”. (OMT

apud ARAUJO, 2008, p. 94)

Segundo Salvati (2004) entende-se que, com definições tão próximas faz-se necessário observar atentamente uma fundamentação diferente a cada processo, observando que o turismo responsável preconiza a participação efetiva da comunidade em todos os níveis de atuação, não somente na preocupação com a utilização consciente dos recursos naturais disponíveis, como no turismo sustentável, mas sim na atuação responsável do turismo na localidade e em suas funções sociais.

Esse processo nasce no desenvolvimento de práticas onde se revela um consumidor mais consciente e preocupado com o desenvolvimento sustentável da atividade turística, tornando-a um aprendizado onde não apenas explorará a localidade sob o ponto de vista econômico, mas que a partir do desenvolvimento de ações responsáveis e sustentáveis tornará sua estadia uma experiência de qualidade, baseada na compreensão e na visão de ações positivas em longo prazo.

2.1 A relevância da atividade de turismo social em relação aos conceitos sustentáveis, responsáveis e inclusivos no turismo.

A amplitude em relação à ação do turismo sob o enfoque no desenvolvimento de uma atividade sustentável, responsável e inclusiva, proporciona a visão ampla sobre a relevância desta atividade dentro das comunidades. É sob esse enfoque que o turismo social atua, tornando-se um “turismo popular” (MACHADO JR, 2007, p. 23) onde através de arranjos comerciais agregados a adequação de bens e serviços destina-se a um segmento de consumidores. Com isso, seus pressupostos inclusivos tornam-se uma ferramenta para a participação de qualquer cidadão que não atue no processo turístico tradicional seja por impedimentos motores, psicológicos, sociais ou ainda econômicos.

Conforme Maria das Graças Rua (BRASIL, 2005, p.17), em Diálogos do Turismo “O turismo pode contribuir decisivamente para o desenvolvimento

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sustentável e para a inclusão social, porque agrega um conjunto de dimensões favoráveis à solidariedade e à integração social”, é a importância de uma atividade agregadora dos cidadãos e que inclui no cotidiano da sociedade, uma ação de lazer mais preocupada com o desenvolvimento social e estimuladora de uma visão mais responsável na atividade turística.

Trata-se de ampliar a opção de lazer através do turismo em atividades sustentáveis e responsáveis. Não se separando em grupos sociais, mas ofertando uma ação complexa de importantíssima reintegração social.

2.2 O histórico do turismo social e seu desenvolvimento no Brasil

Devido à dificuldade de localizar bibliografia que afirme a origem do turismo social, percebeu-se através de observação nos registros históricos da atividade, e dos trabalhos já desenvolvidos sobre o tema, observamos que um dos primeiros países a trabalhar uma idéia de turismo que se aproximasse dos modelos de turismo social na atualidade, foi à Alemanha, mesmo que tais ações seguissem o enfoque ideológico e político da época. (ALMEIDA, 2001)

No entanto, notadamente após a Segunda Guerra mundial, o gradativo aumento do tempo livre dos trabalhadores, levou países como Itália, Portugal e Espanha a organizar atividades ligadas ao turismo nos movimentos operários existentes da época.

Na Suíça e na França encontraram-se registros de colônias de férias destinadas as famílias mais desfavorecidas nas classes operárias, ligando diretamente a atividade de turismo social, e o desenvolvimento de um caráter inclusivo, e de aprimoramento social de grupos distintos na sociedade. (ALMEIDA, 2001)

E nesse sentido que observamos a importância do desenvolvimento de tais atividades dentro de colônias de férias, pois com o objetivo de estimular e adequar à opção de lazer do trabalhador, essas passam a ser uma boa opção de lazer.

Segundo Beni (2003, p. 332), as colônias de férias são “estabelecimentos, dotados de equipamentos, instalações e serviços de alojamento destinado aos associados de entidades privadas ou púbicas, para fruição de suas férias.” Muito

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além de sua função de hospedar, as colônias de férias ofertam atividades aos usuários, que desenvolvem socialmente os indivíduos, preocupando-se com seu bem-estar e seu momento de relaxamento, destinando o tempo ao lazer, dedicado ao descanso e à preservação de sua saúde e de suas famílias.

Almeida (2001, p. 4) afirma que “uma das causas importantes do desenvolvimento do turismo social foi sem dúvida o surgimento das férias remuneradas, especialmente na Europa”. Com essas garantias ofertadas aos trabalhadores e o tempo disponível, observou-se o interesse por parte de associações e sindicatos que passaram a ofertar opções de lazer organizadas para as férias dos operários.

Com o passar dos anos e com o aumento da necessidade de organização para as entidades que já trabalhavam com colônias de férias, albergues e localidades voltadas a atividade de turismo social efetivamente, criou-se em 1963, em Bruxelas, o BITS, que passou a reunir órgãos governamentais para facilitar o intercâmbio de informações sobre turismo social e como se desenvolvia a atividade pelo mundo, proporcionando assim o fortalecimento e a criação de conceitos, bem como a maior organização da atividade, levando assim a elaboração de diversas ações em prol do turismo social.

Uma dessas grandes ações, foi a elaboração da Carta de Viena, documento criado pelo BITS em 1972, onde destaca “dois princípios fundamentais para a atividade: O turismo como parte integrante da vida social contemporânea e o acesso ao turismo como direito inalienável do indivíduo.” (CARVALHO, 2006, p. 24) Esse documento passou a ser um marco histórico na atividade, e direcionou o turismo social a novos caminhos.

Outro destaque importante nas ações do BITS é a Declaração de Montreal firmada em 1996 “O documento aponta o turismo social como fator de integração do homem e da sociedade, como agente de crescimento econômico e de fundamental importância no desenvolvimento local.” (CARVALHO, 2006, p.25).

Este último documento tornou-se conhecido por uma definição mais humanista e social da atividade turística, abordando as questões como o turismo de

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base comunitária, a equidade social e a inclusão de indivíduos na atividade. (BITS, 1996)

O BITS tornou-se um grande marco, onde suas ações e trocas de experiências, proporcionaram ao turismo social seu grande alicerce para maior desenvolvimento, tornando-se um segmento capaz de operacionalizar uma atividade sem grandes impactos e mais responsável pelas mudanças sociais.

No Brasil o turismo social vem sendo trabalhado principalmente por sindicatos, entidades, clubes e Organizações Não Governamentais (ONG‟S), que facilitam o processo de adequação dos produtos e serviços proporcionando a oferta de um lazer de baixo custo e de grande significância social. Como exemplo podemos citar o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Químicas (SINDIQUIMICOS), a entidade estudantil Rosa dos Ventos, a Associação Brasileira das Cooperativas e Clubes de Turismo Social (ABRASTUR), o Clube Bom Tur de Turismo Social, entre outros, que trabalham opções de lazer com caráter inclusivo, e pautados ao desenvolvimento do turismo, oferecendo opções de lazer mais acessíveis.

Notadamente a principal entidade que desenvolve o turismo social no país, é o SESC, e que serve como modelo para todas as entidades que de alguma maneira desenvolvem produtos e serviços adaptados aos padrões brasileiros e que ampliam o caráter social na atividade.

3 Serviço Social do Comércio - SESC

3.1 Caracterização

Em meados de 1945 na região de Teresópolis-RJ, ocorre a publicação da Carta da Paz Social durante a Conferência das Classes Produtoras, representada pela classe empresarial da época. Este documento destaca a modernização entre as relações trabalhistas, conciliada com a preocupação social e econômica do país e contempla, dentre, suas necessidades, a criação de uma entidade ligada á classe comerciaria. (SESC, 2006)

No ano seguinte, em 1946, nasce o SESC o Serviço Social do Comércio, uma entidade sem fins lucrativos que visa à promoção do bem-estar social

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proporcionando a melhoria na qualidade de vida dos comerciários e desenvolvendo ações de promoção à cultura.

Conforme Decreto-Lei nº 9.853, de 13 de setembro de 1946, atribui-se a Confederação Nacional do Comércio,

[...] o encargo de criar o Serviço Social do Comércio, „com a finalidade de planejar, executar, direta e indiretamente, medidas que contribuam para o bem-estar e melhoria do padrão de vida dos comerciários e suas famílias e, bem assim, para o aperfeiçoamento moral e cívico da coletividade‟. (SESC

apud ALMEIDA, 2001, p.84)

Tratava-se da criação de uma entidade de prestação de serviços de caráter sócio-educativo, promovendo a seus usuários o bem-estar social estimulando através de suas ações educativas no intuito de contribuir para a melhoria nas condições de vida dos cidadãos.

Entre as diversas ações dentro das áreas de atuação, observamos que o lazer é tido como ferramenta para o desenvolvimento pessoal, não apenas servindo como fuga do cotidiano, ou ainda pela prática consumista no lazer, mas, sobretudo ocupar o tempo livre do participante com experiências gratificantes que acrescentem algo mais a rotina e o levem a desenvolver-se físico e mentalmente.

3.2 A Unidade SESC Bertioga

Baseando-se em sua essência sócio-educadora, o SESC desenvolveu o Programa de turismo social e como forma de realização, inaugurou em 20 de setembro de 1948, no litoral norte de São Paulo, na cidade de Bertioga, a colônia de férias Ruy Fonseca, que passou a servir como modelo para a criação de todo o contexto do programa no Brasil.

Ocupando uma área com 995 mil m2, a unidade é inaugurada com a disponibilização de 28 casas pré-fabricadas e podendo atender aproximadamente 200 pessoas por temporada. Hoje essa quantidade aumentou, sendo agora 12 conjuntos de apartamentos e cerca de 50 casas, e ainda ampliou seus atendimentos para mil pessoas por temporada, chegando à marca de 40 mil atendimentos ao ano. (SESC, 2011)

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Toda a arquitetura do local foi planejada pelo engenheiro Francisco Prestes Maia, e em sua área local abriga equipamento para o lazer e a recreação bem como unidades de hospedagem amplas.

A unidade iniciou as suas obras em 1946, cuja área foi planejada para atender os veranistas, e ampliar a preocupação com a utilização do tempo livre do trabalhador e para o aproveitamento de suas férias destinando o lazer a atividades de educação.

O SESC Bertioga, oferece aos comerciários e usuários a oportunidade de repouso, em instalações preparadas para proporcionar o relaxamento por meio do contato com a natureza e ofertando opções saudáveis em relação à alimentação e atividades físicas.

Com equipamentos de lazer e recreação a Unidade tem opções como ginásio de esportes, quadra de bocha e malha, quadras de tênis e poliesportivas, pistas de

cooper, campos de futebol e mini-golf, salas de leitura, parque aquático, salão de

jogos, sala de vídeo e cinema, local para ginástica entre outras áreas que proporcionam o contato com a natureza, como o viveiro de plantas e o centro de educação ambiental.

Dotada de estrutura para o bom atendimento dos visitantes, a unidade desenvolve em seu roteiro diversas atividades, utilizando-se do equipamento turístico construído em sua área e de toda a paisagem existente levando o turista a conhecer a localidade bem como seus atrativos históricos.

O SESC Bertioga se preocupa com novos valores que até então não eram trabalhados pelas colônias de férias, tratando com a devida importância o desenvolvimento de atividades que ampliam a qualidade de vida do trabalhador e que garantem o desenvolvimento humano e social proporcionando mais dignidade ao cidadão.

A construção da Unidade serviu como um marco para o desenvolvimento da localidade que tem o inicio de seu povoamento em 1531, porém somente na década de 1940 que a localidade considerada um pequeno núcleo de pescadores ganha a

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função de Estância Balneária e passa a se ampliar conforme consta no site da cidade:

[...] em 1944, Bertioga (e toda extensão territorial norte) foi transformada oficialmente em distrito de Santos. Após dois movimentos pró-emancipação, um em 1958 e outro em 1979, Bertioga conquistou sua autonomia no dia 19 de maio de 1991. A População compareceu às urnas, realizando o plebiscito que resultaria na emancipação do distrito. Das 3.925 pessoas que votaram 3.698 foram favoráveis à independência de Bertioga. No ano seguinte, foram realizadas as primeiras eleições da cidade, consolidando sua autonomia e elegendo seu primeiro prefeito. (BERTIOGA,2011)

Era até então uma vila muito estagnada em relação à infra-estrutura e serviços básicos que passaram a se ampliar e melhorar com a construção da unidade SESC Bertioga, beneficiando moradores e ampliando sua capacidade para o turismo, que até então se tratava de ser sua maior riqueza, graças a sua beleza natural e sua história.

Com as temporadas lotadas de visitantes, amplia-se ano após ano, programas que se utilizam da educação para o turismo e ações voltadas a comunidade local. Nesse sentido o olhar do turista foi se modificando, na tentativa de torná-lo um consumidor crítico em relação aos resultados da atividade, despertando assim o interesse pelo turismo responsável e consciente em relação à utilização dos recursos naturais disponíveis.

3.3 O programa de Turismo Social no SESC SP

O programa de turismo social no SESC faz parte de um grande contexto na entidade, aliado aos demais serviços oferecidos e por meio da educação e o bom desenvolvimento das ações voltadas ao cuidado da saúde e preservação do meio ambiente e proporciona maiores mudanças no comportamento da sociedade.

Não se trata de criar acesso apenas, proporcionando preços convidativos, mas, sobretudo criar opções de lazer através de um olhar mais responsável e consciente na capacidade de desenvolver e de preservar a localidade, propondo novas experiências por meio da cultura, esportes, educação e integração com a localidade e seus anfitriões.

Historicamente, o SESC vem desenvolvendo esses conceitos desde a inauguração da colônia de férias de Bertioga, em 1948. A unidade passou a ampliar

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sua programação de turismo social e em 1951, iniciou suas atividades em excursões à Argentina com o apoio da Sociedade Internacional de Fretes Aéreos- SIFS, significando a primeira grande ação voltada à diversificação da oferta. No ano seguinte devido ao câmbio desfavorável, já que o país passava por uma grave crise devido a tendência inflacionária da época e o receio de uma crise mundial vinda da anunciada Guerra da Coréia.

Diante deste ambiente de crises e de elevados custos, o SESC foi obrigado a cancelar as viagens internacionais e voltar suas ações a um programa de turismo emissivo, destinando o público interessado a sua unidade recém criada em Minas Gerais e promovendo mais excursões, que se baseavam em acordos com o comercio local, que facilitando a hospedagem dos visitantes em locais como Serra Negra e Campos do Jordão.

O programa de turismo social, só foi criado oficialmente pelo SESC em 1979, estimulando e facilitando a participação efetiva no turismo de camadas sociais menos favorecidas. Em 1980, filiou-se ao BITS e passou a ser um membro participativo dos encontros e reuniões na entidade. (SESC, 2006)

Com a necessidade de ampliação da oferta em excursões e novas opções ao público que procurava o programa de turismo social, a entidade inseriu em seu programa temporadas de férias para os mais diferentes destinos e lançou o programa de fim de semana no SESC, esse conhecido como o balneário, onde os visitantes utilizariam a unidade e toda a sua estrutura durante os finais de semana diferentemente daqueles que ficam hospedados por uma temporada.

A preocupação em despertar no turista, ações cada vez mais responsáveis, fez com que o SESC SP desenvolvesse no ano de 2000 o Projeto Ética do Viajante, onde através de pequenos textos desenvolve a explicação de 12 dicas para os visitantes manterem seu contato com a localidade desenvolvendo um turismo mais responsável.(SESC, 2006)

Essa nova visão para o turismo social fez com o que o SESC passasse a desenvolver em seu programa ações que cada vez mais se assemelhavam com o que se esperava para a finalidade do turismo social conforme previsto pela OMT: Um turismo que através do exercício responsável de suas atividades e da

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preservação ambiental pode estabelecer em seus critérios de seleção dos seus participantes a inclusão de diversos grupos e principalmente a popularização do programa na sociedade.

4 O SESC Bertioga e o Desenvolvimento do Turismo Social

através da ótica do turismo Responsável, Sustentável e

Inclusivo.

O SESC baseia sua filosofia no enfoque educativo e no aprimoramento humano dos indivíduos, onde através da educação aprimora a aquisição de novos conhecimentos através da convivência.

Esse partilhar de experiências assemelha-se ao papel esperado do turismo social, oferecendo ao seu turista, atividades que ampliam horizontes e que torna a oferta de lazer algo acessível a todas as classes sociais,

A colônia de férias Ruy Fonseca, SESC Bertioga, promove por meio de atividades muito simples um novo enfoque sobre o olhar turístico, disponibilizando aos usuários uma programação, onde com a oferta de lazer, proporciona o bem-estar e a educação como forma de aprimoramento e de crescimento do indivíduo.

Krippendorf (2001, p. 22), faz a seguinte colocação:

Talvez as férias e o lazer experimentados longe de casa possam transformar-se realmente em um campo de aprendizados e de experiências, não apenas para fugir do cotidiano e dos problemas, mas também para ter-se a oportunidade de enriquecimento interior, de exercer a liberdade, a compreensão mútua e a solidariedade, e de poder descobrir um pouco de tudo isso no cotidiano.

Sob esse aprendizado alia-se o enfoque do turismo social, onde é despertado o interesse pelo desenvolvimento de novas práticas de turismo, observando-se que através de atividades voltadas para a sustentabilidade e pelo turismo responsável e inclusivo, o individuo poderá ampliar seus conhecimentos e passar a atuar em seu papel social sob um novo ponto de vista.

A busca por um turismo mais humanizado surge da prática do próprio turismo, que por sua essência já se trata de uma atividade social e, conforme o pensamento

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de Krippendorf (2001, p.180), “(...) possibilitar às pessoas a oportunidade de iniciarem na arte de viajar”.

A atividade turística para o SESC é entendida como ferramenta inclusiva, desenvolvida através do potencial democrático e capaz de transformar e ampliar capacidades nos indivíduos.

Tais ações proporcionam a aquisição de novos conhecimentos através da participação efetiva da cultura de determinada localidade e observa-se o aumento da percepção do turista como algo que ira ampliar seus conhecimentos, indo além da atividade de lazer.

Todo o programa de turismo social é pautado no conceito da inclusão social, facilitando o acesso ao turismo das classes sociais mais baixas, bem como a todos os impedidos de usufruir da atividade turística tradicional.

Atividades de inclusão são desenvolvidas dentro da unidade SESC Bertioga, como o Programa Praia Acessível que oferece a pessoas portadoras de necessidades especiais, mobilidade reduzida, idosos e gestantes, o empréstimo de cadeiras anfíbias para o banho de mar, contando com o apoio de profissionais credenciados pela unidade. Além disso, a Unidade oferece a comunidade local acesso aos shows que ocorrem em suas dependências, bem como a participação em determinadas atividades na praia, que visam à inclusão também dos moradores locais, no convívio daqueles que usufruem do programa de turismo social.

Na maioria dos shows, é feita a divulgação destes pela cidade e disponibilizam-se alguns convites para moradores que desejam participar dos eventos.

Basicamente o SESC Bertioga trabalha de maneira a facilitar a esses grupos sua participação, pela oferta de serviços com preços finais mais compatíveis com sua característica social, não diferenciando sua classe ou sua participação nas atividades, diferentemente de sua dificuldade em usufruir da atividade turística.

Essa preocupação espelha-se na adaptação das edificações baseadas no desenho universal, ou ainda com a oferta de instrutores para as atividades facilitando a participação daqueles que antes talvez ficassem de fora de determinado

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passeio, seja por deficiências ou por impedimentos psíquicos. Na Unidade todos podem aproveitar as oportunidades e a estrutura ofertada, mostrando um diferencial quanto à inclusão social e marcando um novo parâmetro quando ao turismo social brasileiro.

Esse retrato de turismo inclusivo é observado desde os parâmetros de seleção dos participantes do programa de turismo social, onde após a inscrição passam por uma pré-seleção sendo priorizado o perfil de usuário, bem como se trata de sua primeira visita. Nota-se em grande número a participação de grupos de terceira idade e famílias.

As atividades são guiadas por instrutores e são voltadas para conteúdos educativos buscando integrar os públicos e proporcionar descanso aliados a educação e seus conceitos recreativos.

Com processos em diferentes núcleos criados para interação dos visitantes almeja-se que os potenciais e qualidades dos usuários possam ser desenvolvidos e que através da ótica da recreação possa observar um mundo mais amplo, podendo apreciar novas características da localidade e preservar durante seu convívio turístico.

Não se trata apenas de entreter os turistas, mas estimular a participação em determinadas atividades, proporcionando o intercâmbio de culturas e a aquisição de novas formas de lazer através de um convívio livre e do aprendizado mútuo, que transcorre através da educação informal. O SESC trata esse processo como protagonismo dos participantes, ou seja, a participação efetiva do turista desde o processo de decisão até o exercício das relações interpessoais, formando o processo de educação pela cultura abordada.

Os passeios, atividades de lazer e exercícios físicos que são ofertados na unidade exemplificam esse processo onde, durante as atividades existe o intercâmbio de culturas e a troca de vivências, proporcionando o processo de educação através dos artifícios sociais.

É estimulado aos turistas que visitem a cidade e conheçam os pontos turísticos, desde a oferta de passeios guiados, como a liberdade de entrar ou sair da

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Unidade a hora que desejarem deixando-os livres para o consumo de bens e serviços na cidade e a aquisição de novas culturas, através do convívio livre e despretensioso.

Nesse processo de intercambio de informações e de despertar na consciência do turista que se pode perceber a importância da educação aplicada pelo turismo onde os participantes têm a oportunidade de adquirir o conhecimento e desenvolver conteúdos aprendidos formalmente. Observa-se nesse ponto a responsabilidade na atividade turística e na atuação de uma oferta de lazer mais preocupado com seu entorno e seus resultados.

Atividades como educação ambiental e o conhecer da história da localidade trazem a tona o senso crítico dos turistas, segundo Badaró (2002 p. 36) o “turista responsável escolhe os propósitos e objetivos formais de sua viagem, de maneira a respeitar as populações e as culturas dos locais a ser visitados”.

Esse senso crítico é despertado quando do desenvolvimento de atividades como visitas orientadas, discussões, jogos e de atividades culturais, oficinas de artesanato ou ainda apresentações de grupos culturais, que possam vincular a vivencia do turismo a um aprendizado.

Esse estímulo à aquisição de um conhecimento amplo em relação ao local, e a sua própria leitura da paisagem, pode contribuir para a preservação e sustentabilidade uma vez que a cultura ofertada é mantida para futuras gerações sendo um valoroso registro histórico e de caráter renovador. (SESC, 2006)

É o processo de educação para o turismo e onde se percebe a composição de um novo público, que na vivência da atividade a passa a aproveitar o ato de viajar para uma atividade mais humana. Conforme prevê a Declaração de Montreal em seu artigo 10, se espera que o turismo possa desempenhar um papel-chave na relação com os turistas. “Seu dever é o de sensibilizar, informar e incutir o respeito pelos ambientes e comunidades locais”. (BITS, 1996, art. 10)

O processo sustentável desenvolvido em todas as etapas do programa de turismo social vem confirmar esse caráter de preservação e reeducação dos integrantes da sociedade. Tornar o turismo mais humanizado e capaz de absorver

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impactos negativos e minimizá-los mais rapidamente, antes de causar danos, faz do processo turístico, algo modificador e pautado para servir como ferramenta a uma sociedade.

Para uma análise mais detalhada de todo esse processo foram aplicados 100 questionários, nos dias 07, 08 e 09 de maio de 2011, analisando a ação do SESC perante a comunidade local e o comércio nas imediações, através de cinco questões fechadas examinou-se qual o nível de participação da comunidade nas atividades da Unidade bem como o interesse daqueles que ainda não conhecem seus programas.

Durante esse processo, observaram-se ações de interação da unidade SESC Bertioga com a sociedade, e registramos diversos relatos que serão dispostos em análise aos gráficos dispostos no apêndice 2 deste trabalho.

Nota-se que apesar de 81% considerarem que o SESC Bertioga traz benefícios para a localidade, grande parte dos entrevistados 69% ainda não fez uso da unidade para atividades de lazer. Porém 30% das respostas demonstram que a população vê na entidade a oferta de trabalho formal e informal, justificando-se pelas diversas entrevistas onde os comerciantes da região do entorno da unidade, nos contam sobre como o SESC oferece apoio e disponibiliza sua estrutura facilitando o trabalho e a oferta de bens e serviços aos seus turistas.

Outro ponto abordado na pesquisa foi sobre o interesse da comunidade em participar de cursos e atividades sócio-culturais na Unidade, cerca de 72% dos entrevistados teriam vontade de participar de cursos livres e abertos, de artesanato, dança esportes, bem-estar e saúde, o que ampliaria assim sua ação na localidade. Essa seria uma sugestão que facilitaria a inclusão da comunidade nas atividades de lazer, notamos que a comunidade vê com grande satisfação que a Unidade deveria ofertar mais essa oportunidade principalmente aos moradores da região.

5 Considerações Finais

A natureza de prestação de serviços com o caráter sócio educativo, oferecido pela entidade SESC pode ser considerada modelo de atuação, caracterizando-se

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pelos seus projetos de inclusão da sociedade e da ampliação do olhar sustentável sob todas as atividades de lazer oferecidas ao público em geral. (ALMEIDA, 2001)

Seu caráter educativo é transformador e fornece a sociedade um novo parâmetro de análise para as atividades de lazer e de utilização sustentável do meio ambiente durante suas ações.

Seus processos inclusivos são amplamente observados nas atividades de turismo social estudadas anteriormente, e seu papel para a valorização da cidade de Bertioga é notado pela enorme procura dos usuários por este programa.

Com base na citação de Cheibub, o acesso ao turismo não deve estar “mais unicamente relacionados aos visitantes [...], mas também aos anfitriões, que devem ter acesso aos recursos turísticos como aos benefícios do turismo” (FALCÃO apud CHEIBUB, 2008, p.5).

Notadamente o SESC serve como um grande motivador para o turismo, e sabendo-se da grande procura pelo programa, o comércio hoteleiro acaba por receber grande parte dos turistas que não conseguem hospedagem no SESC Bertioga, mas que passam a utilizar os equipamentos hoteleiros ao redor da unidade, e que contam com a oferta de serviços de boa qualidade.

Essa movimentação de turistas na cidade e a interação entre o SESC e a comunidade refletem o caráter inclusivo pregado pela entidade em seu programa de turismo social.

Conforme diagnosticado por Bauer e Rejowski (2003, p.95), “Bertioga é um município com desigualdades sociais maiores que boa parte dos municípios litorâneos de São Paulo”.

O papel inclusivo do SESC e suas ações dentro da cidade tentam de certa forma minimizar esses contrastes sociais observados que vão desde as diferenças entre classes sociais até a oferta de mão-de-obra pouco qualificada, sendo assim, o desenvolvimento deste programa é uma forma de oferecer à cidade mais um mecanismo de promoção social, facilitando ações de inclusão e o desenvolvimento sustentável da comunidade através da atividade de turismo social desenvolvida na unidade Bertioga. (BAUER e REJOWSKI, 2003)

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Suas atividades dentro do programa buscam de forma simples, levar ao conhecimento de todos, o quanto é importante esse despertar na consciência turística e promove o respeito para com a localidade.

Em suma o SESC de maneira satisfatória cumpre em diversas atividades a perfeita aplicação dos conceitos responsáveis, sustentáveis e inclusivos esperados para a atividade de turismo social, e onde através da ferramenta da educação aprimora elementos do turismo que servem para o melhor desenvolvimento pessoal, utilizando-se de elementos culturais e da modificação de certos comportamentos.

Trata-se de oferecer ao turista, opções de lazer em que sejam levadas em conta as questões educativas e uma gama de serviços, adequadas ao seu conceito econômico agregando as adaptações a sua mobilidade ou impedimentos pessoais que ampliam a atividade turística social. (Krippendorf, 1977, p.88)

Esta oferta e os conceitos mais amplos onde se inclui o cidadão em sua própria sociedade é também uma forma de tratar da satisfação das necessidades de cada indivíduo, buscando através do lazer uma nova visão ao respeito e preservação do ambiente e da sociedade.

Referências

ALMEIDA, Marcelo Vilela de. Turismo Social: por uma compreensão mais adequada deste fenômeno e sua aplicação prática na realidade atual brasileira .2001.Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, 2001

BADARÓ, Rui Aurélio de Lacerda. Direito do Turismo: História e Ligislação no Brasil e no Exterior. Editora Senac. São Paulo. 2002.

BAUER, R. C. ; REJOWSKI, M. . Oferta turística de Bertioga (SP). Caracterização, evolução e análise. Turismo em Análise, São Paulo, v. 14, n. 1, p. 85-97, 2003. BERTIOGA. Disponível em: http://www.bertioga.sp.gov.br/conteudo.php?secao=14 Acesso em: 03 ago 2011.

BITS. Declaração de Montreal. 1996 Disponível em: http://www.bits-int.org/files/1177334236_doc_Montreal%20Declaration.pdf Acesso em:01 out. 2011 BRASIL– Ministério do Turismo. Segmentação do Turismo – Marcos Conceituais, 2006.

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BRASIL- Ministério do Turismo. Turismo Social: Diálogos do Turismo: Uma Viagem de Inclusão, Rio de Janeiro, IBAM, 2006.

CARVALHO. Caio Luiz de (Org.); BARBOSA. Luiz Gustavo Medeiros (Org.). Discussões e propostas para o turismo no Brasil: Observatório de inovação do Turismo. Rio de Janeiro. Senac Nacional. 2006.

CARTA DA PAZ SOCIAL, Rio de Janeiro: SESC, 1945.

CHEIBUB, B. L.; Gomes, C.L.. Turismo Social, Lazer e Inclusão:Interfaces e reflexões a partir de um Estudo Crítico do Projeto Turismo Jovem Cidadão (SESC-RJ). In: IX Seminário O Lazer em Debate, 2008, São Paulo. Anais do IX Seminário O Lazer em Debate: Lazer, interdisciplinaridade e suas possibilidades de descanso, divertimento e desenvolvimento pessoal e social.. São Paulo : Editora Plêiade, 2008. COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU (2006). Parecer do comitê Económico e Social Europeu sobre <Turismo Social na Europa> 23.12.2006 Disponível em:

http://eur-lex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=OJ:C:2006:318:0067:0077:PT:PDF

Acesso em: 01 out. 2010

DUMAZEDIER. Joffre. Lazer e Cultura Popular. São Paulo, SP, 3º edição 1973 MARCELINO. N.C., Estudos do Lazer. Campinas, SP. Autores Associados, 2002. MACHADO JUNIOR, J. C.. Programa de Turismo Social do SESC-SP no Contexto da Hospitalidade. In: IV Seminário de Pesquisa em Turismo do Mercosul / III Seminário da ANPTUR Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo, 2006, Ribeirão Preto, 2006.

OMT. Organização Mundial do Turismo. Guia de Desenvolvimento do Turismo Sustentável, Porto Alegre, 2003.

OMT. Organização Mundial do Turismo. Código Mundial de Ética do Turismo. Madrid, 1999.

SALVATTI, S.S. (Org.). Turismo Responsável: Manual para Políticas Públicas. Brasilia: WWF Brasil, 2006.

SESC. Turismo Social no SESCSP: Turismo para todos. 2006.

SESC.Serviço Social do Comércio, Disponível em: www.sescsp.org.br Acessado em: 01.abr.2011

WWF, 2001 – Certificação do Turismo: Lições Mundiais e recomendações ao Brasil. Brasília/DF. WWF. Vol. 9 p. 99

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Apêndice 1

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Apêndice 2

Os gráficos abaixo apresentados referem-se à análise dos dados obtidos pelos questionários aplicados na cidade de Bertioga, aos moradores e comerciantes da região do SESC.

Durante todo o processo de aplicação dos questionários nas imediações da Unidade SESC Bertioga foram coletadas informações e relatos adicionais que colaboraram para todo o trabalho e que puderam redimensionar os caminhos a seguir e tornar o artigo mais consistente sob o ponto de vista reflexivo. Sendo assim durante a análise dos dados em cada gráfico, acrescentaremos tais relatos para que possamos observar de forma mais ampla cada aspecto.

Gráfico 1: Perfil Do Entrevistado

Fonte: (Vieira, 2011)

Dentre os 100 questionários aplicados nos dias 7, 8 e 9 de Maio de 2011, foram entrevistados 8% de moradores de 2º residência, 49% de comerciantes locais que residem ou não na localidade, e 43% de moradores, obtendo um número significativo em relação à ligação dos mesmos com a ação do SESC na região.

Tomou-se o cuidado de aplicar os questionários em um raio não muito grande, abrangendo as imediações do SESC, para que seja levada em consideração a ação direta nessa região das atividades do SESC Bertioga.

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Gráfico 2: Opinião sobre benefícios gerados na região

Fonte: (Vieira, 2011)

Nos 81% de certeza em relação aos benefícios gerados com presença da Unidade SESC Bertioga na região, podemos observar que o SESC é sim visto como estrutura importante sob o ponto de vista turístico e de lazer e servindo como motivador para atrair turistas para a região.

Levando em consideração os relatos obtidos durante a aplicação dos questionários, podemos observar que o SESC serve como estímulo ao comércio local e a economia da cidade. Mesmo aqueles que não têm relação direta com a atividade de turismo na região percebem que a Unidade melhorou e muito a estrutura turística da cidade e serve também como uma ferramenta para a oferta de trabalho formal e informal na localidade.

Gráfico 3: Uso da Unidade pelo entrevistado

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Pouco se observou sobre o uso da unidade pelos entrevistados. Grande parte dos relatos registrou a dificuldade em relação aos custos com a entrada na Unidade e a pouca oferta de atividades diretamente direcionadas aos moradores de Bertioga.

Apesar de algumas iniciativas observadas e confirmadas pelos funcionários da Unidade, em chamar a população a participar de atividades no SESC, pouco interesse foi observado. Não foi possível apurar se isso é um problema gerado pela falta de informação ou apenas por questões econômicas, porém o fator importante nesse sentido é que a Unidade ainda tem um grande desafio pela frente em integrar a comunidade a sua atuação social dentro do turismo.

Gráfico 4: Participação em shows e/ou eventos na Unidade

Fonte: (Vieira, 2011)

Os Shows e eventos na Unidade são amplamente divulgados dentro da cidade de Bertioga, porém conforme observado ainda existe pouca participação dos moradores e comerciantes da localidade. Cerca de 67% nunca participou desses eventos.

Alguns comerciantes na localidade registraram que a Unidade vem tentando estimular a participação da comunidade oferecendo e disponibilizando convites gratuitos. Essa informação foi confirmada na Unidade, onde funcionários explicaram que a administração vem tentando aproximar a comunidade das atividades de lazer na Unidade.

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Gráfico 5: Classificação dos benefícios gerados

Fonte: (Vieira, 2011)

Nitidamente durante todo o processo de pesquisa observamos através dos relatos que 30% dos entrevistados veem a Unidade Bertioga do SESC como uma opção de oferta de trabalho, seja dentro da Unidade ou fora, formal ou informalmente.

Alguns comerciantes que tem banca na praia nas imediações da Unidade relataram que o SESC disponibiliza a estrutura, água e luz para que possam desenvolver seu trabalho oferecendo aos turistas e usuários que desfrutam das temporadas da unidade, serviços e alimentos com qualidade. A rede hoteleira da região também é beneficiada uma vez que aqueles que não conseguem sua vaga para hospedagem na Unidade, hospedam-se nos hotéis mais próximos, e contam muitas vezes com preços convidativos facilitando ainda mais o processo da atividade social no turismo.

Gráfico 6: Qualificação do tipo de atividade desenvolvida na visita

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Mesmo observando o pouco conhecimento sobre as atividades da Unidade SESC, questionamos a aqueles que já fizeram uso dos serviços do SESC, quais atividades desenvolveram em sua visita. Cerca de 42% foram a lazer e 39% diretamente ao uso das piscinas.

Observando o que foi detalhado pelos entrevistados, recebemos a informação sobre ações de estimulo a participação das escolas da região em atividades de lazer dentro da Unidade, bem como é disponibilizado gratuitamente os espaços para eventos para as escolas e associações.

Gráfico 7: Interesse em participar de cursos e/ou atividades na Unidade

Fonte: (Vieira, 2011)

Durante o questionamento sobre o interesse da população em se integrar mais nas atividades observamos que 72% participariam de atividades/palestras e cursos dentro do SESC.

Gráfico 8: Classificação das atividades que despertariam o interesse dos moradores

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Levando em consideração a aceitação quanto a atividades direcionadas a população, questionamos quais seriam as atividades de maior interesse e verificamos que cerca de 51% participariam de cursos/palestras.

Muitos relatos registraram que o maior interesse seria relacionado à profissionalização em turismo ou em atividades que possam gerar emprego e renda.

Gráfico 9: Melhoria na Cidade graças a presença do SESC

Fonte: (Vieira, 2011)

A pesquisa, a aplicação dos questionários e a observação direta da atividade de Turismo Social no SESC Bertioga, mostraram resultados mais que favoráveis para a atividade na região. Isso foi confirmado na aplicação desta ultima questão, apresentando 73% de índice positivo, e observando grandes melhorias na cidade com a presença do SESC.

Todos os relatos e observações deixaram claro como é hoje a integração da Unidade com a população, e registramos que através de pequenas atitudes e do estímulo ao turismo a Unidade SESC Bertioga vem tentando romper barreiras sociais e desenvolver cada vez mais a atividade turística social de maneira sustentável, responsável e inclusiva.

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Anexo 1

Mapa de Localização e endereço da Unidade SESC Bertioga: Unidade SESC Bertioga – Colônia de Férias Ruy Fonseca

Rua Pastor Djalma da Silva Coimbra, 20, Bairro Jardim Rio da Praia. Telefone: (13) 3319-7700 / fax (13) 3319-7701.

Endereço eletrônico: [email protected]

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Anexo 2

Mapa das Instalações da Unidade SESC Bertioga.

Referências

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