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Violência na infância: consideraçôes clínicas e periciais

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Academic year: 2021

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KATLIN DAMÁRIS LAVALL LUNKES

VIOLÊNCIA NA INFÂNCIA:

CONSIDERAÇÔES CLÍNICAS E PERICIAIS

Ijuí (RS) 2016

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UNIJUI - UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

DHE - DEPARTAMENTO DE HUMANIDADES E EDUCAÇÃO CURSO DE PSICOLOGIA

VIOLÊNCIA NA INFÂNCIA:

CONSIDERAÇÔES CLÍNICAS E PERICIAIS

KATLIN DAMÁRIS LAVALL LUNKES

ORIENTADORA: PROFª. SONIA APARECIDA DA COSTA FENGLER

Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito parcial

para conclusão do curso de

formação de Psicólogo.

Ijuí (RS) 2016

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UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul DHE – Departamento de Humanidades e Educação

A Comissão Examinadora, abaixo assinada, aprova o Trabalho de Conclusão de Curso

VIOLÊNCIA NA INFÂNCIA:

CONSIDERAÇÔES CLÍNICAS E PERICIAIS

Elaborado por

KATLIN DAMARIS LAVALL LUNKES

Como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Psicologia Comissão examinadora

________________________________________ Profª MSc. Sonia Aparecida da Costa Fengle

(Orientadora) – DHE/UNIJUÍ

_____________________________________________ Profª MSC. Elisiane Felzke Schonardie– DHE/UNIJUÍ

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Dedico este trabalho a pessoa que, mesmo com muitas dificuldades, nunca desistiu do percurso de formação, esta pessoa sou eu, Katlin Damaris Lavall Lunkes.

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AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus, pois me deu a chance de viver este momento. A família, pelo valor investido.

Ao esposo e ao meu filho, Davi Luiz, pelo apoio e pelos momentos de carinho. A minha orientadora, Professora Sonia, pela dedicação e paciência que teve comigo.

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Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta. (Carla Jung)

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Título: VIOLÊNCIA NA INFÂNCIA: CONSIDERAÇÔES CLÍNICAS E PERICIAIS Aluna: KATLIN DAMÁRIS LAVALL LUNKES

Orientadora: PROFª SONIA APARECIDA DA COSTA FENGLER

RESUMO

O trabalho de pesquisa versa sobre “Violência na Infância: considerações clínicas e periciais”. Para tal, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, com o objetivo de mostrar a atuação do Psicólogo no ambiente clínico e de perícia, em casos de violência na infância. Portanto, o mesmo contextualiza a história da infância e a perspectiva cultural nesta fase da vida, para compreender como este percurso na história vem acontecendo até os dias atuais. Discorre-se também sobre as leis a partir desse movimento em favor da infância, com o objetivo de proteger as crianças destas situações. Ainda, a pesquisa mostra como Psicólogo clínico trata essas questões e como acontece a perícia na infância. Portanto, o Psicólogo pode atuar nas duas perspectivas, mantendo seu olhar clínico como referência, porém adaptando de uma forma mais objetiva para que se possa delegar a decisão mais certa no que se refere a uma suposta violência.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ... 8

1 BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE A HISTÓRIA DA INFÂNCIA ... 9

2 VISÃO CLÍNICA DO PSICÓLOGO EM CASOS DE VIOLÊNCIA NA INFÂNCIA ... 18 2.1 Atuação do psicólogo em avaliação pericial ... 23

CONSIDERAÇOES FINAIS ... 30

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INTRODUÇÃO

O presente trabalho caracteriza-se por uma pesquisa bibliográfica de cunho teórico acerca da Violência na infantil: considerações clínicas e periciais. A pesquisa abordou conceitos históricos e clínicos sobre a violência na infância, que trata de dois campos de atuação – do psicólogo como clínico e pericial.

O estudo sobre a violência infantil remete a construção do lugar da criança no decorrer dos tempos. Neste sentido, o primeiro capítulo apresenta a história da infância. Inicia pelos primeiros registros, construindo uma linha do tempo e mostrando como se via a infância no mundo e como foi evoluindo com a aprovação de leis que visam à proteção da criança e do adolescente, especialmente o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), que os ampara legalmente.

No início do segundo capítulo, foi feita uma breve abordagem sobre o trabalho clínico com a criança, vítima de alguma violação nesta fase. Foram trabalhados os conceitos relacionados ao tempo de desenvolvimento dessa criança e como isso pode vir aparecer em sessão clínica. Em seguida, apresentou-se a visão de psicólogo perito, que é convocado a responder, de forma mais objetiva, sobre as suspeitas já apuradas. Destacou-se nesse ponto como o psicólogo deverá agir nesta situação e o que deverá levar em consideração em se tratando de uma criança em perícia. Para finalizar, foi tratada a história e o trabalho clínico e pericial de um psicólogo frente a essa problemática.

Este tema é de interesse da acadêmica, pois, foi a partir da experiência clínica, que pode testemunhar relatos de violência e abuso sexual na infância, o que estimulou analisar se o que a criança trazia era inconsciente e fantasmático, parte do seu desenvolvimento infantil, ou se era real. Se real, como a perícia poderia interpretar esses conteúdos e dar o devido encaminhamento, com base nos princípios éticos.

Com essa pesquisa, buscou-se compreender esses dois campos da psicologia, entendendo que a história é um percurso importante para se entender uma cultura e esses dois campos de atuação trabalhados na pesquisa.

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1 BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE A HISTÓRIA DA INFÂNCIA

Para abordar o tema Violência na infantil: considerações clínicas e periciais, se fez necessário percorrer a história da infância para, também, compreender porque o assunto chegou, hoje, a ser motivo de choque e repúdio.

A história da infância traz registros complexos, pois não tem literatura clara sobre o início desde conceito. Dessa forma, remete a pensar em uma infância que, por muito tempo, não possui lugar na família, na sociedade e tão pouco se fez reconhecida na cultura. Esse quadro é reforçado por Ariés (1981, p. 85), que diz que “Antes, a infância era mais ignorada, considerada um período de transição rapidamente superado e sem importância”.

No Ocidente, por exemplo, as crianças eram vistas como pequenos seres que precisavam de alimento e de uma casa para morar. Nas famílias, eram raros os momentos de carinho e atenção. Elas eram expostas ao trabalho físico desde muito cedo e tratadas como adulto. Os índices de mortalidade eram muito elevados. Quando morria uma criança outra viria para substituir. Assim, a passagem da infância na sociedade era insignificante.

Ainda, quando o período de dependência física da criança passava, a mesma era obrigada a afazeres, o que a tornava independente desde muito cedo. A ideia de infância, segundo Áries (1981, p. 11), “[...] estava ligada à ideia de dependência [...] só se saía da infância ao se sair da dependência, ou, ao menos, dos graus mais baixos da dependência”.

A sociedade Medieval não considerava a infância. Por isso, segundo Alberton (2005, p. 41), “[...], desde o momento que uma criança podia sobreviver sem a solidez extrema dispensada pela sua mãe ou pela pessoa que lhe desse os cuidados maternos, era incluída no mundo adulto.”

Na Europa, a educação era bastante rígida, pois se esperava das crianças bons modos, que se tornassem pessoas honradas e extremamente racionais. Nesse aspecto, Ariés (1981) relata que as crianças não apareciam em muitos quadros de família e, quando eram retratadas, estavam com roupas muito semelhantes à dos adultos.

No século XVII, observa-se um olhar para a infância, de forma bem delicada com os chamados mimos e carinhos. Em meados de 1549, chega, no Brasil, o

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primeiro grupo religioso - a Companhia de Jesus, que vêm para propagar a religião e defender a moral e bons costumes.

Segundo Alberton (2005, p. 43):

Os colonizadores eram devassos e preconceituosos. Abusavam sexualmente das índias e das negras. Conquistavam-nas, mas não casavam com elas. Não assumiam compromisso jurídico e nem religioso, a fim de não perder a pureza do sangue. Os colonos não aceitavam responsabilidades nem mesmo com os filhos nascidos dessas uniões. No Brasil Colonial, com a violência praticada contra as mulheres indígenas e negras surgiram crianças ilegítimas, tornando-se um problema típico nas cidades. O cuidado com essas crianças, chamadas “enjeitadas”, começa a se tornar difícil. Os “enjeitados” eram, segundo Alberton (2005, p. 44), “confinados aos cuidados de famílias, mas grande parte falecia prematuramente”.

Neste período, o critério para ter oportunidade ao estudo era somente econômico, portanto, estudava e tinha acesso à educação somente os que tivessem condições de pagar. As mulheres e meninas não podiam frequentar as escolas, e eram consideradas intelectualmente inferiores aos homens e meninos. Já os meninos eram colocados muito cedo nos afazeres adultos, seguindo padrões europeus.

Quando o Brasil torna-se República e, com a abolição da escravatura, os costumes começam a mudar. São criados vários colégios para meninas, regidos por poderes religiosos e direcionados à vida religiosa. Assim, com o passar do tempo, a infância foi sendo construída pela sociedade e pela cultura, tendo um lugar de reconhecimento e de importância na maioria das famílias, que agora sabe da importância do momento para a criança em seu desenvolvimento cognitivo, emocional e psicológico. Sendo assim, muitas violências com as crianças começaram a não ser mais toleradas pela sociedade, como o trabalho infantil, agressões, abusos etc. Neste novo espaço, a criança é ouvida em suas expressões. Porém, nem sempre se consegue detectar de imediato o que se passa com a mesma, mas, quando se encontra alguma negligência, busca-se na lei um lugar de amparo e de proteção.

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Conforme Corazza (2000, p. 26-27):

Entre o fim-da-infância e o poder existiria uma relação de dominação tal que uma transformação radical de nossas sociedades implicaria que fosse modificadas também esta relação: onde a infância não mais estivesse ameaçada pela modelagem adulta, exploração, violência, assassinatos, abusos sexuais, patologias deixadas de herança às adultas e aos adultos desajustadas/os em que as crianças, expropriadas de infância, inevitavelmente se transformam.

A infância, por muito tempo, já foi dominada pelos adultos. As crianças eram tratadas como pessoas que precisavam se desenvolver logo para trabalharem, porém, passada essa fase, na Contemporaneidade, observam-se certos resquícios da história passada as crianças, que estão perdendo a ideia de infância pela forma narcisista dos adultos lidarem como se fossem adultos, fazendo com que as mesmas perdessem a fase infantil.

Com as instituições escolares, o conceito de infância foi sendo discutido lentamente. A Pedagogia foi uma ciência que ajudou a alavancar esse tema, pois, para se escolarizar, era preciso pensar no desenvolvimento infantil, tanto pedagógica quanto psicologicamente. Também é importante citar que, nesta construção de infância, as estruturas familiares também mudaram colocando não só o homem no mercado de trabalho, mas também a mulher. Neste momento, todos os adultos trabalham e as crianças são, desde muito cedo, institucionalizadas e inseridas nas escolas, que acolhem a infância desde muito tempo.

A violência e o abandono da criança vêm, no decorrer da história, se construindo a partir de diversas formas: violência física, sexual, psicológica e negligência. Na maioria dos casos, acontecem dentro dos lares. São violências cometidas por pessoas do vínculo familiar ou muito próximas.

A história mostra que isso acontecia já há muito tempo nas sociedades ocidentais com a utilização de um método muito comum, chamado “Roda”, no qual as crianças não desejadas, ou que não tinham condições de serem cuidadas, eram colocadas em uma roda, que girava para dentro de um espaço pelo qual alguém, que não se sabe quem, pegava para cuidar. Este era o propósito.

Para Corazza (2000, p. 40),

A Roda consistia em um cilindro de madeira, incrustado em uma parede de pedra onde era preso por um eixo vertical que a fazia girar, com uma parte da superfície lateral aberta, por onde eram introduzidas as crianças. Tal

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dispositivo permitia que, do lado de fora, pudesse ser colocada a exposta e, após um giro, esta passasse para dentro do estabelecimento, sem um contato direto entre quem estivesse no seu interior com quem estivesse no exterior.

Antes disso, as crianças eram mortas ou jogadas em lugares que, certamente, morreriam por falta de cuidados. Essa exposição de vulnerabilidade da criança fez com que se criassem esses lugares nos quais poderia se colocar o bebê com o intuito de alguém cuidá-lo.

No Brasil, essa prática começou com a Roda de Salvador, em 1726; após, no Rio de Janeiro. Seu objetivo principal era proteger e honrar as famílias dos nascimentos ilegítimos. Estes lugares eram de administrados por congregações religiosas, especialmente católicas. As crianças que eram colocadas na “Roda” recebiam nome de santos e líderes religiosos. Porém, segundo Corazza (2000), este sistema, com o decorrer do tempo, começou a apresentar fraudes e abusos. Mães levavam seus próprios filhos para a “Roda” e apresentavam-se para amamentar porque eram pagas para isso. Os filhos legítimos também eram mandados à “Roda”, deixando de lado a necessidade afetiva e de um lar para a criança. Após esse período, começou o abandono de filhos afetivos, que eram largados novamente a estes lugares de acolhimento, porém, não cabia mais tanta criança nestas instituições. Dessa forma, inocentes eram abandonados nas ruas e lugares de movimento, com o intuito de alguém ficar com o mesmo.

Segundo Marcilio (1997), alguns fatores contribuíam para isso, como o poder econômico, por exemplo, quando a família vivia em condições de miséria e não possuía recursos para custear as necessidades básicas do filho; outros ligados aos fatores sociais e culturais. Muitas vezes, as crianças eram abandonadas pelas mães com medo da opressão familiar ou porque a condição “Mãe Solteira” não era bem aceita. Contudo, a infância e as crianças de hoje carregam na história todo esse aparato de abandono e de desenvolvimento, caracterizado nessa fase da vida. Isso tudo é vivido nas famílias, e são elas que têm o dever de proteger e acolher esses pequenos. Porém, nem sempre isso acontece, pois a violência ainda é marca na história desses pequenos indivíduos.

A palavra violência deriva do Latim “violentia”, que significa “veemência, impetuosidade”. Na sua origem, está relacionada ao termo “violação” (violare), ou seja, é uma manifestação abusiva de poder sobre a criança, desde o início da história da infância.

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Ariés (1981, p. 40) já dizia que:

A criança era vista como se fosse um sujeito em miniatura, menos inteligente que o adulto. Este tipo de visão propiciou várias crueldades com as crianças e os adolescentes. Assim, nem sempre os infantes foram considerados sujeitos de direitos, tal como são reconhecidos hoje. Percebe-se, então, uma grande mudança na definição dos sujeitos da infância e adolescência, quando se considera a necessidade de sua proteção como cidadãos.

A violência é um fenômeno complexo que atinge, de maneira alarmante, todas as classes sociais, independentemente de idade, sexo, raça ou religião. Contudo, segundo o Relatório Mundial sobre a Violência e a Saúde, da Organização Mundial de Saúde (OMS, 2002, s.p.),

O uso intencional da força ou poder físico, em forma de ameaça ou efetivamente, contra uma criança, por um indivíduo ou grupo, que prejudica ou tem grandes probabilidades de prejudicar a saúde, sobrevivência, desenvolvimento ou dignidade da criança.

Este foi um dos fatores que estimulou a elaboração de uma lei que protegesse e amparasse crianças e adolescentes em risco e que culminou com a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em 13 de julho de 1990. Conforme dispõe a Lei, em seu art. 5º:

Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais. (BRASIL, 1990).

A partir do ECA, foi possível garantir direitos e proteção a essas crianças e adolescentes que, por vezes, não eram assegurados como vítimas pela lei. A partir da lei, se pode observar um movimento de olhar a mais para infância e suas necessidades, delimitando, assim, os tipos de violências sofridas na infância, que são: o abandono, negligência, violência física, violência psicológica, exploração sexual, turismo sexual, pornografia e pedofilia.

Com base em Guerra (2005), há quatro tipos de violência:

a) Violência Física: corresponde ao emprego de força física no

processo disciplinador de uma criança; é toda a ação que causa dor física, desde um simples tapa até o espancamento fatal. Geralmente, os principais agressores são os próprios pais ou responsáveis que utilizam essa estratégia como forma de domínio sobre os filhos.

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b) Violência Sexual: é todo o ato ou jogo sexual entre um ou mais adulto e uma criança e adolescente, tendo por finalidade estimular sexualmente esta criança/adolescente, ou utilizá-lo para obter satisfação sexual. É importante considerar que, no caso de violência, a criança e adolescente são sempre vítimas e jamais culpados, e que essa é uma das violências mais graves pela forma como afeta o físico e o emocional da vítima.

c) Violência Psicológica: é toda interferência negativa do adulto sobre a criança, contribuindo para ela tenha um comportamento destrutivo. Por exemplo, existem mães que, sob o pretexto da disciplina ou da boa educação, sentem prazer em submeter os filhos a vexames. Interrompem a alegria de uma criança pelos gritos, queixas, comparações, palavrões, chantagem, entre outros, o que pode prejudicar a autoconfiança e a autoestima.

d) Negligência: pode ser considerada também como descuido, ausência de auxílio financeiro, colocando a criança e o adolescente em situação precária: desnutrição, baixo peso, doenças, falta de higiene.

A violência sexual e o abuso contra a criança sempre terá que ser vista como um crime de violência física ou psicológica, uma violação que ocorre em todas as classes sociais, culturais e econômicas. Essas crianças são meninas ou meninos. Muitas, até mesmo apresentam deficiência. A violência acontece, principalmente, em seus próprios lares e com abusadores que tem convívio direto com a família, o que traz mais impotência e medo para a criança.

Alberton(2005, p.105) destaca que:

A violência a que são submetidas nossas crianças e adolescentes dá-se principalmente, dentro de dá-seus próprios lares, e é perpetrada na grande maioria das vezes, por aqueles que teriam o dever primeiro de protegê-las, amá-las e respeitá-las e que, no entanto, as maltratam, as violentam brutalmente, roubando-lhe a inocência, a alegria, a liberdade, a própria vida.

Ainda sobre violência, Felipe e Philippe (1998) reforçam a violência como um

ato pelo qual o sujeito desaparece como livre e autônomo. Ela impõe o sujeito a um

lugar de ser sujeito do outro. Segundo os autores, “[...] podemos constatar o quão primitiva é a percepção que os envolvidos no ato de violência têm de si mesmos” (1998, p. 25).

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Alberton (2005) traz a forma com que muitas crianças e adolescente lidam com o sofrimento. Muitas fogem para as ruas e ficam à deriva de um lugar ainda mais violento.

Na grande maioria das vezes, crianças e adolescentes vão para rua por defesa, como forma de garantir a sua integridade física e mental. A rua, por pior que sejam as condições de sobrevivência, representa, no imaginário da meninada, um espaço de “liberdade”. (ALBERTON, 2005, 86-87).

Mesmo tendo essa fantasia, essas crianças ficam vulneráveis as mesmas condições de risco de vida, pois, na rua, não se tem lei, e a lei muitas vezes só tem efeito após ter ocorrido o pior com a criança ou adolescente, ou seja, com a sua morte.

A violência na infância é um tema bastante discutido nos dias atuais, pois seus efeitos podem ser vistos pela Psicologia nos meios sociais, educacionais e clínicos. Esse fenômeno é descrito por Odalia (1991, p. 13) ao dizer que:

A violência está tal modo arraigada em cada um dos passos e gestos do homem moderno que não se pode deixar de indagar se ela é um fenômeno típico de nossa época; se é um traço essencial que individualiza nosso tempo.

Nesta trajetória histórica, pode-se entender que, para a criança, viver em sociedade, desde muito cedo, foi bastante violento. Essa violência aparece em todas as faces da vida do humano, porém, as crianças são as mais afetadas com isso que seriam as que mais precisam de proteção e sustentação psicológica no período de crescimento e desenvolvimento psíquico.

Bock (1999, p. 254) afirma que:

A família, como lugar de proteção e cuidados, é, em muitos casos, um mito. Muitas crianças e adolescentes sofrem ali suas primeiras experiências de violência: a negligência, os maus-tratos, a violência psicológica, a agressão física, o abuso sexual. As pesquisas demonstram que, no interior da família, a principal vítima da violência física é o menino e, do abuso sexual, a menina. O pai biológico constitui-se no principal agressor.

A família é a base da sociedade, ou seja, lugar em que a criança deveria se sentir protegida e acolhida, porém nem sempre a criança recebe esse olhar de carinho e proteção. A autoridade que a família tem que exercer sobre esse pequeno

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ser é fundamental para seu desenvolvimento, mas, quando exercido de forma cruel, os caminhos são muitos e o sofrimento é quase certo.

Para Guerra (2005, p. 48),

[...] os sentimentos gerados pela dor decorrente da violência física de adulto contra criança são na maioria das vezes reprimidos, esquecidos, negados, mas eles nunca desaparecem. Tudo permanece gravado no mais íntimo do ser e os efeitos da punição permeiam nossas vidas, nossos pensamentos, nossa cultura.

Além da violência física, também se tem a negligência que, segundo Guerra (2005, p. 33) se configura “quando os pais (ou responsáveis) falham em termos de alimentar, de vestir adequadamente seus filhos, etc., e quando tal falha não é o resultado das condições de vida além de seu controle”.

Importante ressaltar que a negligência é diferente de pobreza, pois nem todos têm condições de vestir ou alimentar seus filhos da forma que gostariam, porém, em extrema necessidade, os órgãos públicos são acionados para que a criança tenha as mínimas condições. Já, na negligência, quem deveria proteger não se importa com a criança, deixando até mesmo de pedir auxílio.

Outro modo bastante interessante de delimitar violência é da forma que Felipe e Phillipe (1998) trazem no livro O corpo violentado: estupro e atentado violento ao pudor. Os autores diferenciam violência, força e agressão.

Violência. Um ato numa cadeia de atos. A violência pode ser um ato momentâneo ou uma série de atos praticados de modo progressivo, com o intuito de forçar o outro a abandonar o seu espaço construído e a preservação de sua identidade como sujeito de relações econômicas, políticas, estéticas, éticas, religiosas e eróticas. (FELIPE; PHILLIPE, 1998, p. 29).

No que se refere à força, segundo os autores Felipe e Phillipe (1998, p. 24),

O ser humano é, aqui, um sujeito do mundo. Ele o organiza em função da sua construção e daquilo que ele define como a finalidade de sua ação. Ao empregar a força para obter objetos necessários a ampliação do espaço da sua própria construção, a criatura da espécie humana não pratica contra esses objetos qualquer violência.

Felipe e Phillipe (1998) argumentam que a agressividade é uma ação que prejudica o estado de integridade, expressa, por vezes, no contorno que definem

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bem a fragilidade e a identidade própria de uma pessoa. Esses atos resultam em uma alteração na identidade daquele que sofre a agressão.

Nesse quadro de sofrimento que envolve a família, especialmente as crianças, surgem efeitos que irão produzir sintomas nos sujeitos, sejam eles de ordem psíquica, cognitiva ou social. Desse modo, se fazem necessárias intervenções de profissionais que possam, a partir de suas competências especificas e interdisciplinares (psicólogos, assistentes sociais, pedagogos, professores, judiciário), atuarem para que o sujeito (criança) possa elaborar essas questões de modo a prosseguir no processo de constituição para a idade adulta.

Nesta pesquisa, o enfoque é a intervenção do Psicólogo na clínica com crianças vítimas de violência e na avaliação psicológica pericial, tema tratado a seguir, no segundo capítulo.

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2 VISÃO CLÍNICA DO PSICÓLOGO EM CASOS DE VIOLÊNCIA NA INFÂNCIA

Na psicologia, existem várias correntes pelas quais se pode avançar no intuito de falar sobre como o Psicólogo pode intervir em caso de violência contra a criança. Esses casos acabam chegando de uma forma não anunciada, mas por outros motivos, podendo ser pela escola, pelos pais ou até mesmo pelas autoridades. Pode até que venham pela queixa de comportamentos inadequados, alertando quem convive com a criança e percebe, por exemplo, a agressividade ou o excesso de timidez como forma de se defender deste sofrimento.

A psicanálise traz leituras que remetem a entender em que tempo essa criança está passando no seu desenvolvimento psíquico, pois, por exemplo, em casos de abuso, a criança pode estar trazendo em sessão fantasias relacionadas ao tempo de Édipo, e que, portanto, fazem parte dessa fase infantil.

Em extensão sempre crescente, o complexo de Édipo revela sua importância como fenômeno central do período sexual da primeira infância [...] Embora a maioria dos seres humanos passe pelo complexo de Édipo como uma experiência individual, ele constitui um fenômeno que é determinado e estabelecido pela hereditariedade e que esta fadado a findar de acordo com o programa, o instalar-se a fase seguinte preordenada de desenvolvimento (FREUD, 1923-1925, p. 195).

Segundo Nasio (2007), o Édipo é uma experiência em que a criança vive inconscientemente um desejo sexual incontrolável. Ela precisa ajustar esse impulso que acontece em seu corpo de forma que a consciência possa ordenar a cessar de sentir seus pais como objeto de desejo. Esses acontecimentos acontecem inconscientemente, portanto, ficam recalcados.

Freud (1924, p. 176) diz:

O complexo de Édipo ofereceu à criança duas possibilidades de satisfação, uma ativa e outra passiva. Ela poderia colocar-se no lugar de seu pai, à maneira masculina, e ter relações com a mãe, como tinha o pai, caso em que teria sentido o último como um estorvo; ou poderia querer assumir o lugar de sua mãe e ser amada pelo pai, caso em que a mãe se tornaria supérflua.

Lacan (1956-1957, p. 199) fundamenta sobre os tempos de Édipo dizendo que:

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Primeiro tempo. O que a criança busca, como desejo de desejo é poder satisfazer o desejo da mãe, isto é o objeto de desejo da mãe. Assim, ela introduz sua demanda[...] A partir do momento em que alguma coisa ameaça a se remexer em seu baixo ventre, ela começa a mostrá-la à mãe, no intuito de saber se sou capaz de alguma coisa.

No segundo, Lacan (1956-1957) traz como sendo uma fase em que o pai intervém na mãe, privando essa relação. Para o autor,

Segundo tempo. Eu lhe disse que, no plano imaginário o pai intervém efetivamente como privador da mãe.[...]é nesse nível que se produz o que faz com que aquilo que retorna na criança seja puro e simplesmente, a lei do pai. (LACAN, 1956-1957, p. 199).

Para finalizar, Lacan (1956-1957, p. 201) explica que “A terceira etapa é tão importante quanto a segunda, pois é dela que depende a saída do Complexo de Édipo.[...] o pai intervém como real e é potente”.

O abuso sexual infantil, por exemplo, para a psicanálise foi sendo estudado pelo viés de Freud que, inicialmente, analisou algumas de suas pacientes e suas fantasias inconscientes e, de certa forma, observou certa universalidade no que todas falavam. Mais tarde, Freud chamou de Complexo de Édipo, segundo Faiman (2001). Para a autora,

Ele verificou que sentimentos de enamoramento relacionados a um dos genitores e impulsos hostis, derivado do ciúme, direcionados ao outro genitor são presentes em todas as pessoas e fazem parte do desenvolvimento psicológico normal, embora geralmente não se tenha consciência disso. (FAIMAN, 2001, p. 19).

Ou seja, para Freud (1924), a infância pode ser a etapa da vida da criança em desenvolvimento em que ela relaciona desejos incestuosos e suas proibições para que possa haver um desdobramento dessa sexualidade. Todos os sujeitos atravessam isso na sua singularidade.

Embora a maioria dos seres humanos passe pelo complexo de Édipo como uma experiência individual, ele constitui um fenômeno que é determinado e estabelecido pela hereditariedade e que está fadado de acordo com o programa, o instalar-se a fase seguinte preordenada de desenvolvimento. (FREUD, 1924, p. 195)

Quando o abuso ou violência sexual acontece nesta fase de passagem pelo Édipo, acaba coincidindo com a realização fantasmática inconsciente relativa deste

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momento da criança, e esta violência pode, consequentemente, acabar em um trauma.

Faiman (2001, p. 20) explica a teoria do trauma trazida primeiramente por Freud no seu estudo da histeria:

Para essa teoria, o desenvolvimento da enfermidade era devido à experiência de situações de conotação sexual vividas na infância. Uma cena de sedução, isso é uma situação na qual um adulto buscasse satisfação sexual com a criança não seria imediatamente compreendida pela criança, por causa de sua “imaturidade”, definida, então pelo que se considerava como “ausência de sexualidade”. Assim, a cena permaneceria como um “cisto mnêmico”, um traço de memória ao qual não é possível atribuir um sentido e integrar na cadeia de representações.

Porém, a partir desta teoria, não se pode generalizar que todos os pais são perversos e abusam de seus filhos ou que todas as crianças são abusadas na infância.

Faiman (2001) ainda refere que muito que se fala em análise é conteúdo inconsciente, portanto, fantasias que não acontecem na realidade.

No inconsciente não há distinção entre verdade e fantasia catexizada como afeto. Isso é, de que as lembranças ativas no insciente, relatadas na análise, dizem respeito a uma realidade psíquica que não confere necessariamente com a realidade concreta e de que a fantasia pode ter o mesmo valor traumático que se atribui a realidade concretas (FAIMAN, 2001, p. 21)

A expressão abuso sexual infantil faz refletir sobre a gravidade que é esse ato, mas, para que se efetue concretamente um abuso, deve-se ter uma relação de poder entre o abusado e o abusador. Por exemplo, quando o abusador utiliza de chantagens e ameaças para que a vítima faça o que ele deseja. Segundo Faiman (2001) o primeiro, criado sob pressão, converte-se em ato, e o segundo, que se contrapõe a ele, silencia.

O abuso sexual supõe uma disfunção em três níveis: o poder exercido pelo grande (forte) sobre o pequeno (fraco); a confiança que o pequeno (dependente) tem no grande (protetor); e o uso delinquente da sexualidade, ou seja, o atentado ao direito que todo indivíduo tem de propriedade sobre seu corpo (GABEL, 1997, p.10).

No que se refere à intervenção de um psicólogo em uma situação de violência, pode-se pensar no brincar como uma ferramenta em que a criança possa, brincando, encenar o que está passando inconsciente e conscientemente.

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Freud (1974, p. 135) já dizia que:

Apesar de toda a emoção com que a criança catexiza seu mundo de brinquedo, ela o distingue perfeitamente da realidade, e gosta de ligar seus objetos e situações imaginados às coisas visíveis e tangíveis do mundo real.

Para a psicanálise, o brincar é a forma que a criança encontra de expressar seus sentimentos e seus medos; é um momento que a criança fala e se comunica.

Conforme Klein (1952, p. 398),

Ao interpretar não apenas as palavras das crianças mas também suas atividades com seus brinquedos, apliquei este princípio básico à mente da criança, cujo brincar e atividades variadas – na verdade, todo o seu comportamento – soa meios de expressar o que o adulto expressa predominantemente através de palavras.

Outro importante autor que contribui para entender o brincar como forma terapêutica é Winnicot (1968, p. 63), que caracteriza como “uma forma de comunicação na psicoterapia; finalmente, a psicanálise foi desenvolvida como forma altamente especializada do brincar, a serviço da comunicação consigo mesmo e com os outros”.

Na terapia com crianças, Winnicot (1968) diz que o psicólogo ou terapeuta precisa se colocar junto no brincar. Para o autor, é com isso que o psicólogo clínico trabalha nessa relação com a criança frente ao outro, se comunicando e se expressando nas brincadeiras.

A psicoterapia se efetua na sobreposição de duas áreas do brincar, a do paciente e a do terapeuta. A psicoterapia trata de duas pessoas que brincam juntas. Em conseqüência, onde o brincar não é possível, o trabalho efetuado pelo terapeuta é dirigido então no sentido de trazer o paciente de um estado em que não é capaz de brincar para um estado em que o é. (WINNICOTT, 1968, p. 59).

Ainda, segundo o autor, o brincar é a maneira da criança lidar com sua realidade:

O brinquedo é, primariamente, uma atividade criativa (tal como o sonho) desempenhada em termos do real e em condições nas quais a criança tem confiança em alguém. Através do brinquedo, a criança lida criativamente com a realidade externa.(WINNICOTT, 1971-1975, p. 50).

Tanto para Freud quanto para Winnicot, o brincar é uma forma da criança lidar com suas angústias, ideias e impulsos.

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Para a psicanálise, a criança, assim como o adulto, tem que estar em transferência com o analista, portanto, é só na interpretação via transferencial que o profissional pode concluir algum tipo de violência sofrida pela criança, podendo, assim, diferenciar o real da fantasia infantil. Contudo, Winnicott (1958) já dizia que esta interpretação levará um tempo que é do sujeito:

Acho que o mais cedo possível é o melhor momento para uma interpretação, quero dizer o momento mais cedo em que o material torne claro o que interpretar. Contudo, sou econômico em minha interpretação e se não estou certo do que interpretar não hesito em esperar por algum tempo. Ao fazê-lo me vejo envolvido em uma fase introdutória ou preparatória, brincando, construindo com a criança ou simplesmente sendo anulado, desperdiçado. Estaria preocupado, contudo, com uma coisa apenas, a procura do indício que torne possível a interpretação que seja apropriada para aquele momento, a interpretação que promova uma mudança de ênfase na transferência inconsciente. (WINNICOTT, 1958, p.112).

De acordo com Freud (1914), o brincar é um material trazido pela criança como forma mais confiável, pois está livre de distorções e elaborações anexadas ao longo da vida. Como o brincar é um momento subjetivo, Winnicot (1971-1975) destaca, de forma comparativa, a fantasia, o sonho e a realidade, dizendo que o brincar seria uma forma consciente da criança mostrar com os objetos reais acontecimentos imaginários. Porém, segundo Malgarim e Benetti (2010), uma situação traumática de violência pode encontrar terreno fértil quando acontece em um sujeito frágil e incapaz como a criança, que estão presentes os seguintes aspectos: de ordem cognitiva, afetiva e de relação. No caso de uma violência extrema, como a do abuso infantil, essa memória traumática está relacionada às fantasias sexuais agressivas desse período de desenvolvimento e, quanto mais precoce acontece, mais sintomática será a resposta do sujeito em função da incapacidade do ego lidar e organizar essa experiência.

Faiman (2001) complementa, dizendo que em todo sujeito existe uma fantasia erótica de cunho sexual voltada ao genitor oposto, sejam eles agressivos ou sexuais, retornando para a criança como uma experiência estranha não prazerosa e causando sofrimento. Essa perspectiva da psicanálise é um das formas que se pode trabalhar toda violência infantil acolhida em tratamento, porém, quando isso não está explícito por seus responsáveis, e, tendo certeza que algo dessa ordem está acontecendo com a criança, o psicólogo clínico tem o dever ético de anunciar a família da vítima para que ingresse com uma denúncia a partir de suas suspeitas ou

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comprovações. Isso acontecerá no Conselho Tutelar e na Vara da Infância e Adolescência e, ainda, segundo o Conselho Federal de Psicologia, caso isso não ocorra, pode se instaurar uma denúncia ao Ministério Público contra o profissional caso se omita.

Neste primeiro momento do segundo capítulo passa-se brevemente pela visão clínica da psicologia frente à criança e suas fantasias, que podem ter acontecido no real ou não.

O seguir, se faz uma breve reflexão sobre o psicólogo na avaliação pericial, em casos de suspeita de violência na infância, uma técnica vinculada ao jurídico e que a Psicologia também tem espaço.

2.1 Atuação do psicólogo em avaliação pericial

Outra forma do psicólogo intervir em qualquer tipo de violência infantil é a partir de testes psicológicos, que, por exemplo, são pedidos como forma de avaliação psicológica da criança que, muitas vezes, suspeita de algum tipo de negligência.

Segundo Arboit (2015, p. 18):

A perícia psicológica abrange a entrevista, a seleção, aplicação e o levantamento de testes psicológicos, além de contemplar fatos da vida referentes ao passado e ao presente do sujeito e do episódio ocorrido, de acordo com as necessidades e questões levantadas em cada processo. Exige do psicólogo, portanto, a capacidade de integrar as informações obtidas a partir de diferentes fontes durante o processo pericial em um relatório coerente e consistente, também chamado de laudo psicológico. Convém ressaltar que os instrumentos empregados pelo psicólogo devem obedecer à determinação do órgão máximo profissional, o Conselho Federal de Psicologia.

Porém, quando o profissional de psicologia precisa fazer a perícia e avaliar, é preciso ter em mente que o objetivo não é a intervenção terapêutica como um tratamento clínico, por via psicanalítica, pois se é convocado para a perícia é para apresentar parecer psicológico da suposta vítima, de forma mais objetiva e focada.

A avaliação psicológica é um exame que investiga características do comportamento. Segundo Alchieri e Cruz (2003, p. 24):

De uma forma ou outra, a avaliação de fenômenos e processos psicológico e a investigação de características dos padrões de características dos padrões comportamentais humanos, encontra-se respaldada nos

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pressuposto derivados da medidas. Medir apresenta-se como um correlato de identificação e caracterização de um determinado fenômeno psicológico.

Para Junior Silva (2006), mesmo não tendo um objetivo terapêutico neste momento de avaliação à vítima, proporciona-se um ambiente mais tranquilo e neutro para que possa ser ouvida ao relatar o que aconteceu.

A palavra perícia vem do latim (peritia), que significa destreza, habilidade. Na área judicial essa perícia é vista como uma prova diferente de outras realizadas por outras áreas especializadas.

Conforme Rovinski (2007), essas provas permitem serem anexadas aos autos dos processos e, na maioria dos casos, o juiz desconhece por se tratar de uma área que ultrapassa seu conhecimento técnico - jurídico.

O objetivo desta avaliação forense, em grande parte, vai ao encontro a um foco de forma mais restrita e de natureza não clínica que vai ser direcionado pelo sistema legal. Rovinski (2007, p. 41) complementa:

O objetivo final da avaliação será, sempre através da compreensão psicológica do caso, responder a uma questão legal expressa pelo juiz ou por outro agente jurídico. Pode-se dizer que alguns aspectos clínicos-como diagnostico ou necessidade de tratar as aspectos clínicos fiquem em segundo plano, em relação a outros aspectos.

Quando a perícia precisa ser feita em uma criança, o psicólogo precisa de uma estratégia de avaliação psicológica. Essa estratégia, segundo Cunha (2000), é um recurso que está à disposição do profissional de psicologia no processo de avaliação. A estratégia de avaliação se refere ao enfoque teórico adotado pelo psicólogo. Ainda, segundo Cunha (2000, p. 185),

Os psicólogos tendem a utilizar os mesmos métodos de investigação que são utilizados na clinica, como entrevistas, testes, recuperação de dados protocolos e informações de familiares e terceiros. Porém, a natureza especifica desta avaliação obriga-os a uma adaptação das informações às questões formuladas, valorizando de modo diferenciado as estratégias para obtenção dos dados de forma a estabelecer uma maior confiabilidade dos mesmos.

A entrevista é o primeiro contato que a possível vítima irá ter com o psicólogo perito, e isso não se difere da entrevista clínica, segundo Tavares (2000, p. 45):

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A investigação possibilita alcançar os objetivos primordiais da entrevista, que são descrever e avaliar, o que pressupõe o levantamento de informações, a partir das quais se torna possível relacionar eventos e experiências, fazer interferências, estabelecer conclusões e tomar decisões. Porém, precisa de uma adaptação a um contexto específico, tendo características especificas. Segundo Tavares (2000, p. 45)

Em psicologia, a entrevista é um conjunto de técnicas de investigação, de tempo delimitado, que utiliza conhecimentos psicológicos, em uma relação profissional, com o objetivo de descrever a avaliar aspectos pessoais, relacionais ou sistêmicos( individuo, casal, família, rede social), em um processo que visa a fazer recomendações, encaminhamentos, ou propor algum tipo de intervenção em beneficio das pessoas entrevistadas.

Ou seja, a entrevista é fundamental para o psicólogo tanto clinico quanto perito, pois, com isso, é possível podemos identificar e relacionar com experiências de violência, por exemplo. É nela também que, de certa forma, se pode coletar dados sobre essa pessoa, porém não se pode ficar restritos a isso, segundo Cunha (2000, p. 187):

A coleta de dados deve ser orientada de forma a cobrir os quesitos formulados, mas sem se restringir estritamente a eles , evitando a distorção metodológica e a incapacidade de responder a novos quesitos relacionados ao caso ou a detalhes mais específicos.

Neste momento, pode acontecer do perito se defrontar com tentativas de simulação e dissimulação. No caso de violência contra uma criança, o perito deverá entrevistar a vítima e o suposto agressor, e, nesta entrevista, analisar uma variedade de informações que vai muito além da verbalização.

Rovinski (2007, p. 78) alerta que:

É possível que se observe e avalie além da verbalização. Por exemplo, uma pessoa pode relatar uma situação que considera extremamente estressante, todavia sua voz e postura mostram-se relaxadas durante o relato. Essas discrepâncias, que seriam impossíveis de serem detectadas em instrumentos padronizados (como questionário), podem oferecer mais informações do que conteúdo.

Ainda sobre a entrevista, deve-se planejar de forma que minimize o impacto coercivo da ocasião. Rovinski (2007) sugere que as entrevistas sejam conduzidas em um ambiente neutro e tranquilo e que o entrevistado não esteja acometido fisicamente por medicamentos; perguntar qual a razão de estar ali, convocando a

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discussão com o mesmo sobre suas possíveis dúvidas, de forma que possa ajudar a criar um vínculo e motivar o mesmo a falar na entrevista.

Nos casos de abuso sexual de crianças, se avalia e a credibilidade do testemunho da criança, pois se tem uma grande repercussão desses casos na mídia, fazendo com que a credibilidade desses profissionais fiquem cada vez mais exposta.

Para Rovinski (2007, p. 135),

Com o elevado numero de casos de abuso sexual de crianças, tem – se criado uma nova demanda aos profissionais da área da psicologia, que são requisitados tanto para avaliação dos casos quanto a intervir de forma terapêutica. Preocupados com tais problemas os psicólogos tem buscado maior preparo técnico, sempre com o objetivo de compreender melhor as repercussões desse tipo de trauma.

Porém, segundo Rovinski (2007), há pouca literatura sobre a formação desses profissionais em relação à análise de credibilidade das declarações das vítimas, estando o trabalho de avaliação voltado à análise das repercussões psíquicas da violência a partir do relato de abuso.

Diz que as avaliações sobre a credibilidade do testemunho de criança tem sido feitas, na maior parte das vezes, a partir de uma abordagem da psicologia clínica, com enfoque a presença ou ausência de sintomas que são esperados nas vítima, em decorrência da vivencia desse tipo especifico de trauma. (ROVINSKI, 2007, p. 136).

Uma segunda dimensão bastante conflituosa é o sigilo total. Nesse aspecto, segundo Meloy (1991, p. 49), é importante salientar:

A experiência tem demonstrado que essa característica, geralmente, traz maior conflito ao próprio psicólogo, que foi reinado para a função terapêutica. Cabe ao perito, em primeiro lugar, fundamentar-se na legislação eminente ao seu código de ética. Depois deve avaliar as características particulares do caso e, no início do processo de avaliação, discutir em detalhes dimensão distintiva da confiabilidade.

O sigilo é conflitante para o psicólogo, tendo em vista que sua maior atribuição é justamente falar, conversar, colocar a família a par da situação. No entanto, no papel de perito, deverá zelar pelo sigilo total do caso até para se resguardar da mídia e de outras pessoas que, porventura, possam denegrir sua imagem.

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Sobre a avaliação nesse processo, Cunha (2000, p. 19) destaca que:

Atualmente o psicólogo utiliza estratégias de avaliação psicológica, com objetivo bem definidos, para encontrar respostas a questões propostas com vistas a solução de problemas. A testagem pode ser um passo importante do processo, mas constitui apenas um dos recursos de avaliação possíveis. De acordo com Rovinski (2007), tanto os pais quanto a criança vitima devem ser entrevistados em um setting natural, ultrapassando os próprios conceitos psicológicos, atingindo também o contexto social com os recursos da família extensiva e da própria comunidade.

Outro ponto que o profissional deve estar atento, segundo a autora, é avaliar a credibilidade do testemunho da criança. Nesse sentido, a autora refere que vem observando que a mídia tem oferecido um certo espaço para notícias de violência e abuso em crianças, e as denúncias ocupam lugar de destaque sempre expondo e enfatizando a importância de se tornar público o que então era mantido em segredo (ROVINSKI, 2007).

Nessa linha, diz a autora, que as avaliações sobre a credibilidade do que a criança está testemunhando tem sido feita também pela via clínica da psicologia.

As avaliações sobre credibilidade do testemunho de criança tem sido feitas, na maior parte delas, a partir de uma abordagem da psicologia clínica, com enfoque na presença ou ausência de sintomas que são esperados nas vítimas, em decorrência da vivencia desse tipo especifico de trauma. (ROVINSKI, 2007, p. 136).

Na experiência da autora sobre o processo avaliativo em casos de violência ou abuso, o que pode ser complexo é que, em se tratando desses casos, a criança pode estar vinculada a um vínculo de lealdade a esse agressor. Rovinski (2007, p. 136) comenta:

Situações de vínculo de lealdade com determinado progenitor; ameaças e repercussão da denúncia quanto a prejuízo causados ao agressor e a família (recursos financeiros, prisão, ruptura familiar) são alguns dos fatores que podem trazer dúvidas quanto ao relato da vítima.

Outra dificuldade, na avaliação da entrevista com a criança, é que ela já tenha recebido muitas interferências por já ter contato várias vezes o mesmo fato, fazendo com que se contamine esse relato.

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À criança a partir de informações recebidas, de modo intencional ou não intencional, passa a apresentar recordações de fatos que podem não ter ocorrido na realidade (ou não da aquela forma como recorda), apesar de considerar essas lembranças como reais. (ROVINSKI, 2007, p. 138).

No momento da avaliação com crianças, é possível usar a entrevista estruturada como ferramenta. Esse processo ajuda a explorar com a criança o evento traumático e maior número de informações e de possíveis influências sobre a criança.

Para Gomes (2001), é importante salientar que essa entrevista deve se iniciar com perguntas abertas, de forma que a criança seja convidada a falar sobre o ocorrido.

Rovinski (2007) salienta a importância de lembrar a criança de que o entrevistador desconhece os fatos que devem ser narrados e que precisa ser informado de todos os detalhes. Após, esse trabalho de avaliação pericial que o psicólogo realiza, é preciso emitir um laudo psicológico pericial que, conforme Rovinski (2007, p. 132),

[...] deve descrever todos os dados levantados e relacioná-los com a questão da competência parental, finalizando com sugestões quanto à matéria legal que deu origem ao pedido de avaliação. Em alguns casos, pode-se chegar à conclusão de que a criança não estará segura com nenhum dos seus progenitores, sendo necessário colocar junto às sugestões a falta de condições dos pais para o cuidado com a criança.

O laudo é um documento oficial que o psicólogo emite para o jurídico. Para Rovinski (2007), é importante saber que essa intervenção pericial de um psicólogo por vezes convocará para o mesmo reger esse documento que tem limites éticos regulados pelo Código de Ética Profissional de Psicologia (2005), em seu art. 1º. “Art. 1º. São deveres fundamentais do psicólogo: [...]; b) assumir responsabilidade profissional somente por atividades para as quais esteja capacitado pessoal, teórica e tecnicamente.”

Quando uma perícia psicológica é finalizada, o psicólogo é convocado a elaborar um laudo sobre a conclusão da perícia. De acordo com Cunha (2000, p. 190),

O laudo faz parte dos documentos oficiais que tiveram sua origem na área medica. É todo relatório regido posteriormente a uma perícia e exige sempre consulta a tratados e obras especializadas sobre o tema em questão. Uma adaptação prática psicológica.

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Existe um modelo de laudo oferecido pelo Conselho Federal de Ética de Psicologia. Mesmo assim, segundo Rovinski (2007, p. 65),

Deve-se ter cuidado de não torná-lo inflexível e mecanicista, como um modelo ideal, pois, desta forma ao invés de auxiliar na formação de novos peritos, estar-se-ia reforçando atitudes defensivas que resultariam em uma futura produção estereotipada de laudos.

Outro importante ponto sobre o laudo, conforme Cunha (2000), é a atenção em considerar o próprio periciado e os sujeitos que sofrerão diretamente com os resultados dessa ação, por exemplo, a família. Por isso, todo dever deve ser pautado no dever ético e nas suas responsabilidades. Sendo assim, é importante finalizar destacando as palavras de Rovinski (2007, p. 158): “Assim, é tarefa do psicólogo perito acrescentar aos autos do processo conhecimentos que o juiz ou tribunal não possuem, para que estes possam alcançar a verdade e impor uma sentença mais justa”. Ou seja, o psicólogo, em qualquer âmbito, deve se responsabilizar por tudo que emite e exerce, pois “Toda a prática da psicologia deve ser baseada em princípios éticos. A realização da perícia psicológica exige, igualmente, o respeito a estes princípios, de modo que a atividade em questão traga apenas benefícios aos seus usuários” (2007, p. 47).

Todo o trabalho que o psicólogo perito exerce, tanto de entrevista, avaliação pericial e construção de um laudo, é complexo e delicado, por isso, deve ser revisados todos os conhecimentos clínicos aprendidos no decorrer da formação e adaptá-los para o meio jurídico, focando, principalmente, nas consequências que esse laudo pode emergir na vida dessa vítima.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta pesquisa buscou compreender como a violência na infância vem sendo acolhida na cultura dos dias atuais, bem como a atuação do psicólogo frente a isso na clínica e na avaliação pericial.

Como se pode verificar, a infância, no percurso da história, foi sendo um período de pouco afeto e proteção. Com o decorrer do tempo isso foi mudando, e passando, então, a receber proteção. Para tal, foram criadas leis, visando à proteção de crianças e adolescentes tão desprotegidos.

Com a Psicologia, as crianças, cada vez mais, são atendidas nas clínicas, individualmente, ou atendidas para uma avaliação pericial com o psicólogo. Antes, como já frisado, não se dava atenção ao sofrimento das crianças, porém, agora, se busca averiguar o que, de fato, aconteceu e, a partir disso, tomar as devidas providências para que esta criança receba proteção.

Com a clínica se pode, no brincar, interpretar as manifestações inconscientes que acontecem nesta fase de desenvolvimento da vida e que não podem ser confundidas com a realidade vivida cotidianamente, em casos de violência.

Diante dessa nova demanda, o psicólogo precisa entender cada vez mais como a cultura acolhe a violência no início da vida, assim como deve pesquisar ainda mais sobre como interpretar tudo isso que vem da criança, tanto na clínica quanto na avaliação pericial. Sendo assim, a psicologia tem muito a contribuir com essas duas situações, preparando novos profissionais a atuarem, atentos, nestes pedidos que, por vezes, podem não ser reais na vida desse pequeno.

Pode-se perceber que, ao final deste trabalho, a psicologia tem um grande compromisso com a vida psíquica desse sujeito em desenvolvimento, sendo que, mesmo trabalhando restritamente na clínica, se pode deparar com uma demanda diferente, como a da avaliação pericial, por isso é importante preparar o acadêmico a responder de um lugar mais objetivo e com menos tempo de observação. Portanto, não existe uma prática de psicologia restrita. Mesmo em uma avaliação pericial se utiliza também de meios clínicos para se entrevistar uma criança, e, mesmo estando em trabalho clínico, esse profissional pode ser chamado a fazer uma avaliação sobre alguma denúncia ou suspeita. Porém, os dois campos de conhecimento precisam, sempre, buscar e novos conhecimentos para saber como trabalhar com essas situações.

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Resta saber se os profissionais estão realmente preparados para enfrentar tantos casos de negligência, abuso sexual, violência física e psíquica, que acometem muitas crianças, e, se caso isso não se defina, como se pode contornar de forma mais compreensível para toda a sociedade.

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