PARA
O
DOUTORADO
EM
MEDICINA.
f
APRESENTADA
A
FACULDADE
DE MEDICINA
DA
BAHIA
E
PERANTE
ELLAPUBLICAMENTE SUSTENTADA
EM
NOYEMBRO DE
1870
NATURALD'ESTAPROVÍNCIA,
EX-INTERNO DE CLINICA EXTERNA
SeuleIareunion delamedicineaveclachirurgiefait
le parfaitmédecin. Celuiqui serait privô de la
con-naissance de l'une de ces branchés ressembleruil à
1'oiseau quimanquèraitd'uneaile.
íliilroth—citandooÂyur—Veda de Swrulas.)
BAHÍA
FACULDADE
DE
MEDICINA
DA
BAHIA.
DIRECTOR
O
JEoc. moSm-, Conselheira
Mir.Jíaão RaplisttitiosAnjos»
0 Ex.raoSnr. Conselheiro Dr. Vicente Ferreira de Magalhães.
OSSRS.DOUTORES l.*ANNO. MATÉRIASQCB LECCIONAM
Com.Vicente Ferreirade Magalhães. {
P
Í^JgATiffl^
Bto
"
,è*™ SUaS FranciscoRodriguesda" Silva ChimicaeMineralogia.AdrianoAlvesdeLimaGordilho . . . Anatomiadescripliva.
ANISO.
Antoniode Cerqueira Pinto
...
Chimicaorgânica.JeronymoSodré Pereira.
...
. Physiologia.Antonio Marianodoliomíim BotânicaeZoologia.
AdrianoAlvesdeLimaGordilho. . . . RepetiçãodeAnatomiadcsçripliva»
5.«ANNO.
Cons.EliasJoséPedroza Anatomiageralepathologica. JosédeGóesSequeira Patliologia geral.
Jeronyuio Sodré Pereira , Physiologia.
A.' ANNO:
Cons.ManoelLadislãoAranhaDantas. . Patliologiaexterna.
Pathologia interna. ConselheiroMathias MoreiraSampaio j
Parl
?s»moléstiasde mulheres pejadasedemeninos 8.«ANNO.
Continuação dePathologia Interna.
JoséAntonio deFreitas ; j
Anatomia^topographica, Medicinaoperatória,e
Matéria medica,etberapeulica.
C*ANNO,
Pharmacia.
Salustiano FerreiraSouto Medicinalegal.
DomingosRodriguesSeixas Hygiene,eHistoriada Medicina.
Clinicaexternado3.*e4.° anuo.
AntonioJanuáriodeFaria Clinicainternado5."e6.* anno.
Rozenrto Aprígio PereiraGuimarães.
Ignacio JosedaCunha I
.Pe IroRibeiro deAraujo )Secção Accessoria.
José Ignaciode Barros Pimentel. . .\
VirgilioClymaco Damazio )
JosàAfTonso ParaizodeMoura. . . .\
Augusto Gonçalves Martins j
DomingosCarlosdaSilva > Secção Cirúrgica.
DemétrioCyriacoTourinho "\
Luiz Alvares dos Santos f
> SecçãoMedica.
O
Hr»Dr.Cincimiato PintodaSilra.©ímotaild& saiBiauiiiaiiii
O
Sr.Dr.Thomaz dMquino
«aspar.A
M
B
KE
O
P.
IA
AOS
MANES
DE
MEUS
INNOGENTFS IRMÃOS
DO
MMr.
Jíoão
Pedro
da
Cunha
Valle,
E
DO COLLEGA
L
1CH7S
E
IRMÃS.
AOS
ILLUSTRISSIMOS
SENHORES
Dr. Joviniano Reginaldo Alvim.
Dr. Francisco Joaquim Ferreira Nina.
Dr. Pedro Ribeiro d'Àlmeida Santos.
Eterno reconhecimento.
AO
ILLUSTRISSIMQSENHOR
CAPITÃOFrancisco
José
Pereira
de
Carvalho
Muita gratidão.
AO
MED
ESPECIALAMIGO
O
DR.
JOSÉ
BENÍCIO
D'ABREU.
Á
TODOS
QUE
ME
HONRÃO COM A SUA
AMIZADE-Retribuição,
Á
ILUSTRADA
CONGREGAÇÃO
DA
FACULDADE
DE
MEDICINADA
BAHIA,AOS
REVERENDÍSSIMOS
senhores
Respeito e am(sade.
PARTICULARMENTE AOS SENHORES
Bx.
3oôo
íiomxúo
€>omt$.
2h\
fvanásto
Hoinigucs
€art>o$o.
Br. Satgro
í>'<Dltoctra
IPtas.
CONSIDERAÇÕES
CIRÚRGICAS
SORRE
A
REGIÃO
AXILLAR.
DISSERTAÇÃO.
L'aisselle est la region' Ia pias
Impor-tantedu membre superieur.
(velpeau.)
REGIÃO
axillartem
a forma deuma
pyramidequadran-gular, cuja base concava é a cavidade daaxillae cujas pa-redes são constituídas para deante pelo grande e
pequeno
peitoral, pelas aponevroses que
cobrem
e tegumentosque
revestem estes músculos; para traz pelo grande dorsal egrande redondo, subscapular e bordo externo do omoplata parafora pela extremidadesuperiordohumerus;para dentro
pela parede llioracica coberta pelograndedentado; o vértice
da pyramide é truncado e constituído pelo espaço limitado entre aclavícula, a primeira costella, e o bordosuperior do omoplata; é pelo vértice que passão os nervos e vasos
axillares.
A
profundidade da cavidade da axilla varia conforme aposição, que se dá ao braço; é maior nos indivíduos magros; levando o dedo ao seu fundo sente-se atravez da pelle os ganglios lympbaticos, a cabeça do bumerus, o plexus braccbial e os batimentos da artéria,
que
Superposição
dos
pianos.
Fazendo a dissecção da região ençontra-se de fora para dentro: l.o a
pelle
—
delicada, coberta de pellos,extremamente
sensivel e encerrando grande quantidade de glândulas sudoríparas de 0^,001 á0,002 de diâmetro que fornecemuma
secreção acremais oumenos
abundante. Graças á suafinura e delicadesa é a pelle da axilla própria para a absorpção de
subs-tancias medicamentosas;
também
émui
sujeita á inflammação e sede de predilecção do eczema.Ao
nivel da cavidade axillar se encontrauma
de-pressão da pelle,que não édevida,como
outrora se acreditou á pressãoathmospherica,
porém depende
da inserçãod'uma
aponevrose no pontoem
que a pelle se apresenta deprimida. 2.o acamada
cellulosasub-cu-tanea
—
mui
pouco espessa. S.oa aponevrose—
formada pela reunião das aponevroses do grande epequeno
peitoral, continua-se para foracom
a aponevrosebracchial, para traz se estende sobre o grande dorsal; d'estemusculo
muitas vezes parteum
feixe,que perdendo-se na aponevrosevem
ser o seu tensor. 4.o tecido cellulo-adiposo: abaixo da aponevrose se en contra
uma
massa
mui
abundantede tecidocellular e adiposo,que enche
toda a axilla e fornece muitos prolongamentos notáveis:
um,
para cima, que cercaosvasos axillares e o plexus bracchial, ecommunica
o tecidocellulardopescoço
com
odomediastinoe o da axilla; outro para dentro,que
se estende por baixo do grande peitoral até as inserções esternaesd'este musculo:na opinião do Sr. Blandino tecidocellularprofundoainda
communica
com
o tecidocellular sub-pleural pelasaberturasque osramos
dos nervos intercostaes atravessão. 5.o abaixoe
em
torno do tecidocel-lular profundo se achãoos músculos da axilla, que dão á região a forma pyramidal: estes músculossão: na parede anterior o grande e o
pequeno
peitoral: o grande peitoral vae-se inserir por
um
fortetendãono lábioan-terior da corrediçabicipital;o pequenopeitoral
tem
a forma deum
trian-gulo, cujo vértice se acha na apophysecoracoide ecuja base correspondeáscostellas: occupa a parte
media
da paredeanterior da axilla, demodo
que fica
um
espaço vazio entre este musculo e a claviculad'um
lado e d'outroladoentre omesmo
musculo e obordo inferior do grande peitoral,sendoqueeste ultimo forma a
camada
muscularpor sisó,tanto para cima,an-tcrior: esta aponevrose nasceda clavícula, desce para o
pequeno
peitoral e envolveestemusculo
dividindo-seem
duasfachas; depois se reconstitueno
bordo inferiôr domesmo
musculo
para ir se fixar definitivamente na aponevrose, quevem
do grande peitoral e na pelle da cavidade axillar.Para fora esta lamina aponevrotica,
chamada
porGerdy
ligamentosus-pensôr.da axilla, se confunde
com
a aponevrose de envolucro do coraco-humeral: é ella que causa a depressãoda pelleda cavidade axillar.Na
parede posteriordaaxilla se encontrãoos tendõesreunidosdograndedorsal e grande redondo; e maisacima o musculo sub-scapular.
Na
pa-rede externa acha-seacurta porção dobíceps e o coraco-humeral.Na
in-terna ve-se o grande dentado entre cujas digitações passão dous
ramús-culosnervosos oriundos do terceiro e segundoramos
intercostaes eque
são destinados á pelle do braço.
Entreas quatro parêdes de que
hemos
tratado se acha a cavidade daaxilla,cheiade
um
tecido cellularfrouxoe extensível,noqual se encontrãovasos,nervos e ganglios lymphaticos.
A
artéria axillar é o canalarterial principal d'esta região:acompanhada
do plexusbracchial e daveia domesmo
nome
penetranaaxillapelotrian-gulo limitado pela clavícula,omoplata e primeira costella: atravessa a ca-vidade
como
uma
diagonal e depois continuadebaixo donome
denumeral:começa
naclavícula e vae terminarno bordo inferiordo tendão do grandepeitoral; estaartéria occupa oangulo de reunião das parêdes anterior e
externada axilla;
quando
o braço é approximado do tronco ella repousa sobre os espaços intercostaes, affastando-se d'ellesquando
o braço estána abducção.
Acima
do pequeno peitoral a artéria está collocada entre o plexusbrac-chial, que está pira cima epara traz, e a veia axillar que se acha para baixo e
em um
planoum
pouco anterior ao da artéria demodo
que
a cobreem
grande parte.Entre a clavícula e o
pequeno
peitoraldesemboca
a veia cephalicana
axillar e nascea artéria acromio-thoracica.
Por
traz dopequeno
peitoralmudão-se
as relações: a artériaseacha collocada entre osramos
do nervo mediano; ao seu lado interno se achão a veiae os nervos cutâneo interno e cubital; os nervos radial e axillar estão paratraz; para fora se encontrao musculo-cutâneo quedesapparece logo no coraco-humeral.
Abaixo do pequeno peitoral ainda ha outras relações; o feixe vasculo-nervoso se applica de tal
modo
sobre o coraco-humeral que se encontradefora para dentro: l.o onervo mediano, depois o cutâneo interno
epor
tr;iz d'cstes dous nervos a artéria, para a parte posterior da qual se vê collocadoonervo radial; depois da artéria se encontra o nervo cubital e
em
ultimo logar aveia;n'este trajecto a artéria fornece as seguintescol-lateraes: 1.°acima do
pequeno
peitoral a acromio thoracica. 2.o por traz d'este musculo a thoracica longa oumammarea
externa. 3.o abaixo domesmo
musculo a sub-scapulare as duascircurnflexas.A
anomalia,que mais frequentementetem
sido encontrada é a seguinte:a bifurcação da axillar o que coincide
com
a existência de dous canaesarleriaes no braço.
A
veia axillaracompanha
a artéria; recebe vasos,que
correspondem aosramos
do seu vaso satélite;émui
volumosa, adherenteá aponevrose coraco-braechial, submettida por consequência á aspiração determinada pelos
movimentos
de inspiração, pelo que ás vezes por esta veiatem
logar a penetraçãodo ar na torrentecirculatória,Os
nervos da região além do plexus bracchial são quasi todosramos
musculares: para o grande dentado o nervo respiratório externo
—
para o sub-scapular, grande redondo e grande dorsal os nervos sub-scapulares: para o deltóide o nervo circumílexo ou axillar: ha aindaramos
cutâneos dosegundo e terceiro dorsal destinados á pelle do braço.A
axillaapresenta muitosganglios: os mais elevados se continuãocom
os do pescoço. Se osacha no angulo interno e anterior abaixo dos
mús-culos peitoraes. Outros cercão osvasos axillares,
recebem
os lymphaticos domembro
superior, damamma,
da região sterno-costal, dametade
su-perior daregião abdominalanterior e os que
nascem
nascamadas
super-ficiaesdodorso: d'estes ganglios partem vasosque se lanção á direita
na
grandeveiahjmphatica, á esquerda no canal thoracico.Não
temosem
mira estudar minuciosamente as moléstias, quetem
sedena axilla, até por que a p:\thologia cirúrgica da região nada offerece
de particular a não serem as modificações que esta ou aquella moléstia
pode
soílrer da estructuraanatómicada parte.axilla
como
áqualquer outra partedocorpo: ora penetrando a cavidade ecompromettendo
qualquer vaso ou nervo, ora attingindo somente as pa-redes da região; d'ahia divisão das feridas da axillaem
penetrantes ouprofundas enão penetrantes ou superficiaes: d'estas ultimas não fazemos
mensão
especialpor ser simpleso seu tratamento.O
prognostico das feridas penetrantes muito se aggravaquando
ellasse
acompanhâo
de lesão vascular.A
grande espessura das partes molles dá a rasâode serem os vasos axillares raras vezes attingidos porinstru-mentos
cortantesou perfurantes. Ordinariamentea lesãovascularcoincide;com
a existênciadeuma
feridaestreita e anfractuosa, produzida porum
instrumento perfuranteouuma
bala: hatambém
casos de verdadeirasfe-ridas sub-cutaneas, occasionadas por
uma
forte distensãodo braçooupelapicada
d'um
fragmento ósseo.O
Sr.LeroydeCaen
cita o caso d'umaferidaarterial produsidapor
uma
agulha de cozer, que por descuido se intro-dusiranaaxillad'uma
creança dedous annose meio.Quando
halesão vascular o diagnosticoè difficil: muitas vezes não sepoderádiscernirsi foi a axillar ou
um
dos seusramos
o vasocompro-mettido.
Dividimosas feridas daaxilla
em
cincocathegoriasem
relaçãoá pratica e á therapeutica.1.a
A
ferida é larga, e dá logaráuma
hemorrhagiaprimitivamortal, senão houver soccorro immediato.
2.a
A
hemorrhagia paraem
consequência d'uma syncope e não sere-produz mais.
3.a
A
hemorrhagia primitiva émoderada
em
consequência daobliqui-dade da ferida tegumentar ou da fraca extensão daferida arterial.
4>.a Depois
duma
hemorrhagia mais oumenos
abundante a feridaexterna cura-see forma-se
um
aneurisma arterial ou arterio-venoso.5.a
A
artéria émodificadaem uma
certa extensão porum
corpocon-tundente,
uma
bala por exemplo, e só se apresenta a hemorrhagia apósa queda da eschara.
Todas
as vezes que a hemorrhagia é considerável e queaferida externa apresentacerta largura,deve-se ligaro vasolesado: nos casos comprehen-didosna terceira e quinta cathegorias é acceitavel a ligadura temporáriaaté que não se possa- mais contar
com
oemprego
de meios accessorios esejanecessário recorrer á
uma
hemostasia definitiva.di-recta na ferida e o da* ligadura aííastada do tronco vascular.
Em
thesegeral não se pode dizer que
um
d'estesmethodos
excede ao outro; ouépreferível: o operador se decidirá attendendo ao estado da ferida: si for
chamado
pouco depois do ferimento, si a inflammação não alterou mui-to os tecidos, e si suspeita a lesãod'uma
collateralsem
hesitação develigaro vaso na ferida: si pelo contrarioa ferida externaé estreita
ou
estácicatrisada, si formou-se
um
aneurisma falso circumscrito deve preferir a ligadura pelomethodo
de Hunter.As
feridasdasveias sãomui
graves: a ligaduran
estes vasos acompa-nha-se desérios accidentesmais vezesdo que a ligadura das -artérias:em
todo ocaso deve-se reccorrer á ligadura latteral, que conta bellos resul-tados.
Um
dos maioresperigosdas feridas venosas é a entrada doar nasveias o
que
ésobretudo parareceiar por estar a circulaçãovenosana zona da aspiração thoracica.Aneurismas»
Depois da popliteia e'a axillar a artéria mais sujeitaá aneurismas:
po-dem
resultar,como
acabamos
de ver,d'uma
ferida complicada de lesão vascular; as vezesuma
violência contra a espadoarompêo
a axillarsem
causar ferida externa e deu logar ao aneurisma: sirva de
exemplo
uma
queda
sobre a espadoa,uma
pancada, ou ainda esforços para levantar grandes pesos ou para reduziruma
luxação scapulo humeral.O
trata-mento
clássico dosaneurismas da axillar é a ligadura da sub-claveaparafora dos escalenos; quanto aosaneurismas arterio-venosos,que
ordinaria-mente
apresentâo mais inconvenientes do que perigos,pensamos
que a dupla ligadura acima e abaixo desuacommunicação
éuma
operação deêxito duvidoso.
A
compressão indirecta não pode ser facilmente applicadacomo
meio
curativo: entretanto o Sr.Verneuil obteve resultado satisfactoriocompri-mindo
a sub-clavea.As
experiências dos Srs.Benjamin Anger
e FelixGuyon
demonstrãoque
levando o braçonaelevaçãoe abducçâoum
pouco
para traz não se sentem os batementos arteriaes na cubital e radial, do queconcluirão elles que demora-se a circulação na artéria axillar desde que se dáao braço esta posição que aliás seria
um
meio
á porem
practi-ca para acura dos aneurismasd'esta artérialVcsde que a compressão não dá resultado, oque ordinariamente
acon-tece,deve-se ligar ou a sub-clavea
como
já dissemos, oumesmo
aaxillar:tres são os pontos nos quaes se
pode
ligar esta artéria. 1.° no triangulo clavi-peitoral—
2.oimmediatamente
abaixo dopequeno
peitoral—
3.° na cavidade da axilla.No
primeiro casofaz-seuma
incisão parallela áclaví-culado Om, 1 de extensão á partir do bordo anterior do deltóide; corta-seapelle,as fibras do cutâneo, o grande peitoral echega-se á aponevrose
clavi-coraco-axillar:apresenta-se o plexus acromio-thoracico,que d'algum
modo
impede
a pesquisa da artéria; affastado elle, vê-sea artéria coberta pela veia, estando os nervosem
um
plano posterior.A
operação n'esteponto é difficil; confirma-o
Dupuy
tren, que levoumais de quarentami-nutos para fazel-a.
A
ligadura feita abaixo do pequeno peitoral pelo pro-cesso de Désaut, modificado por Delpech, não apresenta vantagens sobrea ligadura na cavidade e é bastantelaboriosa*
Na
cavidade pratica-sea operação domodo
seguinte: affastado o coto-vello dotroncosem
levantal-o acima da horisontal, põe-seobraço na ro-taçãoparafora eprocura-seo bordo do coraco-braccbial;si o individuo cgôrdo ou si a parle está inílammada dividir-se-ha
como
quer Lisfranc,o espaço comprehendidoentre o grande dorsal e o grande peitoralem
trezpartes: far-se-ha
uma
incisão na juneção do terço anteriorcom
o terçomédio, ou
mesmo
um
poucopara diante d'esta linha: o meio da incisãoque deve serlongade0,
06
á0,08emui
superficial, corresponderá aocollocirúrgicodo humerus.
Dividida
com
precaução a pelle e a aponevrose e reconhecido o bordo do coraco-braccbial,caminhando
de diante para traz, isto é, do grande peitoral para o grande dorsal, se encontraá principioum
grosso cordão nervoso—
o nervo mediano, depoisum
outro nervo delgado—
o cubital;entre os dous
em
um
plano mais profundo acha-se a artéria; é necessárioter o cuidado de passar a tenta-canula de traz para diante para não
ofíendera veia.
A
circulação se restabelece pelas anastomoses das artérias da espadoacom
a numeral profunda,quando
se faz a ligadura na cavidadeda axilla;quando
a ligadura foi feita debaixo da clavícula são aos anastomosesdosramos
da snb-claveacom
os da axillar, que seincumbem
de levar vida para omembro
superior,Vhleymtíes
e abcessos»
O
tecido cellular da axilladálogarpor sua inflammação áphlegmões
eabcessos quesão asmoléstiasmaisfrequentes d'estaregião.
Os
phlegmões daaxillatem
sido divididosem
superfieiaes e profundos, segundotem
sede acima oua abaixo da aponevróse.—
Os
superfieiaes sãoura tuberiformes, constituídos porpequenos furúnculos, ora são
tumores
eircumseriptos
mui
dolorosos cobertosporuma
pellevermelhaeinílamma-<£a: são estes os phlegmões cu nappe
—
phlegmões erysipelatosos deYel-peau, que
quando
se terminão p,or abcessosoque
émuitocommum
exigem
a
prompta
intervenção daarte, edevem
ser dilatados cedoe largamente.Os
phlegmõesprofundos,menos
frequentes do que os superfieiaes,são ordinariamente devidosá inílammaçãodos ganglioslymphaticos daregião; as irritações directas a caried'uma
das costellas superiores, da clavículaou da cabeça do humerus, os
movimentos
repetidos e violentos do braço provocão os abcessos profundos da axilla, quetambém
podem
ser causados por operaçõesfeitas nas paredesd'estaregião.
O
diagnosticod'estes phlegmões não é fácil; por vezes se os
tem
confundido jácom
aneurismas, já
com
abcessos superfieiaes doschamados
erysipelatosospelo Sr. Yelpeau; o prognostico é grave,
quando
ellestomão
grande extensão ese propagão as regiões visinhas.O
tratamento consisteem
«lar saída ao pus: a abertura pode serfeita do
modo
seguinte; aífastadoo braço do tronco interra-se o bisturi na base da pyramide axillar debaixo para cima, inclinando a pontado instrumento para othorax;nrestaposiçãooinstrumento forma
uma
linha ligeiramente divergentecom
o feixe vas-fulo-nervoso e não se deve receiar feril-o por maior profundidade,que
se dè á incisão; escuadoopusleva-se o dedo na abertura feitacom
o fim de determinar sua largura, de scientificar-se da extensão dosdescolla-mentos
ereconhecer a integridade das diversas peças do esquellêto,que
se avisinhão da axilla. Aífastão-se os bordos da feridapormeio
d'uma
mecha
de fios, que mais tarde poderá ser substituída porum
ou muitostubos de Chassaignac.
É
claro que antes da operação poder-se-hia usar de cataplasmas emollientes, e depois praticar injecções detersivas eirri-tantes
com
o fim de favorecer a formação de botões carnosos nas pa-redesda soluçãode continuidade.sujei-—
li—
tão ás
mesmas
regrasem
relação ao tratamento.Em
tods o caso é sem-pre conveniente e ás vezes indispensável dar sahida ao pus.Abcessos frios e por congestão
também
se manifestão na axilla; são provenientes da carie das costellas, do omoplata, da extremidadesupe-rior do humerus, e da
columna
vertebral.Ha
abcessos formados porir-rupção para fora de collecções purulentas da pleura ou por
empyemas
que perfurão os espaços intercostaes.
A
infecção purulentatambém
sóo determinar naaxilla a presença de vastas collecções purulentas,queme-recem
todo ocuidado dapartedo cirurgião.Os
tumores da região axillar,quando
não são pblegmões ou aneurismasdependem
ordinariamente de affecções dos ganglios.Os
tumores cancerosos do seio aceompanhão-se quasisempre
de en-gorgitamento dos ganglios axillares,de sorte que aadeniteéuma
compli-cação muito frequente dos esquirrhos damamma.
Outras degenerações que não a cancerosapodem
soffrer osganglios daaxilla;muitas vezes hy-pertrophião-se adquirindoum
enorme
volume; não são frequentes nare-gião ostumores cartilaginosos, e as veias raras veses formão tumores vo-lumosos. Exostoses osteocartilaginosas,
emchondromas,
kistos simples oulrydalicos e lipomas sãotumores, que
também
sepodem
apresentar na.axilla: o seu tratamento cirúrgico consiste na ablação, que deve ser feita
com
cuidado demodo
queas paredesda regiãonão sejãocompromettidas.Em
consequência dos abcessos da axillapodem
se manifestardescoU
lamentos da pelle; muitas vezes estes descollamentos tornão-sefis-tulosos.
As
fistulas na axillapodem também
ser entretidas poruma
mo^
lestia dos ossos visinhos, e entãodependem
da privação do tecidocel-lular que
tem
sido arrastado poruma
suppuração abundante.A
compressão, os desbridamentos extensos e múltiplos, ascauterisa-ções dos tecidos endurecidos são meios empregados
com
vantagem
parafazer desapparecer os trajectos íistulosos.
É
indispensável para fazer-se o diagnostico differencial das moléstias da axillaque
ohomem
da arte tenhaem
vista certas regras praticas; é assimque convém
explorar as artérias do antebraçoedobraço, auscultaros tumores; indagar da motilidade e sensibilidade do
membro
superior,do estado da circulação venosa etc.
A
historia da cirurgia attesta quecirurgiões distinctos
tem
cahidoem
graves erros por esquecerem algu?SECÇÃO
o
MEDICA.
Contagio.
ipa®!P®SE(Bl«g.
I.
—
Contagio c o acto pelo qualuma
moléstia determinada se commu-nicad'um
individuo d'ella aííectado dum
ou muitos indivíduos sãos pormeio d'um
contacto quer mediato, quer immedialo.II.
—
É
de subidaimportânciae de absoluta necessidade o facto docon-tacto para que haja contagio.
III.
—
À
predisposição e oagente contagioso são osdous elementossem
os quaes não se pode dar o contagio.
IV.
—
Não
écondição essencial do contagio a elaboração do principiocontagioso por
um
organismo doente.V.
—
Nem
sempre o principio contagioso éum
virus."VI.
—
As
moléstias parasitarias são essencialmente contagiosas. VII.—
As
moléstias nervosas não são contagiosas.VIII.
—
Uma
moléstia epidemica não é necessariamente contagiosa. IX.—
O
estado liquido não é o normal dos virus.X.
—
São concepçõespuramente
imaginariasas theorias, que admitíe»virus halituosos.
XI.
—
Os
pnncipaes laboratórios onde seproduzem
os virus são aspar-tes
em
que se localisão as manifestações mórbidas.SECÇÃO
oACCESSORIA.
Estudo
chimico
da
urina mórbida.
I.
—
Graças ao descobrimento do microscópio e aos progressosdaclii-mica orgânica a uroscopia tem os foros de sciencia.
II.
—
O
exame
da urina éum
recurso importante para o diagnostico eprognostico de certas moléstias.
III.
—
Diversos sao os estados mórbidos nas quaes a urina pode ser alteradajáem
qualidade jáem
quantidade.IV.
—
As alterações qualitativas da urina sereferem á sua cor, cheiro, aspecto, ásua reacção chimica a áapparição de elementos anormaes.V.
—
As
alterações quantitativasdependem
da maior oumenor
quanti-dade de liquido,que
é secretadaem
um
tempo
dado.VI.
—
Na
chlorose e anemia a urina torna-se alcalina, rica de saes epobre de princípios orgânicos.
VIL—A
urina dos cbloroticos encerra certa quantidade de ferro.VIII.
—
Nas
febres e moléstias inílammatorias a secreção urinaria dimi-nue; a urina é mais corada, mais densa e mais acida.—
16—
IX.
—
A
urina dos diabéticoscontém
assucnr.X.
—
Em
muitas moléstias hepáticas se encontra na urina o pigmentobiliar.
XI.
—
Diversas moléstias e sobretudo anephrite parencbimatosadeter-mino
a presença da albumina na secreção dos rins.XII.
—
O
nitrato de prata é o reagenteempregado
para verificar-se apresença dechloruretos naurina.
*
XIII.
—
Com
o acido nítrico sóou misturado ao acido sulphurico (par-tes eguaes) póde-se reconhecer o pigmento biliar nas urinas.XIV.
—
Os
reactivosempregados
para descobrir a albuminaem
uma
urina suspeita são o calor e o acido nítrico.
XV.
—
Os
reactivos deTrommer
e Mulder são os preferíveis parare-conhecer-se a presença do assucar.
XVI.
—
Quando
a glycosuria está pouco adiantada, oassucarpoderáserSECÇÃO CIRÚRGICA
Lesões
intestinaes eseu
tratamento.
I.
—
As
lesões intestinaes suo as mais das vezes complicações dasfe-ridas penetrantes do
abdómen.
II.
—
De
todas as lesões visceraes, que complicão as feridaspenetran-tes do
abdómen,
são mais constantes as lesões do intestino delgado.III.
—
A
lesão do intestino pode soffrermuitas gradações desde asim-ples picada ate asecção a mais considerável, quer horisontal, quer
longi-tudinal.
IV.
—
O
estômago, o fígado, o baço, os rins e o úteropodem
sercorn-promettidos nas feridas penetrantesdo abdómen.
V.
—
Uma
lesão intestinalpôde ser determinada por ferida penetrante que não se fezdo lado da pelle.YI.
—
]\emsempre
a gravidade da lesão do intestino estáem
relaçãocom
a sua extensão.VII.
—
É
difficil, se não impossível, o diagnostico dos pequenosferimen-tos intestinaes.
—
18—
VIII.
—
O
accidente, que, ás maisdas vezes tornafatalum
ferimentodo
intestino, é a peritonite, occasionada por
derramamento
de sangue ou delíquidos intestinaes.
IX.
—
Quando, ferido o intestino, elle não faz hérnia, não sãoconve-nientes as tentativas de reunião; o repouso do doente, a prescripção de
opiáceos, a suspensão da dieta, taes são os meios de que se deve lançar mão.
X.
—
Os
aperfeiçoamentos de que hoje se ressentem as costurasintesti-naes restringem muito o
emprego
do anus contra a naturezacomo
meio de tratamento nas feridas do intestino.XI.
—
Dos
diversosmethodos
de costurageralmente empregados, oque
manda
pôrem
contactoas sorosas é preferível aos outros.XII.-—
Tem
grandes inconvenientes os processos nos quaes sepõem
em
contacto
membranas
de natureza diversa.XIII.
—
Não
dãohom
resultado osmethodos
nos quaes se fazpreciso o usod'um
corpo estranho para praticar-se a costura.XIV.
—
Nos
ferimentos longitudinaes o processo de Gely, nas divisões circulares o processo de invaginação proposto por Johertdevem
com
HYPPOCRATIS
APHORISMI.
f.
Sanguine multo effuso, convulsio aut siugultus superveniens,
malum,
(Sect. 5.» Aph. 3.o)
Ih
In morbis acutis
extremarum
partium frigus,malum.
(Sect, 7.a Aph* l.o)
IIL
Lassitudines sponte oborto3
morbos
denunciant.(Sect. 2.* Aph. 5.o)
IV.
Gibi, potus, vénus
omnia
moderata sint.(Sect.
la
Aph. 6.°)V.
Somnus,
vigília, utraque,modum
excedentia,malum.
(Sect. Aph. 7.0)
VI.
Ubi
somnus
delirium sedat,bonum.
(Sect. Aph. 2.o)
^bemetâc/a a fêomtnjfíão M^evútoia, £$aAca e @kcu/c/ac/e c/e is/éeditina em
sê e/e ódpoófo c/e /é/o-.
Sd/â con^olme Só/atufo*. &tecu/dcec/e c/e^/êec/tana c/a o$a/ca20 c/e tSt/pcófo
c/e /é?c.
<%r^itima-<íe. &a4ta eêfíacatc/adí c/e *s/6ec/t'ci'na J c/e C/aát/ro c/e/éfo.