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Estudo da variabilidade estatística de ensaios de classificação de solos.

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(1)

A m i n h a m ã e e ã m i n h a e s p o -sa S ó n i a , p o r t u d o e p e l o s a c r i f í c i o a q u e se s u b m e t e ram a fim de c o n c r e t i z a r es^ te t r a b a l h o .

(2)
(3)

ESTUDO DA VARIABILIDADE ESTATÍSTICA DE ENSAIOS DE CLASSIFICAÇÃO DE SOLOS

R e i n a l d o L i n s Marinho

TESE SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DA COORDENAÇÃO DOS PROGRAMAS OE POS-GRADUAÇRO DE ENGENHARIA DO CENTRO DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAlBA COMO PARTE DOS REQUISITOS NE CESSffRIOS PARA A OBTENÇHO DO GRAU DE MESTRE EM CIÊNCIAS (M.Sc.)

APROVADA:

V

PROF. J.G.CABRERA, Ph.D.

PRESIDENTE

•ráOF. JÇSÊ BELTRflO DE CASTRO ^ EXAMINADOR EXTERNO

y PROF. YOSHICHITCA NISHIDA, Ph.D EXAMINADOR INTERNO

CAMPINA GRANDE

ESTADO DA PARAlBA - BRASIL MAIO - 1976

(4)

M . S c . Dissertation

Reinaldo Lins Marinho

ABSTRACT

The study presented in this dissertation

deals with the reproducibility of four soíl classifica tion

t e s t s .

A criticai literature survey on methods of

testing and reproducibility results in other countries is

presented and d i s c u s s e d .

The laboratory study was carried out using

eleven natural s o i l s , three industrially processed soils and

two soils resulting of mixtures of natural and processed s o i l s .

The reproducibility ot the Liquid Limit t e s t ,

Plastic Limit t e s t , Grain Size Distribution analysis and

Specífic Gravity test is presented in terms of repeatability

and reproducibility. The study of repeatability was conducted in

one laboratory with the same equipment and the same operator

while the study of reproducibility was possible with the

cooperation of sixteen laboratories (three laboratories from

Aca demie Institutions, eight laboratories from Federal and State

Highway Authorities and five laboratories from Consultant

Engi nee ri ng Fi rms ) .

A pilot study was also carried out to

investigate the advantajes of the use of the Cone Penetration

method for the determination of the Liquid Limit of fourteen

soils of the sixteen investi gate d.

(5)

results show very clearly that the coefficients of variation

are unacceptably h i g h . It is shown that the reproducibility of

the four tests investigated is so poor that their validity nas

to be questi oned.

A discussion of the methods used is presented

and suggestions to improve the reproducibility of the tests

(6)

Tese de Mestrado

por

Reinaldo Lins Marinho

SUMARIO

O estudo apresentado nesta dissertação trata

da reprodutibilidade de quatro ensaios de classificação de s o

-los.

E" apresentada uma revisão crítica da

litera-t u r a , nos mélitera-todos de ensaio e resullitera-tados de reprodulitera-tibilidade

obtidos em outros p a í s e s .

0 estudo de laboratório foi efetuado

usandose onze solos n a t u r a i s , três solos beneficiados industrial m e n

-te e dois solos resultan-tes de misturas de solos natural e

be-nefi ci a d o .

A reprodutibilidade do ensaio de Limite de

L i q u i d e z , ensaio de Limite de P l a s t i c i d a d e , Analise

Granulome-tri ca e ensaio de Densidade Real é apresentada em termos de

re-petfbi1idade e reprodutibilidade. 0 estudo de repetibi1idade

foi conduzido em um laboratório com o mesmo equipamento e o mes_

mo o p e r a d o r , enquanto o estudo de reprodutibilidade contou com

a cooperação de dezesseis laboratórios (três de U n i v e r s i d a d e s ,

oi to de Organ i zações Rodoviárias Federais e Estaduais e cinco

de Empresas C o n s u l t o r a s ) .

(7)

zesseis i n v e s t i g a d o s .

Analise estatística do estudo de repeti bi 1 i d<^

de mostra que os coeficientes de variação são comparáveis com o u

-tros reportados na l i t e r a t u r a , enquanto os resultados de

repro-dutibilidade mostram muito claramente que os coeficientes de

va-riaçao são extremamente sem a c e i t a ç ã o . Ê mostrado que a

reprodu-tibilidade dos quatro solos pesquisados e tão pobre que sua

va-lidade é contestada.

E apresentada uma discussão dos métodos

usa-dos e são feitas sugestões para melhorar a reprodutibilidade usa-dos

e n s a i o s .

(8)

C A P Í T U L O 2 R E V I S Ã O B I B L I O G R Á F I C A

2.1 Introdução

2.2 A variabilidade de ensaios de classifica

ção

2.3 Determinação do Limite de Liquidez e sua

variabilidade devido

a aparelhagem

2.3.1 Variabilidade do Limite de Liquidez obtj_

do com o aparelho de Casagrande

2.3.2 Medida do Limite de Liquidez com o Cone

de Penetração

C A P Í T U L O

3 OBJETIVO DA PESQUISA

C A P Í T U L O

4 MATERIAIS USADOS NA PESQUISA

CAPÍTULO 5 PREPARAÇÃO DOS MATERIAIS E MÉTODOS DE

ENSAIOS

5.1 Preparação de amostras

5.2 Métodos de Ensaio

5.2.1 Métodos de ensaio nos laboratórios p a r

-ti ci pantes

5.2.2 Métodos de ensaio no laboratório do CCT

5.2.2.1 Ensaio de Limite de Liquidez

5.2.2.2 Ensaio de Limite de Plasticidade

5.2.2.3 Ensaio de Granulometria

5.2.2.4 Ensaio de Densidade Real

1

ANALISE E DISCUSSÃO DA REPETI BILIDADE

DOS ENSAIOS

6.1 Introdução

6.2 Ensaio de Li mi te de Liquidez

6.3 Ensaio de Limite de Plasticidade

6.4 Analise Granulométrica

6.5 Ensaio de Densidade Real

CAPITULO 7 ENSAIO D E LIMITE DE LIQUIDEZ UTILIZANDO

O CONE DE PENETRAÇÃO

3

3

CAPÍTULO 6

8

8

12

18

19

24

24

25

25

26

26

29

31

33

43

43

43

45

46

48

66

(9)

Pagi na

7.1 Introdução 66

7.2 Analise e discussão dos resultados 67

7.3 Repetibi1idade do ensaio de Limite de

Liquidez utilizando o Cone de Penetra

ção . 68

CAPITULO 8 ANALISE

E DISCUSSÃO DA

REPRODUTIBILI-DADE DOS ENSAIOS . 76

8.1 Introdução 76

8.2 E n s a i o d e L i m i t e d e L i q u i d e z 76

8.3 Ensaio de Limite de Plasticidade 78

8.4 A n ã l i s e G r a n u l o m é t r i c a 79

8.5 Ensaio de Densidade Real 80

CAPITULO 9 C O N C L U S Õ E S 94

CAPITULO 10 SUGESTÕES PARA PESQUISAS FUTURAS 98

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS 99

AGRADECIMENTOS 104

APÊNDICE A COPIA DA C A R T A , NOTAS

E X P L A N A T C R I A S

E

CARTARESPOSTA ENVIADAS AS ORGANIZA

-COES 105

APÊNDICE B COPIA DA C A R T A , RECOMENDAÇÕES PARA

EXECUÇÃO DOS ENSAIOS E CARTA-RESPOSTA

ENVIADAS AS ORGANIZAÇÕES QUE CONCORDA

RAM EM PARTICIPAR DO PROGRAMA 110

APÊNDICE C MÉTODO DE DETECÇÃO DE "OUT-LIERS" 114

APÊNDICE D RESULTADOS DA ANALISE GRANULOMÊTRICA 118

APÊNDICE E PROCEDIMENTO PARA DETERMINAÇÃO DO L I

MITE DE LIQUIDEZ COM O CONE DE PENE

-TRAÇÃO 122

APÊNDICE F DEFINIÇÕES DE ALGUNS TERMOS USADOS NES

(10)

CAPITULO 1

I N T R O D U Ç Ã O

Os ensaios de classificação de solos são

lar-gamente empregados quando se quer decidir sobre a adeq uabi 1 i d_a

de de um solo a ser usado como material de construção.Por exem

p i o , propriedades de retenção de umidade são utilizadas na

se-leção de solos para formação de a t e r r o s , propriedades de

com-pactação são relacionadas com as características de plasticid_a

d e , valores de densidade real são empregados como guia para a

compactação num Tndice de vazios e s p e c i f i c a d o .

Os erros na determinação dos valores quantita

tivos dos ensaios de classificação de solos p o d e m , p o r t a n t o ,

resultar na rejeição de materiais satisfatórios o u , o que é*

p i o r , na aceitação de material i n a d e q u a d o . Por exemplo ,ensaios

de classificação de solos que abrangem determinações de distri_

buição granul ometri c a , limite de liquidez e limite de plastici_

dade de um solo são utilizados para a determinação do valor do

índice de Grupo (IG) e este e usado no Brasil para calcular o

Tndice de Suporte Califórnia ou CBR do m a t e r i a l . Erros de graii

de magnitude em qualquer destes parâmetros de classificação,p£

dem levar a projetar estruturas de pavimentos com um grau de

i mp reci são i nace i tá ve 1 .

Embora se saiba que a repetibilidade nos

re-s u l t a d o re-s , dentro de um mere-smo l a b o r a t ó r i o , pore-sre-sa re-ser obtida

(11)

en-tre valores a c e i t á v e i s , a variabilidade de resultados enen-tre la

boratorios diferentes nunca foi examinada no B r a s i l . A impor

tância que e dada aos ensaios de classifi cação torna desejável

não sÕ a analise da extensão destas v a r i a ç õ e s , mas a possibilj_

dade de se usar métodos alternativos de e n s a i o s .

(12)

CAPITULO 2

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 - Introdução

A revi são bibliográfica apresentada neste ca

p T t u l o , analisa dois aspectos relacionados com a metodologia

de alguns ensaios de classificação de solos:

19 A variabilidade de resultados de e n s a i

-os de l a b o r a t ó r i o , que abrange aspect-os

de repetibi1idade e reprodutibi1idade

dos resultados quantitativos de densidji

de r e a l , analise granulomitrica e l i m i

-tes de Atterberg;

29 - 0 aspecto mecanTstico da determinação

do limite de liquidez usando o aparelho

de Casagrande e sua possível s u b s t i t u i

-ção por um método alternativo que melho^

re a repetibilidade e reprodutibilidade

do e n s a i o .

2.2 - A variabilidade de ensaios de classificação

E* intuitivamente aceito por engenheiros e

(13)

cientistas que os resultados de um ensaio estão sujeitos a cer

to grau de e r r o . Ate o presente não existe conhecimento sobre

as tolerâncias que poderiam ser aceitáveis para os diferentes

ensaios de classificação isto é , a variabilidade de um ensaio

em termos estatísticos quantitativos não é especificada nos pa^

drões de e n s a i o .

Brunschwig ( 1 ) , citando a Norma Francesa X-0

5-0 2 5-0 , indica que normalizar um método de ensaio sem conhecer a

precisão da "fi deii d a d e " , não tem s e n t i d o . Ele diz: a " f i d e l i

-dade " deve ser verificada em termos de repetibi 1 i-dade e

repro-d u t i b i l i repro-d a repro-d e , repro-definirepro-dos quantitativamente em função repro-de um ínrepro-di_

ce de dispersão tal como o desvio-padrão ou a v a r i â n c i a .

A Organização Internacional de Normas

(International Standard O r g a n i z a t i o n , ISO) ( 1 ) , na sua terceira l i s

-ta de termos e s t a t í s t i c o s , es-tabelece para repetibi1idade e re

produtibi1idade o valor abaixo do qual esta s i t u a d o , com uma

probabilidade de 9 5 % , o valor absoluto da diferença entre dois

resultados .individuais. Vários países fizeram objeção ã

pala-vra " p r o b a b i l i d a d e " , preferindo "confiabi 1 idade" e ainda que o

valor numérico de 95% não devia ser i m p o s t o , sendo o valor i n

-dicado como repetibilidade ou reprodutibilidade a X%.

São muito poucas as referencias relativas 5

variabilidade dos ensaios de granul ometri a e densidade r e a l .

Sherwood (2) é um dos poucos pesquisadores que refere

resulta-dos de analises granulométricas das frações silte e argila de

três s o l o s , indicando que sua repetibilidade foi boa mas a

re-produtibilidade nos resultados de laboratórios apresentou gran_

de d i s p e r s ã o , tão grande que o método atual das especificações

inglesas (38) tem despresível valor p r a t i c o . No entanto ele re

comenda que um estudo de muita utilidade pratica seria fazer a

análise da reprodutibilidade do peneiramento mecânico das

fra-ções de solos maiores que 74 m i c r o n s .

Com referência a variabilidade de r e s u l t a d o s '

de densidade real em s o l o s , Sherwood (2) encontrou que a fonte

de erro mais comum é a incompleta remoção de a r . Os ensaios de"

repetibilidade com um operador no mesmo laboratório foram exce

lentes para o alto grau de precisão a l c a n ç a d o . Os ensaios de

(14)

reprodutibilidade (ensaios em diferentes laboratórios) foram de

boa consistência; no entanto a precisão de

± 0,05 recomendada,

não foi a 1cançada.

Analisando a variação de vários ensaios de

so-los em p a v i m e n t a ç ã o , Penna de Carvalho (3) concluiu haver boa

repetibilidade. Os resultados obtidos com uma areia pouco

sil-t o s a , forneceram para as peneiras de 3/4", 3 / 8 " , n°s 4 , 1 0 , 40

e 200 , desvios-padrão que variaram de 0,50 a 1 ,50 e de 0,96 a

3,9 r e s p e c t i v a m e n t e , para operadores com muita e com pouca

pratica do e n s a i o . Comparandose as medias resultantes de 4 e n s a i

-o s , entre -operad-ores c-om muita e c-om p-ouca p r á t i c a , verificaram

-se diferenças inferiores a 1 (um) nas percentagens passando

e n c o n t r a d a s ; entretanto há variações para mais de 3 (três) nas

percentagens de ensaios isolados encontradas por um mesmo opera

d o r . Concluiu também que a variação depende aparentemente muito

pouco da influência da prática dos o p e r a d o r e s .

Em contrapartida é vasta a experiência sobre a

variabilidade dos Limites de C o n s i s t ê n c i a , não só no Exterior

como no B r a s i l , onde o aspecto de variabilidade estudado foi

a-penas o de r e p e t i b i l i d a d e .

Sherwood et al (4) estudando a r e p r o d u t i b i l i

-dade do limite de liquidez de três s o l o s , obtido por quarenta

laboratórios utilizando a especificação i n g l e s a , observaram

va-riações consideradas grandes: em medias de 3 4 , 69 e 67% houve

desvios-padrão de 2,4, 5,2 e 5,3% e coeficientes de variação

de 7 , 1 , 7,5 e 7,9% respectivamente.

Estudos sobre a influência da mudança de o p e

-r a d o -r e s , conside-rados no mesmo nível de e x p e -r i ê n c i a , em dois tj_

pos de s o l o s , m o s t r a r a m , baseados na análise estatística dos re

s u l t a d o s , usando o método da v a r i â n c i a , que havia significati

-vas diferenças entre vários o p e r a d o r e s , enquanto apenas pequena

variação ocorria nos ensaios pelo mesmo operador; conclui-se

que para um limite de confiança de 9 5 % , o conjunto de o p e r a d o

-res usado neste estudo podia reproduzir tanto o limite de 1 i q uj_

dez como o limite de plasticidade com uma precisão de ± 2% ( 5 ,

6 , 7 ) .

(15)

ra não especificassem se com o mesmo ou vários operadores

.che-gando a desvios-padrão a l t o s .

0 Laboratoire Central de Ponts et

Chaussêes-L . C . P . C . , há dez anos p a s s a d o s , verificou a dispersão dos limi

tes de liquidez e p l a s t i c i d a d e , através de numerosos ensaios

e

fetuados em seus diferentes laboratórios regionais e seu

Laboratõrio C e n t r a l , observando que a variação do limite de l i q u i

-dez ê maior que a variação do limite de plasticidade ( 9 ) .

Pinto e Massad (10) estudaram a reprodut i bi l_i_

dade dos limites de consistência de três solos constituídos de

argila orgânica da Baixada S a n t i s t a , usando os resultados f e i

tos por seis l a b o r a t ó r i o s , evidenciando uma v a r i a ç ã o , em t e r

-mos da diferença entre os valores e x t r e m o s , bastante acentuada

e sempre maior para o limite de l i q u i d e z , como por e x e m p l o , pa_

ra um dos s o l o s , 19% e 6 % .

Bogossian et al (11) analisaram a variaçãodos

limites de consistência de argilas siltosas orgânicas de o r i

-gem marinha na área do futuro Terminal Marítimo de S e p e t i b a , en_

tre ensaios com secagem prévia (mantendo a estufa com um máximo

de 50 C) e sem secagem prévia; embora não tenha havido r e p e t i

ç ã o , pois apenas executouse um ensaio de cada maneira r e f e r i

-d a , vale ressaltar a gran-de variação e a conclusão por eles che

gada da maior coerência entre os valores encontrados sem

seca-gem p r é v i a .

Cabrera e Queiroz (12) estudando uma argila o_r

gãnica do R e c i f e , determinaram os limites de consistência para

vários pontos do perfil da c a m a d a , ensaiando o solo com e sem

secagem p r e v i a . Verificaram a ocorrência de uma grande variação

para os limites de Atterberg com os valores sem secagem previa

comparando-se com os limites obtidos com o solo previamente se_

co em es tufa a 110°C.

Pesquisando um grande número de solos aluvi

-a i s , Upp-al et -al (13) observ-ar-am que p-ar-a solos com cert-a qu-ain

(16)

tidade de a r e i a , seja com limite de liquidez abaixo de 25% ou

T n d i c e de plasticidade entre 4 e 7 % , o aparelho de Casagrande

não dava valores corretos; eles prepararam uma serie de m i s t u

-ras artificiais de areia com um solo de T n d i c e de plasticidade

c o n h e c i d o , determinando então seus limites de consistência e com

parando os respectivos T n d i c e s de plasticidade com os

calculados pela fórmula de Hogentogler ( 1 3 ) . Observaram grandes d i s

crepâncias e concluíram que estas podiam atribuirse ao a p a r e

-lho de C a s a g r a n d e .

Togrol ( 1 4 ) , e m um valioso e s t u d o e s t a t T s t i c o

dos limites de consistência determinados em dez amostras de um

solo argiloso cuidadosamente h o m o g e n e i z a d o , conduzido no mesmo

laboratório por cinco operadores diferentes porem na mesma epo

ca do ano e com o mesmo e q u i p a m e n t o , seguindo os mesmos p r o c e

-d i m e n t o s , chegou a resulta-dos similares aos já cita-dos n e s t a

revisão; variações realmente s i g n i f i c a n t e s , tanto referentes

a

repetibilidade (mesmo operador) c o m o , e p r i n c i p a l m e n t e , com re

laçao a reprodutibilidade ( c o n j u n t o de todos o p e r a d o r e s ) .

Em ensaios realizados por cinco entidades de

alta categoria profissional dos E U A , com uma amostra

suficien-temente h o m o g e n e i z a d a , Ballard et al (15) verificaram a

varia-ção do limite de plasticidade através de um modelo m a t e m á t i c o ,

bastante s o f i s t i c a d o , concluindo que a reprodutibilidade de

cinco ensaios não era adequada pois observaram desvios-padrão

de ate 1,07% em uma média de 2 0 , 2 % . Os laboratórios eram consj_

derados c o m o s i m i l a r e s , com o mesmo nTvel de experiência e

co-nhecimento; cada laboratório utilizou dois operadores,cada qual

efetuando o ensaio cinco v e z e s . Um dos laboratórios usou opera

dores com pouca ou nenhuma experiência os quais realizaram os

ensaios apenas seguindo as instruções da American Society for

Testing Materials - A S T M , sem que nenhuma explicação ou instru

ção lhes tenha sido dada; concluíram também que nada justifica

va a eliminação de resultados obtidos por operadores não t r e i

-nados pois não houve diferenças sensíveis e n t r e o

desviopadrão do operador e a grande m é d i a , denotando que qualquer o p e

-rador usando somente as normas da ASTM como orientação poderia

obter resultados compatíveis com os obtidos por p r o f i s s i o n a i s .

(17)

2.3 - Determinação do Limite de Liquidez e sua

va-riabilidade devido a aparelhagem

2.3.1 - Variabilidade do Limite de Liquidez obtido com o

apa-relho de Casagrande

Os limites de consistência de um solo são pa_

rametros definidos em forma arbitraria e portanto sua interpre

tacão em termos fundamentais não Ó p o s s í v e l . E n t r e t a n t o , c o r

-relações empíricas dos limites de consistência com parâmetros

de propriedades de engenharia são parte fundamental de Mecan i_

ca dos Solos e sua utilidade i ainda maior para propósitos de

classificação. Disso decorre a permanente preocupação sobre a

variabilidade desses p a r â m e t r o s .

0 objetivo deste subcapítulo e revisar o tra

balho relevante de alguns pesquisadores no que se refere a in

fluência do apare lho de Casagrande na variabilidade dos res uj_

tados do li mi te de l i q u i d e z , enquanto que o subcapítulo seguin

te apresenta o trabalho de pesquisa conheci do sobre um método

alternativo para a determinação do limite de l i q u i d e z , o Cone

de P e n e t r a ç ã o .

A inovação mais importante ao método manual

proposto por Atterberg (16} foi a introdução de um aparelho me

caniço projetado por Casagrande em 1932 (16) e utilizado

atu-a l m e n t e , com menores v atu-a r i atu-a ç õ e s , pelatu-a matu-aioriatu-a dos latu-aboratu-atórios

de mecânica dos solos do m u n d o .

0 aparelho mecânico mostrou rapidamente que

a dispersão de resultados de limite de liquidez para um solo

podia diminuir notável m e n t e . Casagrande (17) continuando es tu_

dos mais a c u r a d o s , propôs a padronização do apare lho original,

reconhecendo no entanto a desvantagem do método que c o n s i s t e '

fundamental mente num ensaio dinâmico de cisalhamento; ele diz:

isto ê uma grande d e s v a n t a g e m , por que não se pode estipular

bases uni formes de comparação para solos de granulação f i n a ,

que reagem diferentemente quando submetidos a um ensaio de sa

cudidela ( s h a k i n g ) . Por exemplo solos arenosos submetidos a

(18)

um teste do tipo de Casagrande podem exibir dilatancia s e g u n

-do o mesmo principio demonstra-do no teste de dilatancia reco

mendado pelo DNER ( 1 8 ) .

Dando c o n t i n u i d a d e , Casagrande (17) indicou

os itens a considerar para a normalização do aparelho para de

terminação do limite de l i q u i d e z . São os s e g u i n t e s :

a) material da b a s e ,

b ) as dimensões da base e proteção desta coji

tra a influencia de eventuais vibrações e

choques na mesa de t r a b a l h o ,

c) m a t e r i a l , dimensões e peso da c o n c h a ,

d) altura vertical de queda da c o n c h a ,

e) dimensões do c i n z e l , cujo formato e chato.

Dando continuidade a estes e s t u d o s , vários

pesquisadores procuraram verificar as causas de e r r o s ,

varia-ções e limitavaria-ções do aparelho m e c â n i c o , tratando não so das

características do aparelho e do cinzel em s i , como também de

outros fatores tais como: influencias do o p e r a d o r , influencia

da qualidade da água adicionada no e n s a i o , método de

prepara-ção de a m o s t r a , tempo de homogeneizaprepara-ção da massa,tempo.em que

a massa homogeneizada ficou sujeita a cura antes de ser subme_

tida ao e n s a i o , influencia da secagem p r e v i a , e t c .

Norman (19) em 1958 pesquisou a influencia de

diferentes tipos de material constituintes das bases do apare

lho de Casagrande nos resultados do limite de liquidez de cin_

co solos argilosos.Os ensaios foram realizados com a p a r e l h o s

fabricados nos EEUA e na Inglaterra;a dureza da base do apare_

lho de Casagrande foi medida com um aparelho conhecido como

"Dunlop tire" o qual consiste essencialmente em um

penetrÕme-tro que da valores numa escala variável de 0 (zero) a lOO(cem)

com crescimento diretamente proporcional a rigidez do m a t e r i

-al da b a s e . 0 equipamento a m e r i c a n o , de maior d u r e z a , deu

va-lores de limite de liquidez de 3 a 4% menores que os obtidos

com o equipamento britânico considerados com dureza muito

in-f e r i o r . Este artigo in-foi comentado por Feda e Stopek (20) os

(19)

quais achavam que a dispersão encontrada por Norman não era

sõ e principalmente pela diferença de dureza das b a s e s , pois

segundo Casagrande (17) os ensaios de dureza de Ripley m o s

-travam claramente a possibilidade da existência de outros fa

tores que poderiam exercer maior influência nos resultados '

dos limites de liquidez que a dureza da b a s e . Por outro lado,

Tesorieri ( 2 1 ) , baseado em estudos estatísticos de variação

de resultados de ensaio feitos em locais diferentes com s o

-los cujos li mi tes de liquidez variavam entre 30 e 35% obteve

um coeficiente médio de variação de 3 , 3 % , enquanto que Kohoij

tek ( 2 2 ) , usando os mesmos ensaios mas considerando solos no

intervalo de limite de liquidez de 54,8 a 86,4% obteve um co

eficiente médio de variação de 3,6%. Ambos autores mostraram

que a diferença obtida por N o r m a n , 3 a 4 % , pode ser

atribui-da ã diferença de base somente se o coeficiente de variação'

for menor que 2,24%. Norman (23) responde que os coeficien

-tes de variação usando as bases tipo ame ri cana e i n g l e s a , f o

ram r e s p e c t i v a m e n t e , 3,8 e 3,2% perfeitamente de acordo com

os valores obtidos por Tesorieri e Kohoutek.

Outros problemas relacionados com o uso do

aparelho de Casagrande foram sendo observados e , Sowers et al

(24) enumeram alguns tais como:

1) dificuldade de fazer a ranhura em alguns

s o l o s , principal mente aqueles contendo a_

rei a,

2 ) tendência dos solos de baixa p l a s t i c i d a

-de -de -deslisar na concha antes -de fluir

por p l a s t i c i d a d e ,

3) tendência de alguns solos de baixa

plas-ticidade de se liquefazer antes de fluir

por plas ti ci d a d e ,

4) pequenas diferenças nas a p a r e l h a g e n s , co

mo a forma do cinzel ,

5} influência do operador na execução da pro

f u n d i d a d e , forma e alinhamento da canel_u

r a , velocidade da o p e r a ç ã o , observação

(20)

oportuna do ponto de fechamento da

canelu-ra e falta de s i s t e m a t i z a ç ã o , perfeição na

homogeneização do s o l o ,

Kumapley et al (5) estudaram a influência do

atrito e do declive decorrente da rugosidade da concha nos

va-lores dos limites de liquidez de alguns solos de Ghana e

con-cluiram que para as amostras de argila os resultados não eram

afetados enquanto que para os solos micaceos geral mente os

va-lores do limite de liquidez aumentavam proporcionalmente com a

r u g o s i d a d e , ate um certo grau a partir do qual não mais havia

di f e r e n ç a .

Freitas Júnior (25) estudou os limites de con

sistência de solos paulistas chegando ãs seguintes c o n c l u s õ e s :

a) as dimensões e peso da concha não afetam

sensivelmente os valores do li mi te de 1 i

-qui dez;

b) o tipo de material da base causa muito p e

-quena variação nos r e s u l t a d o s , desde que o

coeficiente de restituição seja maior que

80%; este c o e f i c i e n t e , determinado pela es_

fera de aço por um método s i m p l e s , caracte

riza bem o material da b a s e , dispensando

-se outros métodos como o da determinação

1

da dureza ( R o c k w e l 1 ) , de precisão muito

grande para os fins p r o p o s t o s ; em três

a-mostras e n s a i a d a s , os valores do limite de

liquidez diminuiram em cerca de 10% em m é

-d i a , utilizan-do-se vários tipos -de bases

com coe fiei entes de restituição variando

na faixa de 53 a 9 0 % ;

c) o método de preparação da a m o s t r a , a p a r

-tir da secagem p r é v i a , pode influir decisj^

vãmente nos resultados dos limites de

con-sistência ;ensai os realizados com solos ori^

undos de basalto evidenciaram que o tempo de

(21)

manipulação da a m o s t r a , isto é , da

opera-ção com a espátula m e t á l i c a , pode variar

em ate" 10% os valores do limite de l i q u i

-dez e no traçado da curva de flui-dez os

últimos pontos (maiores umidades) apresen_

tavam maiores d i s p e r s õ e s , pois a a m o s t r a ,

para estes p o n t o s , sofria um processo de

homogeneização mais i n t e n s o .

2.3.2 - Hedi da do limite de liquidez com o Cone de Penetração

A maior desvantagem do aparelho de

Casagran-de e que o limite Casagran-de liquiCasagran-dez e obtido por um ensaio Casagran-de

císa-Ihamento dinâmico o qual ocasiona problemas fundamentais para

a interpretacão do comportamento de alguns solos como foi

in-dicado no subcapítulo a n t e r i o r . E n t ã o , parece lógico que um _a

parelho que substituisse o de Casagrande deveria ser aquele

com o qual o cisalhamento fosse do tipo e s t á t i c o .

0 Cone de Penetração no qual uma carga e s t á

-tica aplicada através de um cone é permitida penetrar na

su-perfície do solo úmido satisfaz essa condição de maneira que

o problema e reduzido a encontrar uma relação entre a

resis-tência ao cisalhamento do solo e a percentagem de umidade que

corresponde ao limite de liquidez.

Na S u é c i a , o método preferido para a determj_

nação do limite de liquidez é o ensaio de cone "fall-cone test",

originalmente desenvolvido pelo "Swedish State Railways" e n

-tre 1914 e 1922 e usado desde então como parte do

procedimen-to para classificação de solos ( 2 6 ) . Neste ensaio assume-se

que a resistência ao cisalhamento de um solo a uma penetração

constante do cone Ó diretamente proporcional ao peso do cone.

Pesquisas na Suécia (26) mostraram que a resistência ao

cisa-lhamento nao drenado e uma função de penetração e do peso do

cone e pode ser expressa pela seguinte equação:

c = k p / h

2

(22)

c = resistência ao cisalhamento não d r e n a d o ,

p = peso do c o n e ,

h = profundidade de penetração do c o n e ,

k = uma constante que depende principal mente

do angulo do cone e ainda da v e l o c i d a d e '

de cisalhamento e sensibilidade do s o l o .

0 cone padrão usado na Suécia tem um peso de

60g e um angulo de 6 0 ° . A percentagem de umidade correspon

-dente ao limite de liquidez e dada pelo "número de finura" (fi_

neness number) o qual é definido como a percentagem de

umida-de para a qual a penetração do cone é igual a lOmm.

Karlsson ( 2 7 ) , num estudo comparativo de 1 i

-mites de liquidez obtidos com o cone de penetração e com o

aparelho de C a s a g r a n d e , mostrou que existia uma razoável c o r

-respondência entre os valores numéricos do "número de finura"

e a percentagem de umidade correspondente ao limite de l i q u i

-dez obtido como aparelho de Casagrande quando os limites de

liquidez estavam próximos de 4 0 % . A valores maiores o n ú m e r o

1

de finura tendia a ser menor que o limite de liquidez obtido

1

pelo aparelho de C a s a g r a n d e . Karlsson mostrou ainda que a r e

-sistência de solos ao cisalhamento medida com o ensaio de

Va-ne é muito mais consistente ao número de finura que ao limite

de liquidez de C a s a g r a n d e .

0 método do cone de penetração foi i n t r o d u z ^

do na R ú s s i a , conforme citação de Sherwood ( 4 ) , por V a s i l e v e m

1 9 4 9 . 0 equipamento também ê simples e consiste em um cone de

aço com peso de 76g e ângulo de 3 0 ° . A penetração de 10 mm e

tomada para indicar o limite de l i q u i d e z ; o teor de umidade

correspondente ã" penetração de lOmm é encontrado por t e n t a t i

-v a , plotando-se a penetração obtida a -vários teores de

umida-d e . Melhoramentos no aparelho umida-de Vasilev têm siumida-do feito por

vários pesquisadores da Europa Oriental e todos eles concor

-dam que a penetração de lOmm não corresponde exatamente ao li_

mi te de liquidez de C a s a g r a n d e , exceto para valores bai xos ;pji

ra valores altos a diferença entre os dois métodos torna-se

(23)

grande; as equações seguintes relacionam o limite de liquidez

obtido pelo método russo ( L

c

) e o aparelho de Casagrande ( L L ) :

LL = 1,5 Lc - 7,4 (segundo Stefanov)

LL = 1,2 Lc - 5,3 (segundo Bozinovic)

LL = 1,2 Lc - 3,7 (segundo Matschak e

Rie-tschel)

Sowers et al (24) obtiveram uma relação

e-quivalente a encontrada por S t e f a n o v .

Correlação entre valores do limite de li

-quidez conforme Casagrande e Valisev foi estudada por Skopek

(28) para 236 a m o s t r a s ; dividindo os solos em grupos conforme

a porcentagem de finos e a atividade coloidal e estabelecendo

relações para cada g r u p o , ele concluiu não haver sentido para

fins práticos na utilização das correlações destes sub-grupos,

isto e , a correlação geral dava resultados bem c o m p a t í v e i s . A

presentamos a seguir a equação de Skopek para o total de amos_

tras e de outros autores por ele citados:

LL = 1,4 Lc - 10,7 (segundo Skopek)

LL = 1,3 Lc - 4,8 (segundo Feda)

LL = 1,5 Lc - 6,4 (segundo Piaskowski)

Na í n d i a , Uppal et al ( 1 3 ) , após sucessivos

e s t u d o s , encontraram que utilizando um cone com um peso igual

a 148g e um angulo de 31° o limite de liquidez correspondia a

uma penetração de 25mm. Para 40 solos cobrindo uma faixa de

limite de liquidez de 20 a 85% eles mostraram uma boa relação

entre o limite de liquidez de Casagrande e o do cone indicado,

exceto para valores abaixo de 2 5 % , para os quais o

penetrome-tro dã resultados mais a l t o s .

Nos E U A , Sowers et al ( 2 4 ) , do Geórgia

Ins-titute of T e c h n o l o g y , introduziram em 1959 o método do cone

de penetração; o cone tem um peso de 75g e um ângulo de 30°.0

limite de liquidez e o teor de umidade que corresponde a uma

penetração de lOmm; para solos com limite de liquidez acima

de 40% o cone da valores muito b a i x o s , enquanto que para valo

(24)

res abaixo de 40% os resultados s ã o , ao c o n t r a r i o , muito a l

-t o s . Para conver-ter os valores do limi-te de liquidez do cone

nos valores do limite de liquidez de Casagrande e usado um no_

m o g r a m a d e c a l i b r a ç ã o .

Na F r a n ç a , o Laboratoire Central de Ponts et

Chaussees - LCPC desenvolveu um método (29) usando um cone com

peso de 80g e ângulo de 3 0 ° . 0 cone foi montado num aparelho

standard usado comumente para a determinação do valor de pene_

tração de a s f a l t o s . 0 procedimento do LCPC envolve a d e t e r m i

-nação de penetração do cone a vários teores de umidade; os re

sultados são plotados num sistema de coordenadas c a r t e s i a n a s ,

em escala logarítmica onde a abscissa representa os valores da

percentagem de umidade do solo e a ordenada representa os

va-lores de penetração conforme a razão:

Q / h

2

onde:

Q = peso do c o n e ,

h = profundidade de penetração

Os resultados obtidos no LCPC mostram que

estas relações são lineares e paralelas para diferentes solos.

No e n t a n t o , a penetração no teor de umidade correspondente ao

limite de liquidez não ê constante; daí decorreu uma outra al_

ternativa de p roce d i m e n t o , no qual o li mi te de liquidez de Ca_

sagrande é lido por meio de uma linha de calibração derivada '

da penetração (h) do cone em função do limite de liquidez de

C a s a g r a n d e . Esta linha Õ obtida m a r c a n d o - s e , para um certo nO

mero de solos de limite de liquidez (Casagrande) conhecido ,

2

estes limites de liquidez em cada reta da função log Q/h =

f (log w ) , onde Vi e o teor de u m i d a d e , e em seguida

traçando-se a melhor reta com os pontos assim o b t i d o s . 0 teor de umida^

de na intersecção desta linha de calibração com cada reta da

função log Q/h = f (log W ) da então o limite de liquidez (Ca_

sagrande) para um solo q u a l q u e r .

Paute e Mace ( 3 0 ) , do Laboratoire Regional

de S a i n t B r i e u c , F r a n ç a , também estudaram os limites de c o n

-sistência com o uso do cone de p e n e t r a ç ã o . Chegaram a

(25)

conclusão de que a utilização do método do cone como conduzido p e

-los suecos (27) da resultados compatíveis com os limites de

Atterbe r g , principal mente o limite de liquidez.

Ainda na F r a n ç a , o LCPC efetuou novos e s t u

-dos em 1 9 7 1 . Anon (-29) e Leflaive (9) utilizaram o método do

cone e recomendaram a adoção de um cone com peso de 80g e um

angulo de 3 0 ° . Eles indicaram que o teor de umidade correspon_

dente a uma penetração de 17mm seria perfeitamente a c e i t á v e l ,

com o limite de liquidez do s o l o .

No B r a s i l , Scherrer (31) utilizou um cone de

90 com um equipamento e método diferentes dos ja citados.Seu

método consistiu essencialmente em determinar a penetração do

cone com uma carga de 1 kg em uma amostra ú m i d a . Natural mente

a penetração é uma função assintotica a penetração de e q u i l í

-b r i o . Nesta p e n e t r a ç ã o , a carga ê dividida pela área entre o

cone e a superfície da amostra e esta pressão de equilíbrio Ó

plotada contra a umidade das amostras do mesmo solo numa esca_

la semi-logarítmica. 0 resultado é uma reta. Os resultados.ao

se correlacionar o limite de liquidez convencional contra a

pressão de e q u i l í b r i o , expressos como uma função l i n e a r , quan

do superpostos na relação semi-logarítimica de pressão de

e-quilíbrio versus u m i d a d e , permitem obter o limite de liquidez

pelo cone e s t á t i c o . A crítica mais séria que se pode fazer a

este trabalho é que nao apresenta nenhum estudo es ta tís ti co p_a

ra propÕsito,s de a v a l i a ç ã o .

Na Inglaterra foi feito um estudo com 26 so

los por Sherwood e Ryley (4} do Road Research L a b o r a t o r y , ut_i_

l i z a n d o

l

o equipamento e procedimentos seguidos pelo LCPC.Eles

mostraram que a correlação entre o limite de liquidez o b t i d o '

com a linha de calibração de LCPC e o limite de liquidez obtido

com o aparelho de Casagrande foi muito p o b r e . No e n t a n t o , uma

linha de calibração aparentemente obtida por tentativa mostrou

uma correlação satisfatória. Eles ainda pesquisaram as p o s s í

-veis causas de erros no uso do cone e indicaram que essas

se-ri am:

a) o tempo durante o qual o cone Ó deixado

penetrar no s o l o ,

(26)

b) o desgaste da ponta do c o n e ,

c) a textura da superfície do c o n e ,

d) o efeito do o p e r a d o r .

Eles conduziram depois um limitado estudo de

repetibilidade utilizando um solo com o qual o ensaio foi r e

-petido oito v e z e s . 0 desvio-padrão obtido foi de 0 , 7 , enquanto

para o mesmo solo o desvio-padrao com o aparelho de Casagrande

foi de 1,0. Em termos de reprodutibilidade ensaiaram três s o

-l o s , uti-lizando oito o p e r a d o r e s , embora no mesmo -laboratório ,

e chegaram a melhores resultados com o c o n e . Segundo estes a u

-t o r e s , ha uma grande -tendência na subs-ti-tuição da de-terminação

do limite de liquidez com o aparelho de Casagrande pelo uso do

cone de p e n e t r a ç ã o .

Pinto et al (10) fizeram um pequeno estudo

em cinco solos no Laboratório Central do D N E R , seguindo os pro

cedimentos de Sherwood e Ryley

( 4 ) . Utilizando a mesma linha

de calibração encontrada por e s t e s , chegaram a resultados s a

-t i s f a -t ó r i o s , principalmen-te com relação a argila orgânica; o

ensaio d e s t a , quando executado com o aparelho de Casagrande ,

torna-se demorado e algumas vezes d i f í c i l .

(27)

CAPÍTULO 3

OBJETIVO DA PESQUISA

Os métodos de classificação de s o l o s , para

seu uso como material estrutural na engenharia c i v i l , e s p e c i

almente em engenharia rodoviária e de f u n d a ç õ e s , estão b a s e a

dos em ensaios empíricos de l a b o r a t ó r i o . A fidelidade dos r e

-sultados destes ensaios é de grande importância para este pro

pÕsito de classificação.

0 objetivo deste trabalho foi estudar a varj_

abilidade de quatro ensaios utilizados para fins de c l a s s i f i

-cação de s o l o s . 0 estudo abrangeu os aspectos de repeti bi 1 i dji

de e reproduti bi lidade dos ensaios de P l a s t i c i d a d e , Analise

Granulométrica e Densidade R e a l .

0 estudo de repetibilidade foi conduzido em

um laboratório com um sÕ operador e o mesmo e q u i p a m e n t o . Por

outro l a d o , para o estudo de reprodutibilidade contou-se com

a cooperação de 16 laboratórios dos quais 3 foram de Universi_

d a d e s , 8 de Organizações Rodoviárias e 5 de Empresas Consulto

r a s .

Os resultados são analisados por meio de t é ^

nicas simples de analise estatística e comparações são mostra

das entre os resultados de repetibilidade e reprodutibi1i

da-d e . Alem da-do mais o trabalho incluiu uma revisão critica da-das

metodologias das normas utilizadas para execução dos e n s a i o s .

(28)

CAPITULO 4

MATERIAIS USADOS NA PESQUISA

Para a escolha dos solos a serem utilizados

nesta p e s q u i s a , decidiu-se selecionar aqueles que permitiriam

abranger uma ampla faixa de variação de plasticidade e cujos

modos de formação foram reconhecidamente d i f e r e n t e s . Ao m e s

-mo tempo tratou-se de incluir aqueles materiais que são uti lj_

zados nas obras de engenharia civil ou que tenham potencial

de u t i l i z a ç ã o .

Desta maneira selecionaram-se onze solos na

turais e três solos beneficiados provenientes de usinas i n

-dustriais os quais foram: um caulim ( 3 2 ) , uma montmori1onita

cálcica (33) e uma montmori1onita sódica ( 3 3 ) . Ademais

prepa-raram-se no laboratório duas misturas a r t i f i c i a i s , uma

mistu-rando-se a amostra n° 1 com a amosltra n° 16 na proporção de

80:20 respectivamente e a outra com as mesmas amostras na

proporção de 6 0 : 4 0 .

A posição geográfica desses s o l o s , p r o v e n i

-entes do Estado da P a r a í b a , ê mostrada na Figura 4 . 1 .

A o r i g e m , modo de formação e utilização

atu-al ou potenciatu-al são dados na Tabela 4.1 que ao mesmo tempo i_n

dica o código numérico associado aos diferentes solos e usado

para os propósitos de identificação durante este t r a b a l h o .

(29)

F i g u r a 4.1 Mapa do E s t a d o da Paraíba mostrando a posição geo-gráfica dos s o l o s u t i l i z a d o s na p e s q u i s a .

(30)
(31)

1

Arei aargi losi_[ Solo transportado Jazida J a r a

-tosa

r a c a , imediações de Campina

usado em argamassa de alvenaria

Grande

e solo-cimento para base de rod<j

v i a .

2

Arei a-si 1 to-argi_ Solo transportado- Jazida R i a -

Usado em concreto de c i m e n t o .

losa

cho M a r i n h o , km 10 L . E . estrada

Campina Grande-Massaranduba

3

Arei a-si 1 tò-argi_ Solo residual- Jazida Maciel , Usado na construção da BR-104.

1 osa

km 7 B R - 1 0 4 , trecho Campina

Grande-Quei m a d a s .

Argi la-areno-si'2 Solo laterTtico de formação Bar Usado como revestimento primário

tosa

reiras- Jazida Sape-Mari , L D .

na Rodovia

PB-151; pode ser

utili-P B - 5 5 , trecho Mari-Guarabira.

zada em b a s e .

Argi la-areno-siJ_ Solo laterTtico- Jazida Areia Usado como base na Rodovia B R - 2 3 0 .

^—s

tosa

Mata Limpa.

© .

Arei a-argi lo-si2 Solo laterTtico- Jazida Cuité", Usado como revestimento primaria

© .

tosa

L.E. P B - 1 4 9 , trecho Barra de Rodovia PB-149; pode ser utilizada

Santa Rosa-Cuité".

em b a s e .

(32)

&

*—

tosa

r e s t a , L D . PB-151» trecho Cuite-

na Rodovia P B 1 5 1 ; pode ser u t i

-Nova Floresta.

lizado em b a s e .

8

Arei a-argi lo-si'2 Solo residual- Jazida Lagoa Seca Usado na construção da BR-104 e

tosa c/mica

L.E. B R - 1 0 4 , trecho Campina

pavi mentacão ruas de Campi na

Grande-Lagoa Seca.

G r a n d e .

9

Argi 1 a-arenosa

Solo residual- Jazida Aeroporto

Usado como c e r â m i c a , em nTvel ar

(orgiíni ca)

L D . B R - 1 0 4 , trecho Campina Gran-

t e s a n a l , na confecção de u t e n s í

-de-Quei m a d a s .

lios d o m é s t i c o s .

10

Argi la-areno-siJ_ Solo residual- Jazida Lagoa dos Usado como c e r â m i c a , em nível a_r

tosa (orgânica) P a t o s , LE B R 1 0 4 , trecho Campina tesanal , na confecção de u t e n s í

-Grande-Lagoa S e c a .

lios d o m é s t i c o s .

11

Argi la-areno-sil_ Solo residual- Jazida G - G i o i a , Usado industrialmente no ramo da

tosa

A v . BrasTlia, Campina G r a n d e .

Cerami ca.

12

Arei a-argi lo-siJ_ Mistura artificial da amostra nQ

1 com amostra nQ 16 na proporção

80 : 2 0 .

13

Argi la-arenosa

Mistura artificial da amostra nQ

1 com amostra nQ 16 na proporção

60 : 4 0 .

(33)

tria C a u l i s a , Distrito

Industri-al de Campina G r a n d e .

c e r â m i c a , p a p e l , e s m a l t e s , e t c .

15

Montmori1oni ta

Material industrializado I n d ú s

tria Bentonit União Nordeste

-BUN - Distrito Industrial de Cam

pina G r a n d e ; conheci do como

N T - 2 5 .

Usado como aglutinante para areia

de f u n d i ç ã o , na perfuração de p o

-ç o s , e t c .

16

Montmori1oni ta

Material industrializado- I n d ú s -

Usado para purificação e c l a r i f i

-SÕdi ca

tria Bentonit União Nordeste

-BUN; conhecido como B r a s g e l .

cação de a g u a s .

(34)

CAPITULO 5

PREPARAÇÃO DOS MATERIAIS E MÉTODOS DE ENSAIO

5.1 - Preparação de Amostras

As amostras de solos naturais foram coletadas

das jazidas selecionadas tendo-se especial cuidado em obter amos_

tras representativas em quantidade suficiente para a condução de

todos os e n s a i o s . ApÕs transporte ao l a b o r a t ó r i o , em sacos de p_o

lietileno selados para evitar perda de f i n o , os solos foram seca

dos ao a r .

0 procedimento de preparação estã mostrado no

fluxograma da figura 5 . 1 . As amostras dos solos N°s 1 , 2 , 3 , 8 ,

9 , 10 e 11 foram desagregadas m a n u a l m e n t e , ao passo que para as

amostras n°s 4 , 5 , 6 e 7, correspondentes a solos originados num

processo de laterização e consistentes em agregações de uma dure_

za tal que não permitiam sua desagregação m a n u a l , usou-se uma

britadora de mandíbula para reduzir seu tamanho máximo a 1,27 mm

de diâmetro. Este procedimento e uma simulação do que ocorreria no

campo quando estes solos fossem usados para a construção de cama

das de um p a v i m e n t o . A homogeneização dos solos foi feita em

cada estagio de p r e p a r a ç ã o . As amostras preparacadas com tamanho m á

-ximo de 0,42mm foram então colocadas em sacos plásticos de polie_

tileno e guardadas para os ensaios ou enviadas aos diferentes l_a

(35)

boratõrios participantes desta p e s q u i s a .

Ê importante assinalar que o procedimento s e

-guido permitiu eliminar de certo m o d o , as variações que ocorrem

nos resultados e que são atribuídas a variações estatísticas do

próprio m a t e r i a l . Isto e , para objeto desta pesquisa as

variações de repetibilidade e reprodutibilidade serão atribuídas i n

-teiramente ã metodologia dos e n s a i o s .

Como foi dito no Capítulo anterior três a m o s

tras dos solos testados foram obtidas ja preparadas e h o m o g e n e i

-zadas para uso i n d u s t r i a l , sendo portanto simplesmente homogenej_

zadas e armazenadas em sacos de polietileno para sua distribuj_

ção ou a r m a z e n a m e n t o . As amostras artificiais N9s 12 e 13 foram

preparadas no laboratório numa misturadora de eixo vertical com

um tempo de mistura suficiente para obter h o m o g e n e i d a d e .

5.2 - Métodos de Ensaio

Como foi indicado anteri o r m e n t e , todas as

a-mostras foram preparadas para conseguir um diâmetro máximo de

0,42mm de tal modo que estas não requeri riam preparação

adicio-nal antes da execução dos quatro ensaios objeto deste e s t u d o .

5.2.1 - Métodos de ensaio nos laboratórios participantes

Durante o estágio de planejamento desta p e s

-quisa enviaram-se cartas propondo-a a trinta laboratórios

brasi-leiros. A" carta de contato i n i c i a l , mostrada no Apêndice A , apro

ximadamente vinte laboratórios responderam positivamente.As amos^

tras preparadas como descrito a n t e s , foram então enviadas aos viji

te laboratórios com uma carta onde se indicavam os métodos prefe_

ferenciais para a pesquisa e também as possibilidades de uso de

métodos a l t e r n a t i v o s . Esta carta ê apresentada no Apêndice B .

Os laboratórios dos quais receberam-se

final-mente os resultados foram 1 5 , o que mostra o grande interesse dejs

pertado pela pesquisa.Os métodos utilizados por cada laboratório

para os diferentes ensaios são mostrados na Tabela 5 . 1 , onde se

(36)

pode ver que a totalidade seguiu as recomendações de utilização

dos métodos recomendados pelas ABNT (34) e DNER ( 3 5 ) .

5.2.2 - Métodos de ensaio no laboratório do CCT

Os ensaios realizados pelo autor desta Tese

no laboratório do C C T , foram utilizados para o estudo de repetj_

bili d a d e . 0 operador pode ser qualificado como de pouca e x p e r i

-ência para estes e n s a i o s . Os métodos empregados foram os seguin_

tes:

a) Limite de Liquidez utilizando a norma

ABNT-MB-30 (34)

b) Limite de Plasticidade utilizando a norma

ABNT-MB-31 (34)

c) Anali se Granulométri ca utilizando a norma

ABNT-MB-32 (34)

d) Densidade Real utilizando a norma

DNER-DPT M 93-64 (35)

A repetibilidade e reprodutibilidade de e n

-saios de laboratório são influenciadas enormemente não sÓ pelo

fator pessoal do operador mas pela uniformidade dos p r o c e d i m e n

t o s . Esta uniformidade Ó função da clareza de descrição dos m é

todos de ensaio e aparelhagem para e l e s . Por isso na continua

-ção fazem-se comentários relevantes a este a s p e c t o , referidos

particularmente aos ensaios executados pelo a u t o r .

5.2.2.1 - Ensaio de Limite de L i q u i d e z .

As normas ABNT-MB-30 (34) e DNER-ME-71 (36)

são praticarnente as mesmas porém as observações feitas em

se-guida aplicam-se a a m b a s . Quatro aspectos parecem de maior

im-portância:

a) o volume de solo a colocar-se na concha

do aparelho de Casagrande que Ó determina

do pelo plano que forma a superfície do

solo a ser c a n e l a d o . Dependendo da

(37)

incli-nação deste plano,e" claro que o volume do

solo na concha será maior ou menor que a_

quele obtido quando a superfície do solo

a canelar e paralela ao plano da base do

aparelho de C a s a g r a n d e . As normas

indica-das nao fazem nenhuma referencia a este

a s p e c t o . No e n t a n t o , sobre e l e , outras

nor-mas como as da ASTM (norma D-423-66-1972)

(37) dos EEUU e as BS 137767 (38) da I n

-g l a t e r r a , dão instruções c l a r a s . Todavia

• a norma antiga DNER-DPT M 4 4 - 6 4 , ainda

utilizada em muitos laboratórios b r a s i l e i

-r o s , ap-resenta g-ráficos nos quais o plano

da superfície do solo a ser canelado f o r

-ma um angulo com o plano da base do apare

lho (inclinação do plano da superfície do

solo em direção ao fundo da concha) que

da um volume menor que aquele obtido com

a superfície formando um plano paralelo a

base do a p a r e i h o .

b) 0 tipo de cinzel a utilizar: as normas da

ABNT sÕ indicam seleçao do mais adaptável

ao solo em q u e s t ã o . As normas do DNER(36)

sÕ indicam uso de um c i n z e l , o curvo d e

-senvolvido pela A S T M , que ainda hoje e o

único recomendado em suas n o r m a s . No e n

-tanto a BS ( 3 8 ) , da Inglaterra, recomenda

o uso do cinzel chato (o original desenvol

vido por Casagrande ( 1 6 , 1 7 ) ) , recomendan

do ainda o uso do cinzel curvo para solos

de baixa plasticidade,quando houver d i f i

-culdade na execução da canelura. E" claro

que a perfeição da canelura afetara

nota-velmente os valores do limite de liquidez;

por isso as dúvidas que decorrem da falta

de clareza das normas deveriam ser desfei

(38)

tas com base na experiência obtida de ti

po de trabalho como o apresentado neste

es t u d o .

c) A norma ABNT-MB 30 não considera como uma

alternativa o ensaio de limite de l i q u i

-dez com um p o n t o . Isto parece uma omissão

importante desde que existem trabalhos de

pesquisa para os solos brasileiros que

mostram a possibilidade do uso deste e n

-saio ( 3 9 , 4 0 ) . Durante os trabalhos de

la-boratório este ensaio não foi realizado pe

lo autor deste e s t u d o .

d) Algumas e s p e c i f i c a ç õ e s , como a BS-1 377(38),

referem-se ao tempo de homogeneização do

soloãgua antes do ensaio e , a i n d a , ã n e

-cessidade de obter equilíbrio de distribui

ição da agua no solo,espeeialmente nos so

los a r g i l o s o s . Este equilíbrio ê obtido fi

xando-se um tempo d e , por exemplo,24 horas

desde a homogeneização até o ensaio ("age_

i n g " ) . Os resultados de solos argilosos '

sao desta maneira menos v a r i á v e i s .

Durante os ensaios de laboratório realizados

pelo a u t o r , decidiu-se que o volume de solo na-concha seria co_n

trolado de forma que o plano de sua superfície

:

ficasse paralelo

ao plano da base do a p a r e l h o . Com referencia ao uso de um outro

tipo de c i n z e l , a experiência durante a investigação mostrou que

o cinzel curvo pode ser utilizado com qualquer tipo de material,

embora para os materiais arenosos seja necessário fazer a

cane-lura com passadas sucessivas do cinzel tendo-se o cuidado de jus

tapo-lo as paredes da canelura para evitar variações de largura

desta. Este procedimento ê o mesmo que foi recomendado por Melo

et al ( 4 1 ) . 0 uso do cinzel chato mostrou que este só é a p l i c á

-vel aos materiais a r g i l o s o s , em contradição com as recomendações

do método antigo do DNER (DPT M 4464) q u e , como foi d i t o , a i n

-da é utilizado em muitos l a b o r a t ó r i o s .

(39)

Um dos problemas associados com o uso do cin

zel curvo e q u e , de acordo com Casagrande ( 1 7 ) , não se pode con

trolar a altura do corte com a necessária p r e c i s ã o . Este a s p e c

to não tem validade quando se controla o volume do solo na c o n

-cha pela posição do plano de sua s u p e r f í c i e .

A Figura 5.2a mostra os resultados de se pre_

tender fazer a canelura com o cinzel chato.num solo arenoso-, no

entanto as Figuras 5.2b e 5.2c mostram as caneluras obtidas no

mesmo s o l o , primeiro com uma passada do cinzel curvo e s e g u n d o ,

com cinco passadas do mesmo c i n z e l . A eficiência do cinzel

cha-to com solos argilosos e mostrada nas Figuras 5.3a, 5.3b e 5.3c

onde se pode ver a sequência completa de um e n s a i o .

5.2.2.2 - Ensaio de limite de plasticidade

A experiência do operador é a variável mais

importante neste e n s a i o . Por isso algumas n o r m a s , como a do DNER

por e x e m p l o , tratam de descrever o ensaio com detalhes n e c e s s á

-rios; ao c o n t r a r i o , a norma da ABNT descreve o procedimento com

muita simplicidade e em geral segue o padrão da ASTM norma

D--424-59 ( 1 9 7 1 ) . Os comenta ri os que parecem de interesse com res_

peito a estas normas são:

a) As normas ABNT e DNER não referem que o

ensaio possa ou deva ser executado com par_

te do solo utilizado para o ensaio de l i

-mite de liquidez como fazem as normas da

ASTM e B S . Isto Í muito importante porque

o uso do mesmo material elimina a possibj^

lidade de se introduzir outra variável na

repetibilidade ou reprodutibilidade do en^

s a i o , qual seja a possibilidade de lidar

com amostras de características diferen

-t e s .

(40)

as normas nao mencionam tempos de homoge

n e i z a ç ã o , ou tempos de "cura", para obter

equilíbrio da distribuição de água na

a-mos t r a .

c) A norma da ABNT não faz referencia ao cal

culo do índice de pl as ti ci d a d e . Isto e" im

p o r t a n t e , uma vez que o solo pode ser ou

não plástico ou ter plasticidade igual a

0 ( z e r o ) .

Durante o processo de ensaio no laboratório

adotou-se o procedimento de utilizar em todos os casos uma

par_

te do material úmido do ensaio de limite de liquidez para f a

-zer o ensaio de limite de p l a s t i c i d a d e . Por outra p a r t e , para

os solos argilosos com alto limite de plasticidade - amostras

n

o S

1 3 , 1 4 , 15 e 16 - controlou-se o tempo de mistura

(homoge-neização) estabel ecendo-o em 15 m i n u t o s ; além do mais a repetj_

bilidade foi melhorada deixando-se os solos homogeneizados em

cura por 24 h o r a s , para obter condições de uniformidade de dis_

tribuição de agua no s o l o .

Um aspecto de muita importância observado du

rante os ensaios é que para algumas das amostras não ocorre a

fratura clássica dos solos muito a r g i l o s o s , isto é , fratura em

planos perpendiculares ao eixo do cilindro e sim fratura em pla_

nos paralelos ao citado e i x o . As figuras 5.4a è 5.4b mostram a

clássica fratura para solos argilosos e uma fratura com planos

cilíndricos paralelos ao eixo do c i l i n d r o . Essas figuras

cor-respondem as amostras n

o S

10 e 1 4 .

Outra observação importante durante os

en-saios foi q u e , com aqueles solos com limite de plasticidade mui

to perto do limite de liquidez ou limite de plasticidade muito

b a i x o , a pressão da mão do operador tem uma influência muito

g r a n d e . Operadores não experientes tendem a descrever estes so

los como não plásticos devido a dificuldade de formar os cilin

dros em qualquer u m i d a d e . A amostra n° 6 foi um caso típico des

ta s i t u a ç ã o .

(41)

5.2.2.3 - Ensaio de granulometria

0 ensaio granul ometri co esta baseado na acei_

tacão de que as partículas maiores que 75 micros são corretamen

te representadas pelo diâmetro da peneira na qual são retidas

e de que o diâmetro das partículas menores que 75 mícrons é co_r

retamente determinado pela velocidade terminal destas num f l u i

-d o , veloci-da-de que é estabeleci-da pela lei -de S t o k e s .

Os métodos das normas da ABNT e DNER são s i

m i l a r e s , embora neste último não haja orientação para se c o n s

-trui r as curvas de correção e calibração dos densímetros. Lambe

por exemplo (42) indica que uma correção de imersão deve ser

aplicada para as três primeiras leituras quando o densímetro pe_r

manece na s u s p e n s ã o . As normas do LCPC (43) utilizam a correção

indicada por L a m b e .

Os procedimentos das normas ABNT e DNER p e r

-mitem vã ri as alternativas com referencia ao uso de equipamento;

por isso a seguir se enumeram as adotadas para os ensaios neste

trabalho:

a) A variação de temperatura no laboratório

foi muito pequena (± Z° C ) , permitindo

e-liminar o uso de banho de temperatura cons_

t a n t e .

b) A concentração de solo na suspensão foi

variada como segue: para solos arenosos

l O O g , para os solos argilosos 70g com

ex-ceção da amostra n9 14 onde o peso foi de

5 0 g , amostra n9 15 com 40g e amostra n9

15 com 4 0 g .

c) 0 defloculante usado foi hexametafosfato

de sódio tamponado com carbonato de sódio.

d) 0 volume da parte imersa do densímetro foi

obtido imergindo-o em uma proveta

gradua-da e verificando-se o acréscimo de volume

de a g u a .

(42)

As dificuldades observadas durante a e x e c u

-ção dos ensaios que parecem mais importantes por sua

influen-cia nos resultados foram as seguintes:

a) Durante o processo de homogeneização e

defloculação mecânica usando um agita

-dor de alta v e l o c i d a d e , os materiais are_

nosos formaram muita espuma e esta apare

cia outra vez durante a agitação na p r o

-veta de e n s a i o . As figuras 5.5a e 5.5b

mostram este fenómeno c l a r a m e n t e . A c o n

-sequência da formação de espuma foi que

as primeiras leituras do densímetro não

podiam ser tomadas com p r e c i s ã o .

b) Como se indicou na lista de alternativas

usadas para o e n s a i o , as concentrações

de solo na suspensão foram variadas para

as amostras n

o s

1 4 , 15 e 1 6 . No caso da

amostra n° 14 uma concentração de 70 g

por litro dava como resultado leituras

do densímetro muito a l t a s , isto e , o n í

-vel do densímetro ficava fora da e s c a l a .

0 maior problema encontrado com as a m o s

-tras n°s 15 e 16 foi a impossibilidade

1

de se obter uma suspensão uniforme com

70g; além do m a i s , as características tj_

xotrõpicas destes sol os traduziam-se num

endureci mento da sus pensão apÕs poucos

minutos da iniciação do e n s a i o .

Parece de interesse sugerir que os p roce

di-mentos das normas usadas deveriam indicar estes fenómenos e

proporcionar modos de solucionar estas d i f i c u l d a d e s .

Durante os ensaios de granulometria

usaram--se quatro densímetros calibrados; estes ensaios foram então

executados em grupos de quatro solos ao mesmo t e m p o . A figura

5.5c mostra os solos nPs 1, 3, 8 e 16 apÕs 25 horas de sedimen

t a c ã o .

(43)

5.2.2.4 - Ensaio de densidade r e a l .

0 aspecto mais importante para a dete rmi n_a

ção da densidade real de um material e" a eliminação do ar ade_

rente ao s o l o . Dois são os procedimentos mais comuns para elji_

minar o ar: uso da bomba de vácuo e incremento de temperatura

da amostra no picnÔmetro usando "banho maria". As normas do

DNER e ABNT diferem neste aspecto: o DNER recomenda o uso de

"banho m a r i a " , enquanto a ABNT recomenda o uso da bomba de vã

c u o . Outra diferença de importância radical e no tamanho do

picnÔmetro u s a d o . A ABNT indica um picnÔmetro de 500 m l , no

entanto o DNER recomenda um picnÔmetro de 50 ml . E" claro que

quanto maior for o volume de solo a ser usado maior será a pre

cisão do e n s a i o .

0 procedimento da ABNT recomenda o uso de

um agitador para homogeneizar a amostra antes de ser colocada

no p i c n Ô m e t r o , no entanto o DNER indica colocação do solo s e

co diretamente no picnÔmetro e assume homogeneização por a g i

-tação manual d e s t e . 0 uso de homogenei zador mecânico sÕ e pos_

sTvel devido ao grande volume do pi cnometro recomendado pela

A B N T .

Como foi dito anteri o r m e n t e , durante os

trabalhos de laboratório adotou-se o ensaio recomendado pelas

normas do DNER com algumas variantes que são descritas a s e

-gui r:

a) Todas as amostras com exceção das a m o s

-tras n°s 1, 2 e 3 foram secadas em es tu

fa a 60°C. Foram feitas correções por

diferença de umidade entre 60°C e 110°C.

0 motivo de testar as amostras sem s e

-cagem a 110°C é" que várias delas são

de origem laterTtica q u e , como se s a b e ,

são influenciadas por exposição a tempe_

ratura maior que 100°C por longo t e m p o .

0 mesmo pode-se dizer das amostras q u e ,

se p r e s u m e , contenham matéria o r g â n i c a .

Referências

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