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FRANCISCA LIMA DA SILVA

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO

CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS

COORDENAÇÃO DO CURSO DE BACHARELADO EM HISTÓRIA

FRANCISCA LIMA DA SILVA

PLÁCIDO DE CASTRO: a construção do mito político

Rio Branco – Acre 2011

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FRANCISCA LIMA DA SILVA

PLÁCIDO DE CASTRO: a construção do mito político.

Monografia apresentada como exigência parcial para obtenção do título de bacharel em História à Universidade Federal do Acre, sob a orientação do prof. Dr. Airton Chaves da Rocha.

Rio Branco - Acre 2011

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FRANCISCA LIMA DA SILVA

PLÁCIDO DE CASTRO: a construção do mito político.

Monografia apresentada ao Curso de Bacharelado em História da Universidade Federal do Acre, como requisito parcial a obtenção do título de bacharel em História e aprovada pela seguinte banca examinadora:

____________________________________________________________________ Prof. Dr. Airton Chaves da Rocha (orientador)

____________________________________________________________________ Prof. Dr. José Dourado de Souza (examinador)

____________________________________________________________________ Prof. Msc. Geórgia Pereira Lima (examinadora)

Rio Branco – Acre 2011

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SILVA, F. L. DA, 2011.

SILVA, Francisca Lima da. Plácido de Castro: a construção do mito político. Rio Branco: UFAC, 2011. 45f.

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central da UFAC.

Marcelino G. M. Monteiro – CRB 11ª - 258

S586p Silva, Francisca Lima da, 1984 -

Plácido de castro: a construção do mito político / Francisca Lima da Silva --- Rio Branco : UFAC, 2011.

45f : il. ; 30cm.

Monografia (Graduação em História) – Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Acre.

Orientador: Prof. Dr. Airton Chaves da Rocha. Inclui bibliografia

1. Castro, Plácido de, 1873-1908. . 2. Acre - História. I. Título. CDD.: 981.12

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DEDICATÓRIA

Dedico esta monografia aos meus queridos Sobrinhos André Crisney, Eudeson e Elane. Pela a nossa eterna amizade e cumplicidade.

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AGRADECIMENTOS

A minha família pelo apoio na elaboração deste trabalho. Especialmente as minhas queridas irmãs por me incentivarem nas minhas decisões.

Ao meu orientador prof. Dr. Airton Chaves da Rocha, pela dedicação e a responsabilidade que sempre demonstrou durante as orientações.

Ao professor José Dourado, pela dedicação e compreensão que demonstra aos acadêmicos do curso de Bacharelado.

A querida professora Geórgia Lima, pela contribuição na elaboração desta monografia. Ao professor Francisco Bento, pelo o material que me forneceu durante a pesquisa.

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RESUMO:

O trabalho trata fundamentalmente de problematizar alguns aspectos trajetória da figura de Plácido de Castro, analisando como alguns escritos historiográficos transformaram o comandante da chamada “revolução acreana”, em mito político. Portanto realiza-se uma abordagem tentando identificar como o legado de Plácido de Castro foi resignificado ao longo do tempo, por grupos de poder. A metodologia principal utilizada foi à pesquisa bibliográfica com o fim de questionar a produção de uma História oficial que valoriza apenas alguns sujeitos sociais. O resultado alcançado foi o de perceber a necessidade da construção de uma História política que seja mais democrática, em que se busque mapear o desempenho de outros sujeitos sociais no processo de anexação do Acre ao Brasil. O estudo chega a uma conclusão provisória indicando a necessidade de se fazer uma revisão mais ampla sobre a historiografia acreana.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO... 07

CAPÍTULO 1. PLÁCIDO DE CASTRO: A CONSTRUÇÃO DO MITO. 1.1. A construção dos mitos ... 11 1.2. A resignificação de Plácido de Plácido de Castro ... 15

1.3. A escrita da História política do Acre ... 17

CAPÍTULO 2. A HISTÓRIA E A CONSTUÇÃO DO MITO. 2.1. O Olhar de Genesco de Castro ... 23

2.2. O Olhar de Craveiro Costa ... 25

2.3. O Olhar de Abguar Bastos ... . 27

CAPÍTULO 3. OUTROS SUJEITOS DA REVOLUÇÃO. 3.1. Por uma desconstrução do mito ... 32

3.2. Por outras Memórias e outra História ... 37

CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 39

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INTRODUÇÃO.

O trabalho realizado teve por finalidade problematizar alguns escritos sobre a trajetória de Plácido de Castro e sua condução no processo da chamada “Revolução acreana”, objetivando mapear os discursos construídos que transformaram o comandante do exército, em mito político. Procurou-se discutir alguns aspectos pouco abordados, acreditando-se que esta seja uma maneira de compreendermos os fatores que contribuíram para a construção do mito existente em torno de Castro.

Diversas motivações levaram-me a definir essa temática como objeto de estudo. A motivação inicial deveu-se a percepção do uso político do legado histórico da pessoa de Plácido de Castro, pelo grupo político instalado no Acre a partir de 1998. Percebeu-se que desde então o grupo no poder vem realizando apropriações do legado de Castro, procurando insistentemente resignificar temas como a “Revolução acreana”, e o “Tratado de Petrópolis”. A figura do Plácido de Castro tem sido foco de atenção, exemplo disso foi à criação de uma lei em 2004 que transformou Plácido de Castro em herói nacional, sendo entronizado como panteão da pátria e também a criação do Parque Municipal Plácido de Castro, em Rio Branco, em 2008. Situação como essa me levaram decidir questionar sobre os significados desse retorno a um passado com a finalidade de resignificar um sentimento de patriotismo. A atualidade dessa temática foi motivante.

A segunda justificativa para definição dessa temática como objeto de pesquisa foi à possibilidade de problematizar um tema velho a partir de novas perspectivas. Sabe-se que temáticas como as da chamada “Revolução acreana” sempre foram discutidas na perspectiva da corrente historiográfica conhecida como história positivista, supervalorizando algumas pessoas e colocando outras no anonimato. Seringueiros, índios, mulheres, praticamente não aparecem no movimento armado que levou a anexação do Acre, ao Brasil. Essas e outras razões não explicitadas foram essenciais na definição dessa temática como objeto de estudo.

A problemática de estudo que conduziu a elaboração deste trabalho consistiu na tentativa de se perceber os interesses políticos na resignificação da trajetória de Plácido de Castro, na análise dos registros que foram fundantes na construído mito de Plácido Castro e na perspectiva da construção de uma história do Acre, mais democrática.

Algumas questões de estudo foram posta. Quais os interesses envolvidos na reapropriação do legado de Plácido de Castro e no retorno do patriotismo exacerbado? Quem foram os autores

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que construíram as versões sobre a chamada “Revolução acreana”? Que razões os levaram a escreverem os livros? Que concepções de História tinham? Estavam a serviço de quem? Como foi construído o mito Plácido de Castro? Como dar visibilidade a outros sujeitos sociais que participaram da “Revolução acreana”?

A partir dessas questões definiu-se como objetivo geral do trabalho, problematizar aspectos de uma historiografia oficial buscando perceber como na construção de um discurso centrado apenas na história política de alguns homens, foi obscurecida a efetiva participação de diversos sujeitos sociais no processo de incorporação do Acre ao Brasil. Não concordando com uma visão unilateral da história do Acre alguns objetivos específicos foram definidos, na perspectiva da escrita de uma História mais democrática. O primeiro objetivo definido foi o de tentar compreender os interesses por um retorno a um tipo de patriotismo que se esperava superado. Outro foi o de realizarmos uma análise das principais interpretações existentes, objetivando identificar elementos definidores na construção do mito em torno da figura de Plácido de Castro. Buscou-se também através dos não ditos, de uma memória subterrânea, a presença de anônimos na luta pela posse do hoje estado do Acre. Contribuir na construção de outra memória sobre a chamada “Revolução acreana, foi um dos objetivos específicos definidos para este texto. O suporte teórico-metodológico para a discussão proposta são os conceitos de mito, discurso, resignicação, inferência, História política, Revolução acreana, História social, discurso, memória subterrânea, entre outros. Para isso os autores lidos foram Nara Brito, Paulo Micelli, Michel Foucault e Peter Berger.

O procedimento metodológico adotado para a elaboração deste trabalho foi consultas bibliográficas de obras produzidas pelos escritores Abguar Bastos, Augusto Meira, Genesco de Castro, Craveiro Costa, José Freitas, Araújo Lima, além de outros autores utilizados na abordagem sobre a construção do mito Plácido de Castro, além de teses, dissertações, artigos de jornais, produzidos por alguns professores da Universidade Federal do Acre, dentre os quais Eduardo Carneiro, Gerson Albuquerque e Francisco Bento.

No primeiro capítulo apresenta-se uma reflexão sobre a construção dos mitos, discutindo como mesmos são utilizados social e politicamente na manutenção do status de grupos que estão poder.

No segundo capítulo busca-se analisar como escritores Genesco de Castro, Craveiro Costa, Abguar Bastos e Augusto Meira contribuíram para a construção do mito Plácido de Castro. A

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reflexão centra-se no período em que esses autores produziram suas obras, nas quais já é muito presente a exaltação ao militarismo da “Revolução Acreana”. O intuito neste capítulo é trazer ao nosso conhecimento que desde as primeiras produções históricas sobre a “Revolução Acreana, os autores deixam claro o objetivo de endeusar á figura de Plácido de Castro o apresentando como o “libertador do Acre.

No terceiro e último capítulo, procurou-se evidenciar que além de Plácido de Castro e da elite constituída por advogados, jornalistas e proprietários de seringais, outros sujeitos sociais como seringueiros, índios e mulheres também participaram do processo político de incorporação do Acre ao território brasileiro. Acredita-se que essa é uma forma de democratizar a Escrita da História.

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CAPÍTULO 1. PLÁCIDO DE CASTRO: A CONSTRUÇÃO DO MITO

Nara Brito autora do livro A construção do mito de Osvaldo Cruz, analisa os mitos como construção de uma conjuntura relacionada tanto ao desenvolvimento mental quanto cultural do ser humano, do que com as práticas do sujeito mitológico, e do próprio objeto mitológico. Esta é uma evidência presente na grande parte das personalidades humanas existentes nas diversas sociedades, resultado da falta de conhecimento das pessoas e que acaba interferindo na formação de suas opiniões. Este é um dos mecanismos mais utilizados pelos governantes para garantir seu domínio de forma segura.

Na interpretação de Brito os mitos são construídos sempre com o firme propósito de dominação coletiva sendo muito comuns os privilegiados pelo o conhecimento representar os menos favorecidos e assim sendo passam a utilizar-se da representação de uma determinada personalidade por necessidade própria, construindo assim um mito em torno da mesma. Temos como exemplo em nosso Estado a figura de Plácido de Castro apresentado na escrita da história como herói da “Revolução Acreana” e pelo o grupo político que está administrando o Acre há doze anos, período que vem se apoderando de sua figura para se beneficiar politicamente. Joana Camargo em sua dissertação de mestrado trata sobre a construção e a permanência dos mitos, onde faz uma abordagem a respeito da utilização dos mesmos, questionando que seria viável que fossem substituídos pela liberdade democrática dos que constituem a sociedade, proporcionando assim meios capazes de organizar sua formação e administração impedindo que certos membros exercendo seu poder criem um discurso que os transformem em donos absolutos da verdade. O raciocínio da autora se direciona para a atual realidade do Acre onde o mito de Plácido de Castro é indispensável no campo político, pois a figura do herói vem gerando resultados positivos ao grupo político que assumiu o poder nos últimos anos.

Paulo Micelli em seu livro O mito do herói nacional traz exemplos de como os mitos são construídos e da admiração pelos heróis ao afirmar que “vem de muito longe no tempo, desde quando pelo o que se acreditava ser uma especial proteção dos deuses, uns poucos começaram a destacar-se da imensa multidão de medíocres-anônimos-acomodados para conduzir o destino coletivo, de acordo com sua vontade aparentemente superior. Enquanto a maioria curvava-se ás imposições sociais, o herói atuava em sentido contrario, protestando e combatendo, orgulhoso e ressentido.”( O mito do herói nacional, p.10).

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Considerando o questionamento do autor o mito de Plácido de Castro se fortalece por está direcionado na escrita da história como herói nacional em função do patriotismo coletivo principal respaldo utilizado pela história oficial para justificar a luta desencadeada para “salvar” o Acre e proclamar definitivamente sua independência e seu progresso.

1.1 A construção dos mitos

Felipe Cardoso em sua dissertação de mestrado trata da origem dos mitos, onde observa que geralmente são construídos como uma representação da verdade tornando-se assim algo real, pois em sua análise o mito aparece como única história verdadeira que além de reproduzir símbolos que acabam tornando o abstrato em concreto exerce uma função social entre os homens que se unem e encontram nele a sustentação para seus propósitos.

Na observação de Cardoso os mitos são construídos não somente para fornecer explicações, mas principalmente para acomodar o homem em seu lugar e assim tornam-se admirados e respeitados cumprindo diversos papéis, sendo o mais óbvio estabelecer uma verdade. Levando em consideração a observação do autor é possível compreender que no Acre o mito construído sobre Plácido de Castro cumpre a função de forjar uma realidade na qual aparece como o homem que liderou a “Revolução Acreana” somente por uma questão de “patriotismo” e comprometido com os interesses patrióticos de todos.

A “Revolução Acreana” é considerada uma conquista histórica do “povo acreano” é tradição no bairro seis de Agosto comemorar a data com desfile, música e principalmente discursos políticos. O Estado está repleto de espaços construídos em memória ao herói, que “defendeu” o Acre da invasão estrangeira, essa alusão faz com que se fortaleça cada vez mais o mito. Na versão brasileira da “Revolução Acreana” Plácido de Castro é apresentado como um admirável herói, enquanto que na versão do historiador boliviano Hernán Missutti, o herói brasileiro foi apenas um mercenário pago pelo governo do Amazonas que tinha como finalidade arruinar a Bolívia que havia acabado de sofrer uma derrota em uma guerra contra o Chile.

Para Missutti o que justifica a “guerra” é a ambição brasileira pelo lucro que a venda da borracha gerava e não o sentimento antiimperialista de Plácido de Castro e a busca pelo patrialismo dos homens que fizeram a “Revolução”, analisando as duas versões da “Revolução Acreana” algumas divergências ficam evidentes, pois alguns autores como Marcus Vinicius,

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Genesco de Castro, Araújo, Craveiro Costa e outros falam de uma “Revolução”, enquanto para o historiador boliviano em nenhum momento houve Revolução e sim uma “guerra” ocasionada por interesses econômicos e que o Acre não foi conquistado foi roubado da Bolívia.

A versão de Missutti identifica outro olhar no qual a origem da “Revolução Acreana” aparece como uma busca pela riqueza e que o Acre pertencia á Bolívia e não ao Brasil. O historiador Marcus Vinicius constantemente vem escrevendo trabalhos sobre a “Revolução Acreana” nos quais enaltece Plácido de Castro pelo que fez para “libertar” o Acre, por seu “empenho” para tornar-lo, brasileiro esta é uma das inúmeras estratégias utilizadas para garantia do poder político do grupo petista no Acre. É Inegável que o mito de Plácido de Castro está sendo simbolizado num sentido de pertencimento coletivo produzindo uma eterna harmonia em todas as esferas da sociedade acreana.

Símbolo da esperança, um sentimento prevalece sobre todas as demais circunstâncias responsáveis pela consagração de um herói: a ilusão de que, magicamente, só ele pode fundir todas as múltiplas partes que compõem a realização de um ideal de libertação e emancipação de um país, de uma classe social, de uma etnia, de grupos religiosos e de uma infinidade de instituições e agrupamentos sociais, criados e mantidos por interesses e intenções igualmente múltiplos e quase nunca transparentes. (Paulo Micelli 1994, P.12)

A visão que Micelli traz em relação aos heróis nos aproxima da história oficial que apresenta Plácido de Castro não somente como responsável pela emancipação do povo acreano, mas também por sua identidade. Nessa construção heróica o mesmo foi transformado em mito e atualmente aparece para construir uma realidade em que os acreanos se distanciam da sua realidade e passam a se identificar com um passado histórico.

Gil Cavalcante ao tratar dos mitos e das necessidades humanas em sua dissertação de mestrado, percebe que são inúmeros os que atuam em uma determinada sociedade, alguns conseguem se enraizar outros não, o mito de Plácido de Castro se enraizou por ter como característica o heroísmo que visa acima de tudo controlar os homens. Como já ficou evidente, os mitos são construídos sempre por uma necessidade que os homens sentem em construir argumentos sólidos e possíveis de serem revelados quando deixam transparecer suas intencionalidades. A partir da versão construída sobre Plácido de Castro é possível notar que as exaltações ao mesmo fazem parte de uma importante fundamentação do discurso mantido pelos que se apropriam de sua figura apelando para o patriotismo coletivo e permanência de tal sentimento. O mito criado e mantido a respeito de Plácido de Castro progride cada vez mais contribuindo

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para uma imagem perfeita do herói e do homem, verdadeiro símbolo da “Revolução Acreana” isso nos faz pensar que sua morte permite sua heroificação, finalizando por completo qualquer questionamento a seu respeito.

Gustavo Antunes produziu uma dissertação de mestrado sobre a importância dos mitos, os retratando como necessidades políticas de homens que se utilizam da imagem dos mesmos para atingirem seus objetivos, nessa perspectiva é que se construiu o mito de Plácido de Castro onde sua existência é fundamental por favorecer o discurso patriótico que se prolonga cada vez mais entre os acreanos, sendo notável o interesse da história oficial em nos fazer acreditar fielmente que o que ocasionou a “guerra” entre o Brasil e a Bolívia foi o sentimento antiimperialista de Plácido de Castro e o patriotismo dos que fizeram a “Revolução” com a finalidade de se tornarem brasileiros.

Em defesa do discurso que assegura um passado heróico fez-se necessário criar o mito em torno de Plácido de Castro, já que dessa forma é possível reviver o passado “honroso” que tivemos e nos espelhar no “patriotismo” dos homens que aparecem na escrita da história como heróis por terem defendido o direito de ser brasileiros. O discurso tende a nos mostrar que assim como os “heróis” nós devemos defender o novo Acre e lutar por sua “evolução”. Com isso o mito de Plácido de Castro exerce sua força e torna-se visível em nosso Estado onde é usado constantemente para representar o “heroísmo” dos acreanos e criando uma fidelidade cada vez mais forte ao discurso.

Na maioria das vezes a construção dos mitos surge da necessidade de respostas ao contrário do que ocorre com a construção do mito de Plácido de Castro, construído para dignificar um passado em que a cobiça econômica foi à principal causa da “Revolução”, e que a busca por riquezas motivou os homens a fazer a “Revolução Acreana”. A construção do mito existente em torno de Plácido de Castro oculta os verdadeiros ideais da “Revolução” e sustenta o discurso de uma luta patriótica na qual o patriotismo dos homens causou a morte de muitas pessoas. O mito de Plácido de Casto foi sendo empregado para fortalecer o contínuo discurso de patriotismo que se expande no Acre e a história oficial se empenha em apresentar a versão de que a “guerra” se originou pela insatisfação dos brasileiros contra os bolivianos, mas esta é uma das inúmeras tentativas de ocultar os ideais econômicos dos seringalistas que apoiaram Plácido de Castro na “Revolução” obrigando os seringueiros a lutar na guerra.

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A “guerra do Acre” fez parte de uma conjuntura internacional em que a busca pelo lucro foi levada ao extremo através da política imperialista dos países “centrais”. A conquista territorial e o domínio econômico sobre outras nações eram vitais para a sobrevivência das indústrias modernas. Por meio do controle das fontes de matérias-primas, pretendia-se vencer a “encarniçada” concorrência. No final do século XIX, o Acre torna-se um dos principais alvos do capital, por ter a maior fonte de látex, elemento essencial à indústria pneumática. O capital chega ao Acre em seu modelo selvagem e constrói toda a engrenagem do sistema de aviamento. Em busca de inversão lucrativa rompe as “veias acreanas” e, indiferente às danosas conseqüências sociais, suga o máximo de seu látex. Para obter o excedente, o capital torna-se indiferente à ética – invade as terras bolivianas, destrói a floresta, extermina os índios, submete as pessoas à semi-escravidão, encobre a corrupção, apóia a sonegação fiscal, promove conflitos, produz o subdesenvolvimento e até patrocina historiografias capazes de justificar suas ações. Mas não se pode esquecer que, em âmbito local, havia quem se enriquecia com tudo isso: os seringalistas e os governadores do Amazonas e do Pará. (Eduardo Carneiro. 2006)

Vista a partir dessa análise a “Revolução” aparece como um esquema no qual a obsessão pela riqueza não respeitou limites e o Acre apesar de está distante dos grandes centros comerciais era uma região que possuía uma grande fonte de látex por isso é que se tornou principal vítima da concorrência capitalista.

Na interpretação do professor Eduardo Carneiro os movimentos revolucionários ocorridos no Acre aparecem como uma busca pelo domínio econômico e não somente a luta contra o imperialismo como nos mostram atualmente, negando-se que a razão da “guerra” entre o Brasil e Bolívia foi à posse pelo Acre devido à grande quantidade de seringueiras que existia na região e o látex extraído era garantia de vantagens econômicas.

Carneiro evidencia a “Revolução Acreana” como uma disputa entre capitalistas na qual muitas pessoas foram exploradas tendo como exemplo os seringueiros que não conseguiam quitar suas dívidas e estavam sempre devendo nos barracões onde o preço dos produtos era desproporcional, mas por não haver alternativa eram obrigados a pagar. Cláudio Araújo Lima no livro um caudilho contra o imperialismo aponta alguns atos corruptos ocorridos nos seringais quando se refere à má qualidade dos produtos enviados aos seringueiros, deixando evidente que tais esquemas contribuíram para o enriquecimento dos seringalistas.

O próprio Plácido de Castro que hoje aparece como herói da “Revolução Acreana” se tornou proprietário de terras enquanto que a vida dos seringueiros em nada mudou e continuaram sendo explorados pelos seringalistas. Diante disso percebe-se que a “Revolução Acreana” gerou benefícios somente aos seus próprios líderes e o discurso de patriotismo pronunciado hoje é uma forma encontrada para cativar a idéia de “Revolução” que os atuais governos orgulhosamente

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fazem questão de comemorar e a história oficial aplaude por representar a “vitória do Acre, onde o atual grupo político é o principal interessado em continuar honrando o patriotismo dos homens que fizeram a “Revolução Acreana” e cultuando o mito criado em torno de Plácido de Castro.

Diversos trabalhos repetem a versão construída ao longo da história muitas vezes com certo exagero criando uma imagem atraente da “Revolução”. Esta imagem já está presente em Abguar Bastos e outros autores como o historiador Marcus Vinicius Neves que dar continuidade a antiga versão de “patriotismo” e coragem. A “Revolução Acreana” encontra seu ápice nas passagens que interpretam o heroísmo de Plácido de Castro na “luta” para tornar o Acre brasileiro com isso o espírito da história oficial firma-se na defesa de seus atos militares e no sentimento “patriótico do povo”.

O Acre é hoje um estado multiétnico. Sua população é constituída por descendentes de todas as raças que historicamente formaram a sociedade brasileira. Ainda possui 14 etnias indígenas reconhecidas e organizadas, além de grupos de índios isolados dentro da floresta vivendo como há cinco mil anos. Esta sociedade multifacetada apresenta, entretanto, uma intensa identificação sócio-cultural. O sentimento de ser acreano é muito mais amplo que as fronteiras desse pequeno estado situado no extremo ocidental da Amazônia brasileira. (Marcus Vinicius Neves, 2004).

A sensibilidade ao “patriotismo” dos primeiros acreanos é muito presente assim como a exclusão das memórias dos outros sujeitos da “Revolução Acreana” que deveriam ser importante objeto de discussão para os historiadores, mas a maioria opta por escrever uma história enaltecedora da “Revolução Acreana”. O estudo das memórias dos que não são abordados na escrita da história estabelece um olhar para esses sujeitos.

1.2. Resignificação de Plácido de Castro

O grupo político formado por membros do partido dos trabalhadores que está administrando o Acre desde 1998, quando Jorge Viana foi eleito pela primeira prefeito da cidade de Rio Branco, dando inicio a uma revitalização dos locais onde ocorreram os principais conflitos da “Revolução Acreana”. A partir de então em vários pontos da cidade os espaços estão sendo revitalizados, como por exemplo, o porto da gameleira, a Praça da Revolução e o parque Plácido de Castro, construído no local em que o mesmo foi ferido com um tiro que causou sua morte, isso não deixa dúvida do reconhecimento aos “defensores” do Acre. Estamos vivendo um período em que o passado ressurge com força no presente. O processo de revitalização assim

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como a resignificação de Plácido de Castro no atual cenário acreano vem sendo mostrado como forma de ilustrar a originalidade acreana onde resignificar representa para o atual grupo petista aquisição de poder político, uma vez que a insere no seu discurso como uma ferramenta na manutenção dos seus objetivos.

Para Pedro Rudolf (2002) o processo de revitalização cumpre uma função fundamental nas idealizações políticas de uma sociedade por envolver o coletivo e não o individual. O autor avança significativamente no que diz respeito à função que cumpre o processo de revitalização, pois sua análise nos permite entender a atual realidade do Acre, que vive um período de revitalização onde todas as perspectivas de transformação são apresentadas como esperança de uma vida melhor e as promessas de igualdade social são possíveis num futuro que não se realiza e dessa forma as promessas vão se eternizam no Estado.

A revitalização promovida no Acre não esconde o desejo dos governantes de encontrarem o refugio que precisam para dar continuidade a sua política de preservação dos espaços e inventar um novo Acre, compartilhado por todos onde o tradicional e o moderno se combinam e impressionam seus visitantes. Para Hobsbawm o processo de invenção refere-se á criação de rituais e de regras que buscam traçar uma continuidade com o passado, realidade vivenciada no Acre onde o atual grupo político encontra na resignificação de Plácido de Castro uma forma de levar em frente o discurso de um passado heróico.

A resignificação de Plácido de Castro proclama uma nova realidade para o Acre que se revela através dos signos e símbolo presentes na cidade onde o herói vem sendo usado como alicerce político e incorporado no discurso como identificação de heroísmo no qual precisamos nos inspirar e demonstrar nosso patriotismo, expressão privilegiada e mostrada na sociedade como marca de um povo.

A presente resignificação de herói Plácido de Castro agrega criatividade e inovação num contexto político que emprega crescentes recursos simbólicos para atrair o olhar das pessoas. Ficando compreendido que sua resignificação tem se tornado útil no processo de consolidação de um Acre moderno e além de construir uma nova visão a respeito do Acre também faz com que os homens por meio do herói reconheçam sua identidade.

É interessante para os atuais governantes resignificar o herói da “Revolução Acreana”, pois se trata de uma incansável idéia de nos aproximar do passado que tivemos e para atingirem sua meta se utilizam de símbolos que revivem a “vitória” de Plácido de Castro, e as lembranças são

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importantes por nos proporcionar alegria de sermos herdeiros de suas “conquistas” e através da resignificação se constitui o discurso patriótico. A resignificação se tornou um conjunto de recordação da “Revolução Acreana” e os investimentos têm sido realizados com a finalidade de possibilitar o fortalecimento político no Acre, onde os governantes atuam através da renovação da identidade cultural e histórica do povo acreano.

O resignificar do herói da “Revolução Acreana” se destaca dentro de uma associação de símbolos e signos estabelecidos para honrar a memória do homem que “conquistou” o Acre. E uma das formas mais nítidas da resignificação aparece através das comemorações oficiais do centenário da “Revolução Acreana” promovidas pelos governos nos últimos doze anos, quando diversos artifícios sobre a história do Acre passaram a ser mostrados para sustentar o discurso de patriotismo reproduzido no Estado.

A resignificação de Plácido de Castro na sociedade acreana tem subsidiado as ações políticas dos governos já que o resignificar do herói permite aos acreanos um fantástico reencontro com o passado que está intimamente ligado ao futuro projetado pelos governos norteando e coordenando os rumos políticos no Acre. A resignificação de Plácido de Castro no seio da sociedade nada mais é que uma expressão enaltecedora a sua figura que contribui significativamente para a construção de uma perfeita imagem do herói que em busca da “independência” do Acre enfrentou inúmeros riscos no interior dos seringais onde ocorriam os combates e sua morte representou uma grande perda para os acreanos e resignificá-lo hoje é uma forma de fazer “justiça ao herói.

O “patriotismo”, a “heroicidade” de alguns homens que participaram do processo de anexação do Acre ao Brasil já vem sendo admirado há muito tempo. O reconhecimento aos atos heróicos de alguns homens é enorme na escrita da história onde são visualizados como libertadores do Acre e poucas pessoas são levadas em consideração. Atualmente Plácido de Castro vem sendo constantemente enaltecidos, mas tal exaltação não é recente trata-se de uma realidade muito antiga presente na historiografia Acreana. Já podemos observar isso no livro de Augusto Meira A Autonomia Acreana de 1913 no qual Plácido de Castro é a principal motivação do autor

A índole dos acreanos é uma soma e uma síntese, o caldeamento de todas as forças vivas de nossa nacionalidade e é perfeitamente determinado, já pelas qualidades nativas das terras heróicas de onde se originou já remodeladas, refeita, redivivas, pelo rendido da luta, pela experiência que vigora, pela consciência da vitória e da conquista, resultado único do seu esforço próprio, inteiramente desejado nos lances mais destemidos. (Augusto Meira, 1913, P. 29).

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Para Meira o lema do patriotismo dos acreanos não foi o romântico morrer pela pátria, mas viver para ela, agindo e lutando por ela, procurando enaltecer o quadro, onde robustamente a sua atividade se emoldurou, o autor ver o patriotismo dos acreanos como um crescente de individualidade, no qual transborda uma exaltação nobre do próprio egoísmo, onde a grandeza da força dar unificação aos interesses.

Como bem nos mostra Meira, o patriotismo dos homens que fizeram a “Revolução Acreana” já havia se tornado reconhecido, principalmente para elite da época, portanto ela sempre existiu na sociedade acreana, mas nos últimos anos tem se fortalecido bastante por meio do emocionante discurso que procura nos encher de “orgulho” por termos um passado “admirável” prevalecendo o engrandecimento aos atos heróicos de Plácido de Castro que tornou o Acre brasileiro. A análise realizada a respeito da “Revolução Acreana” nos permite observar que o mito de Plácido de Castro foi sendo construído ao longo do tempo e se intensificando na sociedade onde as ações patrióticas desenvolvidas durante a “Revolução Acreana” são enaltecidas através do discurso de patriotismo dos atuais governos.

É possível perceber que a idéia de “patriotismo” que predomina no Acre hoje, se formou em virtude de algumas práticas realizadas por pessoas que tinham interesse em enriquecer no Acre. A história retrata a “Revolução Acreana” como uma demonstração de amor dos acreanos que por meio de sua coragem nos proporcionaram um passado glorioso e dominados pelo sentimento patriótico não mediram esforços para integrar o Acre ao Brasil.

A referência aos primeiros acreanos está presente na história, o que significa dizer que a consagração dos heróis apresentados hoje se fundamenta em um passado de conquistas obtidas graças à valentia de homens que se dispuseram a lutar pela “liberdade” dos brasileiros que viviam no Acre.

Na escrita da história acreana um marco importante no sentido de difundir a imagem do herói da “Revolução Acreana” é como já vimos o discurso de patriotismo que tem se repercutido no Acre. É visível o interesse do grupo político petista que abraça o discurso de um passado digno de nossa gratidão, nos induzindo a uma eterna admiração por homens que a história nos apresenta como heróis.

O discurso predominante é de que somos privilegiados por um passado vitorioso e responsável pela formação da identidade acreana, que somos herdeiros da “conquista” brasileira. Nos dias de hoje convivemos com o discurso de “Revolução Acreana” no qual os interesses políticos se

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fundamentam, trazendo-nos um passado repleto de batalhas de brasileiros que contribuíram para o que somos hoje.

O discurso se perpetua de maneira muito sólida fazendo com que preserve o respeito pelo herói da “Revolução”, ficando visíveis as ações influenciadoras no pensamento das pessoas que se encantam com a “nobreza” dos brasileiros que se dedicaram durante o período da “Revolução”. A história oficial seleciona somente alguns homens por seus grandes atos, exemplo dessa realidade é Plácido de Castro que se destaca em vários livros escritos sobre o período que corresponde a “Revolução Acreana” e seu destaque ocorre devido suas habilidades na “guerra”. O grupo político petista ao longo de sua administração vem persistindo em preservar viva na lembrança dos acreanos o quanto esses homens se “empenharam” para garantir um futuro de “prosperidade” aos seringueiros que sobreviveram á “Revolução”, homens que são considerados como Deuses, sendo exaltados pela coragem que os conduziu á “Revolução” e homenageados por terem nos deixado um grande exemplo de “patriotismo”. A “R evolução” parece se resumir apenas em alguns conflitos quando muitos homens perderam a vida. Pouco se fala dos seringueiros na “Revolução”, é como se a “Revolução” se configurasse somente em torno de Plácido de Castro exageradamente enaltecido na escrita de história.

Nos últimos doze anos o mito político de Plácido de Castro vem se fortalecendo, uma vez que a atenção está voltada apenas para os feitos patrióticos e outras pessoas que também colocaram em risco a vida não significa muito para o discurso pronunciado nos dias atuais em nosso meio, garantindo assim o lugar dos heróis da “Revolução Acreana” e enaltecendo cada vez mais o papel dos homens que tanto deram de si para “tornar” o Acre brasileiro, por esta razão é que a escrita da história lhes reserva grande espaço.

O discurso evidencia a necessidade de lembrar tais homens, consagrados como heróis insubstituíveis da “Revolução”, como ocorre com a figura de Plácido de Castro. A construção do discurso a respeito de “Revolução” não insere a ação do homem comum como os inúmeros seringueiros que morreram defendendo os ideais dos seringalistas que tinham como único objetivo o lucro obtido com a venda da borracha. A participação dos seringueiros na “Revolução” não tem a mesma importância que a participação dos que são respeitados por terem conduzido a “Revolução”.

Tanto a versão atual quanto a mais antiga, deixam transparecer que foi uma “Revolução” em que o povo não teve participação sendo uma “Revolução” desencadeada somente por indivíduos

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que aparecem como heróis na escrita da história. Os seringueiros que através de seus trabalhos beneficiaram os seringalistas que visavam somente o enriquecimento proporcionado pelo látex extraído da seringueira são obscurecidos na escrita da história.

É importante lembrar o quanto foi fundamental a participação dos seringueiros que foram diretamente envolvidos na “Revolução”, homens que foram obrigados a participar, mesmo sem astúcia, pois o que sabiam fazer era colher o látex da seringueira e transformar em borracha. Mas, diante das ordens do comandante Plácido de Castro e de seus patrões não podiam se recusar uma vez que corriam o risco de sofrem punições, já que era uma das formas empregadas para intimidar os seringueiros que constituíam seu exército.

O discurso procura apresentar somente a versão encantadora da “Revolução” na qual a luta dos brasileiros foi contra o imperialismo, omitindo que foi uma disputa econômica. Assim interpretação da “Revolução” garante a preservação do grupo político petista no poder que usa a imagem de Plácido de Castro para influenciar a opinião das pessoas sobre sua representação na sociedade. A história política do Acre é baseada em um discurso de patriotismo e segue por uma direção que nos levando a memória de um passado que deve ser visitado num novo tempo de mudanças. Esse discurso político foi construído de forma intencional na qual os próprios signos representam a nossa identidade e promovem benefícios aos governantes.

Ao trabalhar o discurso fundador do Acre em sua dissertação de mestrado o professor Eduardo Carneiro diz que o Acre é uma invenção discursiva e que como qualquer comunidade ela não tem uma identidade natural, essencial e imanente, pelo contrário, pode assumir várias formas de acordo com a situação e a posição ideológica de quem a emprega. Seguindo a análise de Carneiro logo se percebe a dimensão do discurso que permeia o Acre, pois deixa evidente seu objetivo de convencer os homens através da imagem patriótica dos “heróis”.

Assim é possível perceber que a escrita da história política do Acre foi construída numa perspectiva ficcional que se revela por meio de uma imagem criada a respeito do passado, apresentado como original e considerado pela maioria dos acreanos, como sua principal característica de identificação a partir do que se construiu sobre o Acre criou nos acreanos o sentimento de “patriotismo”, muito presente nos últimos tempos e influenciando coletivamente através do discurso utilizado na sociedade.

O Acre é utilizado no discurso como representação de patriotismo e heroicidade capazes de distinguir sua identidade transparecendo que o Acre é diferente dos outros Estados por seu

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passado feito de práticas heróicas realizadas por homens que a história oficial transformou em heróis, nos fazendo ver como a história política do Acre está bem edificada no discurso de patriotismo e na criação de identidade do Acre que vem se consolidando no âmbito da invenção, a qual Carneiro trata em sua dissertação.

Como podemos perceber a história política do Acre se traduz em um discurso que procura constituir e unificar os homens em uma identidade que se originou através da luta de indivíduos que além de terem “conquistado” um território, também proporcionaram á gerações futuras um inesquecível referencial de “honra” e “coragem” nos permitindo compreender como o discurso no Acre foi construído para singularizar sua identidade e consagrar definitivamente seu patriotismo símbolos, que nutrem a história política no Estado.

CAPÍTULO 2. A HISTÓRIA E A CONSTRUÇÃO DO MITO

“As conquistas” de Plácido de Castro formam um conjunto discursivo onde são reveladas as intenções dos homens que conservam sua imagem de herói, em sua maioria os autores não discutem a existência de outros sujeitos sociais se restringindo apenas a figura de Plácido de Castro. Esses registros aniquilados e analisados sob um rigoroso procedimento no qual expressam nos diversos aspectos a representatividade do herói na visão dos autores promovendo assim o silêncio dos outros sujeitos sociais da história e consagrando o desejo da elite dominante no Estado constituindo um mecanismo para sua eternização no poder. A construção do mito constitui-se em um dos instrumentos mais eficazes para reprodução do poder político local e os outros sujeitos sociais continuam ausentes na história do Acre.

Do ponto de vista histórico, a construção do mito caracteriza-se pelo predomínio do “patriotismo” reproduzido pelo grupo político petista que administra o Acre, principal interessado em aperfeiçoar e ampliar a imagem de Plácido de Castro decorrendo daí as políticas de valorização ao herói e centrando cada vez mais a articulação sobre sua liderança na “Revolução Acreana” e inviabilizando a participação dos outros sujeitos sociais.

É importante apontar a vivência dos seringueiros nas atividades revolucionarias e agrícolas que propiciaram a formação de uma estrutura regional na qual apenas a elite se beneficiou. Comumente outros sujeitos sociais são silenciados na escrita da história. Tal característica explica a visão que se formou a respeito de Plácido de Castro, que ultrapassa o âmbito do real

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articulando sua existência e revivendo a cada dia a lembrança do seu efetivo prestígio e acumulando assim as contradições que somente seriam superadas com ascensão dos outros sujeitos sociais na escrita da história.

Essas interpretações partem de autores como Genesco de Castro, Abguar Bastos e Craveiro Costa que encontram na figura de Plácido de Castro o suporte necessário para seus trabalhos, nos quais seu militarismo é ilustrado como uma característica que distingue nitidamente a nova estrutura política, social e econômica do Acre. O olhar que os autores estabelecem para Plácido de Castro assume a ótica de uma análise enaltecedora que ao longo dos anos vem se consolidando e se produzindo na escrita da história e invalidando a ativa participação dos outros sujeitos sociais da “Revolução Acreana.

2.1

O olhar de Genesco de Castro.

Plácido de Castro é apresentado na versão de seu irmão Genesco de Castro no livro “o Estado Independente do Acre” como o homem que com seu heroísmo foi o principal responsável pela existência do Acre. A maneira como fala nos possibilita pensar que a “Revolução Acreana” foi o início de tudo já que não somente o seu olhar, mas assim também como diversos autores que produziram trabalho sobre esse assunto voltam o olhar para as realizações de P.de Castro, em “defesa do Acre” e tudo que fez foi por amor a Pátria sempre procurando mostrar que se não tivesse ocorrido a “Revolução Acreana” não existia o Acre.

G. de Castro refere-se ao heroísmo de P. de Plácido enquanto líder da “Revolução Acreana” de uma forma bastante comovente onde defende o posicionamento do irmão de diante das atrocidades as quais comenta do inicio ao fim do livro que segundo ele eram praticadas no Acre. Em suas palavras é possível perceber o ódio que alimentou após o assassinato do irmão quem apresenta como uma figura imprescindível na incorporação do Acre ao Brasil. Para ele o amplo conhecimento militar de P. de Castro foi suficiente para destituir o poder boliviano que havia se constituído na região, G. de Castro retrata P. de Castro não apenas como um homem que lutou durante a “Revolução Acreana”, mas como único homem com capacidade para combater a força boliviana que estava se fortalecendo no Acre o homem que instruiu os seringueiros para a “Revolução”. Como podemos perceber a fidelidade por parte de alguns autores ás “conquistas” heróicas de P. de Castro começa assumir na literatura Acreana características positivistas.

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É interessante notar que nos primeiros escritos sobre a “Revolução Acreana” seus autores já procuram formas de endeusar a figura do “libertador do Acre” e não cansam de mostrá-lo como o homem que influenciou os seringueiros com o sentimento de “patriotismo” o qual foi decisivo para a conquista brasileira a todo o momento G. de Castro expressa um incomparável significado patriótico de P. de Castro colocando suas ações militares sempre á frente das ações diplomáticas. Não se diferenciando muito de outros autores que também utilizam o patriotismo do mesmo para justificar a “Revolução Acreana” o fazendo herói cada vez mais respeitado por seu espírito revolucionário presente na história do Acre.

Essa visão torna evidente que a criação do mito em torno de P. de Castro é decorrente da soma de suas qualidades que a literatura Acreana sempre veiculou e continua veiculando, como podemos ver não só G. de Castro, mas a história do Acre o credencia como um excepcional “defensor” dos seringueiros esse olhar direcionado para suas qualidades contribuiu para a construção de uma imagem formidável a respeito do mesmo e além de mostrar que o que P. de Castro representa atualmente já havia se fortalecido com a visão de G de Castro, assim também como outros autores que também resolveram engrandecer-lo na história.

P. de Castro tem sua trajetória evidenciada por G. de Castro como uma grande lição de compromisso com a nação onde procura sempre mostrar que seu caráter era incomparável ao dos homens que administravam o Acre os quais não tinham respeito pelo povo, e cometiam diversas transgressões, pois tinham plena certeza que nada os afetaria. Não é difícil de perceber que G. de Castro atribui acontecimentos negativos da “Revolução Acreana” somente as autoridades locais e federais.

Tratando do assassinato do meu irmão, bem pouco me ocupo dos indivíduos de que serviu o Coronel Gabino Besouro para organizar a emboscada de flor do Ouro, porque eram tipos inteiramente desclassificados, que assim como se alugaram para assassinar Plácido teriam feito o mesmo para eliminar o Coronel Gabino ou o presidente Afonso Pena. Se o nomeio alguns desses desgraçados, juntamente com o chefe da quadrilha que constituíram, é para frisar a culpabilidade do Coronel Gabino, porque não havia no Rio Acre quem ignorasse que esse terrível bando estava ao serviço do prefeito e eram mantidos pelos cofres da prefeitura. E na Empresa, ou Vila Rio Branco todos viram, assim que Plácido chegou, a saída de vários deles que acompanhando o Sub-Delegado Alexandrino, seguiram para o lugar da emboscada donde só voltaram depois de consumado o crime, e tão certos estavam da impunidade de que gozavam que chegaram a disputar a gloria de ter dado o tiro que matou o Coronel Plácido.(Genesco de Castro,1919 P. 18 ).

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Existe uma separação entre P. de Castro e as outras pessoas que também estiveram envolvidas na consolidação do Acre a nação brasileira, o autor estabelece uma diferença entre P. de Castro mostrado como o homem que sempre defendeu os interesses dos seringueiros no, seu ponto de vista não dar para negar à exaltação a figura de P. de Castro. Olhando pelo mesmo olhar só é possível enxergar a imagem do homem que fez com que o Acre merecidamente fizesse parte do Brasil.

Não podemos esquecer que além dos conflitos armados também houve os acordos diplomáticos fundamentais para estabelecer um acordo entre os Países. É necessário que se compreenda que o militarismo de P. de Castro não foi suficiente para deter os bolivianos. Os conflitos armado foram idealizados pelo mesmo, mas não podemos ignorar as intervenções diplomáticas no processo de negociação dos dois Países.

Outros homens também tiveram significativa atuação como mediadores nos acordos, não existiram somente os atos militares de P. de Castro na ”Revolução Acreana” como o autor procura mostrar ao construir um conjunto de virtudes relacionado aos objetivos patrióticos de seu irmão procurando transformá-lo em herói nacional. Não podemos, portanto tratar o período que corresponde a “Revolução Acreana” como um caso isolado como se não tivesse inserido na história do Brasil já que diversos aspectos abordados por G. de Castro estão diretamente ligados ao aos acontecimentos da República brasileira e que o Acre fez parte do contexto sendo a “Revolução Acreana” um episódio muito repercutido durante a Republica Velha, nos jornais a questão do Acre ganhou destaque durante o período da ‘Revolução Acreana”.

Não podemos esquecer que a “Revolução Acreana” foi uma das principais manifestações a mobilizar a opinião pública principalmente no inicio da República Velha, portanto temos que levar em consideração os aspectos que causaram reflexos na “Revolução Acreana” e não enxergá-la somente em âmbito local já que ela foi muito além, pois a questão acreana estar diretamente ligada ao processo histórico do Brasil.

A Revolução Acreana foi um conflito iniciado já no final do século XIX entre o Brasil e a Bolívia que disputavam o território que hoje é o Acre o interesse pela região levou os dois países ao um serio desentendimento os bolivianos que ocupavam a região reagiam firmes aos brasileiros alguns movimentos foram organizados e enviados para expulsar os bolivianos, mas nem todas obtiveram sucesso já em 1902 é que surge então P. de Castro que a partir de então

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passa a liderar a “Revolução Acreana” nos seringais da região é a partir desse momento que começa a se construir na história do Acre o olhar enaltecedor em torno do mesmo.

G. de Castro olha para o irmão de uma forma enaltecedora o enxergando como o homem que enobreceu os acreanos pelos inúmeros benefícios que realizou em favor do Acre, a maneira como P. de Castro aparece é impossível não identificar a exaltação á sua pessoa. A partir do olhar que a história oficial lança para o mesmo se constitui seu mito. A história quase não fala dos movimentos anteriores como a expedição dos poetas e de Galvez realizados para expulsar os bolivianos substituindo os diversos sujeitos sociais por P. de Castro o que fica muito nítido quando G. de Castro constrói uma figura heróica em torno do mesmo procurando sempre mostrar que a “conquista” do Acre é resultado de seu interesse pela Nação.

Visto nessa perspectiva P. de Castro líder da “Revolução Acreana” aparece como “respeitoso herói’ dos brasileiros não só de sua época, mas, assim também como de épocas posteriores atingindo uma personagem mística na sociedade e livre de qualquer suspeita e interesses econômicos comum no ser humano. G. de Castro apresenta P. de Castro como o herói, o bondoso homem que voluntariamente brigou pela incorporação da região á nação, para ele assim com é para a história acreana falar de P. de Castro é somar suas virtudes, é revelar algumas imagens do homem “justo” que sem nenhuma garantia de recompensa material lutou em beneficio do Acre.

G. de Castro visualiza a conduta de P. de Castro em um nível muito elevado, enquanto que os demais participantes da “Revolução Acreana não representam nada além de um grupo de oportunistas que veio para o Acre somente no intuito de enriquecer e para atingir tais objetivos utilizou-se de meios ilícitos, dessa formas o autor concentra os sentimentos e os valores patrióticos que dominam o pensamento dos acreanos. Assim P. de Castro é transformado em vítima da ganância financeira de homens que não se importavam com mais nada além da riqueza que a região podia lhes proporcionar o posicionamento que G. de Castro assume em relação aos homens que eram enviados para administrar o Acre é negativo e a função de P. de Castro já vai se diferindo de outros sujeitos por seu caráter mostrado como exemplo diante dos administradores do Acre.

Os homens que o Governo Federal empregava no Acre praticavam tais desatinos, violência tão degradantes contra aquele infeliz povo que deixam a perder de vista todas as fantasias desses viajantes estrangeiros sobre a nossa decantada civilização. E o único crime desse povo era a ousadia de haver descoberto, explorado e povoado

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aquela feraz região e depois cometido a imperdoável estupidez de haver repudiado a soberania boliviana para adotar a brasileira.

Os acreanos, por mais que trabalhassem não tinham o direito de enriquecer, como não enriqueciam, eram escorchados pelos impostos, submetidos pela violência a todos os caprichos das autoridades federais, assassinados e roubados impunemente, com o aplauso da imprensa e a indiferença do Governo, mas os que iam do Rio eram respeitados até pelo paludismo, porque nunca se expunham. Por mais insignificantes que fossem os salários, dos amigos do prefeito, eles faziam economias vultosas, voltavam ricos. (CASTRO, P. 23).

A notável atuação de P. de Castro na ”Revolução Acreana” é mostrada por G. de Castro quando deixa claro que seu irmão era o único homem comprometido com o futuro do Acre enquanto e que os seus administradores são apresentados como homens corruptos que cometiam os mais diversos crimes.

Na visão do autor as pessoas só vinham para o Acre em busca de enriquecimento homens sem escrúpulos que exploravam a região a qual só enxergavam como uma grande expectativa de concretizar seus interesses financeiros pouco se importavam com que aconteceria com seu futuro, para G. de Castro a dimensão do “patriotismo” transmitido por P. de Castro ao povo seringueiro resultou na incorporação do Acre ao Brasil.

Os acreanos por mais que trabalhassem não tinham o direito de enriquecer, como não enriqueciam,eram escorchados pelos impostos, submetidos pela violência a todos os caprichos das autoridades federais, assassinados e roubado impunemente, com aplausos da imprensa e a indiferença do governo, mas os que iam do Rio eram respeitados até pelo paludismo, porque nunca se expunham. Por mais insignificante que fossem os salários, dos amigos do prefeito, eles faziam economias vultosas, voltavam ricos. Refiro-me a prefeitura do alto Acre, aquela com que estive sempre em contato.Que terra boa para os prefeitos e seus auxiliares!. Viva a tripa forra e economizavam dez vezes mais do que ganhavam. Alguns passavam no Acre apenas alguns meses e voltavam ao Rio na opulência a, compravam palacetes. Tornavam-se capitalistas e quando os jornais da oposição duvidavam de sua probidade ou dos seus pendores economicistas respondiam com o desprezo do silêncio só não levando a cadeia os caluniadores porque naquele tempo ainda não havia a lei de imprensa. (CASTRO P. 28).

Inegavelmente o olhar de G. de Castro para P. de Castro como o responsável por intregar o Acre à nação e por ter dado origem o “patriotismo” que tomou conta dos acreanos se estabelece em seu livro. Assim como G. de Castro, a história do Acre atribui inúmeros feitos a P. de Castro, não queremos aqui colocar em dúvida seu caráter, mas é importante dizer que as manifestações que ocorreram no período conhecido como “Revolução Acreana” foram motivadas pela procura por riqueza. P. de Castro é mostrado pelo irmão como um homem que

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não se aproxima de interesses econômicos, assim seu olhar torna-se uma junção positiva capaz de formar a imagem ideal do herói nacional.

2.2 O olhar de Craveiro Costa

Craveiro Costa em seu livro “A Conquista do Deserto Ocidental” no quarto capítulo trata somente da atuação de Plácido de Castro na “Revolução Acreana”. É interessante ver o olhar que o autor nos traz a respeito da pessoa de Plácido de Castro, pois se trata de um aprofundamento em defesa de seus feitos, Costa explicita extensos elogios ao “habilíssimo” revolucionário, o olhar do autor nos induz a pensar que a origem da “Revolução Acreana” está no sentimento antiimperialista de Plácido de Castro. Costa deposita os resultados positivos da “Revolução Acreana” na pessoa de Plácido de Castro quando o coloca como o homem ideal para os momentos mais conturbados da “Revolução Acreana”.

Seu olhar afirma a idolatria ao passado e ajuda-nos a compreender a construção do mito em terno do mesmo atualmente, a fundamental preocupação de Costa se formula na exaltação que faz as iniciativas que Plácido de Castro tomou enquanto comandante da “Revolução Acreana” e nessa visão Plácido de Castro perde o caráter de homem e começa adquirir um caráter completamente místico na história. O olhar do autor influencia o desenvolvimento das produções de características positivistas na escrita da história acreana onde a discussão sobre a “Revolução Acreana’ ocupa uma posição de destaque, mas ao mesmo tempo limita-se apenas ao heroísmo de Plácido de Castro. Assim Costa expõe uma intima admiração aos procedimentos que Plácido de Castro adotou ao liderar a” Revolução” seu olhar nos permite analisar o lugar privilegiado que a escrita da história reserva ao mesmo, lugar que nos guia para a tradicional história positivista.

Diante disso podemos perceber que o olhar do autor desempenha um papel decisivo no aprofundamento de uma história positivista, pois na medida em que sintetiza a “Revolução Acreana” ao patriotismo de Plácido de Castro inviabiliza o nosso olhar para outros sujeitos da “Revolução Acreana”

Foi então que surgiu a figura empolgante de Plácido de Castro. Viva no Acre, na faina profissional, demarcando seringais. A presença das autoridades bolivianas, ali instaladas com o consentimento prévio do governo brasileiro e pela força das armas impondo-lhes á população, afigurava-se uma afronta á nação, um atentado inominável á integridade da pátria. (Craveiro Costa, 1938, P.61).

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Deste modo a figura de Plácido de Castro é vista por Costa como um homem que zelosamente preservou o Acre da invasão estrangeira efetuando fundamentalmente na escrita da história o antiimperialismo considerado como traço marcante da “Revolução Acreana”. Seu olhar é um olhar a partir do qual se ver a história produzida num âmbito restrito ao herói, um olhar no qual já se sente a notável referência a Plácido de Castro pelo “empenho” na “Revolução Acreana” registrado na história como único definidor do impasse entre Brasil e Bolívia.

A visão de Costa já aponta na direção de sua heroificação mantendo assim a presença do positivismo, uma vez que implantada a pessoa de Plácido de Casto na escrita da história centra-se o debate sobre a “Revolução Acreana” já que os olhares centra-se fixam em sua pessoa. Verifica-centra-se que o autor abriga aspectos de uma história enaltecedora, pois inicia valorizando os gestos militares de Plácido de Castro e não promove outros sujeitos na escrita. Certamente o prestigio dado a Plácida de Castro através de seu papel de “libertador” será particularmente sublinhado resgatando especialmente a importância do herói, nesta tarefa conquistadora e salvadora.

O inédito destaque militar e a intervenção de Plácido de Castro na “Revolução Acreana são mostrado como prioridade por Costa que colocar a figura do mesmo como imprescindível na questão territorial que envolvia a Bolívia e o Brasil. Pelo que podemos perceber a pessoa de Plácido de Castro recebe um peso muito significativo no que diz respeito à escrita da história. Em seu olhar Costa curiosamente vai apontando caminhos e destacando aspectos que posteriormente contribuíram para a confirmação do seu mito. As idéias do autor a respeito de Plácido de Castro não sofreram contestação posterior. Ao contrário reforçaram o mito e continuam a influenciar a escrita da história, pois alguns autores ainda assimilam tais idéias, não podemos negar é claro que Plácido de Castro foi uma figura integrante na “Revolução Acreana”, analisando-o como homem não como mito. A exaltação perpassa o olhar de Costa já que para ele o sucesso obtido na “Revolução Acreana” dependeu absolutamente das experiências militares de Plácido de Castro.

Da tomada de Xapuri por diante, a ação militar de Plácido de Castro foi persistente, impetuosa e decisiva. Era o caudilho uma forte organização de guerrilheiro. Sua calma só comparável á impavidez á sua bravura, seu arrojo no ímpeto atenuado pela reflexão temperada de prudência, davam-lhe ás qualidades militares os aspectos díspares e surpreendente do guerreiro e fizeram-no traçar, História Acreana, aos sangrentos combates que delineou tranquilamente e bravamente venceu, páginas de intenso brilho,que ficaram como documentos do patriotismos e valor dos seringueiros.(COSTA P. 37 ).

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A concepção de Costa articula-se ao ideal de centralização mística, vencedora do herói, uma vez que a seu ver Plácido de Castro é alvo de inspiração patriótica, seu olhar não vai além de suas estratégias militares. No olhar de Costa outros sujeitos da “Revolução Acreana” não recebem atenção seu ponto de vista acaba solidificando o modelo da história positivista que segundo (REIS, 1996) é a história que se baseando numa única fonte, também vai se concentrar limitadamente, no estudo e no exame apenas de certas dimensões do tecido social, dos fatos biográficos, políticos, diplomáticos e militares, o que se pode perceber é que o olhar de Costa une e transmite uma interpretação do passado como possibilidade de difundir para futuras gerações sentimentos e pensamentos do mais nobre patriotismo. Sua reflexão a respeito da função que Plácido de Castro desempenhou na “Revolução Acreana” vêm assim lhe posicionar a favor de sua transformação em mito, isso nos permite perceber que foi a partir desses pensamentos que os elementos hoje dominantes na escrita da história passaram a se consolidar como referenciais gerais da “Revolução Acreana” podemos notar no olhar de Costa que grande relevância é direcionada a pessoa de Plácido de Castro.

2.3 O olhar de Abguar Bastos

Ao expor seu olhar a respeito da “Revolução Acreana”, Abguar Bastos não se limita as exaltações e seu interesse em transformar a situação em que o Acre se encontrava na construção de um sonho que se realizou com Plácido de Castro já que seu objetivo era trazer ao povo acreano a esperança de se tornar brasileiro, pois os bolivianos haviam tirado sua liberdade se estabelecendo no Acre, todas as buscas já haviam sido feitas para tirar a região das mãos dos bolivianos à relação já era visivelmente insustentável mudar essa realidade havia se tornado quase impossível para os “acreanos” assim Bastos mostrar Plácido de Castro como o homem que solucionou o problema que havia se instalado na região.

No olhar de Bastos Plácido de Castro é considerado como o viabilizador da “liberdade dos acreanos” que passou lidera a “Revolução Acreana” com intuito de estabelecer uma organização na vida do “povo”, no olhar de Bastos podemos ver como admira a capacidade de Plácido de Castro em conduzir o desenvolvimento econômico da região o olhar que estabelece para a “Revolução Acreana” ao invés de manter e reconhecer à participação de outras pessoas as

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elimina, pois o reconhecimento seria uma forma de evidenciar a atuação de outros sujeitos sociais.

E assim como o instinto de liberdade reacumula-se, em carga elétrica, nos sentimentos do sertanejo-guerreiro, também o processado de plantação, por via dos acontecimentos voltava a atuar com energia entre os trabalhadores ainda não mobilizados. Entre a frente e a retaguarda, dois liames vincavam-se, entrosando-se: o aventureiro da guerra da libertação, determinando um conceito de plena autonomia individual e a subversão econômica por efeito da contenda armada estimulando os recalques rurais dos velhos plantadores. (Abguar Bastos, p. 37)

As explicações produzidas pelo autor estão registradas pela mutilação do conhecimento e experiência desses sujeitos sociais é notável a ocultação que faz á vivência dos mesmos e a visibilidade que dar ao heroísmo de Plácido de Castro, seu olhar contempla somente as mudanças ocorridas após a sua chegada ao Acre. O olhar de Bastos nos revela que as “conquistas acreanas” dependeram da inclusão de Plácido de Castro no processo revolucionário, suas palavras expressam uma valorização ao mesmo.

Presenciamos no olhar do autor um amplo e denso entusiasmo em relação aos atos revolucionários de Plácido de Castro na “Revolução Acreana” que o caracteriza como um personagem singular no processo de busca pela estabilização do progresso acreano no qual colaborou significativamente. Bastos está voltado para atuação militares de Plácido de Castro seu olhar se firma unicamente na vitoriosa “liberdade” que o mesmo proporcionou ao povo por meio de seu heroísmo.

Apoiando-se na “maturidade” militar que Plácido de Castro demonstrou diante da ameaça de perder o Acre para a Bolívia nota-se que Bastos imprime os avanços ocorridos no Acre á “Revolução Acreana” quando coloca o período em que os dois Países disputavam a região como única recorrência a preservação do Acre. O olhar do autor está impregnado por elogios ao trabalho de Plácido de Castro acerca do movimento revolucionário contra a Bolívia onde sua adesão a causa acreana é mostrada como uma demonstração de zelo pela nação e que até então alguém tão preparado teria conduzido a “Revolução” e com ele o Acre mergulhou na grande ânsia de “liberdade” e levado pelo instinto patriótico buscou sua unificação ao Brasil.

No olhar de Bastos a situação em que o Acre aparece é de instabilidade social e econômica, lugar onde a desordem tomava conta pela a ausência de leis brasileiras e os bolivianos ocupavam a região só sendo possível reprimir-los quando eclodiu a “Revolução Acreana” e logo após Plácido de Castro assumir o comando a ordem foi estabelecida na região. O olhar de

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