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RENDIMENTO MINIMO GARANTIDO

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*

RENDIMENTO MINIMO GARANTIDO

UMAEXPERIENCIADE TRABALHO EM PARCERIA

NA CLA DE ODIVELAS

Ana Marques* e Dulce Sousa**

Este texto retrata uma experiencia de trabalho em pm-ceria no dm-bito do RMG. 0 gran de mlmero de beneficiarios des sa Medida ea existencia de problematicas de dificil intervenr;iio levou o Ntlcleo Executivo da Comissiio Local de Acompanhamento de Odivelas a constituir grupos de trabalho e de rejlexiio por problematicas espe-cfjicas. Do grupo dos individuos eloufamilias corn problematica de alcoolismo nasceu a ideia de trabalho por Projecto designado "Vi-ver de Novo". Procurou-se a articular;iio corn servir;os da especiali-dade e nasceu a ideia de "equipa comunitaria ". Corn o objectivo de conhecer para melhor intervirfoi elaborado um estudo de investi-gar;iio que procurou caracterizar os beneficiarios de RMG corn pro-blematica de alcoolismo, no Concelho de Odivelas, entre Fevereiro/ 97 e Abril/2000. As conclusoes dai resultantes e aqui apresentadas constituem um panto de partida para o amadurecimento des sa mes-ma experiencia.

Licenciada em Politica Social, Mestre em Psicologia Social e Organizacional com especializar,:ao em

cognir,:ao social (ISCTE) Tecnica Superior de Servir,:o Social de 2" classe no CRSSLVT, Servir,:o

Sub--Regional de Loures, Servir,:o Local de Odivelas

* * Licenciada em Servir,:o Social com especializar,:ao em Seguranr,:a Social (ISMT), Tecnica Superior de

Servir,:o Social no CRSSLVT, Servir,:o Sub-Regional de Loures, Servir,:o Local de Odivelas

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Ana MarqueseDulceSousa 0 Rendimento Minimo Garantido (RMG) e uma medida de poHticasocial activa no corn bate

a

exclusao social que para ale m da atribui~ao de urn a presta~ao pecuniaria de caracter regular a individuos e/ou familias em situa~ao de grave carencia econ6mica, tern tambern subjacente urn programa que visa favorecer de forma progressiva a inser~ao social e profissional dos beneficiaries.

0 grande numero de beneficiaries do Rendimento Minimo Garantido no Concellio de Odivelas, eo facto de ser cada vez rnais visfvel a existencia de diferentes problematicas de diftcil intervenc;ao, levou o Nucleo Executive da Comissao Local de Acompanhamento (CLA) de Odivelas a reflectir sobre a melhor metodologia de intervenc;ao a adoptar junto de individuos e/ou famflias em situa~ao de vulnerabilidade.

Assim> atendendo

a

importancia da construc;ao de diagn6sticos locais para que a tetTitorializa~ao das acc;5es de inserc;ao seja conseguida, e nao descurando a biografia do individuo e/ou familia, essa reflexao conduziu-nos a urn ponto de partida: a caracterizac;ao desses individuos e/ou familias por problematicas especificas.

Neste contexto surgiram os seguintes grupos de trabalho: "grupo da toxicodependencia", "grupo dos doentes corn problematica de alcoolismo e/ou outras doenc;as do foro psiquico" e "grupo das minorias etnicas".

Corn o aprofundar da problematica "alcoolismo e/ou outras doenc;as do foro psfqui-co", este grupo passou a identificar-se como: "Projecto Viver de Novo''.

Esta mudanc;a reflecte, nao s6 a dinamica intema do grupo, como tambem a propria dinamica das parcelias estabelecidas. Partindo da identificac;ao das limitac;5es, o grupo, defmiu prioridades numa linha de intervenc;ao.

0 grupo inicialmente era constituido por tecnicos dos servic;os que integram a CLA, duas tecnicas de servi~o social do Centra Regional de Seguranc;a Social de Lis boa e Vale do Tejo/ Servi9o Sub- Regional de Loures/ Servic;o Local de Odivelas, uma tecnica de servic;o social do Centra de Saude de Odivelas e uma educadora social da Junta de Fregue-sia da P6voa de San to Adriao. Sentiu, posteriormente, a necessidade de chamar outros parceiros para a intervenc;ao, uma enfermeira, um psiquiatra, urn medico de clinica geral e urna sociologa, pertencentes

a

Unidade de Cui dad os Psiquiatricos de Odivelas- sector A do Hospital Julio de Matos e da Associac;ao de Saude Mental de Loures Ocidental (IPSS), ambos servic;os da especialidade, constituindo-se, assim, wna equipa multidisciplinar.

Como primeira fase de Projecto, e depois de efectuarrnos o levantamento de beneficiaries do Rendimento Mfnimo Garantido corn problematica de alcoolismo e/ou outras doenc;as do foro psiquico, foram definidos 3 objectives gerais:

1) sensibilizar e acompanhar os indivfduos e/ou familias corn problematicas de alcoolismo e outras doen9as do foro psiquico para tratamento e reabilita9ao; 2) envolver estruturas locais no sentido da rentabilizac;ao de recursos e da criac;ao

de respostas de intervenc;ao;

3) promover ac9oes de formac;ao em tematicas ligadas ao alcoolismo e outras doen-yas do foro psiquico.

(3)

RJ\IlG e intervenryao colectiva corn beneficifuios- experiencia de Odivelas

-Postetiormente foi definido o piano de acyao para a intervenyao social. Deste modo, relativamente ao primeiro objective, e atendendo ao numero limitado de recursos, definiu-se como prioridade a intervenyao junto de individuos e/ou familias beneficicirias do RMG que apresentassem maior in dice de "insight", sempre numa 16gica de intervenyao integra-cl a, de analise e discussao dos casos em equipa.

Duas das ac9oes previstas no segundo objectivo consistiram na divulga9ao do pro-jecto as Institui9oes parceiras em reunioes da CLA e na selecyao de individuos e/ou familias corn potencialidade para frequentar actividades ocupacionais na Associa9ao Comunitaria de Saude Mental de Loures Ocidental, valencia forum s6cio-ocupacionaL

Por ultimo, e ainda no que respeita ao segundo objective, esta perspectivado o levan-tamento ea articula9ao corn Institui9oes Locais que desenvolvam actividades dirigidas

a

populayao alvo.

Relativamente ao terceiro objective, alguns elementos da equipa participam no Gmpo Terapeutico de Alcoologia (UCCPO) corn o objective de adquirirem competencias tecni-cas e eruiquecerem a sua pratica de intervenyao corn mdividuos e/ou familias corn proble-matica de alcool ismo. Estao ainda programadas ac9oes no ambito da forma9ao continua dirigida

a

equipa, a prom over pelas entidades parceiras: Unidade de Cuidados Psiquiatri-cos de Odivelas- sector A do Hospital Julio de Matos e Associayao Comunitaria de Saude Mental de Loures Ocidental, e na patticipayao da equipa em seminarios/encontros promovidos pelo Centra Regional de Alcoologia de Lis boa ( CRAL ).

No funbito deste objective foi realizada uma ac9ao de formayao intitulada ((AlcooJismo e Exclusao Social". A sua tematica ea discussao que envolveu os varios participantes abriu novos caminhos de retlexao que deram origem, por sua vez, a novos pontos de partida. Assim, a ideia al introduzida de "equipa comunitatia" esta, neste memento, a ser trabalhada pelo gmpo no sentido de ser direccionada para a intervenyao directa corn os indivfduos e/ou fami lias corn a problematica em causa. Esta previsto que a mesma venha a constituir quatro nucleos de interven9ao: coordenayao e supervisao; formayao; aconselliamento e equipa de teneno (acyao directa).

Posto is to, e na medida em que o grupo considerou de extrema importancia conhecer para mellior direccionar a sua intervenyao, pmtimos para urn estudo prelirrunar de caracte-rizayao dos beneficiaries de Rendimento Mfnimo Garantido, no Concel ho de Odivelas.

Os objectives gerais consistiram em: conhecer para intervir melhor tendo em vista a inseryao, e sensibilizar os parceiros da CLA e restante comunidade para a problematica em causa. 0 universe do estudo foi constitufdo por famflias beneficiarias de RMG, corn problematica de alcoolismo, no Concelho de Odivelas, entre Fevereiro de 1997 (fase de projecto-piloto) a Abril de 2000, tendo si do diagnosticados 81 doentes alco6licos, integra-dos em 77 familias, num total de 271 pessoas.

As tecnicas de pesquisa utilizadas consistiram na construyao de do is questionarios de resposta serru-fechada ( caracterizar;ao do doente alco6lico e caracterizayao da familia do doente alco6lico ), aplicados por administrayao indirecta. Tratou-se de um estudo desctiti-vo cujos dad os foram tratados infonnaticamente atraves do Statistical Program for Social Sciencies (SPSS).

(4)

Ana Marquese Du lee Sousa As principais conclus5es retiradas deste estudo sao as seguintes:

No que respeita

a

caracteriza9ao do doente alco6lico, a maioria dos sujeitos do nosso estudo pertencem ao sexo masculine (91 ,4% ), sao naturais de Lis boa ( 51 ,9o/o) e residentes, em gran de parte na freguesia de Odivelas ( 56,8o/o ); a urn grupo etario relativamente jovem -dos 25 aos 34 anos (24,7%). Dereferirtambem que a diferenyaentreesta faixaetchiae as

seguintes, ate

a

idade de 64 an os, e diminuta, 0 que significa que se inserem na idade activa para o exercfcio de uma actividade profissional.

Apesar da maior parte dos doentes alco6licos do nosso estudo serem solteiros (59,3%), verifica-se que a maioria tern companheira/mulher, vive em casal, ou seja, em uniao de facto (53,1 %).

No que respeita as habilita96es liten1rias, estas sao baixas, na medida em que a maior parte (53, l %)

e

detentora apenas dolo ciclo do Ensino Basico.

Constata-se percentagern semelhante entre os individuos que trabalbam (37o/o) e os que nao exercem qualquer actividade profissional (35,8°/o); grande parte exerce activida-des diferenciadas, tais como empregados de escrit6rio, afagadores, padeiros, cantoneiros de limpeza, ourives, medinicos, bate-chapas e polidores de m6veis (22,2%), seguidos daqueles que fazem biscates (sem profissao fixa) (17,3o/o) e dos pintores da construyao civil (9 ,9o/o).

Em term os de saude, a grande maiotia nao faz uso de outras drogas (88,9% ), nao sofre de outras doenyas do foro psiquico (70,4%) e apresenta capacidade para o t:rabalho (84o/o ). Vetifica-se na figura no 1 que o desemprego (26,6%), o trabalho preca.rio (21 %) ea grande rotatividade entre emprego/desemprego (14,5%) sao os principais probiemas a nfvel profissional.

Figuran° 1

Problemas Profiss!onals do Ooente Alcoolico• 30 25 20 15 1 -101- - ,--- ! -51- 1- - r--- :--0

-

--.- ' - - y - -j~ (!,~~- ,._&'§J :9'1>~0 ay'<:-0 :Qlt--<:-0 ~l~ ,l' 'll<, ,#' 0 ~ ~~ ~rt;; .~o"'l> o"'~ '>1;'1> 1?1~ ~"" ~0 ~~ >..'~>., §'<t ~q,'> ·(;-"' :Qq) 1?1~ ~'I> ~ .~v ~'?} J}>(l, "" <)><:' .,c "~ '~>"" 'b-s ~ ,o"

* casos diagnosticados de RMG em re Fev./97 e Abril/00

(5)

RM G e inteiVcnr;::ao colectiva cam bencficiruios-experiencia de Odivelas

Regista-se, a nivel pessoal (figura n° 2), uma incapacidade para gerir recursos ( 18, I%), a dificuldade de aceitavao da mudanr;a (tratamento) e os comportamentos

violentos, estas ultimas corn 16,9o/o.

Figura no 2 20 18 16 14 12 10 6 2 0 - i -- r---- r---

1--Problemas Pessoais do Doente Ak:oo~co*

- i -- --

-- ~ r -I - - ; - - 1i

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* casos diagnosticados de RMG entre Fev./97 e Abril/00

Relativamente as competencias/potencialidades pessoais diagnosticadas, estas parecem ser inexistentes (26,7o/o), seguindo-se a capacidade de autonomia (16,4%)

ea consciencia dos problemas (12,l %).

A familia predominante ea famflia nuclear com filhos (39%), seguida da familia

mono-parental- mulher corn filhos menores a cargo (11 ,7%) e aqueles que vivem s6s (isolados)

(ll ,7o/o). A maiotia das familias

e

constituida por agregados corn 4 elementos (58,4%).

Grande parte vive em apartamento/andar arrendado ( 46,8%) corn as condir;oes

mlnimas de habitabilidade, ou seja, possuem agua canalizada (81,8%), luz (83, 1 %),

esgotos (80,5%), cozinha (85,7o/o) e W.C. (83,1 %). De salientar a existencia de

habitas:oes degradadas (16,4%), sobrelotavao (l5,8o/o) e insalubridade (I 5,1 o/o). Estes agregados familiares parecem subsistir, a nivel econ6mico (figura n° 3), do

Ren-dimento Minima Garantido (43, 8%), do trabalho (incluindo biscates) (26,7o/o) e das

pen-soes (13,1 o/o). Deste modo, podemos concluirque o Rendimento Minimo Garantido, mes-mo quando associado a outros rendimentos, constitui uma mais valia no orr;amento

do-mestico destas famllias. Nao podemos deixar de referir, contudo, que a origem dos

rendi-mentos reflecte a precariedade das situar;oes, seja porque aqueles provem de uma presta-yao, de caracter regular, destinado a individuos e/ou famllias em situayaO de grave caren-ciaecon6mica, seja porque resultam de urn trabalho irregular, sem protec9ao social, seja ainda, porque tern origem em pensoes, em grande maioria, de valores minimos.

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Ana MarqueseDu\ccSousa Origem dos Rendimentos do Agregado Familiar*

so~---. 45~---~ 40~--- ---351- - - -- -- -- -- - - - -30~--- 25 20 -15 110 5 -0 r-

-

- - 6

* casos diagnosticados de RMG entre Fev./97 e Abril/00

Em te1mos de montante global dos rendimentos, incluindo a prestac;ao de RMG, estes agregados parecem sobreviver, principalmente, corn rendimentos que se situam entre o valor actualmenteestipulado para o salario minima nacional (63 801$00) e os 95 700$00 (33,8%). Estes valores poderao revelar duas realidades: o facto das famflias da nossa amostra subsistirem corn fracos recmsos econ6micos ou o facto das mesmas nao revel a-rem o real valor dos se us rendimentos provenientes do factor trabalho.

A nfvel econ6mico, os baixos rendimentos (41,7%), os endividamentos (20,8%) e os grandes encargos corn a saude (18, 1 %) surgem como os principais problemas. Mais uma vez surge aqui esta questao que se prende, talvez, corn outros factores, tais como o desemprego, o trabalho pred.rio e/ou as falsas declarac;oes. Os endividamentos surgem, possivelmente, na sequencia da pouca capacidade econ6mica que estas familias apresen-tam para fazerem face as despesas domesticas.

A nfvel de inserc;ao profissional (figura n° 4), os principais problemas do agregado fam[liar sao, maimitariamente, o desemprego (24%), otrabalho precario (21,8%), o baixo nivel de escolatidade (20,7%.) ea ausencia de competencias profissionais (15,6%).

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RM G e inte1ven~o colecti va eo m beneficiarios- experiencia de Odivelas

ProolciY(l s de lnscn;~o Prorlsslonal do Agrcg~do Farnlilar'

~~---~1 ~~---~1 w1-.~~--~~---ll 15 i-1---1---~ I 101-•r-•----~---~---~1 s ·1--1---l---- ----1-- -- -- --- ---·---11

-

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I

I

I

o~~~~~~~~~~~~~~YI

* casos diagnosticados de RMG entre Fev./97 e Abril/00

No que respeita aos problemas de saude que, como j a vim os antetionnente, represen-tam wn corte no oryamento familiar, sur gem o alcoolismo ( 45% ), as doen9as de natureza psfquica (21 ,6o/o) e as doen9as cr6nicas (18, l %). As familias estudadas apresentam, assim, quadros clinicos que devido

a

sua especificidade se tornam problematicos do panto de vista da interven9ao e da possivel resolu9ao.

A nfvel da protec9ao social, estas familias defrontam-se corn os seguintes problernas: a ausencia de protec9ao social na situa9ao de desemprego (27 ,8%) ea ausencia de protec-yao social na doen9a (22,7o/o ).

Estes dados resultam, certarnente, do tipo de trabalho precario e biscateiro que e assumido pela maioria dos elementos do agregado familiar. 0 facto de nao contribuirem para a Seguran9a Social implica que nao tenharn direito ao subsfdio de desemprego e ao subsfdio de doen9a. Esta situa9ao conduz, certarnente, ao agravamento da situa9ao s6cio-econ6mica do agregado, ao agudizar da instabilidade e da inseguran9a familiar.

A insuficiencia de equiparnentos sociais para as crian9as e/ou idosos (14,4%) tambern surge aqui como urn dos problernas corn que se defrontam estas familias.

Se tivetmos em conta, e como ja vim os anteriormente, que o tipo de familia predomi-nante, para alern da familia nuclear corn filhos

e

tambem a familia rnonoparental- mulher corn filhos rnenores a cargo, esta categoria assume aqui urn lugar rnuito irnpotiante, uma vez que no caso de nao existir rede de suporte familiar fonnal ou informal, estas maes nao terao on de colocar as crian9as, o que condicionara a sua inser9ao a nfvel profissional.

(8)

-

Ana Marques e Dulce Sousa

A nivel familiar (figura n

°

5) surgem a instabilidade familiar (22,9% ), os conflitos

(22,5% ), os m a us tratos ( 16,8o/o) ea monoparentalidade (9 ,2o/o ). Estes tern si do, de res to, alguns dos plincipais problemas referidos na literatma sob re a prohlematica do alcoo lismo e suas consequencias no seio familiar (Calado, Banias e Oliveira, 1979; Cook, 1994).

Problemas Familiares do Agregado*

25~---~

20~--.-~---~

15~--.-~-;---1

10~--._~--·---1

* casos diagnosticados de RMG entre Fev./97 e AbriVOO

As vulnerabilidades dos agregados evidenciam-se a nivel econ6mico (73,4o/o) ea nivel educacional (82, 1% ). Quanto as competencias profissionais, parecem ter habitos de traba-lho (51 ,7%), ainda que, na maioria, e como ja vimos anterimmente, em situavao precfuia.

Em tetmos familiares, a consciencia dos problemas (31, 7o/o ), a capacidade para gerir recurs os (19 ,8o/o) eo born relacionamento corn a vizinhanva (19%) constituern as principais potencialidades do agregado. De salientar que, como vim os anterimmente, embora urn dos problemas do doente alco6lico seja a incapacidade para gerir recursos, o que se prende,

naturalmente, corn a dinarnica da problematica do alcoolismo, o mesmo j

a

nao acontece a

nivel familiat: No geral, a familia do doente alco61ico parece ter capacidade para assumir essa responsabilidade. 0 born relacionamento corn a vizinhanva deixa transparecer a exis-tencia de uma rede social de canicter infmmal que parece ser rnuito comum e imprescindi-vel em familias corn caracteristicas como estas. Pod er -se-a chamar "Estado de Solidarieda-de infonnal".

0 alcoolismo reflecte-se a nivel pessoal, social e familiar. Em tennos de consequencias,

estas verificam-se a nivel familiar e social. 0 padrao de consurno que

e

incutido pelos

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RMG e interven~ocolectiva cam beneficilliios ~ experienciadeOdivelas

progenitores alco6licos no seio familiar, transmitido de gera9ao em gera9ao, asswne aqui alguma importancia. De acordo corn a figura no 6, os conflitos (maus relacionamentos/ rela9oes tensas) (22,9o/o), a violencia!maus tratos (insultos; destruir objectos em casa; agredirfisicamente; abuses sexuais) (17,8%) ea perdade autmidade do progenitor alco-6lico (8,2o/o) constituem as principais consequencias dessa problematica. Estes efeitos sao confinnados em literatura sobre a materia (Cook, 1994; Calado, Barrias e Oliveira,

1979).

Figuran°6

Consequencias Familiares e Sociais do Alcoolismo* 25~---~ 20+---~ 1 5 + 1 0 + -5

* casos diagnost icados de Rl'v1 G entre F ev./97 e Abri l/00

Quanto aos padroes de consumo e uso do alcool no seio da familia, evidenciam-se a heran9a alco6lica por parte dos progenitores (os pais ou urn dos progenitores ja tinham habitos alco6licos) (17,5%), o repetir alco6lico (filhade pai alco6lico contrai matrim6nio corn outro alco6lico) ea heran9a alco6Jica de outros familiares ( outros familiares ja tinham habitos alco6licos ), ambos corn 4,8%.

Deste modo, o "percurso alco6lico'' destas familias parece estar marcado ou ter si do condicionado por wna heran9a transmitida de gera9ao em gera9ao. Esta constatayao vai, de resto, ao encontro da revisao bibliograficaefectuada (Femandez, 1988; Ponte, 1993;Miller eGood, 1993; Cook, 1994).

No que respeita as consequencias nas mulheres inseridas em familias corn alco61icos , o estudo pennite-nos dizer que em 29 ,9o/o dos cas os sao estas que parecem assumir todas as responsabilidades domesticas, que organizam e gerem a vida familiar, assumindo o papel de "rainhas do lar", 29,1 o/o rem perturba9oes psiquicas e 25,6% as sum em o papel de ''vitimas sofredoras". Pensamos, aqui, que o facto da mulher assumir todas as responsabi-Jidades domesticas, associado, cettamente, a uma instabilidade familiar ea existencia de

(10)

Ana Marques e Du lee Sousa

wn mau ambiente/relacionamento familiar, constitui, possivelmente, uma sobrecarga que

poden\ facilitar o desenvolvimento de perturba96es a nfvel psiquico. Inerente a to do este

contexto esta, provavelmente, uma atitude de aceita9ao, de acomoda9ao face

a

problema-tica do alcoolismo ("vitima sofredora") que se prende, talvez, corn a incapacidade da

familia para lidar corn a situa((ao ou corn o facto da mesmaja nao saber viver de outro modo.

Quanto

as

principais consequencias do alcoolismo nos menores (filhos/netos), estas

dizem respeito aos danos psicol6gicos/emocionais ( 15,6% ),

a

negligencia ( falta de

cuida-dos parentais) (1 0,4o/o), ao insucesso escolar e aos problemas de comportamento, estes ultimos corn 9%. Este tipo de consequencias sao tambem demonstrados por Araujo (1994) eCook(l994).

Contudo, e apesar de todos estes aspectos negatives anterimmente descritos, a

ma-nutenyao da familia (figura

no

7) parece estar assegurada pe[a acomoda((ao/aceita((ao

( 16,8%), pelo nao ter para onde ir (15,5%), pelo medo de represalias (9,3%) e pelo nao saber

viver de outro modo (8, 7% ).

A acomodayao/aceita((ao podeni estar relacionada, como ja foi anteriormente referido, corn o facto da familia nao saber lidar corn a situa9ao ou nao saber viver de outro modo. 0 nao ter para onde ir parece ser indicia da inexistencia de uma rede familiar/formal de apoio

e revelador, ao mesmo tempo, da incapacidade econ6mica da mulher para assumir as

responsabilidades fami liares sozinha, pais, muitas vezes, a casa

e

do marido alco6lico ou

ele, apesar do seu problema, sempre assume algum trabalho, ainda que precario, masque

pennite o sustento do seu proprio vfcio e/ou o assumir de alguma despesa domestica.

0 medo de represalias esta possivelmente associado aos comportamentos via lentos e

maus tratos que o progenitor alco6lico parece frequentemente manifestar relativamente

a

mulher e aos outros elementos do agregado familiar.

* casos diagnosticados de RMG

entre Fev./97 eAb1iVOO

Ra:z.oes que Contdbuem par<~ a Monuten<;iio de Familia'

18 - - --16 14 12 10 8 6 4 2

0- I

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(11)

Ri\1 G e intetven~o colectiva corn beneficiatios- expetiencia de Odivelas

0 nao saber viver de outro modo esta, talvez, relacionado corn a aceitavao/acomoda-vao da si tuayaO.

Dos resultados desta caracteriza9ao constata-se que os domini os prioritarios de inter-venvao (figura n° 8) deverao incidir na Saude (38,4o/o), no Emprego (17 ,6%), na Educa9ao e na Ac9ao Social, ambas corn 16,5%.

No ambito da Saude e Ac9ao Social tern vindo a ser desenvolvido em parceria, e em conjunto corn os individuos e/ou familias a negociavao dos programas de inservao, nome-adamente no que respeita as seguintes ac96es:

infonnar;ao, orienta9ao e encaminhamento para os servir;os da saude e da espe-cialidade ( consulta de alcoologiana UCCPO; forum s6cio-ocupacional); acompanhamento dos beneficiaries em situayao de doenr;a;

apoio complementar de cankter econ6mico; apoio/acompanhamento psicossocial;

encaminhamento/articulavao/acompanhamento para actividades s6cio-ocupacwnats;

integra9ao de crianr;as ( fillios/netos) em Instituiv6es!Estabelecimentos de Infan-cJa

Tambem em funyao dos diagn6sticos individuais, vulnerabilidades/potencialidades e recursos disponfveis se tern procurado integrar os beneficiaries alco6licos e suas familias em acr;6es da area do Emprego, Formar;aoProfissional e Educa9ao.

Domfnios Prioritarios de lnterven~ao*

45.---~ 40,---==~---~ 35,- - - -- - - -- - - -- -- -- -- - -30, _____________________________ __ 25+-- -- - - -- - - -- - - -- -- - -20, _____________________________ __ 15 10 5 0

emprego forma~o educayao habilayao proflssional

* casos diagnosticados de RMG entre Fev./97 e Abril/00

saude acyao social

S6 atraves do desenvolvimento de um trabalho de articular;ao entre os parceiros

des-tas varias areas sociais, e

da

participar;ao activa da famflia, podeni ser elaborado, discutido

e aplicado urn piano de intetven9ao.

(12)

n

Ana Marques e Du lee Sousa

A multidimensional idade da prob lematica obriga a que a intervenc;ao incida simultane-amente em mais do que uma area.

Assim, e tendo sempre presente a ideia de articulac;ao,

e

possivel, em conjunto eo m a familia, construir urn novo projecto de vida, fazer viver de novo estas vidas interrompidas.

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Referências

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