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CINE INCLUSÃO: PENSANDO A INCLUSÃO ATRAVÉS DO CINEMA
O campus Osório do Instituto Federal Rio Grande do Sul (IFRS) possui diversas ações voltadas para a prática inclusiva. Visando a inclusão de alunos com necessidades educacionais específicas, o campus conta com profissionais (como intérpretes de Libras) e iniciativas que possibilitem uma melhor experiência no processo de ensino e aprendizagem desenvolvidas através do NAPNE – Núcleo de Atendimento a Pessoas com Necessidades Específicas. Além disso, há dois cursos de licenciatura (Letras e Matemática) e um curso de especialização em Educação, tornando-se necessária a discussão sobre inclusão para os discentes desses cursos. Entre as diversas iniciativas do campus, existe o projeto intitulado Cine Inclusão; trata-se de um projeto de extensão realizado por docentes, técnicos administrativos e alunos de diferentes cursos e áreas.
O projeto de extensão Cine Inclusão se propõe a exibir filmes que apresentem temáticas inclusivas, seguidos de debates ministrados por pessoas previamente escolhidas com domínio do assunto. As sessões ocorrem de forma bimestral, no auditório do próprio campus, e visam propiciar a (re)leitura da nossa cultura, retratada pelo cinema. Para o desenvolvimento deste, a equipe seleciona obras cinematográficas e as assiste a fim de determinar as temáticas, o público alvo e os debatedores, de acordo com o título que será exibido. A sessão ocorre com a projeção dos filmes e, em seguida, os convidados norteiam a discussão, com intuito de instigar o pensamento crítico dos participantes, promovendo a reflexão sobre a inclusão.
A iniciativa permite a conscientização crítico-social dos participantes como forma de percepção e aceitação da singularidade de cada um. Também reflete
209 possíveis formas de promover a integração social e educacional das pessoas com necessidades educacionais específicas. A proposta surge com a constatação da falta de espaços para o debate referente à inclusão.
O Cine Inclusão teve seu início no ano de 2015, possuindo, nos anos de 2015 e 2016, oito encontros para a comunidade escolar (incluindo alunos de ensino médio, subsequente, superior e de pós-graduação) e para o público externo (abrangendo educadores e estudantes de outras instituições de Municípios diferentes).
Na primeira sessão do projeto, ocorrido no primeiro semestre de 2015, o filme exibido foi Um sonho possível, que aborda as questões das habilidades múltiplas. Esta sessão teve como público alvo os alunos do primeiro e terceiro ano do Ensino Médio do próprio campus, visto que há alunos com necessidades especiais nessas turmas. Na segunda sessão, o título escolhido foi A família Bélier, que retrata a história de uma família surda, exceto pela filha mais velha que tem talento para cantar. Houve a participação dos alunos do ensino médio do campus e, como público externo, a participação de uma classe de surdos de uma Escola Estadual osoriense. Meu nome é
rádio, drama baseado em fatos reais, foi exibido na terceira sessão do projeto. Este se refere à deficiência intelectual e aborda a superação de um garoto excluído em uma sociedade indiferente a ele. Neste encontro, participaram alunos do ensino médio do campus e alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) – Osório. A quarta e última sessão daquele ano exibiu a premiada produção nacional Hoje eu
quero voltar sozinho, que relata a história de um adolescente cego que está
descobrindo a sua sexualidade, identificando-se como homossexual. Como convidados, tivemos estudantes de uma Escola Estadual localizada próxima ao Instituto e um estudante cego, aluno de uma Escola Estadual de Capão da Canoa, cujo filme lhe foi audiodescrito. A participação deste aluno foi de grande relevância para o evento, pois o mesmo pôde trazer sua perspectiva sobre como é estudar em uma escola regular tendo que se adaptar a esta. Além disso, a questão da homossexualidade – também abordada no filme – abriu espaço para outro tema que,
210 segundo os alunos, também precisa ser discutida pelo viés da inclusão.
No final de cada exibição, os participantes responderam uma avaliação sobre a atuação dos debatedores quanto à clareza, objetividade, domínio dos temas abordados, entre outras questões. Em todas as sessões do Cine Inclusão, o público se envolveu nas discussões com êxito, demonstrando no diálogo e no parecer escrito que as questões levantadas ao longo do projeto foram importantes para promover novas reflexões sobre a inclusão.
Com o encerramento do projeto no final de 2015, e após a avaliação positiva dos alunos do campus, público externo e convidados, optou-se pela renovação do mesmo para o ano seguinte. Mantendo-se o mesmo formato e objetivo, mais quatro filmes foram exibidos em 2016.
A primeira sessão de 2016 foi com a comédia dramática Intocáveis, que aborda a questão de pessoas com deficiência física. Para este encontro, participaram os alunos de ensino médio do campus e o público externo consistiu de alunos de ensino médio de outra escola da rede pública de Osório. Os convidados que lideraram o debate foram a professora de Educação Física do campus, que abordou a relação entre ensino e corpo, e uma aluna do campus que é cadeirante, que pôde contribuir com sua visão pessoal sobre as particularidades e obstáculos vividos por pessoas com restrição de mobilidade. O segundo filme exibido foi a animação vencedora do Oscar Divertida
Mente. O debate foi encabeçado por uma bióloga e por uma psicóloga, abordando
questões sobre personalidade, comportamento e transtornos mentais. Além dos alunos do campus, participaram também os alunos de outra escola pública de ensino médio. O terceiro encontro do ano foi com uma sessão do filme nacional Colegas, cujos protagonistas são três personagens com síndrome de Down. Considerando a temática, foram convidados, como público externo, alunos de uma escola municipal de educação especial, muitos deles com síndrome de Down, que puderam se ver representados no filme e no evento. Mais do que isso, eles puderam apresentar sua própria perspectiva da questão para os alunos e servidores do campus. A última sessão
211 realizada no ano foi com o filme Temple Grandin, cinebiografia sobre a história real de uma profissional do ramo da zootecnia e professora universitária diagnosticada com autismo. Para esta sessão, foram convidadas pessoas ligadas ao AMA (Amigos dos Autistas) para participarem do debate após o filme. Entre eles estavam profissionais da área da saúde, pais de estudantes autistas e uma jovem com autismo, que pôde falar um pouco sobre sua trajetória e expectativas para o futuro. Esta sessão foi a primeira do projeto a ser realizada no turno da noite, possibilitando uma abordagem diferente das sessões anteriores que eram exibidas de dia. Como o campus conta com dois cursos de licenciatura, os alunos destes participaram da exibição do filme e do debate. Além disso, pensando-se nesse público como futuros educadores, a abordagem deste último encontro também foi mais ampla que a dos encontros anteriores, indo além apenas das questões envolvendo a inclusão para questões relativas à educação para pessoas com necessidades específicas.
Assim como no ano anterior, foi realizada uma avaliação do projeto com os participantes do mesmo e, mais uma vez, se constatou que o público, interno e externo, sentiu que a iniciativa foi de grande importância. Como cidadãos, estudantes e futuros educadores, o público chegou à conclusão de que o cinema pode ser uma poderosa ferramenta para se enxergar e compreender o outro, seja em sua diferença ou semelhança, “uma vez que os filmes são ferramentas para produção de saberes, conhecimentos e formação de opiniões” (DUARTE, 2002). Mais do que isso, o público se envolveu nas discussões ocorridas ao longo do projeto com êxito, demonstrando, através do diálogo, que o projeto conseguiu atingir seu objeto ao promover novas reflexões sobre diferentes realidades e sobre como torná-las inclusas nos diferentes âmbitos de nossa sociedade.
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REFERÊNCIAS
BEYER, Hugo Otto. Inclusão e avaliação na escola de alunos com necessidades educacionais especiais. 2ª edição.. Porto Alegre: Mediação, 2006;
DUARTE, Rosália. Cinema e Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2002;
ROPOLI, E. A. [et al]. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: a escola comum inclusiva. Brasília: MEC/SEESP/UFC, 2010;
SASSAKI, Romeu Kasumi. Inclusão: Construindo Uma Sociedade Para Todos. 3ª edição. Rio de Janeiro: WVA, 1999;