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Consideração sobre os tipos de caudas congeladas de lagostas, exportadas pelo porto de Fortaleza, e o esforço de pesca

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Academic year: 2021

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CENTRO DE CIÊNCIAS AGRARIAS

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PESCA

CONSIDERAÇÃO SOBRE OS TIPOS DE CAUDAS CONGELADAS DE LAGOSTAS,

EXPORTADAS PELO PORTO DE FORTALEZA, E 0 ESFORÇO DE PESCA

FLAVIO HENRIQUE MIZAEL

DISSERTAÇÃO APRESENTADA AO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PESCA DO CENTRO DE CIÊNCIAS AGRARIAS DA UNIVERSIDADE

FEDERAL DO CEARA, COMO PARTE DAS EXIGÊNCIAS PARA OBTENÇAO DO TITULO DE ENGENHEIRO DE PESCA

FORTALEZA - CEARA 1995.2

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Biblioteca Universitária

Gerada automaticamente pelo módulo Catalog, mediante os dados fornecidos pelo(a) autor(a)

M681c Mizael, Flávio Henrique.

Consideração sobre os tipos de caudas congeladas de lagostas, exportadas pelo porto de Fortaleza, e o esforço de pesca / Flávio Henrique Mizael. – 1995.

24 f. : il.

Trabalho de Conclusão de Curso (graduação) – Universidade Federal do Ceará, Centro de Ciências Agrárias, Curso de Engenharia de Pesca, Fortaleza, 1995.

Orientação: Prof. Dr. Massayoshi Ogawa. 1. Lagostas. I. Título.

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Orientador

Comissão Examinadora

Prof. Adjunto Pedro de Alcantara Filho, DSc.

Prof. Assistente Wladimir Ronald Lobo Farias, M.Sc.

Visto:

Prof. Adjunto Luis Pessoa Aragão, M.Sc. Chefe do Departamento de Engenharia de Pesca

Prof. Assistente José Wilson CaRope de Freitas, M.Sc. Coordenador do Curso de Engenharia de Pesca

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Ao professor Masayoshi Ogawa, pela atenciosa e dedicada orientegão deste trabalho.

Ao professor Pedro de Alcântara Filho, pela colaboração atenciosa e prestativa 6 este trabalho.

Ao professor Antonio Adauto Fonteles-Filho, pela colaboração no fornecimento de dados e esclarecimentos.

Ao IBAMA, na pessoa do Sr. Samuel Nélio Bezerra, pelo fornecimento de dados.

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LAGOSTAS, EXPORTADAS PELO PORTO DE FORTALEZA, E 0 ESFORÇO DE PESCA

FLAVIO HENRIQUE MIZAEL

1 - INTRODUÇÃO

A exploração pesqueira das lagostas teve inicio em 1955, com uma importância crescente determinada pelo alto valor comercial do produto no mercado internacional (FONTELES-FILHO, 1979), e continua sendo uma das principais fontes de divisas para alguns Estados do Nordeste.

Paralelamente à exploração, iniciou-se também a exportação brasileira de lagostas, que "partindo de 40t, exportadas em 1955, o Brasil passou a exportar nos anos subsequentes quantidades progressivamente maiores" (PAivA & MouRA, 1965A).

0 Estado do Ceara tem sido o principal produtor e exportador nacional de lagostas. Quase toda a produção é destinada à exportação. Os maiores percentuais nacionais de exportação de caudas congeladas de lagostas, desde o inicio até o presente, foram sempre verificados no Porto de Fortaleza. Em 1994, 72% do total exportado partiu deste porto (CEPENE, 1994).

A Resolução N° 170 de 08 de março de 1988, do Conselho Nacional de Comércio Exterior - CONCEX, especifica a classificação dos tipos de

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exportação de caudas de lagostas. Cada tipo equivale a caudas com o mesmo peso, expresso em onças.

Os altos lucros obtidos com esta exploração, determinaram o crescimento do esforço de pesca. O esforço, que desde o inicio da exploração, vem aumentando, alcançou níveis capazes de influenciar na biologia das espécies de lagostas.

As variações anuais observadas nas participações relativas dos tipos de exportação podem estar associadas ao esforço de pesca, uma vez que este é claramente ligado à produção.

A análise das participações relativas dos tipos de caudas congeladas de lagostas exportadas, através do Porto de Fortaleza, associadas ao esforço de pesca é o alvo deste trabalho, que fará algumas considerações da relação destas duas variáveis.

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2- MATERIAL E MÉTODOS

Os dados utilizados neste trabalho foram obtidos no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis - IBAMA - Superintendência do Ceará, e em empresas exportadoras de caudas congeladas de lagostas de Fortaleza. Referem-se às participações relativas dos tipos de caudas congeladas de lagostas exportadas pelo porto de Fortaleza no período de 1965 a 1994 (tabela 1), e aos totais anuais de esforço de pesca (covos-dia) aplicado à pesca de lagostas no Estado do Ceará no mesmo período (tabela 2). Foi consultada também vasta bibliografia sobre estudos de biologia e dinâmica populacional de lagostas, entre elas destacam-se os trabalhos de FONTELES-FILHO (1979 E 1989), MONTEIRO (1984), PAIVA (1976) E SANTOS et ai., (1973).

Os dados foram estudados em conjunto para as duas espécies de maior abundância e importância econômica na região, Panulirus argus (Latreille) e

Panufirus laevicauda (Latreille).

Outras informações práticas foram coletadas com pessoas diretamente ligadas à exportação e a atividade pesqueira da lagosta.

Os tipos de exportação inicialmente eram classificados entre 2 e 14 onças. Posteriormente seus limites foram alterados para 18 onças. Atualmente, conforme resolução do CONCEX, os tipos variam até 20 onças.

Os dados dos tipos de caudas para exportação entre 1965 e 1975 foram obtidos das análises anuais da série de trabalhos de Paiva (1966 a 1976).

Esta série, utiliza a antiga classificação dos tipos de exportação de caudas congeladas de lagostas, a saber: tipos 2 - 4; 4 - 6; 6 - 8; 8 - 10; 10 - 12 e 12 -

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14, que correspondem aos pesos das caudas em onças. Nela é feita a análise por tipo de exportação e em caixas de 10 libras, com os correspondentes valores relativos.

A partir de 1976, as participações relativas dos tipos de exportação foram obtidas diretamente dos totais anuais em quilogramas, por tipo, e dos totais gerais, por ano, utilizando-se uma simples regra de três.

Obtidos os percentuais de exportação por tipo, por ano, estes foram ajustados como no sistema de classificação utilizado por PAIVA (1966),

estendido até 20 onças, e foi feita a média aritmética de dois anos desses valores para facilitar as análises. Assim, temos os seguintes tipos: 2 - 4; 4 - 6; 6 - 8; 8 - 10; 10 - 12; 12 - 14; 14 - 16; 16 - 18 e 18 - 20. Os intervalos utilizados nessa classificação indicam que o primeiro número está incluído no intervalo enquanto que o segundo não está, exceto no último tipo, em que os dois extremos estão incluídos no intervalo.

Os valores de esforço de pesca foram obtidos diretamente dos totais anuais aplicados à pesca de lagostas no Estado do Ceará, apresentados por MoNTEiRo(1984) e CEPENE (1994).

As análises dos dados foram feitas em função das variações dos valores de participação relativa dos tipos de exportação, obtidos pela média de dois anos a partir de 1965, ano em que começou o registro de dados de esforço de pesca aplicados na exploração lagosteira do Ceará (tabela 1).

Neste trabalho, utilizou-se a análise gráfica para verificar a relação e tendências entre exportação e esforço de pesca, participação relativa e tipos de exportação para todo o período estudado (figuras 1, 2, 3 e 4).

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3- RESULTADOS E DISCUSSÃO

0 ano de 1955 marca o inicio da exploração lagosteira no Brasil (PAivA, 1965a). A pesca da lagosta foi o principal fator de desenvolvimento da atividade pesqueira no Nordeste, visto que esta gera ótima receita com a exportação de caudas para o exterior.

Desde 1956 ficaram bem caracterizadas, na região Nordeste do Brasil, as duas grandes áreas regionais de pesca de lagostas: a área do Nordeste Setentrional, cuja produção 6, em quase sua totalidade, conduzida para a cidade de Fortaleza, por onde é exportada; e a área do Nordeste Oriental, cuja produção 6, em quase sua totalidade conduzida para a cidade do Recife, por onde é exportada. A área do Nordeste Setentrional foi a primeira a ser explorada pela pesca de lagostas. Em volume de produção sempre se manteve em posição muito superior à área do Nordeste Oriental (PAivA & MOURA, 1965 b).

No Brasil , as caudas congeladas de lagostas exportadas são classificadas Por tipos que variam de 2 a 20. As caudas são acondicionadas em caixas de 10 libras, por tipo de exportação, expressos em onças, e o número de caudas por caixa varia em função do seu tipo/peso. A participação relativa e os valores totais de exportação, sempre variaram desde o inicio. Em 1955 foram exportadas apenas 40t, e o valor máximo atingido, em 1979, foi de 2600t.

Entre os anos de 1965 e 1968 predominou o tipo 4 -6. Seguiu-se a este os tipos 2 -4; 6 - 8; 8 - 10; 10 - 12 e 12 - 14, em ordem decrescente de valores de participação relativa e com variações irregulares. Em 1965, o tipo 4 - 6

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representou 46% do total das exportações de caudas pelo Porto de Fortaleza. As variações deste tipo em 1966, 1967 e 1968 foram pequenas. Com base no ano de 1965, a diferença média dos valores foi de 8,0% em relação aos outros anos do período.

No período de 1969 a 1983 predominou o tipo 2 - 4. Até 1976 observou-se variações irregulares neste tipo, com diferença de até 31,1% entre o menor e maior valores. Entre 1975 e 1979 registraram-se valores altíssimos na participação relativa do tipo 2 - 4, chegando a 59,9% em 1976, o maior valor de participação entre todos os tipos durante o tempo estudado. Do total de 3600t exportadas nos anos de 1975 e 1976, 2023 t foi do tipo 2 - 4, que corresponde a 56,2%. Em 1976, as participações relativas dos tipos 2 - 4 e 4 - 6 chegaram a 84% do total exportado. Neste ano, as exportações dos tipos 2 - 4 e 4 - 6 somaram 1100t do total de 1800t. Em 1977, os mesmos tipos participaram com 1975t do total de 2200t. Entre 1977 e 1983, há uma tendência decrescente nos valores do tipo 2 - 4. Nos anos de 1977 e 1978, o total exportado foi de 4600t, e o tipo 2 - 4 contribuiu com 2332t (50,7%). Este tipo foi sequenciado, entre 1969 e 1983, pelos tipos 4 -6; 6 - 8; 8 - 10; 10 - 12; 12 - 14; 14 - 16 e 16 -18, em ordem decrescente de participação relativa, com exceção do ano de 1973 onde o tipo 6 - 8 teve participação maior que o tipo 4 - 6.

De 1984 a 1994 predominou o tipo 4 - 6, com participações irregulares. Em 1984 e de 1986 a 1990, seguiram-se ao tipo 4 - 6, os tipos 6 - 8; 8 - 10; 2 - 4; 10 - 12; 12 - 14; 14 - 16; 16 - 18; 18 - 20, em ordem decrescente de participação relativa. Em 1985 e 1992, a sequência de ordem decrescente de participação, foi: tipos 6 - 8; 8 - 10; 10 - 12; 2 - 4; 12 - 14; 14 - 16; 16 - 18 e

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18 - 20. Em 1991 e 1993 ocorreu o mesmo que na sequência anterior, com exceção do tipo 18 - 20, cuja participação foi maior do que a do tipo 16 - 18.

De 1987 a 1994, observa-se uma tendência decrescente nos valores de participação relativa do tipo 2 -4.

No período de 1984 a 1994, todos os tipos tiveram participações irregulares, com exceção do tipo 2 - 4, cujos valores, a partir de 1989, apresentaram tendência decrescente.

Observou-se uma diminuição drástica nas participações do tipo 2 - 4, que em 1994 foi de 6,9%, já tendo alcançado, em 1976, 59,9% das participações.

Pela análise dos dados referentes ao período 1965 - 1994, segundo cada tipo, verificou-se as seguintes participações nas exportações: o tipo 2 - 4, com 30,2%; o tipo 4 - 6, com 29,1%; o tipo 6 - 8, com 18,6%; o tipo 8 - 10, com 11,9%, o tipo 10- 12, com 6,1%; tipo 12 - 14, com 2,0%; o tipo 14 - 16, com 1,2%; o tipo 16- 18, com 0,4% e o tipo 18 - 20, com 0,3%.

O esforço de pesca representa a ação predatória do homem sobre as populações aquáticas através do aparelho de pesca, causando certa mortalidade proporcional à intensidade de seu uso (FONTELES-FILHO, 1989).

No cálculo do esforço de pesca total, em covos-dia, por divisão da produção total pela Captura por Unidade de Esforço - CPUE, não se leva em consideração a parte da captura que é obtida por rede de espera que, supostamente, tem maior poder de pesca que os covos, deste modo, ao se utilizar apenas a CPUE controlada da pesca em covos, o esforço total torna-se subestimado em proporção com a diferença de poder de pesca entre os dois aparelhos (FONTELES-FILHO et ai., 1988).

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Tomando-se por base o barco de médio porte e assumindo-se a captura conjunta em número de indivíduos, para as duas espécies capturadas com rede e covo e o respectivo esforço de pesca, estimou-se em 0,0718 o Índice de Conversão do Esforço de Pesca - ICE, de um metro de rede para um cova. Aplicando-se a expressão do esforço padronizado (FONTELES-FILHO, 1989), o esforço aplicado apresentaria um valor bem superior.

O esforço aplicado á pesca da lagosta no Estado do Ceará, sofreu muitas variações, apresentando tendência crescente ao longo do período considerado.

0 ano de 1972 marca uma fase de elevada taxa de exploração, como consequência direta dos elevados níveis de esforços de pesca quando já se registrava sobreexploração do estoque lagosteiro. Este elevado índice de esforço de pesca não teve um correspondente aumento de produção.

Em 1973, a produção de caudas de lagostas atingiu 2100t, com um esforço de pesca de 24,1 x 106 covos-dia. SANTOS et al., (1973) estimaram a produção máxima sustentável em 2100t, que poderia ter sido alcançada com o esforço de 11,9x 106 cavos-dia.

MONTEIRO (1984) estimou a produção máxima sustentável em 2300t, para um esforço ótimo de 16,3 x 106 covas-dia . Neste ano, o total de caudas exportadas pelo Porto de Fortaleza foi de 1500t e o esforço de pesca atingiu 25,8 x 106 covos-dia.

A principal consequência do intenso esforço de pesca é a tendência para rejuvenescimento de toda a população. Isso desequilibra a estrutura etária por causa do aumento exagerado do estoque jovem e reduz a amplitude etária da população (MoNTEiRo, 1984).

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0 aumento exagerado do esforço de pesca produziu a diminuição da abundância de indivíduos adultos e reprodutores, que se evidenciou através da participação de indivíduos jovens na captura (MENDES, 1982).

Devido à captura de indivíduos jovens e imaturos, em 1976 a Superintendência do Desenvolvimento da Pesca - SUDEPE, estabeleceu várias medidas regulatórias para a pesca da lagosta, entre elas o tamanho mínimo de captura para as duas espécies, Panufirus argus e Panulirus

laevicauda, e o período de defeso.

0 tamanho mil-limo visa especificamente o controle de um tamanho mínimo de captura, e, o período de defeso, a redução da intensidade do esforço de pesca em termos físicos e econômicos (FONTELES-FILHO, 1979).

Essas medidas sofreram algumas adaptações ao longo do tempo, e hoje o tamanho mínimo de captura 6: 19,7 cm e 17,2 cm de comprimento total para as espécies P. argus e P. laevicauda, respectivamente, e o período de defeso tem duração de quatro meses (CEPENE, 94).

COSTA et ai. , (1974) observaram, em amostragens feitas em industrias de pesca de Fortaleza, a participação de 91% de jovens no total do tipo 3, exportado.

Após 1977, nota-se que a participação relativa dos tipos menores vem diminuindo. 0 que talvez seja reflexo das medidas de regulamentação adotadas no ano anterior.

As lagostas pequenas e mais jovens capturadas pela pesca comercial fazem parte do primeiro tipo (2 - 4). As altas participações relativas deste tipo no período de 1975 - 1977 podem refletir a concentração do esforço sobre este segmento da população.

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Observa-se reduções drásticas nas participações de jovens nas exportações de caudas congeladas de lagostas no período entre 1990 e 1994. Os dados apresentados na tabela 1, quanto às participações relativas do tipo 2 - 4 neste período, não incluem os percentuais de lagostas exportadas sob outras formas. Com a diversificação das formas de apresentação dos produtos, lagostas cozidas inteiras e lagostas vivas passaram a ser exportadas. A forma de lagosta cozida inteira concentra grandes quantidades de lagostas jovens. A participação relativa do tipo 2 - 4 nos anos de 1989 e 1990, cuja média foi de 12,9% (tabela 1), não apresenta o percentual de 6,2% de caudas de lagostas jovens exportadas como lagostas inteiras cozidas. Nestes anos, além das 4200t de caudas de lagostas foram exportadas 779t de lagostas inteiras cozidas, que correspondem a 260t de caudas.

0 fato de os indivíduos menores apresentarem contribuição decrescente para o volume de exportação, reforça o argumento de que a elevada proporção de lagostas jovens na captura, em alguns anos, não significa sobrepesca, mas sim um ajustamento da população a um eventual excesso de recrutamento (FONTELES-FLHO, 1988).

Um outro argumento que pode justificar essa grande variação das participações relativas de lagostas menores, é o "fato de lagostas oriundas do Nordeste, serem embarcadas no Porto de Santos, e sobre as quais existem suspeitas de serem imaturas. Sendo que a fiscalização nada encontrou até o momento" (CEPENE, 1994).

Tipos maiores, como 4 - 6 e 6 - 8, mantiveram certa regularidade nas variações das participações relativas ao longo do tempo.

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A população tende a se tornar gradativamente mais vulnerável à pesca medida que seus indivíduos aumentam de tamanho e se dispersam das áreas de criação para as de alimentação. No entanto, quando os indivíduos integram a fase adulta, sua vulnerabilidade passa a experimentar variações regulares ao longo do ano em decorrência das próprias caracteristicas biológicas da população, como por exemplo, as lagostas fêmeas que na época da reprodução evitam aparelhos iscados (FONTELES-FILHO, 1979).

Este fato pode explicar a maior regularidade dos percentuais de participação de tipos maiores. Além disso, deve-se ressaltar que o número de recrutas é maior que o de reprodutores.

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4-CONCLUSÃO

Não foi verificado um aumento nas participações relativas de tipos menores ao longo do tempo estudado. Os tipos maiores mantiveram certa regularidade nas participações relativas. As variações dos tipos menores apresentaram tendência decrescente, principalmente nos últimos anos, em função do esforço de pesca aplicado às pescarias e da diversificação das formas de apresentação da lagosta no mercado exterior.

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5- SUMARIO

A exploração e exportação de caudas congeladas de lagostas tiveram inicio no ano de 1955. Por ser uma atividade muito lucrativa, esta exploração desenvolveu-se muito e foi um fator de estímulo no incremento da pesca no Estado do Ceará e do Nordeste.

0 alto valor alcançado pela lagosta no mercado internacional, motivou o progressivo aumento da produção e exportação. Pelo mesmo motivo, o esforço de pesca aplicado às pescarias de lagostas, teve um crescimento exponencial a ponto de interferir na biologia das espécies exploradas.

0 presente trabalho associa as participações relativas dos tipos de caudas de lagostas exportadas pelo Porto de Fortaleza ao esforço de pesca aplicado às pescarias do Estado do Ceará, entre 1965 e 1994.

Foram analisadas as variações, por tipo, em diversos períodos durante o tempo estudado, fazendo relação à vários parâmetros que pudessem estar ligados a estas variações.

São feitos comentários sobre o desenvolvimento do esforço, os quais foram associados às oscilações da participação relativa de caudas de lagostas exportadas.

Foi concluído que o esforço de pesca aplicado às pescarias de lagostas no Estado do Ceará e a diversificação das formas deste produto, tiveram influência direta na variação dos tipos de caudas congeladas de lagostas exportadas pelo Porto de Fortaleza, durante o período estudado.

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6- BIBLIOGRAFIA

CEPENE, Relatório da Reunião do Grupo Permanente de Estudos da Lagosta. Tamandaré - PE. 1991. 75p.

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MENDES, G.M.S. Análise do efeito da pesca sobre a produção das lagostas

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Tipos (onças) Participação Relativa (%) 65-66 67-68 69-70 71-72 73-74 75-76 77-78 79-80 81-82 83-84 85-86 87-88 89-90 91-92 93-94 Média 2 - 4 29,4 33,1 41,9 36,8 37,3 56,2 50,7 45,5 37,4 22,0 14,0 8,2 12,9 8,7 7,2 30,1 4 - 6 41,7 38,1 27,4 30,1 22,7 22,0 26,8 26,6 28,4 27,7 28,2 34,1 29,5 25,8 27,0 29,1 6 - 8 19,9 18,0 18,5 22,4 22,5 11,7 11,0 13,5 15,2 18,5 21,6 20,6 22,1 19,6 22,4 18,5 8-10 7,3 8,7 9,6 8,5 12,9 6,7 6,0 8,2 9,8 14,3 17,7 13,5 16,6 18,5 18,1 11,8 10 - 12 1,4 1,9 2,4 2,2 4,5 2,7 4,3 4,4 6,4 10,3 10,9 8,5 10,8 15,1 12,3 6,5 12 - 14 0,2 0,1 0,1 - - 0,6 1,3 1,5 2,1 5,1 5,3 2,6 2,5 4,4 4,5 2,0 14 - 16 - - - 0,1 0,4 1,6 1,5 1,4 3,4 5,1 4,9 1,2 16 - 18 - - - 0,1 0,3 0,5 0,7 0,8 1,6 1,5 0,4 18 - 20 - - - 0,1 0,2 1,2 1,5 1,9 0,3 Total (%) 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 (kg x 106) 0,8 1,1 2,0 1,8 2,2 1,8 2,3 2,4 2,4 1,8 1,7 2,1 2,1 2,2 1,8 1,9

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entre 1965 e 1994.

Ano Esforço de Pesca (covos-dia) Anos Esforço de Pesca (covos-dia)

1965 2.053.912 1980 25.843.020 1966 3.447.823 1981 27.851.619 1967 3.971.947 1982 25.636.347 1968 6.562.413 1983 25.803.536 1969 11.479.839 1984 28.958.960 1970 10.716.963 1985 32.039.566 1971 13.104.234 1986 27.646.261 1972 18.172.161 1987 29.998.983 1973 24.460.126 1988 33.342.934 1974 20.147.263 1989 37.717.860 1975 18.541.100 1990 35.709.774 1976 19.087.541 1991 27.810.000 1977 22.157.282 1992 37.960.000 1978 22.538.600 1993 51.880.000 1979 22.441.769 1994 67.090.000

(22)

Fortaleza, no período de 1965 e 1994.

Anos Exportação (t) Anos Exportação (t)

1965 800 1980 2100 1966 800 1981 2300 1967 900 1982 2400 1968 1400 1983 1500 1969 1900 1984 2000 1970 2000 1985 2000 1971 1700 1986 1400 1972 2000 1987 2200 1973 2200 1987 2000 1974 2200 1989 1900 1975 1700 1990 2300 1976 1800 1991 2400 1977 2200 1992 1900 1978 2400 1993 1800 1979 2600 1994 1800

(23)

65-66 67-68 40 36 — 30 trr, 25 T) 20 16 R. 10 11 6

e.

3 5 7 9 11 13 15 17 19 3 7 11 15 19

Tipos de exportação (onças) Tipos de exportação (onças)

69-70 71-72 5 ;5 t5 ?.0 15 10 5 o 40 35 30 25 20 15 10 Pa rt ic ip ão r e la tiva ( %) 5 o 3 5 7 9 11 13 15 17 19 3 5 7 9 11 13 15 17 19

Tipos de exportação (onças) Tipos de exportação (onças)

73-74 40 35 `>3 30 'V 25 T.) "0 20 ,co ce 15 +:31 10 co 5 o. O 3 5 7 9 11 13 15 17 19 Tipos de exportação (onças)

Jra 1 - Participação relativa das caudas congeladas de lagostas, por tipo, exportadas pelo Porto de Forteleza entre 1965 e 1974

(24)

83 - 84 30

7

70 26 o 3 6 7 9 11 13 15 17 19 75 - 76 77 - 78 60 o 30 o 3 5 7 9 11 13 15 17 19 3 6 7 9 11 13 15 17 19

Tipos de exportação (onças) Tipos de exportação (onças)

79 - 80 40 35 30 26 20 15 10 5 81 - 82 Pa rtic ip ão re la tiva ( %) 3 5 7 9 11 13 16 3 6 7 9 11 13 15 17 19

Tipos de exportação (onças) Tipos de exportação (onças)

Tipos de exportação (onças)

Ira 2 - Participação relativa das caudas congeladas de lagostas, por tipo, exportadas pelo Porto de Fortaleza no período de 1975 e 1984

(25)

g. 5 co 30 4;fi 25 Tli 91 - 92 3 5 7 9 11 13 16 17 19 Par tic ip ão re la tiva ( %) 93 - 94 3 5 7 9 11 13 15 17 19 Par tic ip ão re la tiva ( %) 30 25 20 15 10 s o 3 6 7 9 11 13 15 17 19

Tipos de exportação (onças)

89 - 90

3 6 7 9 11 13 15 17 19 Tipos de exportação (onças)

3 5 7 9 11 13 16 17 19 Tipos de exportação (onças)

Tipos de exportação (onças)

ra

Tipos de exportação (onças)

13 - Participação relativa das caudas congeladas de lagostas, por tipo, exportadas pelo Porto de Fortaleza no período de 1985 a 1994

(26)

65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 Co vo s-dia Anos

Figura 4 - Esforço de pesca aplicado as pescarias de lagostas no Estado do Ceara no período de 1965 a 1994

Referências

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