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Relatório Final de Estágio Profissional

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Academic year: 2021

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Universidade do Porto Faculdade de Desporto

Relatório de Estágio Profissional

Relatório de Estágio Profissional apresentado com vista à obtenção do 2º ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário (Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de março e o Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de fevereiro).

Orientador: Mestre Rui Veloso

Valter Rafael Nunes Santos

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II

Ficha de Catalogação

Santos, V. R. N. (2011). Relatório de Estágio Profissional. Porto: V. Santos. Relatório de Estágio Profissional para obtenção do grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto, Universidade do Porto.

PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL, REFLEXÃO, PROFESSOR,

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III

Agradecimentos

Ao Mestre Rui Veloso, pela ajuda, orientação, disponibilidade, partilha de conhecimentos e pela confiança demonstrada.

À Professora Cristina Macedo, pela orientação, dedicação, compreensão, pela partilha de conhecimentos e pelo exemplo que é… É, sem dúvida uma referência para mim.

Aos meus colegas de estágio, Diana Robalinho e João Ferreira pela partilha, cooperação e motivação.

Aos meus alunos pelas experiências inesquecíveis que me proporcionaram.

Aos meus amigos, em especial ao Vítor pelo apoio, troca de conhecimentos e pela amizade.

À Sara pela compreensão e paciência demonstrada.

Ao Cristiano e a quem eu devo tudo, porque sem eles o alcance desta meta não seria possível…

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V

Índice Geral

Resumo ... XIII Abstract ... XV Abreviaturas ...XVII 1. Introdução ... 1 2. Enquadramento biográfico ... 3

2.1. O passado e a importância da formação académica, o presente e o futuro ... 3

2.2. O estágio profissional e principais espetativas ... 8

2.3. O culminar de um ciclo ... 12

3. Enquadramento da prática profissional... 15

3.1. Enquadramento legal, institucional e funcional ... 15

3.2. Ser professor ... 16

3.2.1. Responsabilidade em educar e ensinar ... 17

3.2.2. A importância dos valores... 22

3.3. O professor reflexivo ... 25

4. A prática profissional... 29

4.1. Planeamento ... 29

4.1.1. A seleção dos conteúdos ... 30

4.1.2. A seleção das situações de aprendizagem e a organização da aula ... 32

4.2. Realização... 33

4.2.1. Implementação de regras e de rotinas ... 34

4.2.2. A diferenciação do ensino... 35

4.2.3. Conduzir à interpretação e à análise nos Jogos Desportivos ... 39

4.2.4. O feedback - fecho do seu ciclo ... 41

4.2.5. O desenvolvimento da autonomia, da responsabilização e da cooperação ... 44

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VI

4.2.6.1. A variedade e a criatividade como catalisadores da motivação

e da aprendizagem ... 48

4.2.6.2. O que lhes proporcionei e os seus resultados ... 49

4.2.7. O desenvolvimento da condição física ... 53

4.2.7.1. A inclusão da condição física nas aulas e o seu desenvolvimento autónomo ... 54

4.2.7.2. Condição física: acrescento cultural ... 55

4.2.7.3. Os alunos de hoje ... 56

4.2.8. O Modelo de Educação Desportiva ... 59

4.2.8.1. “Da hesitação inicial à vontade de não acabar” ... 61

4.2.8.2. Prós e Contras ... 67

4.2.8.3. Diversidade de funções - alunos mais cultos ... 73

4.3. Avaliação ... 74

4.3.1. Avaliação diagnóstico - informação fornecida... 75

4.3.2. Da avaliação formativa à avaliação sumativa ... 75

4.4. Tema de aprofundamento - comparação entre alunos institucionalizados e não institucionalizados ... 80

4.4.1. O porquê deste aprofundamento ... 80

4.4.2. Enquadramento do tema - revisão de literatura ... 81

4.4.3. Objetivos do estudo ... 84 4.4.3.1. Objetivo geral ... 84 4.4.3.2. Objetivo específico ... 84 4.4.4. Limitações do estudo ... 84 4.4.5. Material e métodos ... 84 4.4.5.1. Caracterização da amostra ... 84

4.4.5.2. Seleção da amostra e recolha de dados ... 86

4.4.5.3. Instrumentos ... 86

4.4.5.4. Procedimentos estatísticos (tratamento dos dados) ... 87

4.4.6. Apresentação e análise dos resultados ... 91

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VII

4.5. A direção de turma ... 98

4.5.1. Acompanhamento do diretor de turma ... 98

4.6. A experiência no “processo de tutoria” ... 102

4.6.1. O porquê do meu envolvimento ... 103

4.6.2. A experiência ... 104 4.6.3. Os resultados ... 105 4.7. Participação na escola ... 106 4.7.1 Atividades desenvolvidas... 106 4.7.1.1. Corta-mato Escolar ... 107 4.7.1.2. V Meeting de Atletismo ... 109

4.7.1.3. Dia dos Desportos Alternativos ... 111

4.7.2. Desporto Escolar ... 113

4.7.2.1 Participação na atividade interna e externa ... 113

4.8. Relação com a comunidade ... 116

4.8.1. Dia dos Padrinhos e Afilhados ... 116

4.9. Participação em ação de formação ... 118

4.9.1. Ação de formação de Nestum Rugby - TAG Rugby ... 118

5. Conclusões e perspetivas futuras ... 121

6. Referências Bibliográficas ... 125 7. Anexos ... XIX

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IX

Índice de Tabelas

Tabela 1: Frequência semanal com que praticam exercício físico ... 85

Tabela 2: Frequência semanal com que praticam desporto ... 85

Tabela 3: Frequência semanal com que praticam exercício físico ... 85

Tabela 4: Frequência semanal com que praticam desporto ... 86

Tabela 5: Categorias para os motivos que levam os alunos a gostar da disciplina de EF ... 89

Tabela 6:Categorias para os motivos que levam os alunos a gostar das aulas de EF ... 89

Tabela 7: Categorias para os motivos que levam os alunos a atribuírem importância ao Exercício Físico/Desporto nas suas vidas... 90

Tabela 8: Análise do gosto pela disciplina de EF ... 91

Tabela 9: Análise do gosto pelas aulas de EF ... 91

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XI

Índice de Anexos

Anexo 1 - Roulement ... XIX Anexo 2- Planos de treino individuais ... XXI Anexo 3 – Ficha informativa de condição física ...XXII Anexo 4- Ficha de jogo (Modelo de Educação Desportiva) ...XXIII Anexo 5- Ficha de estatística (Modelo de Educação Desportiva) ... XXIV Anexo 6- Quadro competitivo (Modelo de Educação Desportiva) ... XXV Anexo 7- Sistema de pontuação (Modelo de Educação Desportiva) ... XXVI Anexo 8- Contrato de capitão e equipa (Modelo de Educação Desportiva) ... XXVII Anexo 9 – Questionário de motivação ... XXVIII

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XIII

Resumo

A elaboração deste documento tem como objetivo realizar uma análise reflexiva das experiencias proporcionadas pelo Estágio Profissional desenvolvido, tendo em consideração as 4 áreas de desempenho previstas no Regulamento de Estágio Profissional (Matos, 2010b): 1- “Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem”; 2- “Participação na Escola”; 3- “Relação com a Comunidade” e 4- “Desenvolvimento Profissional”. Este decorreu na Escola Secundária de Carvalhos, situada na cidade de Vila Nova de Gaia.

O presente relatório encontra-se dividido em cinco capítulos. No primeiro

(“Introdução”), foco-me com brevidade no enquadramento geral do estágio. No

segundo (“Enquadramento Biográfico”) apresento o meu percurso académico, desportivo e profissional, refiro-me ao estágio e quais as minhas expetativas em relação ao mesmo. No terceiro (“Enquadramento da Prática Profissional”) reporto-me ao enquadramento legal, funcional e institucional do Estágio Profissional, ao que é “Ser Professor”, à responsabilidade de Educar e Ensinar, à importância dos valores e à temática do Professor Reflexivo. O quarto (“A

Prática Profissional”) é destinado à reflexão das experiências mais marcantes e

preciosas do Estágio Profissional, quer estas se situem no espaço de aula, quer fora dele e que contribuíram para a minha evolução. Para finalizar, no quinto capítulo (“Conclusão e Perspetivas Futuras”), teço as principais conclusões acerca deste percurso e indico as minhas perspetivas e objetivos futuros.

Foi para mim um percurso de extrema importância, repleto de reflexão possibilitando-me ampliar conhecimentos e desenvolver capacidades, sendo ainda evidente a sua importância na construção do EU. O EU professor e o EU pessoa. Representou o término da minha Formação Inicial enquanto professor e o começo da Formação Contínua que não apresenta um fim à vista.

PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL, REFLEXÃO, PROFESSOR,

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XV

Abstract

The elaboration of this document aims to achieve a reflective analysis of experiences achieved during a Professional Internship, taking into consideration the 4 areas of performance requirements specified in the Regulation of Professional Internships (Matos, 2010b): 1- “Organization and Management of

Teaching and Learning”; 2- “Participation in the School”; 3- “Relationship with

the Community” and 4- “Professional Development”. It took place at the school

Escola Secundária de Carvalhos, located in the city of Vila Nova de Gaia. This report is divided into five chapters. In the first one (“Introduction”), I briefly focus the general framework of the internship. In the second chapter

(“Biographical Framework”) I present my academic, sporting and professional

pathway, with reference to the internship and to what my expectations were with regards to this program. The third one (“Guidelines of Professional Practice”) is directed to the legal, functional and institutional framework of the Professional Internship, to what “Being a Teacher” is, to the responsibility of Educating and Teaching, the importance of values and to the “Reflective Teacher” issue. The fourth one (“The Professional Practice”) aims at the reflection of the most remarkable and precious experiences, whether these occurred inside or outside the classroom space and which have contributed to my evolution. At last, in the fifth chapter (“Conclusion and Future Prospects”), I present the main conclusions regarding this pathway as well as my future prospects and objectives.

It was for me an extremely important journey, replete of reflection allowing me to expand my knowledge and develop new skills. Furthermore it has had an evident importance in the development of myself: myself as a teacher, myself as a person. It represented the end of my Initial Training as a teacher and the beginning of a Continuous Training that has no end in sight.

KEY WORDS: PROFESSIONAL INTERNSHIP, REFLECTION, TEACHER,

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XVII

Abreviaturas

EP – Estágio Profissional UD – Unidade Didática FB – Feedback DE – Desporto Escolar DT – Diretor de Turma

MED – Modelo de Educação Desportiva

AD – Avaliação Diagnóstico

AF – Avaliação Formativa

AS – Avaliação Sumativa

EF- Educação Física

NE- Núcleo de Estágio

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1. Introdução

A elaboração deste documento insere-se no âmbito da disciplina de Estágio Profissional do ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.

O EP surge como o ponto mais alto do ciclo de Formação Inicial rumo à docência. Foi para mim o momento mais aguardado da formação académica, aquele que me permitiria o confronto com o desempenho das funções docentes de forma contextualizada e real, perante o qual perspetivava que propiciasse um vasto conjunto de aquisições e conhecimentos. Concomitantemente, este percurso com a duração de um ano letivo, possibilitou-me dar os primeiros passos no longo caminho da Formação Contínua que se revela infinita e inacabada.

“O processo reflexivo caracteriza-se por um vaivém permanente entre

acontecer e compreender na procura de significado das experiências vividas”

(Machado, 2010, p. 32). Assente numa base reflexiva e ladeado pela supervisão, o EP possibilita o desenvolvimento de competências, de destrezas e de conhecimentos que conduzem à construção dos “alicerces” da identidade profissional. Tal como refere Matos (2010a, p. 3) este “visa a integração no

exercício da vida profissional de forma progressiva e orientada, através da prática de ensino supervisionada em contexto real, desenvolvendo as competências profissionais que promovam nos futuros docentes um desempenho crítico e reflexivo, capaz de responder aos desafios e exigências da profissão”.

A atitude reflexiva e construtiva permanente permitiu-me atribuir significado aos pequenos e grandes passos desta viagem, sem deixar de parte os pormenores da “paisagem”. Desta forma foi também possível compreender a abrangência da intervenção do professor e as implicações da profissão e, simultaneamente, clarificar o caminho a seguir na busca da excelência. “A

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consciência das exigências, dificuldades e desafios que a profissão lhes reserva, bem como as limitações e potencialidades do próprio formando”

(Caires & Almeida, 2003, p. 146).

Este documento tem como principal objetivo fazer transparecer o caminho por mim escolhido neste processo de formação nas quatro áreas de desempenho previstas no Regulamento de Estágio Profissional (Matos, 2010b): Área 1 – “Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem”; Área 2 – “Participação na Escola”; Área 3 – “Relações com a Comunidade”; Área 4 – “Desenvolvimento Profissional”. Pretendo desta forma, registar e analisar as diferentes experiências proporcionadas pelo EP, iluminadas pela interação dos processos de investigação/reflexão/ação e que contribuíram para o meu enriquecimento pessoal e profissional.

O presente relatório encontra-se dividido em cinco capítulos. No primeiro

(“Introdução”), foco-me com brevidade no enquadramento geral do estágio. No

segundo (“Enquadramento Biográfico”) apresento o meu percurso académico, desportivo e profissional, refiro-me ao estágio e quais as minhas expetativas em relação ao mesmo. No terceiro (“Enquadramento da Prática Profissional”) reporto-me ao enquadramento legal, funcional e institucional do Estágio Profissional, ao que é “Ser Professor”, à responsabilidade de Educar e Ensinar, à importância dos valores e à temática do Professor Reflexivo. O quarto (“A

Prática Profissional”) é destinado à reflexão das experiências mais marcantes e

preciosas do Estágio Profissional, quer estas se situem no espaço de aula, quer fora dele e que contribuíram para a minha evolução. Para finalizar, no quinto capítulo (“Conclusão e Perspetivas Futuras”), teço as principais conclusões acerca deste percurso e indico as minhas perspetivas e objetivos futuros.

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2. Enquadramento biográfico

2.1. O passado e a importância da formação académica, o presente e o futuro

Desde tenra idade, ou melhor, desde os primeiros momentos após o contacto com a vida, que nos tornamos seres capazes de sentir, de experimentar, de vivenciar e à medida que evoluímos, fazemo-lo de estádio em estádio, galgando etapas, irrompendo alteração nas mais diversas estruturas que nos compõem.

É a velocidade galopante a que os anos avançam, ficando para trás fantasias, caprichos e aventuras da infância. Somos seres em constante crescimento, com apetência para emanar capacidades e potencialidades, que vemos evoluídas de acordo com a nossa incursão na sociedade e na cultura em que estamos inseridos, através de permutas de valores, de crenças, de conhecimentos e de reaquisições e atualizações de saberes. São as experiências por que passamos que nos moldam, que nos permitem edificar a nossa personalidade e as formas de estar na vida. Vivenciamos momentos marcantes, sejam eles experimentados em condições adversas e perturbadoras, àqueles que representam cunhos profundos pela sua positividade, mas que se apresentam como denominadores comuns no acréscimo de maturação, de experiência, de diversidade situacional e de aquisição de novas aprendizagens e conhecimentos.

É com total naturalidade que me enquadro neste padrão evolutivo, segundo o qual pretendo deixar claros os resultados das relações simbióticas que obtive ao longo do meu percurso e dos acréscimos proporcionados pelas entidades responsáveis pelo meu aperfeiçoamento educacional e intelectual.

É com certa nostalgia que relembro os tempos de infância. Considero que sou um privilegiado por ainda fazer parte da geração que brincava na rua e nos bosques, sem limitações impostas por motivos de segurança. Aliado a este facto, assumiu extrema importância a quase inexistência de tecnologias que

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hoje em dia prendem as crianças aos sofás, tornando-se a inatividade a sua “atividade” favorita.

O ingresso no 1º Ciclo do ensino Básico marcou o início da aquisição de competências que serviram de base para obtenção de capacidades que hoje são fundamentais para a realização de tarefas académicas ou profissionais. Foi durante esses anos que surgiu a experimentação dos primeiros métodos de trabalho e o acréscimo de estímulos com vista ao desenvolvimento do sentido de responsabilidade. Ainda neste ciclo de ensino, surgiram as primeiras vivências desportivas em contexto escolar que, logo após a transição para o ciclo de ensino seguinte, foram ampliadas com a disciplina de Educação Física (EF), e com a participação em aulas de natação, assim como, com a prática de Andebol federado, no clube local. O Desporto passou a fazer parte da minha vida e, sem dúvida, interferiu na construção daquilo que hoje sou.

Na realização destas atividades sempre cumpri com as minhas responsabilidades e a aquisição de hábitos de treino e de disciplina sempre foram exigidos, quer pelos meus pais, quer pelos treinadores e dirigentes desportivos que me acompanharam. O cumprimento destas exigências sempre foi fácil de alcançar, pelo facto de me encontrar extremamente motivado. Sempre me assumi como uma pessoa sociável e de integração fácil, no entanto, sempre me revelei ansioso e inseguro em momentos de competição e avaliação, sentindo medo de falhar. Da mudança de curso no decorrer do Ensino Secundário, retirei a lição de que só conseguimos ser bons a fazer aquilo de que realmente gostamos, sendo que a motivação é fundamental para obter os resultados desejados e para nos mantermos envolvidos naquilo a que nos propomos. Este episódio contribuiu para a análise profunda da importância do Desporto na minha vida e foi um marco importante na decisão de qual o futuro a seguir.

Foi no decorrer da licenciatura em Ciências do Desporto que adquiri as primeiras experiências profissionais, que foram diversificadas e que se alongaram até à incursão no Mestrado, as quais considero terem sido uma mais-valia para o desenvolvimento de competências e de capacidades.

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A monitorização de acividades de ar livre levou-me a compreender a importância da brevidade dos discursos e de enfatizar determinados aspetos relevantes do seu conteúdo de forma emotiva e cativante. Auxiliou-me na criação de soluções para o inesperado, isto é, a realizar pequenos ajustes em relação ao previamente definido.

O treino de crianças dos 4 aos 10 anos de idade, na modalidade de futebol no Sporting Clube de Arcozelo, veio reforçar a importância do anteriormente referido, assim como, da seleção criteriosa da informação a transmitir, de forma a manter os jovens atletas atentos.

Os envolvimentos em atividades de academia (hidroginástica e Indoor

Cycling) proporcionaram-me melhorias essencialmente no espectro da

comunicação, mais precisamente, ao nível da colocação de voz. A generalidade destas aulas desenrola-se na presença de música, sendo necessário que quem as dirige se faça ouvir.

Apesar de o anteriormente referido se ter revelado importante para adquirir capacidades e competências que facilitassem a intervenção futura em contexto escolar, considero que a experiencia mais enriquecedora ocorreu na lecionação de aulas de natação, pela variedade de sujeitos com que interagi e pela melhoria da capacidade de observação. Num dos locais em que desempenhei esta atividade, tive a difícil tarefa de dirigir um grupo de crianças provenientes de uma instituição que acolhia crianças desprotegidas e com patologias do foro cognitivo e motor, as quais revelavam condutas inapropriadas ao correto funcionamento de uma aula. O contacto inicial com este tipo de crianças foi difícil e assustador, contudo, fui mobilizando estratégias e experimentando diferentes formas de organização das aulas, com o intuito de conseguir o correto funcionamento destas, tendo sido fundamental a inclusão de regras e de rotinas.

É de forma muito positiva que encaro esta diversidade de experiências e de funções, uma vez que me conduziram à melhoria da capacidade de trabalho, de organização e gestão de tempo, à melhoria dos níveis de autoconfiança e de controlo da ansiedade e, ao acréscimo de conhecimentos específicos em cada uma das diferentes áreas. O facto de interagir com

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crianças, jovens, adultos e idosos, conferiu-me a capacidade de melhorar e adequar a interação e a comunicação de acordo com cada faixa etária, isto é, contribuiu para o desenvolvimento da minha capacidade de estabelecimento de relações sócio-afetivas.

A obtenção do grau de Licenciatura em Ciências do Desporto enquadrado no Processo de Bolonha, não me proporcionou a aquisição de conhecimentos profundos ao nível da Didática Geral e Específica, mas sim, a realização prática de diferentes modalidades desportivas e a aquisição de conhecimentos de ao nível da Pedagogia do Desporto, da Historia do Desporto, e de outras áreas nucleares, como o Treino Desportivo, a Anatomia Funcional, Fisiologia do Exercício, a Aprendizagem Motora, Teoria e Metodologia do Treino Desportivo, entre outras, de semelhante importância.

A realização da opção de Exercício e Saúde proporcionou-me a obtenção de conhecimentos na área na qual já exercia funções, contudo, considero que os conhecimentos daí provenientes são perfeitamente transferíveis e aplicáveis na escola, dos quais destaco, as metodologias de treino de força, a prescrição de exercício físico a populações com doenças crónicas (diabetes, obesidade, doenças respiratórias, doenças cardiovasculares, etc.). Realço ainda que algumas das modalidades abordadas nesta opção constam no Programa Nacional de Educação Física, sendo elas, a Orientação, a Aeróbica e a Escalada, pertencendo as duas últimas às matérias alternativas.

É já no decurso do Mestrado de 2º Ciclo em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário que o sentimento da importância de interligação de conhecimentos se começa a evidenciar. Se nos anos de licenciatura os conteúdos das diferentes cadeiras que constituem o curso pareciam surgir de forma descontextualizada, nesta nova realidade comecei a perceber melhor a importância e utilidade de todas elas.

O primeiro ano neste ciclo de ensino representou a mudança profunda, a orientação no sentido da escola. Foi neste ano que percecionei de forma mais realista o seu funcionamento, o que é exigido àqueles que nela atuam enquanto educadores e, onde adquiri conhecimentos específicos da forma de intervenção em aula com vista à colocação em prática dos Programas de

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Educação Física. No final deste percurso que antecedeu a realização do EP lamento apenas as reduzidas e irreais vivências em contexto escolar. No entanto, as experiências profissionais já mencionadas, ampliaram o meu contacto com a Didática, embora que em contextos distintos, mas igualmente construtivos, enriquecedores e promotores de aprendizagem e de conhecimento.

Em relação ao passado recente, considero que a realização do EP interferiu positivamente na construção da minha personalidade e provocou alterações na forma de estar. Tornei-me mais confiante, melhorei a capacidade de lidar com a pressão e com as situações de avaliação. A partir de agora, certamente, reagirei de forma mais natural a estas circunstâncias. Na realidade, estou sempre a pôr-me à prova e estou sempre a autoavaliar-me, estando, igualmente certo de que desenvolvi o espírito auto-crítico e que nunca senti tanto gosto em superar desafios como ao longo deste estágio.

A cada dia de trabalho, de esforço e de dedicação, senti que acrescentava algo de novo à minha forma de pensar, de intervir e de ver o ensino, no entanto, finda esta longa etapa, considero que ainda muito há a saber perante a vasta panóplia de conhecimentos, destrezas, e capacidades que o professor deve possuir rumo à excelência. É com esta atitude de insatisfação com aquilo que sei, que pretendo construir-me e superar-me a cada desafio, procurando no futuro, vencer desafios cada vez mais difíceis e complexos, que me conduzam a evoluções constantes. No entanto, questiono-me: Será esta tarefa fácil? Certamente não mas, apesar da conjuntura política, económica e social que vivemos, sinto-me motivado para ir em busca daquela que é a minha primeira prioridade, a de Ser professor de EF. Creio que, a junção de dois ingredientes denominados de prazer e motivação, atuam como catalisadores de tudo o resto, essencialmente, das boas práticas. Resta-me acreditar, que mais tarde ou mais cedo as oportunidades surgirão.

Para finalizar, destaco que me preocupa saber que as crianças cada vez menos praticam desporto e cada vez mais a sociedade exige do professor e menos do aluno. Só despertando neles o gosto pela disciplina pela qual somos responsáveis é que conseguiremos conduzi-los à adoção de estilos de vida

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saudáveis e à aquisição de novas destrezas e competências. Cabe ainda a todos os docentes exigir cada vez mais dos alunos, sendo para isso necessário manter os níveis de empenhamento e de dedicação na sua atuação diária.

2.2. O estágio profissional e principais espetativas

“O estágio deve representar o clímax de um processo de formação que garanta o domínio das competências requeridas pela profissão docente.”

(Proença, 2008, p. 119)

Os planos de formação de professores incorporam o aprofundamento de conhecimentos nas mais diversas áreas e na sua reta final incluem a realização de Estágio Pedagógico ou EP. Simões (cit. por Caires & Almeida, 2003, p. 145) refere que esta etapa (EP) se trata de “...um período único e significativo na

vida pessoal e profissional de qualquer professor.” Machado (2010, p. 5) refere

que se trata de “um momento privilegiado na formação inicial, sendo a prática

um espaço integrador de competências, em que a acção, a experimentação e a reflexão, são condições essenciais na aquisição de conhecimento sobre o ensinar, na tomada de decisão e resolução de problemas, e se constituem

como elementos autoformativos, geradores de autonomia e descoberta”. Os

estágios na formação dos alunos do Ensino Superior devem procurar uma elevada articulação entre a prática e a formação teórica adquirida na universidade, tornando-se o estágio um óptimo local para o conseguir (Caires, 2001).

Evidenciando ainda a importância desta etapa na formação de professores, Capel et al. (cit. por Caires & Almeida, 2003, p. 145) afirmam que

“durante o estágio pedagógico, o candidato a professor constrói o seu próprio repertório de competências e conhecimentos, e desenvolve a sua capacidade de avaliação profissional de uma forma mais rápida e intensa do que em

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Esta nova realidade decorrida num contexto completamente distinto dos restantes anos de formação académica possibilitou-me, para além da aquisição de competências e conhecimentos, a atribuição de significação a aquisições teóricas previamente adquiridas, o verdadeiro contacto com a profissão para a qual direcionei os últimos 5 anos de estudos, o confronto com dificuldades decorridas da prática e a perceção de pontos fracos e fortes da minha intervenção e do meu conhecimento.

Em torno desta experiência de entrega à profissão foram estabelecidas relações profundas de entreajuda e cooperação entre os alunos estagiários e a professora cooperante (PC), revelando-se imprescindíveis as trocas de ideias, assim como, a análise de diferentes estratégias e formas de intervenção. Considero fundamental destacar o importante envolvimento com a PC que, para além de outras vivencias, possibilitou a observação e o diálogo acerca das suas intervenções e formas de atuação, acabando por servir como exemplo a atuação de alguém com largos anos de experiência, o que acaba por ser uma verdadeira vantagem. Neste sentido, Caires (2001, p. 126) baseada nas ideias de Matos & Costa (1993); Booth et al., (1995) e Alarcão (1996) refere que “a

observação da actuação do seu supervisor enquanto modelo de mestria e a existência de algumas pistas e demonstrações acerca de como deverá desempenhar as suas tarefas são, também, importantes fontes de segurança pois dão referências quanto à forma de actuar do aluno (…) assegurando, ao mesmo tempo, a estrutura necessária para que o aluno se sinta mais seguro e apoiado”. A meu ver, não se trata de seguir as suas pisadas, uma vez que o

que pode dar resultado numa turma, poderá não conduzir a resultados semelhantes quando aplicados noutras. Julgo tratar-se de um acrescento que contribui para o aumento do reportório de formas e estratégias de atuação (gestão do grupo, implementação de rotinas, situações de aprendizagem, manutenção da ordem e da disciplina, etc.), que naturalmente conduzem o estudante estagiário à inquietação, levando-o a refletir.

A entrada neste novo mundo ocorreu de forma progressiva. Se inicialmente tudo para mim era tido como novo, numa fase final, surge o

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sentimento de pertença a um grupo, a uma classe profissional, a um lugar e a uma comunidade.

Aquando da aproximação da incursão nesta etapa que me poria à prova, deparei-me com algumas inquietações, questionando-me: Será que terei vocação para desempenhar este cargo de extrema responsabilidade? Será que me vou sentir capaz de realizar esta profissão toda a vida? Como será? Terei eu uma ideia errada daquilo que é ser professor? Serão os meus conhecimentos suficientes para o desempenho prático?

Desta forma, considero ser determinante redigir acerca das minhas expetativas em relação ao EP, que para mim se assumiu de importância extrema. Este representou o ponto de partida para a minha formação profissional, uma vez que apenas possuía as bases para a construção da minha identidade. Pretendi dele obter um conjunto de conhecimentos, competências e experiências que me fizessem amadurecer e munir de um conjunto de utensílios que me permitissem ser um professor competente e exemplar.

Idealizei que o contacto com a prática de forma plenamente contextualizada me permitisse percecionar e ultrapassar as principais lacunas e dificuldades na relação teoria-prática. Nesta passagem pela instituição escolar contava poder descobrir e aprender por mim próprio e introduzir um cunho pessoal às minhas intervenções e propostas de trabalho, tornando-me progressivamente mais autónomo.

Para além do anteriormente referido, acreditava manter uma relação transparente, cordial e cooperativa com a PC e com o restante núcleo de estágio (NE), pois tinha a noção de que, só mantendo estes relacionamentos alimentados por um ambiente de dedicação, cooperação e empenho seria possível fruir de momentos enriquecedores, de partilha de conhecimentos e construção mútua.

Na condição de futuro professor de EF tracei como principais objetivos o despertar/incrementar nos alunos o gosto pelo exercício físico e atividade desportiva, com vista à obtenção de estilos de vida saudáveis conduzindo-os a um futuro melhor. Tive ainda a intenção de formar integralmente

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alunos/cidadãos através do movimento e da prática desportiva. Para que isso acontecesse pretendia, para além das atividades desenvolvidas com a turma, dinamizar também no seio da comunidade escolar, em conjunto com o NE, algumas atividades (Corta-mato escolar, o Meeting de Atletismo e o Dia dos Desportos Alternativos) para as quais contava com o apoio e colaboração da escola e de forma mais particular, do Grupo de EF.

Ao longo dos anos de licenciatura e do 2º Ciclo de Estudos existiram disciplinas que me marcaram profundamente e que previa que os frutos delas obtidas me facilitassem a intervenção na experiência que foi o EP, nomeadamente a Didática de Voleibol que contribuiu para melhorar a minha capacidade de observação e a atitude reflexiva, uma vez que as reflexões das aulas lecionadas na faculdade ou na escola eram realizadas em grupo, tornando-se mais enriquecedoras e construtivas. Destaco ainda as disciplinas de Gestão e Cultura Organizacional da Escola e de Profissionalidade Pedagógica, que me permitiram, respetivamente, compreender melhor o funcionamento/organização das instituições escolares e orientar a minha atividade em busca da minha identidade profissional e da minha construção como professor/educador.

Perspetivei ainda que determinadas potencialidades desenvolvidas em experiencias profissionais já referidas, tais como a colocação de voz (provenientes essencialmente das aulas de academia) e a elaboração da instrução (praticadas na lecionação de aulas de natação e na direção de treinos de futebol) facilitem a minha atividade junto da turma.

Em tom de conclusão, saliento que a competência e a mestria só são atingíveis através da busca incessante de novos saberes e conhecimentos, da autoformação, da diversidade de experiencias e da reflexão acerca das mesmas. Só com esta atitude de descontentamento com aquilo que sei (e com o que não sei) conseguirei seguir o caminho que me conduzirá à exaltação e à transcendência, e como considero que somos um projeto em constante construção e inacabado, buscarei constantemente novas transcendências e superações. Só assim poderei SER PROFESSOR, no verdadeiro sentido da palavra.

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12 2.3. O culminar de um ciclo

A conclusão da Licenciatura em Ciências do Desporto significou para mim a aquisição de um vasto leque de conhecimentos e de fortes vivências do ponto de vista social que, contudo, em termos de realização pessoal se traduziu apenas na obtenção de um grau académico, uma vez que o alcance do objetivo primordial que me conduziu ao ingresso no ensino superior estava ainda longe de ser alcançado, o de ser professor de EF.

Concluído o EP, considero que foram desenvolvidas inúmeras capacidades de natureza cognitiva, pessoal e interpessoal. Esta passagem pela instituição Escola representou assim, o culminar de um ciclo que marca o final da minha formação académica/formação inicial e a obtenção do grau de Mestre, tendo, certamente, dado o próximo passo em direção ao mercado de trabalho, facto que implica uma mudança profunda.

Caires (2001) baseada nas ideias de Sprinthall & Collins (1994) e Seligman (1994) refere que os anos passados no ensino superior promovem um conjunto diversificado de mudanças e aquisições. Reconheço a veracidade destas mudanças e aquisições, contudo, estou consciente que existem ainda competências e capacidades a melhorar, bem como, dificuldades a ultrapassar, uma vez que esta viagem apenas representa o término da minha formação inicial, sendo evidente que irei adquirir novas competências através do contacto com novas dificuldades e com novas vivências, aquando do futuro contacto com o desempenho de funções docentes.

“A escola exige do professor a consciência de que a sua formação nunca está terminada” (Alarcão, 2001, p. 24). Após este período de enriquecimento constante, de construção pessoal, destaco que se torna fundamental a oposição à estagnação evolutiva. O professor deve manter-se atualizado, procurando novos conhecimentos e estratégias e deve refletir, constantemente, acerca da sua atuação e das suas práticas.

Para destacar a minha ideia clara deste fecho de ciclo, finalizo, mencionando Hargreaves (cit.por Paim, Loro, & Tonetto, 2008), segundo o qual, a formação inicial é apenas o primeiro passo para a formação contínua.

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Esta última representa um processo de aprendizagem que não termina com a obtenção de qualquer grau académico, mas que se prolonga para toda a vida. Desta forma, considero que o futuro exercício da profissão docente representará a continuidade deste ciclo sem fim à vista, o da formação contínua.

Só com a busca permanente no sentido de engrandecer a vasta panóplia de destrezas e saberes que são exigidos ao professor é que este poderá acrescentar algo aos seus alunos/cidadãos.

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3. Enquadramento da prática profissional

3.1. Enquadramento legal, institucional e funcional

A realização de EP encontra-se suportada na base legal do decreto de lei nº 74/2006 de 24 de março e o decreto de lei nº 43/2007 de 22 de fevereiro e nos regulamentos institucionais em vigor: Regulamento do curso de Mestrado em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, Regulamento Geral dos Segundo Ciclos da Universidade do Porto e Regulamento Geral dos Segundo Ciclos da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.

Este encontra-se integrado no 2º ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre no Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto e a sua integração ocorre no 3º e 4º semestres deste ciclo.

O EP desenrola-se num contexto real de ensino, em que o estudante estagiário, durante todo o ano letivo, assume as responsabilidades adstritas a qualquer outro professor na sua atuação diária.

Para a sua realização fui colocado como estudante estagiário na escola Secundária de Carvalhos com 3º Ciclo do Ensino Básico, situada na Vila de Pedroso, pertencente ao concelho de Vila Nova de Gaia. Nesta incursão ficou sobre a minha responsabilidade a lecionação a turma de 25 alunos do 7º Ano de escolaridade.

A orientação da prática de Ensino Supervisionada encontra-se regulamentada nos artigos 6º (Atribuições dos Orientadores da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto) e 7º (Atribuições dos professores cooperantes) do Regulamento do Estágio Profissional da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (Matos, 2010b). Esta ficou a cargo de um docente da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, sendo ainda diariamente acompanhada por uma PC com largos anos de experiência que leciona na escola anteriormente referida, estabelecendo-se assim a ligação entre a Faculdade e a Escola.

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16 3.2. Ser professor

A realização do EP possibilitou-me a vivência daquilo que é a profissão Docente. No contacto inicial surgiu um certo estranhar no desempenho das diversas funções do professor que se revelam de relativa complexidade. No entanto, no convívio direto com os alunos foi possível reforçar a perceção da dimensão e da responsabilidade do desempenho desta profissão, sendo evidente a importância de o professor representar um modelo a seguir, não apenas no espaço e tempo de aula, mas na totalidade de momentos em que professor e aluno se cruzam, mesmo que, presentes no espaço exterior das paredes que limitam a instituição escolar.

A sociedade em que vivemos caracteriza-se cada vez mais pela sua constante mutação, sendo evidentes as crises políticas, sociais, económicas e fundamentalmente axiológicas que nela ocorrem. Estes factos acabam por dificultar a intervenção daqueles que dia a dia lutam por um mundo melhor, pela paz social, pela justiça, pelo desenvolvimento cultural dos povos e pela igualdade, isto é, aqueles que se preocupam com a sociedade e que lutam pelo primado da EDUCAÇÃO.

O professor assume um papel preponderante para vencer esta enorme batalha. Na sua atuação diária, não deve apenas conduzir à aprendizagem, deve também munir-se de vontade para modificar o outro. Para que tal aconteça, os valores têm que estar sempre presentes e de forma bastante condimentada, de forma a tornar o ser humano valioso, íntegro e cada vez mais humano. Para além de ter que possuir um quadro de valores de referência, o educador não pode abrir mão de uma atitude ética, devendo ter sempre presente a importância da sua função e a vontade de ajudar aqueles com que interage na ação educativa, sendo o aluno o centro das atenções da sua atuação, colocando de parte os interesses pessoais e promovendo a justiça e a igualdade social.

Ao longo deste capítulo, pretendo fazer transparecer o que é “Ser Professor”, reforçando a importância da educação, dos valores na construção

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de cidadãos, bem como da atitude reflexiva do professor, para obtenção de melhorias na sua abrangente atuação.

3.2.1. Responsabilidade em educar e ensinar

Na atualidade, considero ser notória a crise que rodeia a profissão docente, não sendo a sua importância e o seu valor reconhecidos pela sociedade, muito devido às dificuldades de obtenção de resultados satisfatórios em algumas áreas curriculares. Considero que estes resultados também se devem a lacunas educacionais que as crianças de hoje evidenciam, uma vez que se deparam com a ausência ou insuficiência de intervenção da família, acabando por ser atribuídas as responsabilidades, unicamente, à escola. Savater (2010, p. 25) afirma que “a autoridade sobre elas exercida deverá

caracterizar-se pela continuidade – primeiro, na família, depois na escola (…)”.

Encaro que esta ausência da autoridade na família contribui para aumentar a dificuldade da intervenção do professor, tornando-se difícil a obtenção do sucesso educativo desejado.

O significado atribuído a ensinar veio a ser modificado ao longo dos tempos. No passado longínquo a interpretação de ensinar como transmitir um saber, possuía um significado socialmente pertinente, uma vez que o saber disponível era menor, de reduzido alcance, e o seu domínio pertencia apenas a alguns indivíduos (Roldão, 2007). De acordo com o mesmo autor, nestes contextos estaríamos perante a ideia de que ensinar consistia em passar conhecimentos, torná-los públicos.

Na atualidade, com a evolução da sociedade e dos instrumentos tecnológicos, os indivíduos não apresentam dificuldades em aceder à informação, estando esta em todos os locais e ao acesso de todos. Assim, de acordo com Roldão (cit. por Roldão, 2007, p. 95), “Ensinar configura-se (…)

como a especialidade de fazer aprender alguma coisa a alguém”. Tendo em

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ideias se revela insuficiente, surgindo a necessidade de conduzir a aquisições de diversos saberes.

O professor enquanto ator responsável pela educação e construção de sujeitos, os quais devem ser cada vez mais capazes de participar ativamente no mundo que os rodeia, deve proporcionar-lhes a aquisição de uma variedade de aprendizagens.

De acordo com Delors et al.(1996, p. 77), “a educação deve organizar-se

à volta de quatro aprendizagens fundamentais que, ao longo de toda a vida serão dalgum modo para cada indivíduo, os pilares do conhecimento”, sendo

estes o “aprender a conhecer”, o “aprender a fazer, o “aprender a viver juntos” e o “aprender a ser”. “Aprender a conhecer” “visa (…) o domínio dos próprios

instrumentos do conhecimento, pode ser considerado, simultaneamente, como um meio e como uma finalidade da vida humana. Meio, porque se pretende que cada um aprenda a compreender o mundo que o rodeia, pelo menos na medida em que isso é necessário para viver dignamente, para desenvolver as suas capacidades profissionais, para comunicar. Finalidade, porque baseado no prazer de compreender, de conhecer, de descobrir” (idem, p. 78). “Aprender a fazer” visa levar o aluno a “adquirir, não somente, uma qualificação profissional mas, duma maneira mais ampla, competências que tornem a pessoa apta a enfrentar numerosas situações e a trabalhar em equipa” (idem,

p. 88). O “aprender a viver juntos”, revela-se igualmente de importância extrema, essencialmente pelo facto de ser cada vez mais comum a ocorrência de atos violentos na escola, logo, o professor deve “ensinar a não violência na

escola” (idem, p. 83), deve “transmitir conhecimentos sobre a diversidade da

espécie humana e, por outro, levar as pessoas a tomar consciência das semelhanças e da interdependência entre todos os seres humanos do planeta”

(idem, p. 84). Tendo em vista a eliminação de possíveis conflitos “a educação

deve, pois, reservar tempo e ocasiões suficentes nos programas para iniciar os jovens em projectos de cooperação, logo desde a infância, no campo das actividades desportivas e culturais, evidentemente, mas também estimulando a sua participação em actividades sociais (…)”(idem, p. 85). Este tipo de

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afáveis e para combater as discriminações sociais. Por último, quanto ao “Aprender a ser”, Delors et al.(1996, p. 86) indicam que “mais do que preparar

as crianças para uma dada sociedade, o problema será, então, fornecer-lhes constantemente forças e referências intelectuais que lhes permitam conhecer o mundo que as rodeia e comportar-se nele como actores responsáveis e justos”.

Considero ser evidente a interdependência e a importância do desenvolvimento destas quatro aprendizagens, no sentido de os alunos tirarem delas o seu máximo proveito para a vida e para que cada um faça com que seja possível alcançar o “ideal” de sociedade.

O contacto com a instituição escola neste EP possibilitou-me a aferição daquilo que é o desempenho da profissão docente, à qual não considero ser arriscado afirmar que exige do professor a entrega permanente à profissão, uma vez que as necessidades educativas variam no tempo e no espaço. Afirmo-o com total veemência, pois considero ser evidente que num curto período de tempo (4 anos que separam a minha saída no ensino secundário e o inicio do EP), presenciei duas realidades completamente distintas, nas quais foi possível detetar a regressão relativamente às atitudes e comportamentos por parte dos alunos de hoje. Desta forma, cabe ao professor contrariar esta tendência, através da construção ativa da sua profissionalidade docente.

As constantes mutações que ocorrem nas escolas, na educação e as exigências impostas por aqueles que a frequentam obrigam o professor a adaptar-se, a reformular as suas formas de intervenção, a atualizar e expandir conhecimentos, a investigar novas estratégias e a refletir acerca do sentido da sua prática. Para se Ser Professor, é necessário reformular constantemente a sua intervenção e estar presente de corpo e alma na sua profissão, sendo indispensável adaptar-se às exigências educacionais e profissionais.

A construção da profissionalidade docente não se adivinha fácil nem, muito menos, de rápido alcance. De acordo com Day (1999, p. 19) o papel profissional do professor consiste em “estabelecer e manter elevados padrões

de ensino; interferir de forma diferenciada com uma diversidade de alunos e, com necessidades, motivações, circunstancias e capacidades distintas, (…); ser um membro activo nas comunidades de adultos, dentro e fora da escola;

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responder às exigências externas de mudança e comprometer-se profissionalmente, com entusiasmo e autoconfiança, dentro da contínua agitação que caracteriza a vida na sala de aula e na escola”. Só mergulhando

profundamente na sua profissão, na tentativa de desempenhar este papel, será possível ao professor desenvolver-se profissionalmente. Dentro deste papel, evidencio a importância de se ser um membro ativo nas comunidades de adultos, dentro e fora da escola. “O diálogo entre os professores é fundamental

para consolidar saberes emergentes da prática profissional” (Nóvoa, 1992, p.

26). A participação ou apenas a presença em debates informais entre professores do grupo de EF e a participação em ações de formação no exterior da escola, possibilitaram-me a aquisição de novas formas de intervenção, de métodos de ensino e estratégias que ainda não conhecia, bem como a aquisição de conhecimentos que ainda não possuía. Estas experiências foram ainda enriquecedoras no esclarecimento de dúvidas, possibilitando a obtenção de diversas formas de realização do planeamento e avaliação do processo ensino-aprendizagem.

Nóvoa (2009, p. 207) referindo-se à profissionalidade docente indica que esta “ no puede dejar de construirse en el interior de una personalidad de

profesor”. Este autor menciona cinco aspetos determinantes para a construção

da profissionalidade docente, sendo eles o “conhecimento”, a “cultura

profissional”, o “tacto pedagógico”, o “trabalho em equipa” e o “compromisso

social”.

Relativamente ao “Conhecimento” indica que “.(…) mucho más

importante, sin duda, conocer bien aquello que se enseña” (Alain, 1986, p. 55). (…) El trabajo del profesor consiste en la construcción de prácticas docentes que conduzcan a los alumnos hacia el aprendizaje.” (idem, p. 207).

Quanto à “cultura profissional” indica que a profissão “se aprende en la

escuela y con el diálogo con los otros profesores. El registro de las prácticas, la reflexión sobre el trabajo y el ejercicio de la evaluación son elementos centrales para el perfeccionamiento y la innovación. Son estas rutinas las que hacen avanzar a la profesión” (idem, p. 207).

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O mesmo autor (2009, p. 207) referindo-se ao “tacto pedagógico” do professor evidencia que “En él cabe esa capacidad de relación y de

comunicación sin la cual no se cumple el acto de educar. Y también esa serenidad de quien es capaz de ganarse el respeto, conquistando a los alumnos para el trabajo escolar. Saber conducir a alguien hacia otro margen, el conocimiento, no está al alcance de todos. En la enseñanza, las dimensiones profesionales se cruzan siempre, inevitablemente, con las dimensiones personales”.

No que concerne ao “trabalho em equipa”, que considero ser determinante, indica que “El ejercicio profesional se organiza, cada vez más, en

torno comunidades de práctica, en el interior de cada escuela, pero también en el contexto de movimientos pedagógicos que nos conectan a dinámicas que van más allá delas fronteras organizativas.” (idem, p. 207).

Já em relação ao “compromisso social” destaca a importância do professor trabalhar em prol da sociedade, indicando que “Educar es conseguir

que el niño supere las fronteras que tantas veces le han sido trazadas como destino por nacimiento, por la família o por la sociedad. Hoy, la realidad de la escuela nos obliga a ir más allá de la escuela. Comunicar con el público, intervenir en el espacio público de la educación, forma parte del ethos profesional docente” (idem, p. 207).

Desta forma, e para finalizar, considero que o professor deve estar consciente da importância da sua intervenção na árdua tarefa ensinar e educar, devendo este, assumir uma atitude atenta, rigorosa e empenhada na melhoria da generalidade das suas destrezas. A obtenção de melhorias profundas na realização da prática docente, rumo à mestria, só é possível através da construção constante da sua profissionalidade e da formulação da sua identidade.

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22 3.2.2. A importância dos valores

“Os valores envolvem tudo o que merece o nome de educativo, pois educar é realizar progressivamente o que é tido como o bem mais valioso para cada indivíduo humano e para a comunidade humana a que ele pertence.”

(Patrício, 1993, p. 21)

Seria inconcebível discursar e refletir acerca da educação sem fazer referência à importância dos valores, uma vez que esta os apresenta na sua constituição. De acordo com Patrício (1993, p. 20), “não há educação onde não

há referência intrínseca aos valores. O compromisso educativo não é possível fora do compromisso com os valores”. Desta forma, e como já foi referido, o

professor torna-se um elemento preponderante não só na ação de ensinar mas também na de educar.

O aluno deve ser o centro das atenções no processo educativo, devendo ser tidas em conta as individualidades dos sujeitos, as suas necessidades, bem como a sociedade em que se encontra.

Estou certo de que a educação deve recusar a ausência de valores. A educação para os valores deve estar sempre presente no aperfeiçoamento do aluno, caso não aconteça, a intervenção do professor perde significado. Tudo o que ele faz deve ser baseado num corpo de valores. No entanto, na escola não é apenas o professor o responsável por esta edificação dos indivíduos. Tal como refere Valente (1989, p. 135), “Todas as actividades em que se envolve o

professor desde os livros ou textos que sugere ou escolhe, as experiências que selecciona, os trabalhos de casa que recomenda ou pede, tudo isto implica uma hierarquia de valores. Mas não é apenas o professor, são também as regras de jogo da própria escola, (…), as circulares e ordens de serviço, o que se pode ou não fazer no pátio, as actividades extra curriculares que se fomentam, aquilo que é premiado ou considerado indesejável, são todas estas situações e muitas outras que, explícita ou implicitamente, revelam os valores que se privilegiam.” Contudo, considero que estes não se constroem apenas na

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outros agentes educativos. A educação para os valores também se processa no contacto com a comunidade e no seio da família, que no entanto, nem sempre cumpre com essa função, assim, e de acordo com Bento (2004, p. 78),

“(…) a educação institucional vê-se hoje obrigada a reforçar o seu papel no capitulo dos princípios e valores, de rotinas e de hábitos que era suposto terem sido transmitidos e assimilados na família”.

Ao professor torna-se fundamental possuir uma hierarquia de valores, onde uns se subordinam a outros, isto é, e correntemente falando, deve reconhecer quais os mais valiosos em relação a outros, para que seja possível ir ao encontro das suas intenções. Corroborando com esta ideia volto a citar Patrício (1993, p. 27) que refere que “se o educador profissional não tiver este

sentido da hierarquia axiológica não está em condições de educar aquele que lhe é entregue”.

Estabelecendo a ligação dos valores ao desporto, destaco as palavras de Bento (1998, p. 59) que indica que “o desporto é parte integrante da

sociedade e, por isso, subordina-se ao sistema de normas e valores nela predominantes. Ou seja, não há valores específicos do desporto, diferentes dos valores vigentes no contexto social ”.

É comum ouvirmos falar na “força” e da capacidade do desporto na formação de indivíduos, uma vez que este conduz à aquisição de um conjunto de valores e atitudes que podem ficar presentes para a vida. “E quanta é a vida

que jorra na prótese a que chamamos desporto! Nos jogos e brincadeiras em que as crianças medem e ganham habilidades e se libertam da dependência da sua natureza. Em que são desafiadas a exercitar-se, a espiritualizar as forças físicas, a dobrar o corpo inculto, inábil, grosseiro, feio e bruto, a torná-lo corpo belo, ético, ágil e moral. A conquistar a liberdade, o sentido da vida e a condição humana também pelo aprimoramento do corpo” (Bento, 2004, pp.

105-106).

As atividades desportivas implicam o cumprimento de diversos pressupostos que visam a evolução/superação da pessoa humana. Nele existem rituais e regras a cumprir e o contacto social é sempre solicitado. Na disciplina de EF o mesmo se processa. O ginásio revela-se um autêntico

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laboratório de aprendizagens, de aquisições culturais, de condutas e de revelações. Os utensílios utilizados, bolas, aparelhos, raquetes, entre outros, permitem “misturar” os sujeitos aos sujeitos, às regras e às rotinas, sendo o produto final a aquisição de competências, de conhecimentos e de valores. O próprio Programa de Educação Física do 3º Ciclo do Ensino Básico, destaca de forma explícita nas “Competências Comuns a Todas as Áreas”, que os alunos devem procurar o sucesso pessoal e de grupo, “relacionando-se com

cordialidade e respeito”, “promovendo a entreajuda” e “assumindo

compromissos e responsabilidades” (Ministério da Educação, 2001, p. 12).

A disciplina de EF, que possui como conteúdo o desporto, possibilita, por exemplo, através do jogo, do lúdico, da competição, o salutar da solidariedade, da beleza, da honestidade, da lealdade, do respeito, da disciplina, entre outros.

“Quanta vida e cidadania inundam as crianças no desporto! Porque nele cultivam a identidade e a assunção progressiva de responsabilidade pelo seu comportamento (…). Porque nele têm lugar os outros e o respeito pelas diferenças. E nele superioridade e inferioridade, vitória e derrota, sucesso e insucesso encontram uma naturalidade de vivência e aceitação” (Bento, 2004,

p. 106).

Do meu ponto de vista e após esta breve referência aos valores, afirmo ser importante que os docentes acreditem que não transmitem apenas conhecimentos e conteúdos baseados nos programas. Ao professor é necessária a consciência de que deve agir de forma ativa e dinâmica na construção dos elementos que constituem a sociedade, na formação integral de pessoas e que o futuro delas se deve em grande parte aos seus esforços contínuos realizados no desempenho da sua profissão.

“Ora os valores do jogo, adquiridos e cultivados no campo desportivo (,,,) não se ensinam e aprendem apenas para ter valimento no desporto, mas sim e essencialmente para vigorarem na vida, para lhe traçarem rumos, alargarem os horizontes e acrescentarem metas e meios de as alcançar” (Bento, 2004, pp.

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25 3.3. O professor reflexivo

Ao longo de todo o estágio pedagógico, a diversidade de experiências foi uma constante, ocorrendo nos mais variados momentos, nos mais variados locais e na relação com diversos sujeitos. Neste primeiro contacto com a profissão foi possível perceber e atribuir significado aos conhecimentos teóricos obtidos, sendo notória a importância e influência da experimentação prática para reforçar a consciencialização de que o caminho a percorrer é longo e que não se vislumbra de fácil percurso.

As relações estabelecidas com colegas estagiários, com a PC e com os restantes professores do grupo de EF foram marcantes e imprescindíveis, sendo evidente de que delas resultou evolução e crescimento. O espírito reflexivo sempre foi incutido e estimulado, através da observação da intervenção dos elementos anteriormente referidos, das reflexões com a PC, das reflexões escritas acerca das aulas e atividades em que estive envolvido e através do debate ocasional ou intencional com os restantes professores do grupo.

Alarcão (1996b, p. 175) refere que a reflexão ”baseia-se na vontade, no

pensamento, em atitudes de questionamento e curiosidade, na busca da verdade e da justiça”. É certo que o contacto com a prática pedagógica

caracteriza-se pela sua instabilidade, encontrando-se os acontecimentos em constante mutação. Esta inconstância provoca no professor uma considerável inquietação, quer este seja deparado com experiências positivas, quer com experiências negativas. Neste confronto com a prática, surgiu de forma natural, aula após aula, experiencia após experiência, a necessidade de dar resposta às mais variadas questões. O que faço perante esta situação? A que se deveu? Como poderei controlar determinados comportamentos/atitudes? Como será possível manter tais prestações? Porque não foi eficaz? Que estratégia resultará? Em que é que errei? Que contributo posso e devo dar à sociedade? Quais as minhas funções? Na minha perspetiva, o alcance destas respostas revelou-se determinante para o meu desenvolvimento, conduzindo-me a perceber aquilo que realmente sei e o que preciso de saber, permitiu-me

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perspetivar a ocorrência de determinados acontecimentos, fruto de decisões que anteriormente não foram bem sucedidas, permitiu-me perceber, progressivamente, o que mais se adequava à turma (formação de grupos, solicitação da autonomia e responsabilização, características das situações de aprendizagem de acordo com as dificuldades) e, possibilitou-me ainda, compreender de forma mais clara a importância da profissão docente na formação integra de cidadãos, isto é, na edificação dos indivíduos e da sociedade.

Após a obtenção do título profissional, o professor é apenas um projeto inacabado, revelando-se a atitude reflexiva como uma ferramenta promotora do desenvolvimento, possibilitando melhorias na sua moldagem e polimento, que o conduzirão no sentido da “perfeição”.

O interesse por temas relacionados com a prática reflexiva no desempenho da função docente tem vindo a ser demonstrado por diversos autores há já algumas décadas. De acordo com Lalanda e Abrantes (1996), o filosofo americano John Dewey (1859-1952) deu um elevado contributo no desenvolvimento do pensamento reflexivo aplicado à formação de professores. Lalanda e Abrantes (1996, p. 45) indicam que para Dewey “o pensamento

reflexivo é a melhor maneira de pensar” e refere-o como sendo uma “espécie de pensamento que consiste em examinar mentalmente o assunto e dar-lhe consideração séria e consecutiva”.

Vincando a importância da reflexão na profissão docente, Mialaret (1981, p. 103) afirmou que “uma actualização quase constante e uma reflexão

permanente sobre a sua actividade são práticas necessárias ao educador, o qual não poderá desempenhar de forma mais correcta o seu papel junto dos alunos se ele próprio não se mantiver numa situação de renovação psicológica e pedagógica permanente”.

Segundo Alarcão (1996b, p. 175) a reflexão é para Dewey (1933) “uma

forma especializada de pensar. Implica uma perscrutação activa, voluntária, persistente e rigorosa daquilo em que se julga acreditar ou daquilo que habitualmente se pratica, evidencia os motivos que justificam as nossas acções ou convicções e ilumina as consequências a que elas conduzem”.

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Salientando a perspectiva de Donald Schön (2000), Herdeiro e Silva (2008, p. 10) afirmam que “a reflexão promove uma formação de professores

que assenta numa perspectiva prática”. Alarcão (1996a) também baseada nas

ideias de Schön (1987), referencia as noções de “conhecimento na ação”, a

“reflexão na ação”, a “reflexão sobre a ação” e a “reflexão sobre a reflexão na ação”. O conhecimento na ação representa o conhecimento que o

profissional possui para realizar a ação. A reflexão na ação é um tipo de reflexão que ocorre no momento em que a ação se processa. De acordo com a sua ação, o profissional analisa o que está a fazer (no seu decurso e sem a interromper) e toma decisões, reformulando-a. Já a reflexão sobre a ação consiste na reconstrução mental da ação de forma a proceder à análise dos acontecimentos passados. Por fim, a reflexão sobre a reflexão na ação, como o próprio nome indica, consiste na reflexão acerca da reflexão na ação. Este processo leva o profissional a evoluir no seu desenvolvimento, pois permite-lhe ir em busca de novas soluções para as situações ocorridas, podendo preparar as ações futuras. Segundo Oliveira e Serrazina (2002, p. 4) “é a reflexão

orientada para a acção futura, é uma reflexão proactiva, que tem lugar quando se revisitam os contextos políticos, sociais, culturais e pessoais em que ocorreu, ajudando a compreender novos problemas, a descobrir soluções e a orientar acções futuras”.

A reflexão possibilitou-me ao longo deste EP, a criação de estratégias para a resolução de problemas e analisar a que se deveram determinados acontecimentos. Gómez (1992, p. 110) indica que “nas situações decorrentes

da prática não existe um conhecimento profissional para cada caso-problema, que teria uma única solução correcta”. Nóvoa (1992, p. 27) refere também que “as situações que os professores são obrigados a enfrentar, (a resolver) apresentam características únicas, exigindo portanto respostas únicas”.

Considero ainda que o professor deve refletir acerca de tudo aquilo que faz na sua atividade diária não só individualmente, mas também coletivamente, através da partilha de experiências, de crenças e de conhecimentos, demonstrando abertura com os restantes profissionais. No decurso do EP senti a necessidade de refletir acerca dos mais diversos temas, não apenas no que

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