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Design e Ergonomia aplicados à Cozinha de Embarcações

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Academic year: 2021

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Yasmin Leal Nunes da Silva

DESIGN E ERGONOMIA APLICADOS À COZINHA DE EMBARCAÇÕES

Projeto de Conclusão de Curso submetido ao Programa de graduação da Universidade de Santa Catarina para a obtenção do Grau em Design de Bacharel em Design.

Orientador: Prof. PhD. Cristiano Alves

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Ficha de identificação da obra elaborada pelo autor através do Programa de Geração Automática da Biblioteca Universitária

da UFSC.

Silva, Yasmin Leal Nunes da

DESIGN E ERGONOMIA APLICADOS À COZINHA DE EMBARCAÇÕES / Yasmin Leal Nunes da Silva ; orientador, Cristiano Alves - Florianópolis, SC, 2016.

155 p.

Trabalho de Conclusão de Curso (graduação) -Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Comunicação e Expressão. Graduação em Design.

Inclui referências

1. Design de Interiores. 2. Ergonomia. 3. Embarcações de Recreio. I. Alves, Cristiano. II. Universidade Federal de Santa Catarina. Graduação em Design. III. Título.

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Yasmin Leal Nunes da Silva

DESIGN E ERGONOMIA APLICADOS À COZINHA DE EMBARCAÇÕES

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Este Projeto de Conclusão de Curso foi julgado adequado para obtenção do Título de designer, e aprovado em sua forma final pelo Programa de Graduação da Universidade Federal de Santa Catarina.

Florianópolis, 15 de julho de 2016. ________________________ Prof. Luciano Patrício Souza de Castro, Dr.

Universidade Federal de Santa Catarina Banca Examinadora:

________________________ Prof.ª Cristiano Alves, PhD.

Orientador

Universidade Federal de Santa Catarina

________________________ Prof.ª Cristina Colombo Nunes, Me.ª Universidade Federal de Santa Catarina

________________________ Prof. Henrique José Souza Coutinho, Dr.

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Aos meus amados pais Sandro e Renata. À minha querida avó Dilma e meus saudosos avós, Pio, Osvaldina e Carlos (In Memoriam). A todos aqueles, cujo trabalho em questão possa vir a auxiliar de alguma forma.

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AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus pela oportunidade de atravessar mais esta etapa, com muita paz, vida, saúde e junto de minha família;

Aos meus amados pais, Renata e Sandro, que são o que tenho de mais precioso, agradeço por todo o apoio, não só durante esta caminhada, como em todos os momentos;

Ao meu orientador, Cristiano Alves, agradeço pelo suporte, dedicação e a oportunidade que me concedeu;

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À minha cachorrinha Nina, por estar sempre alegre ao meu lado durante todo este projeto;

Aos meus amigos;

Aos meus colegas de classes, pela amizade e discussões que resultaram em pesquisas;

A todos aqueles que dispuseram do seu tempo para me apoiar, auxiliar, encorajar, ou que de alguma forma foram envolvidos neste processo;

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“No vocabulário da maioria das pessoas, design significa aparência. É decoração de interiores. É o tecido de cortinas, do sofá. Mas para mim, nada poderia estar tão longe do significado de design. Design é a alma fundamental de uma criação humana, que acaba se expressando em camadas externas sucessivas do produto ou serviço.”

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RESUMO

Este trabalho propõe o redesign da cozinha da embarcação Sessa Marine C40, analisando e considerando suas restrições físicas e necessidades ergonômicas. O desenvolvimento deste projeto se dará através de etapas gerais que se apoiam na metodologia de Baxter (2000), somadas a ferramentas de apoio, apresentando o desenvolvimento de uma cozinha projetada através de princípios do design de interiores, bem como preceitos do design compacto, resultando em um ambiente otimizado e projetado de acordo com as necessidades e capacidades dos usuários. Palavras-chave: Design de interiores. Espaços reduzidos. Barcos.

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ABSTRACT

This work proposes a boat kitchen redesign to the Sessa Marine C40 by analyzing and considering its space restrictions and ergonomic needs. The development of this project will be grounded by general steps that rely on Baxter (2000) methodology, combining design tools which will introduce the kitchen development through interior design principles and the compact design precepts, resulting in one optimized environment designed according users needs and capabilities.

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Processo de Projeto...31

Figura 2: Layout interno C40 ...38

Figura 3: Layout Externo C40...38

Figura 4: A escala harmoniosa entre os objetos...44

Figura 5: O equilíbrio entre os objetos...45

Figura 6: O ritmo gerado pela escada em espiral...47

Figura 7: O ênfase causado pelo espelho...48

Figura 8: A harmonia gerada no ambiente...49

Figura 9: Painel Exemplos do aproveitamento de Small Spaces...52

Figura 10: Luminária mutável...54

Figura 11: Mesa multifuncional...55

Figura 12 - Medidas do Homem e da Mulher...58

Figura 13: Hierarquia de Ergonomia e da Hedonomia a partir da concepção de Maslow...59

Figura 14 - Atual cozinha Sessa C40...61

Figura 15 – Fluxo de circulação C40...62

Figura 16 – Planta Baixa Cozinha C40...64

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Figura 18 – Representação em perspectiva da iluminação da

Cozinha...72

Figura 19 – C40 - Equilíbrio Assimétrico...75

Figura 20 - Acabamento em chapas de inox...76

Figura 21 - Acabamento da pega dos armários aéreos...76

Figura 22 – Infográfico dos Dados Coletados com o Público Alvo...82

Figura 23: Painel conceitual de público alvo...83

Figura 24 – Painel de Conceitos...105

Figura 25 - Painel Visual Otimização Espacial...106

Figura 26 - Painel Visual Sofisticação...106

Figura 27 - Painel Visual Qualidade...107

Figura 28 - Geração de Alternativas...108

Figura 29 – Alternativa escolhida e suas funções...112

Figura 30 – Alternativa Final e Detalhamento de Funções...113

Figura 31 - Detalhamento de Funções da Alternativa Final...114

Figura 32 – Amostra de Compensado Naval...118

Figura 33 – Amostra de Córian...119

Figura 34 – Amostra de Vidro Refletente...119

Figura 35 – Amostra de Aço Inox...120

Figura 36 – Amostra de Espelho...121

Figura 37 – Amostra de Laca...121

Figura 38 - Paleta de Cores...122

Figura 39 – Modelagem da Cozinha...123

Figura 40 – Modelo em escala...124

Figura 41 – Rendering Cozinha 1...125

Figura 42 – Rendering Cozinha 2...126

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LISTA DE QUADROS

Quadro 1 – Medidas antropométricas adequadas para movimentação na

Cozinha...63

Quadro 2 – Dimensões antropométricas da bancada: ideais e atuais...66

Quadro 3 – Dimensões de armazenamento para cada item na cozinha C40...68

Quadro 4 – Materiais Utilizados na Cozinha C40...69

Quadro 5 – Considerações da Análise...78

Quadro 6: Lista de Necessidades do Consumidor...84

Quadro 7- Análise Schaefer...86

Quadro 8 - Análise Sunseeker...87

Quadro 9 - Análise Fibrafort...89

Quadro 10 – Análise Cimitarra...91

Quadro 11 - Análise Beneteau...92

Quadro 12 - Análise Sea Ray...94

Quadro 13 - Análise Princess...95

Quadro 14: Análise Sincrônica Cozinha...99

Quadro 15: lista de verificação da melhor concorrente...102

Quadro 16 – Análise de Produto...103

Quadro 17- Requisitos de Projeto...103

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Quadro 19 – Ranking das Alternativas e Observações...111

Quadro 20 - Cumprimento dos Requisitos...115

Quadro 21 – Especificação de Componentes...129

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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 - Número de embarcações de 37 a 41 pés ao longo dos anos de 2012, 2014 e 2015...79 Gráfico 2 - Índice de intenção de compra e reconhecimento da

marca...80 Gráfico 3 - Análise de Valor C40...97 Gráfico 4: Análise de valor da cozinha em cada concorrente

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ACOBAR – Associação dos Construtores de Barco ABERGO – Associação Brasileira de Ergonomia

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO...27

1.1 APRESENTAÇÃO DO TEMA...27 1.2 OBJETIVOS...28 1.2.1 Objetivo Geral...28 1.2.2 Objetivos Específicos...28 1.3 JUSTIFICATIVA...28 1.4 METODOLOGIA...29

2 DIAGNÓSTICO...33

2.1 O MERCADO NÁUTICO...33 2.2 ESTUDO DE CASO...36 2.2.1 Intech Boating...36 2.2.2 Objeto de Estudo: Cozinha Sessa C40...38 2.3 DESIGN DE INTERIORES: Compreensão da Cozinha sob aspectos Brasileiros...39 2.3.1 Breve História do Design de Interiores...41 2.3.2 Princípios para o Design de Interiores...43 2.3.3 Configuração dos Pequenos Espaços...51 2.4 ERGONOMIA...56 2.5 ESTUDO DE CASO DA COZINHA: Análise do ambiente...60 2.5.1 Análise do Espaço Reduzido Sob Princípios do Design...60 2.5.2 Análise Princípios de Design...73 2.5.3 Análise do Espaço Reduzido Sob Princípios do Design Compacto...77 2.7 RESULTADOS DA ANÁLISE...77

3. DEFINIÇÃO DO PROBLEMA...79

3.1 PÚBLICO ALVO...79 3.1.1 Definição...79 3.1.2 Público Alvo Atribuído...80 3.1.3 Questionário...81 3.1.4 Painel Semântico De Público Alvo...83 3.1.5 Lista de Necessidades...84

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3.2 ANÁLISE SINCRÔNICA...84 3.2.1 Análise Sincrônica e de Valor: Sessa C40...84 3.2.2 Análise Sincrônica e de Valor: Cozinha...98 3.2.3 Análise de Tarefa/Funcional do modelo C40...102 3.3 REQUISITOS...103

4. ANTEPROJETO E GERAÇÃO DE ALTERNATIVAS

...105

4.1 GERAÇÃO DE CONCEITOS...105 4.1.1 Painel de Conceitos...105 4.2 GERAÇÃO DE ALTERNATIVAS...107 4.3 MATRIZ DE SELEÇÃO...109 4.4 REFINAMENTO DA ALERNATIVA ESCOLHIDA112

5 DETALHAMENTO...115

5.1 MATERIAIS...117 5.1.1 Paleta de Cores...122 5.2 MODELAGEM 3D...122 5.3 PLANTAS E VISTAS...123 5.4 RENDER...124 5.5 MEMORIAL DESCRITIVO...127 5.5.3 Fator de Uso...128 5.5.3 Fator tecnológico...128 5.5.4 Fator estético e simbólico...128 5.5.5 Fator técnico-construtivo...129 5.5.6 Fator de custo...131

6. CONCLUSÃO...133

REFERÊNCIAS...135

APÊNDICE A - Relatório Questionário...139

APÊNDICE B – Forro De Iluminação E Vistas....143

ANEXO A - Teste do Modelo C40...149

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1 INTRODUÇÃO

1.1 APRESENTAÇÃO DO TEMA

Atualmente, o aumento populacional tem colaborado para que os espaços de convivência se tornem cada vez menores. Assim, o uso de teorias, princípios e ferramentas que concorram para a boa utilização destes ambientes estão cada vez mais recorrentes.

Neste trabalho, serão abordados conceitos referentes à projetação de interiores e como eles poderão auxiliar no desenvolvimento de projetos vinculados a small spaces, uma vez que o tema central deste estudo é o design aplicado em interiores de embarcações.

Sabe-se que o segmento náutico está em ascensão, pois, embora a economia esteja passando por momentos de instabilidade, a comercialização de objetos de desejo permanece ativa (SPAUTZ, 2016). Assim, o envolvimento do público neste processo se faz imprescindível e demonstra a importância de resgatar aspectos que envolvam conhecimentos do seu corpo físico, bem como o processo cognitivo ligado ao prazer da experiência.

Em paralelo, a parceria estabelecida com a empresa, Intech Boating, oportunizou a observação de um de seus modelos, fazendo com que a Sessa Marine C40 se tornasse o objeto de estudo de caso deste trabalho.

Entretanto, dada a complexidade que circunda um projeto de interiores quando vinculado a uma embarcação, foi delimitada, uma área considerada problemática na qual se concentrará o projeto: o ambiente da cozinha, pois, diferentemente dos demais ambientes do barco, este ainda não sofreu grandes alterações para seu uso no mercado sul-americano.

Todo este processo ocorrerá em conformidade com o uso de uma metodologia científica, alicerçada no processo metodológico estipulado por Baxter (2000), com a finalidade de proporcionar alguns benefícios como a redução do dispêndio de tempo, assistência a formalização do processo projetual, como também a concepção de soluções bem definidas. Para Pahl e Beitz (1996), a metodologia projetual é um instrumento importante para a organização de etapas que são capazes de ministrar os passos de um projeto, resultando em um trabalho melhor estruturado.

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1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Objetivo Geral

O objetivo geral deste projeto é desenvolver, através de abordagens do design, a cozinha de uma embarcação estudo de caso e adequar a mesma via projeto de design de produto.

1.2.2 Objetivos Específicos

● Revisar o estado de mercado em que se encontra o segmento náutico para compreender a necessidade do projeto

● Visualizar a composição de um bom design de interiores a partir de princípios básicos que organizam a configuração de um projeto

● Compilar informações referentes à otimização espacial, com intuito de identificar estratégias para formulação destes ambiente reduzidos

● Definir a problematização para desconstrução do ambiente já existente e investigação de futuras possibilidades de acordo com o público e necessidades encontradas a partir de análises

● Desenvolver a cozinha da embarcação estudo de caso. 1.3 JUSTIFICATIVA

Juntamente com o aprimoramento evolutivo em que se encontra a indústria náutica brasileira, está sua abundante área propícia para a prática de atividades aquáticas que necessitam o uso de embarcações de recreio, objeto deste estudo, favorecendo o crescimento do setor, ainda que a economia passe por momentos retrativos.

De acordo com a ACOBAR (2012) os modelos de embarcações mais comercializados no Brasil estão na categoria entre 20 e 26 pés, o que demonstra a frequente pesquisa e elaboração de soluções que colaborem com a boa projetação dos ambientes internos limitados por tão pouco espaço.

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Não obstante, o objeto abordado durante este processo de design, apesar de possuir 40 pés, também encontra-se à mercê da compreensão e bom uso de sua área, pois se comparado aos padrões residenciais -comprovados como ideais pelos percentis antropométricos mais frequentes - apresenta dimensões reduzidas.

O modelo de barco proposto para o presente trabalho, foi selecionado através da parceria estabelecida com a empresa, que atualmente concentra-se em gerar melhorias nesteproduto, que é o seu campeão de vendas. Por tratar-se de um produto já existente no mercado, será elaborada ao decorrer deste estudo, o desenvolvimento de uma análise sobre a atual cozinha do modelo C40, resultando no seu redesign.

Ademais, a redução dos espaços, dada pelo aumento das áreas povoadas, bem como alterações no estilo de vida dos indivíduos, também têm corroborado para o surgimento de temas que abordem maneiras de conciliar princípios e conceitos atrelados ao design de interiores à otimização do espaço reduzido para o desenvolvimento coerente destes pequenos ambientes (EDELKOORT, 2015).

Assim, definiu-se o uso de uma metodologia embasada sob à ótica de Baxter (2000) a fim de promover o desenvolvimento estruturado do ambiente em questão, prevendo, também, o uso de ferramentas que auxiliem na realização das etapas identificadas e adaptadas ao decorrer do projeto.

1.4 METODOLOGIA

Ao pensar na construção de um novo produto, logo vem à mente inúmeras possibilidades de materializá-lo. Entretanto, a comprovação da eficiência da utilização de métodos sistemáticos para a resolução de problemas, direciona o projetista para a escolha de metodologias capazes de auxiliar a sistematizar processos a fim de que se alcance, de forma mais segura e eficiente, os objetivos.

De acordo com Pahl e Beitz (1996), o uso de uma metodologia proporciona muitos prós, como: a redução do dispêndio de tempo; assistência a formalização do processo projetual, bem como a concepção de soluções bem definidas; entre outras. Assim, a metodologia projetual é um instrumento importante para a organização de etapas que são capazes de ministrar os passos de um projeto.

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vislumbrando a abrangência de necessidades que compõem

determinados temas. Existem diversas metodologias e, cada uma delas, possui suas particularidades que deverão ser analisadas para que se possa definir, então, qual atenderá melhor as tais demandas de um projeto. Contudo, também é possível integrar às metodologias já existentes ferramentas que não fazem parte do seu escopo. Em geral, o uso de metodologias não se dá com rigidez e sim, conta com a perspicácia do projetista em perceber a necessidade de adesão de novos instrumentos para bons resultados na elaboração de um projeto (BAXTER, 2000).

A respeito deste projeto, foi utilizada a metodologia de BAXTER (2000) como base estratégica para o desenvolvimento geral dos processos. Entretanto, algumas técnicas conhecidas foram adicionadas, como análise sincrônica, análise de valor, análise funcional, lista de necessidades, matriz de seleção e mescrai.

O processo deste trabalho (figura 1) foi delimitado entre duas etapas macro: diagnóstico e desenvolvimento. Estas, se desdobram em etapas que se apoiam na revisão bibliográfica e fundamentação teórica, identificação de uma oportunidade de negócio e especificação do projeto, concluindo o diagnóstico. Seguindo, então, ao desenvolvimento através do projeto conceitual, projeto de configuração, projeto detalhado e projeto para a fabricação.

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Figura 1: Processo de Projeto.

Fonte: Elaborado pela autora adaptado de Baxter (2000).

Durante a fundamentação teórica serão compiladas informações pertinentes ao desenvolvimento deste projeto e, assim, perceber a oportunidade de negócio que circunda o tema escolhido.

Após compreender o universo em que o produto em questão está inserido, parte-se, então, para o projeto conceitual, que conta com a geração de alternativas para o produto, podendo iniciar o processo de escolha e melhoria das configurações referentes ao ambiente abordado e aprimorar o detalhamento de projeto para a fabricação.

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2 DIAGNÓSTICO

Tendo em vista o tema de estudo deste projeto, design de interiores voltado às embarcações, buscou-se compreender como se encontra o mercado náutico na atualidade, a fim de contextualizar seu

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nicho de inserção. Deste modo, serão abordados, neste item, conteúdos concernentes à problemática relacionada ao enfoque de projeto. Dentre os temas abordados neste capítulo, estão: informações sobre a atual conjuntura do mercado náutico; o ambiente a ser estudado; design de interiores e suas premissas; percepção visual e atratividade; Design de Interiores aplicado ao segmento náutico; Otimização do espaço reduzido; Ergonomia física e cognitiva e Análise da cozinha.

2.1 O MERCADO NÁUTICO

É possível perceber que o Brasil reúne condições perfeitas para a prática do lazer e de esportes aquáticos. Na faixa litorânea dos 17 estados, o país conta com 7.480 km de costa, além de uma imensidão de outras estruturas geológicas que permitem o contato com águas doces e salgadas, somando mais 32 mil e 550 quilômetros de águas navegáveis. Além disso, em razão de se tratar de um país tropical, o clima de temperaturas elevadas durante a maior parte do ano, torna o ambiente favorável (ACOBAR, 2012).

Assim, ao referir-se à indústria náutica com menção à economia, é imprescindível descrever sua importância no crescimento econômico e desenvolvimento social. A relevância deste setor para a geração de empregos, melhora na qualidade de vida e expansão do turismo, é inegável. A produção de uma embarcação de recreio, esporte ou turismo desencadeia a geração de mão-de-obra durante todo o processo de desenvolvimento, criando sete postos de trabalho para cada barco (ACOBAR, 2012).

Atualmente, a produção nacional conta com estaleiros especializados em embarcações recreativas e esportivas, produzindo um leque diversificado de produtos, que abrange desde caiaques, pranchas a vela, jet skis, iates luxuosos, trawlers a veleiros de longo curso, além de fornecedores especializados do ramo.

Ainda, conforme a pesquisa realizada pela ACOBAR (2012), 85% dos estaleiros estão concentrados na região sul e sudeste, onde 21% estão sediados no estado de Santa Catarina. O mercado nacional dispõe de aproximadamente 120 estaleiros formalizados e operando, os quais produzem embarcações com 16 pés ou mais, sendo que 70% destes tem sua produção apenas voltada para as lanchas, onde 15% dispõem de modelos acima de 50 pés.

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A construção e comercialização de embarcações maiores carecem de grande expertise e estrutura financeira das empresas, para que consigam suportar o ciclo de produção, afunilando a concorrência. Este segmento vem exigindo cada vez mais o aprimoramento de seus fornecedores, pois demanda o uso de equipamentos, componentes e acessórios elaborados especificamente para o uso náutico (ACOBAR, 2012).

Por se tratar de produtos que ficarão expostos a ambientes ríspidos, é desejável que a qualidade destes objetos seja apropriada e, por consequência, sua produção deverá ser feita com cautela e envolver processos que deverão conter matérias-primas próprias para este fim. Inclusive, a este propósito, tem-se notado uma tendência na qual os funcionários especializados dos estaleiros criem micro e pequenas empresas destinadas à produção de peças especiais para o mercado náutico. Conforme, ainda, a pesquisa realizada pela ACOBAR (2012), 50% dos estaleiros que foram questionados negociam com 40 fornecedores em sua cadeia produtora.

Analisando a realidade náutica, é possível verificar que a maior parte da frota nacional fica entre 20 e 26 pés. Embarcações deste porte, suportam até 8 pessoas, e possuem baixos preços de aquisição: aproximadamente, R$60 mil a R$120 mil. Ainda, os valores de manutenção são reduzidos e a facilidade de encontrar marinas que suportem embarcações desse porte é relativamente maior (REVISTA NÁUTICA, 2016).

Conforme os dados publicados na Revista Náutica (2016), percebe-se que a indústria náutica brasileira vem evoluindo constantemente no aprimoramento da capacidade de produção, porém, de acordo com os dados expressos pela ACOBAR (2012) ainda não estão no altíssimo luxo os números de venda mais expressivos. Os barcos de portes pequeno e médio são os mais frequentes nos litorais brasileiros ao pensar em embarcações de lazer. Sob o mesmo ponto de vista, no caso em estudo, o tamanho da embarcação é um fator importante para a concepção do projeto, uma vez que o seu espaço interno é reduzido, nas características do produto em questão, evita-se alterações estruturais.

Apesar da retração do mercado nos anos recentes, 2016 mostra sinais de melhora, com alguns estaleiros obtendo resultados positivos como, por exemplo, o estaleiro catarinense Schaefer Yachts, que obteve

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um crescimento de 30% em 2016 e estima concluir o primeiro semestre com 60% da meta anual atingida (QUAINO, 2015).

A respeito disto, a alta do dólar interferiu fortemente no mercado interno e externo, e, consequentemente, trouxe novas estratégias aos estaleiros nacionais, que visualizaram na exportação uma solução para atravessar esse momento de encolhimento do mercado nacional (MACIEL, 2016).

Embora a economia tenha passado por momentos de calmaria, surpreendentemente, a comercialização de iates não passa por momentos de monotonia, mantendo, assim, suas vendas estáveis (SPAUTZ, 2016).

O foco estipulado por grandes estaleiros para fomentar o mercado está ligado à estratégias de exportação. Assim pretende conduzir a marca italiana Azimut, que possui planta em Itajaí-SC, e já projeta a exportação de dez unidades do modelo Verve 40. Além deste modelo, mais dez unidades da Azimut 42, também feita no Brasil e já exportada para a América Latina, chegará aos EUA (SPAUTZ, 2016).

Outro estaleiro que pretende reavivar o mercado com a mesma estratégia, é a Fribrafort, que já possui 20 a 30% da suas vendas direcionadas ao mercado externo. As apostas para a retomada do mercado nacional também contam com a inserção na sua produção de embarcações maiores, como a F400 Gran Coupé, de 40 pés. (MACIEL, 2016)

Desde 2005, o Brasil vem sendo alvo de estaleiros reconhecidos no cenário internacional que pretendem estabelecer revendas, representações e até mesmo filiais no país. O foco destas empresas passou a estar nitidamente do mercado de luxo, onde há muito tempo, os consumidores procuram por produtos importados. Essa estratégia vem sendo adotada e algo que contribuiu para esta escolha foi a constatação, em 2012, de que o Brasil se tornou possuidor do maior crescimento do número de pessoas detentoras de U$ 1 milhão, tornando a iniciativa ainda mais interessante. Sabe-se que o público alvo deste segmento concentra suas escolhas na valorização e atributos simbólicos de marcas, como exclusividade e imagem associados a aspectos físicos vinculados à sofisticação, tanto no acabamento quanto na inovação (ACOBAR, 2012).

Todos estes indicadores do aumento do número de afortunados brasileiros, contam como ponto positivo para o mercado, que vem se tornando cada vez mais competente e preparado para os critérios de escolha deste público diferenciado. Estes dados demonstram que em um

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mercado exigente, é imprescindível a constante atualização das empresas quanto aos novos anseios do consumidor. Assim, pretende-se focar no usuário para o desenvolvimento deste projeto através de análise e desenvolvimento de proposta de um ambiente especializado no preparo de alimentos, conforme prevê a parceria estabelecida com o estaleiro Intech Boating, como será visto nesse trabalho.

É de extrema importância perceber como se encontra o cenário brasileiro do setor náutico para compreender como deverá proceder o direcionamento do projeto. Vislumbrar o potencial econômico de infraestrutura do segmento norteia o bom resultado final. Desse modo, foi possível perceber o forte potencial nacional para o mercado de embarcações para o mercado de embarcações, e, portanto, a atualidade do projeto em questão.

2.2 ESTUDO DE CASO 2.2.1 Intech Boating

Compreendendo o crescimento deste setor, nota-se o potencial do mercado náutico e a importância de se promover soluções inteligentes para estes produtos. Deste mesmo modo, a atualização de modelos que já estão no mercado também se faz necessária, pois os consumidores estão cada vez mais exigentes.

Como mencionado anteriormente, de acordo com o foco proposto para a pesquisa, foi elaborada uma parceria com a empresa de barcos Intech Boating, localizada em Palhoça, Santa Catarina. Encontrou-se, neste vínculo, uma possibilidade de agregar os conhecimentos adquiridos ao longo da pesquisa ao reestudo de um ambiente de uma embarcação da referida empresa. A Intech, fundada em 2007, obteve destaque no mercado por produzir barcos que priorizam em seus projetos a qualidade, segurança, ergonomia e baixo índice de manutenção.

A empresa iniciou, em 2011, a produção de quatro modelos da marca italiana Sessa Marine, sendo detentora dos direitos de representação de três marcas no Brasil: a Key Largo, a Sessa Marine e a própria Intech Professional Boats. Além disso, conta com uma área de 20 mil metros quadrados, que resultam na capacidade de produção de

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quatro embarcações por mês de até 50 pés. (INTECH BOATING, 2016).

A produção da empresa compreende embarcações de 27 até 42 pés, atendendo a uma vasta gama de clientes. A linha Sessa, que é a marca do modelo sobre o qual versará este trabalho, segundo o setor de marketing da empresa, possui o enfoque em um público diversificado e, ainda quando há uma segregação por modelos, o seu consumidor permanece variado.

Diante das intenções da empresa de modernização do modelo C40, o mais vendido da linha cruiser Sessa Marine, este projeto é destinado em promover um reestudo da cozinha desta embarcação para proporcionar uma nova leitura do ambiente, percebendo as possíveis melhorias e como promovê-las da melhor forma.

O modelo examinado, conta com duas cabines, um banheiro, cozinha equipada em formato “L” que integra-se à sala com um amplo sofá e mesa. Possui pé-direito de 1,90m, com capacidade de pernoite para até 5 pessoas (figura 2). A cabine com cama de casal possui armários suspensos e luzes de leitura. Já o camarote meia nau, onde estão as camas de solteiro, remete a um ambiente residencial, possuindo armários convencionais.

Figura 2: Layout interno C40

Fonte: Intech Boating, site Figura 3: Layout Externo C40

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Fonte: Intech Boating

Ao que se refere a área externa, de acordo com o layout demonstrado na figura 3, a embarcação traz um solário na proa, churrasqueira, sofá com mesa e ambiente estofado.

2.2.2 Objeto de Estudo: Cozinha Sessa C40

Tendo em vista a grandiosidade e complexidade que engloba um projeto de interior quando vinculado a uma embarcação, foi delimitado para reestudo um cômodo e consequente desenvolvimento deste.

Atualmente, o modelo C40 passa por um processo de atualização. Desta forma, sabendo que dentre os barcos da linha Sessa comercializados no Brasil, o modelo em questão é o mais vendido, é coerente que se acompanhe as necessidades desta indústria, no momento, focada na análise e propostas de melhorias para esta embarcação.

Neste propósito, foi demonstrada pelas áreas de qualidade e marketing da Intech Boating, a identificação da necessidade de elaboração do redesign para a área da cozinha, que permanece sem modificações desde a concepção do produto, diferentemente de demais áreas do barco que já foram adaptadas para o mercado nacional, bem como apresentaram melhorias demandadas pelo crescimento das tecnologias e influências de mercado.

Os barcos, cujo porte está na faixa de 40 pés, possuem características interessantes que tendem a se tornar restrições projetuais, como a sua área. Embora possuam todas as funções que um apartamento convencional oferece, o tamanho destinado a cada um de seus cômodos faz com que sejam buscadas boas resoluções quanto a otimização espacial.

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Ademais, estes modelos, embora sejam de tamanho modesto, já alcançam um consumidor de grande potencial financeiro, em razão de seu alto custo, e usual exigência quanto aos padrões utilizados. Assim, torna-se um desafio desvendar os desejos desta classe de alto poder aquisitivo em poucos metros quadrados. Por conseguinte, compreender a evolução da cozinha brasileira e como se encontra sua atual percepção atribuída e vinculada à cultura nacional, criam alicerces para a análise do modelo atual e elaboração da nova proposta.

2.3 DESIGN DE INTERIORES: Compreensão da Cozinha sob aspectos Brasileiros

Compreender as mutações deste ambiente de preparo de alimentos ao longo do tempo, principalmente, relacionadas a cultura nacional, auxiliam a verificar como se encontra a noção de cozinha para os brasileiros.

No Brasil, o surgimento da preocupação com o ambiente de cozinhar apareceu somente na década de 50, onde surgiria a “nova cozinha”, que recebeu novos revestimentos como azulejos e ladrilhos, armários planejados com gavetas que levavam laminados coloridos e se tornaria cada vez mais uma extensão da sala de estar, resultando no surgimento da copa-cozinha, uma tradição brasileira que tornou-se o local preferido da classe média. Inúmeras tarefas do dia a dia familiar eram elaboradas ali, excetuando a janta, que ainda era servida na sala de jantar, pois neste momento a figura masculina do chefe de família já havia retornado do trabalho e a cozinha ainda era um ambiente que estes senhores não frequentavam. O mesmo acontecia com as visitas (PINHO, 2007).

Somente nos anos 80 que esta tradição começou a se extinguir com a adoção das cozinhas americanas que possuíam uma espécie de balcão integrando-a com a sala. Os apartamentos, que se tornavam cada vez menores propiciaram a mudança, somados ao lançamento do microondas no país, pois sem a sujeira e os odores antes produzidos pelas maneiras tradicionais de cocção, não havia mais necessidades de esconder a cozinha (PINHO, 2007).

Além disso, posteriormente, o aumento da insegurança nas ruas, a complicação no trânsito, bem como escassez de dinheiro trouxeram o lazer para dentro da residência, gerando em meados dos anos 90, a tendência de cozinhar para os amigos (PINHO, 2007). Logo iniciou-se a

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resposta da indústria, uma vez que a cozinha estava à mostra, seria interessante equipá-la com aparelhos de estética mais elevada. Arquitetos e decoradores, também antes contratados apenas para projetar os ambientes principais da casa, passaram a elaborar cozinhas. Isto concorreu para que em 2000, estes cômodos fossem modernos e integrados aos ambientes de estar, com ilhas de preparo, possibilitando cozinhar e socializar com os demais presentes simultaneamente. Assim, receberam caráter de sala passível de visitas e título de cozinhas gourmet (PINHO, 2007).

Desta maneira, a recorrente evolução deste ambiente acrescentou na sua elaboração o uso das técnicas de design de interiores ressurgindo como mais um cômodo projetado. Tornando, assim, importante a apropriação de conceitos teóricos desta prática, para promover uma aplicação ordenada e eficiente de seus recursos e princípios quando atrelados à estrutura de uma embarcação.

2.3.1 Breve História do Design de Interiores

De acordo com Brooker e Stone (2014), o design de interiores é uma disciplina multidisciplinar que intenta, por meio da mutação do volume espacial, caracterizar a identidade e o clima de espaços internos, propondo mobiliário e tratando superfícies para alcançar este objetivo. Normalmente, é elaborado um novo interior dentro de uma estrutura pré-pronta que não requer mutações, e, sim, um reajuste interno preservando a parte estrutural.

Sob o mesmo ponto de vista, esta disciplina, imprescindivelmente, concentra-se na projetação da área interior de uma construção que está vinculada à condição do contexto pré-existente. Portanto, considerar o lugar onde o local de projeto estará inserido é de extrema importância, pois algumas atribuições atreladas ao ambiente resultante, como promover significados, valores ou consequência a uma situação, concebem a sua identidade. Esta intenção de preservar o que é pré-existente através da reutilização da estrutura já desenvolvida, traz a ideia de sustentabilidade (BROOKER e STONE 2014).

Ainda de acordo com Brooker e Stone (2014), embora o Design de interiores seja considerado uma profissão recente, com surgimento no

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início do século XX, as atividades pertinentes a este domínio, já ocorriam há mais tempo e apenas não eram, ainda, reconhecidas como uma prática particular, pois, usualmente, estas tarefas eram desempenhadas por marceneiros e estofadores que propunham layouts para o ambiente, ou, pelos próprios arquitetos, ao executar o projeto como um todo.

Entretanto, este cenário passou a sofrer transformação a partir do aparecimento do movimento sufragista, onde os papéis familiares tradicionais começaram a sofrer mutações, fazendo com que estas atividades que, até então, eram vistas como obrigações femininas, conquistassem um espaço no mercado. Através desta mudança, a recorrente emancipação das mulheres concorreu para o aparecimento de novas profissões, consideradas respeitosas e adequadas para elas, como a decoração de interiores (BROOKER e STONE 2014).

O aparecimento de novas fortunas no fim do século XX, permitiu manifestar-se uma nova gama de clientes com poder aquisitivo elevado e que ansiavam por demonstrar toda sua fortuna, contratando, assim, os novos profissionais da época, os designers, para projetar o interior de suas construções por completo.

Atualmente, esta área de atuação é reconhecida por unir várias disciplinas e, principalmente, por ter capacidade para elaborar os mais diversos ambientes, com inúmeros propósitos. Ocorre que, para atingir resultados que surtam efeitos positivos ao espectador, é necessário ter conhecimento do processo de observação que ocorre na mente do usuário. Deste modo, a seguir será explanada a concepção de Baxter (2000) para estilos e compreensão do processo visual, a fim de que se promova a atratividade no resultado deste processo projetual.

Segundo Baxter (2000), quando um indivíduo se refere a um produto como atrativo, este está fazendo alusão à sua aparência, uma vez que a percepção humana é essencialmente visual. Sendo assim, o grau de atratividade depende do aspecto em que é observado.

Ao receber uma imagem, o cérebro logo trata de ligar os fragmentos visuais que recebe, pois a percepção humana é inteira e coerente. Uma vez percebidas, separadamente, as cores, os movimentos, ocorre a conexão para que tudo se torne uma percepção única. Portanto, a fim de que se compreenda melhor como elaborar um objeto atrativo, é interessante examinar algumas etapas deste processamento, como os dois estágios do processamento visual (BAXTER, 2000).

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O autor ainda trata o primeiro estágio que compreende a pré-atenção, onde a visão faz uma verificação rápida e involuntária na imagem, para o reconhecimento de padrões e formas. Já durante o segundo estágio, é envolvida uma atenção visual, pretendendo focar em alguns pontos, desejando prestar, de fato, a atenção.

Ainda, de acordo com Baxter (2000), pode-se elencar que, primeiro deverá ser chamada a atenção, para depois prendê-la. As pessoas decidem no momento em que olham para algo se lhes é atraente, sem necessidade de análises detalhadas, pois ao comentar sobre a forma de algum produto, estarão sendo utilizados os registros da primeira percepção global, onde o estilo, em partes, depende dela.

Entre as décadas de 20 e 40, psicólogos alemães estipularam a teoria da Gestalt, que propunha que a visão humana possuía predisposição para reconhecer padrões. Contudo, foi descoberto que este processo não é uma padronização inata, e sim decorrente de estímulos recebidos durante a fase de crescimento. A este respeito, estudos delegam princípios gerais, para execução de um ambiente, que auxiliam o observador na assimilação do conteúdo apresentado.

2.3.2 Princípios para o Design de Interiores

A fim de atingir um resultado coerente de projeto, princípios básicos de design de interiores são estipulados para auxiliar a concepção de um ambiente adequado. Contudo, de acordo com Faulkner (1983), não se deve determinar um número específico de princípios, pois não é correto segui-los, severamente, como regras, uma vez que, na realidade, o uso destes é, frequentemente, feito de modo instintivo.

Tais princípios são tópicos gerais, desta forma, optou-se por focar naqueles que apontam mais utilidade para a criação e/ou análise de um ambiente, conforme argumenta Faulkner (1983), sendo eles:

2.3.2.1 Escala e Proporção

Refere-se à escala apropriada para as coisas. A sua conotação está na relação existente entre o espaço físico e o objeto, conforme explica Gurgel (2007). Embora seja essencial projetar pensando no impacto que o resultado causará no cliente, é dever do designer verificar se os objetos estão sendo utilizados de acordo com as possibilidades. Assim, espaços

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maiores estão, usualmente, aptos a receber artefatos maiores, algo que já não se relacionará bem com pequenos ambientes (FAULKNER, 1983).

Há uma preocupação quanto ao que abrange a relação de tamanhos entre a escala humana e a escala arquitetônica, podendo ser este um dos mais importantes princípios da execução de interiores, uma vez que ambas são, geralmente, conflitantes.

Apesar desta cautela inicial com o ambiente, é crucial pensar que este será usufruído por uma pessoa e assim, todo o processo de utilização deverá surtir resultados positivos ao usuário. A maior parte dos móveis é produzida em escalas que concentram percentis antropométricos mais frequentes, excluindo uma pequena parcela da utilização confortável destes objetos (IIDA, 1990).

Ao trabalhar com a escala, é necessário que nesta sejam interpretados todos os aspectos resultantes, como a aplicação de objetos menores em objetos maiores, atendendo ao propósito de propiciar um bom resultado ao integrar o ambiente projetado à escala humana. Os termos de escala e proporção, comumente não possuem uma distinção nítida, pois ambos os casos se tratam da congruência do que há no local, como a escala harmoniosa entre os objetos que se observa na figura 4 (FAULKNER, 1983).

Figura 4: A escala harmoniosa entre os objetos

Fonte: livro Guia practica para la decoración del hogar, Faulkner (1983) 2.3.2.2 Equilíbrio

Os seres humanos procuram o equilíbrio em vários aspectos da vida, pois os remete à necessidade instintiva de estar com os pés ao

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chão, prontos para o mundo. O equilíbrio é uma das referências visuais mais acentuadas que o homem possui, pois o acompanha diariamente estando presente na natureza, contemplando, inclusive, a máquina humana, já que o corpo humano é um belo exemplo de busca por constante equilíbrio (FAULKNER, 1983).

No que diz respeito ao tema em questão, o equilíbrio vislumbra a interação entre os pesos visuais, que significam a impressão que certos objetos causam no indivíduo, o interesse que se desperta em um objeto. Esta descrição de equilíbrio pode ser visualizada, na figura 5, onde os objetos estão dispostos de maneira equilibrada. Faulkner (1983) discorre sobre os pesos visuais, postulando alguns aspectos relevantes sobre a atuação destes dentro de um projeto de design:

“As dimensões grandes têm peso visual maior que as pequenas;

As cores quentes, vivas, chamativas, tem mais peso visual que as cores frias, apagadas e discretas;

As texturas ásperas e que tem amostras possuem mais peso visual que as lisas e suaves ao tato; As formas irregulares têm mias peso visual que as geométricas;

As linhas diagonais ou dentadas possuem mias peso visual que as verticais ou horizontal

As zonas mais iluminadas tem mais peso visual que as escuras.”(FAULKNER, 1983, p.91) Figura 5: O equilíbrio entre os objetos

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Fonte: Guia practica para la decoración del hogar (1983) 2.3.2.3 Ritmo

Ao compreender como se dá o equilíbrio, segue-se, naturalmente, para o ritmo, que depende do equilíbrio para poder ser percebido. Em um ambiente, muitos critérios importantes como harmonia, personalidade e caráter, são demonstrados através dos ritmos, que, conforme sugere Faulkner (1983), podem ser alcançados fazendo o uso de:

● Repetição: Quando o ritmo está representado em forma de repetição, é percebido com maior regularidade. Em quase todas as casas existem exemplos de repetição, seja em janelas, portas e, por vezes, este efeito acaba por cair em monotonia, sendo resultado de uma repetição impensada.

● Alternância: A presença da alternância é percebida quando há uma interrupção da continuidade da repetição que faz captar esta dinâmica. Essa mudança pode ser percebida suavemente ou com uma acentuação.

● Progressão: Uma progressão que seja ordenada e sistemática do espaço, formas ou cores, pode se traduzir em uma batida, ainda que sutil, onde, suavemente, se expanda ou reduza, ou ainda uma sequência mais energética de trocas que não tragam um ritmo evidente, porém, percebido quando procurado.

Ao contrário da simples repetição, a progressão é muito mais ampla e imaginativa. Pode ser encontrada no movimento de linhas e formas, na disposição de um grupo de móveis ou ainda numa sequência de espaços em um ambiente. A Progressão se torna então, quase inevitável, diante da sua facilidade de ser observada.

“(...) a boa arquitetura e a boa decoração (a arquitetura de interiores, isto nunca deve ser esquecido) devem se basear no ritmo e na lógica” (WHARTON E CODMAN, 1897)

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● Contraste: acerca do que representa a própria palavra, o contraste é o uso de formas e cores que conduzam oposição entre si por meio de uma transição não gradual, ou até mesmo bruta. O uso deste ritmo é o ideal para se provocar uma reação, pois é estimulante. O modo como se adaptam mutuamente as formas e cores, são reforçados por transições similares em outros lugares, dando origem a continuidade que é a base de um ritmo.

Cada dia mais os indivíduos se deparam com o uso do ritmo contrastado, descobrindo que móveis mais rebuscados se encaixam muito bem em um fundo mais reto, enquanto que moveis mais geométricos, compõem com excelência quando colocados em um fundo ornamentado. No entanto, é preciso recorrer a esta prática com muita sensatez e precaução, para que um ambiente residencial, por exemplo, não expresse um aspecto comercial, e os ritmos não findem em caos. A advertência para que haja nexo entre os ritmos é a continuidade de um movimento organizado para chegar a um todo com coerência. As formas em espiral têm este poder de sugerir movimento contínuo, conforme percebe-se na figura 6.

Figura 6: O ritmo gerado pela escada em espiral

Fonte: Guia practica para la decoración del hogar (1983) 2.3.2.4 Ênfase

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No design de interiores, a ênfase está relacionada às variações gradativas de intensidade e peso em algumas áreas do projeto. Naturalmente, quando coloca-se ênfase em algum ponto, outros ficarão neutralizados, gerando, automaticamente, uma relação de importância e subordinação. Assim, a existência de ênfase delegaria quais pontos de interesse seriam de maior relevância (FAULKNER, 1983). Quando se está em um espaço, as partes dominantes e subordinadas criam uma escala de importância entre si. É comum que um centro de interesse se torne padrão, para que o resto possa ser analisado em conjunto.

Assim, o princípio da ênfase, ainda conforme FAULKNER (1983), quando aderido a uma residência, deve considerar as mudanças naturais de iluminação em um ambiente. Um bom design de interiores, para manter ritmo e equilíbrio, deve levar em consideração estas variáveis diárias, pois os pontos de luz em um espaço podem alterar totalmente os pontos focais. Ao observar a figura 7, é possível perceber a força que o espelho posicionado equilibradamente tem sobre o ambiente, criando ênfase neste foco.

Figura 7: O ênfase causado pelo espelho.

Fonte: Guia practica para la decoración del hogar (1983) 2.3.2.5 Unidade/Variedade/Harmonia

A fim de se atingir a unidade é preciso uma grande ideia que sirva como motivação. Pode-se estabelecer unidade quando perceber semelhança e repetição, similaridade, consonância, componentes que

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estejam expressando algo desejado, entoando a unificação (FAULKNER, 1983).

Já a variedade pode ser descrita como o princípio que torna o ambiente vivo onde, em pequenos detalhes, é permitido conceder pinceladas de personalidade e vida, deixando de lado a monotonia. Muitas vezes, utilizar-se de variedades proporciona ótimos resultados. No entanto, esta diversidade deve possuir uma razão de ser, para que se incorpore harmonicamente ao ambiente (FAULKNER, 1983).

Assim, a harmonia está, intrinsecamente, ligada aos integrantes do projeto, e nada mais é que a fusão, em doses exatas, de cada elemento, criando um ambiente harmônico. Como postula Faulkner (1983), quando a variedade e a unidade estão em uma combinação constante sem interrupções, quando tudo é assimilado facilmente, atingiu-se a harmonia. Assim, pode-se perceber através da imagem abaixo (figura 8) a congruência que permeia o ambiente, trazendo à tona o uso destes princípios em boas quantidades.

Figura 8: A harmonia gerada no ambiente

Fonte: Guia practica para la decoración del hogar (1983)

Visto tais princípios que auxiliam na formulação de um projeto de design de interiores, percebe-se a importância da competência do designer para administrar a composição do ambiente. Deve-se assimilar a reformulação de um local como algo complexo, cujas necessidades vão além da compreensão do que já está vinculado ao ambiente, verificando, assim, toda a novidade tecnológica (BROOKER e STONE, 2014)

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Deste mesmo modo, haverá de ser considerada a carga cultural que a estrutura carrega, conciliando-a com a abordagem demandada pelo público que utilizará o espaço, objetivando transmitir a imagem que reflete o usuário. A personalidade e a valorização de um projeto podem ser aumentadas quando colocados elementos, objetos e superfícies que representem a sua proposta.

Enquanto isto, a expressão da identidade em um ambiente é feita através da escolha dos detalhes. Apesar de serem uma pequena parte do projeto, podem dar um toque interessante e criar o clima do local. Um processo de design tipicamente pós-moderno que se tornou estratégia comum no fim do século XX e permanece no século XXI, é o reuso e mistura de ideias, sonoridades e imagens para a criação de um interior. (BROOKER E STONE, 2014)

A utilização adequada dos princípios para o design de interiores culmina em um ambiente atrativo ao usuário. Portanto, a união destes recursos e da sapiência do processo da percepção visual humana se tornam aliados de projeto para obtenção de bons resultados. Ou seja, para criar um projeto satisfatório, que promova a união dos princípios de design de maneira atraente ao usuário, o profissional deverá estar ciente sobre a repercussão deste dentro da mente do mesmo.

Estas determinações estipuladas para auxiliar no processo de design reúnem e desmistificam situações vinculadas ao processamento da mente humana, que assimila e interpreta o mundo de diferentes formas.

Concernente ao tema de projeto, referente ao desenvolvimento de uma cozinha apropriada para uma embarcação, foram explanados e serão discutidos conceitos que abordam recursos coerentes com a condição da área de projeto (embarcações), que se apresenta de forma restritiva, por ser, consideravelmente, reduzida.

Segundo Damazio e Mont’alvão (2012), para estabelecer uma maior conexão entre o produto e o usuário, sugere-se a aplicação de conceitos relativos ao aproveitamento de pequenos espaços através da utilização de aspectos ergonômicos durante o processo de configuração do espaço reduzido, aliando preceitos indissociáveis ao tema de projeto delimitado: o design de interiores para uma embarcação.

O uso do design de interiores, quando vinculado à embarcação, direciona-se aos espaços circundantes ao casco, relativos a área social do barco, prevendo que tais ambientes deverão ser projetados seguindo requisitos mínimos para promover conforto e segurança ao usuário.

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Todavia, sabe-se que o espaço proposto a este uso, estará sempre condicionado a uma área restrita, onde, independentemente do tamanho da embarcação, haverá limitações de espaço inerentes ao produto, fazendo com que cada área, por menor que seja, resulte em significativas perdas de espaço quando mal utilizadas (Nasseh, 2008). Dessa maneira, a configuração de espaços reduzidos é essencial para o bom andamento do projeto de interiores de embarcações.

2.3.3 Configuração dos Pequenos Espaços

A elaboração de ambientes otimizados vem sendo cada vez mais estimulada pela imposição do mercado na redução dos espaços de vivência. Como explica Edelkoort1 (2014), há uma tendência muito forte na necessidade de se viver em espaços reduzidos, fazendo com que os indivíduos tendam a viver com menos área, porém mantendo a qualidade preservada. Além disto, observa-se esta inclinação do mercado não apenas no âmbito residencial, como também no comercial, pois está cada vez mais perceptível a redução dos espaços em razão do aumento significativo da população e custos.

Com esta tendência, é possível observar cada vez mais demanda e consequente criação de recursos para proporcionar eficiência nestes locais de novas e reduzidas proporções.

A exemplo disso, estão os estabelecimentos implantados em containers (figura 9 – A e 9 – B) por apresentarem baixo custo pois, usualmente, são instaurados rapidamente e com valores muito menores, se comparados aos espaços convencionais (Missiaggia, 2016).

Sob o mesmo ponto de vista, segundo uma análise de tendência elaborada pelo SEBRAE (2016), encontramse os food trucks (figura 9 -C), que passaram a inovar nesta modalidade de comida de rua e têm se tornado cada vez mais comuns em razão do baixo valor de investimento de instalação. Diferentemente do modelo anterior, este conceito de estrutura comercial possui a vantagem da mobilidade.

Este conceito móvel, aliado a ambientes pequenos assemelham-se ao propósito do produto estudado neste projeto, as embarcações (figura 9 – D), além de serem encontrados também em motorhomes, vagões de trem (figura 9 – E), caminhões e aviões (figura 9 – F),

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Holandesa fundadora da empresa Trend Union e eleita, em 2003, pela revista Time como uma das 25 pessoas mais influentes do mundo da moda.

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conforme pode ser observado na imagem referente à figura 9. A configuração adequada destes ambientes, proporciona aconchego e auxilia para a qualidade de vida dos que dele se utilizarão.

Figura 9: Painel Exemplos do aproveitamento de Small Spaces

Fonte: desenvolvido pela autora.

Concomitantemente, LIMA (2016) confirma que o mercado imobiliário tem catalogado uma nova gama de imóveis, os de porte micro. Este conceito representa os novos indivíduos da sociedade do século XXI. O aumento do poder aquisitivo dos jovens somados ao elevado número de divórcios e ao crescimento do número de idosos, deu força a esta atual percepção e divisão dos espaços de moradia.

Em paralelo a isto, o aumento das áreas povoadas em todo o mundo, tem tornado os pequenos espaços um grande desafio, principalmente, para o Design de Interiores. Diante desta necessidade de elaborar em poucos metros quadrados ambientes aconchegantes de

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convivência, estudos mostram uma relação direta entre os espaços físicos e estados mentais.

Os ambientes cada vez mais reduzidos aos quais são submetidos os indivíduos, direcionam o homem contemporâneo a formação de um novo comportamento. As pessoas têm sido obrigadas a lidar com ambientes físicos que aparentam um mundo real encolhido e, simultaneamente, contraposto à nova realidade virtual que passa a sensação de infinito. (CONTE, 2006).

A fim de lidar com as consequências da redução dos espaços, a nova ciência intitulada proxêmica relaciona a atuação do espaço sobre o indivíduo e defende que viver em um espaço demasiadamente reduzido leva a neurose (MUNARI, 1998). Assim, compreende-se a intensa necessidade de espaços bem aproveitados através de estratégias e princípios que se traduzam em uma configuração saudável, formando ambientes aconchegantes para se viver. Portanto, tem-se obtido cada vez mais recursos para a instalação de objetos funcionais que explorem todo o possível do ambiente projetado.

2.3.6.1 Otimização do Espaço Reduzido

Segundo Seldon [20??], a flexibilização do espaço é uma importante estratégia no momento de elaboração de um projeto condicionado a uma pequena área.

O cotidiano promove situações em que os cômodos vêm servindo para mais de uma função e, com isto, seus mobiliários hão de ser adaptados a esta nova realidade. A exemplo disto, estão os espaços para escritórios em casa, que, por vezes, são utilizados como quartos por hóspedes, exigindo, por exemplo, um sofá que se desdobre em cama. Os mobiliários multitarefas são grandes aliados para a economia de espaço e integração de funções, permitindo perceber a influência da redução do uso de espaço na consequente aglomeração de tarefas para os produtos atuais [SELDON, 20??].

Assim sendo, tem-se por solução desta problemática a definição e utilização de um design compacto, interligado a critérios que trazem os seguintes critérios:

Móveis Embutidos: estes padrões de móveis permitem explorar ao máximo a capacidade do local e aumentam também a capacidade de

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armazenamento. Por serem personalizados, podem ser feitos sob medida, e conforme a necessidade de quem conviverá com o espaço. Além disso, para estes cômodos que possuem pouco espaço, é interessante que este seja aproveitado vertical e horizontalmente, como permitem fazer estes mobiliários, quando modulares. Nichos ou prateleiras podem ser facilmente aderidos à composição já existente, caso a necessidade aumente [SELDON, 20??].

Mutabilidade: considera-se um objeto mutável aquele que permite que seja alterado algo em sua forma, conforme demonstra a figura 10, com a luminária de Jaime Salm. Atualmente, os indivíduos desejam versatilidade, aconchego em seu ambiente e não apenas um local para moradia. O aproveitamento do espaço deve ser o maior possível. Assim, encontramos a presença cada vez mais forte dos móveis mutáveis, que através de leves alterações, apresentam propostas diferentes. As mudanças recorrentes neste caso, podem apenas estar relacionadas a pequenas transformações, como somente o aumento de sua capacidade (DELLANO, 2015).

Figura 10: Luminária mutável.

Fonte: Jaime Salm, Candeeiro Bendant, 2007.

Multifuncionalidade: refere-se, de acordo com Vasconcelos (2009), a conjugação de funções, tratando, no âmbito do design, de produtos que atendam diversas atividades. Além disso, contam com parâmetros de performance para satisfazer requisitos que demandam transformações quanto à função ao longo do seu ciclo de vida.

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“A interação do usuário com o produto multifuncional faz com que este deixe de ser estático e adquira um forte carácter dinâmico, onde as pessoas são quem lhes adiciona o valor final.” (VASCONCELOS, 2009, p.101)

Estes objetos são projetados para suprir necessidades dos consumidores, onde a adaptabilidade recorrente destas transformações resulta em um maior aproveitamento das tarefas delimitadas, assim como o exemplo do mobiliário presente na figura 11, fusion tables, uma mesa que apresenta mais de uma função, conferindo economia de espaço e multifuncionalidade. Contudo, a adaptabilidade em questão não deve se referir apenas a atribuição de aspectos ligados ao mobiliário como produto, e sim como um facilitador que requer ser adaptável a uma maior variedade de perfis de usuários (VASCONCELOS, 2009).

Figura 11: Mesa Multifuncional

Fonte: Get2Gether, Fusion Tables, 2008

Visto tais critérios, é possível compreender importância da união destes para que promovam a adaptabilidade vinculada ao funcional e espacial à questões ligadas aos usuários, como os percentis antropométricos e capacidades. Em consonância a esta necessidade, para ajustar as interações entre o indivíduo e o ambiente, assim como também promover o seu bem estar, há fatores indispensáveis para o projeto de design, como a ergonomia e a hedonomia.

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2.4 ERGONOMIA

Diante do que expõe Damazio e Mont’alvão (2012), ergonomia é uma disciplina científica que compreende relacionar interações ocorridas entre os seres humanos e elementos ou sistemas, visando a boa relação entre o bem estar humano e o desempenho do sistema.

A prática da ergonomia, de acordo com a definição da ABERGO [20??], contribui para o planejamento, projeto, avaliação de tarefas, produtos, ambientes e sistemas com intuito de transformá-los coadunáveis com as necessidades, habilidades e limitações humanas.

Conforme elenca Moraes e Mont’alvão (2009), a ergonomia traz alguns domínios de especialização, e dois destes serão de extrema importância no decorrer deste trabalho: a ergonomia física, cuja aplicação está centrada nas características da anatomia humana, antropometria, fisiologia e biomecânica com relação à atividade física; e a ergonomia cognitiva, cuja correlação se encontra nos processos mentais, como percepção, memória, raciocínio, e resposta motora de acordo com o modo com que afetam, também, as interações entre seres os humanos e o sistema.

Segundo Jordan (2000) a ergonomia passou a ser vista como uma maneira de agregar valor aos produtos, ao fazer com que eles tivessem um uso mais fácil.

Já de acordo com Montmollin (1986), a segunda corrente da ergonomia, seguindo características da francesa, que se encontra mais recente, considera o estudo específico do trabalho humano objetivando sua melhoria. Desta mesma forma, Oborne (1995), acredita que a ênfase da ergonomia moderna concentra-se em examinar o operador e o ambiente como parceiros dentro do sistema e, consequentemente, deixa de tratar como foco principal os mínimos detalhes de componentes que constituem a associação homem-máquina.

Assim, Moraes e Mont’alvão (2009) determinam que esta nova geração da ergonomia é centrada na pessoa e entende que o humano é o controlador do sistema, operando-o, direcionando-o e monitorando suas atividades.

Desta maneira, a fim de promover uma média antropométrica foram estipulados dados relacionados a percentis que visam auxiliar no processo de projetação voltada ao público humano (IIDA, 1990). Na figura 12 pode ser percebida a tabela antropométrica do homem e da mulher, contendo tais percentis.

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Fonte: Dreyfuss (1996) Figura 12 - Medidas do Homem e da Mulher

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Complementando a ergonomia, de acordo com a visão de Hancock (2005), estão as concepções hedonômicas, pois ambas

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promovem informações importantes sobre o usuário: o ser humano. É possível visualizar a interação destas através da concepção de Maslow, figura 13.

Figura 13: Hierarquia de Ergonomia e da Hedonomia a partir da concepção de Maslow

Fonte: Hancock (2005)

Seguindo esta abordagem, Hancock (2005) elenca aspectos que promoveriam o interesse pelo produto e, dentre eles, encontra-se a interação física prazerosa, onde produtos que satisfaçam os sentidos, promovam prazer por suas qualidades e atributos.

Assim como argumenta a ergonomia francesa, a nova percepção que sugere Bruinsma (1995, DSXG KINDLEIN et. al., 2008) propõe o foco no usuário, diferentemente de como previa a primeira geração da ergonomia, que entendia que o design ergonômico deveria ser focado no sistema e suas conjecturas (MORAES e MONT’ALVÃO 2009).

A realização desta mediação, segundo Niemeyer (2008), deverá concernir às questões que objetivam compreender quais são os aspectos emocionais relevantes em uma situação de relação com o produto, ou ainda como o produto atenderá às expectativas emocionais do destinatário.

Tendo contemplado os alicerces fundamentais para o projeto de interiores, relatados desde o início desta explanação, segue-se para a discussão que, com especificidade, versará sobre o ambiente delimitado como objeto deste estudo, visando compreender as orientações designadas à elaboração deste projeto de cozinha.

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2.5 ESTUDO DE CASO DA COZINHA: Análise do ambiente De acordo com Gurgel (2007), a cozinha pode ser, dentro desta área do design, um dos ambiente mais complexos e caros, indo de um projeto simples, até às atuais “cozinhas gourmet”. Podem ser de concepção aberta ou fechada, ficando este quesito à critério dos usuários.

Para a elaboração de cozinhas, há a regra do triângulo, que propõe manter relacionadas às áreas de preparo, armazenamento, e cozimento, onde as primeiras devem estar mais próximas entre si. É interessante considerar para critérios de segurança, que o acesso aos refrigeradores aconteça sem ter de passar pelo fogão, em especial em caso de haver crianças usuárias do ambiente. Em caso de ambientes pequenos, foge-se à regra do triângulo, fazendo uso da cozinha linear. Entretanto, ainda assim, é correto que se mantenha o fogão o máximo afastado do refrigerador (GURGEL, 2007).

Identificar a necessidade que o usuário possui durante o preparo de alimentos é uma tarefa importante, para delimitar quais

eletrodomésticos estarão presentes no projeto, bem como qual será sua forma de uso. Ao definir estes aparelhos, já se promoverá uma noção de como deverão ser os espaços para armazenamento (GURGEL, 2007). 2.5.1 Análise do Espaço Reduzido Sob Princípios do Design

A figura 14 apresenta a cozinha de estudo da embarcação c40, que será analisada sob os seguintes aspectos funcionais:

- Layout -Arranjo Físico - Bancada - Armário -Iluminação -Cores -Anteparas

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Fonte: Intech Boating Web

Finalmente, será realizada uma análise generalizada, utilizando-se dos princípios e critérios expostos nos capítulos 2.3.4 e 2.3.5, utilizando-sendo estes: -Escala e Proporção -Equilíbrio -Ritmo -Repetição -Alternância -Progressão -Contraste -Ênfase -Unidade -Variedade -Harmonia 2.5.1.1 Layout

Martins (2003), determina que existem quatro tipos básicos de layout: posicional, celular, por produto e por fim, por processo, que é o modelo de layout em que se apresenta a cozinha em questão, conforme pode ser identificado na figura 15 através de simulações do fluxo de

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circulação.

Este modelo consiste no agrupamento de equipamentos e máquinas por suas funções, onde somente a matéria-prima será deslocada conforme a manipulação, promovendo muita flexibilidade. Pode-se perceber que este modelo de layout proporciona uma facilitação no preparo dos alimentos, organizando o fluxo de circulação na área.

Figura 15 – Fluxo de circulação C40

Fonte: Adaptado de Intech Boating web

Outro ponto que deve ser observado na configuração do layout são os espaços de circulação que envolvem desde a passagem de pessoas como do espaços delimitados para a movimentação destas dentro da cozinha. No quadro 1, há dados antropométricos estipulados para o uso humano deste ambiente, que correspondem aos quesitos determinados na mesma (GURGEL, 2007).

Quadro 1 – Medidas antropométricas adequadas para movimentação na Cozinha.

DESCRIÇÃO ALTURA

Referências

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