TÍTULO: A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR PARA PROMOVER MELHORA DA QUALIDADE DE VIDA – SEGUNDO ALUNOS DO ENSINO MÉDIO
TÍTULO:
CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:
ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:
SUBÁREA: Educação Física SUBÁREA:
INSTITUIÇÃO(ÕES): CENTRO UNIVERSITÁRIO MÓDULO - MÓDULO INSTITUIÇÃO(ÕES):
AUTOR(ES): NATÁLIA APARECIDA MASSARICO CARDOSO, GEISA MAIA BOURGET AUTOR(ES):
ORIENTADOR(ES): HÉLCIO KANEGUSUKU ORIENTADOR(ES):
COLABORADOR(ES): CENTRO UNIVERSITÁRIO MÓDULO COLABORADOR(ES):
RESUMO
É comum que se associe boa qualidade de vida a uma boa saúde, no entanto é preciso saber, que além desse aspecto, o tema em questão está ligado a hábitos saudáveis, boa interação familiar, boa aptidão física, uso consciente da tecnologia, prevenção do uso de drogas e da obesidade. Dado a isso é necessário que a escola e seus professores sejam intervencionistas, atuando de forma efetiva com os alunos, levando entendimento, conscientizando-os sobre os diversos conceitos que se interligam ao tema qualidade de vida e adaptando as informações dos documentos oficiais às necessidades dos discentes.
Nesse contexto, o presente estudo busca entender, através de um questionário formulado para trazer informações sobre os tópicos que norteiam o tema qualidade de vida, e como esses conteúdos são ou não abordados nas aulas de Educação Física do 3º ano do Ensino Médio. Em análise aos dados obtidos, foi possível perceber que nenhum aluno conseguiu dissertar em uma mesma questão todos os aspectos que compõem uma boa qualidade de vida, porém as diversas respostas se complementam.
Os conteúdos das aulas de Educação Física não são aplicados de maneira efetiva pelos professores, apesar de se saber que a disciplina é de extrema importância para promover benefícios à vida dos alunos.
Palavras-chaves: Qualidade de vida; Educação Física escolar e Alunos.
INTRODUÇÃO:
O termo qualidade de vida pode ser entendido como uma harmonia entre os processos físicos, psíquicos e sociais existentes na vida de uma pessoa. É comum que se associe boa qualidade de vida a uma boa saúde, no entanto é preciso saber, que além desse aspecto, o tema em questão está ligado a diversos aspectos.
Atualmente é comum que as pessoas deixem de se movimentar e fiquem reféns das facilidades encontradas nos meios tecnológicos. O desuso dos sistemas corporais é responsável pelo sedentarismo e por doenças crônicas não transmissíveis resultando na redução da qualidade de vida.
O Segundo Minayo et al (2000), o conceito da qualidade de vida também se liga a uma interação familiar, amorosa, ambiental e social.
Os documentos oficiais, como os Parâmetros Curriculares Nacionais e a Proposta Curricular da Educação Física do estado de São Paulo, dizem ser importante oferecer temas que conscientizem e logo promovam a melhora da qualidade de vida dos alunos, porém deixam muito ampla a maneira como o assunto pode ser tratado pelo professor.
É necessário que a escola e seus professores sejam intervencionistas, gerando entendimento sobre os diversos conceitos que se interligam ao tema e adaptando as informações subjetivas dos documentos oficiais ao conteúdo teórico e prático das aulas de Educação Física.
Com isso, o presente estudo busca investigar qual o entendimento apresentado por 65 alunos do 3º ano do Ensino Médio de uma escola pública estadual da cidade de Caraguatatuba-SP, acerca da importância que a Educação Física escolar possui para promover melhorias na “qualidade de vida” dessas pessoas.
MÉTODO
A pesquisa de caráter descritivo e abordagem quantitativa, que segundo Gil (2008), serve para descrever as características de determinadas populações ou acontecimentos; teve como problema de pesquisa entender se aulas de Educação Física possuem importância na melhora da qualidade de vida dos alunos através do entendimento apresentado por eles acerca do tema. A amostra foi de 65 alunos do 3º ano do Ensino Médio de uma escola estadual da cidade de Caraguatatuba-SP, que estavam presentes no dia da entrega do instrumento da coleta de dados e os trouxeram preenchidos juntamente com a autorização dos pais assinadas no dia destinado a recebê-las.
A coleta de dados se deu através de um questionário aberto sobre o tema qualidade de vida e seus conceitos; conteúdos das aulas de Educação Física e nível de interação social familiar e escolar.
O objetivo geral do estudo foi observar se os indivíduos entrevistados compreendem a relação entre Educação Física e qualidade de vida. Já os objetivos específicos foram: analisar se os conceitos específicos de qualidade de vida apresentados pelos alunos convergem aos da literatura; observar o entendimento dos alunos sobre a importância da Educação Física escolar e se ela é capaz de melhorar a qualidade de vida das pessoas; conhecer os conteúdos tratados nas
aulas de Educação Física da escola e se os mesmos são capazes de trazer benefícios à qualidade de vida desses alunos.
A análise dos resultados ocorreu a partir da separação das respostas de modo a se formar grupos, e, a partir disso associá-los à literatura utilizada.
REVISÃO DA LITERATURA:
Uma boa Qualidade de vida tem pressupostos que se relacionam ao bem-estar, ao prazer, à felicidade, à uma boa renda e educação, à fatores sociais e é idealizada por diversas pessoas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), qualidade de vida é definida como “percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos quais vive em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”. Isso se refere ao fato de que o conceito de qualidade de vida pode variar conforme a cultura e local onde se vive e aos objetivos a serem traçados na vida. Mesmo assim há aspectos que podem ser considerados coletivos, como o bem-estar físico, psicológico, o social, a liberdade de crenças, a possibilidade de uma boa noite de sono e a ausência de dor.
Quando direcionamos qualidade de vida ao âmbito físico, podemos dizer que saúde é diretamente relacionada à atividade física, pois as características de nossos grupamentos musculares, articulares e capacidade cardiorrespiratória determinam os limites de aptidão física. É comum que se associem o tema em questão à presença ou não de saúde, mas é importante saber que nela estão contidos aspectos além da ausência de doenças, como por exemplo, a presença do bem-estar físico, psíquico e social. (CARVALHO, 1995).
A tecnologia atual faz com que o homem seja cada vez mais cômodo e refém de suas facilidades, utilizando cada vez menos das funções de seu corpo e tornando-se pouco ativo fisicamente, o que contribui para doenças crônicas não transmissíveis – como as cardiovasculares, respiratórias, metabólicas e outras. (AZEVEDO, 2000).
Segundo Neto (2003), o sedentarismo causa desuso dos sistemas corporais, fazendo que as fibras musculares do aparelho locomotor ou órgãos que são utilizados, por exemplo, em uma atividade física – sejam atrofiadas e percam a flexibilidade articular.
A obesidade é uma das maiores preocupações na área da saúde pública, já que ela tem atingido cada vez mais crianças e adolescentes.
Boccaleto et al (2008) revela que a escola tem grande responsabilidade no sentido de elaborar um currículo que busque adequar conteúdos – de maneira efetiva e não supérflua – relacionados ao tema. E que enquanto componente da educação básica, a Educação Física deve inserir o aluno na cultura de movimento do corpo e causar reflexões acerca do estilo de vida em que levam.
A proposta curricular da Educação Física do estado de São Paulo reflete a importância de relacionar essas manifestações de conteúdos para que se cruze com os temas atuais e de relevância para a sociedade. Os Parâmetros Curriculares Nacionais, (PCN), oferecem variados conhecimentos acerca do corpo e dos objetivos globais a serem atingidos com os alunos. Porém não leva em conta a participação dos professores nessa construção e nem a disposição de conteúdos atitudinais, conceituais e procedimentais que devem ser realizados para que os alunos entendam a importância que a Educação Física tem como componente capaz de fornecer e direcioná-los a uma melhor qualidade de vida.
A escola deve elaborar um currículo que dialogue com as informações subjetivas fornecidas pelo documento, fazendo uma inter-relação das disciplinas ao tema “qualidade de vida” e aprofundando a discussão teórica e prática nas aulas de Educação física.
RESULTADOS E DISCUSSÕES:
A literatura revela ser comum associar qualidade de vida à boa saúde. A maior parte dos entrevistados, (32), também apontou que ter boa qualidade de vida é o mesmo de ter boa saúde. (Gráfico da pergunta 1).
CARVALHO (1995), diz que saúde não é só ausência de doenças, mas sim um bem-estar físico, psíquico e social. Seguindo a mesma análise acima, 17 respostas dizem que qualidade de vida é esse bem-estar físico, psíquico e social, o que mostra que nesse cenário o conceito de saúde também se conecta ao da qualidade de vida.
Segundo AZEVEDO (2000), saúde está relacionada à atividade física devido aos sistemas corporais determinarem os limites de aptidão física. Logo, exercícios que promovem a melhora da aptidão física também estão. Com isso, as 14
respostas que dizem que qualidade de vida está relacionada à prática de atividade física também estão de acordo com esse conceito.
(Gráfico da Pergunta 1)
Quando indagados sobre quais os fatores que prejudicam a qualidade de vida, 22 respostas do gráfico da pergunta 2, se referiram a uma má alimentação, assim como um dos tópicos apontados pela Organização Mundial da Saúde.
(Gráfico da pergunta 2) 0 5 10 15 20 25 30 35 Q U A N T ID A D E RESPOSTAS
O que significa Qualidade de Vida?
0 5 10 15 20 25 QUAN T IDA DE RESPOSTAS
Quais fatores prejudicam a Qualidade de
vida?
Boccaleto et al (2008) reforça que se os conteúdos de Educação Física forem empregados pelos professores de maneira efetiva, são capazes de melhorar a qualidade de vida dos alunos, ensinar hábitos saudáveis, promoverem um estilo de vida ativo, inserir o aluno na cultura do movimento do corpo com suas diversas manifestações e intervir no estilo de vida que levam. A resposta mais apontada em relação à importância da Educação Física, no gráfico da Pergunta 3, foi sobre a realização de atividade física e/ou esportes (31), seguido por Melhora na saúde física e/ou mental (20), mostrando uma associação da disciplina à saúde e ao exercício físico, mas se esquecendo de outros aspectos importantes que existem.
(Gráfico da Pergunta 3)
Os alunos entendem a importância da Educação Física para todos, porém a maior parte diz não ter conteúdos que estimulam a sua prática já que os conteúdos das aulas conversam entre a apostila formulada pelo governo, futebol, aula livre e nada. Mesmo que a pluralidade dos alunos (41) assegure praticar exercícios em ambiente extraescolar, 58 alunos afirmam que os conteúdos das suas aulas de Educação Física não são responsáveis para tal.
Quando se perguntou sobre como o tema qualidade de vida é empregado nas aulas, (gráfico da pergunta 4), o maior número dos entrevistados apontou: “não ser aplicado”, “praticar esportes” ou “não saber responder”. Nesse momento percebe-se que a falta de conteúdos nas aulas práticas gera uma falta de entendimento dos alunos. Não é possível dizer se aulas sobre qualidade de vida foram dadas via
0 5 10 15 20 25 30 35 Melhora o corpo Melhora a saúde física e/ou mental Para fazer atividades físicas/esportes Para adquirir hábitos saudáveis Interação social Diminui o estresse QUAN T IDA DE RESPOSTAS
conteúdos da apostila formulada pelo governo, porém percebe-se que não há uma relação entre a teoria e a prática, pois se isso acontecesse talvez os alunos entendessem o objetivo da aula em si e não apenas a reprodução de exercícios teóricos e a falta de procedimento prático a ser seguido.
Por outro lado, a culpa dessa defasagem não é apenas do professor, já que os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) apresenta o tema “Qualidade de vida” de maneira abstrata no documento, dizendo que é necessário tratar das diversas manifestações, mas sem fornecer base de procedimentos ou atitudes que devem ser tomadas para tal.
(Gráfico da Pergunta 4)
E por fim, sobre o uso de drogas, 43 alunos revelam não ser um tema tratado em sala de aula. (Gráfico da pergunta 5). Já sobre os prejuízos que as drogas podem causar as respostas foram variadas, porém quatro respostas afirmam que as drogas podem trazer benefícios à vida, o que é um dado preocupante já que a falta de entendimento acerca dos malefícios dessas substâncias pode afetar a vida da pessoa e de terceiros que convivem socialmente com o usuário.
(Gráfico da Pergunta 5). 0 10 20 30 40 Não é Praticamos esportes Devemos ter vida ativa Boa alimentação Não sei QUAN T IDA DE RESPOSTAS
Como o tema "Qualidade de Vida" é
abordado nas aulas?
0 20 40 60
Não Sim Raramente
QUAN
T
IDA
DE
RESPOSTAS
Seu professor de EF trata sobre o tema
"Uso de drogas" em sala?
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os entrevistados compreendem a relação direta que a Educação Física possui com a melhora da qualidade de vida e possuem bom entendimento sobre o assunto, mas não é possível medir se esse entendimento acontece de fato, já que algumas respostas se contradizem aos dados fornecidos sobre os conteúdos das aulas.
Nenhuma pessoa chegou sozinha ao consenso que a literatura traz acerca do tema qualidade de vida, porém, a maior parte dos conceitos que o integram foram descritos por diferentes pessoas. O senso comum costuma relacionar saúde a ausência de doenças, e ambas à qualidade de vida. Na coleta em questão não foi diferente.
Apesar da multiplicidade dos alunos mostrarem entendimento sobre os prejuízos que as drogas podem trazer, quatro alunos disseram que drogas podem trazer benefícios para a vida. Mesmo sendo um número pequeno de alunos, essa falta de entendimento acerca dos malefícios pode ser prejudicial a muitas pessoas.
Quanto às aulas, o professor não aplica os conteúdos de maneira efetiva para uma melhora na qualidade de vida de seus alunos. Os discentes não possuem conteúdos que os motivam a praticar exercícios em um ambiente extraescolar.
Conclui-se que apesar da disciplina ser de extrema importância para a melhora da qualidade de vida dos indivíduos em questão, isso não acontece na prática daquela escola, já que os tópicos mais importantes a serem aplicados para promover uma melhora geral, não são trabalhados.
REFERÊNCIAS:
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