• Nenhum resultado encontrado

História como conceito mestre moderno.

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "História como conceito mestre moderno."

Copied!
13
0
0

Texto

(1)

“‘História’ como conceito

mestre moderno”.

Reinhardt Koselleck

(2)

“Quando Schlegel disse,

em 1795, que ‘o caminho

e a direção da formação

modernos são determinados

por conceitos domnantes’, esse

reconhecimento já pressupunha

o moderno conceito de História.”

p. 185.

O que significa “conceito mestre” ou “conceito dominante”?

Um conceito mestre é aquele em torno do qual se articu-lam visões de mundo, propostas políticas, movimentos sociais etc.

No mundo moderno (ententido aqui como o mundo pós-revolução inglesa e francesa), a História se transforma num conceito mestre, assim como ‘liberdade’, ‘revolução’, ‘igualdade’, ‘nação’ .

(3)

“A configuração do conceito moderno, reflexivo de História se deu tanto através de discussões científicas quanto através de diálogos político sociais do cotidiano. Quem fez a ligação entre os dois níveis de diálogo foram os círculos do Bildungsburgertum, a assim chamada burguesia culta composta por intelectuais de formação acadêmica, seus livros e suas revistas, que foram aumentando cada vez mais, no último terço do século XVIII, sendo seguidos, no século XIX, por inúmeras associações e instituições”. pp. 185-186

Bildungsburgertum: intelectuais burgueses, homens de letras, homens ilustrados. Um subgrupo da mesma classe que havia provocado as revoluções dos séculos 17 e 18.

(4)

A institucionalização da historiografia

Colecionar vestígios do passado: busca de documentos,

ar-tefatos, formação dos arquivos nacionais, museus etc.

Organizar as narrativas sobre o Estado: criação de uma nar-rativa unificadora do passado.

(5)

“Foi justamente seu reinvidicado caráter científico do conceito de História que reforçou sua força integrativa”. p. 186.

1. Funções sociais e políticas do conceito de História

“Enquanto a expressão [ciência histórica] foi transformada em conceito central da interpretação do mundo, ela também estilizava a consciência daquela burguesia...” p. 186

As instituições criam as comunidades de historiadores pro-fissionais, e com isso colaboram para o aprimoramento de métodos, técnicas e teorias para a pesquisa.

O aumento do prestígio da História como disciplina e ciên-cia, produzida por essa burguesia culta, ela também ajuda a moldar sua própria consciência.

(6)

História e legitimação

“Nações, classes, partidos, seitas ou outros grupos de interesse podiam - e até deveriam - recorrer à História na medida em que a derivação genética da posição que o respectivo grupo defendia lhe dava o direito à existência dentro do campo de ação político e social.” p. 188

Ter uma história, estar conectado a uma história, ter funda-mento na história era essencial para legitimação social.

(7)

A história conectava passado e presente e organizava ex-pectativas em relação ao futuro

“‘História, portanto, de forma alguma era apenas um conhecimento especial que se restringia ao passado e à sua memória, ela continuava politicamente ativa e apresentava seu desafio social frente aos contemporâneos, qualidades que adquirira ao final do período Iluminista”. p. 189.

“A utilização política direta da ‘História’, que atingia amplo público de ouvintes e leitores, só foi possível porque a História foi entendida não apenas como ciência do passado, mas sim como espaço de experiência e meio de reflexão da unidade de ação social e política que se tem em vista”. p. 190

“‘Somente através da História um povo vem a se tornar plenamente consciente de si mesmo’”. p.190

(8)

2. História e relatividade

Como poderia o historiador se precaver de ser engolido pela falta de objetividade e pelas lutas partidárias?

O positivismo enfrentou esse problema tentando argumentar em favor de um historiador sem subjetividade, dedicado a escrever a história do mundo tal qual ela aconteceu.

Chladenius (1710-1759) argumentava, no entanto, que uma visão pura da História é impossível. Qualquer juízo sobre ela sofrerá necessariamente a interferência das diferentes perspectivas.

a) relatividade de todos os juízos;

b) a história não pode ser representada em sua totalidade.

“Enganam-se muito aqueles que exigem que um historiador se comporte como alguém sem religião, sem pátria, sem religião, sem família - é pedir que não se deram conta de que estão pedindo algo impossível”. pp.194/5

(9)

• Para Lorenz Stein há uma sensação crescente de que o presente é cada vez mais rápido e diferente do passado.

• A diferença entre passado e presente tornou a história uma categoria central para a projeção do futuro. • O presente é muito diferente do passado, e cada vez mais.

(10)

Para Chladenius, há uma diferença entre perspectiva e partidarismo. A perspectiva provém da experiência, de seu lugar no mundo, enquanto o partidarismo é uma forma deliberada de distorcer a História.

(11)

É por conta disso que de tempos em tempos nossas visões sobre determinados aspectos e acontecimentos do passado também mudam. A historiografia está em perpétua revisão.

“‘Que a História do mundo precisa ser reescrita de tempos em tempos, sobre isso creio que não resta mais dúvida, nos dias de hoje’- escreveu Gothe, pouco depois. ‘Mas tal necessidade não decorre do fato de que tenha sido descoberta muita coisa nova, mas do fato de que aparecem novas concepções, porque o cidadão de um tempo que proguide é levado a posições a partir das quais aquilo uqe passou é visto e avaliado sob uma nova forma.” p. 198.

(12)

3. A irrupção do distanciamento entre experiência e expectativa

“No decorrer do século XIX, vai se desenvolvendo certa distinção que atribui a dimensão de futuro mais ao ‘progresso’, e a dimensão do passado mais à ‘História’, embora de forma alguma, fosse utilizado exclusivamente de maneira antitética.” p. 202

A consciência de estar no limiar de uma guinada estava amplamente difundida em torno do ano de 1800”, p. 202

A sensação de aceleração do tempo histórico causada pelas transformações da Era das Revoluções se tornou tão intensa que passado e o presente também se distanciaram.

A percepção de que se estava no limite do tempo se disseminou. Hegel e Marx simbolizam bem esse pensamento de que a qualquer momento uma transformação súbita e definitiva vai instaurar.

“(...) a Revolução Francesa traçara um ‘limite sangrento entre passado e futuro’, que rompeu de forma perspectiva o conceito de História e lhe deu um rosto de Jano, dependendo da direação em que era apontado”. p. 205

“Através da Revolução, os franceses se libertaram de sua História (...)”. p. 205

(13)

4. História: ideologia e crítica da ideologia

“A controvérisa em torno de História, em especial em torno do seu conceito, não era só uma controvérsia metodológica, teórico-científica ou científico-política. Ela atingiu de forma profunda a dimensão política e social do campo linguístico, por o conceito carregava dentro de si - como conceito geral de movimento - aquela força integradora e distanciadora que podia motivar ações políticas.”p. 212.

• A História pode ser usada tanto para contruir uma ideologia como para desconstruí-la.

• “Os homens fazem sua própria história, mas eles não a fazem livremente, não sob condições que escolhidas, mas sim sob condições encontradas, dadas, transmitidas.” (Marx)

• Uma ideologia pode ser fundada com base na História, mas pode ser criticada com base na própria História também.

Referências

Documentos relacionados

Antes das formações dinásticas do Egito, as civilizações que viviam na região já desenvolviam muitas tecnologias e técnicas fundamentais para o estabelecimento

E, se a publicação de Nietzsche e a filosofia, de Deleuze, em 1962, representou um marco na recepção de Nietzsche – entre outros motivos, por distanciar Nietzsche da

Não sei como é que ele conseguia andar, mas o que é certo é que um belo dia esse pedaço de madeira apareceu na oficina de um velho carpinteiro que se chamava mestre António, mas a

Assim, através da análise de recortes de diálogo entre criança e adulto, pude concluir, em conformidade com a autora acima citada, que é a partir da ocupação de um lugar de

– planilha com o detalhamento da dívida anterior que foi objeto da negociação prevista na Lei Federal nº 9.496/97, que dispõe sobre o processo de endividamento dos Estados,

Esse ensaio foi republicado em TULLY, James (Ed.). Meaning and context, op. cit., e revisto no livro de SKINNER, Quentin. Visions of politics, I: Regarding method. Cambridge,

Embora a antiga concepção de mundo mágico-vitalista e a visão de cosmos unificado tenham perdido espaço dentro dos principais debates científicos do século XIX, não

da Guerra Peninsular: A Legação Portuguesa em Haia e o Império Napoleónico (1807- 1810), “Actas do XVII Colóquio de História Militar nos 200 Anos das Invasões Napoleónicas