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PROCEDIMENTO PARA RESGATE EM LOCAIS DE DIFÍCIL ACESSO

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Academic year: 2021

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PROCEDIMENTO PARA RESGATE EM LOCAIS DE

DIFÍCIL ACESSO

Autores

Angelino Pereira Marques

Carolina Pochmann Kirch

Cristiano Pinto Vianna

Fabiano Fraga Carpes

Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica

CEEE-D

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RESUMO

O trabalho apresenta a solução adotada pela CEEE-D, para atender a exigência

da NR-10, nos itens 10.12.3 e 10.12.2, que indica a obrigatoriedade das empresas de

possuírem métodos de resgate padronizados e adequados as suas atividades e

disponibilizando os meios para a sua aplicação.

As características ambientais de algumas instalações como Subestações e

Linhas de Transmissão, inviabilizam o deslocamento rápido e o acesso dos serviços

tradicionais de remoção de acidentados, isto por estarem normalmente localizadas em

pontos remotos e de difícil acesso. Assim a CEEE-D proveu às suas equipes de um

equipamento de resgate portátil, denominado KED (Kendrick Extrication Device), que se

mostrou a solução mais adequada para esta condição, uma vez que o resgate de um

eletricista acidentado, nestes locais, terá que ser realizado pela própria equipe. O KED

já é utilizado pelos bombeiros e demais grupos de atendimento de emergência.

Descreveremos as premissas utilizadas que culminaram pela decisão de criar o “Kit de

Resgate Veicular”, sendo o KED o seu principal componente e também os treinamentos

efetuados para utilizar adequadamente este dispositivo de resgate.

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INTRODUÇÃO

As concessionárias de energia elétrica vêm ao longo dos anos buscando

soluções que garantam a segurança de seus empregados, pesquisando e investindo

constantemente em equipamentos de proteção, treinamentos e novas tecnologias,

visando e perseguindo sempre a redução de acidentes de trabalho. Porém, infelizmente

ainda hoje ocorrem acidentes e as empresas devem estar preparadas para atender

estas contingências, conforme preconiza as normativas regulamentadoras (NR’s).

Este trabalho apresenta a solução adotada pela Companhia Estadual de

Distribuição de Energia Elétrica

– CEEE-D, para atender a obrigatoriedade de possuir

métodos de resgate padronizados e adequados as suas atividades, disponibilizando os

meios para a sua aplicação, conforme orienta a NR10

– Norma Regulamentadora, mais

especificamente, nos itens 10.12.2 e 10.12.3.

A CEEE-D, assim como outras empresas da área, encontram dificuldades de

atender a estes requisitos da norma, uma vez que na sua área de concessão existem

algumas instalações, como subestações e linhas de transmissão, que estão localizadas

em locais remotos e que normalmente são de difícil acesso. Assim, no caso de um

eventual acidente com os empregados que desempenham as suas atividades nestes

locais, o resgate terá que ser realizado pelos próprios colegas que compõem a equipe,

providenciando inclusive a remoção do acidentado até o ponto de atendimento médico

mais próximo, ou em um acesso possível do serviço especializado chegar.

Para que este resgate e a remoção sejam feitos da forma mais segura possível,

evitando o agravamento da lesão do acidentado, devem-se prover estas equipes com

equipamentos apropriados e habilitá-las adequadamente a atender esta situação.

Assim, neste trabalho, apresentaremos a experiência da CEEE-D na implantação

do KED

– Kendrick Extrication Device, como o principal equipamento de resgate para

os eletricistas que atuam nestas instalações. Complementarmente demonstrando a

metodologia aplicada para capacitar e habilitar os empregados da empresa a utilizarem

corretamente este equipamento.

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DESENVOLVIMENTO

A CEEE-D detém a concessão da distribuição de energia elétrica de praticamente 1/3 do Rio Grande Sul, conforme ilustrado na figura 1, onde atuam diversas equipes de manutenção e operação que rotineiramente desempenham as suas atividades em locais remotos e de difícil acesso, onde em caso de acidente, devido às condições ambientais e as distâncias a serem percorridas, o resgate do acidentado terá que ser realizado pelos integrantes da própria equipe.

Fig. 1 – Imagem da área de concessão CEEE-D

Esta situação fez com que a empresa busca-se uma solução que atendesse de forma adequada e segura as contingências de acidentes envolvendo os seus empregados em locais que apresentam condições adversas ao resgate convencional.

Iniciaremos o desenvolvimento deste trabalho apresentando as dificuldades enfrentadas para prestar o resgate em caso de acidente. Posteriormente, apresentaremos a solução adotada, com a implementação de um dispositivo de resgate apropriado e os treinamentos realizados que capacitaram as equipes a realizar o resgate adequadamente.

Caracterização do Problema

Algumas subestações da CEEE-D estão instaladas em locais muito distantes dos centros urbanos, o que muitas vezes torna-se inviável o acionamento de equipes tradicionais de remoção e resgate, visto o longo tempo que será necessário para o deslocamento. Um exemplo e a Subestação Marmeleiro, localizada na área rural do município de Santa Vitória do Palmar, entre as lagoas Mirim e Mangueira no extremo sul do estado, onde o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU mais próximo esta localizada do município de Santa Vitória do Palmar, que fica distante 60 km desta subestação. Considerando que em caso de necessidade, fosse acionada a SAMU para atender um acidentado nesta instalação, esta deverá perfazer o

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percurso até a subestação, efetuar a remoção e finalmente retornar com o acidentado até o município de Santa Vitória do Palmar, onde também fica localizado o centro de atendimento médico mais próximo, onde o que representa em média 100 minutos para o atendimento médico.

Em contrapartida, caso o resgate seja efetuado pela própria equipe da CEEE-D, à distância e o tempo de deslocamento será reduzido pela metade. Salientamos que muitas vezes para o sucesso do salvamento, a rapidez na resposta é primordial e pode ser decisivo para preservar a vida do acidentado.

Outro problema identificado é que em diversas cidades do interior do estado, como a própria Santa Vitória do Palmar, normalmente existe apenas uma unidade móvel da SAMU, que pode não estar disponível no momento em que ela for acionada.

Fig. 2 – Localização da Subestação Marmeleiro

Tabela 1 – Comparação do tempo de resposta para o resgate na SE-Marmeleiro

Situação Forma de resgate

Distância até atendimento médico (km)

Tempo até atendimento médico (minutos)

Caso 1 SAMU 120 100

Caso 2 Equipe CEEE 60 50

Caso 1 - SAMU 120 km e 100 minutos

Caso 2 - CEEE 60 km e 50 minutos

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Outra adversidade existente para a realização do resgate é a dificuldade para o acesso em algumas instalações, exemplificamos esta situação com a Linha de Transmissão de 69kV Camaquã1xSão Lourenço, figura 3, observa-se que as estruturas metálicas desta Linha de Transmissão ficam as margens de um rio e cercadas por matas nativas. Esta condição impossibilita a chegada de veículos tradicionais de socorro terrestre até o local do acidente, como por exemplo, as ambulâncias da SAMU. Pois para acessar este local, é necessário utilizar veículos especiais, preparados para esta situação onde a tração 4x4 é fundamental, conforme apresentado na figura 4.

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Fig. 4 – Veiculo típico para as equipes de manutenção de Linhas de Transmissão

Nesta situação, o procedimento recomendado às equipes é de acionar a SAMU e em comum acordo indicar um ponto de encontro que permita a aproximação o máximo possível do local do acidente, para que desta forma, enquanto o serviço de atendimento móvel esta se deslocando, o resgate estará sendo efetuado pela equipe CEEE, que removerá o acidentado até o local previamente combinado. Após a chegada de ambos ao ponto de encontro, o serviço de resgate assumirá o caso e providenciará a remoção ao centro de atendimento médico mais próximo.

Consideramos que desta forma o tempo de resposta à emergência será otimizado e as chances de sucesso do salvamento serão maiores.

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Fig. 5 – Exemplos típicos de acessos enfrentados pelas equipes. Inserção do KED para o resgate de eletricistas

Para atender as condições adversas apresentadas anteriormente, necessitávamos de um equipamento de resgate portátil que além de ser apropriado para a remoção do acidentado com segurança, também atendesse a uma premissa básica, que é a de possuir dimensões pequenas, a fim de atender à necessidade de acomodar o dispositivo em veículos de pequeno porte, já que estes são o meio de transporte comumente utilizado pelas equipes.

Prospectamos no mercado e dentre os equipamentos de resgate existentes, o KED (Kendrick Extrication Device) se mostrou apropriado para atender todos os requisitos acima apontados. Este equipamento é composto por conjunto de talas rígidas com hastes de compensado marítimo articuladas, rádio transparente, em forma de colete, que deve ser aplicado ao dorso do acidentado e que possui duas abas laterais para a estabilização da cabeça e do tronco. O tronco do paciente é fixado ao dispositivo através de cintos, a cabeça e o pescoço são fixados através de uma tira mentoniana e uma tira frontal imobilizando e estabilizando a cabeça e o tronco.

O KED proporciona que o acidentado seja resgatado e removido adequadamente, evitando assim o agravamento da lesão e transportando o acidentado de forma segura até o hospital mais próximo.

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Fig. 6 – Imagem do KED (Kendrick Extrication Device).

Fig. 7 – Foto do KED no interior do veículo.

Após a definição pelo KED, foi realizado um levantamento quantitativo das equipes que desempenham rotineiramente as suas atividades em locais como os exemplificados anteriormente, propiciando que a empresa providenciasse a aquisição da quantidade necessária deste equipamento. Posteriormente, para cada uma destas equipes, foi disponibilizado um KED que conjuntamente com outros materiais, formaram o que

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denominamos na empresa de “Kit de Resgate Veicular”. Os Kit’s são compostos por equipamentos e materiais, conforme descrito na tabela 2.

Tabela 2 – Composição do Kit de Resgate Veicular

Item Descrição Unidade Quantidade

1 KED un 1

2 Colar Cervical Regulável un 1

3 Conjunto de tala moldáveis ( 6 tamanhos) un 1

4 Maleta de primeiro socorros cj 1

5 Tesoura inoxidável – tipo ponta romba un 1

6 Sabão neutro un 1

7 Curativo anti – séptico un 10

8 Micropore rolo 1 9 Atadura un 5 10 Compressa de Gase un 30 11 Esparadrapo un 1 12 Máscara RCP descartável un 1 13 Solução fisiológica un 3 14 Vaselina tubo 1 15 Algodão Hidrófilo 100% un 1

Fig. 8 – O Kit de Resgate Veicular, incluindo o KED.

Concomitantemente a entrega dos Kit’s, iniciou-se os treinamentos das equipes, disseminando a utilização correta do KED. Esta foi uma condição fundamental para a implantação deste equipamento na empresa, visto a sua especificidade, observamos que sem a

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capacitação adequada, o risco de se efetuar a imobilização incorreta é elevado, o que acarretará no agravamento das lesões, podendo inclusive causar novas ferimentos ao resgatado.

Desta forma, com o auxílio do Centro de Treinamentos e Aperfeiçoamento da CEEE – CETAF foi elaborado um programa de treinamentos teóricos e práticos, orientando os empregados a utilizar corretamente o KED, este curso foi denominado de “TALART”. Este treinamento é ministrado por empregados da própria CEEE-D, perfazendo um total de 16 horas-aula, incluindo também os procedimentos para atendimento de primeiros-socorros.

Fig. 9 – Fotos dos treinamentos realizados.

Tabela 2 – Quantidade de empregados formados no treinamento “TALART”

Ano Empregados formados Turmas

2007 15 1

2008 116 13

2009 23 2

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2011 15 1

TOTAL 229 21

CONCLUSÃO(ÕES)

Como preconiza a NR 10, as empresas devem planejar e disponibilizar meios de resgate (socorro, atendimento e locomoção) apropriados ás circunstâncias emergenciais características das suas atividades e instalações.

São condições muito especiais e diferenciadas as situações de trabalho em locais distantes e de difícil locomoção, muitas vezes sem possibilidade de deslocamento rápido até um centro de atendimento médico. Nessas situações fica evidente a necessidade de uma apropriação e padronização dos meios de resgate.

O tempo de resposta à emergência muitas vezes é um fator determinante para o sucesso de um resgate e o salvamento de uma vítima. E para que o tempo de resgate seja o mais rápido e eficiente possível, é necessário que o resgatista possa contar com ferramentas de trabalho confiáveis e adequadas.

Para isso o KED se mostrou um equipamento apropriado, que em conjunto com os treinamentos para capacitação, habilitaram as equipes da CEEE-D, a realizarem adequadamente o atendimento de emergência promovendo um resgate seguro aos seus colegas.

Atualmente 21 equipes da CEEE-D possuem o “Kit de Resgate Veicular” e desde a sua implantação foram capacitados 229 funcionários. Em 2009 iniciaram-se as reciclagens do “TALART” para estas equipes, e que desde então vem sendo realizadas anualmente, atendendo desta forma plenamente as exigências legais.

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REFERÊNCIAS

NR 10; Norma Regulamentadora número 10. Portaria 598 7 Dezembro 2004.

National Association of Emergency Medical Technicians Incooperation With the Committee on Trauma of the American College of Surgeons; Pre-Hospital Trauma Life Support. Estados Unidos da América do Norte; 2003.

Martinez-Almoyna, M., Nitschke, C. A. S., Regulação Médica dos Serviços de Atendimento Médico de Urgência; SAMU; Brasil, 1999.

Moraes, M. V. G. de; Atendimento Pré-Hospitalar - Treinamento da Brigada de Emergência do Suporte Básico ao Avançado. Brasil; 2010.

Porcides; A. J., Silva, V. L. O. e; Manual de Atendimento Pré-Hospitalar do Corpo de Bombeiros do Paraná. Brasil; 2006.

Karbi, O. A., Caspari, D. A; Tator, C. H., Extrication, Immobilization and Radiologic Investigation of Patients with Cervical Spine Injuries; . Canadá, 1988

Referências

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