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Sacramento do Matrimónio (tema dois)

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Academic year: 2021

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Texto

(1)

Sacramento

do

Matrimónio

(2)

a) Influência cultural - instabilidade, culto do provisório, do

prazer, do consumo e bem estar, da facilidade, do individualismo, irresponsabilidade (sem valores), cultura de morte, mediatizada (Meios de C. social, 4º poder).

b) Influência sócio-económica – urbanismo, desemprego, injustiça fiscal, pouco apoio à maternidade, sida, droga, delinquência

c) Fragilidades internas – independência dos cônjuges, as traições ao amor e à vida, pobreza da dimensão espiritual (indiferença perante Deus, sem oração e vida eclesial), divórcios (50% ; USA 75%).

(3)

Antes sabíamos de que família estávamos a falar. Hoje

há uma multiplicidade de tipos de família: nuclear (sem

filhos),

à

experiência,

monoparental,

reconstruída,

pluralidade

cultural

(mundo

de

leste)

e

religiosa

(muçulmanos, judeus), com pluralidade de critérios. Uma

nova modalidade (G8), M. homossexual.

(4)

1.1. O Matrimónio como realidade natural – dois namorados sentados juntos à praia declaram: “ quero ser teu, quero ser tua, para sempre. Nada nos vai separar”.

O Amor é uma realidade humana, natural e não imposta por qualquer estado ou religião. Estamos pois, perante:

 virilidade e feminilidade (um homem e uma mulher)  livres e apaixonados (liberdade e amor)

 numa relação estável (“nada nos vai separar”)  num amor fecundo (paternidade e maternidade).

(5)

1.2. Matrimónio como realidade humana

– Do Eros -> ágape -> filia (ver: “ Deus caritas est”)

Assistimos à cultura do corpo e do prazer. O “eros” é reduzido a puro sexo e torna-se mercadoria, uma coisa que se pode comprar e vender. O corpo e a

sexualidade são vistos como parte meramente material de si mesmo a usar e explorar com proveito, relegado a algo puramente biológico. Mas o “eros” quer

elevar-se em “êxtase” para o Divino. Mas isso requer um caminho de ascese, renúncias, purificações. É o amor dado e oferecido ao outro, que não procura

apenas a imersão no inebriamento da felicidade; procura o bem do amado (Cântico dos Cânticos).

(6)

Em todo o processo amoroso há uma atracão física, paixão (eros), que deve levar a pessoa a descobrir o outro não como coisa mas como pessoa. Passar do físico, do irracional., da paixão à comunhão a dois (ágape). Esta conduz ao verdadeiro amor, à amizade profunda.

O Processo amoroso vai: da atracção física -> ao namoro -> noivado -> ao casamento.

(7)

2.1. O Matrimónio como realidade espiritual

(Sacramento-Aliança)

Visão Bíblica – Comentário ao livro do Génesis (ver Gén. 2

-Mat.19,3-8)

Estes dois textos dão-nos a visão do matrimónio na sua essência: do sonho de Deus -> à miséria humana -> reabilitação

(8)

Do sonho de Deus:

– O homem criado à imagem de Deus (Gén.1 e 2)

“Deus disse: “façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Domine sobre os peixes do mar e sobre as aves do céu…”

“Então Javé fez cair sobre o homem um sono profundo, e este adormeceu. Tirou-lhe uma costela… da costela que tirou do homem e edificou uma mulher e apresentou-a ao homem. O

homem exclamou: “desta vez, sim! É osso de meus ossos e carne da minha carne! Esta chamar-se-á mulher, isto é, humana, porque foi tirada do homem.

É por isso que o homem deixará pai e mãe, e unir-se-á à sua mulher e serão uma só carne.

(9)

Gén. 1 – Sublinha a dignidade do homem e da mulher criados à imagem de Deus. A família é a imagem mais perfeita da

Trindade Santíssima: o pai e a mãe unidos geram o filho num vínculo de amor.

Gén. 2. – Sublinha: igualdade do homem e da mulher, faz-lhe um ser igual a ele: “osso dos meus ossos, carne da minha

carne”.

- Diversificação sexual – “criou-os homem e mulher” para serem comunhão, complementaridade.

(10)

- comunhão espiritual e corporal: crescei e multiplicai-vos… deixará o pai e a mãe para se unir à sua mulher e os dois serão um, só”… “viu Deus que era bom”

- Intimidade com Deus – Deus vinha passear com eles todas as tardes

(11)

O Homem Histórico – (Gén.3) Pecado original (que se esconde de Deus e destrói o seu projecto):

“ Chamou então Deus pelo homem: “onde está?” Ao que ele respondeu: “ouvi o rumor de teus passos no Jardim e tive medo, porque estava nu, e escondi-me: de novo perguntou-lhe: “Quem te deu a conhecer que estavas nu? Comeste acaso

da árvore da qual te proibi de comer? Respondeu o homem: “A mulher que puseste na minha companhia foi quem me deu

da árvore e eu comi”. Disse Deus `a mulher: “Que fizeste?” E a mulher respondeu: “ A serpente enganou-me e eu

(12)

•O homem passa a estar vestido – nasce a concupiscência do olhar, de querer dominar o outro a nudez original muda-se em vergonha;

•a relação entre o homem e a mulher altera-se “dominada pelo marido”;

(13)

•Redenção de Cristo – Perguntaram a Jesus: “é licito ao homem repudiar a sua esposa por qualquer motivo? Ele

respondeu: “não lestes que o Criador os fez homem e mulher e disse: por isso o homem deixará pai e mãe e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne?...

(14)

- Cristo, perante a banalidade do divórcio do seu tempo,

remete ao homem original, ao projecto original. Para isso, é necessária a graça de Deus, o coração novo redimido por Ele, que gera corações Bem-Aventurados.

- A relação do homem com a mulher é vista no amor de Cristo com a Igreja, que se dá a ponto de dar a vida por ela.

(15)

* Matrimónio Sacramento – “ O Salvador vem ao encontro dos esposos cristãos com o sacramento do matrimónio

e permanece com eles, para que, assim como Ele amou a Igreja e se entregou por ela, de igual modo os cônjuges, dando-se um

ao outro, se amem em perpétua fidelidade. O autêntico amor é assumido no divino… os esposos são fortalecidos e como que consagrados em ordem aos deveres do seu estado por meio de

(16)

- O matrimónio é sinal do amor de Deus e eficaz, mas pode não o ser por dois motivos: pela falta de fé (não entrar no projecto de Deus), ou pela falta de verdadeiro amor (base do matrimónio). - Sois ministros de um sacramento que perdura. O padre é

testemunha qualificada, não vos casa, casais-vos ao prestar o vosso mútuo consentimento na presença da Igreja.

-O sacramento supõe: um chamamento (vocação) -um dom a receber (graça)

(17)

O Matrimónio na visão Eclesial

(Direito Canónico)

Definição: “O matrimónio é a aliança pela qual o homem e

a mulher constituem entre si a comunhão de toda a vida,

ordenada pela sua índole natural ao bem dos cônjuges e à

geração e educação dos filhos, foi elevada por Cristo à

(18)

Para casar a Igreja exige:

- pessoas hábeis (livres de impedimentos: (12) idade, não casado, não familiar (tio-sobrinha, primos direitos), baptizados …

- capacidade suficiente : maturidade c. 1095- (casos de droga, álcool), liberdade (coação interna ou externa), verdade (erro

doloso-engano do outro deliberadamente), ou seja, livres de vícios da Inteligência (ver) e da vontade (querer).

(19)

- assumir as propriedades do Matrimónio: unidade (contra a

infidelidade), indissolubilidade (para sempre), abertura aos

filhos (fecundidade) – 3 bens do matrimónio.

- Consentimento: “acto da vontade pelo qual o homem e a

mulher, por acto irrevogável, se entregam e aceitam

mutuamente a fim de constituírem o matrimónio (c. 1057

&2).

-. Legitimamente manifestado – Forma canónica: um homem,

uma mulher, duas testemunhas e o padre ou diácono.

(20)

Devo dirigir-me à Conservatória do Registo Civil e tratar do processo civil cerca de 6 meses antes do casamento (180 dias de licença).

– Certificado da Conservatória ou casamento civil.

- Licença do Bispo que supõe: ter a Certidões de Baptismo, e de estado livre, inquérito e a respectiva preparação.

(21)

IV. Os dez Mandamentos do Casal

Cristão :

V. Alertas a ter em conta (ver anexo)

(22)

Espiritualidade, significa aquilo que orienta as nossas vidas, a redescoberta de Deus nas nossas vidas, a que a Igreja chama:

“espiritualidade conjugal”. Os principais pilares desta espiritualidade são:

• viver em comunhão

• oração pessoal, conjugal, familiar • espírito de sacrifício

• diálogo • perdão

• vida eclesial.

(23)

IV. Os dez Mandamentos do Casal

Cristão :

1.- Direito / Dever aos actos íntimos, de modo humano,

como relação amorosa

O Matrimónio constitui-se como comunidade inter-sexual.

A relação sexual deve ser a expressão do amor conjugal

que deve ser: livre, total, fecundo, fundado numa

promessa e decisão.

(24)

IV. Os dez Mandamentos do Casal

Cristão :

2.- Direito / Dever à comunidade de vida e amor

Ao casar, os esposos constituem uma comunidade, isto

significa da parte de cada um: maturidade humana,

equilíbrio suficiente, relação de amizade inter-pessoal

e inter-sexual, capacidade de participação, igualdade

fundamental, respeito mútuo, fidelidade, coabitação,

assistência mútua … supõe ter em conjunto: amor,

projectos, fins, regras e etapas a cumprir.

(25)

IV. Os dez Mandamentos do Casal

Cristão :

3.- Direito / Dever ao desenvolvimento consensuado dos

fins do matrimónio

Tudo na família deve ser decidido em conjunto. Evitar

dois extremos: o reducionismo, só um decide; ou viver

(26)

IV. Os dez Mandamentos do Casal

Cristão :

4.- Direito / Dever à abertura aos filhos

“Estais dispostos a receber os filhos como dom de

Deus ? Estou sim.”

Numa sociedade anti-vida importa sublinhar a

generosidade:

-os filhos como dom de Deus ( bênção), cooperadores

na obra criadora de Deus

- a família como santuário da vida

- sinal pascal

- fruto de um amor transbordante, na própria

(27)

IV. Os dez Mandamentos do Casal

Cristão :

5.- Direito / Dever a educar os filhos

“Os pais têm a obrigação gravíssima e o direito

primário de cuidar, na medida das suas forças, da

educação dos filhos, tanto física, social e cultural,

como moral e religiosa (c.1136).

A FC. sublinha que esta educação é um ministério,

um autêntico sacerdócio (nº 39).

(28)

IV. Os dez Mandamentos do Casal

Cristão :

6.- Direito / Dever a guardar fidelidade

“Prometo ser-te fiel…”

Fidelidade não é apenas não ter outra pessoa, não

adulterar, mas uma fidelidade positiva, criadora, que

leve a ser uma só carne … a casarem cada dia os

temperamentos, as opções, as maneiras de ser.

Razões:

Antropológica – o amor exige fidelidade.

(29)

IV. Os dez Mandamentos do Casal

Cristão :

7.- Direito / Dever à mútua perfeição material

O sonho de o amor e uma cabana, ao fim de poucos

dias está falido …

Diz o ditado: “Casa onde não há pão, todos ralham e

ninguém tem razão”.

O casal deve esforçar-se por alcançar um pecúlio que

lhe possibilite enfrentar a vida com serenidade (evitar

(30)

IV. Os dez Mandamentos do Casal

Cristão :

8.- Direito / Dever à mútua perfeição espiritual

Ao casar recebemos um sacramento que perdura na

vida de ambos. Temos de ser um para o outro

presença de Cristo, sinal do amor de Deus.

Esta graça dever ser alimentada: pela Palavra de

Deus, sacramentos, formação cristã, viver em Igreja,

(31)

IV. Os dez Mandamentos do Casal

Cristão :

9.- Direito / Dever ao bem material e espiritual doa filhos

O cuidado dos filhos não acaba aos 18 ou aos 21 anos

mas prolonga-se pela vida fora.

Quanto ao material, não basta dar o pão, mas

prepará-los para a vida. Como diz o ditado chinês:

“não lhe dês o peixe, ensina-o a pescar.”

Quanto ao espiritual, os pais devem cuidar que os

seus filhos vivam como filhos de Deus e da Igreja.

(32)

IV. Os dez Mandamentos do Casal

Cristão :

10.- Direito / Dever ao trato pessoal e familiar

O matrimónio é a união de duas pessoas o que supõe a

igualdade e o respeito mútuos.

É preciso ser co-responsáveis em toda a vida da

comunidade.

(33)
(34)

A Família é (1)

1º - Santuário da vida - Cooperadores de Deus na obra da criação

2º - Escola de Comunhão e de Amor - Fomos criados para amar e ser amados

3º - Escola de Solidariedade - A família é o espaço aberto a todos, ao pobre, ao indigente, ao deficiente, ao

velhinho…

4º - Escola de Humanismo (Personalismo) - É na família que tomamos a consciência de pessoas.

5º- Escola de Valores perenes:

(Virtudes) - Justiça, verdade, paz, compreensão, pobreza, austeridade, diálogo, respeito…

(35)

6º - Escola e base do trabalho - O trabalho é a base da família e nela se aprende a trabalhar…

7º- Escola dos direitos da Criança

8º- Igreja Doméstica (S. João Crisóstomo – “eclesiola” a “pequena igreja”) - Escuta a palavra, celebra a fé e vive a caridade.

9º - Protagonistas da Política - Lutar, associados, pelo direitos da Família

10º - Base da sociedade, anterior ao Estado.

(36)

Propostas

:

Criar equipas da PF

Casais de acolhimento e CAF

Maior colaboração com o CPM

Aposta nos movimentos familiares: ENS,

MFC, MEV, MPLC, Famílias numerosas

Envolvimento dos pais na catequese

(37)

Direitos da família

Constituir família e sustentá-la

Paternidade responsável e educação

Intimidade conjugal e familiar

Estabilidade do vínculo conjugal

Liberdade religiosa

Educar os filhos

(38)

Direitos da Família (2)

Habitação digna

De expressão e representação diante das

autoridades

Associação

Protecção dos menores

Ao lazer

Idosos – a viver e morrer dignamente

Referências

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