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Panorama Econômico - Março/2008

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Panorama Econômico - Março/2008

COMÉRCIO INTERNACIONAL

BALANÇA COMERCIAL MENSAL (MARÇO/2008) - MDIC

ƒ Fato

Em março, a Balança Comercial fechou com superávit de US$ 1,01 bilhão, resultado de exportações de US$ 12,61 bilhões e importações de US$ 11,60 bilhões. Os resultados das exportações e das importações, pelo critério da média diária, foram recordes para o mês de março. A corrente do comércio atingiu US$ 24,21 bilhões, no mês, US$ 74,54 bilhões, no ano, e US$ 296,53 bilhões em doze meses. O superávit comercial acumulado no ano, é de US$ 2,84 bilhões, 66,9% inferior ao do mesmo período no ano anterior.

13.647 13.118 14.120 15.101 14.166 15.769 14.052 14.231 13.277 12.800 12.889 12.446 12.613 9.781 9.545 8.255 9.303 10.773 11.566 10.695 12.330 12.025 10.595 12.333 11.918 11.601 0 2.000 4.000 6.000 8.000 10.000 12.000 14.000 16.000 18.000

mar./07 abr./07 maio/07 jun./07 jul./07 ago./07 set./07 out./07 nov./07 dez./07 jan./08 fev./08 mar./08

Exportações Importações Saldo da BC em US$ milhões

FONTE: MDIC

PRODUÇÃO INDUSTRIAL BRASIL

90 100 110 120 130 140

(2)

ƒ Causa

Utilizando o critério da média diária, com relação ao mesmo mês do ano anterior, as exportações apresentaram crescimento de 7,6%, e as importações cresceram 33,2%. Pelo mesmo critério, na comparação com fevereiro de 2008, houve queda de 6,4% nas exportações e de 7,5% nas importações.

O saldo comercial em valores absolutos aumentou 9% com relação a fevereiro de 2008, e retraiu-se 66,3% sobre março de 2007. A corrente do comércio, pela média diária, registrou crescimento de 18,5% com relação ao mesmo mês do ano anterior, e queda de 6,9% na comparação com fevereiro de 2008.

No acumulado do ano, as exportações cresceram 15,6% sobre igual período de 2007, e as importações, na mesma comparação, aumentaram 44,1%.O saldo comercial diminuiu 66,9%, chegando a 34,14 bilhões, e a corrente do comércio cresceu 27,8%.

Em março de 2008, na comparação com igual mês do ano anterior, as exportações de produtos manufaturados, cresceram 5,4%, básicos 8,0%, e a de semimanufaturados, 10,8%. Em termos de países, os cinco principais compradores foram: Estados Unidos, Argentina, China, Países Baixos e Alemanha. Pelo mesmo critério de comparação, houve crescimento de 70,2% nas importações de combustíveis e lubrificantes, 69,7% nas importações de bens de capital, 32,4% nos bens de consumo, e 6,5% nas matérias-primas e intermediários. Os cinco principais fornecedores para o Brasil foram: Estados Unidos, China, Argentina, Alemanha e Japão.

ƒ Conseqüências

O crescimento, tanto das exportações como das importações, apontam que o grau de abertura da economia brasileira tem aumentado, resultando na elevada taxa de variação da corrente do comércio. Porém, considerando que as taxas de crescimento das importações têm sido maiores do que as das exportações em 2008, o saldo comercial será sensivelmente menor do que em 2007.

ATIVIDADE

PESQUISA INDUSTRIAL MENSAL PRODUÇÃO FÍSICA -BRASIL (JANEIRO/2008)

ƒ Fato

A Produção Industrial cresceu 1,8% em janeiro comparativamente a dezembro. Na comparação com janeiro de 2007, houve aumento de 8,5%. Considerando o acumulado em doze meses, a variação foi de 6,3%, mostrando aceleração de 0,3 p.p., com relação aos doze meses acumulados até dezembro de 2007.

(3)

PRODUÇÃO INDUSTRIAL BRASIL 80 90 100 110 120 130 140

jan. fev. mar. abr. maio jun. jul. ago. set. out. nov. dez.

2003 2004 2005 2006 2007 2008

FONTE: IBGE

ƒ Causa

Considerando a classificação por categorias de uso, a produção de bens de consumo duráveis cresceu 5,4%, os bens intermediários aumentaram 1,3%, e os bens de consumo semi e não duráveis, 1,2%, enquanto que a produção dos bens de capital permaneceu estável pelo segundo mês consecutivo, após acumular alta de 8,3%, em quatro meses de crescimento.

Na comparação com janeiro de 2007, todas as categorias de uso tiveram taxas positivas, fazendo com que a indústria registrasse o décimo nono resultado positivo consecutivo, evidenciando o forte crescimento dos bens de consumo duráveis, 15,7%, e de bens de capital, 14,7%. Os bens intermediários cresceram 8,0%, e o segmento de bens de consumo semi e não duráveis, aumentou 5,5%.

ƒ Conseqüência

Para o próximo mês, a produção industrial deve apresentar queda devido a fatores sazonais, devendo retomar o crescimento a partir de março. Para 2008, a indústria promete manter taxas de crescimento positivas, porém com menor ímpeto do que as apresentadas em 2007.

ATIVIDADE

PESQUISA INDUSTRIAL - REGIONAL - BRASIL (JANEIRO/2008)- IBGE

Em janeiro, com relação ao mês anterior, a produção industrial cresceu em onze dos quatorze locais pesquisados. Na comparação de janeiro de 2008 com janeiro de 2007, a indústria cresceu em treze locais pesquisados. No Paraná, com relação ao mês anterior, a indústria cresceu 6,5%, segunda taxa positiva consecutiva, acumulando 10,1% de crescimento. O indicador acumulado em doze meses avançou 7,9%,e comparativamente ao mesmo mês no ano anterior, a produção do Estado cresceu 19,7%.

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PRODUÇÃO INDUSTRIAL BRASIL 80 90 100 110 120 130 140

jan. fev. mar. abr. maio jun. jul. ago. set. out. nov. dez.

2003 2004 2005 2006 2007 2008

PRODUÇÃO INDUSTRIAL PARANÁ

80 90 100 110 120 130 140 150

jan. fev. mar. abr. maio jun. jul. ago. set. out. nov. dez.

2003 2004 2005 2006 2007 2008

FONTE: IBGE - Índice de base fixa mensal sem ajuste sazonal (Base: média de 2002 = 100)

ƒ Causa

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, apenas o Estado do Ceará apresentou queda na produção industrial. Os destaques positivos foram, Paraná, 19,7%, Amazonas, 17,9, Pernambuco, 12,6%, São Paulo, 12,5%, Espírito Santo, 12,1%, e Minas Gerais, 10,2%. No Estado do Paraná, também na comparação com igual mês do ano anterior, das quatorze atividades pesquisadas, apenas o setor de bebidas apontou queda. Por outro lado se destacaram positivamente, veículos automotores, máquinas e equipamentos, alimentos, edição e impressão, outros produtos químicos, e celulose e papel.

ƒ Conseqüência

Para os próximos meses, em decorrência de fatores sazonais, é esperada queda no crescimento tanto em nível nacional como regional, devendo ocorrer uma retomada do crescimento a partir do mês de março.

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ATIVIDADE

LEVANTAMENTO SISTEMÁTICO DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA (FEVEREIRO/2008)-IBGE

ƒ Fato

Em fevereiro, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), a safra de 2008 foi estimada em 139,6 milhões de toneladas, 2,3% maior do que a estimada em janeiro, e 5,1% acima da realizada no ano passado.

ƒ Causa

Na comparação com a estimativa de janeiro para 2008, em relação à safra do ano anterior, destacam-se positivamente as culturas do amendoim em casca 1ª safra, arroz em casca, aveia em grão, batata-inglesa 2ª safra, batata-inglesa 3ª safra, café em grão, cana-de-açúcar, cevada em grão, feijão em grão 2a safra, mamona em baga, mandioca, milho em grão 1ª safra, milho em grão 2a safra, e soja em grão, sorgo em grão, e triticale em grão. Por outro lado, algodão herbáceo em caroço, amendoim em casca 2ª safra, batata-inglesa 1ª safra, cacau em amêndoa, cebola, feijão em grão 1ª safra, feijão em grão 3ª safra, laranja, e trigo em grão, deverão apresentar recuo.

Regionalmente, a expectativa de crescimento em relação ao ano anterior ficou distribuída da seguinte forma: Norte, 3,5 milhões de toneladas, Nordeste, 11,9 milhões, Sudeste 16,4 milhões, Sul, 60,1 milhões, e Centro-Oeste, 47,7 milhões. Em termos percentuais, a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas, deverá ficar distribuída da seguinte forma: Centro-Oeste, 34,2%, Sudeste, 11,8%, Nordeste, 8,5%, Norte, 2,5% e Sul, 43,0%.

ƒ Conseqüência

A safra de 2008 deverá surpreender positivamente, a exemplo do ocorrido em 2007, quando todas as revisões das expectativas apontaram para o crescimento da produção.

ATIVIDADE

PESQUISA MENSAL DO COMÉRCIO (JANEIRO/2008)-IBGE

ƒ Fato

Em janeiro, as vendas do varejo cresceram 1,8%, e a receita nominal, 2,3%. Na comparação com janeiro de 2007, as vendas do varejo cresceram 11,8%, e a receita nominal, 16,5%. Para o acumulado em doze meses, o crescimento do volume de vendas foi de 10% e a receita nominal, 12,6%.

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farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, 16,2%; combustíveis e lubrificantes, 3,1%, equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, 24,7%, e livros, jornais, revistas e papelaria, 8,1%.

No confronto com o mês anterior, nove das dez atividades pesquisadas obtiveram resultados positivos: móveis e eletrodomésticos, 9,8%; outros artigos de uso pessoal e doméstico, 7,7%; tecidos, vestuário e calçados, 3,7%; veículos e motos, partes e peças, 2,6%; artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, 2,4%; livros, jornais, revistas e papelaria, 1,8%; hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, 1,1%; combustíveis e lubrificantes, 0,9%, e material de construção, 0,2%. A única queda ocorreu em material para escritório, informática e comunicação, 4,1%.

ƒ Conseqüência

A manutenção do desempenho favorável do Comércio Varejista é condicionada pelos fatores que alavancaram os resultados em 2007, principalmente, o crescimento do emprego e da renda e as boas condições de crédito para o consumo. Todavia, esses fatores não devem manter a mesma intensidade do ano anterior.

ATIVIDADE

PIB-INDICADORES DE VOLUME E VALORES CORRENTES (4O

TRIMESTRE 2007)-IBGE

ƒ Fato

O Produto Interno Bruto (PIB), a preço de mercado, cresceu 5,4% em 2007, chegando a R$ 2,6 trilhões. O crescimento, com relação ao trimestre anterior e ao 4o trimestre de 2006, foi de 1,6% e 6,2%, respec-tivamente. O PIB per capita cresceu 4,0% em termos reais, em relação a 2006, chegando a R$ 13.515,00.

ƒ Causa

Dentre os componentes da oferta, no ano de 2007, a agropecuária cresceu 5,3%, a indústria, 4,9%, e o setor de serviços 4,7%. Na agropecuária, os destaques positivos foram as culturas de trigo, algodão herbáceo, milho em grão, cana e soja. Na Indústria, as maiores altas ocorreram na indústria de transformação, e na construção civil. A intermediação financeira e seguros, serviços de informação e comércio, foram os destaques no segmento de serviços.

Pelo lado da demanda, a Formação Bruta de Capital Fixo apresentou a maior variação desde o início da série em 1996, 13,4%; o consumo das famílias apresentou alta pelo quarto ano consecutivo, 6,5%, decorrente do crescimento da massa salarial e da expansão do crédito. O consumo da

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ƒ Conseqüências

Os resultados do crescimento do PIB foram positivos e estão dentro do esperado. Merece destaque a forte taxa de crescimento da Agricultura e dos gastos com Formação Bruta de Capital Fixo, que devem contribuir para o desempenho futuro da produção nacional. A manutenção das taxas de crescimento do consumo das famílias, que contribuíram para dar sustentação à taxa de crescimento, ficam à mercê dos fatores que a alimentaram em 2007, como a massa salarial e o crédito.

ATIVIDADE

PESQUISA INDUSTRIAL MENSAL DE EMPREGO E SALÁRIO -PIMES(JANEIRO/2008)-IBGE

ƒ Fato

A Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário do mês de janeiro apresentou as seguintes informações: (Em %) BRASIL JAN-2008 DEZ-2007 JAN-2008 JAN-2007 ACUMULADO NO ANO ACUMULADO EM 12 MESES

Pessoal Ocupado Assalariado -0,4 2,8 2,8 2,3

Nº. de Horas Pagas -0,3 2,1 2,1 1,9

Folha de Pagamento Real 2,9 7,2 7,2 5,6

ƒ Causa

Entre dezembro de 2007 e janeiro de 2008, o emprego na indústria caiu 0,4%, sendo o segundo resultado negativo consecutivo, após treze meses de crescimento, quando acumulou 3,8% de aumento.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o crescimento de 2,8% confirma dezenove taxas positivas, com crescimento em onze dos dezoito segmentos pesquisados, com os maiores crescimentos em máquinas e equipamentos, meios de transporte, produtos de metal, máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações. Regionalmente, o crescimento foi verificado em doze dos quatorze locais, com destaques para São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Quanto ao Número de Horas Pagas, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, foi mantida a seqüência de vinte taxas positivas, doze dos quatorze locais apresentaram crescimento. Os locais que assinalaram os maiores impactos positivos no resultado nacional foram São Paulo, Paraná, e Minas Gerais. As quedas ocorreram no Espírito Santo e Pernambuco.

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Comparativamente a janeiro de 2007, a Folha de Pagamento Real apresentou a vigésima segunda taxa positiva, registrando crescimento em treze dos quatorze locais pesquisados, com destaque para São Paulo, Minas Gerais, Região Nordeste e Rio Grande do Sul. Os setores que apresentaram maior crescimento foram meios de transporte, produtos químicos, produtos de metal, máquinas e aparelhos eletroeletrônicos de comunicações. As maiores quedas ocorreram em papel e gráfica, calçados, artigos de couro e vestuário.

ƒ Conseqüência

O emprego industrial apresentou queda na comparação com o mês anterior, tendo em vista o alto patamar em que se encontrava a atividade industrial. Para o próximo mês (fevereiro/2008), nesse tipo de comparação, a expectativa ainda é de acomodação.

ATIVIDADE

PESQUISA MENSAL DE EMPREGO (FEVEREIRO/2008)-IBGE

ƒ Fato

Em fevereiro, a taxa de desocupação foi de 8,7%, aumentando 0,7 p.p. em relação ao mês anterior e caindo 1,2 p.p. com relação a fevereiro de 2007. O rendimento médio real habitual da população ocupada foi calculado em R$ 1.189,9, aumentando 2,5% em comparação a fevereiro de 2007, e 1,1% frente ao mês anterior. O rendimento médio real domiciliar per capita foi calculado em R$ 760,08, 0,9% maior do que janeiro e 3,0% acima de fevereiro de 2007. A massa de rendimentos recebida pela população ocupada, em janeiro, foi estimada em R$ 25,2 bilhões, reduzindo-se em 21% no mês e com alta de 4,7% no ano. A taxa de desocupação foi estimada em 8,7%.

7 8 9 10 11 12 13 14

Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro

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ƒ Causa

Na análise mensal dos resultados, com relação aos principais grupamentos de atividade, apenas o grupamento Outros Serviços (alojamento, transporte, limpeza urbana e serviços pessoais) apresentou variação, com queda de 3,7%. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, quatro grupamentos apresentaram aumento, com destaque para: Outros Serviços, 6,1%; comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveis, 5,1%; serviços prestados a empresas, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira, 5,0%; educação, saúde, serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social, 5,0%.

Quanto à forma de inserção no mercado de trabalho, em confronto com o mês anterior, os empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado apresentaram estabilidade no mês anterior e crescimento de 8,4% na comparação com fevereiro de 2008. Os empregados sem carteira de trabalho assinada no setor privado registraram estabilidade no mesmo mês do ano anterior e queda de 3,5% em relação a fevereiro de 2007.

ƒ Conseqüência

O aumento na taxa de desocupação, em comparação com o mês anterior, é justificado pela sazonalidade do início do ano, após o fim dos empregos temporários criados em decorrência do final de ano e do período de férias. Para os próximos meses, também por motivos sazonais, ainda não deve ocorrer significativa recuperação no nível de emprego, devendo ficar aquecido o mercado só após o mês de maio.

ATIVIDADE

ICC- ÍNDICE DE CONFIANÇA DO CONSUMIDOR (MARÇO/2008)- FGV

ƒ Fato

Entre os meses de fevereiro e março, o ICC aumentou 3,5%, passando de 116,7 para 120,8 pontos. O índice da Situação Atual cresceu 5,2%, variando de 118,6 para 124,8, e o índice das Expectativas, 2,6%, de 115,7 para 118,7. 100 105 110 115 120 125 130

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ƒ Causa

Com referência à situação presente, a proporção de consumidores que avaliam a situação econômica como boa aumentou 2,1 p.p., e a dos que a consideram ruim diminuiu 3,7 p.p. No que tange ao futuro, houve aumento de 3,0 p.p. na proporção de informantes que prevêem maiores gastos nos próximos meses, e redução de 2,3 p.p. na parcela dos que esperam menores gastos. .

ƒ Conseqüência

Após dois meses de queda, o índice voltou a crescer, provavelmente motivado pelo encerramento dos gastos típicos de início de ano, como IPTU, IPVA e material escolar. Para os próximos meses, é esperada a continuidade no crescimento, principalmente a partir de maio, quando o nível de emprego aumenta.

ATIVIDADE

ICI-ÍNDICE DE CONFIANÇA DA INDÚSTRIA (MARÇO/2008)-FGV

ƒ Fato

Na passagem de fevereiro para março, o Índice de Confiança da Indústria de Transformação registrou aumento de 5,8%, passando de 114,7 para 121,4. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o ICI avançou 4,5%. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada cresceu 0,5 p.p., e chegou a 85,2%. 80 90 100 110 120 130 140

Índice de Confiança Índice da Situação Atual Índice de Expectativas

jan. 06 mar. 06 maio 06 jul. 06 set. 06 nov. 06 jan. 07 mar. 07 maio 07 jul. 07 set. 07 nov. 07 jan. 08 mar. 08

FONTE: FGV 81,9 82,7 82,3 83,8 83,6 84,6 84,2 84,7 84,4 82,4 83,9 83,1 84,5 84,4 84,7 85,2 85,7 86,1 87,0 87,2 86,7 84,3 84,7 85,2 80,0 82,0 84,0 86,0 88,0 90,0

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ƒ Causa

No mês, a avaliação da Situação Atual cresceu de 122,6 para 127,2 pontos, e o Índice de Expectativas de 106,8 para 115,7 pontos. No período de doze meses, o crescimento foi de 15,7% para a Situação Atual, e 12,8%, para o Índice de Expectativas.

No índice da Situação Atual, entre março de 2007 e março de 2008, houve crescimento de 4,0 p.p. na proporção das empresas que avaliam o nível de demanda como forte, atingindo 31%. Na parcela das empresas que julgam o nível de demanda como fraco, houve recuo de 3,0 p.p., chegando a 7%.

No que tange ao Índice das Expectativas, houve evolução na proporção das empresas que esperam contratar mais nos próximos três meses, sendo que 37% prevêem contratar mais e 16% contratar menos. Em março de 2007, estes percentuais eram de 25% e 14%, respectivamente.

ƒ Conseqüências

Após o período de acomodação do início do ano, o mês de março foi marcado pela recuperação do índice e expectativa de retomada de forte ritmo de crescimento. Para 2008, as taxas de crescimento da indústria deverão ficar próximas às de 2007.

INFLAÇÃO

IPCA(FEVEREIRO/2008)-IBGE

ƒ Fato

O IPCA variou 0,49% em fevereiro, 0,05 p.p. abaixo da variação de janeiro. O índice acumulado em doze meses é 4,61%, acima do registrado nos doze meses imediatamente anteriores, 4,56%, e acima da meta inflacionária estipulada para 2008, 4,5%. Em Curitiba, apesar do aumento de 0,13 p.p. com relação ao mês anterior, verificou-se a menor variação regional.

ƒ Causa

A inflação registrada no mês se deve principalmente ao grupo educação, com alta de 3,47% e contribuição de 0,24 p.p. no índice. Nesse grupo, o principal item responsável pela aceleração foi em cursos de ensino formal, que sazonalmente apresenta aceleração neste período.

Os alimentos e bebidas registraram variação 0,92 p.p. abaixo da do mês anterior, mas mesmo assim, responsáveis pela segunda maior contribuição para os resultados do mês, 0,13 p.p. Em sentido descendente, as participações mais significativas foram ônibus urbanos e combustíveis.

(12)

0 1 2 3 4 5 6 -0,4 -0,2 0 0,2 0,4 0,6 0,8

IPCA acumulado em 12 meses IPCA variação mensal

fe v. /0 6 m a r. /0 6 a b r. /06 m a io /0 6 jun ./ 0 6 ju l./0 6 a g o ./ 0 6 se t. /0 6 o u t. /0 6 n o v./0 6 d e z ./0 6 ja n./ 0 7 fe v. /0 7 m a r. /0 7 a b r. /07 m a io /07 ju n./ 0 7 ju l. /07 a g o ./ 0 7 s e t. /07 o u t. /07 n ov. /0 7 d e z ./0 7 ja n ./ 0 8 fe v./0 8 FONTE: IBGE ƒ Conseqüência

Após a aceleração iniciada em agosto de 2007, o IPCA volta a cair, porém as variações mensais ainda se encontram bastante altas, comprometendo a trajetória de queda da taxa de juros, que não deve ter continuidade neste início de ano.

INFLAÇÃO

IPCA-15(MARÇO/2008)-IBGE

ƒ Fato

O IPCA – 15 registrou variação de 0,23% em março, caindo 0,41 p.p. com relação a fevereiro. O

IPCA–E, que registra o IPCA – 15, acumulado trimestralmente, variou 1,58%. Em Curitiba, a variação foi

de 0,34%, reduzindo a taxa de variação em 0,13 p.p. com relação ao mês anterior. No acumulado do primeiro trimestre, a variação foi inferior ao resultado nacional, 1,19%.

ƒ Causa

As maiores influências para o arrefecimento do índice vieram dos grupos educação, que apresentou variação 3,45 p.p. abaixo da do mês anterior, alimentação e bebidas, com redução de 0,73 p.p. A variação menor na educação foi conseqüência da sazonalidade, causada pelos reajustes de início de ano letivo ocorridos em fevereiro, que não se repete com a mesma intensidade em março. No caso dos alimentos as maiores contribuições para a redução na taxa de variação, vieram de feijões, carnes, frango e batata-inglesa.

(13)

INFLAÇÃO

CUSTOS E ÍNDICES DA CONSTRUÇÃO CIVIL (FEVEREIRO/2008)-IBGE-CAIXA ECONÔMICA FEDERAL

ƒ Fato

O Índice Nacional da Construção Civil variou 0,43% em fevereiro, ficando praticamente estável em relação a janeiro de 2007, 0,44%. Em doze meses, o acumulado é de 6,29%, 0,03 p.p., acima do acumulado em doze meses, registrado em janeiro de 2008. O custo nacional por metro quadrado passou de R$ 608,38, em janeiro, para R$ 610,99 em fevereiro, sendo R$ 352,41 relativos aos materiais, e R$ 258,58 à mão-de-obra.

No Estado do Paraná, as variações foram de 0,08% no mês, e 4,92% em doze meses. O Custo Médio atingiu R$ 603,24. 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4 1,6

jan. fev. mar. abr. maio jun. jul. ago. set. out. nov. dez.

2005 2006 2007 2008

FONTE: IBGE e CAIXA

Causa

Na composição do índice, a parcela dos materiais variou 0,67%, mesmo índice registrado em janeiro, e a componente mão-de-obra, recuou 0,03 p.p., passando de 0,13% em janeiro para 0,10% em fevereiro. Nos últimos doze meses, os acumulados foram: 5,83% para materiais e 6,92% para mão-de-obra. No mês, as variações regionais foram: 0,41% na Região Norte, 0,67% na Região Nordeste, 0,39% no Sudeste, 0,09% no Centro-Oeste, e 0,34% no Sul. Ainda na verificação regional, os custos foram os seguintes: Sudeste, R$ 647,52, Sul, R$ 599,35, Norte, R$ 602,05, Centro-Oeste, R$ 582,17 e Nordeste R$ 575,28.

ƒ Conseqüência

A expectativa é de continuidade na queda no próximo mês, devendo, a partir de março, apresentar aquecimento decorrente de fatores sazonais.

(14)

INFLAÇÃO

IGP-DI(FEVEREIRO/2008)-FGV

ƒ Fato

O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou inflação de 0,38% em fevereiro, desacelerando-se 0,61 p.p. ante a inflação registrada em janeiro. Nos últimos doze meses, o índice acumula alta de 8,66%.

ƒ Causa

No mês, o IPA, que possui a maior influência na composição do IGP (60%), apresentou desaceleração de 0,56 p.p.. Na composição deste, Matérias-Primas Brutas, tiveram sua taxa de variação 1,86 p.p. menor do que no mês anterior, com destaque para tomate, aves e arroz. A taxa dos Bens Intermediários recuou 0,19 p.p., e a dos Bens Finais teve variação 0,06 p.p., maior do que a do mês anterior.

O IPC mostrou decréscimo em sua taxa de variação de 0,97 p.p., registrando variação de 0% em fevereiro. Nesse índice, as maiores contribuições para desaceleração foram em Alimentação, e Educação, Leitura e Recreação, influenciados no primeiro caso por frutas, hortaliças e legumes e, no segundo, por cursos formais. Também registram retrações Habitação, Saúde e Cuidados Pessoais, Transportes e Despesas Diversas. No INCC, houve aceleração de 0,02 p.p., com recuos em Mão-de-Obra e Serviços, e aumento em Materiais. 0,38% 1,47% 0,75% 1,39% 0,14% 0,81% 0,17% 0,67% -0,45% -1,0% -0,5% 0,0% 0,5% 1,0% 1,5% 2,0% m a r./0 6 a br. /0 6 m a io /0 6 ju n ./ 0 6 ju l. /0 6 a g o./ 0 6 s e t. /0 6 o u t. /06 n o v. /0 6 d e z ./ 0 6 jan ./ 0 7 fe v. /0 7 m ar. /0 7 ab r. /0 7 m a io /0 7 ju n./ 0 7 ju l. /0 7 a go ./ 0 7 s e t. /0 7 o u t. /0 7 n ov. /0 7 d ez ./ 0 7 ja n ./ 0 8 fe v. /0 8 FONTE: FGV ƒ Conseqüência

O índice voltou a apresentar queda, todavia as variações acumuladas a partir de agosto de 2007 terão reflexos sobre a inflação ao longo de 2008, devendo a alta do índice ser corrigida, principalmente, com medidas de contenção ao crédito.

(15)

INFLAÇÃO

IGP-10(MARÇO/2008)-FGV

ƒ Fato

Em março, o IGP-10 registrou variação de 0,61%, 0,19 p.p. abaixo da inflação de fevereiro. Em doze meses, o índice acumula aumento de 8,87%.

ƒ Causa

No mês, dois dos três componentes do IGP–10 registraram desaceleração. O IPA que tem o maior peso na composição do IGP–10 (60%), reduziu 0,07 p.p. com relação ao mês anterior. Essa queda foi decorrente de Bens Finais e Bens Intermediários. No primeiro, com recuo de 0,18 p.p., o destaque foram alimentos in natura, que apresentaram desaceleração de 2,18 p.p., No segundo, que se reduziu 0,19 p.p., suprimentos apresentaram a maior queda, 1,23 p.p.

No IPC, que variou 0,60 p.p. abaixo do apontado no mês anterior, Alimentação, Educação, Leitura e Recreação, Transportes, Saúde e Cuidados Pessoais e Despesas Diversas, tiveram recuos. Na composição do INCC, que se acelerou 0,05 p.p. Serviços e Mão-de-Obra recuaram, enquanto Materiais tiveram sua taxa de variação elevada em 0,41p.p.

0,61% 1,02% 1,59% 1,07% 0,15% 0,47% 1,02% 0,39% 0,36% -1,0% -0,5% 0,0% 0,5% 1,0% 1,5% 2,0% IGP-10 a b r./0 6 m a io /06 ju n ./ 0 6 jul. /0 6 a g o ./ 0 6 s e t. /0 6 o u t. /0 6 n o v. /0 6 d e z ./ 0 6 ja n ./ 0 7 fe v. /0 7 m a r. /07 a b r. /07 m a io /0 7 ju n ./ 0 7 ju l. /0 7 a g o ./ 0 7 se t. /0 7 ou t. /0 7 n o v. /0 7 d e z ./ 0 7 ja n ./ 0 8 fe v. /0 8 m a r. /0 8 FONTE: FGV ƒ Conseqüência

Após o período de aquecimento, iniciado em agosto de 2007, o índice de março registrou acomodação, contrariando o resultado do IGP– M, demonstrando, pelo período de coleta, que a pressão dos preços deve ter continuidade em abril.

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INFLAÇÃO

IGP-M(MARÇO/2008)-FGV

ƒ Fato

O IGP-M variou 0,74%, em março, 0,21 p.p. acima da variação de fevereiro. Em doze meses, o acumulado é de 9,09%.

ƒ Causa

Dos índices que compõem o IGP–M, o IPA, que responde por 60% na composição do índice, registrou aceleração de 0,32 p.p.,com destaque para Matérias-Primas Brutas, em decorrência da aceleração dos itens tomate, milho e aves. Também os Bens Intermediários avançaram, com conseqüência do aumento no subgrupo componentes para construção. .

No IPC, que se desacelerou 0,07 p.p., apenas o grupo Habitação apresentou acréscimo em sua taxa de variação. As principais contribuições no sentido descendente foram de Alimentação e Educação, Leitura e Recreação. O INCC apresentou aceleração de 0,16 p.p., com aumentos em Materiais e Mão-de-Obra.

-0,42 0,18 1,76 0,53 0,74 0,75 0,69 1,09 0,76 0,04 1,29 -1,00 -0,50 0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 IGP-M a b r. /0 6 ma io /0 6 ju n ./ 0 6 ju l. /0 6 a go ./ 0 6 s e t. /0 6 o u t. /0 6 n o v. /0 6 d e z ./ 0 6 ja n ./ 0 7 fe v. /0 7 m a r./0 7 ab r. /0 7 m a io /0 7 ju n ./ 0 7 jul. /0 7 a g o ./ 0 7 s e t. /07 o u t. /0 7 n o v. /07 d e z ./ 0 7 ja n ./ 0 8 fe v. /0 8 m a r. /0 8 FONTE: FGV ƒ Conseqüência

O índice voltou a apresentar aceleração, inchando ainda mais os valores acumulados. Como o IGP-M é o índice mais utilizado para a correção de contratos, o seu aumento pode trazer contágio inflacionário, comprometendo variações futuras.

(17)

OPERAÇÕES DE CRÉDITO

NOTA À IMPRENSA (FEVEREIRO/2008)-BACEN

ƒ Fato

O total das operações de crédito do sistema financeiro atingiu R$ 957,6 bilhões em fevereiro, crescendo 0,1 p.p. em relação com o PIB, atingindo 34,9%. A taxa média das operações de crédito referencial atingiu 37,4%, e a taxa de inadimplência da carteira de crédito situou-se em 4,3%. O spread bancário cresceu 0,3 p.p. no mês e caiu 1,2 p.p. em doze meses, situando-se em 26 p.p.

ƒ Causa

Os empréstimos contratados em fevereiro apresentaram crescimento de 1,1% no mês e 27,9 % em doze meses. Os empréstimos contratados com recursos livres, que representam 70,9% do total, atingiram R$ 679,1 bilhões em fevereiro, crescendo 1,3% no mês e 32,8% em doze meses. Os empréstimos realizados às pessoas físicas cresceram 1,7% no mês, chegando a R$ 229,73 bilhões. No segmento de pessoas jurídicas houve aumento de 1% no mês, totalizando R$ 349,4 bilhões.

O crédito direcionado registrou expansão de 0,6% no mês e de 17,4% em doze meses, somando R$ 278,5 bilhões. No mês, os recursos do BNDES aumentaram 0,3%, e os destinados à habitação e ao crédito rural cresceram 1,1% e 0,9%, respectivamente.

No tocante ao controle do capital das instituições financeiras, a participação no total da carteira de crédito foi distribuída da seguinte forma: 43,9% do total do sistema financeiro foram realizadas pelos bancos privados nacionais, 34,1% pelas instituições públicas e 22% por meio das instituições estrangeiras.

As taxas médias de juros aumentaram 0,1 p.p. no mês, e caíram 1,9 p.p. em doze meses. O custo médio dos empréstimos para pessoas físicas aumentou 0,2 p.p. em fevereiro, e reduziu-se 1,8 p.p. em doze meses, atingindo 49% a.a. Para as empresas, os encargos médios também aumentaram 0,1 p.p., situando-se em 24,8% a.a. A taxa de inadimplência da carteira de crédito referencial registrou queda de 0,1 p.p. no mês, chegando a 4,3%, sendo 7,1% para pessoas físicas e 2% para pessoas jurídicas.

ƒ Conseqüência

A concessão de crédito deve continuar apresentando crescimento, porém em ritmo mais parcimonioso do que em 2007. Resultado, principalmente, da elevação das taxas básicas de juros, em decorrência de pressão inflacionária interna, e de resquícios da volatilidade internacional.

(18)

SETOR EXTERNO

NOTA À IMPRENSA (FEVEREIRO/2008)-BACEN

ƒ Fato

Em fevereiro, o Balanço de Pagamentos registrou superávit de US$ 3,6 bilhões. As reservas internacionais aumentaram US$ 5,4 bilhões, totalizando US$ 192,9 bilhões e a dívida externa somou US$ 198,1 bilhões.

ƒ Causa

No que tange ao Balanço de Pagamentos, o saldo da conta de transações correntes foi negativo em US$ 2,1 bilhões, acumulando nos últimos doze meses, déficit de US$ 4,9 bilhões, equivalente a 0,37% do PIB. A conta capital e financeira registrou entrada líquida de US$ 3,9 bilhões. Destacaram-se no mês, os ingressos líquidos de investimentos estrangeiros em carteira, US$ 2,6 bilhões.

A movimentação das reservas, durante o mês de fevereiro, foi conseqüência, principalmente, de compras de US$ 3 bilhões no mercado doméstico de câmbio, da receita de remuneração de reservas, de US$ 597 milhões, e do pagamento de US$ 5 milhões de juros sobre alocações ao FMI, enquanto outras operações elevaram o estoque em US$ 1,8 bilhão. A dívida externa total registrou aumento de US$ 4,5 bilhões, em relação a dezembro de 2007. Sendo que, a dívida de médio e longo prazos elevou-se US$ 5,7 bilhões, e a de curto prazo, apresentou diminuição de US$ 1,2 bilhão.

ƒ Conseqüência

Os indicadores externos da economia brasileira devem ser entendidos ainda como bastante positivos, pois como volume de reservas quase empata com a dívida externa. Este cenário contribui para que o Brasil sofra menos os efeitos da crise de crédito nos Estados Unidos e atinja, em breve, o esperado “grau de investimento”.

POLÍTICA FISCAL

NOTA À IMPRENSA (FEVEREIRO/2008)-BACEN

ƒ Fato

Em fevereiro, o setor público não financeiro registrou superávit de R$ 9 bilhões. Considerando o fluxo de doze meses, o acumulado atingiu R$ 106,8 bilhões (4,14% do PIB). A dívida líquida do setor

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ƒ Causa

Na composição do superávit primário, o superávit do Governo Central atingiu R$ 4,1 bilhões, dos governos regionais, R$ 3,7 bilhões, e o das empresas estatais apresentaram R$ 1,2 bilhão. Com relação aos juros apropriados, em fevereiro, R$ 15,4 bilhões, houve aumento de R$ 2,3 bilhão em relação ao total apropriado em janeiro. Esse aumento foi em decorrência do efeito da apreciação cambial sobre ativos, atrelados ao dólar. No acumulado em doze meses, os juros nominais alcançaram R$ 163,7 bilhões, 6,25 % do PIB, comparativamente a R$ 158,7 bilhões, 6,15% do PIB em janeiro.

Com relação à Dívida Líquida do Setor Público como percentual do PIB, em janeiro, houve aumento de 0,3 p.p., comparando com o mês anterior, e queda de 2,5 p.p. frente a fevereiro de 2007. Essa queda foi decorrente do superávit primário, do efeito do crescimento do PIB valorizado e do ajuste de paridade da cesta de moedas que integram a dívida externa líquida. Em sentido contrário, contribuíram os juros nominais apropriados e o ajuste decorrente da valorização cambial acumulada.

ƒ Conseqüência

Os resultados fiscais apresentaram resultados positivos, demonstrando o esforço fiscal para a rolagem da dívida e, apesar do crescimento da dívida em valores absolutos, com relação ao PIB, esta mantém trajetória de queda.

(20)

Fortalezas e Fraquezas do PIB de 2007

Gilmar Mendes Lourenço

Ao registrar variação de 5,4% no exercício de 2007, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro aproximou-se da média anual de 4,0% durante a gestão Lula, deixando para trás os pouco mais de 2,0% a.a. da era Fernando Henrique Cardoso (FHC), mas representando menos de 60,0% da expansão experimentada pelas nações emergentes, durante o ciclo ascendente de maior vigor da economia internacional das últimas quatro décadas, iniciado em 2002.

Na realidade, os resultados do PIB carregam algumas fortalezas e outras fraquezas, que precisariam ser consideradas e cotejadas na discussão acerca do caráter sustentado ou não da atual etapa de reativação da produção e dos negócios no país.

Por um lado, é relevante reconhecer a presença de elementos virtuosos no desempenho econô-mico brasileiro em 2007, com ênfase para a pronunciada elevação dos níveis de investimentos (+13,4% na formação bruta de capital fixo); a impulsão generalizada da produtividade; o prosseguimento do acréscimo do consumo das famílias (+6,5%), explicado pelo alargamento da massa salarial (emprego e remuneração), do volume de crédito (juros menores e prazos maiores) e dos programas oficiais de trans-ferência de renda; a preservação do controle da inflação, a despeito das pressões tópicas e/ou exógenas exercidas pelos alimentos; compressão da vulnerabilidade externa, atestada pela exponencial evolução do estoque de reservas internacionais.

De outro extremo, percebe-se a ausência de sincronização de posturas, decisões, ações e

performances entre os setores público e privado. Por certo, a empresa privada vem intensificando

iniciativas direcionadas à modernização de linhas de produção, tirando proveito inclusive da patologia macroeconômica representada pelo câmbio sobrevalorizado, que provocou ampliação das importações em 20,7% no ano passado.

Enquanto isso, é impossível vislumbrar a sinalização de qualquer atitude relevante no sentido da redução dos gastos correntes e da elevação dos níveis de poupança e de investimentos públicos, sobretudo em infra-estrutura. Ao contrário, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não saiu do papel em 2007, – limitando-se quase que exclusivamente à execução dos projetos planejados anteriormente pela Petrobrás –, e a ameaça de deflagração em 2008 está mais atrelada a interesses eleitorais e menos à construção de bases para o crescimento econômico de longo prazo.

Por essas razões, a superação dos gargalos infra-estruturais esbarra na falta de regulamentação adequada para a viabilização de um envolvimento expressivo da iniciativa privada, o que justifica a deterioração da logística de transportes e a forte dependência da continuidade do suprimento de energia da generosidade dos regimes pluviométricos.

No fundo, o que se vê é a ascensão da carga tributária (+9,1%) para a cobertura de dispêndios de custeio e financeiros do setor público, o que explica os polpudos ganhos das atividades de intermediação

(21)

O Agronegócio Mundial e Brasileiro

Eugênio Stefanelo

Segundo Porter, “você é competitivo quando tem um desempenho em longo prazo acima da média dos concorrentes”.

O agronegócio, que engloba as operações de suprimento dos insumos, a produção agropecuária, florestal, a aqüicultura dentro das propriedades, seu beneficiamento e transformação em produtos intermediários e finais e a distribuição deles no mercado interno e externo, representa 22% do PIB mundial e 23% do PIB brasileiro, além de empregar no Brasil 37% das pessoas e ser o responsável, em 2007, por 36% do valor das exportações e por 124% do saldo da balança comercial. É o maior negócio individual no mundo e no Brasil.

No mundo, em 2007, representou U$ 10,7 trilhões e vem apresentando uma taxa de crescimento em torno de 1,5% ao ano, devendo atingir U$ 13,5 trilhões em 2025.

No Brasil, 527 milhões de hectares ou 62% do território têm potencialidade agropecuária. Segundo o último censo do IBGE, de 2006, são 5,2 milhões de estabelecimentos em 354,87 milhões de hectares, sendo 70% dessa área ocupada com lavouras e pecuária e 78% na região Sul.

A área das lavouras soma 76,7 milhões de hectares, dos quais 47,3 estão ocupados por culturas temporárias e 29,4 por cultivos permanentes. A área de pastagens reduziu em 6,9 milhões de hectares desde 1985, ficando em 172,3 milhões de hectares. A de florestas atinge 99,9 milhões de hectares, dos quais 6,0 a 7,0 milhões são de florestas cultivadas.

O Brasil dispõe da maior reserva de água doce do mundo, 12% do total, concentrada na região amazônica.É o único país continental do mundo cujo eixo principal está no sentido norte-sul, apresentando todos os climas, desde o tropical até o frio. Domina a mais avançada tecnologia de processo em agricultura tropical, devido aos investimentos efetuados pela EMBRAPA, junto com alguns Institutos Estaduais Públicos e Privados de pesquisa.

A tecnologia de processo aumenta a produtividade da terra, do trabalho, do capital e reduz o custo médio de produção, mas exigem investimentos, conhecimentos, escala mínima de produção e as chances de competir aumentam com o associativismo.

A população rural abrange 19% da população total. Da população ocupada, 18% ou 16,4 milhões estão dentro das propriedades, e 37% trabalham no agronegócio. A idade média dessas pessoas varia entre 52 e 54 anos, e o grau de escolaridade é, normalmente, baixo, tanto dos proprietários quanto dos colaboradores (empregados).

No setor rural, existem 800 mil tratores (788 mil, segundo o censo de 2006), ou um trator para cada 95,9 hectares em média, e 50 mil colheitadeiras. Em 2007, depois de dois anos seguidos de queda na produção de máquinas agrícolas, o setor produziu 64.954 unidades, das quais 38.299 ou 58,6% do total foram vendidas no mercado interno.

(22)

O crédito direcionado para custeio, investimento e comercialização, com taxas predeterminadas pelo governo, na safra 2007 e 2008 em andamento, somou R$ 70 bilhões, dos quais R$ 12 bilhões exclusivos para os programas do Programa Nacional da Agricultura Familiar (PRONAF). O montante global atende, aproximadamente, a 30% das necessidades dos agricultores, que devem buscar o restante na disponibilidade de recursos próprios, em troca antecipada de produtos por insumos, em Cédula do Produtor Rural (CPR) e, em menor escala, em outros títulos de crédito criados pelo governo.

As cadeias produtivas componentes dos diferentes complexos agroindustriais do agronegócio brasileiro apresentam diferentes graus de estruturação e de organização. Algumas são altamente estruturadas e organizadas, como as ligadas aos complexos agroindustriais do frango e suíno, da laranja e do setor sucro-alcooleiro. Outras são pouco estruturadas e organizadas, como as ligadas à pecuária de corte e ao feijão.

Durante os anos 90 e nesta década, a área cultivada com as principais lavouras brasileiras de cereais, leguminosas e oleaginosas variou entre 35,0 a 48,9 milhões de hectares1. Durante as safras 1990/91 a 2007/08, a variação total foi de 23,5%, atingindo 46,7 milhões de hectares em 2007/08 (figura 1).

No mesmo período, a produção total dos grãos aumentou 141%, atingindo 139,3 milhões de toneladas em 2007/08.

Como conseqüência, a produção média de grãos por hectare passou de 1.529,1 para 2.982,9 kg, registrando aumento ponta a ponta de 95,1%.

FIGURA 1 - EVOLUÇÃO DA ÁREA, DA PRODUÇÃO E DA PRODUTIVIDADE DOS GRÃOS NO BRASIL ENTRE AS SAFRAS 1990/1991 - 2007/2008

0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0 110,0 120,0 130,0 140,0 150,0 90 /9 1 91 /9 2 92 /9 3 93 /9 4 94 /9 5 95 /9 6 96 /9 7 97 /9 8 98 /9 9 99 /0 0 00 /0 1 01 /0 2 02 /0 3 03 /0 4 04 /0 5 05 /0 6 06 /0 7 07 /0 8 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500

ÁREA PRODUÇÃO PRODUTIVIDADE

FONTE: CONAB

As regiões do Brasil que concentram a maior produção são, por ordem, a sul com 43%, o centro-oeste com 34% e a sudeste com 12%. (quadro 1). Do total da produção de grãos, 80% a 85% referem-se a apenas dois produtos: a soja e o milho. Na safra 2007/08, a produção de soja está estimada em 59,6 milhões de toneladas, a segunda do mundo, e a de milho em 55,3 milhões de toneladas (quadro 2).

(23)

QUADRO 1 - PRODUÇÃO BRASILEIRA DE CEREAIS, LEGUMINOSAS E OLEAGINOSAS, POR REGIÃO GEOGRÁFICA, SEGUNDO A CONAB - 2006/2007 - 2007/2008 (Em mil t) REGIÃO 2006/2007 2007/2008 Norte 3.580,0 3.602,4 Nordeste 9.828,4 11.426,4 Centro-Oeste 43.698,9 47.814,8 Sudeste 16.314,5 16.403,9 Sul 58.313,4 60.044,1 Brasil 131.735,2 139.314,5 FONTE: CONAB

QUADRO 2 - PRODUÇÃO BRASILEIRA DE SOJA E DE MILHO (PRIMEIRA E SEGUNDA SAFRA) POR REGIÃO GEOGRÁFICA, ENTRE 2005/2006 - 2007/2008 (Em mil t) SOJA MILHO REGIÕES 2005/2006 2006/2007 2007/2008 2005/2006 2006/2007 2007/2008 Norte 1.255,2 1.064,5 1.174,6 1.084 45 1.149 94 1.155 Nordeste 3.560,9 3.867,2 4.234,3 2.770 473 2.625 481 3.397 429 Centro-Oeste 27.824,7 26.494,8 28.905,2 3.480 6.113 4.583 8.411 5.078 9.703 Sudeste 4.137,1 4.005,4 3.967,9 8.994 658 9.613 740 9.795 780 Sul 18.249,0 22.944,5 21.300,9 15.483 3.417 18.626 5.047 18.594 6.336 Brasil 55.027,1 58.376,4 59.583,0 31.809 10.706 36.597 14.773 38.019 17.248 FONTE: CONAB

Segundo o censo preliminar do IBGE de 2006, o rebanho bovino brasileiro somou 169,9 milhões de cabeças, o segundo do mundo; o suíno, 31,95 milhões ou o terceiro do mundo, e o avícola, 1,244 bilhões de aves ou o quarto do mundo. Entre 1995 e 2006, o rebanho bovino aumentou 11%, a área de pastagem reduziu 3%, e a ocupação aumentou 14,7%, atingindo 0,99 cabeça/hectare.

A produção e a exportação de carne bovina, entre 2000 e 2007, aumentaram 62% e 345%, atingindo, respectivamente, 10,63 e 2,58 milhões de toneladas em 2007. No mesmo período, a disponibilidade per capita aumentou 22%, atingindo 44 kg em 2007.

A produção de leite aumentou 33%, chegando a 27 bilhões de litros em 2007. O último censo do IBGE registrou 21,4 bilhões de litros.

No mesmo espaço de tempo de oito anos, a produção e a exportação de carne suína aumentaram 16% e 329%, somando 2,97 milhões e 605 mil toneladas em 2007, enquanto a disponibilidade per capita reduziu 13%, ficando em 12,5 kg.

(24)

No segmento da bioenergia, a expansão da área e da produção de cana-de-açúcar entre 1990/91 a 2007/08, segundo a CONAB, foi de 63% e 109%, atingindo nessa última safra 6,96 milhões de hectares e 549,9 milhões de toneladas de colmos. Dessa produção, 475,1 milhões de toneladas estão sendo usadas na produção de açúcar (47%) e de álcool carburante (53%), por 288 usinas instaladas no centro-sul e 88 no nordeste. O Brasil mantém a primazia na produção mundial do açúcar e é o segundo na de álcool. O aumento do preço do petróleo no mercado internacional, o advento da tecnologia flex nos veículos e as pressões ambientais favorecem o aumento da produção do álcool anidro e hidratado (quadro 3).

QUADRO 3 - ÁREA E PRODUÇÃO DA CANA-DE-AÇÚCAR NO BRASIL E PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E DE ÁLCOOL CARBURANTE ENTRE 2005/2006 - 2007/2008

2005/06 2006/07 2007/08 Cana-de-açúcar Área (milhões ha) 5,8 6,2 7,0 Produção (milhões t) 431,4 474,8 549,9 Açúcar (mil t) 26.713,5 30.223,6 29.647,2 Álcool (milhões l) 16.997,4 17.471,1 20.883,9 FONTE: CONAB

No segmento do biodiesel, 52 usinas estão autorizadas a operar, com capacidade instalada de 2,78 bilhões de litros/ano. Em 2008, a mistura de 2% ao óleo diesel demandará uma disponibilidade de 850 milhões de litros de óleo vegetal, mais de 90% derivado do óleo de soja.

A produção de café, pelas características da cultura, apresenta um ano de safra cheia e outro de menor produção. O Brasil mantém o posto de primeiro produtor e exportador mundial do grão da rubiácea. Na safra 2007/08, segundo a CONAB, foram produzidas 33,74 milhões de sacas beneficiadas, estando prevista a produção de 42,7 milhões de toneladas na atual safra 2008/09. (Quadro 4.)

A produção de laranja também apresenta tendência crescente, como mostram os dados das últimas três safras (quadro 4).

QUADRO 4 - PRODUÇÃO BRASILEIRA DE CAFÉ E DE LARANJA, NAS SAFRAS 2005/2006 - 2008/2009 2005/06 2006/07 2007/08 2008/09 Café

Área – milhões 2,44 2,32 2,26 2,30

Produção (milhões sacas) 32,9 42,5 33,74 42,73 Laranja Produção (milhões caixas) 437,8 442,5 447,9 FONTE: CONAB

(25)

O comportamento do PIB no setor primário, segundo os mesmos dados, evidencia a crise que o setor atravessou nos anos de 2004 e 2005, com redução da produção devido ao clima adverso e aos baixos preços de mercado dos produtos, e sua recuperação nos anos posteriores. A participação do setor primário no PIB tem variado entre 5,7% e 7,4%.

O agronegócio, segundo os dados do CEPEA/USP, representa entre 22,4% e 23,1% do PIB brasileiro e compõe-se de dois segmentos, o agronegócio da agricultura e o da pecuária. A agropecuária representa a parcela da porteira para dentro, basicamente, o valor da produção das lavouras e da pecuária, que expressa 24,5% do Agronegócio. Em 2006, o crescimento do agronegócio foi de 0,45%, atingindo o valor de R$ 563,6 bilhões e, em 2007, foi de 7,89%, alcançando R$ 611,8 bilhões. Todos os indicadores do agronegócio apontam claramente a crise que o setor atravessou nos anos de 2004 a 2006 e sua recuperação em 2007 (quadro 5).

QUADRO 5 - PIB BRASILEIRO, DO SETOR PRIMÁRIO E DO AGRONEGÓCIO, ENTRE 2000 E 2007

SETOR 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 PIB 4,30 1,30 2,70 1,10 5,70 3,20 3,80 5,40 Setor Primário 2,70 6,10 6,60 5,80 2,30 0.3 4,20 5,30 Agropecuária -0,90 4,62 11,94 11,85 -0,87 -9,79 -2,12 12,18 Agricultura -7,13 8,53 17,93 15,96 -1,74 -15,46 -0,26 12,26 Pecuária 7,19 0,23 4,66 6,23 0,43 -1,49 -4,44 12,08 Agronegócio 0,10 1,85 8,37 6,53 2,55 -4,66 0,45 7,89 Paraná 4,59 1,70 5,20 3,20 0,30 1,40 FONTE: IBGE

O valor bruto da produção da agricultura, da pecuária e da agropecuária apresentou significativo cres-cimento de 2006 para 2007, segundo o CEPEA/USP e a CNA (quadro 6). Isso ocorreu em função do aumento dos volumes produzidos, exceto no café e feijão, e pelo aumento dos preços recebidos pelos produtores.

A participação do Brasil no comércio mundial vem oscilando entre 0,9% e 1,17% nas exportações e 0,8% e 1,1% nas importações.

A participação do agronegócio brasileiro no comércio mundial do agronegócio é mais significativa entre 4,5% e 5,7% nas exportações e 0,8% e 1,5% nas importações.

A participação do agronegócio brasileiro no comércio externo do país, em 2006 e 2007, foi de 36% das exportações e de 7,3% e 7,2% das importações.

A balança comercial do agronegócio sempre apresentou saldo positivo, mesmo durante o período entre 1995 e 2000, quando ocorreu déficit na balança comercial brasileira (figura 2). Entre 2000 e 2007, as exportações do agronegócio cresceram 183%, passando de U$ 20,61 para U$ 58,42 bilhões. As importações aumentaram 50%, de U$ 5,80 para U$ 8,72 bilhões, e o saldo cresceu 234%, de U$ 14,81

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QUADRO 6 - VALOR BRUTO DA PRODUÇÃO DA AGRICUL-TURA, DA PECUÁRIA E DA AGROPECUÁRIA BRASILEIRA, EM 2006 E 2007 (Em R$ bilhões) PRODUÇÃO 2006 2007 % Algodão 2,77 4,06 46,9 Arroz 5,70 6,11 7,3 Banana 4,89 5,29 8,3 Batata inglesa 2,18 2,24 2,4 Café beneficiado 11,27 8,93 -20,8 Cana-de-açúcar 19,25 21,30 10,6 Feijão 4,56 4,12 -9,7 Fumo 4,56 4,91 7,7 Laranja 4,54 5,00 10,1 Mandioca 4,73 4,69 -0,8 Milho 11,72 17,55 49,8 Soja 24,72 30,65 24,0 Tomate 3,01 3,73 21,7 Trigo 0,80 1,80 125,5 Carne bovina 32,38 32,81 1,4 Frango 17,17 21,09 22,8 Leite 13,2 15,99 22,8 Ovos 3,67 4,17 13,6 Suínos 6,33 6,68 5,4 TOTAL AGRICULTURA 107,62 124,69 15,86 TOTAL PECUÁRIA 72,58 80,75 11,26 TOTAL AGROPECUÁRIA 180,19 205,44 14,01

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FIGURA 2 - BALANÇA COMERCIAL BRASILEIRA E DO AGRONEGÓCIO - 1999-2007 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180

EXP TOTA L IM P TOTA L EXP A GRONEGÓCIO IM P A GRONEGÓCIO

FONTE: AgroStat Brasil a partir de dados da SECEX/MDIC Elaboração: CGOE/DPI/SRI/MAPA

Em 2007, quatro complexos responderam por 64% das exportações do agronegócio: soja, carnes, produtos florestais e o sucroalcooleiro. Registraram exportações de U$ 11,38, U$ 11,30, U$ 8,82 e U$ 6,58 bilhões, respectivamente. (figura 3). Nos últimos dez anos, reduziu a participação da soja nas exportações (era de 24%), manteve-se a dos produtos florestais, e aumentou a participação das carnes e do setor sucroalcooleiro (eram de 7% e 8%, respectivamente).

Os principais destinos das exportações do agronegócio, em 2007, foram os EUA, Países Baixos, China, Rússia, Itália, Alemanha e Espanha (figura 4). Nos últimos dez anos, ocorreu redução na participação das exportações para os EUA, Países Baixos, Alemanha e Japão, e ocorreu significativo aumento da participação da China e da Rússia na compra dos produtos brasileiros.

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FIGURA 3 - BRASIL - PRINCIPAIS PRODUTOS EXPORTADOS PELO AGRONEGÓCIO - 2007 carnes 19% produtos florestais 15% complexo sucroalcooleiro 11% café 7% couros, produtos de couro e peleteria 6% sucos de fruta 4% fumo e seus produtos 4% cereais, farinhas e preparações 4% fibras e produtlos texteis 3% demais produtos 8% complexo soja 19%

FONTE: AgroStat Brasil a partir de dados da SECEX/MDIC Elaboração: CGOE/DPI/ SRI/MAPA

FIGURA 4 - BRASIL - PRINCIPAIS DESTINOS DAS EXPORTAÇÕES DO AGRONEGÓCIO - 2007

Demais 44% Espanha 4% França 3% Reino Unido 3% Japão 3% Itália Alemanha 4% Rússia 6% China 8% Países Baixos 9% EUA 11%

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Os principais Estados da Federação responsáveis pelas exportações do agronegócio em 2007 foram São Paulo (24,75), Rio Grande do Sul (15,15), Paraná (13,4%), Mato Grosso (8,5%), Minas Gerais (8,5%) e Santa Catarina (7,9%). Nos últimos dez anos, reduziu a participação do RS, PR e MG e aumentou significativamente a participação do MT e, em menor escala, de SP.

As principais tendências demográficas são o aumento de 28% na população mundial até 2030, de 6,5 para 8,3 bilhões de pessoas, sendo que a Ásia passará de 3,9 para 5,0 bilhões. No Brasil, o aumento estimado é de 27%, passando de 185 para 235 milhões. Também ocorrerá aumento na urbanização, de 50% para 60% em nível mundial, e de 84% para 91% no Brasil. Haverá progressivo envelhecimento da população mundial, de 9% para 14% acima de 60 anos e de 38% para 31% abaixo de 20 anos.

As tendências econômicas indicam crescimento do PIB mundial em torno de 3% ao ano até 2015, maior nos países em desenvolvimento (4,5% ao ano), menor nos desenvolvidos (2,5% ao ano) e 3,5% ao ano no Brasil. Ocorrerá aumento do comércio internacional em nível superior ao PIB, devido à queda das barreiras tributárias e ao aumento do comércio e da comercialização em grandes redes. As barreiras sociais, ambientais e de bem-estar dos animais tendem a aumentar. Outras tendências econômicas são o aumento da escala das empresas, a concentração das etapas da produção, a transformação da matriz energética (menos dependente de combustíveis fósseis e aumento da bioenergia, da energia eólica e solar) e a mudança dos hábitos alimentares.

As tendências ambientais mostram o aumento da conscientização ambiental e sobre a escassez de recursos (principalmente da água potável), a evolução das práticas de sustentabilidade (conservação da água, do ar, das florestas e da fertilidade natural das terras, além da adoção de princípios social e economicamente corretos), a adoção dos mecanismos de desenvolvimento limpo, o combate ao aquecimento global (embora a teoria atual sobre as causas seja controvertida), e aumento do conflito entre a disponibilidade de água e a segurança alimentar.

As principais tendências tecnológicas indicam a evolução irreversível da biotecnologia e das tecnologias sustentáveis, cujo principal desafio está na incorporação delas pelo agronegócio, garantindo o aumento da competitividade.

As tendências do agronegócio apontam para o aumento do consumo das proteínas de origem animal, frutas, verduras, dos grãos para consumo animal e humano e dos alimentos funcionais e com maior valor agregado; o aumento da área nos países em desenvolvimento; o aumento da produtividade; o reconhecimento da água como limitador da produção; o aumento da mecanização e a concomitante redução da mão-de-obra empregada; o desenvolvimento de sistemas produtivos e de tecnologias sustentáveis, da biotecnologia e da agricultura de precisão; o zoneamento da produção; o aumento da produção de orgânicos; o uso pelos produtores da propriedade intelectual, da rastreabilidade e da certificação de conformidade; o aumento dos riscos e exigências sanitárias e da inocuidade, segurança e qualidade dos alimentos; a especialização da produção para nichos de mercado; a maior organização das cadeias produtivas; a profissionalização da gestão e dos produtos; o uso do marketing influenciando a produção e o consumo; o crescimento do associativismo e a maior participação do Brasil nas exportações

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Produção: 273 para 304

ƒ Bovina: 67 para 76,4, com aumento de 14,6%.

ƒ Suína: 111 para 129, com aumento de 16,7%.

ƒ Frango: 83 para 99, com aumento de 18,3%.

Exportação:

ƒ Bovina: 5,9 para 7,1, e o Brasil respondendo por 40%.

ƒ Suína: 4,1 para 4,6, e o Brasil sendo responsável por 23%.

ƒ Frango: 5,5 para 6,7, e o Brasil exportando 44% desse total.

Nos próximos anos, permanecerá a superioridade da produção da carne suína, mas a carne de frango apresentará a maior taxa de crescimento da produção.

As exportações de carne bovina serão lideradas pelo Brasil, Austrália, Argentina e Índia. As de carne suína, pelo Canadá, União Européia e Brasil. Na carne de frango, os líderes serão o Brasil, EUA e a Tailândia.

As projeções da produção e exportação mundial de soja para safra 20016/17 indicam os seguintes volumes:

ƒ Produção: aumento de 23%, atingindo 279,7 milhões de toneladas, e 85% no Brasil (27% para 33%), Argentina e EUA.

ƒ Exportação: 85 milhões de toneladas, das quais 50,5 milhões pelo Brasil, com a participação aumentando de 40% para 60% do total mundial.

As projeções da produção e exportação mundial de milho para a safra 20016/17 apontam:

ƒ Produção: aumento de 13%, passando 756 para 850 milhões de toneladas, e basicamente nos EUA.

ƒ Exportação: 97 milhões de toneladas, registrando aumento de 26%, e 70% pelos EUA. Mas, o uso do produto na fabricação de etanol nos EUA abre espaço para o Brasil exportar entre 8 a 12 milhões de toneladas anuais.

Segundo a AGE/MAPA, as tendências específicas do agronegócio brasileiro mostram a redução no número de estabelecimentos agropecuários e o aumento da sua escala (tamanho); o aumento das áreas de lavouras e de florestas e a redução da ocupada pela pecuária bovina; o aumento dos rebanhos, principalmente o avícola. Por produtos da pecuária e da lavoura, as tendências de produção, exportação e consumo interno são as seguintes:

Avicultura em 2006/07 e 2017/18, em milhões de toneladas: ƒ Produção: 9,8 e 14,4 (aumento de 47%)

ƒ Exportação: 3,0 e 4,5 (aumento de 50%)

ƒ Consumo: 6,8 e 9,9 (aumento de 46%)

Suinocultura em 2006/7 e 2017/18, em milhões de toneladas: ƒ Produção: 3,0 e 3,7 (aumento de 23%)

ƒ Exportação: 0,5 e 1,0 (aumento de 100%)

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Leite em 2006/7 e 2017/18, em bilhões de litros: ƒ Produção: 26,7 e 33,1 (aumento de 24%)

ƒ Consumo: 26,5 e 32,4 a 37,1 (aumento de 22% a 40%)

Soja em 2007/08 e 2017/18, em milhões de toneladas: ƒ Produção: 58,2 e 75,3 (aumento de 29%)

ƒ Exportação: 25,5 e 35,2 (aumento de 37%)

ƒ Consumo: 34 e 39 (aumento de 15%)

Milho em 2007/8 e 2017/18, em milhões de toneladas: ƒ Produção: 53,4 e 64 (aumento de 20%)

ƒ Exportação: 10,9 e 12 (aumento de 10%)

ƒ Consumo: 44 e 49 (aumento de 11%)

Açúcar em 2006/7 e 2017/18, em milhões de toneladas: ƒ Produção: 30,7 e 43,2 (aumento de 41%)

ƒ Exportação: 19,6 e 31,3 (aumento de 60%)

ƒ Consumo: 10,9 e 13,7 (aumento de 26%)

Etanol em 2006 e 2018, em bilhões de litros: ƒ Produção: 17,6 e 41,6 (aumento de 136%)

ƒ Exportação: 3,0 e 11,3 (aumento de 277%)

ƒ Consumo: 14,2 e 30,4 (aumento de 114%)

Café em 2006/7 e 2017/18, em milhões de sacas de 60 kg: ƒ Produção: 42,5 e 39,1 (estável)

ƒ Exportação: 25,5 e 29,1 (aumento de 14%)

ƒ Consumo: 16,9 e 22,9 (aumento de 36%)

A avicultura está batendo recordes de produção, exportação e consumo, a suinocultura indica recuperação da atividade após os embargos da Rússia e a pecuária de corte e leiteira amplia a produção, atendendo ao aumento do consumo interno e da exportação.

O aumento da produção de soja e de milho viabiliza o incremento da pecuária, possibilita ao Brasil a primazia mundial na exportação do grão de soja e o consolida como exportador de milho, com 8,5 a 12 milhões de toneladas anuais, podendo superar esse volume e situar-se entre 15 a 20 milhões de toneladas.

No complexo sucroalcooleiro, o Brasil mantém a posição de produtor com maior competitividade e maior exportador mundial.

No café, não deverá ocorrer expansão da área cultivada, a produção permanecerá oscilante e estável entre 38 e 43 milhões de sacas/ano, e o Brasil continuará o primeiro exportador mundial do grão.

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O Autoritarismo e seus Disfarces

Gilmar Mendes Lourenço

As recentes modificações ocorridas na composição da diretoria do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA) e o afastamento de quatro técnicos de renome internacional, pouco alinhados à atual linha programática daquela entidade vinculada à Secretaria Especial de Ações de Longo prazo da Presidência da República, apesar das justificativas de caráter burocrático, fizeram eclodir manifestações e interpretações sobre possíveis rearrumações nas entranhas do pensamento econômico do governo Lula, com propensão paradoxalmente progressista e autoritária.

É quase consensual, nos meios especializados, o diagnóstico acerca da necessidade de execução de uma espécie de desvio dos rumos da política macroeconômica brasileira. Soariam corretas a diminuição do ímpeto monetarista e a intensificação de ações para a deflagração do crescimento auto-sustentado, de forma a preservar e multiplicar os ganhos resultantes da conjuntura de desinflação, construída a duras penas desde 1994, e os programas de inclusão social.

O rito de passagem das preocupações, por vezes exageradas e até exclusivas, com o curto prazo para o delineamento de objetivos e projetos de maior envergadura e de longo alcance temporal, requer o resgate do planejamento em um ambiente democrático, a partir, por exemplo, do cotejo entre diferentes avaliações dos pontos fortes e fracos da orientação econômica, praticada a partir da mudança do marco institucional do país, nos primórdios dos anos 1990, e alicerçada na feitura da lição da cartilha neoliberal.

Em paralelo, parece crucial o encaminhamento de uma negociação política das idéias e sugestões ligadas à otimização das conquistas derivadas do fim da superinflação inercial e à preparação dos pilares para o pleno aproveitamento e cumprimento dos requisitos de inserção externa do Brasil, em um cenário de globalização produtiva e financeira, em regime de terceira revolução industrial.

Por certo, descontadas as intransigências de natureza ideológica, é lícito admitir a pronunciada depen-dência de um novo ciclo expansivo, de providepen-dências conjunturais voltadas à drástica redução das taxas de juros, ao controle dos fluxos de capitais voláteis e à recuperação da competitividade da taxa de câmbio. Adicionalmente, emerge a subordinação do crescimento à ativação de uma agenda estrutural, abarcando a diminuição e simplificação tributária, a redefinição do pacto federativo, a reforma da previdência, a desburocra-tização dos negócios, o restabelecimento da capacidade de geração de poupança interna, a recuperação dos instrumentos de financiamento de médio e longo termo e a implementação de um mega programa de investimentos em infra-estrutura econômica e social.

Trata-se, sem dúvida, de tarefa hercúlea, especialmente ser for levada em conta a passividade e/ou subserviência dos vários governos brasileiros ante as exigências do rentismo prevalecente por essas paragens, desde o choque do petróleo e dos juros acontecidos no final de 1979. A despeito da apresentação

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de inúmeros estudos, preparados por instituições públicas e privadas, que apontam o inchaço e a deterioração das condições gerenciais do setor público; a incompatibilidade com os propósitos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), de variação real de 1,5% ao ano das despesas globais com o funcionalismo nos três poderes; a insuficiente aderência com o funcionamento sincronizado dos sistemas econômicos, no qual o investimento constitui o elemento chave e antecedente das etapas de prosperidade. Esse segundo aspecto é especialmente verdadeiro no caso de uma nação que acusa riscos de apagão logístico há mais de vinte anos.

As proposições de elevação dos dispêndios públicos merecem discussões e testes aprofundados, sob pena de serem impostas aos agentes sociais (pagadores em potencial da conta) como tábua de salvação para as mazelas seculares. Afinal de contas, a disseminação da ortodoxia neoliberal só encontrou campo fértil no Brasil depois dos retumbantes fracassos da heterodoxia no combate à inflação entre 1986 e 1989. Aliás, o confronto de posições é fundamental para a consolidação da democracia, pois, enquanto o autoritarismo prioriza o sufoco dos adversários, os que o disfarçam preferem a interdição do debate ou, na melhor das hipóteses, a escolha dos interlocutores.

Ainda assim, afigura-se fundamental reconhecer o prosseguimento da inclinação desenvolvi-mentista do IPEA. Tal postura pode ser evidenciada por duas manifestações recentes. A primeira ressalta o primitivismo reinante nos objetivos primordiais de combate à inflação, manifestados na ata da Reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), realizada em março de 2008. A segunda incorpora a avaliação insuficiente para o crescimento econômico brasileiro em 2007, expressando variação do Produto Interno Bruto de 5,4%, especialmente, quando consideradas as potencialidades e o passivo social do País e a maior velocidade de expansão das demais nações emergentes.

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O Brasil e as Perturbações Conjunturais de 2008

Gilmar Mendes Lourenço

Este artigo procura encaminhar uma discussão acerca da evolução da conjuntura econômica brasileira, a partir do surgimento de três elementos articulados: o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), o recrudescimento da inflação e a desaceleração do crescimento da economia mundial.

Antes de mais nada, é interessante observar que a maioria dos resultados econômicos registrados pelo Brasil em 2007 superou, em larga medida, os prognósticos fixados ao final do exercício de 2006, sugerindo a conformação de pontos característicos de “céu de brigadeiro”. Tanto é assim que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 5,4% diante de previsão de 3,5%, a produção industrial variou 6,0% (4,0% de estimativa), a geração de empregos formais aumentou 31,0%, equivalendo a 1,6 milhões de postos, superando o recorde histórico de 1,5 milhões de 2004, o emprego industrial subiu 2,2% (o maior ritmo em seis anos), a taxa de desemprego foi de 9,3% da População Economicamente Ativa (PEA), a menor desde 2003, as vendas reais do comércio cresceram 9,9% e as dos supermercados evoluíram 5,9%, recorde desde 1998.

A taxa média dos juros bancários encolheu de 40,0% ao ano para 33,8%, de 2006 para 2007. No mesmo intervalo, o juro do crédito pessoal caiu de 57,2% a.a. para 45,8%, e o crédito em consignação, de 33,3% para 28,4% a.a. A disponibilização de crédito ao setor privado aumentou 27,3%, chegando a 34,7% do PIB.

O saldo comercial externo atingiu US$ 40,0 bilhões (projeção de US$ 38,0 bilhões), os investimentos diretos estrangeiros (Ides) somaram US$ 34,6 bilhões (expectativa de US$ 16,0 bilhões), suplantando em 84,3% as cifras do ano anterior, as aplicações de empresas brasileiras no exterior somaram US$ 36,5 bilhões em 2006-2007, superando o montante contabilizado entre 1994 e 2005, e o consumo das famílias observou incremento de 6,5%, corroborando a trajetória ascendente trilhada depois da recessão de 2003 e configurando o maior patamar desde o auge do Plano Cruzado em 1986.

A propósito dos Ides, segundo a UNCTAD (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento), o Brasil apresentou o segundo maior crescimento no mundo em 2007 (quase 100,0%), sendo superado apenas pela Holanda (2.285,0%) devido à transferência do ABN-Amro para o grupo espanhol Santander. Em contrapartida, as remessas de lucros ao exterior experimentaram variação de 30,0% em 2007 com relação a 2006, registrando US$ 21,2 bilhões, fenômeno associado à internacionalização da economia brasileira e ao panorama de dólar barato.

Ao mesmo tempo, as taxas de câmbio e Selic ficaram abaixo do esperado, R$/US$ 1,94 (médio) versus R$/US$ 2,25 e 11,25% ao ano, contra 11,75% a.a., respectivamente. O saldo em transações correntes totalizou US$ 6,40 bilhões, praticamente igualando com os sinais emitidos pela “bola de cristal” dos mercados (US$ 6,20 bilhões), e a dívida líquida do setor público situou-se em 43,4% do PIB diante da inferência de 49,0% do PIB.

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Porém, um ambiente menos propício começou a ser descortinado depois do episódio da derrota da proposta de prorrogação do prazo de vigência da cobrança da CPMF, por parte do Senado da República, e, por extensão, a retirada de um potencial de arrecadação federal, estimado em mais de R$ 40,0 bilhões para o exercício de 2008, o impôs a construção de cenários alternativos para o comportamento das contas públicas do país.

O embrião da CPMF é representado pelo Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), criado em 13 de julho de 1993 e vigorando entre 01 de janeiro e 31 de dezembro de 1994, com alíquota de 0,25%, como parte do ajuste fiscal provisório de sustentação do plano real.

Na seqüência, em 24 de outubro de 1996, diante das dificuldades impostas pela desvinculação de 20,0% das receitas da União (primeiro como Fundo Social de Emergência, depois como Fundo de Estabilização Fiscal e, por fim, como Desvinculações das Receitas da União) e das exigências de recursos carimbados para a área da saúde, foi instituída a CPMF vigente a partir de janeiro de 1997, com alíquota de 0,20%.

A CPMF afetava as transações bancárias, exceto operações em Bolsas de Valores, retiradas de aposentadorias, seguro-desemprego e transferências entre contas-correntes de mesma titularidade.

A contribuição foi extinta em 23 de janeiro de 1999, sendo suas funções preenchidas pelo Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) até sua ressurreição em 17 de junho de 1999, com tempo de vida até 2002 e alíquota majorada para 0,38%, com a justificativa de custeio de algumas rubricas das contas da Previdência Social.

Em fins de 2000, o executivo decidiu autorizar o cruzamento de dados e informações bancárias com as declarações de Imposto de Renda dos contribuintes Em 2001, a alíquota caiu para 0,3% e, em março do mesmo ano, retornou ao patamar de 0,38%. Em 2002 e 2004, sofreu duas prorrogações de prazo de vigência, financiamento, dispêndios com a saúde pública (53,0%), a previdência social (26,0%) e o fundo de erradicação de combate à pobreza (11,0%).

É lícito admitir que a perda de receita coincida com um estágio bastante positivo acusado pela economia brasileira, traduzido em 20 trimestres consecutivos de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e derivado de alguns fatores virtuosos nas fronteiras internacional e interna. Na frente externa, emergem a valorização dos termos de intercâmbio das commodities (agrícolas, minerais e metálicas),

vis-à-vis os produtos industriais, e a abundância de liquidez. Frise-se que a apreciação das commodities

contém aspectos especulativos e, no caso brasileiro, serve para abrandar as perdas produzidas pelo real forte. Como resultado, tem-se a multiplicação do estoque de reservas em moeda forte e o declínio da vulnerabilidade externa do país.

No front doméstico, surgem os elementos explicativos do revigoramento da demanda, expressos no acréscimo dos patamares de emprego formal e de salários reais, na ampliação da disponibilidade e diminuição do custo do crédito, e no alargamento da abrangência dos programas de transferência de renda e/ou de inclusão das categorias sociais mais vulneráveis, aglutinados no Bolsa Família. A raiz e ponta desse fenômeno estão, respectivamente, no curso de desinflação, traçado desde 1994, e no abrandamento do grau de concentração de renda.

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