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Entrevista: Carmod Bastos, prefeito de São Sebastião do Alto

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Academic year: 2021

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Entrevista: Carmod Bastos, prefeito de São Sebastião do Alto

Neste momento, em que São Sebastião do Alto vive um momento de festa, comemorando, neste dia 17 de abril, seus 122 anos de emancipação, o JORNAL DA REGIÃO (JR) entrevista o prefeito do município, Carmod Bastos (CB), eleito pelo PT em outubro do ano passado e que quebrou uma sequência administrativa que comandava o município há mais de 20 anos.

O prefeito destaca as dificuldades encontradas ao assumir o governo, a relação com a população e a Câmara Municipal e, ainda, algumas de suas ideias em relação aos diversos setores administrativos.

JR – Em qual situação o senhor encontrou a Prefeitura de São Sebastião do Alto quando assumiu o cargo, em 1º de janeiro deste ano?

CB – Alguns equipamentos sucateados e em situação de abandono. Por exemplo: uma van roubada no município do Rio de Janeiro e a outra teve o motor batido na serra de Cachoeiras de Macacu. Realizamos uma limpeza no galpão da Secretaria de Obras, onde havia inúmeros veículos e equipamentos inoperantes e que foram colocados em um terreno para serem

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e, ainda sim, pela falta prolongada de manutenção, quebram constantemente.

Na educação, muitas escolas precisam de pintura e correções em instalações elétricas. Na área financeira, devo dizer que encontramos saldo em caixa, e que os restos a pagar estavam devidamente reservados. No entanto, fomos surpreendidos com cortes de luz e telefone, chegando a pagar, em janeiro, R$ 25 mil de juros de contas vencidas em dezembro. Foi preciso, também, alugar táxis e vans para cumprir as viagens necessárias aos pacientes.

Mas, apesar de tudo isso, a pior situação encontrada foi em relação ao orçamento alterado pela Câmara, que baixou de 50% para apenas 5% o percentual de remanejamento e ainda removeu dotações em importantes áreas, como Ação Social e Secretaria de Obras. Este fator vem dificultando imensamente as ações da Prefeitura.

JR – Quais foram as principais dificuldades nestes primeiros meses de governo?

CB – Além das já citadas, a fisiologia da máquina pública demandou uma enorme energia da minha parte e dos secretários. Não é fácil modificar rotinas há muito praticadas e impregnadas em nossos colaboradores. A visão de que precisamos partir para uma nova administração, participativa e com parcimônia, é uma premissa que ainda estamos disseminando. Nesta nova maneira de administrar, em que o povo é ouvido, em que o funcionário é ouvido, requer muita motivação e entusiasmo, pois são inúmeros os pleitos que chegam até nós, e, em sua maioria, com bastante fundamento. É necessário que todos saibam que, apesar da grande expectativa e de nossos esforços, ainda levará algum tempo para respondermos, com eficácia, a todos estes anseios.

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CB – Apesar da grande fama em torno do Hospital São Sebastião, estamos com um grande número de reclamações em relação ao atendimento, cancelamento/atraso de cirurgias. No início do governo, pessoas nos procuraram, por exemplo, porque estavam desde o ano passado aguardando suas cirurgias, que foram desmarcadas após as eleições. Pessoas têm sido orientadas a procurar a Prefeitura quando o hospital, descumprindo o que reza o contrato de prestação de serviço, não oferece este ou aquele procedimento médico. Certa vez, tive que ir a Campos dos Goytacazes para verificar como estava um paciente transferido do Hospital São Sebastião, equivocadamente, e que necessitava de uma cirurgia bucomaxilofacial, onde, graças a Deus, o paciente estava com a saúde estabilizada, em uma enfermaria comum, e pode ser retransferido para se submeter à cirurgia no Hospital São Sebastião.

Outro caso, de muita infelicidade, foi o óbito de um recém-nascido. Neste caso, nós

procuramos a direção do hospital para nos inteirarmos do ocorrido, pois havia muito comentário nas ruas de que houve negligência médica. A Secretaria de Saúde solicitou o prontuário

médico da paciente, onde verificaríamos os procedimentos adotados, mas a diretora da Associação Hospitalar se negou a fornecer tal documento. Aproveito a oportunidade desta entrevista para esclarecer à população que, apesar do Hospital São Sebastião pertencer ao município, pois foi construído com dinheiro público, ele é administrado pelo mesmo grupo privado desde sua fundação e que a Prefeitura apenas realiza repasse de recursos mensais. Entendemos, também, que isto não nos isenta da responsabilidade, e que, portanto, esta situação lastimável não pode e não vai permanecer.

Quanto à nossa competência direta, que são os ESF (Estratégia de Saúde da Família),

estamos estendendo os atendimentos na zona rural. Conseguimos contratar um novo médico, que está exclusivamente dedicado à atenção básica, conseguindo ótimos resultados.

Montamos uma sala de hidratação em Valão do Barro (distrito) com apoio da Secretaria Estadual de Saúde e, para alegria de todos, transferimos o Caps (Centro de Atenção Psicossocial), que se situava no trevo de São Sebastião do Alto para Valão do Barro, um desejo antigo da população.

JR – Os hospitais dos municípios da região recebem ajuda das prefeituras. Quanto a Prefeitura repassa, mensalmente, ao Hospital São Sebastião? E quais os serviços oferecidos à comunidade?

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CB – Repassamos uma verba mensal de R$ 150 mil para a Associação Hospitalar, que

também recebe recursos do SUS (Sistema Único de Saúde). Em nível de comparação, temos a informação que a Prefeitura de Cantagalo repassa R$ 175 mil para o Hospital de Cantagalo, que atende, aproximadamente, três vezes mais pacientes que o Hospital São Sebastião. Existe uma lista dos serviços que o Hospital São Sebastião deve estar apto a realizar, dentre eles destacamos pequenas cirurgias e internações.

JR – Sua administração introduziu no município a participação popular, com reuniões nas comunidades. O que isso representa para seu governo e quais têm sido os

resultados?

CB – Isto mostra a transparência do governo. Com estas reuniões, conseguimos dialogar e alinhar as estratégias do governo com o que realmente faz falta para a população. Como resultado, temos, além da satisfação popular, a realização de obras nas comunidades com a priorização de ações.  Nestes três meses e meio de governo, para se ter uma ideia, já

intervimos em 120 poços para irrigação, realizamos aproximadamente 100 serviços de arado de terra para agricultores e estamos realizando coleta de lixo doméstico na zona rural, além das estradas rurais, que estamos recuperando, apesar de se tratar de um serviço paliativo, pois sem a drenagem, bueiros, etc., porque toda vez que chove as estradas são danificadas. Há pouco mais de uma semana, começamos a receber manilhas e espalhá-las pelas estradas. Em breve, construiremos os bueiros.

JR – Como está o relacionamento da administração com os vereadores?

CB – Não é o ideal para o desenvolvimento do município.

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JR – E a questão do aumento dos servidores municipais? A Câmara teria votado contra o aumento de 9% e apresentado emenda para 14%. Como está a questão?

CB – Na segunda sessão ordinária realizada pela Casa, se votou os 9%. Creio que viram como seria inviável para o município. Eu gostaria de dar um reajuste maior, mas, pelo limite imposto ao orçamento, não posso, porque estouraria o percentual exigido por lei, de 51,3% com a folha de pessoal.

JR – São Sebastião do Alto é um dos maiores produtores de leite da Cooperativa Agropecuária de Macuco. Recentemente, ocorreu um encontro com a direção da cooperativa no sentido de abrir uma filial em seu município. Como está o assunto?

CB – Fui muito bem recebido pelo presidente Sílvio Marini e o então vice Walter Tardin na ocasião, e pude falar sobre meu desejo de levar uma instalação da Cooperativa de Macuco para São Sebastião do Alto. Quem não gostaria de ter em seu município uma empresa consolidada e bem gerida como a Cooperativa de Macuco! Foi esta a minha intenção, deixar claro que o município está de portas abertas para novos investimentos e parcerias.

JR – Por ser filiado ao PT, partido da presidente Dilma Rousseff, tem conseguido alguma verba federal para realizar obras em São Sebastião do Alto?

CB – Sim. Fomos a Brasília no início do governo e tivemos a boa notícia da presidente Dilma sobre os investimentos do Governo Federal nos municípios menores. Recentemente,

conseguimos, entre outras, uma emenda parlamentar de autoria do deputado federal Luiz Sergio, de R$ 850 mil, para aquisição de equipamentos agrícolas. Então, vamos trabalhar para firmar convênios e conseguir verbas para São Sebastião do Alto. Já temos algumas coisas

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JR – O Governo do Estado tem viabilizado alguns recursos ou obras para seu município?

CB – Sim. Fomos contemplados com o programa ‘Asfalto na Porta’, onde, no distrito de Valão do Barro, ocorreu o asfaltamento da principal via da localidade. Estamos desenvolvendo, em parceria com a Secretaria de Abastecimento e Pesca e com a Fiperj (Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro), um programa de piscicultura familiar. Fechamos um convênio, através da Secretaria Estadual de Agricultura e da Emater-Rio (Empresa de

Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio de Janeiro), para a vinda da patrulha mecanizada para o município, o que irá aliviar bastante a questão das estradas rurais.

JR – Uma mensagem ao povo altense, quando o município comemora seu aniversário?

CB – Estamos no início do governo de um município que completa 122 anos. Tenham fé! Sabemos que temos muito trabalho pela frente para desenvolver o município, mas esta é a nossa missão. Precisamos de todos para honrar aquilo que nossos ancestrais iniciaram há 122 anos. Tenho certeza que os idealizadores da emancipação político-administrativa sonhavam com um município forte e desenvolvido. Bem, está em nossas mãos agora. Que Deus nos abençoe! Parabéns São Sebastião do Alto!

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