• Nenhum resultado encontrado

MODELAÇÃO DO RISCO DE INCÊNDIO DO CENTRO HISTÓRICO DO FUNCHAL

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "MODELAÇÃO DO RISCO DE INCÊNDIO DO CENTRO HISTÓRICO DO FUNCHAL"

Copied!
15
0
0

Texto

(1)

MODELAÇÃO DO RISCO DE INCÊNDIO DO CENTRO

HISTÓRICO DO FUNCHAL

Rui A. F. Figueira1, A. Leça Coelho2 & João Paulo C. Rodrigues3 1

Serviço de Protecção Civil da Câmara Municipal do Funchal, Portugal.

[email protected] 2

LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Portugal. [email protected] 3

FCTUC - Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, Portugal. [email protected]

Resumo

O risco de incêndio nos centros urbanos antigos, também conhecidos por centros históricos, tem-se demonstrado como uma temática de grande importância nos últimos anos, em relação à qual têm sido apontadas algumas soluções de melhoria, embora nem sempre com os resultados esperados. Os métodos de avaliação do risco incêndio existentes não são os mais apropriados para estas zonas, pois a maior parte deles foram desenvolvidos para casos distintos das mesmas. O método mais usado a nível internacional e que tem sido adaptado para as zonas urbanas antigas é o de Gretener. Recentemente foi desenvolvido um novo método específico para estas zonas, o método de ARICA (Análise de Risco de Incêndio em Centros Antigos), que foi usado neste trabalho e os seus resultados foram comparados com os do método de Gretener.

Neste estudo procura-se assim estudar as diferenças entre os dois métodos através da sua aplicação a alguns edifícios do centro histórico do Funchal. Para facilitar a aplicação do método de ARICA desenvolveu-se um software que facilitou as várias análises feitas, com uma grande economia de tempo e facilidade de escolha dos valores dos diferentes parâmetros.

(2)

1 Métodos de Gretener e ARICA

1.1 Descrição sumária do método de Gretener

O método de Gretener, de natureza empírica, idealizado pelo engenheiro Suíço Max Gretener, nos anos 60, é o mais difundido na Europa, desde a sua divulgação em 1965 (Lemos et al, 1987).

Este método apresenta a vantagem de uma análise sistemática dos factores de risco, constituindo um bom guia para os projectistas. Em contrapartida, permite uma certa arbitrariedade na escolha de coeficientes aplicáveis aos diferentes factores.

Também não podemos ignorar que este método foi desenvolvido há quase meio século, considerando-se a evolução natural dos conhecimentos, facilmente se concluirá da existência de algumas insuficiências que não invalidam a sua utilidade.

1.1.1 A exposição das pessoas

Uma das maiores críticas que podemos apontar a este método é sem dúvida a sua fragilidade relativamente à consideração do factor de risco para pessoas. De facto, não existe nenhum critério que avalie a capacidade das vias de evacuação com vista à avaliação da exposição ao perigo das pessoas. A ausência dum critério desta natureza proporcionará alguns resultados irrealistas.

Não é considerado no risco de exposição ao perigo das pessoas o local para onde confluem as saídas, sendo idêntico, quer a saída seja directa para o exterior ou para uma zona de perigo qualquer; número de saídas e a existência de sinalização e iluminação de emergência é igualmente ignorado, obtendo-se valores indiferenciados para casos totalmente diferentes.

1.1.2 Interdependência entre algumas medidas de segurança

A existência de determinados meios de segurança contra incêndio pode não significar implicitamente uma diminuição do risco. Muitas vezes a eficácia desses meios está dependente de outros meios, como por exemplo a necessidade de recursos humanos. Assim, meios como bocas-de-incêndio necessitam de pessoas com formação adequada de forma a garantir-se uma utilização eficiente.

Contudo, não é o que por vezes resulta da aplicação do método. No caso dos factores associados às bocas-de-incêndio (factor n2) e à formação de pessoal (factor n5), estes apresentam valores de 0,8 quando “insuficientes ou inexistentes” ou 1,0 para “suficientes”. De facto, não é plausível que pessoas com formação adequada, mas sem meios de combate a incêndio sejam uma real valia, embora o método o garanta.

(3)

1.1.3 Sobrevalorização de algumas medidas

Em todo o método o único factor que pode assumir o valor 2,00 é a instalação de sprinklers (factor s5). Considera-se que esta medida é excessivamente valorizada, pois é também contabilizada como medida especial de detecção (factor s1 com valor igual a 1,20).

1.1.4 Subvalorização de algumas medidas

Considera-se que alguns dos factores se encontram subvalorizados relativamente a outros. Assumindo-se que uma instalação de extinção por gás tem uma eficácia semelhante, apesar de possuírem aplicações diferentes, às instalações de dilúvio, água pulverizada ou espuma, não parece razoável ter valores díspares. É certo que os sistemas de extinção automática de incêndios evoluíram muito e de forma diferente nos últimos anos.

Assim, numa extinção automática a gás o factor é igual a 1,35, numa instalação de dilúvio, água pulverizada ou espuma o factor assume o valor de 1,70, enquanto para uma instalação de sprinklers esse valor é 2,00.

1.2 Descrição sumária do método de ARICA

O método, inicialmente apresentado por Fernandes (2006), e designado por Método ARICA (Análise de Risco de Incêndio em Centros Antigos), ou simplesmente ARICA (Figueira, 2008), assenta no princípio de que os edifícios situados nos centros urbanos antigos não podem possuir um grau de risco superior ao dos edifícios recentes. Este princípio assenta nos seguintes pressupostos:

 Por viverem num centro urbano antigo, as pessoas não podem ser sujeitas a riscos superiores, do ponto de vista da segurança contra incêndio; e

 Os centros urbanos antigos representam para o imaginário colectivo uma importância que excede, muitas vezes, a dos edifícios novos, pelo que devem ser criadas condições de os preservar.

O Decreto-Lei nº 220/2008 de 12 de Novembro (Portugal, 2008a), o qual aprova o Regime Jurídico da Segurança Contra Incêndios em Edifícios (RJ-SCIE), e a Portaria nº 1532/2008 de 29 de Dezembro (Portugal, 2008b), que aprova o Regulamento Técnico de Segurança contra Incêndios em Edifícios (RT-SCIE), foram os documentos adoptados com vista ao estabelecimento do risco de incêndio de referência. Os motivos para a sua escolha deveram-se, entre outros, à abrangência das utilizações-tipo previstas neste regulamento.

A metodologia do método de ARICA assenta na definição dos seguintes factores globais de risco e factor global de eficácia:

(4)

 Factor global de risco associado ao início de incêndio, FGII;

 Factor global de risco associado ao desenvolvimento e propagação do incêndio no edifício, FGDPI;

 Factor global de risco associado à evacuação do edifício, FGEE; e  Factor global de eficácia associado ao combate ao incêndio, FGCI. Cada factor global é por sua vez constituído por vários factores parciais. Por sua vez o factor global de risco de incêndio (FRI) é dado por:

FRI = (1,2xFGII) x (1,1xFGDPI) x FGEE x FGCI (1) onde, referência de risco de Factor incêndio de risco de Factor FRR FRI incêndio de Risco   (2)

O FRR é obtido de acordo com a tabela1:

Edifícios correntes Edifícios industriais, armazéns, bibliotecas e arquivos

FRR 1,3 1,95

Tabela 1 – Determinação de FRR para diferentes tipos de edifícios.

Este método define que um de risco de incêndio inferior a 1,0 significa que a edificação está segura em relação ao incêndio.

1.3 Potencialidades e deficiências dos métodos de ARICA e de Gretener

O método ARICA é mais abrangente que o de Gretener embora este seja de mais fácil aplicação. O método de Gretener supõe à partida que o edifício a ser analisado garante as regras gerais de segurança, tais como as medidas de protecção das pessoas, as saídas de evacuação, a iluminação de emergência ou até mesmo que são verificadas as prescrições das instalações técnicas. Sabendo-se de antemão que a realidade dos centros urbanos antigos, quanto ao risco de incêndio associado, resulta da não verificação das medidas de segurança contra incêndios, a aplicação do método de Gretener impõe que algumas medidas sejam verificadas ou, em último caso adaptadas, embora a realidade existente não o permita, pelos mais variados motivos. O método de Gretener pode ser considerado como mais permissivo na escolha dos parâmetros a considerar para as diferentes situações do que o ARICA.

(5)

O método ARICA tende a abranger a totalidade das regras gerais de segurança. Por esse facto torna-se mais complexa a sua aplicação, obrigando a ter uma realidade profunda das condições do edifício. Desde as condições de manutenção geral do edificado até às medidas de auto-protecção este método pretende verificar.

2 Casos de Estudo

O Decreto Legislativo Regional nº 21/86/M, de 2 de Outubro, classificou a zona antiga da cidade do Funchal como conjunto arquitectónico de valor regional e impôs os seus limites. Os edifícios analisados situam-se no Núcleo Histórico da Sé.

Os quatro edifícios analisados, e que se identificam de imediato, podem ser considerados como típicos dos núcleos históricos do Funchal:

 loja de pronto-a-vestir à Rua da Queimada de Cima nº 7;  tipografia à Rua da Queimada de Cima nº 9/9A;

 ourivesaria à Rua da Queimada de Cima nº 61;  edifício de escritórios à Rua do Bispo nº 14 a 24.

A escolha destes edifícios recaiu no facto de serem representativos da tipologia, volumetria e utilizações-tipo dos edifícios do centro histórico do Funchal. Com esta escolha, será mais fácil iniciar-se uma caracterização do risco de incêndio de forma mais genérica do restante edificado com base na sua ocupação, volumetria e utilização.

O centro histórico do Funchal é conhecido como uma zona comercial e de serviços com poucos edifícios de habitação própria, com uma grande ocupação diurna e quase desertificado à noite. No quarteirão em análise não é conhecida a habitação de pessoas de forma permanente.

As lojas, escritórios, restaurantes e bares, existentes neste “centro comercial e de serviços” da cidade, são predominantemente de pequenas dimensões. O quarteirão da zona em análise possui acesso automóvel condicionado, com a possibilidade de circulação de viaturas ao início da manhã para cargas e descargas. Os bombeiros possuem chaves dos pontos de acesso condicionados pela existência de pinos amovíveis.

 Loja de pronto-a-vestir

Esta loja trata-se de um estabelecimento comercial típico no centro do Funchal, de reduzidas dimensões, ocupando o piso rés-do-chão de um edifício de 3 pisos, cujos restantes níveis se encontram ocupados por serviços, abandonados, devolutos ou desocupados.

(6)

Este estabelecimento está inserido num edifício que se caracteriza por uma construção cujas paredes são em alvenaria de pedra, com os pavimentos de separação entre os diversos pisos em soalho tradicional de madeira assente em vigas de madeira. Possui um tecto falso em placas de gesso cartonado pintado em toda a sua extensão. As paredes interiores entre os edifícios vizinhos são rebocadas e pintadas enquanto as paredes divisórias são efectuadas em alvenaria de betão, rebocadas e pintadas. Quanto aos materiais de revestimento no pavimento, estes são flutuantes em madeira de carvalho. As caixilharias de janelas e portas são em alumínio. A cobertura é revestida a telha cerâmica assente em estrutura de madeira.

As medidas activas existentes caracterizam-se por um sistema automático de detecção de incêndio, sem linha telefónica dedicada, extintores portáteis e iluminação e sinalização de emergência.

 Tipografia

Trata-se de um estabelecimento antigo, com paredes exteriores em alvenaria de pedra assim como as de separação com os edifícios vizinhos, as quais são interiormente rebocadas e pintadas. O edifício não possui quaisquer paredes divisórias. Todos os pavimentos são em madeira, com a excepção do piso rés-do-chão que é em betonilha. Não existem tectos falsos. As portas e caixilharia das janelas da fachada são em alumínio. A cobertura é revestida a telha cerâmica apoiada em estrutura de madeira. A escada que liga os três pisos é de estrutura metálica de reduzidas dimensões.

Este edifício é representativo de algumas pequenas indústrias que existem há décadas no núcleo histórico. Quanto ao tipo de carga de incêndio foi possível definir três zonas distintas, definidas como armazém de imprensa, oficina tipográfica de imprensa e zona de embalagem.

Este estabelecimento possui um sistema automático de detecção de incêndio, sem linha telefónica dedicada, extintores portáteis e iluminação e sinalização de emergência.

 Ourivesaria

Este estabelecimento, uma ourivesaria de pequenas dimensões, ocupa os pisos 1, 2 e 3 de um edifício, que apresenta uma outra ocupação distinta no piso 0. O acesso é feito através de escada de tiro. Os pavimentos do edifício são em soalho tradicional apoiados em vigas de madeira, suportadas por paredes exteriores em alvenaria de pedra interiormente rebocadas e pintadas. O estabelecimento comercial, sito no R/C, possui um tecto falso em placas de gesso cartonado pintado.

Os pavimentos de separação da ourivesaria encontram-se não protegidos com a estrutura de madeira visível. As paredes interiores divisórias são em

(7)

tabique pintadas enquanto a estrutura do telhado é em madeira. O revestimento do telhado é em telha cerâmica.

A loja não possuía quaisquer medidas normais ou especiais, tais como sistema de detecção, extintores ou outros.

 Edifício de escritórios

Este edifício é classificado de interesse público e é um dos ex-líbris do Funchal.

O edifício é composto por dois corpos um inferior e outro superior. O corpo inferior, de grande desenvolvimento em planta, tem dois pisos enquanto o corpo superior, de reduzidas dimensões em planta, tem três pisos. Este edifício é um dos mais altos do núcleo histórico da Sé.

O piso 0 é independente dos restantes pisos. Assim, a este nível existem duas lojas, não consideradas neste estudo.

Em 1992, o edifício foi totalmente remodelado, com a demolição das coberturas e pavimentos, restando somente as paredes exteriores. As obras realizadas promoveram a construção de lajes e escadas em betão armado, amarradas às paredes exteriores de alvenaria de pedra.

Os pavimentos das zonas comuns foram revestidos a cantaria. Os escritórios apresentam um misto, entre soalho de madeira e cantaria. Todos os tectos, zonas comuns e escritórios,são rebocados e pintados. As paredes divisórias interiores foram executadas em alvenaria debetão, rebocadas e pintadas. A cobertura encontra-se revestida a telha cerâmica, assente sobre uma sub-telhaem fibrocimento, apoiada numa estrutura em perfis de aço.

As caixilharias exteriores, portas e janelas, são em madeira pintada, incluindo os aros e as forras.

Os escritórios em todos os pisos são de área inferior a 100 m2, separados por paredes de alvenaria de betão. A escada é interior mas não enclausurada e encerra no seu interior o elevador. Não possui quaisquer medidas normais ou especiais de segurança contra incêndio importantes.

3 Parâmetros considerados em cada método

Neste ponto são descritos os valores adoptados para cada um dos factores em cada um dos métodos, tendo em atenção que serão apresentados valores para duas variantes. A variante 2 resulta da consideração de algumas medidas de segurança contra incêndio adicionais nos edifícios em relação à variante 1.

(8)

3.1 Método de Gretener

3.1.1 Parâmetros comuns aos vários casos de estudo

Neste ponto são apresentados os valores dos parâmetros comuns aos vários casos sendo os valores dos parâmetros específicos apresentados nos pontos seguintes.

Nas medidas normais, o factor n3, referente à fiabilidade do sistema de abastecimento de água, foi considerado igual a 0,9. A rede de distribuição pública de água que abastece os três núcleos históricos foi totalmente remodelada nos últimos 2 anos, sendo as condutas novas em ferro fundido. O abastecimento desta rede é feito por gravidade, através de um reservatório de 8000 m3. Segundo fonte do Departamento de Água e Saneamento Básico da Câmara Municipal do Funchal (CMF), são garantidas pressões na ordem dos 7 Bar (0,7 kPa) na zona de análise e condições de caudal elevadas. Segundo a mesma fonte, o caudal extraído dos marcos de incêndio é condicionado pelas suas características e não pela rede de distribuição pública. O reservatório não possui qualquer reserva exclusiva para incêndios. Além desta rede, existe uma outra denominada “rede de alta pressão”, com melhores características a nível de pressão e caudal, que segundo a mesma fonte, apresenta uma pressão de 10 Bar.

Face ao facto da fiabilidade não poder ser comprovada com acesso a valores estatísticos, o valor assumido para o factor n3 foi 0,9.

Para a determinação do valor do factor s3 considerou-se a existência de um corpo de bombeiros da categoria 7, definindo-se o seu valor como 1,60. O Funchal possui duas corporações distintas e relativamente próximas, os Bombeiros Municipais do Funchal (BMF) e os Bombeiros Voluntários Madeirenses (BVM). Os BMF são uma corporação que conta com 124 elementos, todos profissionais, e os BVM uma corporação mista, com um número semelhante de bombeiros, dos quais sensivelmente 50% são profissionais. Os meios existentes nos BMF e BVM foram considerandos suficientes para considerá-los na categoria 7.

Face à proximidade das corporações, o tempo estimado de chegada à zona é inferior a 15 minutos, adoptando-se assim o factor s4 com um valor de 1,0. A distância dos vários edifícios em análise às bocas-de-incêndio ou marcos de incêndio mais próximos é variável mas nunca superior a 100m, sendo adoptado o valor 0,95 ou 1,00 para o factor n4.

Em todos os casos verificou-se a inexistência de formação do pessoal, sendo adoptado o valor 0,80 no factor n5.

(9)

Sempre que na descrição dos cálculos referentes aos vários edifícios se faz referência a medidas normais, especiais e de construção, elas correspondem às consideradas pelo método de Gretener.

3.1.2 Parâmetros específicos dos vários casos de estudo

As tabelas 2 a 9 apresentam os valores dos factores dos perigos potenciais e os restantes factores das medidas de protecção ainda não definidos para cada um dos edifícios estudados.

 Loja de pronto-a-vestir Perigos potenciais  Carga de incêndio Mobiliária ( q )  1,30  Combustibilidade ( c )  1,20  Perigo de fumo ( r )  1,00  Perigo de corrosão ( k )  1,00  Carga de incêndio imobiliária ( i )  1,10  Nível do piso ( e )  1,00  Amplidão de superfície ( g )  0,40 

Tabela 2 – Factores dos perigos potenciais da loja de pronto-a-vestir.

      Variantes        1  2  Medidas de  Protecção  Medidas  Normais  Extintores Portáteis (n1)  1,00  0,90  Bocas‐de‐incêndio (n2)  0,80  ‐‐‐‐‐‐‐‐  Formação funcionários (n5)  0,80  ‐‐‐‐‐‐‐‐  Medidas  especiais  Detecção de incêndio (s1)  1,45  1,00  Transmissão de alarme (s2)  1,00  ‐‐‐‐‐‐‐‐  Extinção automática (s5)  1,00  ‐‐‐‐‐‐‐‐  Desenfumagem (s6)  1,00  ‐‐‐‐‐‐‐‐  Medidas de  construção  Resistência da estrutura (f1)  1,20  1,00  Resistência da fachada (f2)  1,10  1,00  Separação entre pisos (f3)  1,15  1,00  Células corta‐fogo (f4)  1,20  1,00 

Tabela 3 – Resumo dos restantes factores da loja de pronto-a-vestir.

 Tipografia Perigos potenciais  Carga de incêndio Mobiliária ( q )  1,90  Combustibilidade ( c )  1,60  Perigo de fumo ( r )  1,20  Perigo de corrosão ( k )  1,00  Carga de incêndio imobiliária ( i )  1,20  Nível do piso ( e )  1,30  Amplidão de superfície ( g )  0,40 

(10)

      Variantes        1  2  Medidas de  Protecção  Medidas  Normais  Extintores Portáteis (n1)  1,00  0,90  Bocas‐de‐incêndio (n2)  0,80  ‐‐‐‐‐‐‐‐  Formação dos funcionários (n5)  0,80  ‐‐‐‐‐‐‐‐  Medidas  especiais  Detecção de incêndio (s1)  1,45  1,00  Transmissão de alarme (s2)  1,00  ‐‐‐‐‐‐‐‐  Extinção automática (s5)  1,00  ‐‐‐‐‐‐‐‐  Desenfumagem (s6)  1,00  ‐‐‐‐‐‐‐‐  Medidas de  construção  Resistência da estrutura (f1)  1,20  1,00  Resistência da fachada (f2)  1,10  1,00  Separação entre pisos (f3)  1,15  1,00  Células corta‐fogo (f4)  1,20  1,00 

Tabela 5 – Resumo dos restantes factores da tipografia.

 Ourivesaria Perigos potenciais  Carga de incêndio Mobiliária ( q )  1,40  Combustibilidade ( c )  1,20  Perigo de fumo ( r )  1,00  Perigo de corrosão ( k )  1,00  Carga de incêndio imobiliária ( i )  1,20  Nível do piso ( e )  1,65  Amplidão de superfície ( g )  0,40 

Tabela 6 – Factores dos perigos potenciais da ourivesaria.

      Variantes        1  2  Medidas de  Protecção  Medidas  Normais  Extintores Portáteis (n1)  0,90  1,00  Bocas‐de‐incêndio (n2)  0,80  ‐‐‐‐‐‐‐‐  Formação dos funcionários (n5)  0,80  1,00  Medidas  especiais  Detecção de incêndio (s1)  1,00  1,45  Transmissão de alarme (s2)  1,00  1,20  Extinção automática (s5)  1,00  ‐‐‐‐‐‐‐‐  Desenfumagem (s6)  1,00  ‐‐‐‐‐‐‐‐  Medidas de  construção  Resistência da estrutura (f1)  1,00  ‐‐‐‐‐‐‐‐  Resistência da fachada (f2)  1,10  ‐‐‐‐‐‐‐‐  Separação entre pisos (f3)  1,00  ‐‐‐‐‐‐‐‐  Células corta‐fogo (f4)  1,00  ‐‐‐‐‐‐‐‐ 

(11)

 Edifício de escritórios Perigos potenciais  Carga de incêndio Mobiliária ( q )  1,60  Combustibilidade ( c )  1,20  Perigo de fumo ( r )  1,00  Perigo de corrosão ( k )  1,00  Carga de incêndio imobiliária ( i )  1,10  Nível do piso ( e )  1,95  Amplidão de superfície ( g )  0,40 

Tabela 8 – Factores dos perigos potenciais do edifício de escritórios.

      Variantes        1  2  Medidas de  Protecção  Medidas  Normais  Extintores Portáteis (n1)  0,90  1,00  Bocas‐de‐incêndio (n2)  0,80  1,00  Formação dos funcionários (n5)  0,80  1,00  Medidas  especiais  Detecção de incêndio (s1)  1,00  1,45  Transmissão de alarme (s2)  1,00  1,20  Extinção automática (s5)  1,00  ‐‐‐‐‐‐‐‐  Desenfumagem (s6)  1,00  ‐‐‐‐‐‐‐‐  Medidas de  construção  Resistência da estrutura (f1)  1,20  ‐‐‐‐‐‐‐‐  Resistência da fachada (f2)  1,10  ‐‐‐‐‐‐‐‐  Separação entre pisos (f3)  1,15  ‐‐‐‐‐‐‐‐  Células corta‐fogo (f4)  1,20  ‐‐‐‐‐‐‐‐ 

Tabela 9 – Resumo dos restantes factores do edifício de escritórios.

3.2 Método de ARICA

3.2.1 Parâmetros comuns aos vários casos de estudo

Na aplicação do método de ARICA, alguns factores parciais revelaram valores idênticos em todos os casos analisados. Esses factores parciais (FIG, FES, FNSL, FAE, FHE e FF) apresentam valores idênticos devido à sua localização ou outras características normais neste tipo de edificado.

O factor parcial das instalações de gás (FIG) apresenta um valor 1,0, visto que nenhuma das edificações possui qualquer instalação deste tipo.

No caso do factor parcial das equipas de segurança, FES, como nenhum dos edifícios possui equipas de segurança, ou qualquer funcionário com formação adequada de combate a incêndios, o valor é igual a 2,0.

Os factores parciais relacionados com a localização e as vias de acesso, casos FAE, FHE e FF possuem igualmente valores iguais em todos os casos analisados. O factor parcial referente à acessibilidade ao edifício (FAE), face à localização do quarteirão em análise e às dificuldades impostas pelos arruamentos que os servem, foi considerado igual a 1,5. Quanto aos hidrantes exteriores (FHE), em nenhum dos casos estão a distâncias

(12)

regulamentares, mas sim entre os 70 e 100m, considerando-se para este factor parcial o valor de 1,2. Tal como já adiantado na aplicação do Método de Gretener, não existem dados da fiabilidade da rede de abastecimento de água (FF), sendo adoptado nestes casos para o ARICA o valor 1,0.

Quanto ao factor referente ao número de saídas dos locais (FNSL), embora os edifícios apresentem características distintas e, em alguns casos, as distâncias a percorrer até alcançar uma via de evacuação segura ou o exterior são superiores ao regulamentar, para o efectivo calculado nos vários casos o número de saídas dos locais nunca foi condicionante, obtendo-se o valor 1,0.

3.2.2 Parâmetros específicos dos vários casos de estudo

Nos pontos seguintes apresentam-se todos os restantes factores parciais do método, os quais são apresentados sob a forma de tabelas, sendo possível visualizar igualmente as diferenças entre as duas variantes.

Loja de pronto-a-vestir

  Variantes    Variantes    Variantes 

  1  2    1  2    1  2  FAV 1 1 FDVE 1 1 FL 1 1 FC 1 1 FEC 1 1 FNCI 1 1 FCCF 1,5 1,5 FEE 1 1 FNSL 1 1 FCF 1 1 FES 2 1 FPV 1 1 FCI 1 1 FEXT 1 1 FRIA 1 1 FCS/H 1 1 FIEL 1 1 FSAE 1 1 FDI 1 0,5 FIVE 1 1 FSI 1 1

Tabela 10 – Valores dos restantes factores da loja de pronto-a-vestir.

As diferenças, entre as duas variantes resumem-se aos factores FDI e FES (tabela 10). O primeiro diz respeito à detecção de incêndio, que não sendo exigível regulamentarmente, na variante 1 o valor é 1,0, pelo que ao prever-se a instalação de um SADI, o método prevê o valor de 0,5. Quanto ao factor parcial FES ao prever-se equipa de segurança o seu valor passa a 1,0.

Tipografia

  Variantes    Variantes    Variantes 

  1  2    1  2    1  2  FAV 1 1 FDVE 1,49 1,49 FL 1,05 1,05 FC 1,1 1,1 FEC 1,1 1,1 FNCI 1,83 1,83 FCCF 1,33 1,33 FEE 2 1 FNSL 1 1 FCF 1 1 FES 2 1 FPV 1 1 FCI 0,42 0,42 FEXT 1 1 FRIA 1,3 1 FCS/H 1,5 1,5 FIEL 1 1 FSAE 2 1 FDI 1 1 FIVE 1 1 FSI 2 1

(13)

A segunda variante apresenta cinco factores parciais distintos da situação existente (tabela 11). A previsão de equipas de segurança e a realização de exercícios de evacuação garante aos factores FES e FES o valor 1,0. Os restantes factores dizem respeito à montagem de sinalização e iluminação de emergência (FSI), instalação uma rede de incêndio armada (FRIA) e dum sistema automático de extinção a água (FSAE). Estes 3 factores passam a ter o valor 1,0, porque não existem no edifício actualmente.

Ourivesaria

  Variantes  Variantes Variantes 

  1  2  1 2 1 2  FAV 1 1 FDVE 1 1 FL 1 1 FC 1,1 1 FEC 1,1 1,1 FNCI 1 1 FCCF 1,5 1,5 FEE 1 0,5 FNSL 1 1 FCF 1 1 FES 2 1 FPV 1 1 FCI 1,19 1,19 FEXT 1,2 1 FRIA 1 0,8 FCS/H 1 1 FIEL 1,5 1 FSAE 1 1 FDI 1,2 0,5 FIVE 1 1 FSI 2 1

Tabela 12 – Valores dos restantes factores da ourivesaria.

Das alterações evidenciadas, prevê-se a instalação de extintores portáteis (FEXT), que na situação existente são inexistentes, e a adequação das instalações eléctricas (FIEL) que se encontram em mau estado de conservação, como exigências regulamentares (tabela 12). Os factores FDI, FEE e FRIA, obtiveram valores inferiores a 1 porque apesar de serem previstos o regulamento não o exige. O factor de correcção (FC) é alterado, porque passamos duma situação em que não estão garantidas todas as exigências regulamentares para uma situação regulamentar.

Edifício de escritórios

Este edifício, apesar de encerrar inúmeras situações não regulamentares, não permite uma fácil implementação de medidas correctivas de segurança contra incêndio. Os factores alterados resumem-se à previsão de um SADI (FDI), realização de exercícios de evacuação (FEE), criar equipa de segurança (FES), instalar extintores portáteis (FEXT), montagem de rede de incêndios armada (FRIA) e colocação de sinalização e iluminação de emergência (FSI) (tabela 13). Todas as restantes medidas regulamentares exigíveis são inexequíveis devido às condicionantes arquitectónicas do edifício.

(14)

  Variantes    Variantes    Variantes    1  2    1  2    1  2  FAV 1,05 1,05 FDVE 2 2 FL 1 1 FC 1,2 1,2 FEC 1 1 FNCI 1 1 FCCF 1 1 FEE 2 1 FNSL 1 1 FCF 2 2 FES 2 1 FPV 1,67 1,67 FCI 1,19 1,19 FEXT 1,2 1 FRIA 1,3 1 FCS/H 1 1 FIEL 1 1 FSAE 1 1 FDI 2 1 FIVE 1,05 1,05 FSI 2 1

Tabela 13 – Valores dos restantes factores do edifício de escritórios.

4 Análise dos valores de risco de incêndio obtidos 4.1 Valores de risco de incêndio

Os valores de risco de incêndio obtidos pelos métodos de Gretener e de ARICA constam da tabela 14:

  Variante 1  Variante 2 

  Gretener  ARICA  Gretener  ARICA 

Loja de pronto‐a‐vestir  4,29  1,91  1,39  1,04 

Tipografia  0,50  2,44  1,13  1,05 

Ourivesaria  0,74  3,30  1,80  1,00 

Edifício de escritórios  1,30  4,65  3,92  1,70 

Tabela 14 – Factores de risco de incêndio obtidos.

4.2 Comentário dos resultados obtidos

Os resultados obtidos para cada um dos casos analisados chegam a ser tão distintos quanto os dois métodos utilizados. O caso mais notório das discrepâncias nos resultados obtidos pelos dois métodos é claramente o edifício de escritórios. No método de Gretener a situação actual é considerada satisfatória, obtendo-se um valor superior ao mínimo previsto para garantir um risco de incêndio aceitável. Na aplicação do método de ARICA, prevendo-se todas as medidas consideradas exequíveis, o valor não se aproximou do mínimo para se considerar o risco de incêndio aceitável. Através da aplicação do Método de Gretener, na tipografia e na ourivesaria, a segurança contra incêndio era insuficiente, enquanto os restantes dois casos o valor era suficiente. Sem surpresas, pelo Método ARICA todos os casos estudados apresentam necessidade de melhorias na segurança contra incêndio do edifício. Embora os resultados obtidos no ARICA fossem os esperados, visto tratar-se de edificações que não cumprem as prescrições regulamentares, o mesmo não se verificou com os resultados obtidos pelo Gretener. O caso mais paradigmático foi o do edifício de escritórios, pois

(15)

apesar de ser um edifício de seis pisos, sem qualquer medida passiva ou activa de protecção, a aplicação do Gretener resultou na obtenção dum risco de incêndio aceitável.

5 Conclusões

O método de Gretener, apesar das suas potencialidades, tem limitações que não podem ser ignoradas e que são mais evidentes quando aplicado aos centros urbanos antigos, pois foi pensado para edifícios industriais. As suas limitações, quando aplicado aos edifícios situados nestes centros, decorrem da ausência de diversos factores com influência decisiva no risco e, por outro, na forma como outros são tratados. Nota-se a ausência dum factor que faça intervir o estado de conservação do edifício, o estado das instalações, a possibilidade de propagação do incêndio entre os edifícios, etc.

No que concerne ao método ARICA a sua principal insuficiência reside na não consideração da possibilidade de propagação do incêndio entre edifícios vizinhos e nos valores adoptados para alguns dos factores.

A finalizar refere-se que os resultados obtidos a partir dos métodos de Gretener e de ARICA permitiram identificar diferenças entre eles. O primeiro é menos abrangente nas várias valências da segurança contra incêndio, enquanto o segundo considera na sua formulação praticamente todos os aspectos que influenciam o risco de incêndio.

Referências

Fernandes, A. M. S. (2006) – “Segurança ao Incêndio em Centros Urbanos Antigos” Tese de Mestrado em Ciências da Construção, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

Figueira, R. A. F. (2008) – “Avaliação do Risco de Incêndio em Centros Urbanos Antigos” Tese de Mestrado em Segurança Contra Incêndios Urbanos, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Portugal (2008a) – Leis, decretos, etc. – “Regime jurídico da segurança contra incêndios em edifícios (Decreto-Lei nº 220/2008, de 12 de Novembro)”. Diário da República, Lisboa.

Portugal (2008b) – Leis, decretos, etc. – “Regulamento Técnico de Segurança contra Incêndios em Edifícios (Portaria nº 1532/2008, de 29 de Novembro)”. Diário da República, Lisboa.

Lemos, A.M.T. & Neves, I. C. (1987) – “Avaliação do Risco de Incêndio. Método de Cálculo.”, Universidade Técnica de Lisboa.

Referências

Documentos relacionados

A135e Efeito da concentração de glicose e da alcalinidade na produção de hidrogênio em reator anaeróbio de leito fluidificado / Eduardo Lucena Cavalcante de Amorim ;

As relações hídricas das cultivares de amendoim foram significativamente influenciadas pela a deficiência hídrica, reduzindo o potencial hídrico foliar e o conteúdo relativo de

1 A área de estudo é compreendida pela raia divisória São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, em que estão inseridas as microbacias hidrográficas dos ribeirões Santo Antonio-SP,

Certifique-se que os gráficos escolhidos tratem de temas que os alunos tem familiaridade - número de alunos na escola, dados sobre desmatamento, população etc?. Coloque no

A Visita Técnica é obrigatória e deverá ser agendada com no mínimo 48 horas de antecedência, em horário comercial de segunda a sexta-feira pelo telefone (63) 3212-9910

Em Lisboa, e de acordo com os capítulos especiais da cidade levados às Cortes de 1418, tanto os tabeliães do Paço (i.e. os tabeliães do público) como os das Audiências

Nas outras versões mudam os valores numéricos, a ordem das perguntas e alguns pormenores que não alteram significativamente as perguntas.... MESTRADO INTEGRADO

No âmbito da Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014) ambiciona-se uma escola renovada, capaz de direccionar a humanidade para um caminho